sábado, 12 de março de 2011

Liturgia das Horas (Ofício Divino): Ofício das Leituras.

Dos Diálogos de São Gregório Magno, papa



(Lib. 2,33: PL 66,194-196)

(Séc.VI)



Foi mais poderosa aquela que mais amou

Escolástica, irmã de São Bento, consagrada ao Senhor onipotente desde a infância,

costumava visitar o irmão, uma vez por ano. O homem de Deus descia e vinha

encontrar-se com ela numa propriedade do mosteiro, não muito longe da porta.



Certo dia, veio ela como de costume, e seu venerável irmão com alguns discípulos foi

ao seu encontro. Passaram o dia inteiro a louvar a Deus e em santas conversas, de tal

modo que já se aproximavam as trevas da noite quando sentaram-se à mesa para tomar a

refeição.



Como durante as santas conversas o tempo foi passando, a santa monja rogou-lhe:

“Peço-te, irmão, que não me deixes esta noite, para podermos continuar falando até de

manhã sobre as alegrias da vida celeste”. Ao que ele respondeu-lhe: “Que dizes tu,

irmã? De modo algum posso passar a noite fora da minha cela”.



A santa monja, ao ouvira recusa do irmão, pôs sobre a mesa as mãos com os dedos

entrelaçados e inclinou a cabeça sobre as mãos para suplicar o Senhor onipotente.

Quando levantou a cabeça, rebentou uma grande tempestade, com tão fortes

relâmpagos, trovões e aguaceiro, que nem o venerável Bento nem os irmãos que haviam

vindo em sua companhia puderam pôr um pé fora da porta do lugar onde estavam.



Então o homem de Deus, vendo que não podia regressar ao mosteiro, começou a

lamentar-se,dizendo: “Que Deus onipotente te perdoe, irmã! Que foi que fizeste?” Ela

respondeu: “Eu te pedi e não quiseste me atender. Roguei ao meu Deus e ele me ouviu.

Agora, pois, se puderes, vai-te embora; despede-te de mim e volta para o mosteiro”.



E Bento, que não quisera ficar ali espontaneamente, teve que ficar contra a vontade.

Assim, passaram a noite toda acordados, animando-se um ao outro com santas

conversas sobre a vida espiritual. Não nos admiremos que a santa monja tenha tido

mais poder do que ele: se, na verdade,

como diz São João, Deus é amor (1Jo 4,8), com justíssima razão, teve mais poder

aquela que mais amou.



Três dias depois, estando o homem de Deus na cela, levantou os olhos para o alto e

viu a alma de sua irmã liberta do corpo, em forma de pomba, penetrar no interior da

morada celeste. Cheio de júbilo por tão grande glória que lhe havia sido concedida,

deu graças a

Deus onipotente com hinos e cânticos de louvor; enviou dois irmãos a fim de trazerem

o corpo para o mosteiro, onde foi depositado no túmulo que ele mesmo preparara para

si.


E assim, nem o túmulo separou aqueles que sempre tinham estado unidos em Deus.

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