quarta-feira, 15 de junho de 2011

Mitos sobre a Missa na Igreja Primitiva.


http://www.crisismagazine.com/2011/five-myths-about-worship-in-the-early-church

Os Cinco Mitos sobre a Santa Missa na Igreja Primitiva

Como a esperada tradução do Novo Missal Romano desbanca o mito de que a linguagem litúrgica deve ser tão banal que até mesmo os muppets possam entendê-la, este é um bom momento para analisarmos as cinco mentiras que estão causando estragos na liturgia da Igreja nas últimas décadas.


1. Missa de frente para o povo. Depois de analisarem altares livres em igrejas primitivas, liturgicistas na década de 1930, concluíram que os padres celebravam a Missa "voltados para o povo", e que foi somente sob a influência do clericalismo medieval decadente que "deram as costas” para o povo. Esse mito estava excessivamente presente na água de beber na época do Concílio Vaticano II (1962-1965). Mais tarde, alguns estudiosos começaram a reexaminar as provas e descobriram que não se comprovava essa tese, e que de fato tinha havido uma tradição ininterrupta - tanto no Oriente quanto no Ocidente - do sacerdote e da congregação, celebrando a Eucaristia na mesma direção: para o oriente.

O Papa Bento XVI, que endossou o mais recente livro refutando o erro do versus populum, tem tentado tornar os fatos do caso mais conhecidos. Mas na utima geração, milhões de dólares foram gastos destruindo os requintados altares-mores e substituindo-os por altares-mesas, tudo em conformidade com "a prática da Igreja primitiva." Quiséramos que esse mito fosse desbancado antes.


2. Comunhão na mão e sob as duas espécies. Mitos sobre a Sagrada Comunhão seguem um padrão semelhante. Cinqüenta anos atrás, a alegação de que "a Comunhão na mão" era a prática universal da Igreja primitiva foi acreditado por todos, até mesmo por aqueles que não queriam ver a prática ressuscitada. Agora, não estamos tão seguros. O que podemos dizer é que algumas comunidades cristãs praticavam a Comunhão na mão, mas a Comunhão na língua pode ser tão mais antiga. E quando se praticava a comunhão na mão, o comungante a recebia de um padre (e apenas de um padre), muito provavelmente, colocando-a na boca sem tocá-la com a outra mão. E em alguns lugares, a mão de uma mulher tinha que ser coberta com um pano branco!


Nós estamos muito certos de que a Igreja Romana certa vez administrou a Sagrada Comunhão sob as duas espécies (como as igrejas orientais que sempre fizeram), mas não sabemos exatamente como. Uma prática interessante, que estava em uso no século VII, tinha um Diácono distribuindo o Preciosismo Sangue, com o uso de um canudo de ouro. Alguns acreditam que ele mergulhava o canudo no cálice (que só ele ou um sacerdote ou bispo poderiam tocar), com uma extremidade fechada com o dedo, colocava-o sobre a boca aberta do comungante, e depois erguia o dedo para liberar o conteúdo.


Em outras palavras, a Sagrada Comunhão provavelmente não foi administrada à maneira fast-food que nós temos hoje, com um eficiente sistema "pegue-e-leve" de várias filas que se movem de uma estação para a outra, com o comungante tocando a hóstia ou o cálice sagrado com suas próprias mãos. O nosso atual sistema pode ter mais em comum com os protestantes do que com a patrística. Significativamente, Bento XVI, um estudioso cuidadoso dos Padres da Igreja, não mais administra a Comunhão na mão.


3. O vernáculo. Outro mito difundido é que a Igreja primitiva tinha a Missa em vernáculo. Mas quando Jesus prestava o culto de adoração na sinagoga, a língua usada era o Hebraico, que já havia sido extinta há 300 anos. E nos três primeiros séculos em Roma, a Missa foi celebrada na maior parte em grego e não em latim, que só era compreendida por uma minoria da congregação.

Quando a Missa acabou por ser traduzida para o latim, manteve elementos estrangeiros como o Hebraico amém e aleluia, e ainda acrescentou alguns, como o Kyrie eleison grego. Além disso, o latim usado nas traduções era deliberadamente diferente do latim falado na época: tinha curiosos usos gramaticais e era salpicado com arcaísmos. Em outras palavras, mesmo quando a Missa era celebrada em uma linguagem que as pessoas podiam entender, ela nunca foi celebrada no "vernáculo" - termo que quer dizer a linguagem comum da rua e do dia a dia.


A razão para isso é simples: Cada Igreja Apostólica - para não falar de todas as religiões principais do mundo - sempre teve uma língua sagrada ou sacerdotal, uma caixa de ferramentas lingüísticas diferentes da fala cotidiana, especialmente concebida para comunicar a transcendência e a peculiaridade do Evangelho.


4. Ministério leigo. Um outro duradouro mito é a idéia de que os leigos eram "mais envolvidos" na Missa do que em épocas posteriores. Em nossos dias, isso tem gerado uma multiplicação de ministérios litúrgicos para leigos, tal como para leituras, etc. A realidade é que no início da Igreja, todos estes papéis foram administrados pelo clero. De fato, a Igreja primitiva tinha ordenação de muito mais ofícios clericais (as ex ordens menores) do que hoje. O Concílio de Nicéia, em 325, por exemplo, tratou de um ajuste fino do ofício de "subdiácono”. Isso nos diz uma coisa: que os subdiáconos já eram comuns no ambiente litúrgico por ocasião da convocação do Concílio. Ministros da Eucaristia não eram.


5. A Igreja pré e pós-Constantino. Por trás de todos estes mitos poderosos há um "meta-mito", a alegação de que houve uma ruptura na vida da Igreja depois que o imperador Constantino legalizou o Cristianismo no século IV. A Igreja, antes de Constantino, e por ai vai o meta-mito, era simples e pura, era a Igreja "do povo." Depois de Constantino, no entanto, a Igreja tornou-se clerical, hierárquica e corrompida pelo desejo de grandes templos e cerimônias pretensiosas.


A verdade é que de fato, embora a Igreja tenha mudado - para melhor em alguns aspectos e para pior em outros - houve muito mais continuidade do que ruptura. Na Igreja, antes de Constantino já havia distinções firmes entre clérigos e leigos, e ela já tinha reconhecido a importância da bela arte, da arquitetura, do simbolismo e da solenidade. Afinal, a Última Ceia aconteceu durante a Páscoa, que era por si só altamente ritualizada e cada Santa Missa é a consumação da liturgia da sinagoga e do templo ornamentado. Com efeito, a liturgia eucarística no segundo ou terceiro século era mais longa, mais hierárquica e mais simbolicamente requintada do que uma missa dominical de hoje. E uma vez que os bancos de igreja são uma invenção protestante para acomodar longos sermões, das duas uma, ou você ficava de pé ou se ajoelhava no chão o tempo todo.


Como um vírus mortal, o mito de uma Igreja utópica, pré-constantiniana, entoando músicas gospel continua causando estragos. Um exemplo típico é o vídeo de 2001, Uma História da Missa, produzido pela Liturgy Training Publications, uma das mais influentes promotoras de informações sobre o culto católico nos Estados Unidos. Depois de descrever uma comunidade idílica, igualitária, na qual os bispos deram os seus lugares para viúvas pobres na mesa eucarística, a narração muda com as sinistras palavras: "Mas então o Imperador Constantino tornou-se cristão". Você pode imaginar o que se segue (veja aqui)

Além disso, ainda que cada um desses mitos fossem verdadeiros, ainda não se poderia justificar o retorno à época patrística. Em 1947, o papa Pio XII profeticamente advertiu contra o arqueologismo, um "arcaísmo exagerado e sem sentido" que pressupõe que o mais velho é melhor do que o que se desenvolveu depois ao longo do tempo e com a aprovação da Igreja (Mediator Dei 64). O Papa estava preocupado com os inovadores litúrgicos que iriam ultrapassar os 1,900 anos de tradição sagrada e inspiração divina. Ele tinha razão para se preocupar, mas nem ele mesmo previa em que medida aquele visado passado dourado seria uma reconstrução de precisão duvidosa.


Michael P. Foley

Michael P. Foley é um Associando Professor de Patrística no Honors College da Universidade Baylor.

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