quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A Dignidade da Missa.

Santo Afonso, nesta meditação nos ajuda a refletir sobre o infinito valor da Santa Missa diante de Deus e nos ajuda a nos revermos sobre como temos participado da Eucaristia:

I. Nunca um sacerdote celebrará a Santa Missa com a necessária devoção, nem nunca o cristão lhe assistirá com o devido respeito, se não tiverem de tamanho sacrifício e estimação que merece.

“É certo”, diz o Concílio de Trento, “que o homem não faz ação mais sublime e mais santa do que a celebração da Missa”; mais, Deus mesmo não pode fazer que se cometa no mundo ação mais sublime do que esta.

A Missa não é somente uma recordação do sacrifício da Cruz, senão o mesmo sacrifício, porque em ambos o oferente é o mesmo, a mesma é a vítima, a saber: o Verbo encarnado. A diferença está unicamente no modo de se oferecer; porquanto o sacrifício da Cruz foi feito com derramamento de sangue, e o sacrifício da Missa é incruento. No primeiro Jesus Cristo morreu verdadeiramente, no segundo morre de morte mística. Por isso, todos os sacrifícios antigos, apesar da grande glória que deram a Deus, não foram senão uma sombra e figura de nosso sacrifício do altar.

Todas as honras que jamais tem dado e darão a Deus os anjos com os seus louvores, os homens com as suas boas obras, penitências e martírios, e mesmo a divina Mãe com a prática das mais sublimes virtudes, nunca chegaram nem poderão chegar a glorificar o Senhor tanto como uma só Missa. A razão é que todas as honras das criaturas são honras finitas, mas a glória que Deus recebe no sacrifício do altar, no qual se lhe oferece uma vítima de valor infinito, é uma glória igualmente infinita.
Numa palavra, a Missa é uma ação pela qual se tributa a Deus a maior honra que lhe pode ser tributada. Pela Missa cumprimos o nosso dever primário, sublime e essencial, o de louvarmos a Deus segundo a sua grandeza.

Se tu, que fazes a presente meditação, tens a grande dita de ser padre, emprega toda a diligência para celebrar este divino sacrifício com a maior pureza e devoção possíveis.

Lembra-te de que a maldição fulminada contra aqueles que exercem as funções sagradas negligentemente, diz exatamente respeito aos sacerdotes que celebram a Missa de modo irreverente: “Maldito o que faz a obra de Deus com negligência”(Jr 48,10).

Se não és padre, esforça-te por ouvir ao menos cada dia devotamente a Missão, mesmo à custa de algum incômodo; especialmente nestes dias de carnaval, para desagravar Jesus dos ultrajes que lhe são feitos.

Santa Margarida de Cortona desejava ter para amar e louvar a Deus tantos corações e tantas línguas, quantas são as estrelas do céu, as folhas das árvores, as gotas de água do mar. Mas o Senhor dignou-se dizer-lhe: “Consola-te; se ouvires devotamente uma única Missa, tributar-me-ás toda a glória que possa desejar, e infinitamente mais”.

Meu Deus, adoro a vossa majestade e grandeza infinita; comprazo-me com as vossas infinitas perfeições e quizera honrar-vos tanto quanto mereceis. Que honra Vos posso tributar eu, miserável pecador digno de mil infernos?

“Eterno Pai, ofereço-vos o sacrifício que o vosso dileto Filho fez de si mesmo sobre a cruz, e agora renova sobre o altar. Eu Vo-lo ofereço em nome de todas as criaturas em união com as Missas que já foram celebradas e ainda serão celebradas em todo o mundo, para Vos adorar e louvar como mereceis; para agradecer os vossos inúmeros benefícios; para aplacar a vossa ira, excitada por tantos pecados nossos; e dar-vos uma satisfação digna, para Vos suplicar por mim, pelo mundo e pelas almas do purgatório”.

Ó Maria, minha Mãe, em vós repousou o Deus que se sacrifica sobre os nossos altares, ajudai-me a ouvir sempre (e celebrar) a Missa com a devida devoção.

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