terça-feira, 25 de maio de 2010

Credo, por São Tomás de Aquino, parte IV.


ARTIGO DÉCIMO


— Creio na Comunhão dos Santos
e na remissão dos pecados —


142 — Assim como no corpo natural a atividade de um membro
subordina-se ao bem de todo o corpo, também no corpo espiritual
acontece o mesmo, isto é, na Igreja. E porque todos os fiéis são
um só corpo, o bem de um comunica-se ao outro. Diz S.
Paulo:”Somos todos membros uns dos outros” (Rm 12, 5). Por
isso entre os artigos de fé proposto pelos Apóstolos, há este
referente à comunhão dos bem entre fiéis, que se chama
Comunhão dos Santos.

143 — Entre os diversos membros da Igreja o principal é Cristo,
que é a cabeça. Lê-se: “Deus o colocou como cabeça de toda a
Igreja que é o seu Corpo” (Ef 1, 22).

Os bens de Cristo são comunicados a todos os cristãos, como a
energia da cabeça é comunicada a todos os membros. Essa
comunicação é realizada pelos sacramentos da Igreja, nos quais
opera a virtude da paixão de Cristo, de modo a conferir a graça da
remissão dos pecados 5 6.



56 A relação entre os sacramentos e a Paixão de Cristo é exposta de modo
admirável neste artigo da Suma Teológica:

“O sacramento opera para causar a graça, como instrumento. Há dois tipos de
instrumento: o separado, como o bastão, e o conjunto, como a mão. O
instrumento separado é movido pelo conjunto, como o bastão o é pela mão.

A causa eficiente principal da graça é o próprio Deus, ao qual a humanidade de
Cristo é referida como um instrumento conjunto; os sacramentos, como
instrumentos separados. Convém, por isso, que a força salutífera emane da
divindade de Cristo, passando por sua humanidade, para os sacramentos.

A graça dos sacramentos ordena-se principalmente a duas coisas: a destruir os
defeitos dos pecados passados, pois mesmo tendo os atos passado, permanece o
efeito (a culpa); e a aperfeiçoar a alma com relação ao culto de Deus conforme a
religião da vida cristã.


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144 — São sete os sacramentos da Igreja 57.

O primeiro é o Batismo, que é uma certa regeneração espiritual.
Como a vida carnal não pode existir sem que o homem tenha
nascido carnalmente, assim também a vida espiritual, onde a
graça não pode existir sem o nascimento espiritual. Essa geração
faz-se pelo batismo, conforme se lê: “A não ser que alguém tenha
renascido pela água e pelo Espírito Santo, não pode entrar no
Reino do Céu” (Jo 3, 5).

Deve-se, além disso, saber que como o homem não nasce senão
uma só vez, assim também é batizado só uma vez.

Eis porque os Santos Padres acrescentaram: “Confesso um só
Batismo”.

A virtude do batismo purifica de todos os pecados, quer quanto à
culpa, quer quanto à pena. Por esse motivo não se impõe, aos
que saíram no batismo, nenhuma penitência, mesmo que eles
antes tenham sido grandes pecadores. Morrendo eles logo após o
batismo, imediatamente voam para a vida eterna. Pela mesma


Ficou esclarecido, pelo que foi dito acima (questões 48 e 49), que Cristo liberou-
nos dos pecados, principalmente pela sua Paixão, o que o fez como causa eficiente
e meritória, bem como causa satisfatória. Semelhantemente também pela sua
Paixão iniciou o rito da religião cristã, ‘oferecendo-se a si mesmo a Deus como
oblação e hóstia’ (Ef 5).

Donde claramente se conclui que os sacramentos da Igreja possuem de modo
especial a força da Paixão de Cristo, força esta que de certo modo se junta a nós
pela recepção dos sacramentos. Como sinal desses sacramentos, do lado de Cristo
pendente na cruz jorraram água e sangue, sendo um o sinal do Batismo, o outro,
da Eucaristia, que são os principais sacramentos” (S.T.III, 52, 5 c).

Ver também as notas de 21 a 27.

57 O Concílio de Trento definiu como dogma de Fé que só há sete verdadeiros e
próprios sacramentos. O Concílio Florentino (1445) já havia declarado essa
doutrina que se encontra também na Suma Teológica (S.T. III, 65, 1). Os
protestantes só admitem três sacramentos: Batismo, Ceia do Senhor e Absolvição.
Estão também em contradição com a Fé católica quanto ao que se refere ao modo
pelo qual os sacramentos operam. Quanto à Eucaristia, não aceitam também o
dogma da transubstanciação. Não admitindo o sacramento da Ordem,
conseqüentemente os protestantes não têm uma hierarquia de direito divino, e
rejeitam a distinção específica que há na Igreja entre sacerdotes e leigos. As
doutrinas da Igreja e do protestantismo referentes a esses assuntos são, portanto,
inconciliáveis, bem como as atitudes práticas delas decorrentes.

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razão, bem que só os sacerdotes batizam por ofício, em caso de
necessidade qualquer um pode batizar, desde que siga a forma
deste sacramento, que é: “Eu te batizo em nome do Pai, do Filho e
do Espírito Santo”.

Este Sacramento recebe a sua virtude da Paixão de Cristo,
conforme nos ensina S. Paulo:”Cada um de nós que fomos
batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte” (Rm 6,
3). Como Cristo esteve morto três dias no sepulcro, para
simbolizar melhor a sua morte, fazem-se três imersões na água.

145 — O segundo sacramento é a Confirmação. Como para os que
nascem corporalmente, são necessárias as forças para agir, assim
também para os renascidos espiritualmente é necessária a força
do Espírito Santo. Por isso os Apóstolos, a fim de serem fortes,
receberam o Espírito Santo após a Ascensão de Cristo: “Vós
ficareis na cidade, até que sejais revestidos pela força do Alto” (Lc
24, 29).

Esta força é conferida pelo Sacramento da Confirmação.

Eis porque os responsáveis pelas crianças, devem ter especial
cuidado para que elas sejam confirmadas, sendo que na
Confirmação é conferida uma grande graça. Quem recebeu a
Confirmação, quando morrer, terá maior glória do que quem não a
recebeu, justamente porque teve uma graça mais abundante.

146 — O terceiro sacramento é a Eucaristia 58. Como na vida
corporal, após ter o homem nascido e estar fortificado, ele tem



58 A Eucaristia é o primeiro dos sacramentos, sendo a Liturgia o centro e o ápice da
vida da Igreja. O primado da Eucaristia entre os demais sacramentos é assim
ensinado por S. Tomás:

“Falando de modo absoluto, a Eucaristia é o mais excelente de todos os
sacramentos por três motivos. Primeiro, devido ao que contém. A Eucaristia
contém realmente o próprio Cristo, enquanto os outros sacramentos não contêm
senão uma força instrumental recebida de Cristo por participação... Segundo, pela
relação com os outros sacramentos. Todos os demais sacramentos estão
ordenados à Eucaristia como para um fim. A Ordem tem por fim a Consagração da
Eucaristia; o Batismo, a recepção da mesma; a Confirmação aperfeiçoa o batizado

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necessidade dos alimentos para sustentar-se e conservar-se,
assim também na vida espiritual, que é o corpo de Cristo. Lê-se
em S. João: “Se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não
beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós” (Jo 6, 54).

Por isso, todo cristão deve uma vez por ano receber o corpo de
Cristo, naturalmente com dignidade e pureza, porque está escrito:
“O que come e bebe indignamente” (isto é, sabendo que tem um
pecado mortal e não confessou, ou que não se decidiu dele fugir)
“come e bebe o seu próprio julgamento” (1 Cor 11, 29).

147 — O quarto sacramento é a Penitência. Acontece na vida
corporal que as pessoas ficam doentes, e, se não tomaram
remédio, morrem. Na vida espiritual pode-se também adoecer
pelo pecado. Por este motivo, é necessário que se tome remédio
para recuperar a saúde. A saúde é a graça conferida pelo
Sacramento da Penitência. Lê-se: “Ele perdoa todas as suas faltas,
que te cura de todas as tuas doenças” (Sl 102, 3).

São necessários três elementos na Penitência: a contrição, que é a
dor do pecado com o propósito de abster-se dele no futuro; a
confissão íntegra, isto é, de todos os pecados, e a satisfação, que
é realizada pelas boas obras.

148 — O quinto sacramento é a Extrema-Unção 59. Quando,
porém, ele não traz a saúde do corpo, é porque talvez não


para que o respeito humano não o afaste de tão sublime sacramento; a Penitência
e a Extrema-Unção dispõem o homem para receber duplamente o Corpo de Cristo,
e, finalmente o Matrimônio aproxima-se da Eucaristia ao menos pelo seu
simbolismo, enquanto representa o laço íntimo de Cristo com a sua Igreja, cuja
união está figurada no sacramento da Eucaristia... Terceiro pelos ritos
sacramentais. A administração de um ou todos os sacramentos completa-se na
Eucaristia, como observa Dionísio” (S.T.III, 65, 3).

59 Só nos séculos XII e XIII este sacramento foi denominado Extrema-Unção.
Chamava-se antes “Óleo bento” ou “Óleo dos enfermos”.

Os efeitos da Extrema-Unção são assim descritos por S. Tomás:

“O efeito principal deste sacramento é o afastamento dos restos dos pecados, e,
em conseqüência, também da culpa, se existir na alma” (S.T. Sup. 30, 1 c.).

“A Extrema-Unção produz efeito correspondente ao do remédio corporal, isto é, a
saúde do corpo... (Mas) pela administração deste sacramento nem sempre vem a

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convenha à salvação da alma que a pessoa viva mais tempo. Lê-
se, com relação a este sacramento: “Está alguém doente entre
vós? Chame os presbíteros da Igreja, que eles orem sobre ele,
ungindo-o com óleo em nome do Senhor. E a oração com fé
salvará o enfermo, e o Senhor o aliviará; e se ele tiver cometido
pecados, estes lhe serão perdoados” (Tg 5, 14-15).

149 — Está, pois, claro que pelos cinco sacramentos dos quais
tratamos realiza-se a perfeição da vida cristã. Mas como é
necessário que esses sacramentos sejam conferidos por
determinados ministros, torna-se necessário também o
sacramento da Ordem, por cujo ministério os outros sacramentos
são conferidos. Nem se deve considerar na confecção dos
sacramentos a vida dos ministros, se esta alguma vez tendeu para
o mal, mas a virtude de Cristo, pela qual os sacramentos tornam-
se eficazes, dos quais os ministros são apenas dispensadores.

Lê-se: “Assim os homens nos considerem como ministros de
Cristo e dispensadores dos mistérios de Deus” (1 Cor 4, 1). Este é
o sexto sacramento, a Ordem.

150 — O sétimo sacramento é o Matrimônio, no qual os homens,
se viverem em pureza, salvam-se e nele podem também viver
sem pecado mortal. Quando a concupiscência dos esposos não se
dirige para fora dos bens do matrimônio, eles algumas vezes caem
em pecados veniais; se, porém, fazem algo fora destes bens,
então cometem pecado mortal 60.


cura corporal a não ser quando esta seja necessária para a cura espiritual” (1. c.
art. 2 c.).

60 Santo Agostinho enumerou, no seu livro “De bono conjugali” (24, 32), os três
bens do matrimônio: “proles, fides, sacramentum” (filhos, fidelidade,
indissolubilidade). A tradição posterior aceitou a doutrina de Santo Agostinho como
adequada, pois de fato, naquela enumeração estão contidos os elementos
essenciais. Na Suma Teológica, o Doutor Angélico desenvolve exaustivamente a
doutrina sobre esses três bens do matrimônio (S.T. Sup. 49, 1 ss.).

Santo Agostinho assim explica o sentido dessas três palavras:

“Na fidelidade, tem-se em vista que, fora do vínculo conjugal, não haja reunião
com outro ou com outra; na prole que esta se acolha amorosamente, se sustente
com solicitude, se eduque religiosamente; com o sacramento, enfim, que não se
rompa a vida comum, e que aquele ou aquela que se separa, se não junte a

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151 — Por esses sete sacramentos consegue-se a remissão dos
pecados. Por isso encontra-se no Símbolo: “na remissão dos
pecados”.

152 — Foi também dado aos Apóstolos o poder de perdoar os
pecados. Deve-se, por essa razão, acreditar que os ministros da
Igreja, aos quais foi transmitido este poder pelos Apóstolos (aos
Apóstolos o foi por Cristo), têm nela o poder de ligar e desligar, e
que a Igreja tem o pleno poder de perdoar os pecados. Este
poder, porém, é exercido por degraus, estendendo-se, a partir do
Papa, para os outros prelados.

153 — Devemos saber que não apenas a Paixão de Cristo nos é
comunicada, mas também o mérito da sua vida. O que de bom
fizeram também todos os Santos, pela caridade comunica-se aos
que aqui vivem, porque todos são um, conforme se lê: “Participo
dos bens de todos os que O temem” (Sl 118, 3).

Por isso, quem vive na caridade participa de todo bem que se faz
no mundo inteiro. Mas aqueles para os quais se faz um bem
especial participam de modo também especial. Pode, assim, uma
pessoa satisfazer por outra, como acontece em muitas
Congregações Religiosas que admitem novos membros para
receberem benefícios dos outros membros.

154 — Por meio dessa comunicação conseguimos dois efeitos:
primeiro, o mérito de Cristo que se comunica a todos; depois, o
bem de um que se comunica ao outro.



outrem nem mesmo por causa dos filhos. É esta como que a regra das núpcias, na
qual é enobrecida a fecundidade da incontinência” (De Gen. ad lit., 9, 7, 12).

Pio XI explicou magistralmente a doutrina dos bens do matrimônio na Encíclica
“Sobre o Matrimônio Cristão” (“Casti connubi” 31-12-1930), que pode ser
considerada a “Magna Carta” dos esposos católicos.


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Os excomungados, porque estão fora da Igreja, perdem parte de
todos os bens dela. Este dano lhes é maior que um dano nos bens
temporais.

Há um outro perigo para os excomungados: como sabemos que
pelo sufrágio dos bons o diabo é impedido de nos tentar, quando
alguém dela é excluído, o diabo facilmente o tenta. Eis porque, na
Igreja primitiva, quando alguém era excomungado, o diabo logo o
atormentava corporalmente 61.







61 A doutrina sobre os demônios é desenvolvida por S. Tomás principalmente na
Suma Teológica (I. q. 63, q. 64; I.II. q. 80). A tradição católica, com relação à
influência dos demônios sobre os homens, ensina que, se Deus permitir, o demônio
pode prejudicar os homens nos bens externos e na própria pessoa, apossar-se dos
corpos humanos, e pela tentação excitar ao pecado; contudo, não podem
prejudicar a salvação eterna de ninguém, a não ser que a pessoa livremente o
permita. A existência dos demônios é verdade de fé, definida pelo IV Concílio de
Latrão (Dz. 428).



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ARTIGO DÉCIMO PRIMEIRO


— Creio na Ressurreição da carne —


155 — O Espírito Santo não só santifica as almas dos que
pertencem à Igreja, mas também pelo seu poder
ressuscitará os corpos. Lê-se: “Aquele que ressuscitou dos mortos
a Jesus Cristo” (Rm 4, 24); e: “Porque a morte veio por um
homem, por um homem também a ressurreição dos mortos” (1
Cor 15, 21).

Por isso nós cremos, conforme a nossa fé, na futura ressurreição
dos mortos 62.

156 — Quatro considerações devem ser feitas acerca desse
assunto: primeiro, quanto à utilidade da fé na ressurreição dos
mortos; segundo, quanto às qualidades dos que ressurgirão
referentes a todos; terceiro, quanto à ressurreição dos bons;
quarto, quanto à ressurreição dos maus.

157 — No tocante à primeira consideração, a fé e a esperança na
ressurreição nos são úteis por quatro motivos.

Primeiro, para afastar as tristezas causadas pela morte. É
realmente impossível que alguém não se entristeça pela morte de
um ente caro. Mas como tem esperança na sua futura
ressurreição, a dor provinda de sua morte fica bastante atenuada.


62 A verdade de fé referente à ressurreição da carne, além de abundantemente
revelada na Sagrada Escritura, foi reafirmada pela Tradição dos Padres (S. Cirilo
Alex., “In Joann. 8, 51; S. João Crisóstomo, “De ressurrectione mortuorum, 8;
etc.), e pelo Magistério Eclesiástico (S. Leão Magno, Inocêncio III, etc.) O Concílio
Ecumênico Laterancuse IV, assim a define:

“Todos ressurgirão com seus próprios corpos que agora têm, para serem
retribuídos conforme as suas obras, quer tenham sido boas ou más; estes (os
réprobos) terão, com o diabo, a pena eterna; estes (os eleitos), com Cristo, a
glória sempiterna” (De fide Catholica contra Albigenses).

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Lê-se: “Não queremos que ignoreis, irmãos, as coisas sobre os
mortos, para que não vos entristeçais, como os outros que não
têm esperança” (1 Ts 4, 13).

158 — Segundo, afasta o temor da morte. Se o homem não
tivesse esperança em uma vida melhor após a morte, sem dúvida
esta seria muito temível, e preferiria ele praticar qualquer mal
para evitar a morte.

Nós como acreditamos que há uma vida melhor, à qual
chegaremos após a morte, fica patente que ninguém deve temer a
morte, nem fazer algum mal para evita-la. Lê-se: “Para que pela
morte (de Cristo) fosse destruído aquele que tinha poder sobre a
morte, isto é, o diabo; e libertados os que pelo temor da morte
estavam por toda a vida na servidão” (Heb 2, 14-15).

159 — Terceiro, porque nos faz solícitos e cuidadosos na prática
do bem. Se a vida humana se limitasse a esta que aqui vivemos,
não haveria entre os homens muita solicitude para praticarem o
bem; porque tudo o que fizessem seria considerado pouca coisa,
pois o seu desejo não é dirigido para um tempo limitado, mas para
a eternidade.

Como, porém, acreditamos que, pelo que aqui fazemos,
receberemos na ressurreição bens eternos, esforçamo-nos para
agir bem. Lê-se: “Se somente para esta vida estamos esperando
em Cristo, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1 Cor
15, 19).

160 — Quarto, porque nos afasta do mal. Assim como a esperança
do prêmio conduz à prática do bem, do mesmo modo o temor da
pena, que cremos então reservada para os maus, nos afasta do
mal. Lê-se: “E levantar-se-ão os que fizeram o bem, para a
ressurreição da vida; os que fizeram o mal, para a ressurreição da
condenação” (Jo 5, 29).




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161 — Quanto à segunda consideração, isto é, a respeito dos
efeitos da ressurreição para todos os homens, quatro deles devem
ser apontados. O primeiro, com relação à identidade dos corpos
que ressurgirão: o mesmo corpo que existe agora quer quanto à
carne, quer quanto aos ossos, ressurgirá 63. Apesar de alguns
disserem que este corpo que agora se corrompe não ressurgirá, o
Apóstolo afirma o contrário: “Convém que este corpo corruptível
seja revestido da incorrupção” (1 Cor 15, 33). Em outro lugar
encontra-se escrito na Sagrada Escritura que este mesmo corpo
ressurgirá para a vida: “Novamente serei revestido da minha pele,
e, na minha carne, verei o meu Deus” (Jó 19, 26).

162 — O segundo efeito da ressurreição refere-se à qualidade,
porque os corpos ressurgidos terão outra qualidade que o atual, já
que os corpos dos bons e dos maus serão incorruptíveis. Os
corpos dos bons estarão na glória para sempre; os dos maus,
porém, para que por eles sejam punidos, na pena eterna. Lê-se:
“Convém que este corpo corruptível seja revestido da incorrupção,
e que este corpo mortal seja revestido da imortalidade” (1 Cor 15,
53).

Porque os corpos serão incorruptíveis e imortais não terão
necessidade de alimento, nem usarão do sexo. Lê-se: “na


63 ) S. Tomás para explicar teologicamente, a identidade numérica do corpo
ressurgido com o corpo atual, e, por conseguinte, a identidade integral do homem
atual com o homem que ressurgirá após a morte, no fim dos tempos, recorre à
doutrina aristotélica da matéria e forma. Após a morte a alma conserva a relação
transcendental com o corpo, e, como é ela enquanto forma que dá existência, vida
e especificação ao corpo, ao unir-se novamente a ela pela ação miraculosa de Deus
na ressurreição, não o pode fazer senão transmitindo-lhe a mesma existência, a
mesma vida e as mesmas especificações que nela permaneciam virtualmente
durante a separação.

Negar esta identidade numérica do corpo na ressurreição é, para S. Tomás herético
(cf. Sup. 79, 2 cl.). Explica-se assim o Doutor Angélico:

“O que se objeta em segundo lugar (i. é contra a identidade numérica) não impede
que o homem possa ressuscitar idêntico numericamente. Pois nenhum dos
princípios essenciais pode reduzir-se ao nada pela morte, já que a alma racional,
que é a forma (substancial) do homem, permanece depois da morte, e já que
também permanece a matéria que esteve sujeita a tal forma com as mesmas
dimensões que a faziam ser matéria individual. Por conseguinte, com a união da
alma e da matéria, ambas idênticas numericamente, será reparado ao homem”
(C.G.L., 4, cap. 81).


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ressurreição nem os homens terão mulheres, nem as mulheres
maridos; mas serão como Anjos de Deus no Céu” (Mt. 22, 30).
Nesta verdade de fé não acreditam nem os Judeus, nem os
Maometanos. Lê-se ainda: “Os que desceram aos infernos... não
voltarão mais à sua casa” (Jó 7, 10) 6 4.

163 — O terceiro efeito refere-se à integridade, porque os bons e
os maus ressurgirão em toda integridade da perfeição corpórea do
homem: não haverá cego, nem coxo, nem ninguém com outro
qualquer defeito. Escreve o Apóstolo que “os mortos ressurgirão
incorruptíveis” (1 Cor 15, 52) para significar que eles não sofrerão
mais as corrupções atuais.

164 — O quarto efeito refere-se à idade, porque todos ressurgirão
na idade perfeita, nos trinta e dois anos. A razão disto é que, os
que ainda não atingiram esta idade, não chegaram a idade
perfeita, e, os velhos já a ultrapassaram.

Eis porque aos jovens e às crianças será acrescido o que falta, e,
aos velhos, restituído. Lê-se: “Até que cheguemos todos... ao
homem perfeito, na medida da plenitude da idade de Cristo” (Ef 4,
13) 65.



64 ) Entre os judeus, os saduceus negavam a ressurreição dos mortos, e os fariseus
a afirmava (cf. At 23, 8). Sendo verdade sobrenatural revelada, toda tendência
naturalista não a aceita. Os saduceus negaram também a existência dos anjos.
Realmente, sem a fé teologal, não se pode aceitar o dogma da Ressurreição da
carne. S. Paulo ao pregar aos intelectuais de Atenas, estes dele se afastaram: “Ao
ouvirem falar da ressurreição dos mortos, uns começaram a troçar, enquanto
outros disseram: ouvir-te-emos falar sobre isto mais tarde” (At 17, 32).

Os maometanos (sarracenos, diz o texto latino) crêem na Ressurreição da carne,
mas reduzem as alegrias do céu aos prazeres carnais e terrestres.

65 S. Tomás interpreta aqui literalmente o texto Paulino referente a idade de Cristo,
supondo-a de 32 anos na sua morte. S. Paulo neste texto trata da perfeição do
cristão que tende para a semelhança com a perfeição de Cristo, isto é, com a
santidade de Cristo, não de idade física. Contudo, é na juventude que o homem
atinge a plenitude do vigor corpóreo. Nesse sentido é válida a interpretação de S.
Tomás, pois os corpos ressuscitarão sem deficiências.


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165 — Quanto à terceira consideração, é de se saber que os bons
receberão uma glória especial, porque os santos terão os seus
corpos glorificados por quatro qualidades 66:

a primeira é a claridade. Lê-se: “Os justos resplendecerão como o
sol no reino de seu Pai” (Mt 13, 43);

a segunda é a impassibilidade. Lê-se: “É semeado na ignomínia,
ressurgirá na glória” (1 Cor 15, 43); e: “Deus tirará toda lágrima
dos seus olhos; não haverá mais morte, nem luto, nem gemidos,
nem dor” (Ap 21, 4);

a terceira é a agilidade. Lê-se: “Os justos resplendecerão e
passarão pela falha com centelhas” (Sb 3, 7);

a quarta é a sutileza. Lê-se: “É semeado no corpo animal,
ressuscitará num corpo espiritual” (1 Cor 15, 44); não se queira
entender isso como se todo corpo se transformasse em espírito,
mas que estará totalmente submisso ao espírito.

166 — Quanto à quarta consideração, isto é, com referência à
condição dos condenados, esta é contrária à dos beatificados,
porque aqueles sofrerão a pena eterna. Os seus corpos possuirão
quatro qualidades más.

Serão obscuros, conforme se lê: “Os seus rostos serão como
fisionomias inflamadas” (Is 13, 8).



66 O “Catecismo dos Párocos”, assim resume a natureza dessas quatro qualidades
dos corpos ressuscitados, aliás explicadas exaustivamente na Suma Teológica
(Sup. 82, 1 ss):

“A impassibilidade faz com que os corpos gloriosos não sejam passiveis de
qualquer dor ou incômodo. A ela segue-se a claridade, isto é, o brilho redundante
no corpo da suma felicidade da alma, de modo que haja nele uma certa
comunicação da bem-aventurança da alma. Junta-se à claridade a agilidade, pela
qual o corpo facilmente é movido para onde quer que a alma queira. Finalmente,
junta-se a sutileza, pelo poder da qual o corpo submete-se ao império da alma,
serve a esta e a obedece totalmente”.


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Serão passíveis, mas jamais corrompidos, pois arderão para
sempre no fogo e nunca serão consumidos. Lê-se: “Os vermes
nunca morrerão nos seus corpos, e o fogo neles nunca se
extinguirá” (Is 66, 24).

Serão pesados, porque as almas estarão como que acorrentadas.
Lê-se: “Para prender os seus reis com grilhões” (Sl 149, 8).

Finalmente, os corpos e as almas serão de certo modo carnais. Lê-
se: “Os animais apodrecerão nos seus excrementos” (Jl 1, 17).



























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ARTIGO DÉCIMO SEGUNDO


— Creio na Vida eterna —


167 — É muito conveniente que a declaração das verdades que
devemos crer termine por este artigo — “Creio na Vida eterna” —
porque a vida eterna é também a meta final de todos os nossos
desejos.

Opõe-se essa verdade àqueles que afirmam que a alma morre
com o corpo. Se esta afirmação fosse verdadeira o homem teria a
mesma condição dos animais, e aos que a fazem, aplica-se isto
escrito nos Salmos: “O homem posto em honrarias, não
compreende as coisas. Pode ser comparado aos animais estúpidos,
e a eles se assemelha” (Sl 48, 21).

A alma humana pela imortalidade, assemelha-se a Deus; pela
sensualidade, assemelha-se aos animais. Por conseguinte, quem
pensa que a alma morre com o corpo perde a semelhança de Deus
e nivela-se aos animais. Tem ainda contra essas palavras o Livro
da Sabedoria: “Não esperaram da justiça divina o prêmio de
recompensa, nem consideraram a glória dada às almas Santas;
porque Deus criou o homem para a imortalidade, e o criou
segundo a imagem da própria natureza” (Sb 2, 22-23).

168 — Vamos agora considerar em que consiste a Vida eterna, (e,
após, no que consiste a morte eterna).

Convém saber, em primeiro lugar, que na Vida eterna o homem se
une a Deus, já que é próprio de Deus o prêmio e a finalidade de
todos os nossos trabalhos aqui na terra. Lê-se: “Eu sou o teu
protetor e a tua recompensa será grande” (Gn 15, 1). Esta

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comunhão consiste na perfeita visão 6 7. Lê-se: “Agora nós vemos
como que por um espelho, mas lá, face a face” (1 Cor 13, 12).
Consiste ela também no supremo louvor, como diz Santo
Agostinho: “Veremos, amaremos e louvaremos” (De Civ. Dei, 22).
Lê-se ainda na Escritura: “Haverá gozo e alegria, ação de graças e
vozes de louvor” (Is 51, 3).

169 — Sabemos que na Vida eterna, em segundo lugar, há a
perfeita saciedade dos desejos. A razão disto é que ninguém pode,
nesta vida, ter os seus desejos satisfeitos, e nunca um bem criado
sacia o desejo humano de felicidade. Somente Deus o pode saciar,
e o faz excedendo infinitamente. Por isso esse desejo não é
satisfeito senão em Deus, conforme escreve Santo Agostinho:
“Fizestes-nos, Senhor, para Vós, e o nosso coração está inquieto
até que repouse em Vós” (Conf. I). Como os santos na pátria
possuirão perfeitamente a Deus, evidentemente o seu desejo será
saciado e ainda ultrapassado em glória. Eis porque se lê no
Evangelho: “Entra no gozo do teu Senhor” (Mt 25, 21). Santo
Agostinho acrescenta ainda: “Não é o gozo pleno que penetrará
nos que o irão desfrutar, mas estes é que entrarão plenamente no
gozo”. Lê-se também na Escritura: “Serei saciado quando entrar


67 É verdade de fé que os justos no céu verão a Deus na sua própria natureza,
conforme está revelado na Sagrada Escritura: “Ve-lO-emos como Ele é” (1 Jo 3, 2).

A felicidade da Vida eterna consiste essencialmente nesta visão da essência divina,
direta (“face a face” — 1 Cor 13, 12), imediata, intuitiva. Todas as outras
recompensas e alegrias do céu derivam desta.

As explicações teológicas a respeito da visão beatífica, apresenta-os o Doutor
Angélico na Suma Teológica, I parte, questão XII. A afirmação do dogma da visão
beatifica, a inteligência humana por si mesma não poderia chegar, pois se trata de
uma verdade sobrenatural. S. Tomás começa mostrando a possibilidade da visão
beatifica, devendo a felicidade do homem consistir na atividade de sua suprema
perfeição, que é a atividade da inteligência, que encontra a sua máxima plenitude
só na visão de Deus. Em seguida, afirma que esta visão não pode ser tida
mediante alguma criatura semelhança de Deus, mas que “à essência divina se une
ao intelecto criado como objeto atualmente conhecido que por si mesmo faz que a
inteligência esteja em ato” (I. 12, 2 ad 3).

Como a inteligência humana por si mesma não pode ver a Deus, necessita de uma
força especial que a eleve, uma graça criada que a disponha para a visão eterna
que é denominada “lumen gloriae”. Não o meio “in quo” Deus é visto, mas o meio
“quo” (I.c. 5 ad 2). A visão da essência divina não é compreensiva, mas
apreensiva, isto é, apesar de haver intuição, a inteligência humana não esgota toda
a realidade cognoscível de Deus. Com muita precisão exprime isso S. Tomás:
“quem vê a Deus por essência vê que Ele possui uma maneira infinita de ser e que
é infinitamente cognoscível; mas este modo infinito de conhecer não lhe compete,
isto é, que o conheça infinitamente” (I. c. 7 ad 3).

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na vossa glória” (Sl 16, 15); e: “Aquele que enche de bens o teu
desejo” (Sl 102, 5).

170 — Tudo o que há de deleitável, haverá aí plena e
superabundantemente. Se os deleites é que foram desejados, aí
haverá o sumo e perfeito deleite, porque é o deleite proveniente
da posse do sumo bem, de Deus. Lê-se: “Então colocarás as tuas
delícias no Onipotente” (Jó 22, 26).

Se as honras é que foram desejadas, aí haverá todas elas.

O leigo deseja acima de tudo ser Rei; o clérigo, Bispo.

Ambas as honras aí estarão. Lê-se: “Fizestes de nós reis e
sacerdotes para o nosso Deus” (Ap 15, 10). Lê-se também no
Livro da Sabedoria, a respeito da vida dos justos após a morte:
“Ei-los considerados filhos de Deus” (Sb 5, 5).

Se a ciência é que foi desejada, haverá aí a ciência perfeita,
porque conheceremos a natureza de todas as coisas e toda a
verdade., bem como tudo que desejávamos saber. Mais. Tudo o
que desejávamos possuir, o possuiremos na Vida eterna. Lê-se:
“Com ela, todos os bens vieram igualmente a mim” (Sb 7, 11); e:
“Aos justos será dado o que desejaram” (Pr 1, 33).

171 — A Vida eterna consiste, em terceiro lugar, na perfeita
segurança. Neste mundo não há segurança perfeita, por que,
quanto mais se possuem muitos bens e quanto mais alguém se
eleva, tanto mais se enche de temor e necessita de mais coisas.
Não haverá, porém, na Vida eterna, nem tristeza, nem trabalhos,
nem temor. Lê-se: “Afastado o temor dos males, gozarão da
abundância” (Pr 1, 33).

172 — Consiste a Vida eterna, em quarto lugar, na sociedade
alegre de todos os bem-aventurados, na mais deleitável das




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sociedades, porque cada qual possuirá todos os bens em
comunhão com os outros. Cada um amará o outro como a si
mesmo; por isso, alegrar-se-á com o bem alheio, como se fosse o
seu. Desse modo, quanto mais crescerem o gozo e a alegria de
um, tanto mais aumentará o gozo de todos, conforme está
escrito: “É na grande alegria para todos habitar em Vós” (Sl 86,
7).

173 — Tudo o que aqui foi descrito, os justos terão na pátria, e,
além disso, muitos outros bens inefáveis.

Quanto aos maus, isto é, os que irão para a morte eterna, as suas
dores e castigos não serão em menores proporções que o gozo e a
alegria dos bons 68.

174 — É excessiva a pena dos maus, em primeiro lugar, pela
separação de Deus e pela privação de Deus e pela privação de
todos os bens. Esta é a pena do dano, que corresponde a aversão
à Deus, maior que a pena dos sentidos 6 9. Lê-se: “Lançai o servo
inútil nas trevas exteriores” (Mt 15, 30). Os maus, nesta vida,
possuem as trevas interiores, isto é, pecado; no inferno, estarão
nas trevas exteriores.

É excessiva a pena dos maus, em segundo lugar, pelo remorso da
consciência. Lê-se: “Repreender-te-ei e colocar-te-ei diante de ti
mesmo” (Sl 49, 21); e: “Gemendo estão sob a pressão do próprio
espírito” (Sb 49, 21). Todavia tais sofrimentos e gemidos serão


68 Como a glória eterna consiste na visão de Deus e no pleno amor de Deus, a
condenação no inferno consiste na ausência desta visão de Deus e no ódio a Ele. À
“perfectissima charitas” do céu, corresponde o “perfectissimo odium” do inferno
(Sup. 98, 4 c.). Como não poderão pensar em Deus como princípio do bem, mas
apenas como princípio da própria punição (I. c. art. 8c), os condenados às penas
eternas odiarão a Deus, como odeiam à própria punição (I c. art. 5c). Toda a
vontade dos condenados está dirigida para o mal, de modo que nada querem do
bem como bem, e, “mesmo que algum bem queiram, contudo não o querem bem”
(I. c. 1c).

Nos condenados também não pode haver esperança, isto é, nada de bom podem
esperar, nem sair do estado de condenação, nem esperar felicidade (cf. II. II. 18,
3c). contudo, neles pode haver fé informe, que se torna um hábito ineficaz e
corrompido (cf. I. c. ad. 2)



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inúteis, porque não provêm do ódio do mal, mas da dor do
castigo.

É acrescida ainda mais, em terceiro lugar, a pena dos maus, pela
fortíssima pena dos sentidos, que atormentará a alma e o corpo. É
um castigo dolorosissimo, conforme relatam os santos. Os
condenados estarão sempre como que morrendo, mas jamais
morrerão, e até sem a possibilidade de morrerem. Por isso a
condenação é chamada de morte eterna. Estarão os condenados
sofrendo sempre no inferno dores terríveis como as que envolvem
os moribundos. Lê-se: “Como ovelhas foram colocados no inferno,
e a morte os devorará” (Sl 48, 15).

Aumenta ainda mais a pena, em quarto lugar, com o desespero da
salvação. Se a elas fosse dada, esperança de libertação da pena, a
pena ficaria, por certo, mitigada.

Mas como toda esperança lhes foi tirada, a pena torna-se
pesadíssima. Lê-se: “O verme que os corrói não morrerá, e o fogo
que os queima não se extinguirá” (Is 66, 24).

175 — Evidencia-se, desse modo, a diferença entre fazer o bem e
fazer o mal: as boas obras conduzem à vida, as más, porém,
arrastam para a morte.

Deveríamos sempre revocar no espírito todas essas verdades,
porque, o fazendo, seríamos estimulados para fazer o bem, e para
repelir o mal.

De modo concludente e muito significativo colocou-se no término
do Credo a Vida eterna, para que ela fique cada vez mais gravada
em nosso espírito, para a qual nos conduza Nosso Senhor Jesus
Cristo, o Deus bendito pelos séculos dos séculos.

AMÉM.


69 Ver nota 34.

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