quarta-feira, 26 de março de 2014

INCONSTÂNCIA NOS PROPÓSITOS E FALTA DE MORTIFICAÇÃO NOS SENTIDOS.

INCONSTÂNCIA NOS PROPÓSITOS E FALTA DE MORTIFICAÇÃO NOS SENTIDOS

0 Evangelho continua: «Os discípulos de S. João foram-se embora; e Jesus Cristo, falando de S. João, disse para as turbas: Que saístes vós a ver no deserto?» Jesus Cristo, meus irmãos, falando de S. João, disse, que não era cana; isto é, que não era inconstante; e em confessa-lo por verdadeiro Messias; se mandou seus discípulos perguntarem-lhe quem era, foi para que, vendo eles as suas obras maravilhosas, ficassem mais firmes na Fé: disse mais Jesus Cristo, que S. João não tratava o seu corpo com regalo e delicadeza; e que era Profeta, e mais que Profeta; e que no espírito era O Anjo do Senhor.

Notai que S. João não era inconstante, nem tratava o seu corpo com regalo e delicadeza; e por estes meios chegou a ser o maior dos Santos; no espírito era o Anjo do Senhor.

E vós, meus irmãos, que me dizeis? Pretendeis receber o espírito de Deus? Quereis aumentar na vida espiritual, e crescer nas virtudes? Quereis checar ao cume da perfeição? Pois fugi, fugi destes inconvenientes; isto é, não sejais inconstantes, ora no vicio, ora na virtude; hoje fervorosos amanhã tíbios; mas sede firmes nos vossos propósitos e nas vossas resoluções: bem como não trateis o vosso corpo com regalo e brandura, mas sim castigai-o com verdadeira penitência.

Deveis estar certos que por via da inconstância e falta de mortificação no corpo acontece a muitas pessoas que professam a virtude por largos anos, no fim da sua carreira achar-se sem espírito algum, ainda canais, ainda com os corações cheios do mundo, e com as paixões ainda vivas; de sorte que os inconstantes e imortificados passam a sua vida sempre com bons desejos, pedindo sempre o espírito a Deus, e nunca o recebem; porque não se mortificando nos sentidos externos, vivem como fora de si, sem recolhimento algum; e desta sorte não atendem ás vozes de Deus, que os chama, nem fazem boa oração; porque andando assim ás soltas e distraídos. tendo visto, ouvido, falado e tratado daquilo que nada lhes importa, com isso mesmos estão distraindo no tempo de sua oração. Muitas pessoas há que tem aflição por terem distrações na oração; pois tirem as causas.

Não é necessário haver tantas conversas, nem ver tantas coisas, nem ouvir tantos contos. Maldito costume! O andar a levar e a trazer contos duma parte para a outra! Está muitas vezes qualquer em sua casa com muita paz e sossego de espírito, e entra esse correio do inferno (deixem-me assim dizer) com um conto: Fulano, ou fulana, disse de ti ou fez contra ti...; e ao mesmo tempo turba-se o coração desta pessoa; concebe logo uma raiva contra a outra, deseja vingar-se dela, e fala também contra ela por paixão, ou com desafeição, e ainda dá qualquer coisa a essa pessoa que lhe levou o conto, e até lhe fica agradecida, ou agradecido; quando ela vai contar talvez á outra o que também ouviu a esta. Correios do inferno! Línguas malditas! Que muitos pecados mortais cometem e fazem cometer! Tantas raivas e ódios entre famílias e vizinhos; raivas e ódios que duram meses e anos inteiros, tudo por via de vós e de vossos ditos!

Acabai pois com esses contos, mortificai vossa língua e mais sentidos externos; e haja firmeza nos vossos propósitos, quando não, vai a terra todo edifício espiritual.

Livro Missão Abreviada

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