domingo, 25 de março de 2012

Elite católica: abaixo a mediocridade em nossas paróquias!


A Elite Católica, Pe. Christian Bouchacourt

Um dia, numa conversa com um grupo de cardeais, o Papa São Pio X fez a seguinte pergunta: “O que é mais necessário hoje para a salvação da sociedade?”. Um primeiro respondeu: “edificar escolas católicas”. “Não –respondeu outro– o mais necessário é multiplicar as igrejas”. “Nada disso –replicou um terceiro– o mais importante é dedicar-se em recrutar vocações”. “Não, não, -disse São Pio X-; o mais necessário hoje em dia é que em cada paróquia exista um grupo de leigos que, ao mesmo tempo, seja virtuoso, ilustrado, decidido e verdadeiramente apostólico.”

Ao começar sua vida pública Nosso Senhor escolheu doze Apóstolos, os quais formou especialmente para a missão que desejava confiar-lhes. Eles abandonaram tudo para segui-Lo. Ao entrar em contato com o Divino Mestre, suas vidas se transformaram e se converteram em colunas sobre as quais o Redentor edificou sua Igreja. Cristo, Ele mesmo, quis educar uma pequena elite para difundir sua Igreja aos confins do mundo. Foi assim que no dia de Pentecostes doze Apóstolos, renovados e fortificados pelo Espírito Santo, saíram para conquistar o Império Romano e o mundo pagão para entregá-los a Jesus Cristo.

Por que Cristo tomou essa decisão? Por que conhecia perfeitamente a natureza humana, que Ele mesmo criara. No Antigo Testamento, Deus conduziu o povo eleito por meio de algumas pessoas –os patriarcas, os profetas–, que por sua docilidade à vontade divina e seu exemplo, souberam conquistar a adesão do povo que devia conduzir. Dom Chautard, em seu maravilhoso livro “A Alma de Todo Apostolado”, diz que “a formação de elites é a única e verdadeira estratégia para atuar sobre as almas”. Assim fez Nosso Senhor ao eleger os Apóstolos. A Igreja Católica é elitista por natureza, já que quer responder à ordem dada pelo seu Fundador: “Sede perfeitos como meu Pai é perfeito”. Imitando a Cristo a Igreja tem necessidade de contar com almas de elite, ou seja, pessoas exemplares, para que a ajudem na sua Missão de evangelização, que importa trazer a todos os homens à obediência divina.

Será necessário recordar que a elite da Igreja deve brilhar, antes que nada, em sua própria hierarquia? São Pio X, em sua primeira encíclica “E supremi apostolatus”, na que afirma querer “restaurar tudo em Cristo”, se dirige naturalmente aos bispos para pedir-lhes que o ajudem nessa imensa tarefa: “vosso papel, Veneráveis Irmãos, será secundar-nos por vossa santidade, vossa ciência, vossa experiência e sobretudo, por vosso zelo pela glória de Deus, não vos dedicando em outra coisa mais que em formar a Jesus Cristo em todos”. Causa tristeza comprovar que hoje nossos bispos, por não crerem na realeza de Nosso Senhor ou por temor do mundo, se preocupam mais em defender os direitos do homem que os de Deus! Esta negligência não pode acontecer sem causar graves conseqüências.

A segunda instância da elite católica se encontra no seu clero: nos sacerdotes, que “por dever da sua vocação estão destinados a formar a Jesus Cristo nos outros”. Onde há sacerdotes santos, há também um povo santo! Da elevação do clero depende a fé e a santidade dos fiéis. É neste sentido que o Código de Direito Canônico de 1917 apresenta esta ordem aos sacerdotes: “Os clérigos devem levar uma vida interior e exterior mais santa que a dos leigos e servir-lhes de exemplo por sua virtude e pela retidão das suas ações”. Não pode ser mais claro! Ora bem, por que no novo Código de Direito Canônico publicado em 1983 se suprimiu a expressão: “mais santos”? Os canonistas atuais respondem que “desde o Vaticano II os católicos estão no mesmo nível de igualdade com respeito à sua vocação à santidade”. Isso é falso! Esse igualitarismo está em contradição com a parábola dos talentos do Evangelho. Aos que receberam mais, como os sacerdotes, se pedirá mais no juízo particular. Porque o clero se fez tíbio o rebanho se dispersa.

Enfim, as almas de elite devem se distinguir entre os leigos. Observem esta chamada feita aos párocos e pregadores que o Papa Pio XII fez alguns meses antes da sua morte: “É hora da ação mais urgente; trabalhem sem cessar e chamem a colaborar as almas mais generosas. Existem, graças a Deus, de toda idade e de toda condição, estão em todos os bairros, em todas as casas, e com frequência, em todas as famílias. Façam delas outros tantos missionários e peçam-lhes que se comprometam a todo gênero de heroísmo como preparação a um choque inevitável com o mundo da indiferença, da apostasia e do ódio anti-religioso. Digam-lhes com valentia e confiança que o mundo tem necessidade de santos: de santos sacerdotes, de santos religiosos e de santas religiosas, mas que igualmente existe necessidade, especialmente hoje em dia, de santos leigos”.

Esta chamada não perdeu nada de sua atualidade! A Igreja hoje, mais do que nunca, tem necessidade de santos leigos que ajudem aos sacerdotes em seu apostolado. É grandemente consolador encontrar nos nossos priorados leigos que se põem a disposição dos sacerdotes. É reconfortante ver famílias numerosas e radiantes frequentarem nossas igrejas e capelas. É assim como se reconstruirá pouco a pouco uma nova elite católica que foi desalentada e exterminada pela revolução conciliar. Por conseqüência, somente ao pé do altar e pela assistência freqüente à Missa Tradicional, recebendo os sacramentos –especialmente a Santa Eucaristia e a Santa Confissão– que as almas se transformam e se inflamam para seguir a Nosso Senhor e para amá-Lo. Não posso fazer mais que felicitar a quantos fizeram os retiros neste verão. Os exercícios espirituais de Santo Inácio, feitos por mais de 150 de entre os senhores, são um meio privilegiado para suscitar em todos os meios sociais as almas de elite que tanta falta fazem à Igreja e à sociedade. Nas nossas escolas e nos nossos priorados já se podem ver vocações religiosas e sacerdotais, que fazem tanta falta hoje. Entre os leigos de nossas capelas, se encontram aqueles que são catequistas generosos, almas sacrificadas para ajudar os sacerdotes.

Da qualidade da elite católica depende a elevação da cristandade. Vejam o papel extraordinário que cumpriram dois bispos diante do dilúvio conciliar. Foram os únicos na hora de resistir e salvaram a Tradição Católica! O que teria acontecido se uma centena de bispos tivesse imitado a Dom Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer imediatamente depois do Concílio? A Igreja não estaria no estado em que se encontra. Hoje temos a graça de ter quatro bispos, priorados, mosteiros, escolas, seminários, a Santa Missa e os sacramentos tradicionais. Dispomos assim de tudo para ser “o sal da terra” e “o fermento na massa” que Cristo menciona no Evangelho.

Por essa razão não podemos ser cristãos pela metade, insípidos, amargos e desesperados diante desse mundo que corre em direção à apostasia. Não somos numerosos, certamente! Mas quantos eram os Apóstolos no começo da Igreja? Se estudarmos a história da Igreja, perceberemos rapidamente que com freqüência, sob o impulso de um reduzido número de homens animados de uma fé profunda, a Igreja pôde sair vitoriosa das sucessivas crises pelas quais atravessou durante os séculos. Este reduzido número é a elite católica! Permaneçam então unidos aos seus sacerdotes na confiança e na dedicação. É assim que, desde nossa humilde posição participaremos da restauração do Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não é uma utopia. É uma loucura aos olhos do mundo... mas, não é dessa loucura que São Paulo fala na suas epístolas? “A cruz é loucura para os que se perdem, mas para os que se salvam, ou seja, para nós, é a potência de Deus”. Nada é mais contrário ao espírito católico que a amargura e a desespero.

Assim, pois, queridos amigos, coragem! Não nos esqueçamos de que no nosso Distrito temos uma pequena elite discreta constituída pelos Irmãos e pelas Religiosas da Fraternidade São Pio X. Eles deixam tudo por amor de Deus e se entregam inteiros a Deus para segui-Lo. Sua vida recolhida de oração e de sacrifícios é para nós uma grande ajuda. Não duvidemos! Este número da revista nos fará conhecê-los[1].

Que Deus os abençoe!

Padre Christian Bouchacourt

Superior do Distrito da América do Sul

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