sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Estigmas de São Francisco: 5ª consideração.

Como São Francisco, estando morto, apareceu a Frei João do Alverne, que estava em oração.

No monte Alverne São Francisco apareceu uma vez a Frei João do Alverne, homem de grande santidade, que estava em oração. Ficou e falou com ele por muito tempo. E finalmente, quando quis partir, disse-lhe: “Pede-me o que tu queres”. Frei João disse: “Pai, eu te peço que tu me digas o que desejo saber há muito tempo, isto é, o que fazias e onde estavas quando te apareceu o Serafim”.

São Francisco respondeu: “Eu estava rezando naquele lugar onde está agora a capela do conde Simão de Batifolle, e pedia duas graças ao meu Senhor Jesus Cristo. A primeira, que me concedesse durante a minha vida que sentisse na minha alma e no meu corpo, quanto fosse possível, toda aquela dor que ele tinha sentido em si mesmo no tempo da sua acerbíssima paixão. A segunda graça que eu lhe pedi foi, parecidamente, que eu sentisse no meu coração aquele excessivo amor de que ele estava aceso ao suportar tamanha paixão por nós, pecadores.

E então Deus me pôs no coração que me permitiria sentir uma e outra coisa, quanto fosse possível para uma pura criatura. O que me foi cumprido muito bem na impressão dos estigmas”. Então Frei João perguntou-lhe se aquelas palavras secretas que o Serafim lhe tinha dito tinham sido daquele jeito que contava aquele santo frade de que falamos acima, que afirmava que as tinha ouvido de São Francisco na presença de oito frades. São Francisco afirmou que era verdade como o frade dizia.

Então Frei João ainda criou coragem de perguntar, pela liberalidade de quem o concedia, e disse assim: “Ó pai, eu te rogo insistentemente que me deixes ver e beijar os teus gloriosos estigmas, não porque eu tenha alguma dúvida, mas só para a minha consolação, porque eu sempre desejei isso”. E como São Francisco mostrou-os livremente e os estendeu para ele, Frei João viu-os claramente, tocou-os e os beijou.
E no fim lhe perguntou: “Pai, quanta consolação teve tua alma vendo Cristo bendito vir a ti e dar-te os sinais da sua santíssima paixão! Deus me dera que eu sentisse um pouco dessa suavidade!”. Então São Francisco respondeu: “Estás vendo estes cravos?”. E Frei João: “Pai, sim”. São Francisco disse: toca mais uma vez este cravo que está na minha mão. Então Frei João, com grande reverência e temor, tocou aquele cravo e, de repente, quando o tocou, saiu tanto perfume como um fio de fumaça como de incenso e, entrando pelo nariz de Frei João, encheu sua alma e seu corpo de tanta suavidade que ele foi imediatamente arrebatado em Deus, em êxtase, e ficou insensível. E ficou assim arrebatado desde aquela hora, que era a terça, até as vésperas.

Frei João nunca contou a outros essa visão e a conversa familiar com São Francisco, a não ser ao seu confessor, quando chegou à morte. Mas quando estava perto da morte, revelou-o a outros frades.

Para louvor de Jesus Cristo e do pobrezinho Francisco. Amém.


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