terça-feira, 1 de abril de 2014

Crer para ver ou ver para crer?

Imitação de Cristo, tratado espiritual do século XV (Lisboa, Morais, 1965, rev.)
IV, 18

«Se não virdes sinais extraordinários e prodígios, não acreditais.»

«O que perscruta a majestade será oprimido pela sua glória» (Prov 25,27 Vulg). Mais pode Deus fazer que o homem compreender. […] Exige-se de ti a fé e uma vida sincera, e não a elevação da inteligência ou a sabedoria dos profundos mistérios de Deus. Se não percebes nem apreendes o que te é inferior, como compreenderás o que te está acima? Submete-te a Deus e humilha o teu parecer à fé e ser-te-á dada a luz da ciência, conforme te for útil ou necessário.

Alguns são duramente tentados na fé ou na eucaristia; isso, porém, não se deve atribuir a eles, mas ao inimigo. Não te importes, não discutas com os teus próprios pensamentos, nem respondas às dúvidas insinuadas pelo demónio, mas crê nas palavras de Deus, crês nos seus santos e profetas e de ti fugirá o inimigo. Muitas vezes de muito serve que tais coisas suporte o servo de Deus. Pois que o demónio não tenta os infiéis e pecadores, que já possui com certeza, mas os fiéis devotos, que tenta e humilha de diversos modos.

Caminha portanto com uma fé simples e certa, e aproxima-te do sacramento com suplicante respeito; e o que não consigas perceber, entrega-o com confiança a Deus omnipotente. Deus não te engana; mas engana-se aquele que em si próprio crê demais. Caminha Deus com os simples, revela-Se aos humildes, dá inteligência aos pequenos, abre os sentidos aos de espírito puro e esconde a graça dos curiosos e soberbos. A razão humana é fraca e pode errar; mas não a verdadeira fé. Todo o raciocínio natural deve seguir a fé, e não precedê-la ou infringi-la.

Gadget

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

Pesquisar: