domingo, 25 de março de 2012

Deveres dos filhos em relação aos pais.


Os deveres dos filhos para com os pais

Pelo Dr. Héctor Guiscafré G.

Até agora, queridos leitores de "Familia Católica", revisamos os deveres dos pais em quase todos os números da revista, mas não tocamos no assunto dos deveres dos filhos para com seus pais e vale a pena fazê-lo por três coisas:

a) Porque todos temos pais (vivos, ausentes, falecidos ou desconhecidos);

b) Porque todos os deveres são perenes, ou seja, enquanto vivamos (a exceção é a obediência, como explicarei depois);

c) Porque devemos inculcar estes princípios em nossos próprios filhos com a palavra e, sobretudo, com o exemplo.

Primeiro dever: Ver por eles, assisti-los, ajudá-los

Todos os deveres começam a valer na idade em que se apresenta o uso da razão. Então desde muito pequenos, devemos ir inculcando estes deveres, de acordo com o desenvolvimento de seu intelecto. As crianças devem ajudar sempre no que possam aos seus pais. Estar atrás deles, do que precisem, para cooperar. Por exemplo, incluir em suas orações a seus pais, pedir a Deus por eles.

Aproximar o chinelo ao pai ou a almofada à mãe ou à avó. Mais adiante ajudar-lhes com as sacolas de compras, ajudar-lhes a consertar algo, acompanhá-los quanto estão sozinhos, etc. Teria mil exemplos aos jovens vivendo em casa, desde pegar algo que caio no chão, até levá-lo para viver em sua casa, se isto fosse fatível, quando a mãe ou ou o pai fiquem sozinhos e idosos, ou ambas as coisas. Quase sempre é melhor estar com a família que em um asilo, ao menos que existam graves problemas para isso, de uma ou ambas as partes. E depois, na idade mais madura, ainda que já estejamos casados ou velhos, ainda que tenhamos netos, ainda que eles estejam ausentes por viagens ou separação ou morte, ainda que não os conhecêssemos, devemos estar atrás deles para assistir-lhes ou ajudar-lhes o mais que possamos.

Por exemplo: Sempre podemos rezar, sofrer com paciência as penalidades da vida diária oferecendo a Deus ou pedir uma missa por eles. Que maior ajuda pode haver que a de receber a Graça de uma Missa estando no purgatório ou, melhor ainda, estando ainda na luta desta vida? Coloco agora um exemplo negativo muito claro para melhor mostrar o que quero dizer: Não é possível ver uma mãe que trabalha por necessidade e um jovem de mais de 15 ou 16 anos que está vagueando; ou que estando ainda na escola não busca uma forma de ajudar um pouco com os gastos da casa mediante um trabalho, formal ou informal, mas honrado. Todos deveríamos examinar como respondemos diante das necessidades físicas ou espirituais de nossos pais e tentar, sinceramente, fazer melhor. Todos os pais temos necessidades de uma ou outra índole, ricos e pobres, sábios e pouco letrados, jovens ou idosos, bons ou maus.

Recordemos o que diz a SAGRADA ESCRITURA: "Quão infame é aquele que desampara seu pai!"

Honrarás teu Pai e tua Mãe.

Filho, ampara teu pai na velhice, não o contrarie, e se lhe faltasse o senso, perdoa-o e não o deprecies em teu valor, porque a esmola dada ao pai não ficará no esquecimento!". (Apliquemos essas sentenças aos dois: pai e mãe).

Segundo dever: Respeitá-los sempre

Talvez não haja, na SAGRADA ESCRITURA, um dever tão minuciosamente detalhado como o do respeito dos filhos para com seus pais. Somente no Eclesiástico existem 12 sentenças de dever de respeitá-los e honrá-los. Eis aqui quatro delas:

- "Não se salvam os filhos que não respeitam seus pais";

- "Quem honra seu pai viverá longos anos";

- É bendito de Deus quem tributa a seus pais a honra devida";

- É maldito de Deus e infame o que despreza seus pais".

No antigo testamento se refere a história de Tobias. Este jovem empreende uma viagem por encargo de seus pais, acompanhado de um forasteiro que na realidade era um anjo. A mãe de Tobias, que sentia muita falta dele, disse esse elogia dele: "Ai de mim, meu filho! Para que te enviamos a terras distantes se és a luz de nossos olhos, báculo de nossa velhice e consolo de nossa vida?" Oxalá nossos pais tivessem esse conceito de nós.

Assim, devemos a nossos pais todo o respeito e veneração possível. Por eles nos veio a vida. Eles receberam de Deus a autoridade sobre seus filhos durante sua formação. São eles que alimentam, cuidam e ensinam os filhos, em tempo integral, de dia e de noite, todos os dias do ano, até que vão amadurecendo. Por tudo isso é que os filhos, depois de Deus, é aos pais a quem devem mais gratidão e respeito. São seu primeiro próximo, seu próximo mais imediato, o primeiro mandamento dos sete que se referem ao próximo (O quarto da lei de Deus).

Podem ser - e é conveniente que assim sejam - muito amigos os filhos dos pais, mas não por isso se deve diminuir o respeito às coisas de Deus, que finalmente são os pais na terra: os representantes de Deus e a forma que a providência de Deus é exercida sobre os filhos.

O respeito aos pais é, além disso, pedra angular em nossa sociedade. A sociedade é como uma grande família, onde as diversas autoridades têm a dignidade paterna e os cidadãos devem ter um respeito filial. Se se perde esse respeito, podem-se rachar os fundamentos da sociedade. Não é raro observar, na maioria dos países da atualidade, faltas de respeito incríveis: Se faz zombaria, abertamente, às autoridades civis inclusive ao presidente e, por outro lado, as pessoas, para se manifestarem, se desnudam parcial ou totalmente na rua, e caminham - marcham - muito ufanos, sem o menor pudor. Mais que libidinoso esse ato, dá pena ver a falta de respeito à sociedade e a elas mesmas. Todo esse fenômeno social se iniciou ou tem uma forte relação, com a falta de respeito aos pais nas famílias, aos mestres nas escolas, aos chefes nos trabalhos, aos policiais nas ruas. Por fim, não quero deixar passar, algo importante: vocês me poderiam dizer: "Mais que respeitar, devemos os filhos amar nossos pais já que se há amor, há respeito".

Ao que eu responderia: sim e não. Sim, enquanto que, o que se ama de verdade, intensamente, se cuida, se venera, não se quer fazer o menor dano e portanto se respeita. Mas não é o mesmo. Deus não disse no quarto mandamento "amar teus pais", senão honrá-los. Evidentemente que a maioria de nós amamos nossos pais e tachamos ser um malvado ao que diga que não ama sua mãe, por exemplo. Mas Deus que nos conhece muito melhor do que nós cremos nos conhecer, nos pôs uma meta mais alta e justa de a que somente amá-los. Porque honrar é respeitar uma pessoa que consideramos superior, é venerá-la, reverenciá-la, acatá-la, enaltecê-la, premiá-la. Se pode amar ou não, mas se deve honrar. E esse é o mandamento: Honrarás teu pai e tua mãe. Não depende do quanto gostes de teus pais o honrá-los mais ou menos. Não depende de que tão bons ou maus sejam ou foram. A falta ao mandamento é não honrá-los. Por isso estou parcialmente de acordo com vocês, amáveis leitores, se é que assim opinavam. Se bem que é muito mais fácil respeitar a quem muito se ama, nem sempre se respeita o que se ama.

Terceiro dever: a obediência durante a etapa de formação dentro do lar

O terceiro dever dos filhos para com os pais é o de obedecer-lhes. Os filhos não somente são procriados, por isso devem a assistência aos pais, não somente são subordinados - pelo que devem respeito e veneração - senão que também são dependentes desses pais e, portanto, Deus lhes conferiu a autoridade para poder educar e decidir sobre seus filhos, contato possam valer-se por si mesmos, pelo que é um dever desses últimos, o de obedecer.

Pois bem, os deveres de obediência não pesam sobre os filhos sempre e na mesma forma. Assim diz um conhecido moralista sobre esse assunto: "... o dever de obediência se extingue com a pátria potestade, ou seja, ao emancipar o filho por maioridade ou ao tomar estado". A razão é muito simples; eles têm que madurar e se emancipar. Seria mal se continuassem sendo filhos dependentes toda sua vida. Eles têm e devem seguir sua vocação e para isso devem deixar seus lares e formar os seus, onde Deus lhes dará seus filhos e assim sucessivamente.

O filho deve ser obediente porque não nasce formado nem maduro, nem biológica, intelectual ou moralmente. No entanto, este dever de obediência, não somente cessa com o tempo, senão que nem sempre se dá com a mesma intensidade. À medida que vão madurando os filhos, pelo labor dos pais, vão progressivamente ganhando a confiança desses mesmos pais. Assim, pouco a pouco a obediência deve ser substituída por uma atitude de gratidão e reconhecimento, de respeito e veneração, que deve originar: um desejo fervente de cumprir sua vontade, de fazer o que querem os pais, mas que não obriga o filho a obedecer, quando já está formado e saiu do lar. Este passo, da obediência absoluta à não obediência, não é abrupto, senão que se vai dando paulatinamente.

Mas, vocês me dirão - e com muita razão - "essa é a teoria, na prática da vida e em muitos casos, é muito difícil assinalar os limites da autoridade dos pais e a obediência dos filhos". E é assim, em efeito, muito difícil.

Mas não esqueçamos outro conceito muito importante: quando o filho já é maior, terminou sua formação e já pode voar sozinho, mas, por alguma razão, continua no lar, cessa a obediência filial - como filho dependente já que em potência já é independente - mas se deve manter a obediência aos superiores, como o são os chefes de família. É uma obediência de espécie diferente, parecida à dos trabalhadores de uma fazenda com seu patrão. Porque em toda família deve haver ordem e cabeça e se o filho já maduro participa dos bens familiares, deve cumprir com seus deveres e as regras da casa; é o justo. Agora, quando o filho deixa o lar - porque se casa ou toma estado religioso ou por sua profissão - aí termina também esta obediência. Poderíamos resumir, em quanto ao dever de obediência a seus pais, que existem três possíveis estados de vida:

- Os filhos menores, com um dever de obediência filial que vai diminuindo em relação direta com o desenvolvimento físico, mental e espiritual da criança, até cessar a pátria potestade;

- Os filhos maiores que seguem na casa paterna, com um dever de obediência distinto ao filial pela autoridade que têm os chefes de família em seu lar e por justiça, devido a sua participação nos bens familiares;

- Os filhos que fizeram uma vida aparte e que já não têm o dever de obediência de nenhum espécie ainda que persista, para toda sua vida (dos filhos), o dever de assistência espiritual ou material e o de respeito e veneração a seus pais.

Agora, me poderias dizer, amigo leitor, que existem casos especiais e eu te diria: Sim, tens razão, cada caso em particular é diferente e é necessária a católica adaptação a cada situação, com o conselho de um bom sacerdote. Mas os conceitos básicos dos moralistas católicos que revisamos, aí estão e não mudam, são os mesmos sempre.

4º Mandamento da Lei de Deus: Honrarás teu pai e tua mãe!, ou seja, os assistirá em suas necessidades, os respeitará e os obedecerá.

Terminemos dizendo que, cumprir estes três deveres: o de assistência, o de respeito e o de obediência, é o que Deus nos mandou ao nos ordenar "honrarás teu pai e tua mãe". E se não fazemos esses três deveres, faltamos ao 4º mandamento da lei de Deus, como nos ensina, claramente, o último papa santo, São Pio X, em seu catecismo o qual, na letra, diz:

O que nos manda o quarto mandamento?: Honrará teu pai e tua mãe. Este mandamento nos manda respeitar ao pai e à mãe, obedecer-lhes em tudo o que não é pecado e assistir-lhes em suas necessidades espirituais e temporais.

Sigamos o exemplo da Sagrada Família. Assim podemos ver claramente como devemos de ser os pais e como devemos de ser os filhos. Peçamos à Santa Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Virgem Maria e a seu pai na terra, o Senhor São José, que intercedam por nós, para que Deus nos dê a Graça necessária para cumprir como eles com nossos deveres de pais e a Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos dê a Graça suficiente para cumprir, também, nossos deveres de filhos e chegar a ser, como Ele foi:

Um bom filho, um filho que sempre cumpriu com seus três deveres para com seus pais, um filho que sempre os honrou... ou seja, que os assistiu, respeitou e obedeceu... um filho perfeito!

Retirado da Revista "Familia Católica" - Outono-inverno 2006 (APUD Site Convicción Radio).

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