segunda-feira, 5 de maio de 2014

Flores da Eucaristia - S. Pedro Julião Eymard.

Na Encarnação, Nosso Senhor desposou a natureza humana tomando uma natureza semelhante à nossa, embora pura e sem pecado, e da qual se serviu para remir o mundo. A natureza humana celebrou no seio de Maria suas primeiras núpcias com o Verbo. E Jesus, porque amava a humanidade que desposara, se entregou por ela, e quis ser chamado o Filho do homem – “Filius Hominis” (Dn 7,13; Mt 26,64).

Mas Jesus Cristo, querendo desposar também cada uma de nossas almas, instituiu a Eucaristia, em que se celebram diariamente as núpcias de Nosso Senhor com a alma cristã, da qual exige apenas a boa vontade. Reveste-a pessoalmente, na Penitência, do traje nupcial.

E a alma se perde em Jesus Cristo, como a gota d’água, caindo no oceano, se torna parte dele.
“Divinae consortes nature” (cf. 1Cor 12,13.27; Ef 2,19; St 17,28; 2Pd 1,4). É um contrato feito livremente entre a alma e Jesus, que se unem para formar uma só pessoa moral, contrato que Jesus jamais há de romper. De nossa parte não lhe sejamos infiéis, mas tornemo-lo forte pelo amor, pela fidelidade da consciência, e pela vontade inabalável de antepor a tudo o mais as obrigações que decorrem dele.

Ao se consumirem as espécies, depois da Comunhão, desaparece a presença corporal de Nosso Senhor, mas, se o pecado não O afastar, nosso corpo continuará participando da virtude do Corpo de Jesus. Recebe dEle a força, a graça, a integridade e os costumes, anima-se com a seiva de Nosso Senhor, espiritualiza-se.

O nosso corpo, se bem que receba a honra em primeiro lugar, é apenas uma antecâmara por onde passa Nosso Senhor, que se dirige diretamente à alma e lhe diz: "Quero desposar-te para sempre". (Os 2,21).

A alma O recebe e participa de sua vida divina; perde-se, por assim dizer, em Nosso Senhor. Desde então, somente procura o que Lhe agrada e Lhe dá prazer, penetrada que está da intuição delicada com que Jesus discerne as coisas que se referem à glória do Pai, intuição que tudo aprecia sob o prisma divino.

A alma que não possui este sentimento de delicadeza procura-se a si mesma em tudo, e, ao comungar, pensará tão-somente nas doçuras que poderá fruir. A delicadeza é a flor do amor.

Jesus Cristo comunica à alma delicada a graça do esquecimento de si mesma, a completa despreocupação com o próprio eu.
A alma que comunga deve chegar a amar Nosso Senhor por Ele mesmo, dedicar-se sem dizer: “Que receberei em troca”? Não ama verdadeiramente quem pede recompensa por tudo quanto faz.

Viver de Jesus em proveito próprio é bom, mas viver dEle para Ele é melhor. Nosso Senhor quer que a alma se esqueça de si mesma, e pede àquelas que na verdade O amam que se percam de vista, e se abandonem generosamente a Ele, confiando-Lhe sem hesitação todos os interesses, tanto da alma como do corpo, no tempo e na eternidade.

Coragem! Daí tudo a Nosso Senhor, almas que viveis da Comunhão! Vossas obras, vossos méritos, vosso coração com todos os seus afetos, mesmo os mais justos e legítimos. Nosso Senhor nos pede tudo para nos dar ainda mais, semelhante a mãe que, para experimentar a afeição do filhinho, lhe pede os seus brinquedos, e, contente que é amada acima de tudo, lhos devolve com outros ainda mais belos.

A Comunhão é o traço de união que Nosso Senhor estabelece entre o Pai Celeste e nós.

Ao deixar a Terra onde viveu unicamente para a glória do Pai, Jesus não quis que Ele ficasse privado da homenagem de suas ações humano-divinas. Multiplica-se, então, estendendo a sua vida às almas que O recebem, e apresentando-as ao Pai Lhe diz: “Vim gozar de minha glória à vossa direita, porém me encarno de novo em todos esses cristãos a fim de vos honrar por ele e neles. Que fazer, deles e de Mim, um só religioso de vossa glória”.

Oh! Como Nosso Senhor sabe aliar admiravelmente a Glória de seu Pai à nossa felicidade. Quem será capaz de compreender esta maravilha do amor do filho para com o Pai Celeste e para conosco? Que divina habilidade emprega Ele para nos tornar participantes da glória e nos fazer merecer uma recompensa mais abundante!

Que a comunhão seja, portanto, o centro e nossa vida e de nossas ações. Procuremos viver para comungar, e comungar para viver santamente e glorificar a Deus em nós, que um dia nos há de glorificar a Deus em nós, que um dia nos há de glorificar magnificamente em sua eterna bem-aventurança.

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