segunda-feira, 24 de maio de 2010

Resultados práticos do comunismo: "pelos frutos, conhecereis a árvore...".

A Rússia da era pós-soviética
http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm/idmat/5A4FFB8D-3048-313C-2E89B17052C8B325/mes/Maio2010
Revelações de um arguto viajante, que analisou a situação reinante na ex-União Soviética. O país é assolado por impressionante processo de decadência e desagregação moral, social e econômica, fruto do comunismo.
Sr. Slawomir “Na Rússia, de cada 100 casamentos, 70 se desfazem. A instabilidade do matrimônio é causada pela falta de princípios religiosos e morais”
O Sr. Slawomir Olejniczak, 42 anos, presidente da Associação pela Cultura Cristã Padre Piotr Skarga e da Fundação com o mesmo nome, visitou recentemente o Brasil, tomando contato com o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira. Sediadas em Cracóvia, segunda cidade da Polônia, as entidades que ele preside defendem os três princípios básicos da civilização cristã — a tradição, a família e a propriedade — e exercem em seu país importante atuação para libertá-lo das seqüelas nele deixadas pelo tirânico regime comunista, que jugulou a Polônia durante décadas. Desenvolvem também ação contra a nova tirania, representada pelas imposições da União Européia às nações-membros no sentido de que aceitem os erros modernos, como as uniões homossexuais, contrários à doutrina e tradição católicas.
O Sr. Slawomir acedeu amavelmente ao convite para conceder uma entrevista sobre sua recente visita à Rússia, e descreveu a trágica situação em que se encontra aquele país, visão pouco difundida no Brasil.
Profundo conhecedor da situação pós-comunista na Polônia, o entrevistado graduou-se em Filosofia pela Universidade Jagiellon de Cracóvia. Para a entrevista, recebeu a reportagem de nossa revista na sede do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, na capital paulista.
* * *
Mais da metade das mortes na Rússia, de pessoas entre 14 e 54 anos, é causada pelo alcoolismo.
Catolicismo— A atual situação da Rússia é pouco conhecida no Brasil, pois a imprensa costuma silenciar o assunto. Mas o pouco que chega ao nosso conhecimento parece indicar que, em conseqüência dos 70 anos de regime comunista, a Rússia está sofrendo um processo de desagregação. Sob o aspecto moral, a situação seria catastrófica: número assustador de divórcios, promiscuidade sexual, taxas muito acentuadas de alcoolismo e uso de drogas, virtual desaparecimento da instituição da família, aumento impressionante da pandemia da AIDS, do número de abortos, etc. O Sr. confirma a objetividade dessa visão?
Sr. Slawomir— A situação na Rússia, após 20 anos da queda do Muro de Berlim, mostra que a experiência comunista de 70 anos foi um fiasco. Não só isso, mas também ocasionou enorme devastação no país, conduzindo-o a uma fase de pré-agonia. O comunismo é associado com freqüência ao ateísmo ideológico, ao sistema político totalitário e à miséria econômica. Mas é preciso ainda lembrar que esse sistema leva a família à degradação, minando o seu papel social e de educadora. Combate a religião e a família, o que dá origem a deploráveis conseqüências morais, psicológicas e sociais.
Permito-me alguns exemplos. A facilidade na concessão do divórcio pelas autoridades administrativas, a pedido do casal (o tribunal decide só em caso de falta de acordo entre os cônjuges, e quando não se sabe o que fazer com os filhos), conduziu à situação atual em que, de cada 100 casamentos, 70 se desfazem. A instabilidade do matrimônio é causada pela falta de princípios religiosos e morais, e em particular pelo alcoolismo e a devassidão sexual. Vale a pena chamar a atenção para o fato de que, pelas estatísticas, cada russo toma anualmente 18 litros de álcool puro, o que ultrapassa duas vezes o limite reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como perigoso para a saúde e a vida. O desregramento moral e os narcóticos conduzem à expansão do vírus HIV, que contamina cerca de 2% da população.
Catolicismo— O Sr. conhece os dados sobre a média anual de abortos por mulher russa?
Sr. Slawomir— A Rússia foi o primeiro país do mundo a legalizar o aborto. Aprovado em 1920 pelo governo comunista, esse método de controle de nascimentos expandiu-se tanto, que 80% das mulheres russas realizam de dois a 20 abortos. Assim, a média é de seis abortos por mulher.
Catolicismo— Outro tema preocupante é o envelhecimento da população. Qual o número de russos que falecem por ano? E quantos nascem?
Sr. Slawomir— A desmoralização da sociedade, a destruição da instituição da família e o aborto causaram deploráveis conseqüências demográficas. Em 1990 a população russa era de 148 milhões. Atualmente é de 140 milhões, e cálculos demográficos indicam que esse número vai cair para 100 milhões no ano 2050. A tendência atual mostra que, a cada ano, morrem 700 mil russos a mais do que os nascimentos. Por exemplo, em 2006: para 1.479.000 nascimentos, ocorreram 2.167.000 mortes. Uma conseqüência desse desequilíbrio é o envelhecimento da população, ou seja, um aumento percentual de pessoas idosas, o que causa diminuição do dinamismo social e definhamento do desejo de desenvolvimento econômico. Além disso, o baixo nível de higiene e o alcoolismo provocam redução da perspectiva de vida. A média de vida na Rússia é de 65 anos, igual à da Índia; e a dos homens é de 58 anos, como a do Paquistão. Segundo um relatório da revista médica “Lancet”, de 1991, mais da metade das mortes na Rússia, de pessoas entre 14 e 54 anos, era causada pelo alcoolismo.
Catolicismo— Depois de décadas de regime oficialmente ateu, qual a porcentagem dos russos que aderem à igreja conhecida como greco-cismática, majoritária no país? Quais as confissões religiosas reconhecidas oficialmente pelo atual governo?
Sr. Slawomir— Qualquer declaração sobre renovação espiritual e religiosa na Rússia precisa ser considerada como mera suposição, pois apenas 2% dos russos são praticantes da religião dita ortodoxa. Além do mais, apesar da abolição oficial do ateísmo, a religião continua a ser controlada pelo Estado. O direito russo só reconhece quatro confissões: a chamada “ortodoxa”, a judaica, a muçulmana e a budista. Todas as outras, inclusive o catolicismo, são tratadas como seitas, e encontram para sua atuação numerosos obstáculos por parte das autoridades. Como exemplo, pode-se indicar a escandalosa expulsão do bispo católico Jerzy Mazur, que o impossibilitou de continuar seu trabalho pastoral na diocese da Sibéria Oriental.
Catolicismo— Há algum desnível considerável entre a situação da população de Moscou e a do restante do país? Membros da antiga nomenklatura comunista continuam usufruindo os antigos privilégios e controlando o poder político, social e econômico?
Sr. Slawomir— Após a queda da União Soviética ocorreu a mudança do regime, ou seja, a transformação do regime comunista numa “democracia” no campo político, e em “mercado livre” no âmbito da economia. Na realidade, foi uma metamorfose do monolítico bloco dos aparatchiks [funcionários ou agentes] comunistas em muitos organismos políticos e econômicos. A nomenklatura transformou-se em nova oligarquia, cujos representantes são membros de diversos partidos políticos e dirigem várias empresas privadas ou estatais. Graças a isso, os antigos comunistas não perderam o poder e a influência, ao mesmo tempo que causam no Ocidente a impressão de que vigora no país uma liberdade econômica e pluralismo político. Sobretudo em Moscou e São Petersburgo aglomeram-se esses grupos privilegiados, cujo nível de vida contrasta drasticamente com a miséria que se expande nas províncias russas. Sabe-se, por exemplo, que Moscou é a cidade no mundo onde mais se vendem automóveis de luxo, como Bentley, Rolls Royce, etc.
Catolicismo— Com a morte (ao menos aparente) do regime comunista, há alguma regulamentação legal a respeito da vida rural e urbana? Algo do princípio da livre iniciativa foi restabelecido no país?
Sr. Slawomir— Foram introduzidas mudanças legais quanto à possibilidade de adquirir terras e imóveis como sendo propriedades privadas, mas com numerosas limitações. Em primeiro lugar, são restrições legais que, por exemplo, concedem aos governos locais o direito de preferência para compra de terras. Só quando não se encontra um comprador coletivo é que essas terras entram para o mercado livre. Além disso, os estrangeiros não têm direito à compra de terras, o que freia significativamente os investimentos do exterior. Há ainda limitações econômicas, porque a única camada social rica em condições de comprar imóveis e terras do Estado russo é justamente a antiga nomenklatura.
Foram também privatizadas grande parte das empresas estatais, mas seus proprietários são sobretudo representantes do regime antigo. Graças a tais regulamentações, parece que o princípio da livre empresa foi de alguma maneira restabelecido, mas ao mesmo tempo ficou ele reservado para benefício da oligarquia pós-comunista. Quanto à vida do russo médio, a situação mudou pouco. Ele continua a cultivar uma extensão agrícola ou ocupar um apartamento, dos quais não é proprietário. A aquisição desses bens não passa de um sonho.

“A desmoralização da sociedade causou deploráveis conseqüências demográficas. Em 1990 a população era de 148 milhões. Atualmente é de 140 milhões”
Catolicismo— Com o colapso demográfico, verifica-se alguma imigração de outros povos para habitar territórios imensos, como o da Sibéria?
Sr. Slawomir— O aumento da crise demográfica e a desmoralização social acarretam uma conseqüência: a Rússia encontra dificuldades cada vez maiores para controlar seu imenso território. Já neste ano e no próximo, o país não terá número suficiente de recrutas (necessita de 1 milhão) para manter o exército. Igualmente diminui em aproximadamente 1 milhão o número de pessoas aptas para o trabalho. Isso causa migração interna da Sibéria para a parte européia da Rússia. E o fraco controle existente no Extremo Oriente russo transforma-o em alvo apetecível para imigrantes ilegais vindos da China, os quais revelam muito mais iniciativa do que os habitantes daquelas regiões. Alcançou grande repercussão o plano das autoridades de Wladiwostok, de arrendar metade dessa cidade aos chineses. Naturalmente o Kremlin não concordou, mas tal fato mostra que, em conseqüência de sua situação demográfica, a Sibéria vai entrando cada vez mais na órbita de influência chinesa. Tal processo pode, no fim, ameaçar a integridade territorial da Rússia e resultar na conquista desses territórios pela China.
Catolicismo— Sendo a economia russa baseada em recursos naturais, como petróleo e gás, está sendo incrementada a importação de gêneros alimentícios e produtos industriais?
Sr. Slawomir— Após 70 anos de comunismo, a economia do país encontra-se em estado catastrófico. Apesar das medidas que supostamente deveriam favorecer a iniciativa do livre mercado, a situação não mudou para melhor. A indústria russa, criada na época da União Soviética, é totalmente ineficaz. E a agricultura, em sua maior parte baseada ainda no sistema dos kolkhozes, não produz quantidade suficiente de alimentos para o país. Donde o fato de a Rússia ser obrigada a importar produtos industriais e agrícolas de outros países em troca da venda de matéria prima, em especial de gás e petróleo. Incluir o país no grupo chamado BRIC (que indica as novas potências econômicas emergentes: Brasil, Rússia, Índia e China) parece exagero grosseiro. Pois não é sensato falar de potência econômica quando a economia é baseada unicamente na exportação de matéria prima, enquanto os índices de crescimento econômico alternam-se com violentas quedas, que atingem até 10%. Além disso, os fatores demográficos de que falei privam a Rússia do dinamismo econômico que os demais países do BRIC revelam.
Resumindo os últimos 100 anos da Rússia, podemos concluir: a tentativa de introduzir a utopia comunista não trouxe o prometido e luminoso futuro para a população; bem ao contrário, impeliu o país na senda do declínio, cuja chance de reverter já se perdeu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Infelizmente, devido ao alto grau de estupidez, hostilidade e de ignorância de tantos "comentaristas" (e nossa falta de tempo para refutar tantas imbecilidades), os comentários estão temporariamente suspensos.

Contribuições positivas com boas informações via formulário serão benvindas!

Regras para postagem de comentários:
-
1) Comentários com conteúdo e linguagem ofensivos não serão postados.
-
2) Polêmicas desnecessárias, soberba desmedida e extremos de ignorância serão solenemente ignorados.
-
3) Ataque a mensagem, não o mensageiro - utilize argumentos lógicos (observe o item 1 acima).
-
4) Aguarde a moderação quando houver (pode demorar dias ou semanas). Não espere uma resposta imediata.
-
5) Seu comentário pode ser apagado discricionariamente a qualquer momento.
-
6) Lembre-se da Caridade ao postar comentários.
-
7) Grato por sua visita!

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Gadget

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

Pesquisar: