sexta-feira, 17 de maio de 2013

Missa: sacrifício ou ceia entre amigos?

Palmas, dança e euforia na Santa Missa - O Sacrifício e o louvor

Recebemos do leitor "Felipe" o seguinte comentário à postagem "Sobre a questão das palmas na Santa Missa":

“Sou católico fervoroso, mas não consigo entender: se Jesus me fez livre dos pecados no dia da salvação e livre para adorá-lo, porque nao posso adorá-lo com minhas palmas? Qualquer forma de adoração é aceita por Deus, desde que parta do profundo do coração. Isso é ridículo! Davi louvava a Deus das maneiras mais liberais que já se viram! Se Deus criou minhas mãos e me deu capacidade de bate-las porque não posso usar isso como adoração. Eu não posso nem dizer que isso é um atraso, isso é antibíblico! Os salmos falam sobre o louvor com os instrumentos, entre eles de repercussão e com as danças. Portanto Deus gosta do louvor como é o melhor da pessoa.

'Aleluia. Louvai o Senhor em seu santuário, louvai-o em seu majestoso firmamento.
Louvai-o por suas obras maravilhosas, louvai-o por sua majestade infinita.
Louvai-o ao som da trombeta, louvai-o com a lira e a cítara.
Louvai-o com tímpanos e danças, louvai-o com a harpa e a flauta.
Louvai-o com címbalos sonoros, louvai-o com címbalos retumbantes.
Tudo o que respira louve o Senhor!'
Salmos 150:1-6

Se o melhor que a pessoa pode dar é o rap, Ele aceita o rap, se o melhor que a pessoa pode dar é o rock, Ele aceita o rock, se o melhor que a pessoa pode dar é a palma, Ele aceita as palmas,se o melhor da pessoa é a dança, Ele aceita a dança . Ele dá liberdade de adoração, não consigo me conformar com essa ideia de que barulho atrapalha, se Ele criou o barulho ele também gosta do barulho!"

- NOSSA RESPOSTA:

Olá, Felipe, a Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Seu comentário é muito oportuno, porque você conseguiu reunir praticamente todos os argumentos dos que são favoráveis às palmas, danças, batucadas e todo tipo de "inovações" e "modernismos" na Celebração Eucarística. Como é comum à maioria daqueles que compartilham das suas convicções, a paixão e a emoção tomam conta da razão, tanto que, logo no começo do seu comentário, você já chama todos os que não compartilham do seu pensamento de “ridículos”.

Então, antes de tudo, peço um pouco mais de calma da sua parte. Peço que respire fundo, suplique pela orientação do Espírito Santo e leia esta nossa resposta inteira. Tenho certeza de que, se fizer isso, você vai compreender a questão. Num primeiro momento você pode se decepcionar, pode optar em permanecer irracionalmente firme nas suas convicções... Mas você vai entender. Bem, como você elencou uma série de argumentos, para organizar o raciocínio e facilitar a compreensão, teremos que responder um por um, em partes. Vamos lá:

1) Católicos com o pensamento "protestantizado"

Em primeiro lugar, perceba que o seu pensamento está totalmente “protestantizado”. Infelizmente, o crescimento das seitas pentecostais no Brasil anda levando muitos católicos a assumir determinados princípios 100% protestantes e, muitas vezes, anticatólicos. Muita gente anda, sem querer, caindo nessa sutil armadilha. Você ouve uma afirmação num programa de TV aqui, o seu amigo repete uma outra afirmação ali... E, quando dá pela situação, você também está defendendo aqueles mesmos pontos de vista. Aquele jeito de entender as coisas entrou e instalou-se no seu subconsciente, sem você perceber.

É o caso de elevar a Bíblia Sagrada à categoria de "única regra de fé e prática" para o cristão: se algo está escrito na Bíblia vale; se não está escrito na Bíblia, literalmente, não vale. Este é um princípio totalmente protestante e totalmente contrário à Igreja Católica. Poderíamos dizer que é este o único "dogma" das igrejas ditas "evangélicas", e é um dogma completamente contraditório, pois é contrário à própria Bíblia, e que leva incontáveis almas à perdição. Por quê? Porque eu posso pinçar determinadas passagens da Bíblia para legitimar praticamente qualquer coisa, até mesmo os crimes mais hediondos!

Veja por exemplo o caso do falso profet, digo, empresário e autoproclamado "bispo" Edir Macedo, líder e fundador da "igreja universal do reino de deus": ele usa trechos bíblicos para defender o aborto! Para aqueles "evangélicos" de outras denominações que não aceitam tal absurdo, Macedo diz que há "embasamento bíblico" para tal: ele cita o dizer do Senhor Jesus quando sentou-se à mesa com seus discípulos para celebrar a última ceia: “O Filho do Homem vai, como dEle está escrito. Mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem é traído! Seria melhor para esse homem que jamais tivesse nascido!” (Mateus 26,24)

Sim. De tão absurdo, o argumento torna-se ridículo, e chega a parecer uma piada, mas infelizmente não é. A interpretação do "bispo" (sic) Macedo é de que seria “melhor que Judas tivesse sido abortado”: logo, devemos liberar a lei, para que as mulheres abortem à vontade. Claro que ele não considera o fato de que a Virgem Maria, que por estar grávida sendo solteira, prometida a José, correu risco de vida; naquela cultura, ela poderia ter sido apedrejada! Agora imaginemos se ela tivesse resolvido também usar o seu "direito de mulher", apelar para essa "responsabilidade social" e abortar Jesus Cristo, o Salvador do mundo!..

Evidentemente, para destruir de uma vez a ideia de que o aborto possa ser defendido por um cristão, usar a Bíblia é ainda mais simples. Basta citar, por exemplo, Êxodo 20,13: "Não matarás". Melhor ainda seria lembrar o que diz o Salmo 139,13-14: "Fostes vós que formastes as entranhas de meu corpo, vós me tecestes no seio de minha mãe. Sede bendito por me haverdes feito de modo tão maravilhoso!". Tenho eu o direito de arrancar do ventre da mãe aquela vida humana que, como diz a Bíblia, Deus mesmo formou? E para arrematar a conversa, que tal citar Jeremias 1,5? "Antes que no seio de tua mãe fosses formado, eu já te conhecia; antes de teu nascimento, eu já te havia consagrado, e te havia designado profeta das nações".

É um fato indiscutível que a Bíblia pode ser usada por pessoas mal intencionadas ou simplesmente ignorantes.

"Gostaria que alguém me 'provasse biblicamente' que um homem não pode ter mais de uma mulher", diz o "pastor". Pois é... Para essas pessoas, tudo precisa ser "provado biblicamente", tudo precisa ter "base bíblica". Mas como é que se prova alguma coisa biblicamente, se todo texto, mesmo que seja um texto sagrado, divinamente inspirado, está sujeito à interpretação humana? Edir Macedo acha que "provou biblicamente" que o aborto é da Vontade de Deus. O "pastor" do vídeo acima acha que deveria fazer sexo com a esposa de outro homem porque a Bíblia diz que ele deveria fazê-lo. E se diz prontinho para fazer esse grande sacrifício...

Eu poderia encher muitas e muitas páginas com exemplos como esses. Usando a Bíblia, milhares de denominações ditas "evangélicas" espalhadas pelo mundo se contradizem, e cada uma prega uma doutrina completamente diferente da outra. Umas ensinam que o divórcio é lícito, outras dizem que não, umas ensinam que sem o batismo ninguém se salva, outras dizem o contrário, umas pregam a famigerada teologia da prosperidade, outras a condenam com veemência; umas aceitam relações homossexuais, e tem até igreja de "pastores gays", com cerimônia de casamento própria (veja aqui). Por tudo isso é que a Bíblia também afirma claramente: "Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal" (2Pd 1,20).

Estas palavras tão explícitas, diretas, categóricas, deveriam ser pintadas em letras garrafais nas fachadas de todas as "igrejas evangélicas" do mundo: "ANTES DE TUDO, SABEI QUE NENHUMA PROFECIA DA ESCRITURA É DE INTERPRETAÇÃO PESSOAL!" Alguém deveria entrar no meio dos cultos com um megafone na mão, gritando a plenos pulmões: "ANTES DE TUDO, SABEI QUE NENHUMA PROFECIA DA ESCRITURA É DE INTERPRETAÇÃO PESSOAL!"...

Não falo como desrespeito, nem por algum sentimento ruim, mas porque não me conformo com o grau de alienação das pessoas que colocam o Livro (Bíblia) acima do próprio Autor do Livro (a Igreja, que é o Corpo de Cristo, inspirada pelo Espírito Santo).

Mas por que estou me demorando tanto nesta questão, demonstrando a facilidade com que se usa a Bíblia para justificar os maiores absurdos teológicos? Porque, sem saber, Felipe, você está seguindo o mesmo caminho. Seguindo a mesma linha de raciocínio, você argumenta que algo que Davi fazia, nós também podemos, e até devemos fazer. Afinal, está na Bíblia... Dizer o contrário é "antibíblico"... Bem, se você é realmente um “católico fervoroso”, como se declara, deveria saber que essa não é e nem nunca foi a postura católica. Nós não nos orientamos exclusivamente naquilo que está literalmente escrito na Bíblia, para saber o que convém e o que não convém, o que é certo e o que é errado. Isso é heresia! Quem começou com essa história foi Lutero, com a sua tese do "livre exame das Escrituras", segundo a qual qualquer pessoa pode ler e interpretar a Bíblia por conta própria, sem a orientação do Magistério da Igreja. O resultado aí está: os falsos profetas fizeram a festa! Sim, reduzir o cristianismo a "religião do livro" gera o caos, e este é um fato que todo católico deve saber de cor.

2) Os atos do Rei Davi servem de exemplo para os cristãos?

Além de tudo, se nós fôssemos hoje fazer o que fazia o Rei Davi, como você propõe... Puxa vida! O que seria de nós? Você por acaso já leu o Antigo Testamento? A grande verdade é que a vida de Davi não serve de exemplo para cristão algum, muito pelo contrário. A Bíblia mostra claramente como era a conduta do rei Davi. Entre muitas outras “peripécias”, ele mandou matar Recabe e Baaná, mandou cortar suas mãos e seus pés e pendurar seus corpos sobre um tanque (2Sm 4,12). Ele também matou mais de 40.000 sírios (2Sm 10,18), 22.000 arameus (2Sm 8,5) e 18.000 edomitas no vale do sal (2Sm II 8,13), fazendo dos sobreviventes escravos. Davi mutilava até os cavalos dos seus inimigos, cortando-lhes os tendões (2Sm II 8,4). Davi cobiçou a esposa de Urias, que era seu servo fiel, e adulterou com ela. Depois armou um plano maquiavélico para matar Urias de forma que pudesse ficar com a sua esposa.

Tudo isso fez Davi. Será que devemos fazer tudo o que ele fez?

Evidente que tudo o que expus acima se enquadra num contexto muito específico, numa cultura e num tempo histórico completamente diferente do nosso, e que Davi, mesmo errando, pecando, caindo, nunca abandonou Deus, nunca deixou de pedir a Deus, de cantar o Amor divino e confiar nEle. O Antigo Testamento não é como um romance, um livro de histórias para qualquer pessoa ler, sem orientação, sem a correta compreensão dos seus sentidos e significados. Acima de tudo, todos os atos de Davi pertencem a um tempo passado, o tempo da Antiga Aliança. Na história da sua vida podemos ver claramente o desenrolar da aventura humana, com as fraquezas e forças que permeiam a nossa vida, com seus momentos de alegria, de dor, de fidelidade e de queda.

O nome de Davi é citado em vários livros da Bíblia, mas é importante ressaltar que o ponto mais importante da sua história é a profecia de Natã, de que o Trono de Jerusalém sempre seria ocupado por um messias (rei ungido) da família de Davi. Esta profecia teve seu pleno cumprimento em Jesus, o Cristo, Messias Rei dos reis. Os Evangelhos, ao apresentarem Jesus como descendente de Davi, mostram que ele é o Messias esperado, que veio ao mundo para resgatar todos os homens.

Mas nada disso muda o fato de que Davi acertou e errou. Insisto, então, na pergunta: Devemos fazer tudo o que ele fez? O fato de a Bíblia citar algum gesto seu serve como atestado de que todo o povo cristão deve fazer o mesmo? A resposta é não.


3) A Igreja Católica

O mais importante, para todo católico, é compreender a importância fundamental da Igreja, que segundo a própria Bíblia, “é a Casa do Deus Vivo, a coluna e o sustentáculo da Verdade” (1Tm 3,15). No sentido bíblico do NT, a Igreja é a Morada e também a Família de Deus (cf. Nm12,7; Hb 3,6; 10,21; 1Pd 4,17), e a fortaleza em que foi depositada e em que se conserva solidamente o Evangelho que salva. Entende isto?

É esta mesma Igreja que você acusa de ser "atrasada" e "antibíblica"! Você diz: “não posso nem dizer que isso é um atraso, isso é antibíblico!”. Então você cita o Salmo 150 para confrontar o Magistério e a Tradição da Igreja. Fica nítido que você se declara católico, mas age como protestante. Daí para dizer que a Bíblia não fala em Papa, não fala na intercessão dos Santos, não fala que Maria é Nossa Senhora... é só mais um passo. De fato, a Bíblia não fala nada disso, pelo menos não literalmente. Mas todos esses fatos estão implícitos na Escritura, para todo aquele que é realmente cristão, e não um mero seguidor da “religião do livro”.

Se o Salmo, segundo o seu ponto de vista, atesta que na Missa vale bater palmas, dançar e tocar todo tipo de instrumentos, eu apresento para você o capítulo 14 da Carta aos Coríntios, que São Paulo Apóstolo encerra dizendo que tudo, no culto a Deus, deve ser feito com decoro e decência (1Cor 14,40).

Não preciso dizer que a passagem que eu citei é infinitamente mais adequada para o assunto que estamos discutindo do que o Salmo, pois os salmos foram produzidos muitos séculos antes de Cristo (alguns deles são provavelmente anteriores a 1700 aC), num determinado contexto histórico, por uma cultura específica e para um povo de características muito próprias. Já a carta de São Paulo ambienta-se na realidade do cristianismo nascente, trata especificamente das reuniões da Igreja, das práticas, do culto a Deus e dos carismas de uma comunidade cristã.

Como mostrei antes, se você apresenta um passagem da Bíblia para me provar uma coisa, eu sempre posso apresentar uma outra para provar o contrário. Portanto, não é baseado exclusivamente num trecho da Bíblia que nos posicionamos contra as palmas, danças, batucadas e "invencionices" na Santa Missa. É porque a Igreja, Corpo de Cristo, Esposa do Espírito Santo, Coluna e Sustentáculo da Verdade, autora e doadora da Bíblia Sagrada Cristã e fiel depositária das Verdades do Evangelho, assim nos orienta.




4) A Santa Missa: Renovação do Sacrifício do Calvário

Da mesma maneira a Bíblia não diz, ipsis literis, isto é, não diz literalmente, que a Missa deve ser celebrada com respeito, embora o faça implicitamente. Mas a Igreja diz literalmente o que é óbvio, já que a Celebração Eucarística é a Renovação do Sacrifício de Nosso Senhor, e isso não é a nossa opinião, mas está na própria Escritura em todos os documentos oficiais da Igreja a esse respeito: "Todas as vezes que comerdes deste Pão e beberdes deste Cálice, anunciareis a Morte do Senhor, até que Ele venha" (I Cor 11, 26).

O novo Missal Romano de João Paulo II declara: "A doutrina sacrifical da Missa, solenemente afirmada pelo Concílio de Trento, de acordo com toda a Tradição da Igreja, foi professada de novo pelo Concílio Vaticano II, que emitiu, a respeito da Missa, estas palavras significativas: 'Nosso Salvador, na última Ceia (...) instituiu o Sacrifício Eucarístico de seu Corpo e de seu Sangue para perpetuar o Sacrifício da Cruz ao longo dos séculos, até que ele venha e, além disso, para confiar à Igreja, sua esposa bem amada, o memorial de sua Morte e Ressurreição."

"A regra de oração (Lex Orandi) da Igreja corresponde à sua constante regra de Fé (Lex Credendi); esta nos adverte que há identidade entre o Sacrifício da Cruz e sua Renovação Sacramental na Missa que Cristo Senhor instituiu na última ceia, e que ele ordenou a seus Apóstolos de fazer em sua memória; e que, por consequência, a Missa é sempre conjuntamente um Sacrifício de louvor, de ação de graças, de propiciação e de satisfação." (Apresentação Geral do Missal Romano de João Paulo II nº 2).

A Missa é o Sacrifício de Jesus na Cruz! Eis a questão. Você está vendo a Missa como uma "festinha", um encontro de irmãos para louvar o Senhor, e nada mais. Esta sua compreensão está completamente equivocada, e você precisa rever isso com urgência!

A Missa é a renovação incruenta da morte horrenda que Nosso Senhor enfrentou por amor a todos nós! Agora me responda: como é que eu posso me portar respeitosamente diante da Celebração deste tão grande Sacrifício batendo palmas, dançando, berrando, batucando, seguindo coreografias ao som de instrumentos como guitarras e baterias tocadas no volume máximo?

Você sabe o que é um diálogo? É uma troca de mensagens entre duas pessoas. Por isso é que se chama diálogo: eu falo e escuto. Quando o meu interlocutor sabe mais do que eu, quando ele é maior do que eu intelectualmente ou espiritualmente, o ideal é que eu fale menos e escute mais, porque é ele quem tem mais a me dizer. Se eu falo o tempo todo, se só eu me expresso e não faço uma pausa, não faço silêncio para ouvir o que meu interlocutor tem a me dizer, eu apenas desabafo, "jogo para fora" meus pensamentos, fantasias e ansiedades, mas não aprendo nada, não cresço nada, não ganho nada.

Na Missa, o diálogo é com Deus. Imagine estar diante de Deus e não fazer silêncio para ouvir a Mensagem divina, mas ficar o tempo todo pulando e cantando, só eu sendo o centro de mim mesmo, não dando espaço nem tempo para o Criador. Que desperdício... Que tolice!




5) Há espaço e tempo para tudo na relação com Deus

Até agora eu banquei o "chato". Fui crítico e pareci "azedo": você deve estar me imaginando como um velho amargo, eu sei. Você deve ser um jovem cheio de sonhos, cheio de energia e vontade de gritar bem alto o seu amor a Deus, a sua vontade de encontrá-lo, de estar perto dEle, de receber a sua Graça... Você quer a vida eterna e quer ser feliz agora, já! Você acha cansativa a celebração da Santa Missa à maneira tradicional, você vê aquela seriedade toda como uma coisa antiga, ultrapassada... Como você disse, "um atraso". Por quê não se expressar com alegria, com júbilo, livremente?

A última parte da sua mensagem é especialmente interessante: "Se o melhor que a pessoa pode dar é o rap, Ele (Deus) aceita o rap, se o melhor que a pessoa pode dar é o rock, Ele aceita o rock, se o melhor que a pessoa pode dar é palmas, Ele aceita as palmas, se o melhor da pessoa é a dança, Ele aceita a dança. Não consigo me conformar com essa ideia de que barulho atrapalha. Deus criou o barulho, Ele também gosta do barulho"...

Bem, Deus criou todas coisas boas, mas para tudo há um momento certo. Deus criou o sexo, que por certo é uma coisa boa; tão boa que é por meio dele que realizamos a continuação da humanidade. Mas Deus também determinou que nós não devemos fazer sexo com qualquer pessoa, não é? Existem certas condições para usufruirmos desta grande benção divina. Mesmo o sexo sendo criação de Deus, nós não vamos fazer sexo na igreja. Ou será que você acha que Deus aceitaria isso, também?

Deus criou a música, mas é fácil perceber que nem todas as músicas são adequadas no culto a Deus. Nem todo tipo de música se enquadra naquilo que a Bíblia e a Igreja recomendam: que o culto a Deus seja prestado, como disse o Apóstolo São Paulo, com decoro e decência.

Vejamos o ritmo que a juventude do Brasil (lamentavelmente) elegeu como favorito nos dias atuais: o famigerado funk carioca. Já para começar a discutir, precisamos reconhecer que é no mínimo controverso chamar aquilo de música. Bach, Mozart e Beethoven devem tremer no túmulo cada vez que se fala que o funk é música...

Brincadeiras à parte, não estou questionando esse... hã... ritmo enquanto expressão cultural. Mas aqueles que gostam, nem que seja por puro bom senso, precisam reconhecer que esse tipo de barulho não se presta ao louvor a Deus.

Para louvar a Deus precisamos de um tipo de música que facilite a contemplação, a elevação da alma, a oração, o amor puro e santo. Aí você poderá me responder: "mas eu consigo elevar o pensamento a Deus ouvindo funk, rap ou forró". E aí eu lhe respondo: se você consegue fazer isso, ótimo, mas você tem a obrigação cristã de compreender que nem todos tem essa mesma capacidade. Posso lhe garantir que a maioria dos seres humanos se relaciona melhor com Deus com um tipo de música mais calma, introspectiva. A igreja do Mosteiro de São Bento de São Paulo, todos os domingos, fica lotada de pessoas que vem de muito longe, que se dispõem, em pleno domingo, a ir até o centro para ver a Missa celebrada na forma tradicional, com o canto gregoriano, que é sagrado, que tem uma longa história, que foi apreciado por praticamente todos os santos e santas que conhecemos.

A ciência diz que, biologicamente, nenhum ser humano saudável é capaz de permanecer indiferente a qualquer tipo de música, sabia disso? Por causa disso, quem gosta de "barulho", como você diz, deve no mínimo ter consideração e respeitar os que não gostam, os que se incomodam. A Missa não é momento para ninguém impor seus gostos pessoais sobre as outras pessoas, mas sim de comunhão, de fraternidade, de compartilharem todos de um mesmo sentimento. E esse sentimento é de adoração, de respeito profundo. Determinados tipos de música, por si mesmos, são inadequados para a Celebração Eucarística, porque levam o espírito humano a um estado que não é compatível com o seu significado e o seu sentido. O forró pode ser muito bom para quem gosta, seja numa festa junina, num baile, numa situação específica. O mesmo vale para o sertanejo, o samba, o rock, o rap... Não afirmo que só serve o canto gregoriano, mas sim que a música na Missa precisa ser litúrgica, e na música litúrgica não vale tudo; ela tem características próprias.

Então, não é que você não possa se expressar ou se alegrar na Missa. Mas você precisa se adaptar ao que ela é, ao que ela sempre foi. Se a Igreja é santa, e ela sempre celebrou assim, então é preciso saber respeitar isso. A Igreja não segue os modismos do mundo; ela está acima do mundo. Quando você entra na Igreja, deve deixar o mundo para trás, esquecer de si mesmo e buscar o Céu. O Santo Sacrifício não é um show, uma reunião social, uma festa de confraternização. Seja humilde, deixe seus gostos e preferências pessoais de fora e adapte-se à santidade e a reverência deste momento, e aí você compreenderá.

[...]

Os problemas começam quando tentam-se impor os usos e costumes dos grupos de oração carismáticos na celebração da Santa Missa. [...]

6) Resumo de tudo o que foi dito

a) A Sola Scriptura, doutrina segundo a qual a Bíblia é a única regra de fé e prática para o cristão, é totalmente antibíblica e anticatólica. Nenhum católico pode justificar pontos de vista contrários à doutrina da Igreja usando de passagens bíblicas isoladas, interpretadas de modo particular.

b) Logo, não é porque algum personagem bíblico fez ou disse alguma coisa, que isso sirva de regra para quem quer que seja.

c) A Igreja é o Corpo Místico de Cristo, do qual o Senhor mesmo é a Cabeça. A Igreja é a Esposa do Espírito Santo, é a Coluna e o Sustentáculo da Verdade, e a própria Escritura atesta todas estas verdades. A Igreja é a autora e a doadora da Bíblia Sagrada Cristã e fiel depositária das Verdades do Evangelho; assim nos conduz e orienta no Caminho, que é Cristo. É pela Igreja que recebemos a salvação e o Espírito Santo, por meio dos Sacramentos que ela nos ministra. Todo católico tem a Santa Igreja por mãe e mestra, pois a sua orientação é sempre segura, independentemente dos erros de padres, bispos ou mesmo de papas, sujeitos ao erro (o papa só é infalível quando se pronuncia nas condições Ex-cathedra.- veja aqui - abaixo).

d) A Santa Missa não é somente um encontro de irmãos para louvar a Deus. É infinitamente mais do que isso; a Celebração Eucarística é a Renovação do Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo na Cruz do Calvário. Por isso é que nesse momento não cabem palmas, danças, músicas excessivamente alegres, dançantes, nem gestos de euforia.

e) Se eu me sinto bem pulando, berrando e dançando no louvor a Deus, em primeiro lugar preciso ter consciência de que a Missa não é lugar para isso, nem que seja por respeito aos meus irmãos que não compartilham das mesmas preferências.

Fonte: http://vozdaigreja.blogspot.com.br/2003/05/palmas-danca-e-euforia-na-santa-missa-o.html

A infalibilidade papal: o Papa é infalível? Quando? Como?

A doutrina da infalibilidade do Papa foi definida no 4º capítulo da 4ª sessão do Concílio Vaticano I (1869 - 1870), durante o pontificado de Pio IX. Ouvimos, porém, muitos questionamentos a esse respeito, de pessoas que pensam que os católicos acreditam que o Papa seja isento de qualquer erro ou pecado, sendo ele um homem falho e imperfeito. Alguns polemizam a respeito dessa questão por puro desconhecimento da doutrina (talvez alguma preguiça de aprender?), mas me parece que a maioria o faz por má fé. Por ser uma tema muito importante, é necessário que os católicos entendam definitivamente este assunto, para que possam também elucidar a outros quando tiverem oportunidade.

Em primeiro lugar, a doutrina da infalibilidade não, NÃO diz que o Sumo Pontífice é um homem perfeito, que nunca erra e não peca, por ser Papa. O que a doutrina da infalibilidade do Papa afirma é que o Papa é infalível quando fala nas condições "Ex Cathedra".

O que significa isto? Ex Cathedra (do latim) quer dizer, literalmente, "da Cadeira" ou "do Trono". Quer dizer que o Papa é infalível quando se pronuncia a partir do Trono de Pedro, como Sumo Pontífice, isto é, como líder e condutor de toda a Igreja, nas seguintes condições:

1) Quando se pronuncia como sucessor de Pedro, usando o poder das Chaves concedidas ao Apóstolo pelo próprio Cristo (Mt 16, 19);

2) Quando o objeto do seu ensinamento é a moral, fé ou os costumes;

3) Quando ensina à Igreja inteira;

4) Quando é manifesta a intenção de dar decisão dogmática e não simples advertência, declarando anátema que se ensine tese oposta.

Em resumo, o Papa é infalível quando se dirige, como Papa e sucessor do Apóstolo Pedro, que ele é, a toda a Igreja; quando o objeto de seu pronunciamento é a moral, a fé e/ou os costumes; e quando define que dará uma decisão dogmática.

Em outras palavras, o Papa é passível de falhas fora das condições descritas acima. Fica esclarecido, portanto, que nós, católicos, não cremos que o Papa é um ser humano perfeito, que nunca erra nem peca. Mesmo assim, alguns continuam achando absurdo pensar que o Papa é infalível quando instrui a Igreja a respeito de doutrina. O que você acha disso?

Se somos cristãos, não, isso não é nenhum absurdo, pelo contrário. Para quem tem fé, absurdo seria pensar que o Papa, sucessor de Pedro e pastor maior da Igreja, aquele que comanda toda uma imensa nação de fiéis que constituem o Corpo Místico de Cristo no mundo, fosse falho enquanto líder, pois nesse caso seria totalmente incapaz de assumir a missão de orientar e conduzir a Igreja!

Se o líder máximo da cristandade não fosse infalível enquanto condutor da Igreja, não poderíamos crer em Igreja, nem nos Evangelhos, nem mesmo em Jesus Cristo, que prometeu que estaria com a sua Igreja até o fim do mundo. - A infalibilidade é lógica, óbvia e consta explicitamente nas Sagradas Escrituras:

"Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo." (Jesus Cristo à sua Igreja, no Evangelho segundo S. Mateus, 28, 19-20)

Nosso Senhor afirma aos Apóstolos que estará com a Igreja até o fim do mundo. Isto demonstra que os Apóstolos, e não só os primeiros, mas também os seus sucessores, escolhidos pelos próprios Apóstolos (como vemos no livro de Atos), estão ainda hoje conduzindo a humanidade sob a Assistência do Espírito Santo e de Nosso Senhor Jesus Cristo, que garantiu a infalibilidade da doutrina dos Apóstolos:

"Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai; permanecei até que sejais revestidos da Força do Alto." (Lc 24, 49)

"O Espírito da Verdade o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conheceis, porque permanecerá convosco e estará em vós." - "O Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo que vos tenho dito." (Jo 14, 17.26)

Note a afirmação: "O Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece..." - Isto é, cabe aos Apóstolos ensinar a doutrina verdadeira e autenticamente inspirada por Deus. - Então, não basta cada um ler a Bíblia, é preciso seguir a orientação da Igreja, que por sua vez é guiada pelo Papa, sob a Luz do Santo Espírito.

Jesus Cristo enviou seus Apóstolos a propagar à toda a humanidade o Caminho até o Pai. Portanto, se cremos em Jesus Cristo e nos Evangelhos, temos que crer também que os Apóstolos são infalíveis em seus ensinamentos, pois Cristo mesmo afirmou categoricamente que estaria com eles até o fim do mundo, para que cumprissem a missão de levar o Evangelho "até os confins do mundo": "Descerá sobre vós o Espírito Santo, e vos dará o poder; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia, Samaria e até os confins do mundo" (At 1, 8).

A própria entrega das Chaves do Reino dos Céus a Pedro, com a promessa de que o Inferno não prevaleceria sobre a Igreja, juntamente com o poder dado a ele, Pedro, diretamente por Jesus Cristo: "O que ligares na Terra será ligado nos Céus, e o que desligares na Terra será desligado nos Céus" (Mt 16, 18-19), é a afirmação clara, direta e inquestionável da infalibilidade daquele que comanda a Igreja. Pois, se Nosso Senhor disse aos Apóstolos que deveriam ensinar o Evangelho à humanidade e que estaria com eles até o fim do mundo, então, pela Providência Divina, esta Igreja não poderia ensinar senão a verdadeira Doutrina, o Caminho certo até o Pai. A confirmação definitiva consta em Lucas 22, 31, quando o Senhor Jesus Cristo fala a Simão Pedro:

"Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por sua vez, confirma os teus irmãos."

Não há dúvida quanto a autoridade e infalibilidade da Igreja de Jesus Cristo enquanto "Coluna e Fundamento da Verdade" e "Casa do Deus Vivo" (1Tm 3,15) na Terra. - Sabemos bem que Padres, Bispos e Papas estão sujeitos ao pecado, como qualquer ser humano. Porém, se cremos em Cristo e na Bíblia Sagrada, devemos crer que o Papa, enquanto condutor máximo da Igreja no mundo, é infalível quando guia a Igreja; nessa função, ele faz uso das Chaves que foram entregues por Cristo a S. Pedro: ele não é infalível por si mesmo, mas é assistido pelo Espírito Santo.

Porém, como a criatividade humana não tem limites, os inimigos da Igreja nunca deixam de tentar contestar até mesmo as verdades mais simples da Teologia. Desesperados em sua tentativa de negar o óbvio, apelam para todo tipo de insanidade: já ouvimos dizer até que Pedro teria perdido a sua autoridade ao ter negado Nosso Senhor por três vezes(!). O mais curioso é que as pessoas que inventam esses desvarios são aquelas que se colocam como conhecedoras das Sagradas Escrituras! Incrível que nunca tenham lido aquilo que Jesus Cristo mesmo diz a Pedro no Evangelho segundo João, depois da crucificação e da negação de Pedro:

"Após a ceia, Jesus perguntou a Simão Pedro: 'Simão, filho de João, amas-me mais do que estes?' Respondeu ele: 'Sim, Senhor, tu sabes que te amo.' Disse-lhe Jesus: 'Apascenta os meus cordeiros.' Perguntou-lhe outra vez: 'Simão, filho de João, amas-me?' Respondeu-lhe Pedro: 'Sim, Senhor, tu sabes que te amo.' Disse-lhe Jesus: 'Apascenta os meus cordeiros.' Perguntou-lhe pela terceira pela vez: 'Simão, filho de João, amas-me?' Pedro entristeceu-se por que o Senhor perguntou pela terceira vez: 'Amas-me?', e respondeu-lhe: 'Senhor, sabes tudo, e sabes que te amo.' Disse-lhe Jesus: 'Apascenta as minhas ovelhas.'" (João 21, 15-17)

Jesus Cristo, Deus, sabe tudo. Por certo sabia das contestações que surgiriam, no correr da história, a respeito da autoridade e da infalibilidade do Papa. Por isso, fez questão de repetir por três vezes que estava entregando a Ele, Pedro, a missão de cuidar do seu rebanho, a Igreja, neste mundo.

Não. O Papa não é infalível enquanto homem. Trata-se de um ser humano que dedicou e consagrou toda a sua vida, - literalmente toda a sua vida, - ao serviço de Deus e da Igreja. Mesmo assim, isso não significa necessariamente ser santo, pois, como foi visto, até mesmo S. Pedro, que conviveu diretamente com o Senhor e foi o primeiro líder da Igreja (embora não fosse chamado 'Papa' naquela época, ele sem dúvida o era), era falho e pecou ao negá-lo. Até mesmo após a Ascensão do Senhor ao Céu, Pedro, que sempre manteve o seu livre arbítrio, parece ter se equivocado em questões teológicas, sendo que foi repreendido por Paulo, outro Pilar da Igreja e grande Apóstolo.

Sim, o Papa é infalível em suas funções como autoridade instituída diretamente por Nosso Senhor Jesus Cristo. A ele foram concedidas as Chaves do Reino de Deus, para instruir o Povo de Deus neste mundo, à frente da santa Igreja. Ele foi canonizado e morreu martirizado pelos romanos.

A única ocasião em que Deus interfere no livre-arbítrio dos Apóstolos é quando estes cumprem a missão de doutrinar as "ovelhas" de Deus, pois os seres humanos não têm condições de comunicar Deus através da sua própria ciência ou por seus próprios méritos. Assim, o fiel comum não é capaz, através de elucubrações, estudos e debates com outras pessoas, de definir um ensinamento isento de erro; mesmo os grandes teólogos não possuem essa capacidade: suas conclusões somente são aceitas quando colocadas sob apreciação do Magistério da santa Igreja, centrada na figura do Papa.

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