sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O que é a Alma? Quando se inicia a vida?

Que é a alma ?



De modo geral, denomina-se alma o princípio vital que anima ou faz viver a matéria orgânica. Embora não se saiba definir exatamente em que consiste a vida, costuma-se dizer que é automoção ou “moção de si mesmo”. Distinguem-se três graus de vida :



1- a vida meramente vegetativa, cujas funções são nutrimento, crescimento e multiplicação da espécie;



2- a vida sensitiva, que, além das funções anteriores, possui a faculdade de conhecer, mediante os sentidos (órgãos do corpo), objetos concretos, dotados de tamanho, cor, sabor, sonoridade, etc.; só atinge objetos dimensionais ;



3- a vida intelectiva, que tem, a mais, a função de elaborar noções abstratas, depuradas das dimensões e outras notas concretas, contingentes, com que os seres aparecem na natureza ;



A inteligência, por exemplo, elaborando os dados recebidos pelos sentidos, chega à conclusão de que o “homem” não é somente Pedro, Paulo, João..., mas todo vivente (branco ou negro, alto ou baixo, masculino ou feminino) capaz de raciocinar ou racional. Um dos sinais mais característicos da presença do intelecto ou da vida intelectiva num determinado sujeito é a faculdade de falar, a qual supõe sempre um poder superior aos sentidos, coordenador das impressões recebidas por estes (“se o chimpanzé tem a possibilidade de falar, mas na realidade não fala, entenda-se que a função de falar, em sua essência, não é função orgânica, mas função intelectual e espiritual”, G. Gusdorf, La Parole. Paris 1953,4). Outra característica do ser intelectivo é o riso, que supõe a admiração, ou seja, o conhecimento abstrativo e lento que se faz por meio do raciocínio.



Na base desta tríplice distinção, fala-se de alma (princípio vital) vegetativa, alma sensitiva e alma intelectiva.



Cada individuo possui uma alma só, que satisfaz a todas as funções de sua vida”



A alma intelectiva é própria do homem. Difere da vegetativa e da sensitiva pelo fato de que, como acima dissemos, estas não têm funções que transcendam os limites da matéria; são materiais; por isto são produzidas pela potencialidade mesma da matéria e reabsorvidas por esta, quando cessam as disposições do corpo necessárias para que exerçam suas funções. A alma intelectiva, ao contrário, possui atividade superior à do corpo ; é capaz de conhecer o que não cai diretamente sob os sentidos (embora se sirva do conhecimento sensitivo como de base das suas elucubrações); conhece, por exemplo, a causa invisível de um efeito visível, as relações entre os meios e determinado fim, aquilo que é essencial e perene em indivíduos diversificados por notas contingentes, etc. Por isto a alma humana não é material, mas “espiritual” (o modo de ser e o modo de agir de um individuo são estritamente correlativos entre si); o que mais precisamente significa: ela não tem extensão, nem tamanho, nem cor, nem sabor, nem figura, sem que por isto deixe de ser muito real (Deus também não tem figura nem cor). Daqui se segue, como melhor se dirá abaixo (n9 2), que a alma humana tem origem independente da matéria e pode subsistir fora ou independentemente desta.



Dada a transcendência da alma humana em relação à da planta e à do animal irracional, costuma-se reservar o nome alma para o que concerne ao homem, chamando-se simplesmente princípio vital (vegetativo ou sensitivo) o elemento que vivifica as plantas e os irracionais.


Qual o momento em que a alma penetra no embrião?



Os sábios da antiguidade admitiam certo intervalo entre a fecundação do óvulo pelo esperma e o aparecimento da alma racional no embrião humano: Hipócrates (séc. 4 a. C.), o famoso médico grego, por exemplo, julgava haver um lapso de trinta dias. Os cristãos medievais, seguindo as noções de fisiologia de Aristóteles (1322 A.C,), opinavam que o feto masculino somente quarenta dias após a fecundação recebia alma racional, enquanto para o feto feminino admitam o intervalo de oitenta dias. Assim julgavam, porque lhes parecia não haver nas primeiras semanas após a concepção a organização de células necessárias para constituir um corpo humano, sede de alma racional; acreditavam, sim, que durante certo tempo o feto só possuía organização e atividades de vida vegetativa (nutrimento e crescimento), e por isto lhe atribuíam princípio vital meramente vegetativo ; a seguir, julgavam distinguir no embrião organização e movimentos espontâneos característicos da vida sensitiva, que eles consequentemente atribuíam a novo princípio vital, a alma sensitiva, recém-originada em substituição à anterior; somente após estas fases reconheciam no feto a organização típica do corpo humano, no qual pode viver uma alma intelectiva ; esta então seria infundida.



Hoje em dia, porém, fisiólogos e filósofos em geral admitem que desde a concepção há no embrião humano a organização própria de um vivente humano; em consequência, afirmam que desde a fecundação o novo ser é dotado de alma racional. Está claro que as faculdades intelectivas só se podem manifestar depois que os órgãos da vida sensitiva atingem certo desenvolvimento, pois a alma intelectiva, embora não seja material, depende da matéria ou das faculdades sensitivas para colher as primeiras notícias, que a inteligência elabora, delas abstraindo as noções universais, as definições,



A alma intelectiva, tendo funções que transcendem as faculdades corpóreas, não provém da potencialidade da matéria (o menos perfeito não pode por si produzir o mais perfeito), mas é criada diretamente por Deus e infundida ao embrião no momento da fecundação, fecundação que se pode dar algumas horas ou, às vezes, alguns dias após a cópula conjugal.



É o que explica a intransigência da Moral cristã perante o aborto direto. Este é sempre tido como infanticídio, mesmo quando praticado nos primeiros tempos da gestação; não há fundamento para se distinguir entre feto animado e feto inanimado (por alma racional). Mesmo na Idade Média, quando se adotava a fisiologia de Aristóteles, os autores cristãos condenavam o aborto, em qualquer época fosse produzido; tinham-no na conta de destruição da vida iniciada de um homem.





Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

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