sábado, 23 de outubro de 2010

O Egoísmo vencido, ou a Vida de São Pedro Nolasco.


O EGOÍSMO VENCIDO, Por S. Antônio Maria CLARET

Notas introdutórias

Santo Antônio Maria Claret foi nomeado confessor da rainha Isabel II no dia 5 de junho de 1857 e permaneceu neste cargo, que tantos dissabores e amarguras lhe produziu, até o dia 30 de março de 1869, data em que saiu de Paria, onde vivia desterrado por causa da revolução de setembro, ruma a Roma. Na cidade eterna se hospedou no convento de Santo Adriano, dos Mercedários, no foro romano. Aqui residia o Pe. José Reig, que tinha pertencido à Congregação de Missionários por causa da supressão das ordens religiosas na Espanha. Neste convento, onde residiu até o fim do Concílio Vaticano I, em julho de 1870, além de edificar a todos com seu exemplo, fazia práticas à comunidade e conferências a um pequeno grupo de freqüentadores do convento. Para isto teve que usar várias biografias do fundador dos Mercedários e as crônicas da Ordem. E foi então, nos diz o Pe. Guilherme Vázquez, que o santo escreveu “sua famosa obra O Egoísmo Vencido, ou, vida de São Pedro Nolasco, publicada em italiano, que é uma das mais fervorosas histórias que foram escritas da Ordem das Mercês”.

O Padre Claret escreveu este livro entre abril e maio de 1869, porque no dia 26 de maio, em uma carta dirigida a D. Dionísio González, lhe dizia: “Nesta data estou ocupado no santo ministério de pregar, confessar, visitar enfermos nos hospitais, colégios de jovens, etc. Escrevi dois livrinhos: um tríduo de Maria Santíssima em desagravo dos sacrilégios, etc. Foi um pedido dos de Barcelona. Já está impresso a estas horas. Vi as provas. Outro de São Pedro Nolasco. Este terminei hoje. Será impresso em italiano e depois em castelhano”.

O opúsculo, escrito a pedido do Pe. Reig, provavelmente para propagar a Ordem na Itália, consta de dez capítulos: os seis primeiros narram, em grandes traços, a vida de São Pedro Nolasco, seguindo em “versão vulgar” a fundação e os trabalhos da Ordem das Mercês e os quatro últimos falam da especial providência de Deus sobre a Igreja militante e sobre as almas boas, do zelo apostólico e dos meios para exercitá-lo.

A doutrina, simples e sólida, revela tanto a maturidade do Santo como o ardor do seu zelo apostólico e sua visão da Igreja e do mundo na última etapa da sua vida. É, ainda, muito interessante a colocação da Congregação de Missionários, por ele fundada em 1849, dentro desta visão histórica que nos oferece.

O exemplar de “L’Egoismo vinto” (título em italiano) que se encontra na biblioteca do Padre Claret, em Roma, tem algumas correções feitas pelas mãos do mesmo Santo. Estas correções foram levadas em consideração na versão espanhola, da qual nos servimos para a tradução à língua portuguesa.

Publicamos integralmente, menos as últimas páginas, nas quais enumera algumas indulgências. A tradução castelhana da obra L’Egoismo vinto, ossia breve narrazione della vita di S. Pietro Nolasco, scritta dal celebre S. D. A. M. Claret, arcivescovo di Traianopoli, versione dallo spagnuolo di Monsig. Ferd. Mansi (Tipografia della S. C. de Propaganda Fide, Roma 1869) 79 páginas. O original castelhano não se chegou a publicar e foi queimado em 1909, durante a semana trágica de Barcelona. Anos mais tarde se publicou uma edição reduzida, também em italiano, na qual se omitiram os quatro últimos capítulos. Esta edição foi feita como recordação do VII centenário da Ordem de Nossa Senhora das Mercês: L’egoismo vinto, ossia breve riassunto della vita di S. Pietro Nolasco e dell’istoria dell’Ordine della Mercede, scritta dal venerabile P. Antonio María Claret, arcivescovo di Traianopoli (Stab. Tipografico Riccardo Garroni, Roma 1918) 58 páginas. Os quatro capítulos que se omitiram na edição anterior foram publicados pelo Pe. João Postíus no Boletim do Secretariado Claretiano, janeiro-março 1940, n. 67-69 pp. 5-7, e abril-junho 1940, n. 70-72 pp. 33-38.

A edição deste opúsculo e as notas foram preparadas por Jesús Bermejo, CMF.

Prólogo

Amado Leitor:

Nós nos encontramos, infelizmente, num século de egoísmo e de indiferença; de egoísmo com respeito ao próximo e de indiferentismo com respeito a Deus. Por isso pensei que, para preservar-te destes males, não poderia apresentar-te matéria mais oportuna que a vida de São Pedro Nolasco.

O egoísta procura para si, com todas suas forças, a independência de toda autoridade divina e humana; promove a insubordinação, a rebelião e a liberdade, como ele a chama, mas não é outra coisa senão a liberdade para fazer o que lhe ditam seus caprichos, fazendo seu escravo o seu próximo, seus irmãos; é sumamente ambicioso e, se pode, usurpa e se apodera dos bens dos demais, a fim de ter assim à sua disposição maiores meios para fomentar sua soberba e sua sensualidade, sendo a sensualidade e a soberba os dois constitutivos do egoísmo, ou, melhor dizendo, do amor próprio, inimigo declarado de Deus e do próximo.

O glorioso São Pedro Nolasco, ardendo em caridade e em amor para com Deus e para com o próximo, se despojou de todos seus bens para socorrer aos seus semelhantes e, quando se acabaram os bens econômicos, entregou-se como escravo, com todas as penas e trabalhos, a fim de poder conseguir a liberdade para aqueles que se encontravam em dura e penosa escravidão.

Será, ainda, proveitoso, para combater a indiferença com respeito a Deus, contemplar o grande amor que São Pedro Nolasco tinha para com Deus e para com Maria Santíssima, o fervor e o zelo em que ardia, servindo os escravos, e os sacrifícios a que se submetia para que os escravos cristãos não apostatassem da fé e da religião de Cristo, que é a única verdadeira e a única em que há salvação, sendo como a arca de Noé no tempo do dilúvio, em que os verdadeiros filhos de Deus salvaram suas vidas (1), e os que não mereceram ser admitidos nela ficaram à mercê das águas. De forma parecida, quando alguém é surpreendido pelo dilúvio da morte, quem se encontrar dentro da verdadeira religião morrerá no Senhor e se salvará, enquanto que quem se encontrar fora dela ficará irremediavelmente condenado: “Quem crer e for batizado se salvará, mas que não crer será condenado”, como diz o Evangelho (2).

Além de apresentar-te, amigo leitor, este modelo de amor de Deus e do próximo, ofereço alguns meios poderosíssimos para que possas imitar o zelo de Nolasco, embora não resgatando os corpos e as almas dos escravos, como fazia o santo, pelo menos possa livrar da escravidão do pecado as almas, que valem muito.


BREVE HISTÓRIA DA VIDA
DE SÃO PEDRO NOLASCO (3)


CAPÍTULO I

Do nascimento até sua saída da França (4)

Deus é maravilhoso em seus santos (5) e em todas as suas obras, porque tudo dispõe suavemente em medida, quantidade e peso (6); e, como tudo faz para suja maior glória e honra e para nosso bem, permite às vezes que faltem os meios comuns e ordinários para que brilhem com maior clareza os meios extraordinários e divinos. Assim aconteceu com a vinda a este mundo do nosso São Pedro Nolasco, a quem a divina Providência havia adornado com bênçãos de doçura (7) para poder confiar-lhe a fundação da Ordem de Nossa Senhora das Mercês; e para que fosse vista a semelhança entre o nascimento da Santíssima Virgem Maria e do seu devoto Nolasco, a disposição de Deus para que aos pais deste acontecesse o que aconteceu com os pais de Maria. A idade destes era muito avançada e havia passado muito tempo sem que tivessem filhos (8); semelhante foi a dor dos pais de Pedro, chamados Guilherme Nolasco e Teodora (9); apesar disto, cheios de confiança, se encomendaram a Deus por meio da oração e das obras de caridade, acolhendo em sua casa quantos passassem por aquelas terras, em peregrinação para Santiago de Compostela (10), de modo que se pode dizer que assim como as orações e as obras de misericórdia precederam o nascimento de Maria Santíssima, assim também as orações e as obras de caridade praticadas pelos pais de Pedro lhes obtiveram de Deus um filho tão santo e tão inclinado à misericórdia.

Nasceu este menino no dia primeiro de agosto de 1182, dia em que a Igreja celebra a festividade das cadeias de São Pedro, príncipe dos Apóstolos e por isto foi-lhe dado o nome de Pedro no batismo (11), e isto não foi pura casualidade ou puro capricho de seus pais ou de seus padrinhos, mas por disposição admirável da divina Providência, que quis que se chamasse Pedro aquele que deveria ser como a pedra sobre a qual a Mãe de Deus queria edificar sua sagrada Ordem das Mercês, isto é, da misericórdia (12).

À medida que o pequeno Pedro crescia em idade, crescia também em graça e sabedoria diante de Deus e diante dos homens (13); e se fez insigne na misericórdia, já desde pequeno, a tal ponto que podia dizer com o santo Jó: Desde a infância crescia comigo a misericórdia (14) para com os pobres e aflitos, especialmente para com os que se envergonhavam de pedir e para com os enfermos (15).

Nosso Pedro viu a primeira luz e viveu em um lugar chamado Recaudo, na Província de Languedoc (França) entre Toulouse e Carcassone (16). Este lugar era patrimônio de seus antepassados, senhores nobres da antiga família dos Nolasco, parentes da família real da França e de Aragão e dos grandes Príncipes da Europa (17). Quando nasceu o menino Pedro, aquelas terras se encontravam infestadas pela heresia dos albigenses (18) da qual nosso menino tinha grande horror, tanto que em sua infância não se deixou nunca ser levado ao colo ou ser acariciado por algum herege e, se alguém tentasse, ele resistia e os gritos e as lágrimas que derramava manifestavam até que ponto seu coração infantil abominava aqueles erros; e, além disso, desde a idade de cinco anos não quis nunca mais sentar-se à mesa em que estivesse algum herege, mesmo sendo parente seu de perto (19).

Não só abominava a heresia, mas também a ociosidade, mãe e mestra de todos os vícios (20) e ao mesmo tempo gostava de estar sempre ocupado, fazendo altares em sua casa e no templo, para onde ia com freqüência (21), gostava de oferecer-se para ajudar a missa e rezar com grande devoção e fervor suas orações; ao voltar a casa se ocupava com os estudos, para os quais tinha grande disposição e talento.

Foi tão grande a fama que teve nosso Pedro desde jovem, que a senhora Constância, filha de Luís VIII, Rei da França, e mulher do Conde de Toulouse, tio do nosso Santo e cunhado de D. Pedro de Aragão, que foi pai de D. Jaime, chamado o Conquistador (22), pediu com muita insistência que o jovem Pedro Nolasco fosse a Toulouse (23) e para agradar dita senhora o levaram a Toulouse imediatamente; e quantos ali o viram ficaram admirados das suas tantas e belas qualidades (24).

O consolo e a alegria que receberam aqueles senhores ao ver e ouvir as graças do jovem Pedro Nolasco ficaram completamente eclipsadas pelas tenebrosas sombras da morte do mesmo, que viam aproximar-se a grandes passos; foram aplicados todos os remédios que sua doença requeria, mas sem resultado positivo; apesar disto, a boa Teodora, mãe do nosso Pedro, cheia de confiança em Deus e na Virgem Maria, mandou chamar o patriarca São Domingos (25), que naqueles dias se encontrava naquela cidade pregando e defendendo a fé católica, apostólica, romana, contra a heresia dos albigenses, suplicando-lhe que viesse ver seu único filho moribundo; atendendo o pedido, o caritativo patriarca, sem perda de tempo, se dirigiu ao palácio e, logo depois de ter entrado no quarto em que estava o doente, as duas santidades se encontraram, recebendo Pedro a cura instantânea por meio de Domingos. Dirigindo este a Teodora e a quantos se encontravam presentes, disse com espírito profético: “Oxalá minha pregação faça tanto proveito na França como a caridade deste francês haverá de fazer na Espanha, minha pátria” (26).

Restabelecido completamente o santo jovem, experimentou dor e ao mesmo tempo alegria, ao saber que um dos erros daqueles hereges era contra a honra da Mãe de Deus, Maria Santíssima, a quem ele tinha grande afeto e devoção. Numa bandeira colocou uma imagem da Rainha dos Anjos, dizia que ia recrutar gente e formar um exército de soldados para combater contra os inimigos da Virgem Imaculada (27)

No final de fevereiro de 1207, quando o jovem Pedro completava vinte e quatro anos de idade, depois de breve e penosa enfermidade, perdeu seu querido pai (28). Não houve quem não sentisse e não chorasse a morte de um pai tão bom e tão católico; mas quem mais sentiu e chorou foi nosso Pedro, porque previa a luta que lhe preparavam. Com efeito, uma vez, passados os dias de luto, sua mãe, seus familiares e quantos tinham algum interesse começaram a propor a Pedro a conveniência e inclusive a necessidade de abraçar o estado matrimonial (29); mas como ele não tinha nenhuma inclinação a tal estado, recorreu logo à oração, como era seu costume, a fim de conhecer a vontade de Deus (30). Na presença de Deus, meditava na incerteza e brevidade da vida presente, no rigor do juízo que nos espera, na crueldade do fogo eterno com que estamos ameaçados, na caducidade e brevidade dos bens desta terra, nos cuidados e perigos que trazem consigo as riquezas, na inconstância e fragilidade da beleza humana, na vaidade e na nulidade da glória deste mundo comparada com a glória que Deus tem preparada no céu para quem o serve fielmente (31); e considerando, finalmente, a beleza da virtude da castidade, virtude incomparável que nos faz superiores aos anjos, que nos aproxima de Deus, até o ponto de que Jesus e Maria amam e distinguem entre seus devotos aqueles que guardam e lhes consagram sua virgindade, Pedro Nolasco resolveu deixar tudo e dedicar-se completamente ao serviço de Deus e de Maria Santíssima.

Tendo tomado esta decisão, com a devida licença de sua mãe, foi a Carcassone estudar filosofia e direito civil e canônico (32). Devido aos seus talentos e à sua aplicação e virtude progrediu tanto, que foi a admiração de seus mestres e condiscípulos. A Deus e à sua Mãe santíssima Pedro agradou tanto que o estudo e aplicação demonstrada não foram por vaidade nem por outros fins terrenos, como infelizmente fazem alguns jovens, mas unicamente para agradar ao Senhor e servi-lo com maior perfeição e proveito das almas (33).

Não o separavam do estudo suas devoções e a freqüência dos santos sacramentos da penitência e da comunhão, dos quais Pedro se aproximava com muita devoção, não por rotina, mas cada vez com renovado zelo e fervor; e sendo ainda devotíssimo de Maria santíssima, como já indicamos, imitava na castidade e no amor ao discípulo amado, São João, para merecer, como ele, o título de filho da Virgem Maria (34). E como o amor de Deus vai unido ao amor ao próximo (35), nosso Pedro fazia todo o bem que podia a seus semelhantes: visitava-os, socorria-os e os consolava tanto nos hospitais como em suas casas (36).

Pedro tinha já trinta anos completos (37) quando Deus chamou a si sua mãe e ao ver-se totalmente órfão, escolheu por seu pai, Jesus, e por sua mãe, Maria, fazendo os pobres de Jesus Cristo herdeiros dos bens que lhe haviam deixado seus falecidos pais (38). Por ocasião da morte da sua mãe voltou para a casa paterna para ocupar-se de seus próprios interesses; no entanto, caiu enfermo e fez promessa de visitar a prodigiosa imagem de Maria no mosteiro de Montserrat, na Catalunha.

Um dia estava meditando nosso santo jovem na dificuldade que têm os ricos para salvar-se (39) e em como Jesus Cristo escolheu ser pobre (40) e escolheu por companheiros e apóstolos pessoas pobres; e meditava também no jovem que havia observado sempre a lei divina, a quem Jesus disse que, se quisesse ser perfeito, deveria vender seus bens, distribuí-los aos pobres e o segui-lo (41); e como se isto estivesse escrito no Evangelho para Pedro, decidiu colocar imediatamente em prática (42). Todos os seus desejos eram agradar a Deus e servi-lo e, examinando em seu interior em que coisa e em que lugar poderia servir melhor a Deus, um dia lhe pareceu ouvir uma voz que lhe dizia, como a Abraão: “Sai da tua terra e da tua parentela (muitos deles já tinham sido infectados pelos albigenses) e vai; eu te mostrarei o que deves fazer e te farei chefe de muita gente, te abençoarei e farei grande teu nome” (43). Guiado por esta inspiração, partiu imediatamente para Catalunha com o fim de cumprir a promessa que havia feito de visitar a imagem sagrada de Montserrat (44).



CAPÍTULO II

Viagem de Pedro Nolasco a Montserrat e Barcelona

Nosso santo saiu da França (45), dirigindo-se ao santuário e mosteiro de Montserrat. Quando lá chegou fez suas devoções com o maior fervor e, desejoso de ficar aí por toda a vida, em obséquio a Maria Santíssima, pensava em morar em uma das ermidas que existiam então naquela montanha (46); mas, não sabendo se era esta a vontade de Deus, começou a orar com as palavras de São Paulo: Domine, quid me vis facere?: «Senhor, que queres que eu faça?» ( 47). Deus lhe deu a conhecer que era sua vontade que se dirigisse a Barcelona e obedeceu no mesmo momento (48).

Estando em Barcelona, fez um plano de vida, que observava com a maior pontualidade possível (49). Todos os dias tinha leitura espiritual, oração mental e vocal, assistia a santa missa, freqüentava os sacramentos da penitência e da comunhão e se dedicava às obras de misericórdia, socorrendo especialmente os nobres caídos na pobreza, as donzelas e as mulheres que corriam perigo de perder a castidade e a todos, segundo o exigia a necessidade (50).

Vendo os cidadãos de Barcelona um jovem forasteiro (51), nobre e rico, tão devoto e caritativo, em muitos surgiu uma grande curiosidade e alguns jovens se uniram a ele para exercitarem-se com aquelas obras de piedade e misericórdia. Pedro os recebeu com agrado e, em como conseqüência, fundou uma congregação que tinha por objetivo socorrer os pobres, visitar, consolar e ajudar os enfermos e os encarcerados; e como naqueles infelizes tempos a Espanha estava dominada pelos mouros (52), bárbaros cruéis, que prendiam os cristãos e os faziam escravos, o santo Pedro Nolasco e seus companheiros se dedicavam a resgatá-los (53). Por aqueles dias chegou de Bolonha Raimundo de Peñafort e, gozando este de grande fama de santidade e de sabedoria, Pedro o escolheu para ser seu confessor e diretor espiritual; o mesmo fez o Rei D. Jaime e seus familiares, dirigidos por um confessor tão prudente, experimentaram grandes progressos nas virtudes (54).






CAPÍTULO III

São Raimundo de Peñafort
Confessor de São Pedro Nolasco

São Raimundo de Peñafort, oriundo de Barcelona, nasceu em 1175. Desde jovenzinho se dedicou ao estudo das letras e fez grandes progressos que aos 20 anos já era professor (55). Depois de ter ensinado durante algum tempo, vendo-se jovem e cheio de grandes qualidades, a fim de fazer render o talento que Deus lhe havia confiado (56), dirigiu-se a Bolonha para dedicar-se ao estudo do direito civil e canônico e fez tais progressos que foi condecorado com o título de doutor e gratuitamente ensinou ambos os direitos com grandes aplausos e admiração de todos.

Naqueles tempos, D. Berenguer Palou, bispo de Barcelona (57), que havia estado em Roma, regressava à sua diocese e como o patriarca São Domingos se encontrava em Bolonha, pensou em passar por aquela cidade e pedir a Gusmão alguns religiosos da sua Ordem -e o pedido foi atendido no mesmo instante- e entre eles, com grandes súplicas, conseguiu levar consigo também o célebre santo de Pañafort, a quem tinha intenção de dar-lhe uma sede canônica vacante em sua catedral, prevendo a grande aquisição que havia feito com um homem tão santo e tão sábio.

Chegaram todos a Barcelona no começo do ano de 1218 e o bispo outorgou imediatamente a Peñafort a mencionada sede vacante. No ano seguinte chegaram (58) os religiosos dominicanos e no ano de 1222 começaram a edificar (59) o convento, que se chamou de Santa Catarina, convento de religiosos eminentes em todas as virtudes e ciências, como deixou escrito em Roma o Cardeal Rosellus (60), destruído pelos revolucionários em 1835 (61). Aquela amizade que os Padres Dominicanos tinham feito com São Raimundo durante a viagem e em Barcelona não se enfraqueceu nunca, mas, pelo contrário, se fez cada vez mais íntima e mais forte que Peñafort decidiu vestir o hábito da mesma Ordem e emitiu sua profissão solene nela na sexta feira santa do ano de 1222 (62); nesta Ordem perseverou até à morte e o seu corpo era venerado e a ele se dava culto no convento de Santa Catarina (63).

Chegaram todos a Barcelona no começo de 1218 e o bispo outorgou imediatamente a Peñafort a mencionada sede canônica. No ano seguinte chegaram (58) os religiosos dominicanos e no ano de 1222 começaram a edificar (59) o convento, que se chamou com o nome de Santa Catarina, convento de religiosos eminentes em todas as virtudes e ciências, como deixou escrito em Roma o Cardeal Rosellus (60). Este convento foi destruído pelos revolucionários em 1835 (61). Aquela amizade que os Padres Dominicanos tinham feito com São Raimundo durante a viagem e em Barcelona não se enfraqueceu nunca, antes, pelo contrário, se fez cada vez mais íntima e mais sólida, tanto que Peñafort decidiu vestir o hábito da mesma Ordem e emitiu sua profissão solene na sexta feira santa de 1222 (62); nesta Ordem religiosa perseverou até à morte e seu corpo era venerado no convento de Santa Catarina (63).




CAPÍTULO IV

Aparição da Santíssima Virgem
e fundação da Ordem das Mercês (Misericórdia) (64)

No dia 1º de agosto de 1218, dia em que a Igreja celebra a festa dos sagrados vínculos ou cadeias com que foi atado o príncipe dos apóstolos e que se veneram na basílica eudoxiana (65), São Pedro Nolasco se encontrava durante a noite em fervorosíssima oração, meditando, por uma parte, nos perigos aos quais as pessoas se expõem vivendo no meio dos negócios deste mundo e desejando assegurar sua salvação eterna, considerava se não seria melhor ir ao deserto e ali levar uma vida solitária, à qual sempre teve inclinação; contemplando, por outra parte, as penas e os tormentos que sofriam os pobres escravos cristãos e o grande perigo em que se encontravam de apostatar da fé católica, pensamento que continuamente feria seu piedoso e caritativo coração, examinava como poderia remediar tão grande necessidade, e não só no presente, mas também como perpetuar na Igreja este mesmo remédio. Estando ocupado com semelhantes pensamentos, eis que se apresenta a ele, em uma clara visão, a Bem-aventurada Virgem Maria, toda vestida de branco, belíssima, acompanhada de anjos e de outros santos do céu, enchendo de luz o lugar onde Nolasco se encontrava em oração, e depois de garantir-lhe que era a Mãe do divino Redentor do mundo, com doces e ao mesmo tempo severas palavras lhe mandou que não fosse ao deserto, a viver na solidão; e acrescentou que seria sumamente bom a seu divino Filho e a Ela se instituísse e fundasse uma ordem cujos religiosos se ocupassem e se dedicassem principalmente a redimir e resgatar do poder dos mouros e dos infiéis os escravos cristãos (66). Deu-lhe a conhecer, ainda, que era sua vontade que os religiosos desta Ordem vestissem hábito branco, parecido com o que vestia a Rainha dos anjos, em sinal e em honra da sua pureza e que ele fosse o primeiro a vestir este hábito, porque devia ser o pai e o superior de todos os demais, escolhendo-o pastor de toda a família religiosa (67).

Nesta mesma noite, a Santíssima Virgem Maria apareceu ao rei D. Jaime e a D. Raimundo Pañafort, que era também confessor do citado soberano e os preveniu e lhes pediu a fundação desta nova Ordem (68). Ao amanhecer, nosso Pedro Nolasco voou a consultar seu confessor sobre o acontecido e este lhe respondeu que, embora miserável pecador, também a ele havia acontecido o mesmo, enquanto o rei D. Jaime mandou chamar São Raimundo para comunicar-lhe o mesmo aviso recebido da Mãe de Deus (69). Unidos os três falaram o que lhes havia sucedido e sabendo que aquela era a vontade de Deus e de Maria Santíssima, a comunicaram logo ao ilustríssimo senhor D. Berenguer Palou, bispo da diocese, e todos com unânime consentimento resolveram publicar que por ordem do céu se fundava uma nova Ordem religiosa para a redenção dos escravos cristãos e determinaram que a instituição desta Ordem sagrada tivesse lugar no dia 10 de agosto, dia dedicado ao mártir São Lourenço (70). O rei D. Jaime enviou com este objetivo um convite a todos os prelados, aos governantes e a toda nobreza e a quem foi possível convidar, e, diante desta notícia, os corações de todos se encheram de indizível alegria. Tudo se preparou com uma magnificência real.

Chegado o dia desejado, na hora estabelecida, saiu do palácio o rei com toda pompa e majestade, acompanhado dos prelados e da nobreza catalã e aragonesa, levando, a seu lado, o devoto Pedro Nolasco e seus companheiros o seguiam de perto entre uma numerosa multidão, pois havia chegado de todas as partes gente de povoados inteiros, movidos por tão grande notícia. Ao chegar à igreja catedral esta nobre e alegre comitiva, foi recebida pelo bispo, revestido de pontifical, pelos cônegos e pelo resto do clero. Depois se cantou o Te Deum, o bispo celebrou missa pontifical muito solene e terminado o evangelho, subiu ao púlpito o cônego Peñafort e explicou o objetivo daquela solenidade, a vontade e a ordem de Maria Santíssima, a revelação feita por Ela a Nolasco, ao rei D. Jaime e a ele mesmo; e explicou tudo com tanta clareza, unção e zelo apostólico que o auditório derramava lágrimas de alegria e ternura (71).

Depois do ofertório, o rei desceu do trono e, acompanhado dos prelados e do seu cortejo, levando consigo o zeloso Pedro Nolasco com treze companheiros seus (72), aproximou-se do altar e com voz clara e inteligível se dirigiu ao bispo celebrante, dizendo que era sua vontade que se cumprisse e se executasse a vontade divina, manifestada por meio da Rainha do céu e da terra, Maria Santíssima, que se fundasse uma nova Ordem militar, cujos religiosos deveriam ocupar-se da redenção dos escravos cristãos segundo o modo exposto no eloqüente discurso do seu confessor, Raimundo de Peñafort; e esta Ordem deveria estar formada por clérigos dedicados ao coro e ao altar e por leigos, para combater os mouros e os sarracenos; e todos, tanto uns como outros, consagrados à redenção dos escravos cristãos (73); esta Ordem estaria sempre sob sua proteção e dos seus sucessores, e, finalmente, o fundador e primeiro religioso que vestisse o hábito como cabeça, pai e superior de todos os demais, fosse seu amigo e conselheiro Pedro Nolasco, tal como lhe havia ordenado a mesma Virgem Maria, e se dirigia ao bispo para que, interpondo sua autoridade, concorresse, juntamente com ele, na execução de dita inspiração divina (74).

Terminadas as comovedoras palavras do rei D. Jaime, São Raimundo tomou o hábito, isto é, as vestes militares e as entregou ao soberano e este, permanecendo Pedro Nolasco devotamente ajoelhado, colocou-as sobre Pedro e imediatamente os três lhe impuseram o escapulário do seguinte modo: o bispo e o rei tinham a parte anterior do mesmo escapulário e São Raimundo sustentava a parte que cai pelas costas. Finalmente, o rei sozinho lhe entregou e colocou em sua cintura a espada.

Vestido deste modo, o devotíssimo Pedro Nolasco, como superior da Ordem, impôs o hábito aos treze companheiros (75) da sua Ordem, admitidos já por ele (76). Finalmente, desejando o piedoso soberano que esta nova e sagrada Ordem militar levasse um distintivo, visto que havia participado na sua fundação e para indicar a proteção de que sempre deverá gozar de sua parte e dos seus sucessores, “quis que os religiosos levassem sobre o peito, bordado no escapulário, as armas reais ou escudo, que está composto por quatro barras vermelhas sobre um campo de ouro e, com o consentimento do bispo, a cruz branca sobre campo vermelho, que é o sinal e o distintivo daquela catedral; e isto não só para completar o escudo, mas também para recordar que a terna e santa cerimônia mencionada tinha acontecido na catedral de Barcelona” (77). E, querendo dar um significado místico a dito escudo, diremos aos mencionados religiosos que a cruz recorda as palavras do Apóstolo: “Quanto a mim, não pretendo jamais gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, eu para o mundo” (78); e as quatro barras do mesmo escudo servem para recordar os quatro votos por meio dos quais estão consagrados a Deus, porque, além dos votos de pobreza, castidade e obediência que se emitem na profissão ao entregar-se a Deus, tal como se pratica nas demais Ordens religiosas, nesta das Mercês se faz o quarto voto de permanecer como refém em poder dos pagãos, se for necessário, para libertar os escravos cristãos que se encontrem em perigo de apostatar a verdadeira fé (79). Esta nova Ordem religiosa foi aprovada pelo Papa Honório III (80) e confirmada pelo Papa Gregório IX no dia 17 de janeiro de 1235 (81).



CAPÍTULO V

Últimos anos da vida de São Pedro Nolasco e morte

São Pedro Nolasco, com seu exemplo, com as conversações familiares, com as conferências e pregações que fazia em diversos pontos da Espanha, através da qual viajava sempre a pé, cheio de caridade e zelo da maior glória de Deus e bem das almas, converteu muitos cristãos pecadores e muitos infiéis (82). Sua caridade era tão grande e fervorosa que não se limitava só às almas, mas se estendia também ao bem dos corpos: socorria os pobres, visitava os enfermos e os encarcerados, consolando e instruindo a todos, a fim de que adquirissem méritos para suas almas; mas os que mais tocavam seu caritativo coração eram os pobres escravos cristãos; a sorte daqueles infelizes era tal que fez exclamar o grande Bossuet: “Se existe algo no mundo, alguma escravidão capaz de representar diante de nossos olhos a miséria extrema do cativeiro horrível do homem sob a tirania dos demônios, é o estado de um cristão cativo sob a tirania dos maometanos, porque o corpo e a alma sofrem igual violência e não corre menos perigo a salvação da alma que a própria vida” (83).

Contemplando o piedoso Nolasco as penas que padeciam e os perigos que corriam os infelizes escravos cristãos, pensou aliviá-los e resgatá-los. A primeira redenção realizada por ele foi no ano de 1213, em Valência e o fez com seu próprio dinheiro, resgatando 300 escravos (84), a segunda teve lugar no ano seguinte, também em Valência e resgatou outros 300. Esgotado o dinheiro, apresentou-se a D. Alfonso, rei de Castela (85) e a outros grandes da Espanha e, uma vez obtidos os meios, regressou a Valência e resgatou mais de 300 e esta foi a terceira redenção realizada por ele (86).

Preparava-se para a quarta redenção e para isto se dirigiu de novo a Valência com seu companheiro D. Guilherme Bas (87) e resgataram muitos outros, mas, vendo Nolasco que outros se encontravam em grande perigo e não tendo mais dinheiro, para libertá-los pensou em vender-se a si mesmo como escravo; enviou Bas a Barcelona com 300 resgatados e ele ficou no cativeiro (88). Chegada ao conhecimento do rei a notícia deste ato heróico do nosso Nolasco, enviou imediatamente dinheiro para resgatá-lo e, uma vez livre, regressou a Barcelona no ano de 1217. Poucos dias depois do seu regresso organizou a quinta redenção e, fazendo outra viagem a Valência, conseguiu resgatar outros 320 escravos (89). Passou depois às ilhas Baleares (90) e com o dinheiro recebido de Dnª Berenguela, rainha de Castela (91), libertou outros 300, e esta foi a sexta redenção. Além destas realizou outras duas e todas foram feitas com seu dinheiro e com as esmolas que recebia dos fiéis, de modo que naqueles primeiros anos resgatou 2.000 escravos cristãos, como se diz no Bulário (92).

Uma vez erigida a Ordem das Mercês, ele foi seu superior e a governou durante trinta e um anos e durante este tempo foram redimidos mais de 5.104 escravos, que, unidos aos que havia resgatado antes e a outros muitos que não foram contados, pode dizer-se que os resgatados ultrapassam os 8.000 (93). Em Argel, o mesmo Nolasco se vendeu como escravo para libertar outros e durante seu cativeiro sofreu muito por causa de trabalhos forçados e com isto padeceu tremendamente; e resgatado finalmente, chegou ao porto de Valência em um barco pequeno e velho (94).

Enquanto foi superior da Ordem fundou muitos conventos na Espanha e na França, deixando neles muitos homens eminentes em virtude e em ciência (95) e, tendo renunciado ao generalato, sucedeu-o o Pe. Guilherme Bas e ele se retirou para levar vida contemplativa; e assim como Moisés, estando em retiro e oração, obtinha a vitória enquanto Josué e o exército combatiam (96), o mesmo aconteceu na Ordem das Mercês: enquanto Pe. Guilherme e os demais religiosos combatiam os vícios e os inimigos da religião de Jesus Cristo, São Pedro Nolasco permaneceu em oração e por isso convertiam tantas almas e resgatavam grande número de escravos e sofriam com muita alegria e paciência as dificuldades e as penas, inclusive o martírio.

São Pedro era uma fornalha ardente do fogo da caridade e difundia um esplendor admirável com o exemplo da humildade, paciência, mansidão, castidade e outras virtudes. O zelo o havia enriquecido com o dom da profecia; a Santíssima Virgem e o Anjo da Guarda lhe apareceram muitas vezes; e finalmente, cheio de Deus e de méritos, vendo aproximar-se sua morte, recebidos os últimos sacramentos e tendo se despedido dos religiosos, filhos seus, a quem recomendou a caridade entre si e com os pobres escravos, que tanto amava, entoou o salmo Confitebor tivi (97) e ao chegar no versículo Redemptionem misit Dominus populo suo (98), entregou sua alma nos braços do Senhor, na noite de Natal de 1256 (99).



CAPÍTULO VI

Trabalhos, penas e frutos que conseguiram
os religiosos das Mercês

Deus Nosso Senhor e a Santíssima Virgem Maria fizeram que São Pedro Nolasco tivesse por companheiros e filhos da Ordem das Mercês homens cheios do Espírito Santo (100), cheios de zelo e de caridade, dispostos a sacrificar sua liberdade e sua vida em favor do seu próximo e irmãos, à imitação de Jesus Cristo, nosso divino Redentor. Poderia escrever uma história de muitos religiosos que sofreram terríveis tormentos, e inclusive morte, por amor a Deus e ao próximo; mas, para não alongar-me, me limitarei a citar alguns casos como argumento e prova desta verdade.

O protomártir da Ordem das Mercês foi o Venerável Raimundo de Blanes (101), catalão, do convento de Barcelona, que foi enviado a Granada para redimir escravos, mas foi preso, roubado e martirizado pela fé em Jesus Cristo.

São Serapião (102), de nacionalidade inglesa, muito zeloso, vestiu o hábito de Mercedário no convento de Barcelona e em um ano fez duas redenções: uma em Múrcia, onde resgatou 98 escravos e outra em Argel, onde ele e seu companheiro, Frei Beregário, resgataram 87, conduzidos por este último à Espanha; e quando lhe faltou dinheiro, Serapião ficou ali como refém e vendo aqueles infelizes submersos nos erros e nos vícios, não podia calar e por meio de exortações que lhes fazia e conversações familiares, tinha convertido muitos e regenerado com as águas do batismo. Ao saber disto, aquele tirano mandou crucificá-lo, arrancar-lhe as entranhas, cortar-lhe em pedaços o corpo e, finalmente, cortar-lhe a cabeça e expirou em meio a estes tormentos, cheio de méritos e de alegria, no ano de 1240 (103).

São Raimundo Nonato (104), da Catalunha, fez três redenções: em Valência, em Argel e em Túnis e finalmente, quando lhe faltou dinheiro, ficou ele mesmo como refém; durante sua estância naquelas regiões pregava, exortava e convertia aquela pobre gente; mas o tirano o maltratou e o fez sofrer muitíssimo, especialmente quando furou seus lábios e colocou um cadeado para que não pudesse falar de religião, pois abominava a religião de Maomé e enaltecia a de Jesus Cristo; e, para que não morresse de fome e pudesse tomar algum alimento, cada três dias fazia tirar o cadeado para alimentar-se e com este tira e põe o tal do cadeado, sofria muita dor. Finalmente, foi resgatado, regressou à Espanha e o Sumo Pontífice Gregório IX (105) o nomeou cardeal da santa Igreja; mais tarde, caiu enfermo e antes de morrer recebeu o santo viático das mãos de anjos e expirou com a morte feliz dos santos, que é preciosa na presença do Senhor (106).

São Pedro Pascual (107), oriundo de Valência, condiscípulo de São Tomás de Aquino (108) e de São Boaventura (109) em Paris, grande teólogo, célebre pregador e cônego da catedral de Valência, no ano de 1249 entrou na sagrada Ordem das Mercês, onde ensinou teologia durante trinta anos; foi bispo auxiliar da arquidiocese de Toledo, grande chanceler de Castela e, finalmente, bispo de Jaén. Fundou muitos colégios na Espanha e na França. Visitando um dia sua diocese, foi aprisionado pelos mouros de Granada; ficou naquela cidade como escravo durante cinco anos e foi vontade sua permanecer ali tanto tempo para poder consolar e animar na fé em Jesus Cristo um grande número de escravos cristãos que ali se encontravam. Era muito amado do cabido da catedral da sua diocese, Jaén, o qual, várias vezes enviou dinheiro para seu resgate; mas ele, prevendo o perigo iminente de apostatarem os que se encontravam escravizados, especialmente as crianças e as mulheres, devido à maldade de seus amos, preferia resgatar os demais antes dele, apesar das penas que sofria. As crianças cristãs que ali se encontravam como escravos ajudavam sua missa e ele as instruía e ensinava com muita diligência e abnegação. Um dia se encontrou sem nenhum menino que lhe ajudasse a missa, porque todos haviam sido resgatados; naquele instante, viu apresentar-se um desconhecido que lhe disse que queria ajudar a missa com muito prazer, e depois lhe disse: “Pedro, eu sou Jesus (e ao falar lhe mostrou as chagas das mãos, dos pés e do peito); em prêmio por ter resgatado tanta gente em meu nome e por amor de mim, me fiz escravo teu, e por isso eu vim em forma de criança para ajudá-lo na celebração do sacrifício do altar”.

O bispo Pascual ardia continuamente na chama do santo zelo e, com as palavras e com os escritos, animava os cristãos na paciência e na perseverança; recordava-lhes as penas e as dores de Jesus, dos mártires e dos confessores, a glória do céu que lhes estava preparada, dizendo-lhes que todas as penas deste mundo são um nada em comparação com a felicidade eterna que o Senhor lhes daria no céu (110), que os prazeres deste mundo são passageiros e momentâneos, enquanto que as alegrias do céu são eternas. Converteu muitos mouros e inclusive judeus; escreveu e publicou muitos opúsculos com este objetivo e, entre outros, escreveu um contra a falsa seita de Maomé (111); por isso foi maltratado pelos mouros e um dia, enquanto celebrava a santa missa, lhe cortaram a cabeça, em 1300, com a idade de setenta e três anos (112). Deixou escrito com grande força de argumentos que Maria Santíssima foi concebida sem mancha de pecado original e até se diz que teve uma revelação sobre este mistério (113).

São Pedro Armengol, também catalão (114), filho da nobilíssima família dos condes de Urgel, que em sua juventude, pertencendo a uma família rica, se deixou dominar por suas paixões tornou-se muito maldoso; mas Deus, em sua misericórdia infinita, lhe tocou o coração e o converteu valendo-se de Maria Santíssima, Mãe dos pecadores que desejam emendar-se. Armengol se converteu verdadeiramente e se fez religioso da Ordem das Mercês no ano de 1258, sendo modelo de caridade e de penitência e entregando-se continuamente à oração. Partiu três vezes para redimir escravos e na última, que foi em 1266, na África, depois de ter resgatado 118 escravos, ficou ele mesmo como escravo em lugar de outros 18 jovens e crianças que sabia se encontravam em grande perigo de perder a fé e a castidade, e que ele, junto com outros, enviou a Espanha por meio de seu companheiro, Frei Guilherme. Este Santo, como estava cheio de zelo e de caridade, não podia permanecer em silêncio; falava e pregava sempre a favor da religião de Jesus Cristo e contra a seita maometana; e os mouros se enchiam de raiva não só pelo que o santo pregava, mas também porque havia terminado o prazo designado para pagar seu resgate e aqueles bárbaros, depois de tê-lo flagelado cruelmente, o penduraram em uma árvore fora da cidade. Depois de alguns dias, durante os quais esteve ali suspenso, chegou seu companheiro com o dinheiro do resgate; e como lhe disseram que havia sido enforcado, aflito e chorando se dirigiu em seguida àquele lugar para dar-lhe sepultura. Mas, ao aproximar-se dele, ficou gratamente surpreso quando ouviu que lhe dizia: “Não chores, irmão meu queridíssimo, porque ainda estou vivo. Durante todos estes dias, a Rainha dos anjos me sustentou com suas mãos e não me deixou nunca sozinho, sempre me assistiu com grande alegria e amabilidade”.

Em vista do acontecido, alguns daqueles bárbaros se converteram à verdadeira religião; no mesmo instante o desataram, o baixaram da árvore e voltou a Espanha, onde sobreviveu por uns dez anos com o pescoço torcido e uma marca de cor macilenta, como testemunho e prova deste prodígio. Durante todo este tempo levou uma vida santa e exemplar e, finalmente, passou ao descanso eterno no dia 27 de abril de 1276. Seu santo corpo se conserva na igreja paroquial da “Guardia”, no povoado de Montblanch, diocese de Tarragona (115).

Fazendo os religiosos das Mercês o quarto voto, o de ficarem como reféns se assim exigir a libertação dos escravos (116), quando isto acontecia, sofriam muitas penas e por muito tempo, porque os donos dos escravos aumentavam o preço do resgate (117). No ano de 1249, os padres desta Ordem, que foram a Túnis para fazer um resgate, foram roubados, maltratados e lançados ao mar. Mais tarde, no ano de 1253, o Pe. Thibaut, que partia da cidade de Tunis com 129 escravos resgatados, tendo pagado antes o preço combinado, foi queimado vivo, permanecendo de novo como escravos aqueles pobrezinhos que haviam sido libertados (118). Não acabaria nunca de contar se me detivesse em todas as penas sofridas pelos escravos e pelos padres mercedários para redimi-los da escravidão dos mouros; somente saberemos no dia do juízo universal, quando Jesus manifestará tudo para premiá-los e para confusão daqueles que não querem fazer nem sofrer nada pelo próximo.

Até aqui narrei brevemente a vida de alguns membros que foram verdadeiros heróis da Ordem das Mercês; agora não será chato para o leitor escutar o que fizeram algumas santas mulheres, para que se veja o muito que podem fazer com suas orações, com suas virtudes e com outras boas obras, à imitação de Maria Santíssima, Mãe do divino Redentor e fundadora desta santa Ordem. Poderia citar muitos exemplos; mas, para ser breve, limitar-me-ei somente a dois casos: o de Santa Maria do Socorro, espanhola e o de Santa Natália, de nacionalidade francesa, para que se veja que a graça não faz acepção de pessoas, nem se limita ao sexo, nem à pessoa, mas ao Espírito de Deus que sopra onde quer (119); bem-aventurado quem é fiel à graça e persevera nela até o fim, porque será eternamente feliz (120).

Falarei primeiro de Santa Maria do Socorro (121), oriunda de Barcelona, filha de pais nobres e ricos e foi das primeiras monjas das Mercês; mas como naqueles tempos não se observava a rigorosa clausura de hoje, nem a renúncia dos próprios bens, esta Santa socorria todas as necessidades de que tinha conhecimento, segundo os ditames do seu caritativo coração e daqui veio o ser chamada Maria do Socorro.

Nossa Santa não prestava só socorro material, mas também espiritual; passava muito tempo em oração, elevando fervorosas orações a Deus e à Santíssima Virgem Maria, para que os escravos cristãos não apostatassem da fé, mas fossem pacientes para poderem suportar tantas penas, trabalhos e desolação. E, quando os padres das Mercês iam redimir escravos e voltavam, ela multiplicava suas orações e mortificações para que tivessem uma viagem de volta próspera e feliz; não poucas vezes, os socorreu nas tempestades e nos perigos dos corsários, livrando-os Deus por intercessão desta Santa. Era um anjo de pureza e um Serafim de amor; era um conjunto de todas as virtudes; mas nas que mais se distinguia era na humildade, na caridade e na oração. Aprendam, pois, as monjas, as terciárias e outras mulheres, sem excluir as que têm que viver no mundo; sim, aprendam desta Santa a prática das virtudes, especialmente o fervor e a perseverança na oração. Morreu em Barcelona, no ano de 1290 (122) e ali se conserva seu santo corpo.

Santa Natália (123) nasceu na França, em um povoado chamado Callah, na diocese de Albi. Seus pais passaram a viver em Toulouse e deram a Natália uma educação muito esmerada. Nossa Santa amava muito a leitura, mas não de coisas frívolas, nem de amores profanos, como o fazem, infelizmente, hoje algumas jovens, no que não só perdem o tempo, mas também a inocência e talvez a consciência. Natália lia as vidas dos santos. Um dia, depois de ter lido a vida de Santa Natália e o ato heróico que fez de vestir-se de homem para entrar na prisão e animar seu marido, Santo Adriano, a sofrer o martírio, sua mãe lhe confirmou o fato e lhe disse que, ao ler esta passagem, também a ela, lhe produziu tamanho efeito e devoção, e para honrar aquela Santa quis colocar nela, como nome de batismo, o nome de Natália. “Gostei, mamãe, respondeu a boa filha, e isto será para mim um duplo motivo para ter devoção e imitar as virtudes desta Santa”.

Depois fez voto de castidade e vivia recolhida na casa paterna, cumprindo com toda perfeição suas obrigações; freqüentava os santos sacramentos da penitência e comunhão e a paixão de nosso Senhor Jesus Cristo era sua contínua meditação. Tinha grande compaixão pelos escravos cristãos e os encomendava com todo coração a Deus, não só pelo amor que lhes tinha, mas também por obrigação, porque era terciária das Mercês, embora vivesse com seus pais, porque então não havia convento de mercedárias em Toulouse; e se sabe pela história que muitos conseguiram consolo em suas tribulações. Natália perseverou neste teor de vida até a morte, que foi preciosíssima aos olhos de Deus (124).

Os escravos resgatados até nossos dias pelas orações, esmolas, sacrifícios e outras obras praticadas pelos religiosos, monjas, terciárias e outras pessoas piedosas e devotas de Nossa Senhora das Mercês, dos quais se tem notícia, no tempo de Bento XIII, tal como afirma o mesmo Pontífice, chegavam a 70.679 ou mais (125) e desde então foram feitos vários resgates, sem ter em conta as almas que os religiosos das Mercês libertaram do pecado e resgataram da escravidão do demônio com suas orações, pregações e administração dos santos sacramentos, porque são inumeráveis; e isto não só no velho mundo, mas também no novo, o que indicaremos agora brevemente (126).

O Venerável Frei João Infantes (127), religioso das Mercês, capelão de navio na primeira expedição de Cristóvão Colombo, foi o primeiro sacerdote que celebrou a santa missa nas Américas, no dia 11 de outubro de 1492 (128).

O Venerável Frei João Solórzano (129), religioso mercedário, companheiro de Cristóvão Colombo, plantou a cruz na ilha de Cuba e eu dou fé desta verdade por ter sido Arcebispo daquele ilha (130). A cruz santíssima foi plantada pelo mencionado Frei Solórzano não muito longe do porto que a natureza forma naquele lugar. Com o passar do tempo, ali se edificou a igreja paroquial da cidade de Baracoa (131) e aquela cruz foi trasladada a dita igreja paroquial e foi colocada em um altar e se chama a cruz da Parra, pois, devido à grande vegetação que ali existe, há uma parreira; mas não se trata de uma parreira de uvas, como na Europa, mas de um arbusto chamado com este nome. Tenho em meu poder uma pequena cruz tirada daquela cruz principal, que me presentearam os paroquianos quando fui para a visita pastoral e vi a cruz que plantaram o Frei Solórzano e Cristóvão Colombo (132).

O Venerável Frei Bartolomeu de Olmedo (133), também mercedário, foi ao México com Hernando Cortés (134). A este bom religioso o Senhor lhe concedeu muita facilidade para falar a língua dos índios e catequizou e batizou muitos naquelas terras; foi um homem de grande santidade; opôs-se vigorosamente às disposições dadas por um certo Narváez (135), porque não eram conformes ao espírito do catolicismo e fundou muitos conventos.

O Venerável Frei Miguel de Orenes (136), mercedário, plantou a primeira cruz no reino do Peru, converteu muitas pessoas e fundou vários conventos. Neste mesmo reino foi martirizado pelos índios o Padre Cristóvão Albarrán (137), também da Ordem das Mercês.

O Venerável Frei Francisco Bobadilla (138), religioso mercedário, passou a Lima por disposição do rei (139) e ali realizou coisas admiráveis.
O mártir São João Vargas (140), pertencente à Ordem das Mercês, homem zelosíssimo, chegou até o Panamá, converteu muita gente e conseguiu a coroa e a palma do martírio. Finalmente, foram não poucos os religiosos mercedários martirizados pelos índios. O suor dos confessores e o sangue dos mártires são semente dos cristãos (141), pois o suor e o sangue que derramaram os religiosos das Mercês, que tanto penetraram no Novo Mundo, produziram e estão produzindo ainda tantos cristãos e devotos da Santíssima Virgem das Mercês (142).



CAPITULO VII

Providência de Deus para com a Igreja militante

No princípio Deus Criou o céu e a terra (143); no céu colocou os anjos e na terra colocou Adão e Eva. Muitos dos anjos se rebelaram contra Deus e o Senhor, como castigo pela soberba e rebeldia, os expulsou do céu e os condenou ao suplício eterno; mas os anjos que permaneceram fiéis os confirmou na graça e os glorificou. O chefe supremo dos anjos bons e fiéis é o arcanjo São Miguel; o chefe dos anjos rebeldes ou demônios é Lúcifer.

Lúcifer e seus sequazes são obstinados inimigos de Deus e dos homens e por sua soberba e inveja nos fazem guerra contínua. Deus o permite para nosso bem, porque nós, que vivemos na terra, formamos a igreja militante e devemos combater e lutar, como diz o apóstolo Paulo, “não somente contra homens de carne e sangue, mas também contra os príncipes e potestades, contra os poderes das trevas do mundo, contra os espíritos malignos espalhados pelos ares” (144). E, para poder resistir e alcançar a vitória nos exorta a tomar as armas de Deus (145), que são as virtudes, especialmente a justiça, a fé, a esperança, a palavra de Deus e a oração; estas são as armas principais de nossa milícia (146).

Agora lhes indicarei também quais são as armas ou astúcias usadas por Lúcifer e seus sequazes. Estes se fingem amigos e nos apresentam o que mais nos satisfaz; prometem-nos o que mais nos agrada; estudam nossas inclinações, nos aplainam os caminhos e nos empurram para diante. Conhecem o apego que temos das riquezas e exageram sua importância; observam o desejo veemente que temos das honras e da glória mundana e as exaltam o máximo possível para deslumbrar-nos; e finalmente conhecem muito bem nossas inclinações para a sensualidade e por isso se servem de todos os meios para apresentar aos nossos sentidos os objetos mais atraentes; e assim, exaltando nossa imaginação, estimulam as paixões. Toda esperteza e astúcia dos demônios e de seus sequazes consistem em saber mentir e enganar os mortais, fazê-los infelizes neste mundo e condenados por toda a eternidade no outro. Fazem como o pescador, que por meio da isca atrai o peixe para o anzol e assim fica preso, cozido e devorado. E como se pode afirmar que o demônio é o autor de todas as obras más, São João assegura que “por isso veio o Filho de Deus, para desfazer as obras do diabo” (147), Jesus Cristo, que é Deus e homem verdadeiro, o vence com sua pregação, com sua paixão e com os sacramentos que Ele mesmo instituiu; e por isso, São Paulo afirma que não quis “saber de outra coisa senão Jesus Cristo e este, crucificado” 148), Jesus é o caminho que devemos seguir, a verdade que devemos crer e a vida que devemos viver (149). Esta é a doutrina pregada pelos Apóstolos e pelos Padres da Igreja e que pregaram e pregarão todos os ministros da palavra de Deus.

Por causa do especial cuidado e providência que Deus nosso Senhor tem para com sua Igreja militante, sempre enviou e continua enviando homens segundo seu coração, cheios de graça e de doutrina, para combater os erros que o demônio inventou e sugeriu aos ímpios, seus sequazes, que continuam com os vícios nos quais os precipitou. Citarei aqui alguns para que se veja e fique evidente esta verdade tão certa quanto consoladora. Na mesma época em que nasceu Pelágio (150), nasceu também Santo Agostinho, grande doutor da Igreja, para que com sua doutrina refutasse e confundisse a falsidade que o demônio sugeria ao herege Pelágio (151). No início do século XIII a Igreja se via combatida por três males gravíssimos, mas o Senhor, que, segundo o profeta, não dorme nem repousa, mas guarda Israel (152), enviou três médicos sábios e oportunos para curá-los, que eram, ao mesmo tempo, valentes capitães para fazer guerra aos inimigos de Jesus, de Maria e da humanidade. Estes três enviados do céu foram São Domingos, São Francisco de Assis e São Pedro Nolasco e cada um deles fundou uma ordem, uma família religiosa.

Naquele tempo, a França se encontrava envolta nos erros e nos vícios dos albigenses e o Senhor enviou Domingos de Gusmão, cheio de ciência e de virtudes, que começou a combater com heróico valor aqueles infelizes e para ter companheiros na luta e para ter quem depois de sua morte continuasse a luta contra os inimigos da Igreja, instituiu e fundou a ínclita Ordem dos Padres Pregadores (153).

De forma semelhante, o mundo de então se encontrava oprimido pelos primeiros e maiores vícios capitais: a soberba, a avareza e a ambição das honras mundanas, com uma sede insaciável de acumular riquezas. Para colocar remédio a estes males tão graves, Deus enviou ao pobre seráfico de Assis, para que ele e seus companheiros fossem um remédio eficacíssimo com a pregação do Evangelho e eles, com o exemplo de sua pobreza e humildade, davam a entender que não era impraticável a doutrina que pregavam; e para que este remédio não acabasse com a morte do patriarca de Assis, Deus lhe inspirou a fundação da Ordem chamada dos Menores e Deus mesmo lhe deu a conhecer de um modo especialíssimo a regra que devia reger e governar aquela família religiosa (154).

Igualmente, naquela mesma época muitos fiéis estavam sofrendo a mais dura escravidão nas mãos dos bárbaros, sarracenos, especialmente na Espanha e Deus enviou o zeloso e caritativo São Pedro Nolasco e este, por ordem de Maria Santíssima, fundou, como dissemos antes, uma ordem religiosa. Os religiosos professos desta ordem não se contentavam com os três votos acostumados de pobreza, castidade e obediência, tal como os praticam os religiosos de outras ordens, mas acrescentaram um quarto voto: o de permanecer como reféns ou em prisão para conseguir a liberdade dos escravos cristãos que se encontrassem em perigo de apostatar da fé e resgatá-los. Este quarto voto, além do hábito, da regra e de outras coisas que são próprias dos Mercedários, os distingue completamente dos Trinitários, cuja Ordem foi fundada também com o fim de redimir os escravos. Os fundadores da ordem dos Trinitários foram São João da Mata e São Félix de Valois, na França (155).

Depois de alguns anos, o soberbo e impaciente Satanás volta a levantar a cabeça; seve-se de Lutero, Calvino e seus sequazes para perturbar de novo a paz da Igreja e logo depois o Deus misericordioso suscitou e chamou ao campo de batalha Santo Inácio de Loyola e a sua Companhia, chamada de Jesus, que conseguiu as vitórias mais completas (156).

Além dos triunfos alcançados pela Companhia de Jesus sobre os demônios e os homens perversos, para conter a torrente de iniqüidade foi preciso que Deus mandasse outras pessoas e isto aconteceu por meio de muitas congregações de clérigos regulares que vieram depois, como os Padres do Oratório de São Felipe Néri (157), São Pedro Nolasco, fundador da Ordem das Mercês, os Escolápios, fundados por São José de Calazans (158); os Padres da Missão, por São Vicente de Paulo (159); os Redentoristas, por Santo Afonso de Ligório (160); os Passionistas, por São Paulo da Cruz (161) e finalmente, a Congregação dos Filhos do Imaculado Coração de Maria, fundada no dia 16 de julho de 1849 e aprovada pelo pontífice reinante, Pio IX, no dia 22 de dezembro de 1865 (162).

Todas estas e outras congregações se dedicam à vida mista, que é a vida de Jesus Cristo quando vivia nesta terra, revestido de nossa carne mortal (163), unindo a vida contemplativa de Maria e a vida ativa de Marta. Todos os dias de manhã, os membros desta Congregação têm uma hora de oração mental, a oração do ofício divino e o santo rosário e visitam o Santíssimo Sacramento. Além disto, se dedicam ao estudo e à leitura espiritual e à santificação da sua própria alma, sem esquecer-se das almas do seu próximo. Pelo contrário, devo dizer que todas as novas congregações se dedicam às missões e aos exercícios espirituais a todas as classes de sociedade, a catequizar, a ouvir confissões; em uma palavra, ocupam-se do sagrado ministério (164).

Com grande satisfação, devo fazer aqui uma observação, e é que Deus nosso Senhor, para abater e destruir as heresias, os erros e os vícios que o demônio se esforça por suscitar e propagar com todos os meios imagináveis, se vale da Virgem Maria e de seus fervorosos devotos, aos quais Ela socorre de um modo especialíssimo, como canta a Igreja naquela antífona do ofício divino que diz: “Alegra-te, Virgem Maria, tu que venceste todas as heresias que Satanás suscitou até o presente e acabarás com todas as que surgirem até o final dos tempos” (165). Assim se cumprirão aquelas palavras que Deus dirigiu à serpente: Ipsa conteret caput tuum (166). Sim, Maria esmagará a tua cabeça, teus erros, teus vícios e teus enganos. Eia, pois, cristãos todos, amor, confiança e devoção sincera e fervorosa a Maria Santíssima, que é Virgem e Mãe de Deus! (167). Com Ela tudo podemos. Imitemos suas virtudes, como filhos de tal Mãe. Valhamo-nos da bela devoção do santíssimo rosário, como São Domingos (168); da coroa e da via sacra, como São Francisco e das súplicas, das ladainhas e da Salve Rainha, como São Pedro Nolasco. Entre nós, filhos de Maria, e os hereges, filhos do diabo, haverá guerra perpétua (169); mas não há motivo para desanimarmos; venceremos com a ajuda de Jesus e de Maria, sua Mãe.







CAPITULO VIII

Providência de Deus para com as almas boas

A mim corresponde, como sacerdote e como escritor, extrair da história eclesiástica as religiões antigas e modernas e submetê-las, leitor caríssimo, à sua consideração, como fiz no capítulo anterior, ainda que brevemente, para que possa escolher algo entre aquilo que pode ser-lhe útil para alcançar a perfeição. Fiz como um pai de família, que tira da sua dispensa frutos velhos e novos e os distribui ao seu povo predileto e amado (170).

Na casa do Pai há muitas moradas (171) e a cada um será dada a glória segundo a fidelidade com que tenha correspondido à graça. Para entrar na glória celestial é necessário o batismo e ainda, quando o cristão chegar ao uso da razão, deve cumprir a lei de Deus, como Jesus Cristo mesmo disse àquele jovem do qual fala o Evangelho (172); mas quem deseja ser perfeito deve desprender-se das coisas terrenas e seguir Jesus Cristo (173).

Talvez alguém pergunte para que servem tantos institutos religiosos e de tantas classes, tanto de homens como de mulheres. E se todos dizem que o fazem para seguir Jesus Cristo segundo o Evangelho, sendo Cristo Jesus um só, por que tanta diversidade de institutos, de hábitos religiosos, etc.?

A nós não deve incomodar esta diversidade; antes, devemos admirar a providência infinita com que Deus governa a sua Igreja e a cada uma das almas boas em particular.

• 1º - Em primeiro lugar, esta diversidade mostra a beleza e o encanto da Igreja, chamada rainha, adornada com vestidos de ouro pela caridade e ainda mais beleza pelas características, ou carismas, de cada instituto religioso (174). A Igreja católica pode ser comparada com um grande e belo jardim de um príncipe. Se neste jardim todas as flores fossem da mesma espécie, embora todas fossem rosas, poderíamos admirá-lo? E onde estaria a beleza deste jardim? É precisamente na diversidade das plantas e flores bem distribuídas que o faz alegre e belo.
• 2º - Em segundo lugar, a diversidade dos institutos religiosos seve também para que todas as pessoas, tão diversas por sua classe, condição, inclinação e gênio, tivessem lugares apropriados, segundo o desejo de cada um, para aperfeiçoar-se e santificar-se mediante a prática das virtudes.
• 3º - Dita diversidade enriquece o catolicismo com obras santas, como, por exemplo, ensinar as crianças, cuidar dos enfermos, etc.
• 4º - Esta diversidade produz homens eminentes nos estudos e nas ciências, que escrevem obras sublimes e úteis e ensinam como professores nos colégios, nos seminários e nas universidades.
• 5º - A mesma diversidade traz grandes vantagens à sociedade, porque o religioso não necessita muito para a comida, o vestido e a moradia.
• 6º - Esta diversidade é, ainda, um meio poderoso, sendo os religiosos de todas as classes e espécies, para induzir a sociedade ao reto caminho, não só com a observância dos respectivos votos de pobreza, castidade e obediência, virtudes diametralmente opostas ao desejo ardente do ouro, da impureza, do orgulho e do capricho próprio, que são os vícios dominantes no mundo (175), mas também com a pregação e a administração dos sacramentos.
• 7º - Finalmente, a diversidade de tantos religiosos e religiosas, de tantas e tão diferentes classes, com os sacrifícios que fazem, com as obras boas que praticam e com as orações que elevam freqüentemente a Deus, detém o braço da justiça divina, irada pelos muitos e graves pecados do mundo e, ainda, conseguem da divina clemência misericórdia e graças. Assim entendia Santa Teresa e por isso exclamava: “Que seria do mundo se não existissem os religiosos” (176).

Se alguns perseguem os religiosos e falam mal deles, é por três razões principais que o fazem: 1º porque são maus e o bom exemplo dos religiosos e sua pregação os irritam, como os que têm mal a vista não amam a luz nem podem vê-la; 2º porque são imitadores dos pérfidos judeus, dos quais disse Jesus Cristo: Vos ex parte diabolo estis (177); 3º Deus permite que os religiosos sejam perseguidos e caluniados porque o discípulo não deve ser mais que o mestre, nem o criado mais que seu amo (178). Jesus Cristo foi colocado como alvo de contradição (179); a ninguém havia feito mal; pelo contrário, havia feito bem a todos; não obstante, foi caluniado, perseguido, preso, flagelado e crucificado (180); portanto, não devemos maravilhar-nos que aos religiosos aconteça o mesmo.

Agora, para confusão dos maus e edificação dos bons e para animar à perseverança os mesmos religiosos, direi brevemente o que é propriamente o estado religioso. O estado religioso não é outra coisa senão um modo especial de vida, aprovado pela Santa Sé Apostólica, abraçado por aquelas pessoas que aspiram à perfeição cristã mediante a observância dos votos de perpétua obediência, castidade e pobreza. Ao cristão, para conseguir a salvação eterna, lhe basta observar os mandamentos da lei de Deus, tal como estão no Evangelho (181); mas a quem deseja alcançar a perfeição lhe é indispensável seguir os conselhos do divino Redentor (182).

A perfeição cristã, além de amar a Deus e ao próximo com dedicação, consiste em fazer e praticar tudo o que Cristo prescreveu, desprendendo-se de todas as coisas e afetos terrenos. Deus é caridade e o que permanece na caridade, em Deus permanece e Deus nele (183). A caridade é o vínculo da perfeição (184). Assim, o religioso está obrigado sub gravi (185) a aspirar à perfeição; a perfeição é o objetivo do estado religioso, como diz o doutor Angélico (186), de modo que quem entra num instituo religioso, não vou dizer que já deva ser perfeito para poder entrar, mas entra para conseguir a perfeição, como aquele que vai à escola para aprender uma ciência que não conhece, mas deseja aprender, e emprega todos os meios ao seu alcance para consegui-lo. Portanto, o fim de todo religioso e da perfeição à qual se obriga é aspirar a ser perfeito na caridade tanto com os desejos como com as obras, e aquele religioso que não alimenta estes desejos eficazes não satisfaz sua própria obrigação, como aquele discípulo que, assistindo a aula com distração e sem aplicação, não adquirirá nunca a ciência desejada e não cumprirá nunca com sua obrigação.

Dos meios para conseguir a perfeição, alguns são gerais e outros particulares. Os meios gerais são:
1. A mortificação dos sentidos e das paixões, que são as fontes de onde nascem as culpas e os impedimentos para a perfeição.
2. O exercício contínuo das virtudes teologais e morais, porque com elas se dominam os apetites desordenados.
3. O amor, o fervor e a perseverança na oração; este é um meio poderosíssimo, porque com a oração se obtém a ajuda da graça, sem a qual não se pode conseguir nada.

Para concluir esta matéria tão importante, convém acrescentar que não podemos amar verdadeiramente a Deus e ao próximo como devemos sem observar fielmente os preceitos revelados por Deus mesmo. Os que desejarem chegar à perfeição, além da observância dos mandamentos divinos, devem praticar os conselhos evangélicos (187), por meio dos quais se removem os obstáculos que se opõem à caridade; de modo que, observando os conselhos evangélicos, se faz mais fácil o caminho e se corre para o seguimento de Jesus e se chega igualmente à perfeição do amor de Deus e do próximo. Além disso, com a observância dos três votos, o religioso ou a religiosa consagra sua alma a Deus mediante a obediência; o corpo, por meio da castidade e as coisas exteriores, mediante a pobreza e assim sacrifica a alma, o corpo e as coisas externas a Deus, de quem receberá no céu o cêntuplo em recompensa: a felicidade eterna (188).




CAPÍTULO IX

Zelo para a maior glória de Deus e bem do próximo

O amor a Deus e ao próximo produz um efeito muito semelhante ao do fogo (189). O fogo com a pólvora faz saltar pelos ares qualquer objeto que o comprima, impele talas e bombas; o fogo do vapor faz correr a toda velocidade os vagões dos trens e empurra os barcos que sulcam as ondas do mar; assim, o fogo do Espírito Santo fez com que os santos apóstolos percorressem o universo inteiro. Este mesmo fogo divino impeliu e levou a São Pedro Nolasco, aos seus companheiros e aos filhos do instituto por ele fundado, a libertar da escravidão os corpos e as almas de muitos cristãos.

Inflamados por esse mesmo fogo, os missionários apostólicos chegaram, chegam e chegarão até os confins do mundo para anunciar a Palavra de Deus (190); de modo que podem dizer a si mesmo, com razão, as palavras do apóstolo São Paulo: Charitas Christi urget nos (191). A caridade ou o amor de Cristo nos estimula e nos faz correr e a voar com as asas do santo zelo (192).

O verdadeiro amante ama a Deus e a seu próximo; o verdadeiro zelador é o mesmo amante, mas em graus superiores segundo os graus do amor, de modo que quanto mais amor tem, de maior zelo será possuído; e se alguém não tem zelo, é sinal de que tem apagado em seu coração o fogo do amor, a caridade. Quem tem zelo deseja e procura por todos os meios possíveis que Deus seja cada vez mais conhecido, amado e servido nesta vida e na outra, já que este sagrado amor não tem nenhum limite.

A mesma coisa faz com seu próximo, desejando e procurando que todos estejam contentes neste mundo e sejam felizes no outro; que todos se salvem, que ninguém se encontre nem sequer por um momento em pecado. Assim vemos os santos apóstolos e todos os dotados de espírito apostólico; e não só os homens, mas também as mulheres, como se sê na vida de Santa Maria de Socorro, de Santa Mariana de Jesus (193), de Santa Natália e de inumeráveis outras mulheres, que com suas orações, mortificações e exortações procuraram sempre a maior glória de Deus e o bem corporal e espiritual, temporal e eterno do próximo. E, para confirmar esta verdade, permitam-me fazer referência a algumas passagens interessantes da sua vida (194).

De Santa Rosa de Lima (195) se lê o que ela que dizia: “Se eu fosse homem, andaria de um reino a outro pregando até que se convertessem todos os pecadores”. E já que isto não podia fazer, chorava, orava e fazia grande penitência para este fim; e com as expressões enérgicas se esforçava em persuadir os pregadores, os confessores e as pessoas zelosas e virtuosas que se dedicassem a uma obra tão importante. Respondendo a elas alguns deles que se dedicariam à pregação depois de terem terminado os estudos superiores, ela insistia dizendo: “Por Deus, padres! Para converter os índios não precisam de tanta teologia; o que precisa é de zelo, amor a Jesus Cristo e às almas, que Ele redimiu com seu preciosíssimo sangue. Para poder ensinar-lhes basta saber o que nós não podemos ignorar para salvar-nos. E isto, quem não sabe? Assim, pois, já que sabeis bastante, ide, ide, meus padres, porque a necessidade é urgente” (196).

Era tão grande e ardente o zelo que animava continuamente a Santa Catarina de Sena que na Itália ia de um povoado a outro exortando e pregando por disposição do sumo Pontífice; e o fruto que produzia era tão copioso, que tinha que levar consigo doze confessores com faculdades extraordinárias para ouvir as confissões dos penitentes que se convertiam ao escutar suas palavras (197).

Tinha tanta veneração pelos pregadores e pelos confessores que com zelo se dedicavam à salvação das almas, que beijava a terra onde eles tinham colocado os pés... (198). O grande e fervoroso zelo em que ardia lhe fazia exclamar: “Senhor meu Deus, quisera colocar-me às portas do inferno para impedir que entrem neles as almas dos pecadores!” (199).

Na vida de santa Teresa de Jesus (200) lê-se que, ouvindo o dano e a ruína da heresia de Lutero (201) e Calvino (202), disse: “Fiquei tão penalizada pela perdição de tantas almas que estava fora de mim. Fui a uma ermida com muitas lágrimas; clamava a Nosso Senhor, suplicando-o que me desse um meio para eu poder fazer algo para ganhar alguma alma para o seu serviço, pois eram tantas as que o demônio levava, e que a minha oração pudesse fazer alguma coisa, pois não dava para mais. Eu tinha grande inveja daqueles que por amor a nosso Senhor podiam ocupar-se nisso, nem que sofressem mil mortes; e assim acontece-me que, quando lemos nas vidas dos santos que converteram almas, causa-me ainda maior devoção e ternura, e maior inveja dos martírios que eles sofrem (por ser essa a inclinação que nosso Senhor me deu), e parece-me que ele preza mais uma alma que por nosso engenho e oração ganhássemos para ele, por meio de sua misericórdia, do que todos os serviços que possamos lhe oferecer” (203).

Santa Maria de Pazis dizia: “Eu invejo a sorte das aves que podem voar por toda parte ou onde quiserem. Ah! Se eu tivesse asas como elas e, sem prejuízo da minha profissão, pudesse abandonar o mosteiro, hoje mesmo levantaria o vôo e chegaria até as Índias. Lá eu reuniria em volta de mim os filhos daqueles pobres infiéis e os instruiria nos princípios da nossa santa religião, para pô-los em posse de Jesus e a este dar almas”.

Certo dia, depois de escutar a narração das viagens de São Francisco Xavier, disse às suas noviças, sendo na época a mestra delas: “Minhas filhas, peçamos a Deus a conversão de um infiel, e ofereçamos para isso todo o bem que pudermos fazer no dia de hoje, ou antes, peçamos-lhe que se convertam tantas dessas pobres almas quantos passos temos de dar ao longo do dia, tantos quantos pontos devemos dar na costura, ou quantas palavras devemos pronunciar na recitação do ofício divino”.

Em outra ocasião dizia: “Se o Senhor me perguntar, como a Santo Tomás de Aquino, que recompensa eu desejava obter da sua bondade, responderia: «A salvação das almas»...”.

Um dia, tomando na mão um crucifixo exclamou: “Vós, meu Jesus, quisestes morrer na cruz pelos pecadores e lhes dar todo o sangue que corria por vossas veias; eu também, a exemplo vosso, quisera derramar o meu e dar a minha vida para convertê-los” (204).

Como conclusão deste capítulo, não vai desagradar o leitor se cito aqui as seguintes palavras tiradas da Mística Cidade de Deus (205). Maria Santíssima, na sua ciência e caridade, ponderava devidamente o quanto supõe para Deus perder uma alma, e que esta fique para sempre condenada aos tormentos do inferno na companhia dos demônios.

A Santa Virgem possuía a ciência dos bem-aventurados, mas também a angústia dos peregrinos deste mundo, e por isso exclamava: “Será possível que uma alma, por sua própria vontade tenha de se privar eternamente de ver o rosto de Deus, e escolha ver o de tantos demônios no fogo eterno?”

Essa Virgem Santíssima disse a São João: “Ó João!, se Deus tivesse vontade determinada da perdição de algumas almas, isto poderia aliviar um pouco a minha pena; mas, embora permitindo a condenação dos réprobos porque eles querem se perder, não era essa a vontade absoluta da divina bondade, que quisera salvar a todos (207), se eles pelo livre arbítrio deles, não lhe resistissem” (208).

À Venerável Ir. Maria de Àgreda, disse certo dia à Virgem Maria: “Nenhum tormento, nem mesmo a morte eu recusaria, se for necessário, para vir em ajuda a qualquer um dos que se condenam... não escuse o sofrer..., pedir e trabalhar... para desculpar nos teus irmãos qualquer culpa, se puderes evitá-la; e se depois não o conseguires, nem perceberes que o Senhor te escuta, nem por isso percas a confiança, antes reaviva-a e persevera, pois essa teimosia jamais poderá desagradá-lo... Aplica todos os meios que a prudência e a caridade possam demandar... [O Senhor] não quer a morte do pecador... (209), não teve de si mesmo vontade absoluta e precedente de perder suas criaturas, antes quisera salvá-las todas, se elas próprias não se perdessem; e embora o permita pela sua justiça, ele permite aquilo que o desagrada por causa da condição livre dos homens” (210).

“Em todas as tentações lembra-te do meu ensinamento, de minhas dores e lágrimas, e acima de tudo, do que deves a meu Filho santíssimo, que é tão liberal contigo em te favorecer e aplicar a ti o fruto de seu sangue, para que encontre em ti retorno e gratidão” (211).






REFLEXÕES PARA REAVIVAR O FOGO DO SANTO ZELO

Comecem por defender a glória de Deus ultrajada e imediatamente experimentarão sua assistência divina. Imitem o Arcanjo São Miguel (212), dizendo: Quis ut Deus?, “Quem como Deus?” (213).
1. Deus é ofendido... pelos pecadores!
Jesus Cristo é de novo crucificado pelos pecadores!
“Bem-aventurado aquele que impede o pecado, porque impede uma ofensa infinita”.
2. Bem-aventurado aquele que ama com fervor a Deus e procura que Deus seja cada vez mais conhecido, amado, servido, louvado e glorificado agora e sempre.
3. Bem-aventurado aquele que converte um pecador com a ajuda da graça divina, este proporciona uma grande alegria à Santíssima Trindade, a Jesus Cristo, a Maria Santíssima, aos Anjos, aos Santos e a toda corte celeste (214).

PROCURAR A CONVERSÃO DO PECADOR

1. Digo-lhe, procura para o pecador a graça de Deus, pois esta vale mais que todo o universo. Com ela, desde aquele momento, você começa a adquirir méritos para o céu enquanto se faz alguma coisa pelo pecador. Coloca-o em vias de adquirir as virtudes que adornam a alma. Consegue-lhe a glória celeste, a visão, a posse (215) e o gozo de Deus por toda eternidade e ele será eternamente feliz na alma e no corpo, nas potências e nos sentidos. Que grande sorte!

2. Livra o pecador do pecado, que é a peste mais mortífera, mais que uma enfermidade mortal; o pecado é a beira do precipício sem fundo e você o livra de um naufrágio, de um incêndio, do suplício eterno. Preserva-o do inferno, prisão eterna, tormentos terribilíssimos sem fim; da vista dos demônios e da companhia dos condenados. Aquele que devia ser eternamente infeliz por causa dos pecados cometidos passa a ser bem-aventurado para sempre, graças ao zelo do bom cristão. Que presente, que prêmio lhe dará Deus!

3. Deus exige nossa cooperação. Esta é sua vontade, para fazer-nos companheiros do Divino Redentor e participantes de seus méritos. Assim como quando damos esmola aos pobres ou prestamos assistência aos enfermos seria uma crueldade abandoná-los, deixá-los perecer, assim seria também uma suma crueldade abandonar as almas necessitadas de socorro e deixá-las morrer no pecado.

4. Devemos nos considerar culpáveis diante de Deus (216), que há de julgar os males que cometemos e o bem que omitimos; e igualmente ter coração de filhos, para confiar em sua misericórdia, se nos convertemos com sincero coração.

5. Devemos ter coração de mãe para com nosso próximo. Que faz uma mãe por seu filho? Dá-lhe de comer, veste-o e o educa; preserva-o das quedas e de qualquer mal. Se o vê em perigo, avisa-o, não se distancia dele; se o vê caído, levanta-o; se enfermo, tem cuidado dele; chora, roga, faz votos para vê-lo restabelecido. O mesmo deve fazer quem tem zelo para com seu próximo (217).



CAPÍTULO X

Meios para exercitar o santo zelo

O primeiro meio de que devemos valer-nos para este fim é a oração (218). Santo Tomás (219), Santo Agostinho (220) e outros Santos Padres e Doutores da Igreja afirmam que quanto Deus, em sua infinita providência e disposição, tem determinado ab aeterno dar às almas, no tempo certo o dá por meio da oração; e neste meio tem ele assegurada a salvação e a conversão, o remédio de muitas almas e o progresso e a perfeição de outras; de maneira que assim como Deus estabeleceu e dispôs que, arando, semeando e cultivando a terra, se produz em abundância trigo, vinho, frutos e outros cereais; e com a arte se levantam edifícios e outros monumentos, assim dispôs e deseja que, mediante a oração, as almas dos fiéis consigam muitas graças e dons celestes; e por isto Jesus Cristo nos exorta a rogar com palavras e com o exemplo.

Sua divina Mãe rogava continuamente e em oração a encontrou o celeste mensageiro quando lhe anunciou o grande mistério da Encarnação (221). Moisés rogava enquanto Josué combatia e, em virtude da oração de Moisés, conseguiu aquela esplêndida vitória (222). Igualmente, enquanto Maria orava, o príncipe dos apóstolos anunciava a palavra de Deus, e por isto no primeiro sermão converteu 3.000 e no segundo 5.000 ouvintes (223) e os outros apóstolos e discípulos operavam numerosas conversões em todo o mundo em virtude da oração.

Daniel rogava, derramava lágrimas e jejuava pelos pecados do seu povo (224). Jeremias fazia oração e amargamente chorava (225). Santa Catarina de Sena não cessava de rogar e chorar pelos pecados que se cometiam e Jesus apareceu a ela animando-a a continuar e queixando-se da pouca conta que alguns faziam da sua glória, da tibieza e egoísmo em que viviam. O Eterno Pai um dia apareceu a Santa Catarina e lhe disse: “Eu lhe suplico encarecidamente que rogue sem cessar pela conversão dos pecadores, em cujo favor lhe peço orações misturadas com lágrimas e compunção, para que possa eu satisfazer assim meus vivos desejos de mostrar-lhes graça e misericórdia” (226).

Não diferentemente rogavam Santa Maria Madalena de Pazzi, Santa Teresa de Jesus e todas suas religiosas, Santa Maria do Socorro, Santa Mariana de Jesus e outros tantos santos. A oração contínua do justo tem muito valor (227). Um célebre autor diz que os méritos de um santo valem mais que os de um milhão de católicos ordinários (228). Quando uma alma aspira à perfeição, esta é muito apreciada por Deus e conclui dizendo: “Imploremos de Deus que envie santos à terra e o mundo será salvo; enquanto nós rogamos: 1º pelos pecadores mais dispostos a converterem-se; 2º pelos justos que se acham em perigo próximo de pecar, e 3º pelas almas do purgatório mais próximas de saírem dele (229).

Convém ainda guardar silêncio, recolhimento interior e exterior, orar sem desfalecer e implorar graças para todos, exortando a todos a rogarem incessantemente e recitarem com pausa e freqüentemente, com reflexão e fervor, o Pai nosso, a Ave Maria, a Salve Rainha; como a belíssima e devotíssima oração do rosário; que ouçam a santa missa e ofereçam ao eterno Pai, a Jesus Cristo quando receberem a santíssima comunhão, quando ouvirem a missa e quando visitarem o sacramento do altar, rogando sempre pelos méritos de Jesus, por intercessão de Maria e de todos os santos e santas do paraíso e dos justos da terra.

Diz Santo Tomás que a causa da oração é o desejo da caridade (230); deste desejo deve proceder a oração. Ele deve estar sempre em nós, quer virtualmente, quer habitualmente; o influxo deste desejo se acha em nós em todas as coisas que fazemos por caridade. E como devemos fazer tudo para a maior glória de Deus, segundo a expressão de São Paulo, conclui-se que a oração deva ser contínua (231); e o é, diz Santo Agostinho, se nossas obras estão sempre animadas pelo desejo da fé, da esperança e da caridade (232). Semelhante desejo fomenta no coração jaculatórias e a retidão de intenção em todas as boas obras que são feitas.

O segundo meio para colocar em prática o zelo é o bom exemplo, cuja força e virtude são inexplicáveis (233). Somos movidos mais rápida e eficazmente pelo bom exemplo que pelas palavras. Luís de la Puente diz que o bom ladrão se converteu com tanta sinceridade não pelas pregações nem pelos milagres de Jesus, que talvez nunca tivesse ouvido ou visto, mas ficou movido pela sua heróica paciência (234) e mansidão e por aquele exemplo tão grande de caridade quando o ouviu rogar a seu eterno Pai pelos que o crucificavam (235).

O precursor de Cristo, São João Batista, durante sua vida não operou nenhum milagre e, no entanto, converteu muitos e até alguns acreditaram ser ele o Cristo, pelo bom exemplo que dava com todo o seu ser e pela penitência que fazia; e os apóstolos converteram o mundo não só em virtude da pregação e dos milagres que faziam, mas também com a exemplaríssima vida que levavam.

Todos os cristãos dos primeiros tempos da Igreja eram tão exemplares, que Tertuliano veio a chamá-los de Compêndio do Evangelho; quer dizer, em sua conduta se encontrava compendiado e posto em prática o mesmo Evangelho. Poderia acrescentar aqui inumeráveis argumentos para confirmar a eficácia do bom exemplo a fim de converter os pecadores e animar os justos à perseverança na perfeição.

Somente me limito a exortar o leitor a ler o Evangelho, a vida de Jesus, de Maria e dos Santos; imitemos suas virtudes e operaremos prodígios no próximo que nos vê e nos observa.

O terceiro meio para colocar em prática o zelo pode encontrar-se na conversação familiar (236). “Não saia da sua boca, diz o apóstolo, nenhuma palavra má; antes, seja boa a palavra para a edificação da fé, da qual vem a graça aos que a escutam” (236), e os inflame no amor de Deus e no desejo da virtude e da perfeição. Assim o fazia São Francisco Xavier, e sabemos que com sua conversação produzia mais frutos que com as pregações. As pregações não são possíveis sempre, nem em todos os lugares, nem em todos os tempos, mas a conversação é coisa fácil, porque é possível conversar sempre que se apresenta uma ocasião oportuna. Esta arma da conversação familiar pode ser manejada tanto pelos sacerdotes como pelos leigos e até pelas mulheres, enquanto sejam pessoas instruídas nos deveres do cristão e sejam movidas e inflamadas pelo amor de Deus e do próximo.

Um grande exemplo deste santo zelo, que todos devemos ter, e do modo com que devemos praticar nos oferece a Rainha dos Anjos, Maria. Sabemos que Maria permaneceu sete anos no Egito e sabemos quanto bem fez por lá até que voltou a Nazaré; antes estivera na montanha, na casa de São João Batista, onde permaneceu três meses, conversando familiar e espiritualmente com todos (238). Viajou de Jerusalém a Éfeso, como dizem os Santos Padres; foi igualmente a Antioquia e a outros lugares, sempre cheia de graça, de caridade e de zelo; valia-se da oração, das conversações e do bom exemplo (239), pois era tão modesta, recolhida e boa, que diz São Dionísio (240), se a fé não tivesse esclarecido o assunto, todos poderiam pensar que ela era Deus, igual a seu Filho. No entanto, sua virginal modéstia, diz Santo Inácio Mártir (241), viu-se submetida às grandes murmurações dos escribas e fariseus, inimigos do seu divino Filho; ela, no entanto, não se detinha por isso, nem se afligia, antes, se mostrava mais alegre pela sorte que tinha em poder imitar seu filho Jesus e igualmente com seu exemplo poder animar os apóstolos e discípulos, presentes e futuros, a sofrerem e a continuarem sua missão.

Estes três meios, oração, bom exemplo e conversação familiar, são comuns para homens e mulheres, tanto para sacerdotes como para leigos; eu me permito aqui rogar a todos que se valham também da meditação dos novíssimos: morte, juízo, inferno ou paraíso. Sim, meditem quanto mais, melhor, sobre estas verdades e estejam sempre dispostos e preparados a aproveitarem das ocasiões que frequentemente se apresentam (242).

Deus nosso Senhor, por boca de um santo, nos diz: Memorare novissima tua et in aeternum non peccabis (243).

Tenhamos sempre presente estas importantes palavras e façamos que também os outros se recordem delas e assim evitaremos muitíssimos males.

Na vida de Santa Teresa de Jesus se lêem estas palavras ditas pela Santa: “Esteve o Senhor uma vez, por mais de uma hora, mostrando-me coisas admiráveis, que me parece não saírem de dentro de mim: Disse-me: ‘Olha, filha, o que perdem os que são contra Mim; não deixe de dizê-lo’” (244).

A mesma Santa refere que tirou muito proveito da visão do inferno e conta isto entre os maiores benefícios que o Senhor fez a ela mesma e para bem de muitas almas (245).

São João Crisóstomo (246) não cessava de dar graças a Deus por ter criado o inferno, e para não se esquecer nunca do inferno tinha em seu escritório um quadro que representava uma alma condenada no inferno. E o a lembrança do inferno é um feio onde conter o coração humano sobre o precipício do mal; para isto é necessária uma grave e eterna ameaça, de outra maneira fica vã e sem força esta ameaça.

Enfim, o quarto meio é a pregação da divina palavra, que não deve jamais ser descuidada e especialmente nos dias festivos; particularmente no Advento e na Quaresma, a divina palavra deve ser anunciada com maior força e energia (247). Todos os anos devem ser feitos os exercícios espirituais e cada três anos ou quanto muito a cada cinco anos, uma missão.

Finalmente, o quinto meio é a propagação dos bons livros e de não grande volume, que levem o sinal da aprovação eclesiástica. O bem que se pode fazer com a leitura de um bom livro não se pode calcular e, sendo esta a melhor esmola que pode ser feita (248), certamente receberá por isso de Deus um prêmio cem vezes maior na vida eterna (249).

Aqui colocamos um ponto final em nossas palavras, recomendando a devoção a Maria Santíssima, a São José, ao Arcanjo São Miguel, a Santa Catarina de Sena, advogada da contrição e a todos os demais santos e santas da celeste Sião (250).


NOTAS

(1) Cf. Gén cc. 7 y 8; Heb 11, 7.
(2) Mc 16, 16. En el ejemplar del Nuevo Testamento traducido por Torres Amat, que el P. Claret tenía en su biblioteca, este texto está marcado al margen con una raya a lápiz.
(3) Advertimos ya desde el principio que, al escribir esta breve biografía de San Pedro Nolasco, el P. Claret siguió la «versión vulgar», tomando los datos de biógrafos poco o nada críticos. Creemos que se valió especialmente de Colombo, F., Vida del gloriosísimo patriarca y padre San Pedro Nolasco (Madrid 1671); de Ribadeneira, P. de, Flos sanctorum (Madrid 1761) t. l pp. 305-317, que resume a Colombo, y de Croisset, J., Año cristiano, enero (LR, Barcelona 1853) pp. 449 454. Ex libris. Conviene tener en cuenta esta advertencia de un gran estudioso del Santo: «Hay autores que, discurriendo por cuenta propia o guiados por testimonios nada seguros, escriben hasta con minuciosidad sobre la patria, nacimiento y vida de San Pedro Nolasco, cuando las noticias aprovechables que de él hoy conocemos apenas permiten establecer algunos jalones, indicando en ocasiones determinadas las huellas de su acción moldeando la heroica obra de las redenciones» (Gazulla, F., La Orden de Nuestra Señora de la Merced. Estudios histórico críticos: (1218 1317) [Barcelo¬na 1934] t. l p. 93).
(4) Entre las numerosas obras, más o menos críticas, sobre San Pedro Nolasco pueden consultarse las siguientes: Bibliografía general: López Placer, G., Libros y escritos mercedarios en torno a San Pedro Nolasco: Estudios 12 (1956) 585 620. - Biografías principales: Cijar, P., Tantum quinque (Zaragoza 1406); Zumel, F., De Vitis Patrum et Magistrorum Generalium ordinis Redemptorum Beatae Mariae de Mercede brevis historia (Salamanca 1588), Id., De initio et fundatione Sacri Ordinis B. Mariae de Mercede Redemptionis captivorum (Salamanca 1588); Merino, P., Vida, muerte y milagros de nuestro glorioso padre San Pedro Nolasco (Sala¬manca 1628); Vargas, B., Vita e miracoli del glorioso padre San Pietro Nolasco, patriarca e fondatore del Sacro e Militare Ordine della Mercé (Palermo 1629), Olignano, G., Vita di San Pietro Nolasco (Napoli 1668); Presentación, J. de la, Vida del glorioso padre San Pedro Nolasco (Cádiz 1669); Ribera, M., Real Patronado (Barcelona 1725); Vázquez Núñez, G., Manual de historia de la Orden de Nuestra Señora de la Merced (Tole¬do 1931) t. l (1218 1574); Pérez, P. N., Vida de San Pedro Nolasco (Siena 1933); Id, San Pedro Nolasco, fundador de la Orden de la Merced (Barcelona 1934); Gazulla, F., La Orden de Nuestra Señora de la Merced. Estudios histórico críticos (1218 1317) (Barcelona 1934) t. 1; Marfán, A. B., Figures laurangaises (París 1937); Gómez, E., San Pedro Nolasco, en Año cristiano (BAC, Madrid 1959) t. I, pp. 197 201; Ignelzi, V., Pietro Nolasco: Bibliotheca Sanctorum (Roma 1968) t. 10 col. 844 852, Gómez, E., Nolasco Pedro: DHEE t. 3 p. 1781; Rubino, A., Pietro Nolasco: Dizionario degli Istituti di Perfezione (Roma 1980) t. 6 col. 1704 1711. - Estudios: La revista mercedaria Estudios dedicó un número extraordinario homenaje de la Provin¬cia Mercedaria de Castilla a San Pedro Nolasco con motivo del VII centenario de su muerte (1249 1949) t. 12 (1956) 193 631.
(5) Sal 67, 36.
(6) Sab 11, 21.
(7) Cf. Sal 21, 4.
(8) El P. Claret sigue la «versión vulgar» de la vida del Santo. Nada de esto ha podido ser comprobado históricamente.
(9) Cf. Colombo, F., Vida del gloriosísimo patriarca y padre San Pedro Nolasco (Madrid 1674) p. 4, Ribadeneira, P. de, Flos sanctorum (Madrid 1761) t. l p. 305. Ex libris.
(10) Cf. Colombo, F., o. c., p. 7, Ribadeneira, P. de, o. c., p. 305.
(11) La fecha y el año de nacimiento se desconocen por completo, aunque cabe suponer que nació hacia 1180. Dan como cierto el día y el año: Colombo, F., o. c., pp. 9 10, y Ribadeneira, P. de, o. c., p. 305. En cambio, Croisset dice que nació en 1189 (cf. Año cristiano [LR, Barcelona 1853] p. 449).
(12) Sobre los nombres de la Orden mercedaria cf. Gazulla, A. F., La Orden de Nuestra Señora de la Merced (Barcelona 1934) t. 1 pp. 221 228.255 270.
(13) Cf. Lc 2, 40.
(14) Jb 31, 18.
(15) Cf. Ribadeneira, P. de, o. c., p. 306.
(16) Los PP. Gaver y Cijar «dicen que nació en Mas Saintes Puelles, lugar situado entre Carcasona y Tolosa, en el bajo Languedoc, cuyos habitantes mantenían frecuentísimo trato con Cataluña, de manera que languedocines y catalanes venían a formar entonces un solo pueblo» (Gazulla, F., La Orden de Nuestra Señora de la Merced [Barcelona 1934] t. l pp. 94 95). «Mas¬-Saintes Puelles es un pueblecito de 900 habitantes, situado en una colina a distancia media entre Tolosa y Carcasona, con estación ferroviaria y a unos cuatro kilómetros de Ricaud, la antigua Recaudum, estación señalada en los itinerarios romanos» (Vázquez, G., Manual de historia de la Orden d Nuestra Señora de la Merced [Toledo 1931] t. l p. 17 n. 1). Sobre este tema pueden verse: Serratosa, R., Dónde nació San Pedro Nolasco: Estudios 6 (1950) 513 522; Vázquez, G., Patria, apellido y originalidad de San Pedro Nolasco: Estudios 12 (1956) 223 231; Palma de Mallorca, A. de, La verdadera patria de San Pedro Nolasco: Analecta Sacra Tarraconensia 13 (1959) 65 79; Ignelzi, V., Famiglia e patria di San Pietro Nolasco: Boletín de la Orden de la Merced n. 1 (1964) pp. 17 25; Devesa, J., Fray Pedro Nolasco en documentos notariales de su tiempo: ¿en dónde nació San Pedro Nolasco?: Obra Mercedaria 41 (1983) n. 163 164 pp. 17 26 n. 165 pp. 17 29 n. 166 pp. 32 39.
(17) Cf. Colombo, F., o. c., pp. 4 5; Ribadeneira, P. de, o. c. p. 305.
(18) Los albigenses fueron herejes neomaniqueos que se desarrollaron sobre todo en el sur de Francia durante los siglos XII y XIII. Enseñaban, entre otras cosas, la existencia de una divinidad buena y otra mala, creadora del mundo material. Tomaron el nombre de la ciudad de Albi, donde muchos de ellos residían. Fueron vencidos por la cruzada de Simón de Montfort (1202 1229) y por la Inquisición. Fueron anatematizados en el IV Concilio de Letrán, en 1215.
(19) Cf. Colombo, F., o. c., p. 21; Ribadeneira, P. de, o. c., p. 306.
(20) Cf. Ecli 33, 29: Muchos vicios enseñó la ociosidad.
(21) Cf. Ribadeneira, P. de, o. c., p. 307. San Antonio María Claret comienza a proyectar en San Pedro Nolasco su propia vida. También él nos dice en su Autobiografía que en sus años infantiles le gustaba estar siempre ocupado (n. 31) y «los días de fiesta pasaba más tiempo en la iglesia que en casa» (n. 47).
(22) Jaime I el Conquistador nació en Montpellier, en 1208. Hijo de Pedro II de Aragón y de María de Montpellier. Fue rey de Aragón y de Mallorca (1213 1276). Sometió a la nobleza, conquistó las islas Baleares (1229 1235) y Valencia (1236 1239) y envió una escuadra a Tierra Santa. Estableció la paz con Francia y Castilla. Fue un rey prudente, moderado y leal. Los historiadores le reprochan la división del reino entre sus hijos Pedro III de Aragón y Jaime II de Mallorca. El rey Jaime I el Conquistador tuvo parte activa en la fundación de la Orden de la Merced, como se verá más adelante.
(23) La actual ciudad de Toulouse es capital del departamento del Alto Garona y del Languedoc, a orillas del río Garona, con sede arzobispal y catedral construida en los siglos XI XIII. Actualmente tiene unos 400.000 habitantes.
(24)Cf. Colombo, F., o. c., p. 30; Ribadeneira, P. de o. c., p. 307.
(25) Santo Domingo de Guzmán (Caleruega, entre 1110 y 1175 Bolonia 6 agosto 1221). Canónigo en Osma. Predicador evangélico en el sur de Francia. Fundador de la Orden de Predicadores (1215). Propagador de la devoción del rosario. Canonizado por Gregorio IX el 3 de julio de 1234. Su fiesta se celebra el 4 de agosto (cf. Garganta, J. M., Guzmán, Domingo de: DHEE II pp. 1070 1072).
(26) Cf. Colombo, F., o. c., pp. 81 82; Ribadeneira, P. de, o. c., p. 311. Estos autores y otros muchos, siguiendo la «versión vulgar» ponen la enfermedad de San Pedro Nolasco no en su infancia, sino en su juventud. La intervención de Santo Domingo y las palabras proféticas citadas en el texto no son más que mera suposición piadosa, no confirmada históricamente.
(27) Cf. Ribadeneira, P. de, o. c., p. 306.
(28) Cf. Zumel, F., De vitis Patrum (Salamanca 1588) p. 62, quien dice que, al morir su padre, Pedro tenía quince años. Lo mismo afirman Colombo, F., o. c., p. 53, indicando la fecha: 1197, y Guede, L., La Merced (Málaga 1977) p. 8, quien dice que murió entre agosto de 1195 y julio de 1196. En el impreso italiano figuraba «quattordici» (catorce). Claret corrigió encima y al margen: «24».
(29) Cf. Zumel, F., o. c., p. 62; Colombo, F., o. c., pp. 33 35; Ribadeneira, P. de, o. c., p. 307.
(30) Lo mismo solía hacer el P. Claret sobre todo en ocasiones en las que se veía obligado a tomar decisiones importantes, que podían tener incidencia decisiva en su vida: siempre recurría a la oración para encontrar la luz de la voluntad divina.
(31) Cf. Rom 8, 18; 2 Cor 4, 17. También aquí San Antonio María Claret realiza una proyección de su propia vida durante los años difíciles de su juventud, cuando trabajaba como tejedor en Barcelona. El joven Claret experimentó en su misma carne la fragilidad de la vida, la vanidad del dinero y la inconstancia del amor humano (cf. Aut. n. 71.73 76.72).
(32) Carcasona es la capital del departamento francés del Aude. Ciudad medieval, con sede episcopal y un famoso castillo, del siglo XII. En la actuali¬dad tiene unos 50.000 habitantes.
(33) Así lo hacía también Claret en su juventud, aplicándose al estudio cuanto podía, «dirigiéndolo siempre con la más pura y recta intención que podía» (Aut. n. 87). Y así lo recomendaba a los estudiantes de la Congrega-ción de Misioneros por él fundada: «Omnia ad Dei gloriam facient»: «Lo harán todo a mayor gloria de Dios» (segundas Constituciones, n. 95 cf. Lozano, J. M., Constituciones y textos de la Congregación de Misioneros [Barcelona 1972] p. 453).
(34) Al hablar de la visión del ángel del Apocalipsis, que tuvo lugar el 24 septiembre 1859, escribe el P. Claret: «El Señor quiere que yo y mis compa¬ñeros imitemos a los apóstoles Santiago y San Juan en el celo, en la castidad y en el amor a Jesús y a María» (Aut. n. 686). De forma parecida se expresa en otras ocasiones (cf. Docum. Aut. II; Escritos autobiográficos [BAC, Madrid 1981] p. 413; Luces y gracias 1859: ib., p. 647).
(35) Cf. Mt 22, 37 40; Mc 12, 30 33; Lc 10, 27.
(36)La afición del P. Claret a visitar a los enfermos, sobre todo en los hospitales, fue continua durante toda su vida. Lo hacía ya en Vic durante sus años de seminarista (cf. Fernández, C., El Beato P. Antonio María Claret. Historia documentada de su vida y empresas [Madrid 1946] t. I pp. 73 74). Siguió la misma costumbre en Sallent cuando estuvo al frente de aquella parroquia (cf. Aut. n. 110), y en Roma, cuando fue novicio jesuita (cf. Aut. n. 165), en Cuba, durante sus años de arzobispo de Santiago (cf. Aut. n. 571), en Madrid, siendo confesor de la reina Isabel II (cf. Aut. n. 637), y nuevamente en Roma durante la prepara¬ción y la celebración del concilio Vaticano I (cf. Puig, Lorenzo, Notas biográficas..., en Claret, Escritos autobiográficos [BAC, Madrid 1981] p. 669).
(37) En el impreso italiano dice «venti» (veinte), pero el mismo Claret, o una mano extraña, escribió al margen, dentro de un círculo, «30».
(38) Cf. Colombo, F., o. c., pp. 35 36; Ribadeneira, P. de, o. c., p. 308.
(39) Cf. Mt 19, 23; Mc 10, 25; Lc 18, 25.
(40) Cf. Mt 8, 20; Lc 9, 58.
(41) Cf. Mt 19, 16 22; Mc 10, 17 22; Lc 18, 18 23; Zumel, F., De initio ac fundatione Sacri Ordinis B. Mariae de Mercede Redemptionis captivorum (Salamanca 1588) p. 4.
(42) Cf. Zumel, F., De vitis Patrum... (Salamanca 1588) p. 4. Nótese cómo para los santos la Palabra de Dios es viva y eficaz y tan cercana al hombre, que Dios habla en el presente a todo el que la escucha con fe y obediencia sincera. Esta idea debió de ser particularmente agradable para el P. Claret, que descubrió su vocación misionera a través de la lectura carismática de la Biblia.
(43) Gén 12, 1 2. Cf. Ribadeneira, P. de, o. c., p. 308.
(44) Cf. Colombo, F., o. c., pp. 46; Ribadeneira, P. de, o. c., p. 308. Un autor añade que San Pedro Nolasco «concibió en Monserrate la Militar Orden de la Merced, que fundó después en Barcelona» (Serra y Postius, P., Epítome histórico del portentoso santuario de Monserrate [Barcelona 1749] p. 105). El monasterio de Montserrat había sido fundado en 1025 por el abad Oliba.
(45) En la traducción italiana figura la fecha «nell’anno 1215, vigesimo secondo di sua età»: en el año 1215, 22 de su edad), que Claret corrigió primero, escribiendo «trigessimo», y luego tachó.
(46) Cf. Ribadeneira, P. de, o. c., p. 308. Sobre las antiguas ermitas, que eran al menos cinco, cf. Cardona, O. Camprubí, R., Montserrat (Barcelona 1977) pp. 151 158.
(47) Hch 9, 6.
(48) Cf. Ribadeneira, P. de, o. c., p. 309.
(49) Siempre fue grande la afición del P. Claret a trazar planes de vida para sí mismo y para sus dirigidos.
(50) El plan de vida que Claret atribuye a San Pedro Nolasco es parecido al que el Santo misionero siguió en Vic durante sus años de seminario (cf. Aut. n. 85 87).
(51) En el ejemplar italiano del Santo se indicaba la edad: «di 22 anni» (de veintidós años), que él corrigió, escribiendo a mano «32»; luego lo tachó todo con doble raya.
(52) «Moros» llamaba el pueblo español a los invasores musulmanes, que desde el año 711 ocuparon la mayor parte de la península ibérica. Sus centros más importantes estuvieron en Andalucía, Aragón y Valencia. Refiriéndose al año de la fundación de la Orden de la Merced, escribe un biógrafo de San Pedro Nolasco: «En este año 1218, el sarraceno dominio dilataba su injusto intruso imperio hasta los más deliciosos españoles reynos, las más nombradas ciudades y las más pingües regiones, de manera que quedaba la católica española cristiandad cautiva entre los bárbaros grillos, dominantes en la mayor y más feliz parte de aquélla, reducida a una tal infelicidad y desgra¬cia... En dicho año dominaba el sarraceno yugo en los reynos de Sevilla, Granada, Jaén, Córdoba, Murcia, Valencia, Mallorca y Menorca, y así no podía dexar de ser máximo el guarismo de los fieles oprimidos de la penosa esclavitud» (Ribera, M. M., Centuria primera del real y militar instituto de la ínclita religión de Nuestra Señora de la Merced [Barcelona 1726] p. 1.ª p. 4).
(53) «Otros piadosos varones no tardaron en seguir tan hermoso ejemplo, y, como él, vendieron también sus bienes, que sirvieron para el mismo fin; hicieron más aún: agotados estos recursos, todos a una, confiando en la divina Providencia, comenzaron a pedir limosna por las iglesias, resueltos a llevar adelante por este medio la magna obra que habían comenzado» (Gazulla, F., La Orden de Nuestra Señora de la Merced [Barcelona 1934] t. l p. 98).
(54) Cf. Ribadeneira, Pedro de, o. c., p. 312. Conviene advertir que todo esto pertenece a la «versión vulgar». La crítica histórica moderna demuestra, más bien, que San Raimundo no fue director ni de San Pedro Nolasco ni de Jaime I.
(55) Actualmente, se cree que nació en Villafranca del Panadés (Barcelo¬na) hacia 1185 (cf. García y García, A., Peñafort, Raimundo de: DHEE t. 3 pp. 1958 1959). Sobre la intervención de San Raimundo en la fundación de la Orden de la Merced cf. Gazulla, F., o. c., t. 1 pp. 146 176.
(56 Sobre San Raimundo de Peñafort puede verse: Rius Serra, J., San Raimundo de Peñafort: diplomatario, documentos, vida antigua, crónicas, etc. (Barcelona 1954); Balme y Pabán, Raymundiana t. 4 y 6, Monumenta Historica O. P.; Constant, O. P., Vie de Saint Raymond de Peñafort (París 1888); Mortier, P., Histoires des maîtres généraux de l’Ordre des Frères Précheurs t. 1 pp. 225ss; Vallas y Taberner, F., San Ramón de Penyafort (Barcelona 1936); Garganta, J. M., San Raimundo de Peñafort, en Año cristiano (BAC, Madrid 1959) t. 1 pp. 160 165; Danzas, A., Saint Raymond de Peñafort et son époque (París 1845); Durán y Bas, M., San Raimundo de Peñafort (Barcelona 1889); Vacas Galindo, E., San Raimundo de Peñafort (Roma 1919); García y García, A., Peñafort, Raimundo de: DHEE III pp. 1958 1959.
(56) Cf. Mt 25, 14 23; Lc 19, 11 19.
(57) Don Berenguer de Palou nació en Barcelona de noble familia. Fue primero canónigo y después obispo de Barcelona desde 1212. Se distinguió por su caridad hacia los pobres y los enfermos. Durante muchos años dio de comer por su propia mano cada día a 122 pobres de la ciudad. Murió el 24 de agosto de 1241 (cf. Serratosa, R., El obispo D. Berenguer de Palou: Estudios 14 [1958] 652 654).
(58) Aquí el P. Claret añadió a mano una palabra en su impreso italiano: «arrivarono» (llegaron).
(59) En el ejemplar impreso decía: «piantarono la prima pietra e quindi edificarono» (pusieron la primera piedra y después edificaron). Claret tachó esta frase y escribió al margen: «e nell’anno 1222 cominciaron edificar» (y en el año 1222 comenzaron a edificar).
(60) Nicolás Rossell (Palma de Mallorca 1314 ib., 1362). Ingresó en la Orden de Predicadores en 1326. Maestro de teología, provincial de Aragón inquisidor general del reino y confesor del rey Pedro IV de Aragón. Creado cardenal por Inocencio IV en 1356. El escrito aludido en el texto debe de ser Commentarii de rebus Ordinis Praedicatorum, manuscrito (cf. Galmés, L., Rosell, Nicolás: DHEE III p. 2111). Una biografía más amplia en Moroni, G., Dizionario di erudizione storico ecclesiastica (Venezia 1852) vol. 59 pp. 159 160. El libro indicado fue escrito en Roma, en 1357 (cf. Vargas, B. de, Chronica sacri et militaris Ordinis B. Mariae de Mercede redemptionis captivorum [Panormi 1619] p. 40).
(61) En el lugar donde surgían el convento y la iglesia de Santa Catalina se instaló la plaza mercado de Isabel II (cf. Saurí, M. Matas, J., Manual histórico topográfico estadístico y administrativo, o sea, Guía general de Barcelona [Barcelona 1849] p. 125).
(62) Cf. Vargas, B. de, o. c. p. 40; Colombo, F., Vida del gloriosísimo patriarca y padre San Pedro Nolasco (Madrid 1774) p. 195. «Esta misma fecha se encuentra en el antiguo libro manuscrito en pergamino en el que se registraban las profesiones de los religiosos del convento de Santa Catalina de Barcelona» (nota de Claret). No sabemos de dónde tomó esta información el P. Claret. La fecha de ingreso y profesión de San Raimundo es hoy dudosa. Sólo se sabe con certeza que en 1229 ya era miembro de la Orden de Santo Domingo.
(63) «Aunque profesó y permaneció en la misma religión, el Santo de Peñafort se sabe que trabajó mucho hasta el final de su vida en favor de los esclavos cristianos y por la conversión de los musulmanes por medio de los religiosos dominicos (cf. el Bulario de los padres Predicadores, publicado en Roma el año 1739, t. 1 pp. 310 y 395)» (nota de Claret).
(64) Cf. Colombo, F., o. c., pp. 136 145.
(65) Se llama «eudoxiana» a la basílica romana de San Pedro ad vincula porque Eudoxia III, hija de Teodosio y esposa de Valentiniano III, la mandó edificar hacia el año 442. En esta iglesia se conservan las cadenas con las que San Pedro estuvo atado en su prisión de Jerusalén, y se conserva también el mausoleo del Papa Julio II con la famosa estatua de Moisés, obra de Miguel Angel.
(66) «Véase el breviario en los días 23 de enero y 31 del mismo mes y el 24 de septiembre, donde se narra esta santa revelación y fundación» (nota de Claret). Sobre este punto cf. Vargas, B. de, o. c. pp. 37 38 Ribadeneira, P. de, Flos sanctorum (Madrid 1761) t. 1 pp. 313 314.
(67) Cf. Zumel, F., De initio et fundatione... pp. 4.9; Id., De vitis Patrum... (Salamanca 1588) pp. 68; Ribadeneira, P., o. c., pp. 4 6. Sobre el hábito mercedario cf. Gazulla, F., o. c., pp. 121 127.
(68) Cf. Zumel, F., De initio et fundatione... pp. 5 6; Id., De vitis Patrum... pp. 68 69; Ribadeneira, P. de, o. c., p. 314; Croisset, J., o. c., pp. 450 451. «La mayoría de los autores, aceptando la versión vulgar, que comenzó a correr en el siglo XV, recogida por el P. Gaver (1445) en su Speculum Fratrum, han venido diciendo que San Raimundo de Peñafort y Jaime I tuvieron la misma visión, mas en nuestros días los trabajos de crítica y de depuración se han impuesto, y ya no es posible seguir pensando igual» (Gazulla, F., o. c., t. l p. 104).
(69) Cf. Zumel, F., De initio et fundatione... pp. 6 7.
(70) Cf. Zumel, F., De vitis Patrum... p. 69.
(71) Cf. Zumel, B., De initio et fundatione... pp. 7 8; Colombo, B., o. c., p. 151.
(72) En el impreso italiano dice «dodici» (doce). Claret lo tachó y escribió, al margen, «tredici» (trece). Resulta difícil identificar a los 13 primeros mercedarios. El P. Gazulla afirma: «Se ignora quiénes fueron los primeros que ingresaron en la Orden» (o. c., p. 129). Uno de los grandes estudiosos de la historia de la Merced ofrece la lista siguiente: Guillén de Bas, Bernardo de Corbera, Arnoldo de Carcasona, Ramón de Montolíu, Ramón de Monca¬da, Pedro Guillén de Cervelló, Domingo Dos o Dosso, Ramón de Ullestret, Hugo de Mataplana, Guillén de Sanjulián, Bernardo de Scorna, Poncio de Solanes y Ramón de Blanes (cf. Garí y Siumell, A., Historia de las redenciones de cautivos por la Orden de la Merced [Barcelona 18731 p. 4). Sobre este punto cf. Sancho Blanco, A., San Pedro Nolasco y sus primeros compañeros y la confirmación y constitución apostólica de la Orden: Estudios 12 (1956) 233 264; Guede, L., La Merced (Málaga 1977) p. 11.
(73) Cf. Zumel, F., De initio et fundatione... p. 20.
(74) Cf. Vargas, B. de, o. c., pp. 41 42; Colombo, F., o. c., pp. 151 152; Ribera, M. M., o. c., p. 1.ª pp. 6 7.
(75) En la versión italiana se lee «dodici» (doce). Claret corrigió el texto, escribiendo al margen «tredici» (trece).
(76) En la publicación italiana, el texto continúa así: «Sei cioè da cavalieri secolari, e gli altri sei in qualità di chierici religiosi, i quali erano i più fervorosi e divoti di quella congregazione» (es decir, seis como caballeros seculares, y los otros seis en calidad de clérigos regulares, los cuales eran los más fervorosos y devotos de aquella congregación). El P. Claret tachó estas líneas en el ejemplar de su uso.
(77) Cf. Zumel, F., De initio et fundatione... pp. 8 9.
(78) Gál 6, 14. En el Nuevo Testamento traducido por Torres Amat perteneciente a la biblioteca del P. Claret, este texto está marcado con una raya a lápiz.
(79) Sobre el cuarto voto cf. Regula et Constitutiones Regalis Ordinis Beatae Mariae de Mercede Redemptionis captivorum (Madrid 169t) c. 4: De voto redemptionis pp. 65 67; Zumel, F., Scholia ad cap. XXV, ib., pp. 119 121; Ribera, M. M., o. c., p. 8; Lahoz, B., El cuarto voto mercedario: Estudios 12 (1956) 357 400, Guede, L., El cuarto voto y la espiritualidad mercedaria, en La Merced (Málaga 1977) 2.ª ed., pp. 218 223; Morales Ramírez, A., Historicidad del espíritu del cuarto voto en América Latina: Analecta Merce¬daria 1 (1982) 57 96.
(80) Cf. Colombo, F., o. c., p. 156. Sobre una posible, que no probable, aprobación de la Orden por Honorio III, que ocupó la cátedra de San Pedro de 1216 a 1227, «vivae vocis oraculo», cf. Gazulla, F., La Orden de Nuestra Señora de la Merced (Barcelona 1934) t. 1 p. 239.
(81) Cf. Zumel, F. De initio et fundatione... pp. 11 12; De vitis Patrum... p. 73; Vargas, B. de o. c., pp. 53 54; Colombo, F., o. c., pp. 242 243; Gazulla, F., o. c., pp. 253 254; Sancho Blanco, A., San Pedro Nolasco y sus primeros compañeros y la confirmación y constitución apostólica de la Orden: Estudios 12 (1956) 233 264. Gregorio IX gobernó la Iglesia de 1227 a 1241.
(82) En estas breves líneas, el P. Claret proyecta sobre su biografiado su propio estilo de evangelizador: ejemplo, conversaciones familiares, predicación incansable, viajes siempre a pie y celo ardiente. Todo ello aparece con nitidez en las páginas centrales de su Autobiografía (cf. n. 384 437, 334 336, 274 309, 460 471, 438 453).
(83) «Bossuet en el panegírico de San Pedro Nolasco» (nota de Claret). El sermón lo predicó en París, en la iglesia de los Mercedarios, el 31 de enero de 1665 0 1666. He aquí el texto original del célebre predicador francés: «S’il y a quelque chose au monde, quelque servitude capable de représenter à nos yeux la misère extrême de la captivité horrible de l’homme sous la tyrannie des démons, c’est l’état d un chrétien captif sous la tyrannie des mahométans. Car le corps et l’esprit y souffrent une égale violence, et l’on n’est pas moins en péril de son salut que de sa vie» (Oeuvres complètes de Bossuet [Pa¬rís 1887 2.ª ed. t. 7 p. 222).
(84) Cf. Zumel, F., De vitis Patrum... p. 65; Colombo, F., o. c., p. 95. Sobre las redenciones cf. Garí y Siumell, A., Historia de las redenciones de cautivos por la Orden de la Merced (Barcelona 1873) 464 págs.; Touron del Pie, E., La Orden de la Merced desde 1218 a 1330 (hacia una síntesis histórica de la redención de cautivos): Estudios 26 (1970) 397 436.
(85) Alfonso VIII (nacido hacia 1156 y muerto en 1214) sucedió a su padre Sancho III, cuando apenas contaba tres años de edad, en 1158. Su madre muerta al nacer él, fue Blanca de Navarra. Famoso, sobre todo, por el gran triunfo conseguido contra los moros en la batalla de las Navas de Tolosa (1212). Murió en Gutierre Muñoz (Ávila) el 6 de octubre de 1214.
(86) Cf. Ribadeneira, P. de, o. c., pp. 309 310.
(87) Guillén de Bas, de origen francés, fue superior general de la Orden de 1245 a 1260. «Había tomado el hábito en el acto de la fundación. Cooperó siempre con el santo patriarca en la mejor solución de los difíciles comienzos. Fue su lugarteniente en muchas circunstancias y lugares. De carácter afable y caballeresco, captóse las simpatías del rey fundador, al que apoyó en los momentos difíciles» (Guede, L., La Merced [Málaga 1977] 2.ª ed., p. 34). Fue maestro general por segunda vez de 1266 hasta su muerte. Murió santamente en el otoño de 1270. Sobre él cf. Zumel, F., De vitis Patrum... pp. 83 84; Vargas, B. de, o. c., p. 45. Sobre sus dos generalatos cf. Vázquez, G., Manual de historia de la Orden de Nuestra Señora de la Merced (Toledo 1931) t. 1 (1218 1574) pp. 65 85, 93 98. «Sus obras - escribe este autor - nos lo muestran... como un hombre lleno de espíritu y de iniciativas, el mejor colaborador de San Pedro Nolasco y el que más contribuyó a dar a la Orden su sello y carácter propio» (ib., p. 97).
(88) Cf. Ribadeneira, Pedro de, o. c., p. 310.
(89) Valencia había sido tomada por los almohades en 1102. En 1238 sería definitivamente reconquistada para la cristiandad por Jaime I el Conquis¬tador.
(90) Cf. Colombo, F., o. c., pp. 130 131. Jaime I de Aragón conquistó Ma¬llorca en 1229, Menorca en 1232 e Ibiza en 1235, inaugurando así la influencia de la cultura catalana en aquellas islas.
(91) Berenguela, reina de León y de Castilla, nació hacia 1180. Hija mayor de Alfonso VIII y mujer de Alfonso IX de León. Reinó de 1197 a 1204, y más tarde, en 1217. Mujer de gran inteligencia y excelsas dotes políticas, a ella se debió el gran empuje dado a la Reconquista. Al final de su vida se retiró al monasterio de Las Huelgas, de Burgos, donde murió en los primeros días de noviembre de 1246.
(92) Cf. Linás, J., Bullarium caelestis ac regalis Ordinis B. Mariae Virginis de Mercede Redemptionis captivorum (Barcinone 1696) p. 2.
(93 Un autor moderno habla de 5.405 rescatados, a los que se han de sumar otros 500 (cf. Guede, L., o. c., p. 500).
(94) Cf. Colombo, F., o. c., pp. 208 211.
(95) Además de la casa madre de Barcelona (1218) San Pedro Nolasco fundó las siguientes: Perpiñán (1226) Palma de Mallorca (1229), Gerona (1234), Vic (1237), Lérida, Valencia (San Vicente), Tortosa, Arguines, Algar (1238), El Puig, Castellón de Ampurias (1239), Guardia del Prats Burriana, Narbona (1240), Tarragona, Santa María de los Prados (hacia 1240), Sarrión (1242), Portell San Ramón y Denia (1244) y tal vez algunas más en fecha incierta.
(96) Cf. Ex 17, 11 13.
(97) A ti te alabaré (Sal 110, 1).
(98) Envió a su pueblo la redención (Sal 110, 9).
(99) Cf. Zumel, F., De initio et fundatione... p. 22. Este autor afirma que murió en 1249, pero al margen alguien escribió 1256. Dicen que murió en 1256 otros autores: Colombo, F., o. c., p. 353; Ribadeneira, P. de, o. c., p. 316. Hoy se sabe con certeza que la fecha exacta de su muerte fue el 13 de mayo de 1249 (cf. Serratosa, R., Muerte del santo patriarca: Estudios 12 [1956] 205 222). El 30 de septiembre de 1628 fue reconocido por la Congregación de Ritos el culto inmemorial de San Pedro Nolasco, junto con el de San Ramón Nonato. El 5 de junio de 1664, la misma Congregación extendió su fiesta a la Iglesia universal, ordenando insertarla en el misal y en el breviario romanos para el 29 de enero. Más tarde pasó al 31 del mismo mes. El 2 de septiembre de 1679 fue declarado patrono de Mallorca (cf. Delgado Varela, J. M., Sobre la canonización de San Pedro Nolasco: Estudios 12 [1956] 264 295).
(100) Cf. Hch 6, 5; 7, 55.
(101) Sobre fray Ramón de Blanes, que murió asaeteado en Granada, en 1235, cf. Zumel, F., De vitis Patrum... p. 28; Garí y Siumell, A., o. c. pp. 34 36.
(102) Se cree que nació en Londres hacia 1175. Fue cruzado en Oriente con Ricardo Corazón de León y soldado en la batalla de las Navas de Tolosa (1212). Redentor de cautivos con San Pedro Nolasco desde 1225. Realizó, al menos, tres redenciones en Argel: en 1229, 1232 y 1240. Fue martirizado de forma cruel el 14 de noviembre de 1240. El 14 de julio de 1728, Roma reconocía su culto inmemorial y el 21 de agosto de 1743 se le inscribía en el martirologio universal. Su fiesta se celebra el 16 de noviembre (cf. Zumel, F., De vitis Patrum... p. 76; Garí y Siumell, A., o. c., pp. 46 49; Guede, L., o. c., p. 192). El año lo añadió Claret a mano en el ejemplar de su uso.
(104) vio la luz en Portell (Lérida) a finales del siglo XIII. Se llamaba Ramón Salons o Surrons. Tomó el hábito mercedario hacia 1320. Hacia 1345 el papa Clemente VI quiso nombrarle cardenal. Cuando se dirigía a Aviñón murió santamente hacia 1346. Urbano VIII extendió a toda la Iglesia, en 1628, el culto que se le tributaba antes en Cataluña y en toda la Orden de la Merced. Su fiesta se celebra el 31 de agosto (cf. Zumel, F., De vitis Patrum... pp. 75 77; Vargas, B. de, o. c., pp. 108 111; Colombo, F., o. c., pp. 255 256; Vázquez, G., Mercedarios ilustres [Madrid 1966] pp. 37 42; Domínguez, E. G., Ramón Nonato: DHEE III pp. 2046 2047, Guede, L., o. c., pp. 193 194).
(105) No pudo ser Gregorio IX (Papa de 1227 a 1241), sino Clemente VI, tal como se indica en la nota anterior.
(106) Cf. Sal 115, 15.
(107) Nació en Valencia hacia 1227. Hizo sus estudios en la universidad de París, donde fue compañero de San Buenaventura y de Santo Tomás de Aquino. Ingresó en la Orden de la Merced en 1251. Obispo de Jaén en 1296. Visitando su diócesis, cayó prisionero de los moros, que lo llevaron a Granada, donde fue martirizado el 6 de diciembre de 1300 mientras celebraba la misa. Su culto fue aprobado por Clemente X en 1670. Su fiesta se celebra el 6 de diciembre (cf. Colombo, F., o. c., p. 216; Garí y Siumell, A., o. c., p. 110 115; Varios, San Pedro Pascual en el III centenario de la canonización [Valencia 1972 1973] 3 tomos de 103, 119 y 199 págs.; Sanlés, R., Pascual, Pedro: DHEE III p. 1885).
(108) Santo Tomás de Aquino (Roccasecca hacia 1225 - fallecido en el monasterio de Fossanova, mientras se dirigía al Concilio de Lyón, en 1274), doctor de la Iglesia.
(109) San Buenaventura (1221 1274), doctor de la Iglesia.
(110) Cf. Rom 8, 18.
(111) Entre sus obras figuran: Contra el fatalismo musulmán, publicada por Valenzuela, P. A., Obras de San Pedro Pascual, mártir (Roma 1907) t. 3 pp. 54 92, y Sobre la seta (sic) mahometana: ib. (Roma 1908) t. 4, 358 págs. Sobre esta última obra cf. Portugal, C., Aspectos apologéticos de la obra «Sobre la seta mahometana», de San Pedro Pascual en III centenario de la canonización de San Pedro Pascual (Valencia 197i) pp. 41 62.
(112) En la edición italiana se lee 1302. Claret corrigió la última cifra.
(113) Sobre este punto cf. Valenzuela, P. A., Obras de San Pedro Pascual, mártir (Roma 1907) t. 2 pp. 223 224, Fuente, V. de la, Vida de la Virgen María, con la historia de su culto en España (Barcelona 1877 1879) t. 2 p. 283; Pérez, N., La Inmaculada y España (Santander 1954) pp. 18.21, quien afirma rotundamente: «Pocos escritores, ni en España ni fuera de Espada, han expresado tan netamente la creencia en la Inmaculada Concepción como el santo obispo de Jaén San Pedro Pascual, martirizado en Granada el año 1300» (ib., p. 23). Al P. Claret le interesa poner de relieve este punto. Él mismo, siendo arzobispo de Santiago de Cuba, escribió una hermosa pastoral al clero y pueblo de su archidiócesis. La publicamos íntegra en este mismo volumen.
(114) Nació hacia 1230 probablemente en Barcelona. Vástago de la familia de los condes de Urgel. Llevó una juventud azarosa, como capitán de bandole¬ros. Convertido, entró en la Orden de la Merced y se ordenó de sacerdote. Realizó varias redenciones en Africa y Andalucía. En 1266 fue ahorcado en un árbol en Bugía, pero se salvó milagrosamente de la muerte, tal como se dice en el texto. Murió en Santa María del Prats hacia 1304. Su culto inmemorial fue confirmado por Inocencio XI en 1686. Su fiesta se celebra el 27 de abril (cf. Zumel, F., De vitis Patrum... pp. 77 79; Vargas, B. de, o. c., pp. 137 138; Garí y Siumell, A., o. c., pp. 78 80; Gómez, E., Armengol, Pedro: DHEE, I, p. 95; Guede, L., o. c., pp. 192 193).
(115) Probablemente, el P. Claret visitó el sepulcro del Santo cuando misionó, del 2 al 13 de abril de 1846, en Montblanch, «población en la que habló en menos de doce días, dieciocho veces al pueblo, nueve a los eclesiásti¬cos, tres a religiosas y una a los presos» (Fernández, C., El Beato P. Antonio María Claret [Madrid 1946] t. l p. 233).
(116) «Et in Saracenorum potestate in pignus (si necesse fuerit ad Redemptionem Christi fidelium) detentus manebo» (nota de Claret). Así se lee en Regula et Constitutiones B. Mariae Virginis de Mercede Redemptionis Capti¬vorum (Salamanca 1588) c. 25 p. 105. Ya antes, en las de 1272, se decía: «Se empleen [los religiosos] en trabajar, con todo su corazón y buena obra, en visitar y librar a los cristianos cautivos en poder de sarracenos y de otros enemigos de nuestra ley. En cumplimiento de la cual obra de caridad estén siempre los frailes dispuestos alegremente a dar su vida, si fuere menester, como Cristo la dio por nosotros» (Prólogo, Constituciones Amerianas, 1272). Las Constituciones actuales recogen también el cuarto voto con estas palabras: «Impulsados por la caridad, nos consagramos a Dios con un voto particular, en virtud del cual prometemos dar la vida, como Cristo la dio por nosotros, si fuere necesario, para salvar a los cristianos que se encuentran en extremo peligro de perder su fe en las nuevas formas de cautividad» (Constituciones de la Merced n. 14, aprobados el 13 de mayo de 1985).
(117) «Se calcula que sobrepasan el número de 400 los mártires que ha tenido esta ínclita Orden y que han sido más de 1.530 los religiosos que, permaneciendo como rehenes, tuvieron que sufrir fuertes tormentos por esta obra toda de caridad» (nota de Claret).
(118) Sobre el P. Thibaut (en español, Teobaldo de Narbona) cf. Garí y Siumell, A., Historia de las redenciones de cautivos cristianos (Barcelona 1873) pp. 61 63.
(119) Cf. Jn 3, 8.
(120) Cf. Mt 10, 22; 24, 13. «La Beata Mariana de Jesús, nacida en Madrid, donde murió en el año 1624, fue una religiosa heroína en la caridad y en la penitencia» (nota de Claret). Nació en la calle y parroquia de Santiago, de Madrid, en 1565. Tomó el habito de terciaria de la Orden Mercedaria en 1613 y profesó en 1614. Después de una vida llena de virtudes y milagros y de una admirable acción social, murió en la capital de España, en 1624. Fue beatificada por Pío VI. Su cuerpo incorrupto se conserva en la iglesia de las Mercedarias de Madrid (cf. Gómez, E., Mariana de Jesús: DHEE, III, p. 1418).
(121) Santa María de Cervellón o del Socors nació en Barcelona hacia 1210. Fue colaboradora de San Pedro Nolasco y dirigida de fray Bernardo de Corbera. Se hace beata profesa de la Orden de la Merced en 1265 y, ayudada por su confesor, funda las religiosas mercedarias para atender a los presos, a los enfermos y a los pobres. Fue devotísima de la eucaristía y gozó de grandes dones místicos y del don de hacer milagros. Murió en Barcelona el 19 de noviembre de 1290. Su cuerpo se conserva incorrupto en la basílica de la casa madre de la Orden. Inocencio XII ordenó su inserción en el martirologio en 1692 (cf. Vargas, B. de, o. c., p. 112 113; Gómez, E., Cervellón, María de: DHEE, I, p. 402; Guede, L., o. c., p. 193).
(122) En el impreso italiano dice, equivocadamente, 1220. Claret corrigió la fecha, escribiendo 1290.
(123) Nació en Caillac, en el Languedoc francés. Vistió el hábito de la Tercera Orden de la Merced, en la que profesó. Fue muy devota de Jesús crucificado. Gozó del don de milagros. Murió el 4 de julio de 1355, a los cuarenta y dos años. Está enterrada en la iglesia de la Merced de Toulouse (cf. Ignelzi, V., Natalia di Tolosa: Bibliotheca Sanctorum [Roma 1967] t. 9 col. 765 766).
(124) Cf. Sal 115, 15.
(125)Así se expresa la bula de Benedicto XIII: «Non minus quam ceteri Fratres mendicantes in excolenda vinea Domini assidue laborant ac ingentes afferunt fructus, et ad procurandam semper copiosiorem captivorum huius¬modi (qui ab eis usque nunc redempti ad septuaginta mille sexcentorum, et septuaginta novem et forsan ultra numerum ascendunt) redemptionem ad consulendum dicti Ordinis Beatae Mariae de Mercede Redemptionis Capti¬vorum Fratrum praedictorum longinquas regiones pro redimendis captivis ipsis adeuntium manutentioni qui elemosynas piasque fidelium largitiones, et subventiones ab eisdem fidelibus coguntur» (bula Aeternus aeterni Patris Filius: Bullarium Ordinis 1646 1817, Archivo General de la Orden de la Merced, Roma).
(126) Para las páginas que siguen cf. Pérez, P. N., Religiosos de la Merced que pasaron a la América española (1514 1777) (Sevilla 1924) 492 págs.; Id., Historia de las misiones mercedarias en América (Madrid 1966) 487 págs.
(127) Nació en Jerez de la Frontera (Cádiz). Fue el primer mercedario que pasó a América, como capellán de Colón, en 1493. En 1495 se dedicaba a la conversión de los indios en Santo Domingo con el P. Solórzano (cf. Placer, G., Infante, Juan: DHEE, II, p. 1192). «Estuvo, por lo menos, cuatro años en el Perú, durante las guerras civiles. Se halló en la batalla de Guarina como capellán del ejército real para animar e confesar la gente que estaba por su Magestad» (Pérez, P. N., Religiosos de la Merced que pasaron a la América española (1514 1777) (Sevilla 1924] p. 182). Fue visitador en Méjico. Murió asesinado por un pariente de Moctezuma.
(128) En realidad, la primera misa en América la celebró el P. Bernal Boyl en la Isabela, en 6 de enero de 1494 (cf. Lopetegui, L. Zubillaga, F., Historia de la Iglesia en la América española [BAC, Madrid 1965] p. 216).
(129) El P. Juan de Solórzano, primer apóstol de Cuba y allí mártir de la fe; acompañó a Colón, junto con el P. Juan Infante, en su segundo viaje, en 1494 (cf. Castro Seoane, J., Aviamiento y catálogo de misiones de la Merced de Castilla a las Indias durante el siglo XVI según los libros de la contratación de pasajeros a Indias: Missionalia Hispanica 20 [1963] 26).
(130) San Antonio María Claret estuvo en Cuba, como arzobispo de Santia¬go, desde el 16 de febrero de 1851, fecha en que desembarcó en la isla con sus misioneros hasta el 12 de abril de 1857, fecha en que se embarcó para la Península, llamado por Isabel II para que fuera su confesor.
(131) Baracoa está situada en la parte oriental de la isla, junto al mar. Claret nos cuenta en su Autobiografía uno de sus viajes por tierra a aquella ciudad, en febrero de 1853, con las peripecias surgidas a lo largo de un camino escabroso y peligrosísimo (cf. Aut. n. 540 542).
(132) Lo indica también en la Autobiografía, sin mencionar al P. Solórzano: «Por la tarde llegamos felizmente a la ciudad de Baracoa, en el punto en que al llegar a la isla de Cuba, puso los pies el descubridor Colón; todavía se conserva la cruz que plantó cuando llegó» (n. 542).
(133) En el impreso italiano escribieron, erróneamente, “Almedo”. Claret lo corrigió al margen. Fray Bartolomé de Olmedo (Olmedo 1481 Méjico 1524) pasó a América en 1516. De Cuba se trasladó a Méjico en 1518. «Fue castellano, natural de la villa de Olmedo, e hijo del doctor Ochaita, médico, oriundo de Durango, en Vizcaya, y avecindado en Olmedo». «Durante la conquista de Méjico no sólo fue capellán del ejército, sino consejero de Cortés en los lances apurados, fue hombre erudito, de carácter amable y franco, lo que le ganó el afecto de los indios y soldados; avisado y sagaz para desempeñar cualquier misión delicada que se le confiase... La atracción que ejerce en las almas grandes lo desconocido con sus peligros y aventuras, y, más que todo, el deseo de convertir y bautizar infieles, le llevaron a La Habana a ofrecer sus servicios al gobernador Velázquez y al capitán de la armada, quienes no vacilaron en nombrarle capellán de la memorable expedición». «Hallóse también el P. Olmedo en la célebre retirada de Méjico, llamada, con razón, la noche triste, en la cual salvó la vida sólo porque tuvo la suerte de salir con los primeros escuadrones de la vanguardia, si bien perdió en la salida cuanto llevaba consigo» (Pérez, P. N., Religiosos de la Merced que pasaron a la América española (1514 1777) [Sevilla 1924] pp. 21 23.27 28). El P. Olmedo, que convirtió y bautizó en Nueva España más de 2.500 indios, murió en la ciudad de México a finales de octubre o primeros de noviembre de 1524. Sobre este religioso cf. Cuevas, M., Historia de la Iglesia en México (Tlalpam D. F. México 1921] t. I, pp. 115 116; Placer López, G., Fray Bartolomé de Olmedo, capellán de los conquistadores de Méjico: Estudios 16 (1960) 573 819; Lopetegui, L. Zubillaga, F., Historia de la Iglesia en la América española (BAC, Madrid 1965) pp. 284 287, 290 Vázquez, G., Hernán Cortés y el P. Olmedo. Mercedarios ilustres (Madrid 1966) pp. 179 191.203.
( 134) Nació en Medellín (Badajoz), en 1485. Ayudó a la conquista de Cuba desde donde emprendió la de Méjico en 1519. Gran gobernante, culto y noble. Murió pobre en Castilleja (Sevilla), en 1547.
(135) Pánfilo de Narváez nació entre 1470 y 1480. Fue capitán en el Nuevo Mundo. Valiente y afable, pero egoísta y obstinado, carente de condiciones de mando. Enemigo de Hernán Cortés. Murió en 1529.
(136) En el impreso italiano se lee “Orense”. Claret lo corrigió, escribiendo al margen, “de Orenes”. Fray Miguel de Orenes debió de nacer hacia 1515. Fue provincial de los mercedarios del Perú en tiempos del conquistador Francisco Pizarro. Pasó gran parte de su vida en aquellas tierras, donde murió (cf. Pérez, P. N. Religiosos de la Merced que pasaron a la América española [Sevilla 1924] pp. 171 176; Vázquez, G., Un documento curioso del P. Miguel de Orenes, en Mercedarios ilustres [Madrid 1966] pp. 245 254). “Refiere el P. Luis de Vera, en su Memorial sobre la fundación de la Merced en el Perú, que fray Miguel de Orenes murió, en su convento del Cuzco, a la avanzada edad de ciento diez años” (Pérez, P. N., o. c., p. 176).
(137) En el impreso italiano dice, equivocadamente, “Alberón”. Fray Cristó¬bal de Albarrán fue provincial del Cuzco. Fue asesinado por los indios chiriguanaes en agosto o primeros de septiembre de 1566 (cf. Pérez, P. N., o. c., pp. 299 300, Vázquez, G., El Venerable P. Cristóbal de Albarrán, mártir, en Mercedarios ilustres, ed. cit. pp. 242 244).
(138) Pasó a América hacia 1514. Fundó casas de la Merced en Panamá Santo Domingo, Nicaragua y Colombia entre 1524 y 1527. Fue viceprovin¬cial. Murió hacia 1538 (cf. Pérez, P. N., o. c., pp. 31 50; Vázquez, G., El P. Francisco de Bobadilla, en Mercedarios ilustres, ed. cit., pp. 192 202.204; Guede, L., o. c. p. 76).
(139) El emperador Carlos V (1500 1558), rey de España (1516) y empera¬dor de Alemania (1530).
(140) Nació en Jerez de la Frontera (Cádiz). Intervino en las primeras fundaciones del Perú, adonde llegó hacia 1537. Fue martirizado en Panamá, en 1556 (cf. Garí y Siumell, A., o. c., p. 445, Pérez, P. N., o. c., pp. 202 206). Aunque el P. Claret le llama santo, en realidad nunca se la dado oficialmente tal calificativo.
(141) Cf. Tertuliano, Apologeticum L 13: Corpus Christianorum, serie latina, Tertulliani Opera pars I (Turnholti 1954) p. 171; Rouet de Journel, Enchiridium Patristicum (Herder, Barcelona 1962) n.285.
(142) «Esta Orden ha tenido 13 cardenales, 4 patriarcas y muchos arzobis¬pos y obispos, se ha dividido en 17 provincias, ha tenido más de 500 escritores públicos y gran número de padres, que con mucha fama han ocupado las cátedras de las ciencias y de las artes en las universidades» (nota de Claret). Según la estadística de 1983, la Orden mercedaria cuenta con 8 provincias, 156 comunidades en Africa, América y Europa, 10 obispos, 509 sacerdotes, 3 diáconos permanentes, 211 profesores no sacerdotes (de ellos, 115 seminaristas y 86 hermanos), 50 novicios y 241 aspirantes. Sobre la Orden de la Merced puede verse: Gómez, E., Mercedarios: DHEE III pp. 1474 1476; Gaver, N., Speculum fratrum Sacri Ordinis Sanctae Mariae de Mercede (Valladolid 1933), Saavedra, J., La Real y Militar Orden de Nuestra Señora de la Merced (Madrid 1948); Rubino, A., Dizionario degli Istituti di Perfezione, s.v. “Mercedari” (Roma 1978) V col. 1219 1228; Vázquez, G., Manual de historia de la Orden de Nuestra Señora de la Merced, 2 vols. (Toledo 1936), Brodman, J. M., The Origins of the Mercedarian Order: Studia Mon. 19 (1977) 253 260, Dossat, Y., Les Ordres de rachat. Les Mercédaires, en Assistence et charité (Toulouse 1978) pp. 365 387. Pikaza, X. Rubino, A. Herrada, J., Carisma y espiritualidad de la Orden de la Merced (Roma 1979) 144 págs.; Portugal, C., Reflexiones acerca del carisma mercedario (Roma 1981) 74 págs.; González, E., San Pedro Nolasco y los Mercedarios, libres para liberar: Imágenes de la Fe n. 180 (1983) 34 págs.
(143) Gén 1, 1.
(144) Ef 6, 12. Este texto de San Pablo tiene gran importancia en la vocación y en la espiritualidad apostólica de San Antonio María Claret. Fue para él especialmente significativo en la ordenación de diácono, que tuvo lugar en Vic el 20 de diciembre de 1834. «Entonces - dice en su Autobiografía -, el Señor me dio un claro conocimiento de lo que significaban los demonios que V; en la tentación» (Aut. n. 101).
(145) Cf. Ef 6, 13.
(146) Cf. 2 Cor 10, 4. En el ejemplar de los ejercicios espirituales de San Ignacio, comentados por el P. Ignacio Diertins, que le regalaron los PP. Jesuitas al salir del noviciado de Roma, y que se conserva en el museo claretiano de la Ciudad eterna, el P. Claret escribió estas palabras: Hae sunt arma militiae nostrae (Estas son las armas de nuestra milicia). Quería indicar así el sentido de combate característico de su apostolado, como lucha, con la espada de la Palabra de Dios, contra los poderes del mal y de la mentira.
(147) I Jn 3, 8: In hoc apparuit Filius Dei ut dissolvat opera diaboli (I Ep. 3. 8).
(148) 1Cor 2, 2.
(149) Cf. Jn 14, 16.
(150) Pelagio fue un monje irlandés (n. en el año 418) que negaba el pecado original, no admitía el bautismo de los niños y afirmaba que el hombre puede salvarse por sus propias fuerzas. Fue combatido por San Agustín y condenado por hereje en el XVI sínodo de Cartago, celebrado en los años 417 418 (cf. DS 222 230), en el concilio Arausicano (Orange) II, del año 529 (cf. DS 371 397).
(151) San Agustín de Hipona (354 430), eximio doctor de la Iglesia.
(152) Cf. Sal 120, 4.
(153) “Esta Orden fue aprobada por el sumo pontífice Inocencio III en el año 1206 y confirmada por el papa Honorio III en el día 22 de diciembre de 12161” (nota de Claret). Sobre la Orden de Predicadores cf. Palomo, C., Dominicos: DHEE II pp. 766 772.
(154) “Esta religión de los Menores consiguió su aprobación del papa Inocencio III en el año 1210, y del concilio Lateranense el año 1215; y, finalmente, fue confirmada por Honorio III en el año 1223” (nota de Claret). San Francisco de Asís (1182 1226) dio origen a tres órdenes: la primera, fundada en 1209, cuya regla propia aprobada en 1223, es seguida por tres grandes familias religiosas: franciscanos simplemente dichos, conventuales y capuchinos; la segunda, a la que pertenecen las clarisas y concepcionistas, y la tercera, de la que forman parte seglares de ambos sexos, llamados terciarios franciscanos, religiosos terciarios regulares y religiosas tercia¬rias de numerosas congregaciones femeninas. Sobre los franciscanos cf. Carbajo, D., Elementos de historia de la Orden Franciscana (Murcia 1958); Vázquez, L., Franciscanos: DHEE II p.957 959. Sobre los capuchi¬nos cf. Aspurz L., Capuchinos: DHEE I pp. 340 342.
(155) «La religión de los Trinitarios fue fundada en el año 1197 y aprobada por Inocencio III. Posteriormente tuvo una reforma, que fue aprobada por Clemente VIII" (nota de Claret). La fundación la realizaron en Ciervofrío (Francia) San Juan de Mata (1160 1213) y San Félix de Valois (1127 1212). La reforma, que tuvo lugar a finales del siglo XVI, fue dirigida por el Beato Juan Bautista de la Concepción y aprobada en 1599 (cf. Porre, B., Trinitarios: DHEE IV pp. 2594 2595).
(156) «La Compañía de Jesús fue aprobada por Paulo III en el año 1540» (nota de Claret). Su fundador fue San Ignacio de Loyola (1491 1556). San Antonio María Claret, que fue novicio jesuita en Roma en 1839 1840 (cf. Aut. nn. 139 167), profesó siempre gran afecto a la Compañía de Jesús, con la que tuvo relaciones muy íntimas durante casi toda su vida, sobre todo en Cuba y en España siendo confesor de Isabel II (cf. Frías, L., El Beato Antonio María Claret y sus relaciones con la Compañía de Jesús: Razón y Fe 104 [1934] 434 460, Tisnés, R. M., San Antonio María Claret y los jesuitas desterrados de la Nueva Granada: Revista Javeriana 47 [1957] 53 62). Sobre la Compañía de Jesús cf. Villoslada, R. G., Jesuitas: DHEE II p. 1231 1237.
(157) La Congregación del Oratorio fue fundada en Roma, en 1575, por San Felipe Neri (1515 1595). Sus Constituciones fueron aprobadas por Paulo V en 1612 (cf. García, J. Alba, A., Oratorianos: DHEE, III, pp. 1810¬-1811). Las relaciones del P. Claret con los padres de los oratorios de Barcelona y Vic fueron muy íntimas.
(158) San José de Calasanz (1556 1648) fundó las Escuelas Pías en Roma, en 1600. En 1622 lograron el rango de orden religiosa (cf. Vila, C. Escola¬pios: DHEE II pp. 808 810). San Antonio María Claret trabajó para llevar escolapios a Cuba y lo consiguió, logrando que establecieran colegios en Camagüey (entonces Puerto Príncipe) y Guanabacoa (cf. Bau, C., Historia de las Escuelas Pías en Cuba, La Habana 1957).
(159) San Vicente de Paúl (1576 1660) fundó la Congregación de la Misión, con otros cuatro compañeros, en París el 17 de abril de 1625. El instituto fue aprobado por Urbano VIII en 1633 (cf. Herrera, J. Historia de la Congregación de la Misión [Madrid 1949], Paradela, B., Resumen histórico de la Congregación de la Misión en España (1704 1868) [Madrid 1923], Herrera, J., Paúles: DHEE III p. 1950). Sobre el fundador cf. Román, J. M., San Vicente de Paúl, Biografía, BAC (Madrid 1982) 707 págs., Orcajo, A.-Pérez Flores, M., San Vicente de Paúl. Espiritualidad y selección de escritos, (BAC, Madrid 1981) 551 págs. Sobre el P. Claret y los Paúles cf. Herrera, J., San Antonio María Claret y los Misioneros de San Vicente de Paúl: La Milagrosa 36 (1950) 116 120.
(160) San Alfonso María de Ligorio (1696 1787), doctor de la Iglesia fundó la Congregación del Santísimo Redentor en Scala, cerca de Amalfi, el 9 noviembre de 1732. El nuevo instituto fue aprobado por Benedicto XIV en 1749 (cf. Ferrero, F., Redentoristas: DHEE III pp. 2058 2059). San Antonio María Claret, tanto en su espiritualidad como en su acción evangelizadora, se inspiró mucho en San Alfonso, a quien tuvo gran devoción. Fue también amigo íntimo de varios redentoristas, entre ellos del siervo de Dios P. Victorio Loyódice. Sobre las relaciones de San Antonio María Claret con San Alfonso, cf. Tellería, R., San Alfonso María de Ligorio (Madrid 1951) t. 2 pp. 929 931. Escribe este autor: «Culto más rendido [que otros] le tributó el gran apóstol del siglo, San Antonio María Claret, que, sin mengua de sus cualidades y virtudes, veneró a San Alfonso como a su dechado y modelo» (ib., p. 929).
(161) San Pablo de la Cruz (1694 1775) fundó la Congregación de la Pasión el 22 de noviembre de 1720, que fue aprobada por Benedicto XIV en 1741 (cf. San Pablo, B. de, Pasionistas: DHEE III p. 1886). Las relaciones de San Antonio María Claret con las diversas órdenes y congregaciones religiosas han sido estudiadas por Fernández, C., El Beato... (Madrid 1946) t. 2 pp. 225 235; Álvarez, J., San Antonio María Claret y la vida religiosa: Vida Religiosa 29 (1970) 205 264.
(162) Resulta interesante ver cómo San Antonio María Claret en este capítulo, en el que habla “de la providencia especialísima bajo la cual Dios tiene a la Iglesia militante”, inserta, como último eslabón de una larga cadena de fundaciones, la Congregación por él fundada. Ello indica que la considera¬ba como obra de Dios para hacer frente a los males de los tiempos modernos. En la fundación le secundaron los PP. Esteban Sala (1812 1858), José Xifré (1817 1899), Domingo Fábregas (1817 1895), Manuel Vilaró (1816 1852) y el venerable Jaime Clotet (1822 1898). La Congregación claretiana que cuenta con unos 3.000 miembros, tiene como misión la predicación misionera de la palabra o el anuncio del Evangelio y tiene comunidades en los cinco continentes. De la fundación, que tuvo lugar en Vic (Barcelona), habla el mismo Fundador en su Autobiografía (n. 488 494). Sobre la Congre¬gación cf. Aguilar, M., Historia de la Congregación de Misioneros Hijos del Inmaculado Corazón de María (Barcelona 1901) 2 vols.; Fernández, C., La Congregación de los Misioneros Hijos del Inmaculado Corazón de María (1849 1912) (Madrid 1967) 780 págs.; Id., La Congregación de los Hijos del Inmaculado Corazón de María. Compendio histórico de sus primeros sesenta y tres años de existencia (1849 1912) (Madrid 1967) 2 vols.
Una visión parecida sobre la historia de la Iglesia la ofreció el Santo a sus misioneros de Vic en los ejercicios que les dirigió en el verano de 1865. En un apunte de la plática sobre el celo escribía: «Cuando nació Pelagio en Inglaterra, nació San Agustín en Tagaste. Cuando se presentaron los albigen¬ses, Dios envió Santo Domingo y San Francisco. Con el rosario. Cuando empezó Lutero a publicar sus errores en el año de 1521, en este año fue herido San Ignacio en Pamplona. A mediados del siglo XIX, que en Alemania Strauss, Hegel, Scheling han publicado el panteísmo; en Francia, M. Renán ha escrito contra la divinidad de Jesucristo, en España la Santísima Virgen ha fundado su sagrada Congregación, para que su Corazón sea la arca de Noé, la torre de David, ciudad de refugio y el sagrado propiciatorio» (Mss. Claret, X, 75 76; Lozano, J. M. Constituciones y textos sobre la Congregación de Misioneros [Barcelona 1972] p. 602).
(163) Cf. Rom 8, 3.
(164) Todo esto aparece en las Constituciones de 1865, redactadas por el Santo: una hora de oración mental (II n. 46), oficio divino (II n. 48); rosario y visita (II n. 33); estudio (II n. 50); lectura espiritual (II n. 31); santificación propia y salvación de las almas de todo el mundo (I, n. 2); actividades apostóli¬cas (II, n. 63) (cf. Lozano, J. M., Constituciones y textos sobre la Congregación de Misioneros [Barcelona 1972] pp. 511, 503, 511, 501, 359, 521).
(165) Responsorio de la lectura VIII de maitines en la fiesta de la Anuncia¬ción de la Virgen María.
(166) Ella quebrantará tu cabeza (Gén 3, 15).
(167) Al P. Claret le gustaba dar estos calificativos a Nuestra Señora, sobre lodo en la oración “¡Oh Virgen y Madre de Dios!”, que tanto propagó en sus opúsculos y hojas volantes. «Estas dos palabras, Virgen y Madre - escribe en su Autobiografía -, las puse porque me acordaba al escribirlas que, cuando era estudiante, en un verano leí la vida de San Felipe Neri escrita por el P. Conciencia, en dos tomos en 4.°, que decía que el Santo gustaba mucho de que se juntasen siempre estas dos palabras, Virgen y Madre de Dios, y que con ellas se honra mucho y se obliga a María Santísima» (n. 317).
(168) Sobre Claret devoto y apóstol del rosario ver en este mismo volumen p. 365 nt. 121.
(169) Cf. Gén 3, 15; Ap 12, 17.
(170) Cf. Mt 13, 52: Qui profert de thesauro suo nova et vetera.
(171) Jn 14, 2.
(172) Cf. Mt 19, 17, Mc 10, 19, Lc 18, 20: Ya sabes los mandamientos.
(173) Cf. Mt 19, 21; Mc 10, 21; Lc 18, 22: Todavía te falta una cosa para ser perfecto: vende todos tus haberes y dalos a los pobres, y tendrás un tesoro en d cielo, v después ven y sígueme.
(174) Cf. Sal 44,10.
(175) Cf. I Jn 2, 16.
(176) Libro de la vida c. 32 n. 11: Obras completas (BAC, Madrid 1962)
(177) Vosotros sois hijos del diablo (Jn 8, 44).
(178) Cf. Mt 10, 24; LC 6, 40; Jn 13, 16
(179) Cf. Lc 2, 34.
(180) Anuncio cf. Mt 16, 21; 17, 12.22 23; 20, 18 19; Mc 10, 32 34; Lc 18, 31 33. Realidad: cf. Mt c. 26 27, Mc c. 14-15; Lc c. 22 23, Jn c. 18 19.
(181) Cf. Mt 19, 17 Mc 10,19 Lc 18, 20.
(182) Cf. Mt 19, 21; Mc 10, 21; Lc 18, 22.
(183) 1 Jn 4, 8.16.
(184) Col 3, 14.
(185) Gravemente o bajo pecado grave.
(186) Santo Tomás, Summa theol. 2, 2 q. 186 a. 2c.
(187) Esta doctrina, común en el tiempo del Santo, está hoy superada por la teología moderna, que afirma la posibilidad y la necesidad de que todo cristiano, religioso o no, consiga la perfección a la que está llamado. Así lo ha indicado con fuerza el Concilio Vaticano II en la constitución dogmática sobre la Iglesia Lumen gentium, al hablar de la “universal vocación a la santidad en la Iglesia” (n. 39 42).
(188) Cf. Mt 19, 29; Mc 10, 29 30; Lc 18, 29 30.
(189) La comparación del celo apostólico con el fuego es frecuente en el P. Claret (cf. Aut. n. 439 441; Carta pastoral al pueblo de su diócesis (Santiago de Cuba 1853) p. 5; Boletín de la Sociedad de San Vicente de Paúl en España
(Madrid 1860) t. 5, p. 102). Un libro leído por el Santo en su juventud pudo sugerirle esta comparación: «La doctrina - decía - es como la pólvora, y los ejemplos como las balas, que penetran los corazones» (Andrade, Alonso de, Itinerario historial que debe guardar el hombre para caminar al cielo (Madrid 1646) p. 7. Ex libris.
(190) «El misionero apostólico - escribe - ha de tener el corazón y la lengua de fuego de caridad» (Aut. n. 440).
(191) 2 Cor 5, 14: La caridad de Cristo nos urge. Este texto lo tiene marcado con una raya marginal en su ejemplar del Nuevo Testamento traducido por Torres Amat. Fue el lema de su escudo arzobispal.
(192) Toda la vida de Claret está impulsada y guiada por el amor de Cristo, que, a través de mociones e iluminaciones interiores, le llama a evangelizar y le comunica su Espíritu que lo posee plenamente (cf. Aut. n. 118; Carta pastoral al pueblo, ed. cit., p. 6). El Espíritu de Pentecostés, que estimuló a los apóstoles, empuja a Claret al apostolado y se convierte en él en un fuego devorador que no le deja sosegar (cf. Aut. n. 8 17.211 212.227.448.638, carta al P. Jaime Clotet, 1 julio 1861; EC, II, p. 321; cartas a la M. Antonia París, 30 enero 1862: EC, II, p. 441; 23 febrero 1863: EC, II, pp. 626 627).
(193) Claret la llama santa, pero en realidad es beata, como se indicó anteriormente.
(194) Las vidas de los santos, especialmente de los más apostólicos, tuvieron en la vida de Claret, una importancia extraordinaria. Ya en Vic, durante sus años de seminario, leía u oía leer la vida del santo del día (cf. Aut. n. 87). Más tarde leyó muchas vidas de santos de todos los tiempos. El efecto fue grande, sobre todo para encenderle cada vez más en el fuego de su vocación misionera (cf. Aut. n. 225 227). Ya en la Autobiografía escrita en 1861 y 1862, copió amplios párrafos de las vidas de las santas de las que habla a continuación (cf. Aut. n. 235 263).
(195) Santa Rosa de Lima nació en aquella ciudad el 20 de abril de 1586. Fue confirmada por Santo Toribio de Mogrovejo. Vistió el hábito dominicano en 1606. De vida muy penitente y llena de celo apostólico, gozó de elevada contemplación y se vio favorecida con el don de milagros. Murió en Lima el 24 de agosto de 1617.
(196) Cita ad sensum a Ribadeneira, P. de, Flos sanctorum (Madrid 1761) t. 2 p. 650. Ex libris.
(197) Santa Catalina de Sena (1347 1380), dominica, de extraordinaria vida mística, mediadora de paz, trabajó con éxito para conseguir que el papa Gregorio IX volviera de Aviñón a Roma. Proclamada doctora de la Iglesia por Pablo VI el 4 de octubre de 1970.
(198) Cf. Gisbert, L., Vida portentosa de la seráfica y cándida virgen Santa Catalina de Siena (Gerona 1804) p. 9.
(199) Cf. Beato Raimondo da Capua, La vita di S. Caterina da Siena (Roma 1866) Prólogo primo XV p. 10. Ex libris.
(200) Santa Teresa de Jesús (Teresa Cepeda y Ahumada) nació en 1515 en Avila. Carmelita desde 1535. Gran mística y reformadora del Carmelo. Fundó 18 conventos de mujeres y 15 de varones con la colaboración de San Juan de la Cruz. Murió en Alba de Tormes, en 1582. Proclamada doctora de la Iglesia por Pablo VI el 27 de septiembre de 1970.
(201) Martín Lutero (1483 1546), reformador y heresiarca, excomulgado por León X en 1520, se separó de la Iglesia de Roma.
(202) Juan Calvino (1509 1564), reformador, que implantó su doctrina heterodoxa, sobre todo, en Ginebra.
(203) Santa Teresa de Jesús, Fundaciones, c. 1 n. 7: Obras completas (BAC, Madrid 1962) p. 500. Los párrafos de la Santa que copió en la Autobiografía los tomó de la Vida y del Camino de perfección (cf. Aut. n. 242 258).
(204) Tomado de Dubois, H., Práctica del celo eclesiástico, trad. de Modes¬to de Lara y González (Madrid 1864) pp. 23 24; cf. Ribadeneira, P. de, Flos sanctorum. (Madrid 1761) t. 2 p. 162, Ex libris; Puccini, V., La vita di Santa Maria Maddalena de’ Pazzi, vergine, nobile fiorentina (Venecia 1739) p. 124.
(205) La autora de este libro es Sor María de Jesús de Agreda (1602 1665) en el siglo, María Coronel y Arana, franciscana concepcionista y venerable. Su fama se debe precisamente a esta obra y a sus relaciones epistolares con el rey Felipe IV (cf. Vázquez, I., Agreda, María de Jesús de: DHEE I p. 14). San Antonio María Claret apreció mucho esta obra y la utilizó como libro de lectura espiritual, mandando que la imprimiera la Librería Religiosa. En una carta al Papa le suplicó la renovación de la causa de la Venerable, que había sido interrumpida (carta a Pío IX, 28 mayo 1867: EC II p. 1148).
(206) Mística ciudad de Dios (LR, Barcelona 1860) t. 6 p. 350.
(207) Cf. 1Tim 2,4.
(208) Mística ciudad de Dios, ed. cit., p. 351.
(209) Cf. Ez 33, 11.
(210) Mística ciudad de Dios, ed. cit., p. 352.
(211) Ib., p. 353.
(212) La devoción a San Miguel estuvo siempre muy arraigada en San Antonio María Claret. Bajo su protección, junto con la Virgen de Montserrat puso la Librería Religiosa (cf. Aut. n. 329), haciéndole figurar también entre los compatronos de la Congregación de Misioneros (cf. Constituciones 1857, I, n. 1). La Academia de San Miguel, fundada por el Santo en 1858, tendrá al arcángel como patrono principal. Su devoción la recomienda en el opúsculo Excelencias y novena de San Miguel (LR, Barcelona 1859) 24 págs. Otros escritos de Claret nos indican el sentido de esta devoción, en la que ve a San Miguel como capitán de los ejércitos de Dios y protector de la Iglesia militante, en consonancia con el carácter batallador del apostolado claretiano (cf. Aut. n. 268 273; Plan de la Academia de San Miguel [LR, Barcelona 1859] p.4; Tardes de verano [LR, Barcelona 1864] p. 145; Las dos banderas [LR, Barcelona 1870] p. 39).
(213) Miguel (Micael) significa “¿Quién como Dios?”.
(214) En su infancia y juventud, los motivos del celo se centraban en la preocupación por la salvación eterna de los hombres (cf. Aut. n. 8 15). Más tarde, sin descuidar este primer aspecto, la gloria de Dios y el amor al Padre prevalecen sobre el motivo de hacer felices a los hermanos (cf. Aut. n. 15 17.203 213). Y éste es el motivo principal en las líneas que siguen.
(215) En el impreso italiano dice “percezione”. Claret escribió, al margen, “possessione”.
(216) Lo dice también en la Autobiografía con una pregunta: «El callar ¿no sería un crimen?» (n. 17).
(217) La idea de que el misionero debe tener corazón de madre con el prójimo es frecuente en los últimos años de la vida de Claret (cf. Aut. n. 211). «Tendré para con Dios corazón de hijo; para conmigo, severidad de juez, y para con el prójimo corazón de madre» (Propósitos 1864: Escritos autobiográ¬ficos [BAC, Madrid 1981] p. 569; cf. Propósitos 1866: ib., p. 575; Notas espirituales; ib., pp. 607 608).
(218) La oración es uno de los pilares de la espiritualidad claretiana y la encontramos casi siempre en relación con la evangelización. Ya en sus primeros años de sacerdocio dedicaba largas horas a la oración, a imitación de Jesús - nos dice -, que «de día predicaba y curaba enfermos y de noche oraba» (Aut. n. 434). En su espiritualidad, la oración aparece como medio importante de apostolado (cf. Aut. n. 264 273): «El primer medio de que me he valido y me valgo siempre es la oración. Este es el medio máximo que he considerado se debía usar para obtener la conversión de los pecadores, la perseverancia de los justos y el alivio de las almas del purgatorio» (Aut. n. 264; cf. n. 662 663). El progreso en la oración, tanto en la duración como en la intensidad, es patente en la vida del Santo. En sus últimos años dedicará tres horas diarias a la oración mental, sin contar la hora dedicada al rezo de maitines, llegando a hacer el propósito de pasar las noches en oración (Propósitos 1858: Escritos autobiográficos [BAC, Madrid 1981] p. 551).
(219) Summa theol. 2 2 q. 83 a. 2 (cf. San Alfonso de Liguori, Del gran mezzo della preghiera [Monza 1822] p. 19).
(220) Cf. San Agustín, Lib. de serm. domin. c. 7; sermo 230 de tempore; San Juan Damasceno, De fide l. 3 c. 24, San Basilio, In Iulitam Martyr; San Juan Crisóstomo, Homil. 30 in t,en.; San Gregorio, Dial. 1. 1 c. 8. Citados por Rodríguez A., Ejercicio de perfección y virtudes cristianas (LR, Barcelona 1861) p. 1.ª, p. 216. Ex libris.
(221) Cf. Lc 1, 26 38.
(222) Cf. Ex 17,10 13.
(223) Cf. Hch 2, 14, 4, 4.
(224) Cf. Dan 9, 1 19.
(225) Cf. Jer 9, 1, 19; 14, 7 22, etc.
(226) Citado por Faber, F. G., Todo por Jesús, trad. de Jenaro Espino Pua (Madrid 1866) t. 1 p. 189.
(227) Cf. Sant 5, 16.
(228) Cf. Faber, F. G., o. c., p. 194. La frase es exactamente: «Un solo santo vale más que un millón de católicos ordinarios».
(229) En el capítulo, que Claret sigue de cerca, titulado “Por quiénes debemos interceder”, el P. Faber habla de los pecadores, los no católicos, los tibios, los bienhechores, los que aspiran a la perfección, y dice que debemos pedir también por el aumento de la gloria accidental de los bienaventurados y para que Dios envíe santos a la tierra. Claret, guiado por sus preocupacio¬nes apostólicas, reduce la lista (cf. Faber, F. G., o. c., p. 188.193 194).
(230) Summa theol. 2 2 q. 83 a. 14.
(231) Cf. 1Cor 10, 31.
(232) San Agustín, Epist. 121 c. 9: PL 33 501. Citado por Santo Tomás.
(233) Al hablar aquí a todos los fieles, sin distinción, entre los medios apostólicos indicados en la Autobiografía (n. 264 339), escoge los que pueden aplicarse a mayor número de personas: la oración, el ejemplo y las conversa¬ciones familiares, terminando con la predicación y la propaganda de libros buenos.
(234) En el impreso italiano dice “penitenza”. Claret lo corrigió al margen escribiendo “pazienza”.
(235) Cf. Puente, Luis de la, Meditaciones espirituales (LR, Barcelona t856) p. 4.ª med. 46 t. 2 p. 593: «Le movió la heroica paciencia y mansedumbre que vio en Cristo en medio de tantas injurias, y en lugar de sermones, se enterneció con el ejemplo de aquella rara caridad cuando le oyó rogar por sus enemigos».
(236) Sobre este punto cf. Aut. n. 334 336.
(237) Ef 4, 29.
(238) Cf. Lc 1, 56.
(239) San Antonio María Claret ve las vidas de los santos a través del prisma de sus inquietudes apostólicas. En ellas pone de relieve, sobre todo el celo apostólico. Al hablar de los profetas indica únicamente el aspecto misionero, con las persecuciones consiguientes (cf. Aut. n. 214 220). A los apóstoles los ve corriendo y predicando el Evangelio (cf. Aut. n. 223 224). Y lo mismo indica al hablar del Beato Diego de Cádiz y de San Juan de Avila (cf. Aut. n. 228 229). Aquí, refiriéndose a la Virgen, recuerda sus viajes, históricos o supuestos, atribuyéndole el apostolado de la oración, del buen ejemplo y de las conversaciones familiares. Claret ha tomado estas ideas de un libro que utilizó durante toda su vida (cf. Puente, Luis de la Meditaciones espirituales [LR, Barcelona 1856] t. 3 p. 203).
(240) Unas palabras del Pseudo Dionisio (De divinis nominibus c. 3: PG 3, 681) dio lugar a este relato legendario, del que habla ya la Epistula supposita ad Timotheum (PG 3, 1103). El Santo lo ha tomado de La Puente (l. c.), aunque ya lo conocía por otro autor espiritual (cf. Croisset, J., Año cristiano t. 16: Vida de la Santísima Virgen [LR, Barcelona 1855] p. 406. Ex libris).
(241) Cf. Epistola ad S. Ioannem: PG 5, 943. Citado por La Puente (l. c.).
(242) Nuestro Santo aconsejaba con frecuencia la meditación de los novísi¬mos y los tomaba como materia de sus misiones (cf. Aut. n. 294 295). Esta meditación produjo en él una fuerte impresión ya en su infancia, despertando su vocación misionera (cf. Aut. n. 8 15). Pero conviene advertir que, al hablar de los novísimos, siempre abre el corazón a la esperanza del cielo y expone de forma positiva las verdades del infierno y del purgatorio, como advirtió Jaime Balmes: «Habla del infierno, pero se limita a lo que dice la Escritura. Lo mismo en el purgatorio. No quiere exasperar ni volver locos» (Escritos autobiográficos [BAC, Madrid 1981] p. 423). En su comentario a los Ejercicios de San Ignacio (Madrid 1859, pp. 202 213) se encuentra en la primera semana.
(243) En todas tus obras acuérdate de tus postrimerías, y no pecarás jamás (Ecli 7, 40).
(244) Vida c. 38 n. 3: Obras completas (BAC, Madrid 1962) pp. 159 160.
(245) Cf. Vida c. 32 n. 1 6: ib., pp. 131 132.
(246) En el impreso italiano se lee sólo “San Giovanni”. Claret añadió, al margen, “Crisóstomo”.
(247) Así lo ha indicado y ordenado el Concilio Vaticano II (cf. constitución Sacrosanctum Concilium sobre la liturgia, n. 52, 109).
(248) En la vida de Claret, la propagación de libros buenos fue una verdadera obsesión, nacida de su misma experiencia de niño (cf. Aut. n. 37, 41 42) y de mayor (cf. Aut. n. 310 322).
(249) Cf. Mt 19, 29.
(250) Al final del libro figura en una página un “Sumario de las indulgen¬cias y gracias concedidas in perpetuum por la Santa Sede a las cofradías de la Orden de Nuestra Señora de la Merced erigidas canónicamente”. No lo publicamos por considerarlo falto de actualidad y de interés.




Edición y notas por: Jesús BERMEJO, CMF

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