sexta-feira, 20 de junho de 2014

Batistas, a zorra.

Os Batistas
Por Quadrante

Embora as suas inúmeras denominações apresentem discrepâncias doutrinais entre si, todos batistas costumam pregar que só os adultos é que podem receber o Batismo. Será que semelhante idéia está presente na Sagrada Escritura?
Os batistas, em geral, não têm idéias claras acerca da origem da sua denominação. Embora alguns o afirmem, nada tem a ver com São João Batista nem com os discípulos deste santo. Antes prende-se com os anabatistas, um grupo de seguidores de Lutero – Thomas Münzer, Balthasar Hubmaier, Geoge Baulrock e Ludwig Hoetzer – que pensavam que o reformador não ia longe o suficiente na doutrina e na reforma da Igreja. Estes passaram a pregar na Alemanha e na Suíça uma Igreja espiritual em grau máximo, sem hierarquia visível, constituída unicamente pela adesão interior consciente dos homens à Palavra de Deus. O sinal característico dessa nova Igreja seria o batismo, a ser ministrado aos adultos, não às crianças, de sorte que os membros do grupo batizavam de novo os fiéis que lhes aderiam; daí o nome de “anabatistas” ou “rebatizadores”.

O movimento anabatista sofreu forte repressão por parte de Lutero, Zwingli e dos príncipes alemães. Desencadeou revoltas fanáticas, das quais a mais famosa é a dos camponeses, cujo chefe, Thomas Münzer, foi decapitado em 1525. Não poucos anabatistas, fugindo à perseguição, começaram a propagar suas idéias na Itália, na Holanda, na Inglaterra e na Escandinávia, onde subsistem até hoje em pequenos grupos.

Mais importantes são as ramificações que procederam do tronco anabatista, como são os menonitas (de Menno Simons), os irmãos hutterianos (de Jakob Hutter), a Igreja dos Irmãos nos Estados Unidos da América do Norte, a Igreja dos Irmãos Evangélicos Unidos e a Igreja Batista, a mais numerosa de todas.

Os batistas têm por fundador o inglês John Smyth (†1617), ex-ministro anglicano, que desejava uma reforma mais radical do que a anglicana (v. anglicanismo). Não se conformava com a organização hierárquica episcopal nem com a liturgia anglicana, que ele julgava supérfluas. Por isso formou em Gainsborough uma pequena comunidade dissidente no ano de 1604; mas foi perseguido pela Igreja oficial e obrigado a exilar-se com os seus companheiros, indo ter a Amsterdam, na Holanda. Ali morou em casa de um padeiro menonita, que o persuadiu da tese anabatista, de que o batismo conferido às crianças era inválido. Smyth administrou-se a si mesmo um segundo batismo, de cujo valor, porém, começou a duvidar. Em conseqüência, seus companheiros, por ele convencidos da tese anabatista, o expulsaram da comunidade; Smyth não conseguiu ser admitido nem mesmo entre os menonitas, aos quais pedira acolhimento.

Em 1612, um grupo dos seus discípulos voltou à Inglaterra, e lá fundou a primeira Igreja Batista (não mais Anabatista), também chamada dos Batistas Gerais, porque, contrariamente à doutrina calvinista, ensinava que Cristo tinha salvo pela cruz todos os fiéis, e não apenas os “predestinados”.

Pouco depois, formaram-se outros grupos, ditos dos Batistas Regulares ou Particulares. Em 1641, outra pequena comunidade de dissidentes do anglicanismo, em Londres, convenceu-se da tese anabatista, e enviou um dos seus membros, Richard Blount, a Rijnsburg, na Holanda, a fim de pedir o batismo dos adultos aos menonitas e assim trazer à Inglaterra o “verdadeiro batismo”. Blount se desincumbiu de sua missão e rebatizou por imersão (única forma de batismo reconhecida por esses grupos) cinqüenta e cinco membros da sua comunidade londrina; aceitou do calvinismo holandês a doutrina de que Cristo salva somente os predestinados – donde origina o nome de “Batistas Particulares” que lhes coube.

Hoje em dia, contam-se mais de vinte ramos batistas, que em 1905 se uniram de maneira um tanto vaga na Liga Batista Mundial; são, entre outros, os batistas calvinistas, os batistas congregacionalistas, os batistas primitivos, os batistas do livre pensamento, os batistas dos seis princípios (porque aceitam como único fundamento dá fé e da vida cristã os seis pontos mencionados em Hebr 6, 1-2: arrependimento, fé, batismo, imposição das mãos, ressurreição dos mortos, juízo eterno), os batistas tunkers, os batistas campbellitas, os batizantes a si mesmos, os batistas abertos, os batistas fechados, os batistas do sétimo dia (que observam o sábado e não o domingo), etc.

Cada comunidade batista é independente de qualquer autoridade visível, seja eclesiástica, seja civil; é regida diretamente “por Jesus Cristo e pelo Espírito Santo”, que agem na assembléia – não há, portanto, hierarquia nem jurisdição eclesiástica. O pastor é, de certo modo, o governante absoluto da comunidade; esta, porém, pode rejeitá-lo e substituí-lo por outro. Todo o poder é delegado pela assembléia dos crentes, que elege os que por ela respondem, tanto pastores como diáconos.

Em matéria doutrinal, os batistas seguem a grandes traços as teses calvinistas. Afirmam a predestinação não só para a glória, mas também para a condenação eterna e a justificação pela fé sem as obras. Os ritos do batismo e da Santa Ceia não são meios de comunicação da graça (que vem somente pela fé), mas servem apenas para fortalecer aqueles que os praticam com fé. Como no protestantismo em geral, a Bíblia é tida como única fonte de doutrina.

Na realidade, negar o batismo das crianças significa um afastamento da tradição bíblica e cristã. Lemos no Novo Testamento que vários personagens pagãos professaram a fé cristã e se fizeram batizar com toda a sua casa: o centurião romano Cornélio (At 10, 1-48), a negociante Lídia de Filipos (At 16,14-15), o carcereiro de Filipos (At 16, 31-33), a família de Estéfanas (1 Cor 1, 16), etc. A expressão “casa” (oikos, em grego) designava o chefe de família com todos os seus domésticos, incluídas as crianças.

Quanto à imersão, não é obrigatória, pois não é o volume de água que importa, mas sim a efusão da água como símbolo e canal de pureza interior. No dia de Pentecostes, em Jerusalém, as três mil pessoas que se converteram (cf. At 2, 41) certamente não foram batizadas por imersão, pois lá não havia rio e os reservatórios de água não comportavam tal quantidade de batismos.

Fontes principais:

BETTENCOURT, Estêvão, Religiões, Igrejas e seitas, Lumen Christi, Rio de Janeiro, 1997
GOMEZ, Manuel Guerra, Los nuevos movimientos religiosos, EUNSA, Pamplona, 1993.

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