sábado, 16 de outubro de 2010

Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior: sobre o Marxismo Cultural.


Marxismo Cultural
Palestra proferida por Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, em 03 de junho de 2006: http://padrepauloricardo.org/audio/marxismo-cultural/.
Transcrito por: Marcela Andrade.
* Texto revisado apenas uma vez

Nós vamos falar um pouco de marxismo. E por que é que nos vamos falar de marxismo? Nós não vamos falar aqui do marxismo clássico, aquele de Karl Marx, que está ali simbolizado pela foice e pelo martelo. Não é desse marxismo clássico que nós iremos falar. Nós iremos falar a respeito de um marxismo menos conhecido, chamado marxismo cultural, que faz questão de não ser identificado como marxismo e de não ser chamado de marxismo. E isso está criando uma nova cultura. Eu quero falar dessa cultura que está aí fora, e que não é uma cultura que somente não é cristã, mas que é anti-cristã. Ela é resolutamente contra o Cristianismo, por isso eu coloquei aquele símbolo ali, que é o símbolo da paz (todo mundo conhece o símbolo da paz, movimento hippie, “paz e amor, bicho”). Só que esse símbolo da paz – talvez poucas pessoas saibam – é na verdade o símbolo da paz sem Cristo. É uma cruz quebrada. Ou seja, os braços da cruz foram quebrados, colocados para baixo. Então você imagine uma cruz cristã, uma cruz normal, onde você pega os dois braços da cruz e joga para baixo. Esse é o símbolo da paz. É um símbolo não somente não cristão; é um símbolo anti-cristão. E essa cultura que está aí e que vai crescendo cada vez mais, e que já faz parte um pouco do nosso imaginário coletivo é uma cultura que não é cristã, mas não somente: ela é anti-cristã. Eu estou afirmando isso e quero provar para vocês.
Agora, eu quero pedir a vocês no início dessa palestra o seguinte: as coisas que eu vou dizer são bastante novas. Então eu peço a vocês encarecidamente que não acreditem no Padre Paulo, tá? Não acreditem em mim. Eu quero que você vá comprovar. Eu vou dar a vocês meios de comprovarem se isto que eu estou falando é ou não é verdade. Então, por favor, considerem que o Padre Paulo é um grande charlatão, um embromador, que está querendo passar a perna em vocês. Porque aquilo que eu vou dizer para vocês é tão novo e tão diferente que vocês vão achar que o Padre Paulo é um paranóico que tem alguma espécie de doença mental, mania de perseguição. Na verdade, não é nada disso. Então, por favor, não precisa acreditar em mim, tá bom?
Essa é a primeira advertência.
A segunda advertência que eu quero fazer é a seguinte: eu, por formação e por mentalidade, sou decididamente, politicamente falando, a favor da democracia. E eu acho que, numa sociedade democrática, é necessário que exista a direita e é necessário que exista a esquerda. Portanto, fique bem claro que eu não quero uma sociedade de direitistas conservadores e reacionários. Eu acho que, numa sociedade democrática, é necessário que haja debate: tanto a direita quanto a esquerda têm direito de existir. Só que é o seguinte: as duas precisam ser disciplinadas. Não é possível fazer jogo político sujo e passar a perna, ludibriar as pessoas, vendendo gato por lebre. Então é necessário ser honestos, e está acontecendo uma desonestidade com os cristãos. As pessoas estão fazendo passar como cristãs certas idéias que na verdade são anti-cristãs, e os cristãos estão sendo levados, seduzidos, desonestamente.
Então, vejam: na sociedade que nós estamos, eu não acho que seja crime ser anti-cristão. A pessoa tem direito de ser anti-cristã, assim como eu sou e tenho o direito de ser anti-pagão. Eu tenho esse direito de achar que o paganismo é uma desgraça e lutar com todas as veras do meu coração contra o paganismo. Porém, este direito que eu tenho não significa que eu tenha o direito de matar a pessoa que não pensa como eu, ou de ludibriá-la, ou de enganá-la, ou de ser desonesto. Então é necessário que haja numa sociedade democrática um substrato moral, uma base moral de respeito mútuo onde nós possamos viver e conviver juntos.
Não vai precisar muita coisa pra você saber que eu sou bastante conservador - basta olhar para a minha batina preta para ver que eu sou bastante conservador. Talvez, há quarenta anos, ou cinqüenta anos atrás, na Igreja Católica, eu fosse considerado um progressista. Mas as coisas mudaram tanto, o ambiente onde nós vivemos mudou tanto que hoje eu fiquei numa posição de conservador. E eu não acho que seja ruim ser considerado conservador, porque eu acho que eu preciso lutar e convido vocês – essa palestra é um convite a isso - para lutar para conservar os valores cristãos, a fé cristã, a religião cristã e os valores do Evangelho. É necessário conservar, e isso faz de nós conservadores numa sociedade que quer acabar com isso.
Então, quem, por acaso, concordar com as coisas que eu irei dizer, se prepare, porque você vai ser chamado de reacionário, de conservador, de direitista. Se preparem para receber esses epítetos.
Tudo bem... Vamos para frente.
Nós estamos acostumados com o marxismo clássico. O que é o marxismo clássico? Está ali a foice e o martelo, dois trabalhadores, os proletários lutando para implantar a igualdade social. O nosso amigo Karl Marx, em 1848, escreveu, junto com o sr. Engels, o Manifesto Comunista, e a última frase do Manifesto Comunista é: Trabalhadores de todas as nações, uni-vos. Proletários de todos os países, uni-vos.
Vejam, o marxismo é um pensamento internacionalista. Eles achavam o quê? O que o marxismo clássico dizia? A opressão dos trabalhadores é tanta, a opressão que os trabalhadores estão sofrendo é tão grande, que eles irão se revoltar, como uma panela de pressão que estoura – eles irão se revoltar contra os capitalistas, irão tomar o poder para implantar a justiça social. Este é o pensamento clássico marxista, acho que todo mundo aqui conhece isto. Todo mundo ouviu falar disto.
Uma nota importante: é um pensamento internacional, quer dizer o seguinte: Marx previa um conflito – ele não precisava ser um gênio para prever isto, porque toda a Europa naquela época, no séc. XIX, já previa que haveria um grande conflito. Realmente a Europa estava uma panela de pressão e haveria um conflito internacional. Marx previa que haveria um conflito pan-Europeu – uma guerra da Europa inteira. E quando acontecesse esse conflito, os trabalhadores oprimidos, os proletários oprimidos, ao invés de pegarem nas armas para lutar contra outros trabalhadores de outros países, iriam se unir entre si contra os seus patrões, contra os seus opressores. Então, por exemplo, quando estourasse a guerra, os trabalhadores da Alemanha iriam se unir com os trabalhadores da França contra os patrões. Era isso que a doutrina clássica marxista previa: um conflito pan-Europeu, e, nesse conflito, a panela de pressão iria estourar e os trabalhadores iriam lutar pelos seus interesses de classes. Não haveria trabalhador lutando contra trabalhador, mas iriam lutar contra os seus patrões.
Marx morrreu e, como Marx previa, aconteceu realmente o conflito pan-Europeu, alguns anos depois: é o que nós conhecemos hoje como 1ª Guerra Mundial, de 1914 a 1919. Estão aí algumas imagens da 1ª Guerra Mundial. Acontece porém que o que Marx previa - que os trabalhadores iriam se unir - não aconteceu. O kaiser da Alemanha, Wilhelm II, disse: “Não há mais partidos; somos todos alemães.” E os alemães todos se uniram contra os outros países.
O que aconteceu, horror dos horrores para os marxistas: eles viram trabalhadores pegarem em armas e matar outros trabalhadores de outros países. Ou seja: “trabalhadores pegarem em armas para defender o interesse dos capitalistas”. Isto para os marxistas era pior do que o Apocalipse, porque significava que todas as previsões, e aquilo pelo qual eles tinham lutado, não aconteceu. Não aconteceu... Por que não aconteceu?
Pois bem...
Aconteceu, porém, que, durante a 1ª Guerra, uma coisa pelo menos deu certo: a guerra foi de 1914 a 1919... em 1917, eles conseguiram fazer a revolução na Rússia. Aí estão algumas imagens da revolução bolchevique na Rússia. Eles conseguiram realmente fazer a revolução na Rússia. Isso deu uma esperança para eles: bom, então nem tudo está perdido. Conseguimos na Rússia, e por que não conseguimos em outros países?
Quando acabou a guerra, em 1919, aconteceram várias revoltas em vários lugares do mundo. Não se preocupem aqui com os detalhes, eu vou aqui citar para vocês esses detalhes, somente para vocês saberem, e, se quiserem buscar nos livros de História, vocês irão encontrar. Não se preocupem com a avalanche de informações que eu vou jogar em cima de vocês.
A revolta espartaquista de Berlim em 1919 – acabou a guerra, eles disseram: “Agora, sim. Vamos conseguir implantar o socialismo.” Então, lá em Berlim, um sujeito chamado Spartacus, e uma senhora Rosa Luxemburgo, pegaram nas armas e tentaram implantar o comunismo na Alemanha, em Berlim. Não conseguiram. Aí estão imagens da revolta daquela época.
Tentaram em Munique – tudo isso em 1919. Tentaram lá em Berlim, não conseguiram. Acabou a guerra, tentaram em Munique. Conseguiram implantar um governo provisório chamado “Governo do Soviete de Munique”, mas também não deu certo, não vingou. Os trabalhadores não se uniram; os trabalhadores não pegaram nas armas para defender aquilo que os socialistas estavam tentando fazer.
Ainda em 1919, tentaram fazer um governo comunista na Hungria. Olha só: Berlim, Munique, agora, Hungria. Conseguiram implantar um governo provisório por um sujeito chamado Béla Kun – ele foi o presidente. E, interessante, nesse governo havia um filósofo que depois nós vamos encontrar mais tarde, chamado Georg Lukács. Prestem atenção, que esse sujeito é importante.
Não deu certo também o governo comunista na Hungria.
Na Itália, uma revolta sindical. Os trabalhadores italianos, em Turim, oprimidos etc e tal, se revoltaram, mas também não conseguiram implantar nada.
Diante de todos esses fracassos dos anos 1919 e 1920, estava criado um grande problema teórico para o marxismo, e aqui vem a parte que nos interessa. Aqui você vai começar a enxergar no que é que isso nos diz respeito.
Foi esse problema teórico - “por que é que não está dando certo a teoria marxista?” –, por isso se criou isto, esse vírus que está destruindo a sociedade ocidental. Olha só, a crise teórica era a seguinte: Por que a realidade não segue a teoria? Vejam só, gente... Quando você tem uma teoria e ela não bate com a realidade, qualquer pessoa normal, qualquer cérebro normal, diria: Eu tenho que reformar a teoria, é ou não é verdade? Mas, como diz o filósofo Olavo de Carvalho – um filósofo brasileiro, direitista e quadrado como o Padre Paulo –, ele diz assim: Um cérebro marxista raramente é normal. Por quê?
Olha só, eu coloquei ali a palavra “realidade” fluida e a “teoria” de pedra, porque, para os marxistas, a teoria é inquestionável, e, se a realidade não está seguindo a teoria, pior para a realidade! Então, eles se puseram a estudar a realidade para ver por que é que a teoria não estava dando certo. Então esses dois senhores aí, Antonio Gramsci – um filósofo italiano, fundador do Partido Comunista italiano – e esse George Lukács, um filósofo húngaro, os dois acharam a resposta. Os dois conseguiram descobrir por que é que a realidade não estava seguindo a teoria. A pergunta era: Quem alienou os proletários? Ou seja: quem terá feito uma lavagem cerebral nos trabalhadores para que eles pegassem nas armas contra outros trabalhadores e lutassem contra seus interesses de classe? Quem será que fez essa lavagem cerebral nos trabalhadores? Eles acharam a resposta – Gramsci na Itália, Lukács na Hungria, sem se comunicarem, acharam a resposta: a cultura ocidental. A culpa é da cultura ocidental. A revolução deu certo na Rússia porque a Rússia não é ocidental o suficiente. Alguma coisa aconteceu nos cérebros dos trabalhadores: foi que eles engoliram, desde crianças, com o leite materno, uma cultura desgraçada, chamada cultura ocidental, que tem três colunas: a filosofia grega, o direito romano e a moral judaico-cristã. Eis aí. “Se nós quisermos implantar o socialismo no ocidente, nós precisamos acabar com a moral cristã.”
Gente, isso foi descoberto por eles em 1920. Por isso, isso que está acontecendo hoje, essa cultura anti-cristã que está aí, de moral anti-cristã, foi engendrada há muito tempo. Não é do dia para a noite.
“Mas Padre, será que é realmente assim?” Calma, não precisa acreditar em mim. Vamos continuar.
Então, vejam só, a moral judaico-cristã – não tirem isso da mente: eles querem acabar com a moral cristã.
Isto criou um cisma dentro do marxismo. Aqui tem um mapa da Europa com a cortina de ferro que aconteceu com a Segunda Guerra Mundial, em 1945. A Europa dividiu-se em dois pedaços, com a cortina de ferro, que significava, na nossa cabeça, um mundo marxista no oriente, e um mundo capitalista, no ocidente.
Agora eu convido vocês a mudar o paradigma e compreender que, no ocidente, começou-se a lutar por uma outra espécie de marxismo. Não mais o marxismo clássico, mas o que nós podemos chamar, para a gente se entender aqui, como marxismo cultural. O que é o marxismo cultural e como ele é?
Aqui está a fotografia do Sr. Merleau-Ponty, um filósofo marxista francês, que cunhou essa expressão, “marxismo ocidental”, para falar dessa outra forma de marxismo, que é meio heterodoxo, um marxismo herético, entendem? Moscou odiava esses comunistas do ocidente: Stálin odiava esse pessoal, que era marxista também, mas não aceitavam aquilo que Moscou indicava.
Então, vários, vários, vários nomes de filósofos e escritores famosos no ocidente pertencem a esse marxismo ocidental, e muitos de nós, talvez, tenhamos ouvido falar desses autores; até, às vezes, admiramos esses autores, mas não sabíamos que eles eram marxistas, e nem que pertenciam a esse marxismo ocidental. Merleau-Ponty é um deles. Alguns expoentes do marxismo ocidental (calma, o Papa está ali na foto mas ele não é marxista ocidental): Ernst Bloch, na década de 60, na revolução estudantil européia; Walter Benjamin; Jean-Paul Sartre (todo mundo conhece Sartre como um existencialista; pouca gente sabe que ele terminou a vida como marxista). Mas Moscou não gostava do pensamento de Sartre (é porque era um marxismo diferente, não era o ortodoxo de Moscou). Louis Althusser, um marxista francês, também muito famoso; e ali, outro expoente atual, o queridinho da filosofia atual do Brasil: Jürgen Habermas, também marxista, que está ali sentado na mesma cadeira, conversando com o cardeal Ratzinger, porque os dois tiveram um debate. E o debate deles está publicado – infelizmente, não aqui no Brasil -, mas, quem estiver curioso do conteúdo desse debate, nós temos, no Seminário de Cuiabá, o livro em italiano.
Isso aqui é só para dizer que existem inúmeras pessoas. Pois bem... Vamos continuar a nossa historinha.
Como é que nasceu essa revolução cultural marxista no ocidente?
Em 1923, aconteceu, na Alemanha, a chamada “Semana de Trabalho Marxista.” Alguns marxistas se reuniram, filósofos marxistas, se reuniram para debater aquele problema teórico que eu tinha falado para vocês: Por que é que a realidade não estava seguindo a teoria. A grande crise aconteceu em 1919; nós estamos em 1923 quando isso aconteceu. Quero chamar a atenção para aqueles dois senhores que estão ali: Lukács e Felix Weil, ali jovenzinhos naquela época. Lukács, nós já vimos três fotos dele. Ele é fundamental, um filósofo húngaro que, junto com Gramsci, descobriu que o problema é a moral cristã que precisa ser destruída.
Esse senhor Felix Weil também foi muito importante, porque ele era marxista, mas ele era filhinho de papai. Tinha dinheiro. O pai dele era um rico comerciante de grãos, e ele usou dinheiro do pai dele para destruir a fortuna do pai e de outros capitalistas, criando um instituto chamado “Instituto para a Pesquisa Social” em Frankfurt. Foi fundado em 1924: é a famosa Escola de Frankfurt, uma escola filosófica.
Eles iam inicialmente chamar esse instituto de Instituto Marx-Engels, assim como tinha em Moscou, mas eles disseram assim: “Bom, aqui no ocidente nós não podemos nos identificar como marxistas; vamos chamar de instituto para a pesquisa social, somente.” Mas tanto é verdade que eles são marxistas – porque quem lê as obras deles não tem dúvida nenhuma – que a famosa Mega, a edição geral das obras de Marx e Engels, teve o seu primeiro volume editado pelo Instituto, junto com o Instituto Marx-Engels de Moscou: em sintonia, os dois publicaram o primeiro volume das obras completas de Marx e Engels.
Acontece que esse instituto foi feito lá em Frankfurt; eles estudavam toda a sociedade alemã para saber como é que acontece o pensamento ocidental, como é que o pensamento ocidental aliena os trabalhadores. Então, eles estudavam a sociedade alemã para destruí-la, para destruir a civilização ocidental.
Acontece que estourou a 2ª Guerra Mundial, e esses senhores eram, em sua maioria, não somente comunistas, mas judeus, e, em 1933, quando Hitler veio ao poder, Hitler era contra marxistas e contra judeus – eu não preciso nem dizer para vocês. Eles então fugiram para os Estados Unidos. Está ali uma foto do Instituto de Pesquisa Social bombardeado durante a 2ª Guerra. Eu coloquei ali três filósofos da Escola de Frankfurt (não se preocupem muito com esses filósofos; estão aí só para você ter esses nomes e, se você quiser ver se eles pensam isso que eu estou dizendo, você tem como ir atrás, não precisa acreditar em mim): Theodoro Adorno, Herbet Marcuse e Max Horkheimer – os três fugiram para os Estados Unidos e começaram a ensinar em universidades americanas da University of Columbia, em Nova Iorque tinha catedráticos marxistas. Quem foi que disse que não tem marxismo na América? É isso que eles querem que você ache: que não tem. Mas tem, sim senhor.
Aconteceu que acabou a 2ª Guerra Mundial, Horkheimer e Adorno voltaram para a Europa e na Europa houve outros discípulos, outros pensadores, outras pessoas – vocês entendem que isso daqui é um movimento gigante, eu não posso colocar para vocês todos os pensadores e escritores que fazem isso daqui. Eu estou dando uma amostra para vocês.
Junto com Adorno e Horkheimer, lá na Europa, muita gente fez muita coisa. O que me interessa aqui é os Estados Unidos, porque eles tiveram uma influência cabal no Brasil. Por quê? Porque o Sr. Marcuse ficou nos EUA. Ficou nos EUA e começou a escrever os seus livros, mudou-se para a Califórnia, começou a dar aula na universidade de San Diego. Na Califórnia, justamente na época em que explodiu toda a revolução estudantil de 1968.
Muito bem; Marcuse. Grave este nome, porque é importante. Marcuse fez algo de extraordinário, que mudou a direção do pensamento no ocidente, mudou a sua cabeça, embora você nunca tenha ouvido falar nele, talvez. O que ele fez? Ele fez um casamento entre Marx e Freud. É aqui que a coisa nos interessa, e é aqui que eu quero que você preste muita atenção. Se você esquecer tudo que eu disse até agora, não tem problema. Mas isso daqui que eu vou dizer vocês precisam saber e precisam lembrar.
Vejam. O que os marxistas querem fazer? Querem fazer uma revolução. Para fazer uma bomba, você precisa de combustível. Eles viram que o combustível da revolta dos trabalhadores não era suficiente, porque os trabalhadores tinham uma panela de pressão, mas os capitalistas, com a cultura ocidental, tinham furado uma válvula, e não adiantava; a pressão estava escapando e a revolução não ia acontecer.
Onde nós vamos achar gente revoltada? Ah... juventude! Pessoas reprimidas sexualmente.
Vocês imaginem aqui, que, quando eles descobriram esse negócio, nós estamos na década de 50. A segunda guerra mundial acabou de acabar. Imaginem o que era a sociedade na década de 50. É claro que já havia muita contestação contra a moral cristã... eu não estou dizendo que TUDO que está acontecendo no mundo atual é culpa dos marxistas; eu não estou dizendo isso. Só estou dizendo que outras filosofias não teriam sido conhecidas se não fossem esses caras que são militantes – isso é que é importante. Por exemplo, Nietzsche. Esse pessoal aqui acha maravilhosa a filosofia de Nietzsche. Mas ele morreu louco num hospício em Turim, e teria ficado como um louco se não tivesse sido interessante para eles alardear a filosofia de Nietzsche nas cátedras universitárias - porque a primeira coisa que os marxistas culturais querem fazer é dar aula em universidade. Eles não pegam em armas; eles querem saber de universidade. Eu preciso dizer isso para os universitários.
Eles fizeram o casamento entre Freud e Marx e disseram assim: a sociedade capitalista – ou seja, a sociedade ocidental – é uma sociedade repressora. Ela oprime as pessoas. Como? Reprimindo-as sexualmente. Então, você não pode exercer sua sexualidade livremente... revolte-se! Faça alguma coisa!
Então, esse pensamento, que foi um achado genial de Marcuse, foi também seguido por outros. Enquanto Marcuse fazia isso nos EUA, esse alemão marxista total naturalizou-se americano, trabalhou para a CIA (na época chamava-se OSS, mas era a CIA da época). Quer dizer, o cara era marxista mas não queria ser identificado como tal, e se infiltrava, se infiltrava, e assim foi... Mas o que ele falava na universidade? Você chega e encontra um professor universitário que diz: Olha, libere sua sexualidade; o divórcio é um direito; essa coisa de casamento monogâmico é uma moral burguesa!
Esse pessoal quer acabar com a moral cristã, mas eles não dizem para você isso. Eles dizem “precisamos acabar com a moral burguesa”, e ninguém quer ser burguês, né? Mas, quando eles dizem “moral burguesa”, de que moral eles estão falando? É a cristã, a do Evangelho, a que está na Bíblia!
Então veja; quando um professor te ensina esse tipo de coisa: divórcio, casamento gay, aborto e Cia., você pensa tudo, menos que ele é um comunista, é ou não é? Para você, isso não tem nada a ver com marxismo. Mas aí você começa a se perguntar: por que é que TODOS esses partidos de esquerda são a favor do divórcio, do aborto, do casamento gay? Por quê? É uma boa pergunta.
Pois bem; aqui estão outros pensadores que seguiram esse mesmo caminho de Marcuse. Grande conhecido: Erich Fromm. Os universitários da minha época liam Erich Fromm, que era quase o ar que nós respirávamos, na década de 80. Mas na década de 70 e de 80, Marcuse, Fromm, eram a cartilha do dia-a-dia. Cornelius Castoriadis, talvez menos conhecido, mas é um grego que depois foi para a França e atuou na revolta estudantil de 1968. E Michel Foucault, que escreveu “Vigiar e Punir”... Nós líamos Foucault nas universidades – suponho que continuam lendo hoje, porque os livros continuam sendo publicados. Foucault morreu de AIDS porque era um homossexual muito depravado.
Foi uma das primeiras vítimas da AIDS na década de 80. Só para vocês terem idéia do tipo da pessoa, ele disse que a experiência mais extraordinária da vida dele foi quando, drogado, ele foi atravessar uma rua e quase foi atropelado. Esse foi o momento de maior emoção da vida dele.
Pois bem. Hollywood nos anos 50... Enquanto os marxistas culturais agiam nas universidades, em Hollywood comunistas trabalhavam também para acabar com a moral “burguesa”.
Um senhor chamado Senador Joseph McCartney começou a descobrir que havia marxistas trabalhando em Hollywood. Ele, coitado, foi “frito” na hora. Por quê? Porque ele era a pior pessoa para denunciar esse tipo de coisa. Além de ele ser alcoólatra, era também homossexual. Então ele foi lá e denunciou, mas se tornou vítima de uma coisa – não vou explicar hoje o que é isso - , coisa que foi inventada por Lênin, chamada “patrulhamento ideológico”. Então, ele foi “linchado vivo”, moralmente falando.
Mas esse Senador denunciou que uns vinte e tantos atores de Hollywood e diretores estavam ligados ao comunismo, e o comunismo estava entrando em Hollywood... E eles estavam fazendo filmes revolucionários. Você olha para os filmes de Hollywood e não vê revolução nenhuma, né? Mas a revolução, meu amigo, é acabar com a moral judaico-cristã. E em Hollywood as coisas começaram a acontecer...
Quando caiu o muro de Berlim, quando acabou a URSS, eles foram abrir os arquivos da KGB, os americanos foram lá e microfilmaram tudo que eles podiam, e descobriram uma coisa chamada “Código Venona” – descobriram um código que os russos tinham para as mensagens que eles passavam para o ocidente, e descobriram não somente que havia esses vinte e pouco, mas havia mais de cem pessoas trabalhando em Hollywood, trabalhando para a KGB e recebendo instruções.
Você nunca vai ouvir na imprensa brasileira esse tipo de notícia aqui, mas compre um livro, que está nas livrarias americanas, chamado “Venona Code” – e lá explica toda a história de como havia essas pessoas em Hollywood. Pra frente, Brasil...
O nosso amigo Marcuse escreveu um livro em 1955, chamado “Eros e Civilização.” Gente, essa tradução aqui é de 1999; eu comprei esse livro em 2005 e estava na 8ª edição. Tem alguém lendo esse homem! E pra ler tanto assim, só pode ser universitário. Gente, isso era a cartilha. E, atrás desse livro, que foi escrito em 1955, está a revolução hippie, do final da década de 60 e de 70. Esta é a bíblia da revolução hippie. O que é que Marcuse diz? Ele diz que nós somos reprimidos e a sociedade capitalista que gera a “guerra” e que gera a repressão sexual? Por isso, qual é o lema? “Faça amor, não faça guerra.” Essas palavras estão neste livro. “Paz e amor, bicho.” Entendeu?
E aí veio Woodstock e Cia., né? Os jovens contra a Guerra do Vietnã e etc... Agora vocês imaginem: de um lado o Vietnã do Sul com os EUA; de outro, o Vietnã do Norte com os comunistas. Os jovens dos EUA começam a dizer: Tragam os soldados para casa! Fazendo passeatas... Quem estava contente com isso? Os capitalistas ou os comunistas? Acho que os comunistas, né?
E eu sei que vocês sempre ouviram falar que o movimento hippie era o sinal da decadência da sociedade capitalista... quando foi na verdade implantado, introjetado dentro da sociedade ocidental, por gente que quer destruir a moral judaico-cristã. Através de Hollywood, nós vamos então bebendo essas coisas...
No Brasil, aconteceu o golpe militar de 1964. Gente, para vocês terem idéia do país conservador que nós éramos em 64, eu coloquei aqui as fotos das marchas da família com Deus pela liberdade. Taí. Em São Paulo, as famílias, os padres, os catequistas, saindo nas ruas com os terços nas mãos contra os comunistas e apoiando o golpe militar. Gente, a manifestação popular de apoio ao golpe dos militares foi infinitamente maior do que o protesto! As mulheres saindo com os terços nas ruas contra os comunistas... O comunismo vai tirar os nossos filhos, etc e tal..
Veja, vai ser outro capítulo quando nós falarmos do golpe militar, mas eu só quero explicar para vocês esse detalhe: a nossa sociedade brasileira era conservadora. Como é que nós ficamos do jeito que estamos hoje? Nós vamos ver... as famosas novelas da Rede Globo. Todo mundo sabe que o Sr. Roberto Marinho era capitalista, anti-comunista, completamente anti-comunista. Mas, quando os militares foram mexer com os comunistas jornalistas que trabalhavam na Rede Globo, o que o Sr. Marinho disse? “Deixem os meus comunistas em paz.” Por quê? Porque ele era um homem capitalista, mas ele era um democrata. Ele era contra a repressão; ele protegeu. O Sr. Boni, quando adolescente, trabalhou numa rádio do RJ com um rapaz chamado Dias Gomes. Dias Gomes era comunista de carteirinha. Não precisa acreditar em mim; leia a auto-biografia de Dias Gomes. É ele dizendo, com suas próprias palavras. Essa é a capa da auto-biografia dele, publicada pela Bertrand do Brasil. Chama-se “Apenas um subversivo”. É o título da biografia dele. Pelo título você já tem tudo, né?
E o Sr. Dias Gomes era casado com uma outra Sra. chamada Janete Clair. Durante toda a década de 70, os dois fizeram dobradinha – entrava um, saía o outro – nas novelas da Rede Globo, e fizeram o grande império de novelas da Rede Globo. Comunistas...
Eu conheço um militar aqui de Cuiabá, Coronel Rogério, que é esposo de Dona Sara. Eles moravam no RJ na época do golpe militar. O Coronel Rogério chefiou o grupo de soldados que entrou na casa de Dias Gomes e Janete Clair, buscando o quê? Ele mesmo diz: armas e livros subversivos – ou seja, livros que ensinavam guerrilha, etc e tal. Só que eles não sabiam que esse tipo de comunista aqui estava preocupado com outra coisa, que era acabar com nossa moral “burguesa”. Leiam a biografia de Dias Gomes... vocês vão se divertir.

Só vou dar uma pequena noção: primeira novela que ele fez, ele mesmo diz que atacou o tema do divórcio, que no Brasil, naquela época, ainda era tabu. Segunda novela que ele fez, celibato clerical. Em 1975, ele tentou levar ao ar uma famosa novela, chamada Roque Santeiro. Atenção! Essa novela não foi ao ar; só foi em 1985. Por quê? Porque em 75 o telefone dele estava grampeado e os militares descobriram o que ele queria com a novela. Por quê? Porque ele diz no telefone o que ele pretendia com a novela e a pessoa com quem ele estava falando disse: “Ah, ótimo, cara! Os militares são burros, eles nunca vão descobrir isso.” Está na biografia dele.
Só para dar um gostinho, vamos lembrar da novela Roque Santeiro e me digam se isso não é uma destruição do cristianismo – sutil, porém, real.
Está lá Pe. Albano conversando com Pe. Hipólito. Quem era Pe. Albano? Um Pe. da teologia da libertação. Quem era Pe. Hipólito? Um padre conservador de batina. É evidente que Pe. Albano se apaixona por uma mulher e finalmente deixa o sacerdócio. Porém, interessante o tema com relação ao Pe. Hipólito. O Roque Santeiro, o mártir daquela cidade, morreu, e o Pe. Hipólito, o conservador, vendia santinhos do Roque Santeiro e tinha comércio com a história de Roque Santeiro... Então, vejam só. Acontece que Roque Santeiro não tinha morrido, e o morto vivo resolve aparecer no meio da novela. Pe. Hipólito, etc e tal, o pessoal tenta encobrir. Pe. Albano quer denunciar.
Vejam a idéia: o cristianismo “cria mitos falsos”. É necessário denunciar esses mitos, “porque eles estão se aproveitando do povo”.
Foi o maior sucesso de audiência da década de 80. Década de 80, já estávamos em clima de abertura. 1985 foi o ano em que o Tancredo deveria ter tomado posse. Então as coisas já estavam abrindo e já era possível trazer ao ar Roque Santeiro.
No Brasil, as universidades... O que houve com as universidades brasileiras?
Um senhor gaúcho chamado General Golbery do Couto e Silva, é o responsável por metade das desgraças que acontecem na universidade brasileira atual. Por quê? Porque ele era um general “aberto”. Então ele tinha sua famosa teoria da panela de pressão, e ele disse: “Toda panela de pressão deve ter uma válvula.” Qual era a válvula que ele ia dar para os comunistas? As universidades. Ou seja, os militares deixaram os comunistas em paz nas universidades. Vocês se lembram claramente que universidade não se invadia. Os estudantes se refugiavam nos campos. Eles deram as universidades para os comunistas.
Quando um professor marxista estava em sala de aula, ele sabia muito bem que na sua sala de aula tinha pelo menos um agente secreto ouvindo as aulas dele. Se ele falasse de reforma agrária, de luta armada, ele ia preso. Mas, se ele falasse de aborto, de divórcio, de amor livre – nada disso era considerado como comunismo, é ou não é verdade? Quem acha que isso é comunismo? “Não tem nada a ver com marxismo...” Então, deixaram acontecer.

Hoje, meus senhores, as nossas universidades estão completamente desmontadas em termos de cultura cristã. É máquina anti-cristã – disfarçada, é claro. Eles nunca vão denunciar a moral cristã; eles denunciam a “moral burguesa”. Eles nunca denunciam o cristianismo, eles denunciam o “pensamento retrógrado”. Eles denunciam quem é “conservador”, quem “não é aberto”, quem não está “aberto para os tempos modernos e atuais.”
Nós vamos ter oportunidade de ver temas interessantes que são tratados, eu estou só aqui contando uma história. Repito, você não precisa acreditar nessa história. Vá atrás.
Aconteceu então a revolução estudantil no mundo inteiro. Final da década de 70 – aqui no Brasil também houve, foi abafada pelos militares – mas, final da década de 70, revolução estudantil no mundo inteiro. Quem estava em Paris quando a revolução estudantil aconteceu? Marcuse. E também outros: Foucault, Castoriadis e companhia limitada, insuflando os estudantes. Nos Estados Unidos, estavam tentando abafar a coisa. Naquela época em que Marcuse estava defendendo a revolução estudantil na universidade de San Diego, Califórnia, foi eleito um governador chamado Ronald Reagan, que lutou contra Marcuse frontalmente. Ronald Reagan é, juntamente com o Papa João Paulo II, um dos homens responsáveis pela queda do comunismo.
Muito bem. Deixemos os detalhes de lado, só para você saber como as coisas foram acontecendo historicamente.
Aqui no Brasil, a famosa UNE – União Nacional dos Estudantes – fez o Congresso da UNE em 68. Enquanto o mundo interno pegava fogo, eles fizeram um congresso em Ibiúna, cidadezinha de SP, que ficou famosa por esse congresso. Quem era a liderança da UNE dessa época? Os nossos políticos de esquerda, de direita, de cima e de baixo, porque o Brasil é um país que atualmente só tem partidos de esquerda. Tem a direita da esquerda, o centro da esquerda e a esquerda da esquerda. O PT chama o PSDB de direita, mas o PSDB não é de direita: é a direita da esquerda. Entendem? Ele está à direita do PT, mas não quer dizer que ele seja de direita. É aí que está o problema. O Serra, o José Dirceu, o Aldo Rebelo, que é do PC do B atualmente – taí, três partidos, um PC do B, outro PT, outro PSDB, todos eles eram estudantes marxistas naquela época e militaram na UNE.
O nosso amigo José Serra viajou para o Chile para apoiar o governo Allende, que é um governo comunista. O nosso amigo José Dirceu foi preso – eles raptaram o embaixador americano, soltaram o homem –, e ele foi extraditado, foi morar em Cuba, aprendeu um pouquinho de guerrilha, fez cirurgia plástica e voltou para o Brasil incógnito, casou-se com a mulher dele e ela não sabia quem ele era! Etcétera e tal...
É só para dizer que essa revolução estudantil e as universidades brasileiras estão cheias dessa realidade do marxismo cultural.
Eu vou parar por aqui na nossa história, porque nós precisamos compreender – eu sei que foi uma avalanche de informações que eu joguei em cima de vocês.
Agora nós precisaríamos começar um outro capítulo para você entender tudo, chamado teologia da libertação. Mas já está dando para você perceber como uma coisa se casa com a outra. Eu preciso amarrar as pontas para que você não saia daqui chocado, catatônico.
Vejam, gente. Essas coisas que eu estou dizendo, não estou dizendo para gerar um alarmismo, para que você comece a ver comunismo em tudo, entende? Por quê? Porque essas coisas tinham esses grandes professores da época, que levaram a coisa para frente. Hoje o monstro criou vida própria. Não precisa ninguém empurrar, não. Já se tornou o ar que nós respiramos. Por exemplo, essa história do politicamente correto. É pensamento marxista. O politicamente correto foi criado nas universidades americanas por esses pensadores marxistas, para quê? Justamente para mostrar que as convicções morais cristãs são viciadas. Então é necessário tornar todo mundo igual. Eu não vou hoje falar do politicamente correto, porque levaria muito longe. Só estou dizendo a origem. Talvez vocês não vejam muito sentido, no que o politicamente correto tem a ver com marxismo. Nós podemos fazer uma palestra sobre isso.
Coisas assim que estão acontecendo nas igrejas do Brasil hoje. Por exemplo, sete de setembro, o que nós temos nas igrejas do Brasil hoje? “O grito dos excluídos”. Quem inventou essa história de excluído? Foi um filósofo chamado Pierre Bordieu, que inventou essa categoria “excluído” com uma finalidade muito específica, que é alimentar a luta de classes. Etcétera, etcétera.
Se nós fôssemos colocar uma nota de rodapé em todas as coisas que estão na nossa sociedade, e com que finalidade elas foram colocadas, levaria muito tempo, e nós vamos ter a possibilidade de fazer isso também, porque, nessas nossas palestras, além de dar palestras de espiritualidade, doutrina da Igreja, eu vou também abordar esses temas polêmicos e atuais. Tudo isso junto.
Porém, é importante que você não se desespere. Por quê? Para que você saiba, nós estamos vivendo nisso, gente, faz tempo, só que agora você está sabendo. Então, calma. Calma, porque amanhã o sol vai nascer como nasceu hoje, e o mundo vai continuar o mesmo. Só que você vai estar começando a compreender que existe alguma coisa querendo destruir a moral cristã, a vida cristã. E é aí que você vai compreender por que é que a Igreja está dividida. Por que é, por exemplo, que tanta gente odeia tanto o Papa Bento XVI? Já se perguntaram isso? Por que ele é tão odiado? Porque ele foi absolutamente contra esse pensamento. Lembrem-se que o cardeal Joseph Ratzinger foi aquele que deu a cara a tapa para condenar a teologia da libertação, um pensamento marxista dentro da Igreja. É por isso que ele é odiado e é odiado mundialmente, porque o que eu descrevi aqui para vocês é mundial, não é só no Brasil. É mundial.
Por que eles odeiam o Papa? Tanta gente não entende isso. Até os próprios jornalistas. Eu me lembro de um padre amigo meu, Pe. Sérgio Costa Couto... Ele estava prestando serviços à Rede Globo, à Globo News, quando foi anunciada a eleição do Papa Bento XVI. E, no intervalo, a jornalista estava atônita, e perguntou para o padre: “Padre, se este cardeal que foi eleito Papa é tão conservador, por que é que eles estão festejando?” Na Praça de São Pedro, para mim ficou nítida aquela imagem dos jovens se abraçando e fazendo festa, porque Ratzinger tinha sido eleito Papa. Por quê? Porque existe na Igreja Católica do mundo inteiro, graças a Deus, um movimento de tomada de consciência de que nós precisamos lutar para resgatar os nossos valores, resgatar a nossa identidade, e que nós não podemos deixar que nos arrastem para onde nós não queremos ir. Nós precisamos permanecer fiéis ao Evangelho, e é essa a marca de Bento XVI. No primeiro discurso que ele fez, ele disse: “Não preciso dizer que não tenho programa de pontificado. O meu programa é fazer a vontade de Deus e ser fiel ao Evangelho.” Ser fiel ao Evangelho. É isso que eles não querem ouvir, é isso que eles não querem saber. É por isso que, por exemplo, a Canção Nova, a Renovação Carismática e o Movimento Sacerdotal Mariano, e, sei lá, a Legião de Maria – esses movimentos precisam saber por que é que eles são odiados, por que são chamados de “burgueses”. Por que a Canção Nova é odiada? A Canção Nova está fazendo de tudo para agradar. Está aí fazendo Coração Solidário, se preocupando com o social, e continua sendo chamada de burguesa. Por quê? Porque “burguês” aqui não é o problema de você ter ou não ter dinheiro. Burguês aqui significa que, se você continuar pregando contra o aborto, contra sexo fora do casamento, contra masturbação, contra casamento gay – se você continuar pregando contra isso, você vai ser chamado de burguês, porque isso eles chamam de moral burguesa, enquanto, para nós, é puro cristianismo. Enquanto você for cristão, você vai continuar sendo chamado de burguês.
Eu estou fazendo essa palestra aqui porque nós precisamos entender por que nós somos odiados, e por que eles batem em nós. Nós apanhamos sem saber por quê.
Agora, eu vou dizer uma coisa para vocês. Eu cresci no meio desse pensamento aqui. Eu não seria capaz de dar essa palestra quatro anos atrás. Não seria capaz. Acontece que quatro anos atrás eu li um artigo na internet e, por providência divina, eu tive a curiosidade: “Mas que fiozinho é esse?” Aí eu puxei o fio e veio uma corda. Puxei a corda, veio um elefante. Coisas tão óbvias, que eu sofri a vida inteira, agora fazem sentido. A vida inteira eu fui perseguido e não sabia por quê. Apanhava sem saber por quê. Vejam só, gente. A minha vida inteira, eu me dediquei a ler outros autores. Acontece que, de quatro anos para cá, a minha biblioteca marxista aumentou descomunalmente. Eu tenho lido um autor marxista atrás do outro e me dediquei a estudar esses autores marxistas, a comprar os “Cadenos do Cárcere”, de Antonio Gramsci, a comprar os livros de Marcuse, de Adorno, de Horkheimer, de Habermas, etc e tal, e ler esse povo o máximo que eu pudesse para compreender isso tudo. Agora, eu quero partilhar um pouco desses quatro anos de castigo – sentado, estudando – com vocês.
O serviço que eu quero prestar é colocar notas de rodapé, ou seja, dizer: “Olha, tal idéia é assim porque veio de tal lugar.” Você não é obrigado a concordar comigo. Se eu condenar uma idéia, você não precisa condenar junto comigo, mas você já vai saber a origem, e vai saber por que essas pessoas estão dizendo o que estão dizendo, o que elas pretendem fazer com isso. Vejam, eles começaram a destruir a moral cristã para quê? Para implantar a revolução socialista. Eu não sei se eles vão conseguir implantar a revolução socialista. Sinceramente, eu acho que não. Mas estão conseguindo destruir o cristianismo.
Então, o meu medo aqui não é que os comunistas venham com bandeiras vermelhas e me levem para o campo de concentração. Eu não estou com medo do comunismo; estou somente denunciando uma cultura e um pensamento que está sistematicamente destruindo as coisas que nós mais amamos. Agora, veja bem. É necessário reagir. Se um invasor, um intruso, entra na minha casa, estupra minha mulher e mata os meus filhos, eu preciso reagir, e se me chamarem de reacionário, podem chamar de reacionário, porque eu vou defender o que eu amo. Eu tenho o direito de ser cristão nesse país. Não estou obrigando ninguém a ser cristão, mas tenho o direito de ser cristão, e tenho o direito de avisar aos meus irmãos cristãos de que estão sugando a nossa alma, estão tirando as nossas forças, estão invadindo os nossos corações e tirando as nossas convicções mais verdadeiras, dignas e sinceras. Então nós precisamos estar atentos para isso. É somente esse serviço que eu gostaria de prestar.
Sei que, ao fazer isso, eu estou correndo um risco enorme: o risco justamente do patrulhamento ideológico. Então eu já digo isso na primeira palestra, porque, se acontecer lá na frente, saibam, não é profecia, é o método deles. O que é o patrulhamento ideológico? Quando alguém se põe a denunciar a trapaça, eles usam um método que foi inventado por Lênin: patrulhamento ideológico é o seguinte: você denunciou? Eles caem em cima de você com acusações. “Você é um agente da CIA, você é burguês, você é um padre infiel, você é um louco, você não sei o quê.” Inventam tudo o possível, o que puderem achar de acusação contra a pessoa. Eles fritam a pessoa. Fritando a pessoa, eles não pensam que vão mudar o meu pensamento. Não! Não é isso que eles querem. Eles sabem que eu sou cabeçudo e não vou mudar. O que eles querem é intimidar as pessoas, para que elas não concordem comigo. Quando elas virem que o Pe. Paulo ficou frito e fuzilado, vão dizer: “Opa, eu preciso pensar duas vezes antes de pregar e dizer isso que o Pe. Paulo está dizendo. Eu não sou bobo, vou ficar na minha.” E assim a pessoa fica intimidada. Chama-se patrulhamento ideológico. A pessoa vítima de patrulhamento ideológico é escarnecida, inventam calúnias, inventam coisas, dizem e acontecem.
Eu irei continuar o meu serviço. Continuarei fazendo. O cardeal Ratzinger foi vítima de patrulhamento ideológico. É por isso que ele é tão odiado e tão mal falado. Depois você ouve o homem, vê o homem, e diz: “Meu Deus, eu não acredito que é este o ‘nazista’ que estavam falando.” Dizem que o cara é um ditador, nazista, um tanque de guerra. Depois você vê o Bento XVI celebrando missa, ele está quase pedindo desculpa: “Ó, desculpa que eu estou aqui, tá?” É ou não é verdade? É a atitude dele. “Desculpa que o Papa sou eu, tá? Era pra ser outro, mas, desculpa, sou eu.”
Quer dizer, é uma pessoa humilde, serena, tranquila. Ele tem uma culpa, sabe qual é? Ele tem fé. Prega a fé, denuncia os erros contra a fé e por isso foi vítima de patrulhamento ideológico. Quando as pessoas entram em contato com ele, dizem: “Puxa vida, eu achava que ele era um monstro”. Mas gente, quando a gente pega as homilias desse homem, a gente quase não acredita no que está lendo. Que maravilha, que coisa fantástica a pregação dele. Aquele homem assim, humilde, tranquilo, dizendo pérolas e coisas extraordinárias. Esse é o nosso grande Papa, vítima de patrulhamento ideológico e por isso muito odiado.

Então eu já aviso vocês, para que ninguém se ponha agora a repetir as coisas que o Pe. Paulo está dizendo aqui e seja vítima disso. Por exemplo, eu não aconselho a que seminaristas que estão em outros seminários por aí no Brasil afora comecem a dizer essas coisas em sala de aula, porque serão fuzilados e não serão ordenados padres. Vão ser fuzilados. Meu irmãozinho, se você quer um conselho, prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. A mesma coisa com relação aos universitários. É necessário que a gente tenha primeiro um período de conscientização. A gente vai se formando antes de dar a cara a tapa e começar a debater em público. Você precisa primeiro se formar e formar sua mentalidade cristã.
Novamente, ninguém é obrigado a estar de acordo comigo. Eu, quando disser as coisas, direi as fontes – você pode pesquisar, você pode estudar. É esse serviço da verdade que eu gostaria de prestar a vocês. Obrigado pela paciência, Deus abençoe, tudo de bom. Até domingo que vem.

Notas da Confraria:

1) Continuamos contrários aos protestantismos heréticos e abusos litúrgicos da "Canção Nova" e da "renovação carismática católica" (a canção é nova mas a heresia é antiga: Canção Nova e você, rumo ao pentecostalismo!). A Canção Nova apenas editou um ótimo livro do Pe. Ricardo - um dia, ele descobrirá o que está por trás da RCC e evitará apoiar esse pessoal.

2) Agradecimentos a Marcela Andrade, que pacientemente transcreveu esta palestra e a disponibilizou aos interessados.

3)Na lista negra da História: Olavo de Carvalho,Diário do Comércio, 26 de novembro 2007.

Na mídia nacional inteira, assim como no meio universitário e, de modo geral, entre as camadas ditas cultas neste país, reina a certeza inabalável de que o senador americano Joseph McCarthy foi uma das piores criaturas já nascidas neste planeta, um mentiroso compulsivo, um caluniador desavergonhado e um perseguidor de inocentes. Crença idêntica vigora nos EUA, mas só entre pessoas que aprenderam História com filmes de Hollywood. Entre as demais sempre restou pelo menos a vaga suspeita de que as coisas não eram bem assim, de que havia realmente uma perigosa infiltração de agentes soviéticos no governo americano, de que talvez muitos deles fossem mesmo aqueles que constavam das execradas listas de “security risks” alardeadas pelo senador.

Durante cinqüenta anos a aposta numa dessas duas hipóteses foi uma questão de preferência política. Agora não é mais. A publicação dos códigos Venona finalmente decifrados pelo FBI (comunicações secretas entre o Kremlin e a embaixada soviética em Washington) e a abertura temporária dos arquivos do Comitê Central do PCUS eliminaram definitivamente a dúvida. Os primeiros historiadores que tiveram acesso a esse material ficaram atônitos. Alguns deles só deram o braço a torcer após longa hesitação e com indisfarçada má-vontade. Hoje sabemos quem mentiu e quem disse a verdade. E quem mentiu não foi Joseph McCarthy. Foi o establishment político, midiático e universitário praticamente inteiro, empenhado em proteger seus comunistas de estimação.

Logo após a publicação de “Venona. Decoding Soviet Espionage in America” por John Earl Haynes e Harvey Klehr em 1999 (Yale University Press), um primeiro esboço das conclusões incontornáveis (que até Haynes e Klehr hesitavam em tirar) apareceu na biografia do senador por Arthur Herman (“Joseph McCarthy. Examining the Life and Legacy of America's Most Hated Senator”, New York, Free Press, 2000). A reação dos bem-pensantes foi apegar-se aos subterfúgios mais frágeis e rebuscados para poder continuar negando o óbvio. Um sumário dessas reações quase psicóticas foi apresentado por Haynes e Klehr em “In Denial. Historians, Communism and Espionage” (San Francisco, Encounter Books, 2003). Agora, com a estréia do livro ansiosamente aguardado de M. Stanton Evans, “Blacklisted by History. The Untold Story of Senator Joseph McCarthy and His Fight Against America's Enemies” ( New York , Crown-Random, 2007), a fase substantiva do debate pode se considerar encerrada. Doravante, qualquer insistência na lenda macabra que fazia de McCarthy “um troglodita no esgoto” deve ser condenada como sintoma de desonestidade visceral ou estupidez obstinada. Os fatos revelados por Evans, com esmagadora abundância de provas, são os seguintes:

1. Os documentos principais que atestavam a infiltração comunista no governo americano simplesmente desapareceram dos arquivos oficiais. São milhares de páginas arrancadas, numa operação criminosa destinada a forjar as aparências de credibilidade que serviram de base à demonização do senador Joe McCarthy. Por ironia, os dados faltantes acabaram sendo supridos, em grande parte, pela documentação soviética.

2. Não só havia agentes soviéticos infiltrados nos altos postos do governo de Washington desde os anos 30, mas eles eram em número muito maior do que o próprio McCarthy suspeitava. A influência que exerceram foi tão vasta e profunda que chegou a determinar os rumos da política exterior americana, mediante bem urdidas operações de desinformação, em episódios tão fundamentais como a Revolução Chinesa e a tomada do poder pelos comunistas na Iugoslávia. Nos dois casos, uma enxurrada multilateral de informações falsas induziu o governo americano a trair seus aliados e a ajudar seus inimigos, semeando as tempestades que viriam a desabar sobre ele próprio no período da Guerra Fria.

3. Entre os suspeitos apontados por McCarthy, invariavelmente apresentados pela mídia e consagrados pela ficção histórica como vítimas de perseguição injusta, não apenas não havia inocentes, mas nenhum deles era sequer um puro militante ideológico: não se tratava de meros “comunistas”, mas de agentes pagos da KGB e do serviço secreto militar soviético, o GRU.

Bem sei que a revelação desses fatos não mudará em nada a atitude ou o vocabulário das Elianes Catanhedes, Emires Sáderes, Mauros Santayanas e Folhas de S. Paulo da vida. Mesmo que algum editor brasileiro tenha a coragem de publicar os livros acima mencionados, coisa improvável, nada pode obrigar os tagarelas iluminados a lê-los e a confrontá-los com suas crenças mais queridinhas. E é preciso levar sempre em conta aquilo que dizia Goethe: “Muitas pessoas não abdicam do erro porque devem a ele a sua subsistência.” Ao confiar seu destino às virtudes salvadoras da elite esquerdista, o Brasil disse um adeus definitivo ao desejo de conhecer. Se não queremos saber nem de onde surgiu a balela da participação americana no golpe de 1964 (v. http://www.olavodecarvalho.org/semana/sugestao.htm ), por que haveremos de corrigir nossa visão fantasiosa da própria história americana? Diante dos fatos medonhos que atestam a mendacidade ilimitada daqueles que escolhemos como nossos professores de moral, reagimos com o horror do poeta espanhol ante a “sangre derramada” de seu amigo toureiro: “No, yo no quiero verla.” Progredimos da burrice endêmica à ignorância irreversível. A sombra que lançamos sobre o passado já começou a encobrir o nosso futuro. Logo será tarde demais para tentar removê-la.
Fonte: http://www.olavodecarvalho.org/semana/071119cdc.html .

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