sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Estigmas de São Francisco.

De um santo frade que teve uma admirável visão de um seu companheiro sendo morto.

Um frade, muito devoto e santo, teve, na província de Roma, esta admirável visão. Tendo morrido numa noite e sido enterrado na manhã seguinte na entrada do capítulo um frade que era seu caríssimo companheiro, no mesmo dia o referido frade recolheu-se em um canto do capítulo, depois da refeição, para pedir devotamente a Deus e a São Francisco pela alma do frade morto que era seu companheiro.

Tendo perseverado na oração com pedidos e lágrimas, de noite, quando todos os outros frades tinham ido dormir, eis que ouviu um grande rumor de alguma coisa que se arrastava pelo claustro. Voltou de repente os olhos, com grande medo, para o sepulcro de seu companheiro. Viu que lá na entrada do capítulo estava São Francisco e, atrás dele, uma grande multidão de frades ao redor do sepulcro. Olhou mais adiante e viu no meio do claustro um fogo com uma enorme chama e que no meio da chama estava a alma de seu companheiro morto. Olhou ao redor no claustro e viu Jesus Cristo andando em volta do claustro com grande acompanhamento de Anjos e Santos.
Olhando tudo isso com grande estupor, viu que, quando Cristo passava na frente do Capítulo, São Francisco se ajoelhou com todos os frades e disse: “Eu te peço, meu caríssimo Pai e Senhor, por aquela inestimável caridade que mostraste pela geração humana na tua encarnação, que tenhas misericórdia da alma daquele meu frade que está ardendo nesse fogo”. Cristo não respondeu nada, mas foi em frente.

Quando voltou uma segunda vez passando na frente do Capítulo, São Francisco também se ajoelhou com os seus frades como antes e rogou desta forma: “Eu te peço, piedoso Pai e Senhor, pela desmesurada caridade que mostraste ao gênero humano quando morreste sobre o lenho da cruz, que tenhas misericórdia da alma daquele meu frade”. E Cristo passava do mesmo jeito e não o ouvia.

Dando a volta ao claustro, voltou pela terceira vez e passou na frente do Capítulo. Então São Francisco, ajoelhando-se como antes, mostrou-lhe as mãos, os pés e o peito e disse assim: “Eu te peço, piedoso Pai e Senhor, por aquela grande dor e consolação que suportei quando me impuseste estes estigmas na minha carne, que tenhas misericórdia da alma daquele meu frade que está naquele fogo do purgatório”.

Coisa admirável! Sendo Cristo rogado nesta terceira vez por São Francisco em nome de seus estigmas, parou imediatamente e olhou para os estigmas, ouviu a prece e disse assim: “A ti, Frei Francisco, eu te concedo a alma do teu frade”. E com isso quis certamente honrar e confirmar os gloriosos estigmas de São Francisco e significar abertamente que as almas de seus frades que vão para o purgatório não são mais facilmente libertadas das penas e levadas para a glória do paraíso que em virtude de seus estigmas, conforme as palavras que Cristo, quando os imprimiu, disse a São Francisco. Por isso, de repente, quando foram ditas essas palavras, o fogo do claustro se dissipou e o frade morto se aproximou de São Francisco e, com ele e com Cristo, toda aquela bem-aventurada companhia gloriosa foi para o céu.

Por esse motivo, este seu companheiro frade, que tinha rezado por ele, vendo-o livre das penas e levado para o paraíso, teve uma alegria enorme. E depois contou direitinho aos outros frades toda a visão, louvando e agradecendo a Deus junto com eles.

Para louvor de Jesus Cristo e do pobrezinho Francisco. Amém.

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