segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Espelho da Perfeição - Capítulos XXI a XXX.


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1 Dizia o bem-aventurado Francisco: “Se os frades soubessem quantos sofrimentos me causam os demônios, nenhum deles deixaria de ter grande piedade e compaixão por mim”. 2 E, por isso, como muitas vezes disse a seus companheiros, não podia atender a todos os frades e demonstrar-lhes de vez em quando a familiaridade, como os frades desejavam.

3 Depois que deixou o século, o bem-aventurado Francisco não quis deitar-se num acolchoado nem ter sob a cabeça um travesseiro de penas por ocasião de sua doença ou em qualquer ocasião, 4 a não ser uma vez, quando estava doente dos olhos e os frades o obrigaram con­tra a sua vontade a ter sob a cabeça um travesseiro cheio de penas, 5 comprado pelo senhor João de Grécio, que o santo amava com grande afeto. 6 Naquela noite, o santo não pôde dormir nem ficar de pé a rezar, porque o diabo entrou no travesseiro. 7 Depois que o santo soube disso, jogou-o fora e disse a seu companheiro: 8 “O di­abo é muito esperto e ardiloso, pois, já que por misericór­dia de Deus (cf. Rm 12,1) e sua graça não pode prejudicar-me na alma, quer impedir a necessidade do corpo, 9 isto é, que eu não pos­sa dormir nem ficar em pé a rezar para impedir a devoção e a ale­gria do coração e para que eu murmure contra a doença’’.

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1 Pois embora por muitos anos tivesse uma doença bem grave do estômago, do fígado, do baço e dos olhos, era tão de­voto e rezava com tanta reverência que, durante a oração, não queria encostar-se ao muro ou à parede, 2 mas ficava sempre de pé, sem capuz na cabeça e às vezes ajoelhado, sobretudo quando passava em oração a maior parte do dia ou da noite. 3 Além disso, quando ia pregar pelo mundo a pé, sempre interrompia a cami­nhada para dizer suas horas; 4 se ia a cavalo, porque sempre foi enfermiço, desmontava para recitar suas horas.

5 Uma vez, voltando de Roma, choveu o dia inteiro logo na saída da cidade. 6 E porque na ocasião estava bem adoentado, ia a cavalo. 7 Mas, para recitar suas horas, desceu do cavalo, ficando de pé à beira da estrada, apesar da chuva e de estar todo molhado. 8 E disse: “Se o corpo quer comer em paz e tranqüilidade o seu alimento, que também vai ser comida dos vermes com o corpo, com quanta paz e tranqüilidade não deveria a alma comer seu alimento, que é o próprio Deus?”

9 E acrescentava: “O demônio exulta quando extingue ou consegue impedir a devo­ção e a alegria de coração do servo de Deus, que provém da verdadei­ra oração e das outras boas obras. 10 Porque, se o diabo consegue ter algo de seu no servo de Deus, se o servo de Deus não for sábio e se, o mais cedo que puder, não apagar ou destruir isso pela contri­ção, pela confissão e por obras de satisfação, em breve, de um ca­belo faz uma trave que ele aumenta cada vez mais”.

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1 Dizia o bem-aventurado Francisco que, se por causa da indigência e pobreza o irmão corpo não puder satisfazer as necessidades na do­ença e na saúde, se tiver feito bem e com humildade o pedido a seu irmão ou a seu prelado por amor de Deus e não lhe for dado, suporte pacientemente por amor do Senhor, que isso lhe será imputado como martírio pelo Senhor. 2 E porque fez o que devia, isto é, pediu por sua necessidade, é inocente de pecado, mesmo que por isso, isto é, por causa das vigíli­as, da oração e de outras boas obras, o corpo fique mais doente.

3 Apesar de ter afligido muito o seu corpo desde o princípio de sua conversão até o dia de sua morte, o bem-aventurado Francisco sempre fez o maior e o mais importante esforço por ser sempre solícito interior e exterior­mente, isto é, por ter e conservar sempre a alegria espiritual. 4 E até dizia que, se o servo de Deus se esforçar para ter e conservar sempre a alegria interior e exteri­or que provém da pureza de coração, todos os demônios não podem prejudicá-lo e dizem: 5 “Como esse servo de Deus está sempre alegre, na tribulação e na prosperidade, não conseguimos achar uma entrada nele nem prejudicá-lo”.

6 E também dizia: “Se eu estiver alguma vez tentado ou desencorajado, vendo a alegria de meu companheiro, por causa dessa alegria volto da tentação e do desânimo para a alegria in­terior e exterior”.

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1 Dizia o bem-aventurado Francisco: “Irmãos meus, eu vos digo que cada um observe sua natureza, 2 porque, ainda que algum de vós possa sustentar-se com menos comida do que o outro, quero que o que necessita de comida mais abun­dante não imite o outro, mas, considerando sua natureza, dê a seu corpo o que lhe é necessário. 3 Pois, assim como temos que nos cuidar do excesso de comida, que prejudica o corpo e a alma, também temos que nos precaver da excessiva abstinên­cia; e até mais, porque o Senhor quer a misericórdia e não o sa­crifício” (cf. Os 6,6; Mt 9,13).

4 E disse: “Quero e vos ordeno que cada um, segundo a nossa pobreza, cuide do seu corpo como lhe for necessá­rio”. 5 Porque os primeiros frades e os que vieram depois deles, por longo tempo, mortificavam seus corpos mais que o razoá­vel com a abstinência não só de comida, mas também de bebida e por vigílias, frio e trabalho (cf. 2Cor 11,27) de suas mãos. 6 Os que podiam agüentar traziam, junto à pele, cintos de ferro e couraças, e os que podiam agüentar mais usavam os mais ás­peros cilícios. 7 Por isso o santo pai, observando que por esse motivo os fra­des podiam ficar doentes, e em pouco tempo alguns já estavam doentes, ordenou num capítulo, o santo que nenhum frade usasse nada junto à carne a não ser a túnica.

8 Nós que vivemos com ele (cf. 2Pd 1,18), damos testemunho (cf. Jo 19,35; 21,24) de que, embora desde o tempo em que co­meçou a receber irmãos e também por todo o tempo de sua vida, foi discreto com os frades, mas de modo que, na comida e nas coisas que os frades antigos usavam, em tempo algum os fra­des se desviassem da pobreza e do decoro de nossa religião, 9 ele próprio, porém, foi exigente com seu corpo, mesmo antes de ter irmãos, desde o princípio de sua conversão e por todo o tempo de sua vida, ainda que fosse, quando jovem, fosse frágil e débil por natureza e no mundo só pudesse viver de forma confortável. 10 Assim, um dia, considerando que os frades já exce­diam as exigências da pobreza e da conveniência nos alimentos e nas coisas, numa pregação que fez a alguns frades, mas que se diri­gia a todos, disse: “Não pensam os frades que meu corpo tem necessidade de um bom prato? 12 Mas, porque devo ser mo­delo e exemplo para todos os frades, quero usar alimentos pobre­zinhos e contentar-me com coisas não confortáveis”.


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1 No início, por serem poucos, os frades iam pedir esmolas sozinhos e, quando regressavam, cada um mostrava ao bem-aventurado Francisco as esmolas que conseguira, dizendo um ao outro: “Consegui mais esmolas do que você”. 2 E o bem-aventurado Francisco ficava contente por vê-los tão alegres e felizes. 3 Daí, cada um pedia de bom grado a licença de ir pedir esmola. 4 Na mesma ocasião, quando o bem-aventurado Francisco estava com seus frades, os que então tinha, era de tanta pureza que, desde esse tempo, na hora que o Senhor lhe revelou que ele e seus frades de­viam viver segundo a forma do santo Evangelho, quis e se esfor­çou por observá-lo à letra por todo o tempo de sua vida. 5 Por isso, proibiu ao irmão que cozinhava para os frades que, quando quisesse dar de comer legumes aos frades, os colocasse na água quente à noite, como se costumava, para o outro dia, para que os frades observassem a palavra do santo Evangelho: “Não vos preocupeis com o dia de amanhã” (cf. Mt 6,34). 6 E assim, de­pois que os frades haviam recitado as Matinas, o frade as colocava para amolecer. 7 Por causa disso também, por longo tempo, muitos frades em diversos lugares onde moravam, mas sobretudo nas ci­dades, observaram o costume de não procurar ou receber mais esmolas do que lhes bastava para um dia.

[26]

1 Certa ocasião, quando o bem-aventurado Francisco estava em Rivotorto, lá havia um irmão antigo na religião e espiritual, que era muito débil e doente, por quem o pai teve compaixão. 2 Mas porque, então, os frades, enfermos ou sãos, com alegria e paciência consi­deravam apobreza como abundância e nas suas doenças não usa­vam remédios, mas ainda faziam de bom grado o que era contra o corpo, o bem-aventurado Francisco pensou consigo mesmo: 3 “Se este irmão co­messe uvas de manhã cedo, creio que lhe faria bem”.

4 E assim, certo dia, levantou-se escondido de manhã cedo, chamou o irmão e o levou até a vinha que estava ao lado do eremitério; escolheu uma videira em que havia uvas boas e sadi­as para comer 5 e, sentando-se junto à videira (cf. Mq 4,4) com o frade, começou a comer uvas, para que o irmão não se envergo­nhasse de comer sozinho 6 e, enquanto comiam, o frade louvou o Senhor Deus. 7 E recordou entre os frades, com grande devo­ção e com a efusão de lágrimas, por todo o tempo que viveu, a mi­sericórdia que o santo pai teve com ele.

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1 O abade de São Bento do Monte Subásio doou ao bem-aventurado Francisco e seus frades a igreja de Santa Maria da Porciúncula, que era a mais pobre que possuía, e quis que, se o Senhor aumen­tasse os frades, fosse a cabeça de toda a religião, o que também o bem-aventurado Francisco concedeu. 2 E alegrou-se com o lugar concedido aos frades, porque tinha esse nome e porque era a mais pobre igreja do distrito de Assis, e por causa do seu apelido. 3 De fato, era chamada de Porciúncula, pela região, que já tinha esse nome; nisso prefigurava que seria a futura mãe e ca­beça dos pobres Frades Menores. 4 Pois o bem-aventurado Francisco dizia: “Foi por isso que o Senhor não quis que outra igreja fosse concedida aos frades nem e os primeiros frades não construíssem nem tivessem outra igreja nova, a não ser aquela, por­que essa foi uma profecia cumprida com a chegada dos Frades menores”. 5 E embora pobrezinha e já quase destruída, os habitantes de Assis e daquela região sempre tive­ram grande devoção por ela.

6 E ainda que.o abade e os monges ti­vessem concedido livremente aquela, igreja ao bem-aventurado Francisco e seus frades, sem nenhum encargo, 7 o bem-aventurado Francisco, como sábio mestre, que quis edificar sua casa sobre uma rocha (cf. Mt 7,24) firme, isto é, sua congregação sobre uma grande pobreza e humildade, anualmente enviava anualmente ao abade uma cesta cheia de peixinhos, chamados lascas, 8 para que os frades jamais tivessem um lugar próprio nem permanecessem em outro que não estivesse sob o domínio de alguém, de forma que de modo algum os frades ti­vessem o poder de vender ou de alienar. 9 E, quando anualmente os frades levavam os peixinhos aos monges, por causa da humildade do bem-aventurado Francisco que fazia isso só porque queria, eles davam ao santo e a seus frades um vaso cheio de óleo.

10 E nós que vivemos com (cf. 2Pd 1,18) o bem-aventurado Francisco, damos testemunho (cf. Jo 21,24; 3Jo 12) de que ele afirmou que lhe fora revelado sobre aquela igreja que, pelas muitas graças que o Senhor ali mos­trou, o que entre todas as outras igrejas deste mundo que a Bem-aventurada Virgem ama, ama especialmente aquela igreja. 11 E, perto de sua morte, legou esta igreja aos frades em tes­tamento, para que os frades sempre tivessem por ela a maior devo­ção e respeito, 12 e quis que estivesse sob as ordens do Geral; que ali sempre poria uma comunidade santa, de irmãos clérigos e leigos, que os servissem, e quis que aquele lugar fosse conservado especi­almente puro e santo com hinos e louvores do Senhor. 13 E acres­centava: “Porque, se os :frades e os lugares onde moram em algum tempo se desviarem da pureza e da dignidade que convém, quero que este lugar seja espelho e bom exemplo para toda a religião e um candelabro ante o trono de Deus (cf. Ap 4,5) e da Bem-aventurada Virgem, pelo que o Senhor seja propício diante dos defeitos e culpas dos fra­des, conserve sempre e proteja sua religião e plantinha”.

14 Os frades que antigamente lá moravam observavam a von­tade do pai; mortificavam sua carne não somente com jejuns, mas também com muitas vigílias, frio, nudez (cf. 2Cor 11,27) e traba­lho de suas mãos (cf. Sl 127,2). 15 Muitas vezes, para não ficarem ociosos, iam ajudar os pobres em seus campos, e depois eles lhes davam pão por amor de Deus. 16 E assim conserva­vam a santidade do lugar com oração contínua, de dia e de noite, com silêncio constante 17 e, se alguma vez falavam após terminar o silêncio, faziam-no com a maior devoção e dignidade, como con­vém ao louvor de Deus e à salvação das almas (cf. 1Pd 1,9). 18 E se acontecesse, raramente, que alguém começasse a falar alguma pa­lavra inútil ou ociosa (cf. Mt 12,36), imediatamente era corrigi­do por outro. 19 E por estas e outras virtudes santificavam a si mes­mos e ao lugar.

[28]

1 Antigamente, quando o Geral começou a construir uma pequena casa para os frades em Santa Maria da Porciúncula, porque passavam grande necessidade devido aos que ali acorriam, pois era necessário ceder-lhes espaço, ao voltar e ouvir o trabalho na casa, o bem-aventurado Francisco chamou o ministro e lhe disse: 2 “Irmão, este lugar é modelo e exemplo para toda a Ordem. Por isso, quero que os :fra­des deste lugar suportem tribulação e necessidade por amor de Deus, para que os :frades de toda a Ordem que aqui vêm levem o bom exemplo de pobreza para seus lugares. 3 Pois, se tiverem suas satisfações e consolações, os outros :frades da Ordem tomarão o exemplo de construir em seus lugares, dizendo: 4 No lugar de Santa Maria da Porciúncula, que é o primeiro lugar dos :frades, constroem-se tais e tantos edifícios, bem que podemos construir em nossos lugares”.


[29]

1 Um :frade, homem espiritual, de quem o bem-aventurado Francisco era muito amigo, morava num eremitério. 2 Pensando que, se al­guma vez lá aparecesse, o bem-aventurado Francisco não teria um lugar apropriado para ficar, mandou fazer em um lugar afastado perto lugar dos frades, uma celazinha onde pudesse orar quando viesse. 3 Aconteceu que, não muitos dias depois, chegou o bem-aventurado Francisco. 4 Quando foi levado pelo frade para vê-la, o bem-aventurado Francisco lhe disse: “Esta celazinha parece-me bonita demais. 5 Se queres que fique nela por alguns dias, mande revesti-la por dentro e por fora de samambaias e galhos”. 6 Pois a cela não era de muro mas feita de madeira; 7 mas por ser de madeira aplai­nada, feita com machado e enxó, parecia bonita demais para o bem-aventurado Francisco. 8 Logo o frade começou a arrumá-la como dis­sera o bem-aventurado Francisco. 9 Pois quanto mais pobres e religiosas fossem as celas e as casas dos frades, com tanto mais prazer as via e nelas se hospedava. 10 Assim, a exemplo de Deus, neste mundo não quis ter nem cela nem casa, nem mandou construir para si. 11 E até, se acontecesse de dizer alguma vez aos frades: “Ide, preparai aquela cela”, depois não queria ficar nela por causa da palavra do Evangelho: “Não vos preocupeis” (cf. Mt 6,24), etc.


[30]

1 Por isso, uma vez, quando estava em Sena devido à doença dos olhos e permanecia na cela que depois de sua morte foi trans­formada em oratório por reverência a ele, disse-lhe o senhor Boa­ventura, que dera aos frades a terra onde foi edificado o lugar dos frades: “Irmão, o que te parece este lugar?” 2 O bem-aventurado Francis­co respondeu-lhe: “Queres que te diga como devem ser edifica­dos os lugares dos frades?” Respondeu-lhe: “Quero, Pai”, 3 Disse-lhe: “Quando os frades vão a alguma cidade, onde não têm um lugar, e encontram alguém que quer dar-lhes a terra onde possam construir o lugar e ter uma horta e o que lhes for necessário, primeiramente devem examinar quanta terra lhes basta, 4 levando sempre em conta a santa pobreza, que promete­mos, e o bom exemplo, que temos que dar a todos”.

5 O santo pai dizia isso, porque de modo algum queria que os frades excedessem a pobreza nas casas ou igrejas, nas hortas ou outras coisas que usavam. 6 E por isso, queria que os frades não fossem muito numerosos nos lugares, porque lhe parecia difícil con­servar a pobreza num grande número. 7 E essa foi sua vontade desde o início de sua conversão e até sua morte: que a santa pobreza fosse estritamente observada. 8 “Depois devem ir ao bispo da cidade e dizer~lhe: “Senhor, tal pessoa, por amor do Senhor Deus e salvação de sua alma, quer dar-nos a terra suficiente para podermos construir um lugar. 9 Por isso, recorremos primeiramente a vós, sobretudo porque sois o pai e senhor das almas de todo o rebanho a vós con­fiado, das nossas e dos outros frades que morarem neste lugar. 10 Portanto, com a bênção de Deus e a vossa, queremos cons­truir nela”.

11 O santo dizia isso, porque sempre queria que os frades hon­rassem e venerassem os prelados: “É por isso que se chamam frades me­nores, porque tanto pelo nome quanto pelo exemplo e pelas obras devem ser mais humildes do que todos os outros deste mundo”. 12 E dizia: “Porque no início de minha conversão, quando me se­parei do mundo e do pai carnal, o Senhor pôs na boca do bispo de Assis sua palavra (cf. Ex 4,15; Is 51,16) para que me aconselhas­se corretamente no serviço de Cristo e me confortasse. 13 Por esse motivo e pela grande excelência que vejo nos prelados e nos clérigos, quero amar, venerar e considerar como meus senhores não somente os bispos, mas também os sacerdotes pobrezinhos. 14 Depois, recebida a bênção do senhor bispo, vão e mandem ca­var um grande fosso em torno do terreno que receberam para construir o eremitério e ali plantem uma boa sebe como muro, em sinal da santa pobreza e da humildade. 15 Depois mandem fazer pobres casas, construídas de barro e madeira, e algumas celazi­nhas, para que os frades às vezes possam rezar e também trabalhar com maior dignidade tomando cuidado com palavras ociosas (cf. Mt 12,36). 16 Também mandem fazer pequenas igrejas; porque os frades não devem fazer construir grandes igrejas com a desculpa de pregar ao povo ou por outro pretexto, 17 pois maior será a humil­dade e melhor o exemplo quando os frades forem pregar em outras igrejas para observarem a santa pobreza, a humildade e a digni­dade deles.
18 “E se, às vezes, alguns prelados e clérigos religiosos ou se­culares vierem aos lugares deles, as pobres casas, celazinhas e igrejas e a honestidade deles pregarão, mesmo sem a pregação dos frades que moram naquele lugar; e eles ficarão edificados”.
19 E acrescentou: “Pois muitas vezes os frades mandam fazer grandes lugares e edifícios, violando nossa santa pobreza, provo­cando murmuração e mau exemplo ao próximo. 20 E depois, a pre­texto de um lugar melhor e mais sadio, abandonam aqueles luga­res e edifícios e aqueles que deram suas esmolas, e outros que vêem e ouvem isso se escandalizam e se perturbam muito. 21 Por isso, é melhor que os frades façam construir lugares e edifícios pobrezinhos, observando sua profissão e dando bom exemplo ao próximo, do que agir contra sua profissão e dar mau exemplo aos outros. 22 Pois, se alguma vez acontecer de os frades abandonarem lugares pequenos e pobres edifícios por outro lugar mais digno, será um mau exemplo muito grande e escândalo”.
23 Naqueles dias e naquela cela em que o bem-aventurado Francisco disse es­tas palavras ao senhor Boaventura, quase chegou a morrer, uma noite, por causa do vômito de sangue. 24 Por isso, temendo que ele morresse, os frades lhe disseram: “Pai, abençoa a nós e aos outros frades da Ordem e deixa-nos uma recordação a que recorrer de­pois de tua morte”. 25 O bem-aventurado Francisco mandou chamar Frei Bento de Piratro, que celebrava para ele, porque, mesmo doente, tinha a boa vontade de assistir à Missa sempre que podia, e lhe dis­se: 26 “Escreve que abençôo todos os meus irmãos, os que estão na religião e os que virão até o fim dos tempos”.
27 E o bem-aventurado Francisco lhe disse: “Como não posso falar devido à doença, nestas três palavras quero, brevemente, manifestar minha vontade: 28 que em sinal de minha memória, bênção e mistério, se amem mutuamente, 29 sempre amem e observem nossa senhora a santa pobreza, 30 e que sejam sempre fiéis e submissos aos prelados e a todos os clérigos da santa mãe Igreja”.

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