quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Estigmas de São Francisco - final.

Como um nobre cavaleiro, devoto de São Francisco,
foi certificado da morte e dos estigmas de São Francisco.

Um nobre cavaleiro de Massa de São Pedro, que se chamava monsior Landolfo e que era muito devoto de São Francisco e finalmente recebeu de suas mãos o hábito da Ordem Terceira, foi deste modo certificado da morte de São Francisco e de seus estigmas gloriosos.

Porque, estando São Francisco perto da morte, entrou nesse tempo o demônio em uma mulher daquele castelo e a atormentava cruelmente, e com isso fazia-a falar à letra tão sutilmente que vencia todos os homens sábios e letrados que vinham disputar com ela. Aconteceu que, indo embora dela, o demônio deixou-a livre dois dias e, quando voltou, no terceiro dia, afligia-a mais cruelmente do que antes. Quando ouviu isso, monsior Landolfo foi procurar a mulher e perguntou ao demônio que morava nela por que tinha ido embora dois dias e, depois, quando voltou, atormentava-a mais asperamente do que antes.

O demônio respondeu: “Quando a deixei, foi porque eu com todos os meus companheiros, que estão nesta região, nos reunimos e fomos muito fortes à morte do mendigo Francisco para disputar com ele e tomar sua alma. Mas, como ela estava cercada e defendida por uma multidão de Anjos maior do que a nossa e foi levada por eles diretamente para o céu, e nós fomos embora confundidos, eu estou tirando o atraso e fazendo a esta pobre mulher o que perdi em dois dias”.

Então monsior Landolfo esconjurou-o da parte de Deus que tinha que dizer o que havia de verdade na santidade de Francisco, que ele dizia que tinha morrido, e de Santa Clara, que estava viva. O demônio respondeu: “Vou te dizer, queira ou não, o que é verdade. Deus Pai estava tão indignado contra os pecados do mundo que parecia querer pronunciar em breve a sentença definitiva, exterminando-os do mundo se não se corrigissem. Mas Cristo seu Filho, orando pelos pecadores, prometeu renovar sua vida e sua paixão em um homem, Francisco o pobrezinho mendigo, por cuja vida e doutrina reconduziria, de todo o mundo, muitos para o caminho da verdade e da penitência. E então, para mostrar ao mundo que ele tinha feito isso em São Francisco, quis que os estigmas da paixão – que ele havia imprimido em seu corpo durante a vida – fossem agora vistos por muitos e tocados na sua morte.

De maneira semelhante, a Mãe de Cristo prometeu renovar sua pureza virginal e sua humildade em uma mulher, isto é, na Irmã Clara, de tal modo que, por seu exemplo, ela arrancaria muitos milhares de mulheres de nossas mãos. E assim, por essas promessas, Deus Pai, apaziguado, adiou sua sentença definitiva”.

Então, monsior Landolfo, querendo saber ao certo se o demônio, que é abrigo e pai da mentira, estava dizendo a verdade nessas coisas, especialmente sobre a morte de São Francisco, mandou um seu fiel donzel a Assis, para saber em Santa Maria dos Anjos se São Francisco estava vivo ou morto. Chegando lá, o donzel encontrou com certeza como o demônio tinha dito e, quando voltou, assim referiu a seu senhor, que justamente no dia e na hora que o demônio tinha dito, São Francisco tinha passado desta vida.
Para louvor de Jesus Cristo e do pobrezinho Francisco. Amém.


Como o Papa Gregório IX, duvidando dos estigmas de São Francisco,
foi esclarecido sobre eles.

Deixando de falar de todos os milagres dos sagrados santos estigmas de São Francisco, que podem ser lidos em sua legenda, para concluir esta quinta consideração devemos saber que o papa Gregório IX, duvidando um pouco da chaga do lado de São Francisco, como ele contou posteriormente, apareceu-lhe uma noite São Francisco e, levantando um pouco o braço direito, descobriu a ferida do peito e lhe pediu uma vasilha.

Ele mandou busca-la. São Francisco fez com que fosse posta embaixo da ferida do peito e para o Papa pareceu que ela estava sendo enchida até a boca de sangue misturado com água, que saía da dita ferida. E daí em diante foi-se embora toda a sua dúvida. E depois, ele, a conselho de todos os Cardeais, aprovou os sagrados santos estigmas de São Francisco. E disso deu aos frades um privilégio especial com a bula pendente (o selo). E ele fez isso em Viterbo, no décimo primeiro ano de seu papado. No décimo segundo ano, deu um outro mais copioso.

Também o papa Nicolau III e o papa Alexandre (IV) deram a respeito generosos privilégios, pelos quais se poderia contra quem negasse os estigmas de São Francisco como se fosse um herege.

Baste isso quanto à quinta consideração dos gloriosos estigmas de nosso ai São Francisco. Que Deus nos dê a graça de seguir sua vida neste mundo, de maneira que, por seus estigmas gloriosos, mereçamos ser salvos com ele no paraíso.
Para louvor de Jesus Cristo e do pobrezinho Francisco. Amém.

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