sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A Cruz e a Glória.

A cruz e a glória

Dando prosseguimento à transcrição de trechos do livro Pensamentos Consoladores, de São Francisco de Sales,(*) seguem alguns outros, nos quais o santo aconselha a receber como uma honra os sofrimentos por amor de Deus

Fonte: http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm/idmat/A50D5B4E-F126-649A-14477CAFA5281142/mes/Setembro2013

Felizes os que sofrem as perseguições por amor à justiça. Esta bem-aventurança, a última na categoria é a primeira na estima, e considero-a como a suprema felicidade da vida presente. Os que são injustamente perseguidos têm mais semelhança com o Salvador e levam uma vida oculta com Jesus Cristo em Deus. [...]

Sofrer é quase o único bem que neste mundo podemos praticar; porque raramente praticamos algum bem que lhe não juntemos o mal. [...]

Bem-aventurados os crucificados! Neste mundo a nossa herança é a cruz; mas na outra será a glória. Tudo passa. Após poucos dias desta vida mortal que nos restam, virá a infinita eternidade. Pouco nos importa que tenhamos aqui comodidades ou não, contanto que sejamos felizes por toda a eternidade. Seja nossa consolação a eternidade santa que nos espera, e o sermos cristãos, filhos de Jesus Cristo regenerados com o seu sangue, porque a nossa glória consiste em Jesus Cristo ter morrido por nós.

Bem-aventurados os que sofrem as perseguições por amor à justiça, porque a sua vida está oculta com Jesus Cristo em Deus e conforme à sua imagem, porque Ele foi toda sua vida perseguido. “Sereis muito felizes, diz Nosso Senhor, quando os homens disserem toda a qualidade de males contra vós por causa de mim”.

“Se o mundo, diz São Paulo, nada tivesse de dizer contra nós, não seríamos verdadeiros servos de Deus”. Não vos importeis com o que o mundo disser de vós e tereis paz interior; esperai o juízo de Deus e julgareis então os que vos tiverem julgado.

Se o mundo nos despreza, regozijemo-nos, porque tem razão, visto sermos tão dignos de desprezo. Se nos estima desprezemos a sua estima e juízo, porque é cego. Importai-vos pouco com o que o mundo pensa; não vos dê isso cuidado; desprezai o seu louvor e seu desprezo e deixai que ele diga o bem ou o mal que quiser. [...]

Que é a reputação, visto que tantos se sacrificam a esse ídolo? Afinal de contas é um sonho, uma opinião, uma fumaça, um louvor no qual a memória morre com o som, uma estima que é tão falsa que muitos se admiram que lhe louvem as virtudes, quando têm os vícios opostos; e que lhe censurem os vícios de que estão isentos.

Convém que estimemos ser censurados, porque se o não merecemos por uma forma, merecemo-lo por outra. [...]

Considerando isso, deveis receber com paciência e doçura as tribulações que tiverdes por amor d’Aquele que as permite unicamente para vosso bem.

Elevai, pois, o coração a Deus; pedi-lhe auxílio e fundai a consolação na felicidade de lhe pertencerdes. Poucas serão para vós as ocasiões de desgostos se tiverdes um tal amigo, auxílio e refúgio.

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(*) São Francisco de Sales, Pensamentos Consoladores, Livraria Salesiana Editora, São Paulo, 1946, pp. 213 a 221.

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