quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Fé: o justo vive pela fé. Sobre o crescimento na fé.

Parte IV



Pela fé se inicia em nós a vida eterna, pois a vida eterna nada mais é do que conhecer a Deus. De fato, diz o Senhor no Evangelho de S. João: "Esta é a vida eterna: que te conheçam a ti, único Deus verdadeiro". Ora, este conhecimento de Deus se inicia em nós pela fé.

A fé enquanto conhecimento tem como objeto a Deus e as coisas que se ordenam a Deus. As duas coisas em que maximamente consiste a fé são o mistério de Deus e do Verbo Encarnado. "Nisto consiste a vida eterna", diz Jesus, "que te conheçam a ti, único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste, Jesus Cristo". (Jo. 17,3).

As Sagradas Escrituras afirmam que a fé pode crescer e admitir graus de grandeza.

Não conseguindo os Apóstolos curar um jovem lunático, perguntaram ao Cristo porque não o haviam conseguido. Ouviram a seguinte resposta: "Por causa de vossa pouca fé". Mt. 17, 20

Caminhando sobre as águas do mar ao encontro de Jesus, e percebendo a força do vento, Pedro teve medo e começou a afundar. Jesus o repreendeu: "Homem de pouca fé, por que duvidaste?" Mt. 14, 31

Encontrando uma mulher cananéia que lhe suplicava a cura do filho, Jesus lhe disse: "Ó mulher, é grande a tua fé". Mt. 15, 28 7. Os Apóstolos, percebendo quão pequena era a fé que os animava, pediram ao Cristo: "Aumentai a nossa fé". Lc. 17, 5

Há duas coisas em que consiste a fé: `O conhecimento, e o afeto, isto é, a constância e a firmeza no crer'. A fé de alguns é grande pelo conhecimento, mas pequena pela constância e pela firmeza; já a de outros é grande pela constância e firmeza, e pequena pelo conhecimento. Outros, finalmente, há em que a fé é grande ou pequena em ambas as coisas.

O Reino dos Céus é semelhante a um grão de mostarda. É, na verdade, a menor de todas as sementes, mas, crescendo, é a maior de todas as hortaliças, e faz-se árvore de modo que as aves do céu vem pousar nos seus ramos. Mt. 17, 32

A constância e a firmeza na fé são mais louváveis do que a quantidade de seu conhecimento, pois o Senhor o manifestou claramente quando comparou a fé ao grão de mostarda, que, se pela quantidade é pequeno, não o é, todavia, pelo fervor.

Em verdade eu vos digo, se alguém disser a este monte: `Ergue-te e lança-te no mar', e não hesitar no próprio coração, mas acreditar que aconteça o que diz, isso lhe será feito. Por isso eu vos digo, tudo o que pedirdes na oração, crede como já alcançado, e vos será concedido. Mc. 11, 23-24.

A um centurião romano que veio pedir-lhe que curasse um de seus servos, Jesus, vendo a sua fé, lhe respondeu: `Em verdade vos digo que não encontrei ninguém em Israel com tão grande fé. Vai, faça-se segundo a tua fé'. E naquela mesma hora o servo ficou curado. Mt. 8, 13

Na maioria das vezes em que concedia um milagre, Jesus também respondia ao que lho tinha pedido: `Levanta-te e parte; a tua fé te salvou'; Lc. 17,19 ou então: `A tua fé te salvou; vai em paz'. Lc. 8, 48

Se tiverdes fé como um grão de mostarda, podereis dizer a este monte: `Muda-te daqui para ali', e ele se mudará, e nada vos será impossível. Mt. 17,20

Aquele que crê em mim, diz Jesus, ainda que venha a morrer, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim não morrerá jamais. Jo. 11, 26

`O justo viverá da fé, diz o Senhor, mas, se retroceder, não será aceito à minha alma'. Hb. 10, 37

Há um gênero de homens para os quais crer significa apenas não contradizer a fé, aos quais denominamos fiéis mais pelo costume da vida do que pela virtude de crer. De fato, dedicados apenas às coisas que passam, nunca elevam a mente ao pensamento das coisas futuras; embora recebam os sacramentos da fé cristã juntamente com os demais fiéis, não atentam para o que significa ser cristão ou que esperança há na expectativa dos bens futuros. Estes, embora sejam ditos fiéis pelo nome, de fato e em verdade estão longe da fé. A fé consiste em uma santa dedicação que, partindo de verdades que lhe são oferecidas, com o auxílio da graça do Espírito Santo, inclina decididamente a mente às coisas invisíveis futuras.

Já que ressuscitastes com Cristo, procurai as coisas do alto, pensai nas coisas do alto, não vos interesseis pelas terrenas, já que vós morrestes, e vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Col. 3, 1-3

A fé é argumento das coisas que não se vêem (Hb. 11,1). Embora em nós o homem exterior vá caminhando para a sua ruína, o homem interior se renova de dia a dia; não olhamos para as coisas que se vêem, mas para as que não se vêem (II Cor. 4, 16- 18).

A fé não é apenas das coisas que não se vêem, mas, mais ainda, a fé ensina a desprezar as coisas que se vêem. Pois as coisas que se vêem são aquelas que podem cair sob o domínio da imaginação, e a fé, ao contrário, obriga a inteligência a elevar-se à pureza da abstração das coisas maximamente inteligíveis.

`O meu justo vive da fé'. Esta sentença é ao mesmo tempo apostólica e profética. O Apóstolo diz o que o profeta prediz, pois o justo vive da fé; e se assim é, ou melhor, porque assim é, devemos nos elevar com freqüência aos mistérios de nossa fé.

Sem a fé é impossível agradar a Deus. Pois onde não há fé, não pode haver esperança. Onde não há esperança, não pode haver caridade. Pela fé somos promovidos à esperança, e pela esperança progredimos à caridade. Qual seja, porém, o fruto da caridade, pode-se ouvi-lo da própria boca da verdade: Se alguém me ama, será amado pelo meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele'. Jo. 14,21 Quão aplicados, pois, não nos convém ser à fé, da qual procede o fundamento de todo o bem e através da qual se alcança o firmamento?

Se somos filhos de Sião, levantemos aquela sublime escada da contemplação, tomemos asas como de águia pelas quais nos possamos destacar das coisas terrenas e nos levantar às coisas celestes. Pensemos nas coisas do alto, não nas coisas da terra, onde Cristo está sentado à direita de Deus; para isto de fato Cristo nos enviou o seu Espírito, para que conduzisse o nosso espírito de tal modo que para onde o Cristo ascendeu com o corpo, ascendamos nós pela mente.

A fé causa a pureza do coração porque as coisas que estão na inteligência são princípios das coisas que estão no afeto, na medida em que o bem do intelecto move o afeto. De onde que a purificação do coração é um efeito da fé: "Deus não fez distinção alguma entre judeus e gregos", diz São Pedro, "pois purificou os corações de todos pela fé". At. 15,9

Para alcançar o conhecimento da fé, não basta apenas que a vontade mova a inteligência; é necessário também o instinto interior de Deus que convida. Nas coisas da fé, o conselho do homem, sem o auxílio divino, é enfermo e ineficiente. É necessário, portanto, levantar-se à oração, e pedir o seu auxílio, sem o qual nenhum bem pode ser alcançado. Isto é, é necessário pedir a sua graça, a qual, para que tivesses chegado até aqui para pedi-la, era ela que já te iluminava, e daqui para a frente será quem haverá de dirigir os teus passos para o caminho da paz, e de cuja única boa vontade depende que sejas conduzido ao efeito da boa obra. Não serás obrigado por ela, serás ajudado. Se apenas tu operares, nada realizarás; se apenas Deus operar, nada merecerás. Aquele que corre por esta via, busca a vida.

Está escrito: `Se vós, sendo maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai que está nos céus dará o Espírito Santo aos que lhO pedirem?' Portanto, o Pai celeste dará o Espírito Santo aos filhos que lhO pedirem. Os que são filhos, não pedem outra coisa; os que pedem outras coisas são servos mercenários, não filhos. Os que pedem prata, os que pedem ouro, os que pedem coisas que passam, os que não pedem o que é eterno, pedem o ministério da servidão, não o espírito da liberdade.

O que for pedido, isto será dado; se pedes o corporal, não receberás mais do que o que pedes. Se pedes o espiritual, o que pedes será concedido e o que não pedes será acrescentado; será dado o espiritual, será acrescentado o corporal. `Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus, e tudo o resto vos será acrescentado'. Deve-se, portanto, orar ao Pai, e ao Pai, que está nos céus, pedir os dons celestes, não os da terra; não a substância corporal, mas a graça espiritual.

Uma coisa é a firme certeza de que existe um ser inteligente e imaterial que é a causa de todas as coisas; outra coisa muito diferente é crer que somos amados pela causa primeira como seus filhos, que quando oramos a causa primeira nos ouve como um pai, e que ela nos espera após o termino desta vida como a um ente querido para nos fazer felizes por toda a eternidade.

Que é o ser humano diante da imensidão do Universo? É menos do que um grão de poeira. E o que é o Universo diante da perfeição da causa primeira? Menos ainda do que o homem diante do Universo. Certamente a causa primeira sustenta todas as coisas no ser e sabe que existem as coisas de que ela é causa; mas daí para a afirmação de que quando oramos a causa primeira nos ouve como um pai vai uma diferença descomunal.

Que dizer da afirmação segundo a qual Jesus Cristo era a causa primeira, crucificada por ordem de Pôncio Pilatos? Ou daquela segundo a qual na causa primeira, perfeitamente una, subsistem desde toda a eternidade três pessoas que compartilham uma só divindade, que se conhecem e se amam com uma felicidade que supera o alcance de qualquer entendimento? Que esta causa primeira nos ama a ponto de se ter deixado crucificar pelos homens e que esteja nos esperando após o término desta vida para nos fazer felizes comunicando-nos a sua própria felicidade, aquela que há nela mesma em virtude da trindade de suas pessoas, é algo que está além dos sonhos mais extraordinários que o homem possa conceber. Não há vontade humana capaz de, sozinha, sem o auxílio da graça do Espírito Santo, fazer a inteligência assentir a afirmações desta natureza com a firmeza e a constância que as Sagradas Escrituras atribuem à fé.

Segundo o crescimento da fé encontramos três gêneros de pessoas que crêem. Há alguns fiéis que elegeram crer apenas pela piedade, os quais todavia não compreendem se se deve crer ou não pela razão; nestes, apenas a piedade faz a eleição. Há outros que aprovam pela razão o que crêem pela fé; nestes a razão acrescenta a sua aprovação. Outros, finalmente, pela pureza do coração e da consciência já começam a saborear interiormente aquilo que crêem pela fé; nestes a pureza da inteligência apreende a certeza.

A Sagrada Escritura afirma que a fé opera pela caridade (Gal. 5,6); a fé, sem a obra da caridade, é morta (Tg. 2,17). A fé vive pela caridade e, através dela, torna-se realidade perfeita. Não há mais de uma fé, uma morta e outra viva. Não são duas, mas a mesma fé aumentada, pelo que diz o Evangelho de S. Lucas: `Aumentai a nossa fé'. Lc. 17,5

A caridade é amor de amizade, amor ao qual Jesus se referia quando disse: `Não mais vos chamo de servos, porque o servo não sabe o que seu amo faz; mas eu vos chamo de amigos, porque tudo o que ouvi do Pai eu vos dei a conhecer'. Jo. 15,15

A amizade requer por natureza uma mútua benevolência, porque o amigo é, para o amigo, outro amigo; requer, ademais, que esta mútua benevolência se fundamente sobre alguma comunicação. A caridade é amor de amizade fundamentado sobre a comunicação entre Deus e o homem na medida em que Deus quer nos comunicar a sua própria felicidade.

O amor de caridade não é apenas aquele pelo qual o homem cumpre o mandamento de amar a Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, com todo o seu entendimento e com todas as suas forças, mas também aquele amor que pressupõe o amor pelo qual o homem é amado primeiro por Deus: `Nisto consiste a caridade: não fomos nós que amamos a Deus, mas Ele que nos amou primeiro'. I Jo. 4,10

Aquele que ama a Deus tem em si próprio a maior prova de ser amado por Deus, porque ninguém pode amar a Deus se Deus não o amar primeiro, pois o próprio amor pelo qual nós amamos a Deus é causado em nós pelo amor com que Deus nos ama.

A contemplação se inicia quando a uma fé firme, constante e pura se acrescenta uma caridade intensa.

O encontro entre a fé e a caridade se torna estável e duradouro pela virtude da esperança, conforme o dito de S. Bento: `Apodera-se deles o desejo de caminhar para a vida eterna; por isso lançam-se como que de assalto ao caminho estreito do qual diz o Senhor que conduz à vida'.

A esperança reside na vontade, mas tem suas raízes mais profundas na memória, conforme diz S. Antão ao afirmar que dos pensamentos puros da fé se produz a memória de Deus e dos bens que Ele nos prometeu, e da memória destas coisas se origina aquele amor perpétuo que nos é prescrito no maior de todos os mandamentos. Diz também S. Boaventura que é necessário amar a Deus não apenas com todo o nosso coração e com toda a nossa alma, mas também com todo o nosso entendimento, isto é, "com toda a memória, sem esquecimento".

A esperança é pressuposto do pleno caráter sobrenatural da fé e da caridade, pois, conforme diz a Sagrada Escritura: `A fé é a substância das coisas que se esperam'; e também, quanto à caridade: `Não vos chamo mais de servos, porque o servo não sabe o que o seu amo faz, mas eu vos chamo de amigos, porque tudo o que ouvi do Pai eu vos dei a conhecer'.

A contemplação se inicia quando, após uma vida de virtude e de oração, reflexão e estudo, é possível viver da fé. A esta fé deve-se acrescentar e unir a caridade, pois sem a fé a caridade não pode crescer. Á medida em que a caridade cresce no solo da fé, ela passa gradualmente a se tornar condutora da fé a que está unida e a introduzi-la num modo superior de vivência.

Toda contemplação espiritual é precedida, como por condutores, pela fé, pela esperança e pela caridade, mas principalmente pela caridade. De fato, a fé e a esperança nos ensinam a desprezar as coisas que se vêem. A caridade, com elas, une a alma às virtudes divinas, investigando por um certo sentido da mente as coisas que não podem ser vistas.

Dizem-me que estudais os profetas; mas eu vos pergunto, julgais compreender realmente o que ledes? Em caso afirmativo, decerto não ignorais que quem desejar alcançar o Cristo será melhor sucedido seguindo os seus passos do que lendo a seu respeito. Se tomásseis uma resolução definitiva, compreenderíeis o que está escrito: `Os olhos não viram, ó Deus, além de Ti, que coisas preparastes para os que Te amam'. Se provásseis ao menos uma vez o belo trigo com que o Senhor inundou Jerusalém, com que satisfação abandonaríeis então aos judeus amadores da escrita estas migalhas duras com que eles se contentam! Prouvera a Deus que fôsseis meu condiscípulo na escola do amor divino em que Jesus é o mestre! Com que agrado partilharia convosco o pão celestial que, ainda quente, fumegante e tenro do forno, Cristo oferece freqüentemente aos seus pobres!

Dizem as Escrituras que o caminho do justo é como a luz da aurora, que vai clareando até o pleno dia (Pr. 4,18). Assim também, seguindo um curso comparável à luz da aurora, para o justo que persevera no seu caminho chega o momento em que a caridade começa a operar nele de um modo mais manifestamente excelente e intenso do que este supunha ser possível.

Vim espalhar um fogo sobre a terra, e que mais desejo eu senão que se acenda? Quem crer em mim, disse Jesus, de seu seio correrão rios de água viva. Dizia isto Jesus do Espírito Santo que haveriam de receber os que nele cressem. Lc. 12, 49; Jo. 7, 7.

Uma é a caridade natural da alma, outra aquela que pelo Espírito Santo lhe é infundida. Aquela que está em nós, quando queremos, se move com moderação pelo afeto de nossa vontade; por esta razão não é difícil para os espíritos malignos, a não ser que nos defendamos com fortaleza, que nos seduzam para os seus propósitos. A divina, porém, incendeia de tal forma a alma à caridade divina, que vence e une entre si, por uma infinita simplicidade e sinceridade de afeto, todas as partes e as faculdades da alma na bondade do desejo celeste. A alma se torna uma fonte profunda de caridade e de alegria, como que grávida da graça celeste e da virtude do Espírito Santo.

O Evangelho consiste, de um modo especial, na graça do Espírito Santo, pois cada coisa parece ser aquilo que nela há de principal. Aquilo, porém, que é principalíssimo na Lei do Novo Testamento, e no qual consiste toda a sua virtude, é a graça do Espírito Santo, que nos é dada pela fé em Cristo. Portanto, a Nova Lei é principalmente a própria graça do Espírito Santo, que é dada por Cristo aos fiéis.

Segundo o modo comum de entender dos homens, sabedoria é o mais elevado conhecimento possível. Assim também entre os dons do Espírito Santo enumera-se o dom de sabedoria, por meio do qual o Espírito Santo nos move ao mais elevado conhecimento possível ao homem e à mais elevada forma de vida contemplativa que o homem pode alcançar.

A causa próxima da contemplação produzida pelo dom de sabedoria é o modo supereminente de vivência da caridade produzido em nós pela graça do Espírito Santo que Jesus prometeu aos que seguissem os seus preceitos.

`Bem aventurados os pacíficos', diz Jesus, `porque serão chamados filhos de Deus'. São filhos de Deus todos aqueles que são movidos pelo Espírito de Deus (Rom. 8,14). São filhos de Deus todos aqueles que receberam o Espírito Santo, e serão chamados filhos de Deus aqueles que receberam tanta plenitude do Espírito Santo que esta condição se manifesta com tal evidência diante dos homens que eles próprios passam a chamá-los de filhos de Deus. Trata-se daquela vivência supereminente da caridade movida pelo Espírito Santo que introduz os homens naquela forma superior de contemplação associada ao dom de sabedoria pela qual se lhes manifesta a verdade e se tornam livres.

Aqueles que recebem o dom de sabedoria mediante o Espírito Santo são de modo próprio ditos filhos de Deus, na medida em que participam da semelhança do Filho de Deus unigênito e natural, os quais Deus na sua presciência os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho (Rom. 8, 29), o qual é a sabedoria gerada.

Esta sabedoria de que tratamos não é o próprio Deus. É uma sabedoria de homem, a qual, todavia, é segundo Deus, e é o seu verdadeiro e principal culto. Se a mente do homem se torna capaz de cultuar a Deus por seu intermédio, o homem se torna sábio, não pela própria luz de Deus, mas por uma participação daquela que é a maior de todas as luzes.

O dom de sabedoria produz uma contemplação deiforme, e de certo modo explícita, dos artigos que a fé contém de certo modo envolvidas sob um modo humano.

A sabedoria que é dom do Espírito Santo possui sua causa na caridade, embora sua essência esteja no intelecto. Deus nunca dá esta sabedoria sem amor, pois é o próprio amor que a infunde, conforme o mostra Jeremias, onde diz: `Enviou fogo aos meus ossos e ensinou-me'. Lam. 1,13

O dom de sabedoria possui uma eminência de conhecimento por uma certa união às coisas divinas, às quais não nos unimos a não ser pelo amor, de tal modo que aquele que adere a Deus se torna um só espírito com Ele, conforme diz o Apóstolo na primeira epístola aos corintios. E por isso o dom de sabedoria pressupõe o amor como princípio, de tal modo que reside no afeto, embora quanto ao conhecimento esteja no intelecto.

`Se permanecerdes nas minhas palavras', diz Jesus, `sereis verdadeiramente meus discípulos; conhecereis a verdade, e a verdade vos tornará livres' (Jo. 8,31). `Para isto é que eu nasci', diz Jesus, `e para isto é que vim ao mundo: para dar testemunho da verdade' (Jo. 18,37). Foi por isto que Jesus veio ao mundo: a quantos o receberam, `deu- lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, aos que crêem no seu nome, e que não pelo sangue, nem pela vontade humana, mas de Deus nasceram' (Jo. 1,12). “Aqueles que vivem pelo Espírito fazem morrer as obras da carne. (Ninguém que proceda diversamente) terá herança no Reino de Cristo e de Deus. Mortificai, pois, os vossos membros terrenos: a fornicação, a impureza, a lascívia, os desejos maus, e a avareza, que é uma idolatria, pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os que não crêem. Rom.8,13; Ef.5,5; Col.3,5. As obras da carne são manifestas. São a fornicação, a impureza, a luxúria, a idolatria, os malefícios, as inimizades, as contendas, as iras, as rixas, as discórdias, as seitas, as invejas, os homicídios, a embriaguez, as glutonerias, e outras semelhantes, sobre as quais vos previno, que os que as praticam não possuirão o Reino de Deus. Os que são de Cristo crucificaram a própria carne com os seus vícios e as suas concupiscências. Gal.5,19-21;5,24.

Referências:

1. S. Tomás de Aquino: Comentário ao Símbolo dos Apóstolos.

2 . S. Tomás de Aquino: Summa Theologiae. Hugo de S. Vitor: Summa Sententiarum. Evangelho segundo João.

3 . Catecismo Romano.

4. Evangelho segundo Mateus.

5. Evangelho segundo Mateus.

6. Evangelho segundo Mateus.

7. Evangelho segundo Lucas.

8. Hugo de S. Vitor: De Sacramentis Fidei Christianae.

9. Evangelho segundo Mateus.

10. Hugo de S. Vitor: De Sacramentis Fidei Christianae.

11. Evangelho segundo Marcos.

12. Evangelho segundo Mateus.

13. Evangelho segundo Lucas.

14. Evangelho segundo Mateus.

15. Evangelho segundo João.

16. Epístola aos Hebreus.

17. Hugo de S. Vitor: De Sacramentis Fidei Christianae; Idem: De fructibus carnis et spiritus.

18. Epístola aos Colossenses.

19. Epístola aos Hebreus. Segunda Epístola aos Coríntios.

20 . .........................

21. Ricardo de S. Vitor: De Trinitate.

22. Ricardo de S. Vitor: De Trinitate.

23. Ricardo de S. Vitor: De Trinitate.

24. S.Tomás de Aquino: Summa Theologiae. Atos dos Apóstolos.

25. S.Tomás de Aquino: Summa Theologiae. Hugo de S. Vitor: Didascalicon.

26. Hugo de S. Vitor: De Quinque Septenariis.

27. .........................

28. .........................

29. .........................

30. Hugo de S. Vitor: De Sacramentis Fidei Christianae.

31. Epístola aos Gálatas. Epístola de Tiago. S. Tomás de Aquino: Summa Theologiae. Hugo de S. Vitor: Summa Sententiarum.

32. S.Tomás de Aquino: Summa Theologiae.

33. S.Tomás de Aquino: Summa Theologiae.

34. .........................

35. S.Tomás de Aquino: texto de localização não identificada.

36. .........................

37. .........................

38. .........................

39. .........................

40. .........................

41. S.Diádoco de Fócia: Capítulos sobre a Perfeição.

42. S.Bernardo: Carta a Henrique Murdach.

43. .........................

44. Evangelho segundo Lucas. Evangelho segundo João.

45. S.Diádoco de Fócia: Capítulos sobre a Perfeição.

46. S.Tomás de Aquino: Summa Theologiae.

47. .........................

48. .........................

49. S.Tomás de Aquino: Summa Theologiae.

50. .........................

51. Pedro Lombardo: Terceiro Livro das Sentenças.

52. S.Tomás de Aquino: Comentário ao Terceiro Livro das Sentenças.

53. S. Tomás de Aquino: Summa Theologiae.

54. S. João da Cruz: Noite Escura da Alma.

55.Tomás de Aquino: Summa Theologiae. Evangelho segundo João.

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