sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

O pecado do liberalismo.

Dr. D. Félix Sardá y Salvany
Livro de 1949 - 183 Págs


QUE É O LIBERALISMO?

Ao estudar um objeto qualquer, depois da pergunta an sit? faziam os antigos escolásticos a seguinte: Quid sit? e esta é a de que nos vamos ocupar no presente capítulo.

O que é o Liberalismo? Na ordem das ideias é um conjunto de ideias falsas; na ordem dos fatos é um conjunto de fatos criminosos, consequência prática daquelas ideias. Na ordem das ideias o Liberalismo é o conjunto do que chamam princípios liberais com as consequências lógicas que deles se derivam. Princípios liberais são: a absoluta soberania do indivíduo com inteira independência de Deus e da sua autoridade; soberania da sociedade com absoluta independência do que não provenha dela mesma; soberania nacional, isto é, o direito do povo para legislar e governar-se com absoluta independência de todo o critério que não seja o da sua própria vontade expressa primeiro pelo sufrágio e depois pela maioria parlamentar; liberdade de pensamento sem limitação alguma em política, em moral ou em religião; liberdade de imprensa, igualmente absoluta ou insuficientemente limitada; liberdade de  associação com igual latitude. Estes são os chamados princípios liberais no seu mais crú radicalismo.

O fundo comum de todos eles é o racionalismo individual, ou racionalismo político e o racionalismo social. Derivam-se deles a liberdade de cultos mais ou menos limitada; a supremacia do Estado em suas relações com a Igreja; o ensino leigo ou independente sem nenhum laço com a religião; o matrimônio legalizado e sancionado pela intervenção exclusiva do Estado; a sua última palavra, a que abarca tudo e tudo sintetiza, é a palavra secularização, quer dizer, a não intervenção da religião em nenhum ato de vida pública, verdadeiro ateismo social, que é a última consequência do Liberalismo.

Na ordem dos fatos o Liberalismo é um conjunto de obras inspiradas por aqueles princípios e reguladas por eles. Como, por exemplo, as leis de desamortização, a expulsão das ordens religiosas; os atentados de todo o gênero oficiais e extra-oficiais, contra a liberdade da Igreja; a corrupção é o erro publicamente autorizado na tribuna, na imprensa, nas diversões, nos costumes; a guerra sistemática ao catolicismo, que apodam com os nomes de clericalismo, teocracia, ultramontanismo, etc., etc.

É impossível enumerar e classificar os fatos que constituem o proceder prático liberal, pois compreendem desde o ministro e o diplomata, que legislam ou intrigam, até ao demagogo, que perora no clube ou assassina na rua; desde o tratado internacional ou a guerra iníqua que usurpa ao Papa o seu principado temporal, até a mão cobiçosa que roube o dote da religiosa, ou se apodera da a lâmpada do altar; desde o livro profundo e sabichão que se dá como texto na Universidade ou no instituto, até à vil caricatura que regogija os frequentadores de taberna. O liberalismo prático é um mundo completo de máximas, modas, artes, literatura,  diplomacia, leis, maquinações e atropelamentos completamente seus. É o mundo de Lusbel, hoje   disfarçado com aquele nome, e em radical oposição e luta com a  sociedade dos filhos de Deus, que é a Igreja de Jesus Cristo.

Eis aqui, pois, retratado, como doutrina e como prática, o Liberalismo.

[...]

O liberalismo, seja na ordem doutrinária ou prática, é um pecado. Na ordem doutrinária, é heresia e, consequentemente, um pecado mortal contra a fé. Na ordem prática, é um pecado contra os mandamentos de Deus e da Igreja, pois praticamente transgride todos os mandamentos. Para ser mais preciso: na ordem doutrinal, o liberalismo destrói as próprias fundações da fé, que é uma heresia radical e universal, já que nele estão compreendidas todas as heresias. Na ordem prática, é uma infração radical e universal da lei divina, pois ela sanciona e autoriza todas as infrações dessa lei.

O liberalismo é uma heresia na ordem doutrinal, pois a heresia é a negação formal e obstinada de todos os dogmas cristãos em geral. Repudia completamente os dogmas e opiniões, mesmo que as opiniões sejam doutrinária ou a negação da doutrina. Por conseguinte, nega toda a doutrina em particular. Se fôssemos analisar em pormenor todas as doutrinas ou dogmas que, dentro da faixa de liberalismo, foram negados, iríamos encontrar todos os dogmas cristãos, de uma forma ou de outra, rejeitados, a partir do dogma da Encarnação ao da Infalibilidade.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Infelizmente, devido ao alto grau de estupidez, hostilidade e de ignorância de tantos "comentaristas" (e nossa falta de tempo para refutar tantas imbecilidades), os comentários estão temporariamente suspensos.

Contribuições positivas com boas informações via formulário serão benvindas!

Regras para postagem de comentários:
-
1) Comentários com conteúdo e linguagem ofensivos não serão postados.
-
2) Polêmicas desnecessárias, soberba desmedida e extremos de ignorância serão solenemente ignorados.
-
3) Ataque a mensagem, não o mensageiro - utilize argumentos lógicos (observe o item 1 acima).
-
4) Aguarde a moderação quando houver (pode demorar dias ou semanas). Não espere uma resposta imediata.
-
5) Seu comentário pode ser apagado discricionariamente a qualquer momento.
-
6) Lembre-se da Caridade ao postar comentários.
-
7) Grato por sua visita!

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Gadget

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

Pesquisar: