terça-feira, 11 de maio de 2010

Contra a RCC e o Concílio Vaticano II: bela defesa da Tradição Católica!

Bela defesa da Tradição Católica contra os ataques da RCC e das heresias do Concílio Vaticano II no site Montfort!

O ATAQUE

RESPOSTA E JUSTIFICATIVA DO PORQUÊ NÃO IR A CONFERÊNCIA(S) DE ORLANDO FEDELI
To: xxxxx
Date: Tue, 2 Feb 2010 13:57:22 -0300
From: xxxxx

Prezados,

1) Orlando Fedeli Trata a RCC de diabólica e Padre Jonas de Herege ( Formal ou informal) ? Quem é ele para fazer este tipo de pré-julgamento ?

1.1) http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=rcc&artigo=20070124142424&lang=bra

2) O salmo 150 é um absurdo ? Deveria ser retirado das escrituras sagradas por icentivar bater palmas e usar tambores,cordas e isntrumentos de sopro no templo ? A RCC faz o que recomenda o magistério e as escrituras, onde está a proibição ? ( Proibir apenas por que Orlando Fedeli e seus seguidores não gostam ?...).

2.1)-Não se pode dogmatizar a liturgia ( Não se pode forçar toda igreja a participar da missa em Latim, seria voltar as pessoas a ficarem rezando terços e fazendo novenas nas mesmas por não entenderem nada, (O Concílio Vaticano II ao qual devemos mais obediência que ao Orlando Fedeli já se pronunciou sobre este assunto).

3)-O Orlando Fedeli promove a desobediência e total revolta e desrrespeito ao Concílio Vaticano II - Como Católico não podemos compactuar com isto. Ademais promove o afastamento da vida da Igreja com suas idéias tradicionalistas. Vejo apenas o site por interesses específicos tais como( E nisto é muito bom e recomendável: Refutações a protestantes,ateus e exotéricos) Quando ele se volta contra os Católicos e contra o Vat. II presta um desserviço a Santa mãe Igreja.

3.1)-PODE UM CATÓLICO NEGAR OBEDIÊNCIA AO CONCÍLIO ECUMÊNICO DO VATICANO II?
"Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou" (Lc 10,16). Realmente tenho que reconhecer que na Modernidade há coisas bem curiosas, especialmente no meio católico. Como alguém pode se dizer católico e negar o que a Igreja ensina? Como alguém pode se dizer católico e ficar dando ouvidos aos gurus? Pois é exatamente isso que está acontecendo hoje. Infelizmente isso não é novo. De tempos em tempos os católicos são arrastados a resistirem à Igreja. A razão é sempre a mesma: são seduzidos por argumentos de quem se acha o guardião da Ortodoxia Católica. Até mesmo o perfil psicológico destes “gurus” não muda. São pessoas de grande piedade, parecem demonstrar grande amor à Igreja, possuem um enorme poder de sedução, apresentam-se sempre com muita humildade, porém esta máscara logo cai quando são contrariadas. São pessoas de mentalidade estreita e de grande orgulho. Ensinam suas próprias convicções como se fossem o sumo da doutrina católica.
Muitas vezes temos dificuldade de entender algo que a Igreja expõe, seja pela grandeza da matéria, pela erudição da exposição ou ainda por causa da abertura dos termos que ela utiliza.

Que fiel no séc. IV entendeu o que a Igreja quis dizer com “consubstancial ao Pai” ?

Ora, nós somos limitados, mas a Igreja goza de assistência especial do Espírito Santo. Por isso devemos confiar nela e não nos “gurus” que normalmente nem fazem parte da Igreja docente. Se há um ponto difícil de entender na exposição da doutrina, ou uma contradição aparente em relação ao que sempre foi ensinado, cabe ao Magistério da Igreja explicá-lo.
Especialmente no que diz respeito ao Concílio do Vaticano II, a má vontade dos tradicionalistas em encontrar na letra do Concílio a perene Doutrina da Igreja é notória. Em resumo, encontram “chifres em cabeça de cavalo”, pois dizem que os documentos do Concílio ensinam erros que lá não estão e pelo fato do Concílio não ter sido dogmático, complementam alegando que é legítimo recusar seus ensinamentos.

Primeiramente ensina o Código de Direito Canônico:

Cân. 337 § 1. O Colégio dos Bispos exerce seu poder sobre toda a Igreja, de modo solene, no Concílio Ecumênico. § 2. Exerce esse poder pela ação conjunta dos Bispos espalhados pelo mundo, se essa ação for, como tal, convocada ou livremente aceita pelo Romano Pontífice, de modo a se tornar verdadeiro ato colegial.

Cân. 341 § 1. Os decretos do Concílio Ecumênico não têm força de obrigar, a não ser que, aprovados pelo Romano Pontífice junto com os Padres Conciliares, tenham sido por ele confirmados e por sua ordem promulgados. § 2. Para terem força de obrigar, precisam também dessa confirmação e promulgação os decretos dados pelo Colégio dos Bispos, quando este pratica um ato propriamente colegial, de acordo com outro modo diferente, determinado ou livremente aceito pelo Romano Pontífice. (grifos meus).

O Concílio do Vaticano II foi Ecumênico, logo, nele a Igreja exerceu seu poder solene sobre toda Igreja e foi livremente convocado pelo Pontífice Romano, conforme o cân. 337. Seus decretos foram confirmados e promulgados pelo Papa, logo tem poder de obrigar toda a Igreja, conforme o cân. 341, ao contrário do que ensinam os tradicionalistas. A confirmação de que toda Igreja também deve aceitar os ensinamentos não dogmáticos encontramos no cân. 752, onde lemos:

Cân. 752 Não assentimento de fé, mas religioso obséquio de inteligência e vontade deve ser prestado à doutrina que o Sumo Pontífice ou o Colégio dos Bispos, ao exercerem o magistério autêntico, enunciam sobre a fé e os costumes, mesmo quando não tenham a intenção de proclamá-la por ato definitivo; portanto os fiéis procurem evitar tudo o que não esteja de acordo com ela (grifos meus).

Em At 15 a Escritura nos dá chance de conhecer alguns dos decretos do Concílio de Jerusalém, como a carta enviada para os cristãos de Antioquia:

Os apóstolos e os anciãos aos irmãos de origem pagã, em Antioquia, na Síria e Cilícia, saúde! Temos ouvido que alguns dentre nós vos têm perturbado com palavras, transtornando os vossos espíritos, sem lhes termos dado semelhante incumbência. Assim nós nos reunimos e decidimos escolher delegados e enviá-los a vós, com os nossos amados Barnabé e Paulo, homens que têm exposto suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Enviamos, portanto, Judas e Silas que de viva voz vos exporão as mesmas coisas. Com efeito, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do seguinte indispensável: que vos abstenhais das carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da impureza. Dessas coisas fareis bem de vos guardar conscienciosamente. Adeus! (At 15,24-29).

Será que estas determinações foram dogmáticas? Se foram, porque não as observamos hoje? Mesmo não sendo dogmáticas foram entregues pelos apóstolos para serem observadas. Completa a Escritura: “Nas cidades pelas quais [Paulo e Timóteo] passavam, ensinavam que observassem as decisões que haviam sido tomadas pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém” (At 16,4)

Também naquele tempo não faltaram os tradicionalistas que diziam que Jesus afirmou a não abolição da Lei (cf. Mt 5,17). Com efeito, estes conhecidos hoje como ebionitas, não aceitaram o Concílio de Jerusalém.

Em todo tempo, Concílio após Concílio, nunca faltou o grupo dos “iluminados”, dos “verdadeiros detentores da ortodoxia”, que viam nas novas definições, nas novas formas da Igreja expor a Doutrina, novidades ou heresias.

Em nosso tempo a história se repete, mas com outros protagonistas e outras polêmicas. Também com uma característica bem diversa: o cisma não é formal como antes, é informal, por isso a dificuldade dos católicos identificarem estas pessoas como não-católicas.

Os tradicionalistas fazem tanto mal aos fiéis quanto os modernistas. Mostram-se tão católicos quanto os vétero-católicos e os ortodoxos.

Ser católico é ter a Igreja como Mãe e Mestra. Um filho que é obediente na infância, mas se nega a sê-lo na adolescência quando a Mãe lhe transmite novas normas, recusa sua filiação e impõe na família uma desordem não querida por Deus.

Aliás, sítios tradicionalistas que adoram tomar textos do Card. Ratzinger à revelia, mostrando notória desonestidade, esqueceram de divulgar o seguinte trecho:
o Vaticano II é sustentado pela mesma autoridade que sustenta o Vaticano I e o Concílio de Trento, a saber, o Papa e o Colégio dos Bispos em comunhão com ele...Também com respeito ao seu conteúdo, o Vaticano II está na mais estreita continuidade com ambos os concílios anteriores e incorpora os seus textos palavra por palavra nos pontos decisivos.

É impossível para um Católico tomar posição pró ou contra Trento ou o Vaticano I. Quem aceita o Vaticano II, como ele claramente se expressou e se entendeu a si mesmo, ao mesmo tempo aceita a inteira tradição da Igreja Católica, particularmente, os dois concílios anteriores [...] Da mesma forma é impossível decidir a favor de Trento e do Vaticano I mas contra o
Vaticano II. Quem quer que negue o Vaticano II nega a autoridade que sustenta os outros concílios e os separa dos seus fundamentos. Isto se aplica ao assim chamado "tradicionalismo" [...] Uma escolha partidária destrói o todo, a própria história da Igreja, que só pode existir como uma unidade indivisível (The Ratzinger Report: An Exclusive Interview on the State of the Church by Joseph Cardinal Ratzinger; Ignatius Press, San Francisco, 1985, pgs.28-9).

Ora, é o próprio Card. Ratzinger, hoje Papa Bento XVI que afirma que é impossível ser católico e negar o Concílio do Vaticano II, que é impossível ser católico e ser tradicionalista. Como bem se vê, engana-se redondamente quem pensa que os escritos do Card. Ratzinger são tradicionalistas. Ele, homem de personalidade forte e firme na ortodoxia, não ensinaria uma coisa em um lugar e outra em outro. O método dos tradicionalistas é o mesmo usado pelos calvinistas quando deturpam os textos de Santo Agostinho.

Quem colabora com estes grupos (Fraternidade Sacerdotal São Pio X, Associação Cultural Montfort, Permanência e etc) não colabora com a Igreja e viola o cân. 752 do Código de Direito Canônico.

Quem pretende ser católico deve colaborar com a Santa Igreja Católica, admitindo tudo que ela ensina, inclusive no Concílio do Vaticano II, pois nos ensinou o Senhor: "Quem não está comigo está contra mim; e quem não ajunta comigo, espalha" (Mt 12,30).
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Todos os artigos disponíveis neste sítio são de livre cópia e difusão deste que sempre sejam citados a fonte e o(s) autor(es).
Para citar este artigo:
LIMA, Alessandro. Apostolado Veritatis Splendor: PODE UM CATÓLICO NEGAR OBEDIÊNCIA AO CONCÍLIO ECUMÊNICO DO VATICANO II?. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4325. Desde 27/06/2007.

Shalom !!!


A DEFESA:

De: X
Enviada em: sábado, 1 de maio de 2010 20:09
Para: Y
Assunto: RE: RESPOSTA E JUSTIFICATIVA DO POR QUE NÃO IR A CONFERÊNCIA(S) DE ORLANDO FEDELI ?...

Prezado Y,

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo e para sempre seja louvada nossa Mãe Maria Santíssima,

Recebi, já há três meses, seu e-mail com algumas perguntas. Confesso que, lendo sua mensagem tão indignada contra o Professor Orlando Fedeli, pensei que não adiantaria responder. Mas, depois tomei a resolução de escrever-lhe, não ao certo para convencê-lo, já que você se mostra tão firme em suas críticas. Será, pelo menos, para que não se diga que fiquei sem resposta às indagações enviadas. Peço-lhe desculpas pela demora, mas alguns compromissos acabaram por me impedir de lhe responder logo.

Vamos, então, à sua primeira pergunta:

"1)-Orlando Fedeli Trata a RCC de diabólica e Padre Jonas de Herege ( Formal ou informal) ? Quem é ele para fazer este tipo de pré-julgamento?"

Tratemos primeiro da RCC. Qual a base para as afirmações do Professor Orlando sobre esse movimento? A resposta é: o que a Igreja e seus santos pastores e doutores sempre ensinaram.

E em que sentido podemos compreender que a RCC seja instrumento do maligno? Basicamente, por espalhar erros contra a Fé Católica, por incentivar manifestações que são frutos de invencionices humanas e abrem a porta ao demônio e, enfim, por desfigurar gravemente a liturgia da Santa Missa com gestos e ações arbitrárias, impróprias e profanadoras.
A Igreja, no Concílio de Trento, condenou os erros protestantes. Ora, claro que há erros protestantes na RCC. Basta ver algumas idéias que nela são defendidas e também sua prática pentecostal.

E de onde vem o erro? Do inimigo da salvação humana, isto é, vem do diabo. Logo, quem semeia erros é instrumento do maligno.
Então, não estamos diante de uma opinião do Sr. Fedeli, mas tão somente de uma constatação a quem quiser ver.

Muitos dos chamados carismáticos católicos hoje são protestantes e não sabem.

É muito comum na RCC ouvir-se falar ser preciso fazer uma "experiência com Deus". A fé do católico não nasceria de uma adesão da razão às verdades contidas na Sagrada Escritura e no catecismo da Santa Igreja, mas de uma experiência pessoal, íntima, do fiel com o próprio Deus, que lhe falaria. Isso viria em primeiro lugar. O fiel tem primeiro um encontro pessoal com Jesus, através da emoção. Depois de convertido, é que ele vai aprender as verdades da Fé no catecismo e ler a Bíblia.

Vejamos o que diz sobre isso o Papa São Pio X, ao descrever o herege modernista crente:

"Eis como eles o declaram: no sentimento religioso deve reconhecer-se uma espécie de intuição do coração, que pôs o homem em contato imediato com a própria realidade de Deus e lhe infunde tal persuasão da existência dele e da sua ação, tanto dentro como fora do homem, que excede a força de qualquer persuasão, que a ciência possa adquirir. Afirmam, portanto, uma verdadeira experiência, capaz de vencer qualquer experiência racional; e se esta for negada por alguém, como pelos racionalistas, dizem que isto sucede porque estes não querem pôr-se nas condições morais que são necessárias para consegui-la. Ora, tal experiência é a que faz própria e verdadeiramente crente a todo aquele que a conseguir. Quanto vai dessa à doutrina católica! Já vimos essas idéias condenadas pelo Concílio Vaticano I." (Pascendi Domini Gregis. - capítulo O modernista crente )

Ora, a Renovação carismática cai justamente nesse erro descrito por São Pio X. O suficiente para qualificá-la como modernista. Não é por acaso que vemos hoje a aproximação da RCC com o protestantismo, que privilegia o mesmo tipo de experiência mística. O santo Pontífice Pio X, aliás, afirma:

"Se, porém, procurarmos saber que fundamento tem esta asserção do crente, respondem os modernistas: é a experiência individual. Com esta afirmação, enquanto na verdade discordam dos racionalistas, caem na opinião dos protestantes e dos pseudo-místicos." (Pascendi Domini Gregis. - capítulo O modernista crente)
Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/pius_x/encyclicals/documents/hf_p-x_enc_19070908_pascendi-dominici-gregis_po.html


Poderíamos parar aqui com a descrição, e já seria algo grave. No entanto, há mais coisas a se dizer.

A RCC mistura ensinamentos católicos com teses protestantes e promove o pentecostalismo, através da busca de dons extraordinários do Espírito Santo, principalmente o dom de línguas, como se fosse algo comum, que todos deveriam possuir. E possuir através de exercícios, através de treinos. Essa é a marca principal e mais forte desse movimento. Acontece que sempre foi considerado perigoso buscar dons extraordinários.

Como se pode saber se esses "dons" tão freqüentes na RCC vêm realmente de Deus? Só porque se sente uma “sensação gostosa”? Desde quando sensação gostosa é critério de verdade?

Há santos que deixaram claras advertências para o perigo de se procurar possuir dons extraordinários. Se Deus no-los concede espontaneamente, ótimo. Se não nos concede, não devemos buscá-los. Mas, se teimamos, desobedecendo, e se dessa prática claramente advêm manifestações tidas como sobrenaturais (mensagens divinas, profecias, visões, repousos no espírito...), que devemos pensar a respeito? E que dizer quando elas são acompanhadas de heresias protestantes já condenadas pela Igreja? Diante de nós aparecem somente duas alternativas muito claras: tais aparentes "dons" ou vêm do homem e de suas invencionices, ou vêm do demônio.

Um site da internet publicou alguns trechos de uma obra de São João da Cruz e também de Santa Teresa Dávila sobre o assunto. Cito uma passagem do mesmo.

“As impressões sensíveis são de natureza a produzir erro, presunção e vaidade; porque sendo tão palpáveis e materiais, movem muito os sentidos. A alma levada por essas impressões sensíveis, dá-lhe grande importância, abandonando a luz da fé para seguir essa falsa luz que então parece a seus olhos o meio para levá-la ao objetivo de suas aspirações, isto é, a união divina; entretanto, quanto mais se interessar por estas coisas, mais se afastará do caminho e se privará do meio por excelência que é a fé. A alma, além disso, vendo-se favorecida por graças tão extraordinárias, muitas vezes concebe secretamente boa opinião de si, imaginando já valer, algo diante de Deus, o que é contrário à humildade." (JOÃO DA CRUZ. Subida ao Monte Carmelo. Livro II, capítulo XI, 4-5. Rio de Janeiro: Vozes, 1998, p. 218 - o grifo em vermelho é do site)
Fonte: http://advhaereses.blogspot.com/2009/04/repouso-no-espirito-como-instrumento-de_20.html

Deus não se manifesta a todos e nem com a incrível freqüência vista em reuniões carimáticas. Ele escolhe almas santas para comunicar Seus desejos, Suas mensagens e também para conceder-lhes favores e graças extraordinárias quando Ele quer, quando quer e como quer. Essas almas são poucas, em comparação com o grande número dos fiéis. Veja os exemplos existentes na história da Igreja. Jesus Cristo e Nossa Senhora apareceram e falaram a poucos santos, e não a todo o povo. Não a todos os fiéis. Foram poucos os que tiveram visões e profetizaram, que tiveram o dom de línguas e fizeram milagres - podemos citar, além dos Santos Apóstolos no dia de Pentecostes, Santo Antônio de Pádua e São Francisco Xavier. Eles falavam em sua própria língua para multidões que não falavam o mesmo idioma, e eram entendidos por estas. Também operaram curas. Foram poucos os que, por revelação de Deus, enxergaram as ações ocultas dos homens, como sabemos a respeito de São João Maria Vianey e de São Pio de Pietrelcina, que conheciam os pecados de vários penitentes antes destes mesmos lhes contarem. Poucos também profetizaram, como São João Bosco e a Bem-Aventurada Jacinta Marto.

A esses e a outros servos santos Deus concedeu dons extraordinários. E não concedeu a cada um todos os dons.

Portanto, não a todo o povo. Não a todos os fiéis.

E só se pode ter certeza absoluta da origem divina desses dons e revelações depois do juízo definitivo da Igreja.

Como é, então, que na RCC todos são incentivados falar em linguas desconhecidas? E como podem ter certeza de ser essa uma manifestação autêntica do Espírito Santo?
E como é, então, que em qualquer reunião carismática é comum ouvirmos alguém dizer: "Jesus está me dizendo tal coisa..." ou "Maria está me revelando isso e aquilo"?
Os protestantes pentecostais rejeitam a única Igreja de Cristo, que é a Igreja Católica. Também rejeitam o Papa, Nossa Senhora, a Santa Missa e toda a doutrina católica. Mas, falam em línguas estranhas, dizem ter visões, profetizam e promovem curas diversas. Diremos que o Espírito Santo Se manifesta neles?

Não devemos buscar dons extraordinários, pois o demônio se transfigura em anjo de luz e facilmente pode se aproveitar dessa pretensão, manifestando-se como se fosse Deus ou Nossa Senhora, ou simplesmente tentando-nos a inventar visões e cultivando em nós a vaidade por nos sentirmos possuidores de dons divinos e acharmos que temos contato direto com o Espírito Santo.

“Querendo admitir esses favores de Deus, a alma abre porta ao demônio para enganá-la como outros semelhantes, pois, como disse o Apóstolo, pode o inimigo transformar-se em anjo de luz (2Cor 11,14) e sabe muito bem dissimular e disfarçar as suas sugestões com aparências de boas.” (JOÃO DA CRUZ. Subida ao Monte Carmelo. Livro II, capítulo XI, 7. Rio de Janeiro: Vozes, 1998, p. 220 - o grifo em vermelho é do site)
Fonte: http://advhaereses.blogspot.com/2009/04/repouso-no-espirito-como-instrumento-de_20.html

Então, quando o Professor Fedeli diz que algumas manifestações extraordinárias ocorridas na RCC podem vir do demônio, ele está apenas repetindo o que já se sabe há muito tempo, porque o perigo existe e é grande.

E a coisa toda se agrava muito mais, pois a RCC usa desses pretensos dons durante a Santa Missa, desobedecendo à Igreja. Principalmente o conhecido dom das línguas aprendido por repetição. É muito comum vermos, por exemplo, nas Missas celebradas na Canção Nova e transmitidas pela televisão, o celebrante fazer orações em línguas e mandar os fiéis presentes orarem da mesma forma. Isso é um abuso inaceitável.

A RCC desfigura a liturgia, com abusos já condenados pela Santa Sé (favor ler a instrução Redemptionis Sacramentum). Ao promover essas coisas, a RCC contribui para tornar a liturgia da Missa uma festa ou um show, coisa que ela não é e nem pode ser. Ora, quem orquestra todas essas deformações é o demônio. É ao demônio que interessa desfigurar e destruir a Missa. Daí, não estar destituída de razão a conclusão do Professor Orlando, dizendo que a RCC é instrumento do diabo.

Alguém poderá objetar, dizendo, talvez: "e os frutos? Por acaso não há bons frutos na RCC? Pessoas que se convertem, abandonam seus pecado e se engajam na Igreja? As igrejas hoje por acaso não estão cheias por causa do trabalho da RCC?"

Esses " bons frutos" não provam nada, pois eles também são encontrados em seitas protestantes.

No entanto, a esses frutos faltou acrescentar: igrejas cheias de pessoas desfigurando e profanando a liturgia da Missa, a mistura da prática protestante com catolicismo, além de vários fiéis terem abandonado a Igreja Catóica e se tornado protestantes depois de terem conhecido a RCC.

E quanto a Monsenhor Jonas Abib?

O Professor Orlando apenas faz uma simples constatação: ele cita passagens de livros de Monsenhor Jonas em que este defende claramente doutrinas protestantes. Quando um bispo, padre ou leigo diz uma heresia, não é preciso esperar um "certificado de herege" para dizer que ali há erro. Basta conhecer a doutrina da Igreja, expressa no catecismo e dirigida a todos os fiéis, os quais têm a obrigação de conhecê-la. O Professor Orlando, ao criticar textos de Monsenhor Jonas, evidentemente não faz uma condenação oficial, que só a Igreja pode fazer. Trata-se de simples constatação e um alerta aos leitores, pois todo fiel tem obrigação de denunciar a heresia onde quer que a veja sendo pregada. Agora, quanto à culpabilidade interna de qualquer pessoa, isso é com Deus, que conhece os corações e as intenções de cada um. Evidentemente, fica difícil a um padre, com o conhecimento que tem - ou supomos que tenha - desculpar-se por defender ensinamentos protestantes, e isso hoje infelizmente é muito comum em padres formados na teologia modernista herética.

O julgamento da consciência e das intenções de cada homem só cabe a Deus. E aqui deve-se lembrar que as críticas do Professor Orlando se dirigem aos escritos do Mons. Jonas, e não à consciência deste, que só Deus julgará.

Você ainda pergunta, referindo-se ao Professor Fedeli: "Quem é ele para fazer este tipo de pré-julgamento?"

Ora, o Professor é apenas um católico que leu os livros de Mons. Jonas e viu existirem ali teses protestantes. Mais ainda: ele provou, mostrando os textos. Pré-julgamento é dizer as coisas gratuitamente, sem se basear em fatos. Prove que Monsenhor Jonas não escreveu aqueles textos, e então poderá dizer tranqüilamente que o Professor Orlando Fedeli é preconceituoso e injusto em suas críticas.

Aliás, o próprio Professor Orlando escreveu em uma das cartas sobre o assunto (os negritos são dele) o seguinte:
"Somente a Igreja tem o direito de condenar oficialmente um erro. Eu, como simples leigo, apenas constatei que ele escreveu e defendeu uma doutrina contrária ao que ensinou o Concilio de Trento.


Não emiti um juízo meu. Repeti o que ensina o Concílio de Trento, que é ensinamento oficial e infalível da Igreja, mostrando que o que diz Padre Jonas Abib contraria a doutrina oficial e obrigatória da Igreja.

Não sou eu, pois -- um simples leigo - que condena as teses de Padre Jonas: é o Conclio de Trento, com anátemas."
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=rcc&artigo=20040906195013&lang=bra

Vamos agora à sua segunda pergunta:

"2)-O salmo 150 é um absurdo ? Deveria ser retirado das escrituras sagradas por incentivar bater palmas e usar tambores,cordas e instrumentos de sopro no templo ? A RCC faz o que recomenda o magistério e as escrituras, onde está a proibição ? ( Proibir apenas por que Orlando Fedeli e seus seguidores não gostam ?...)".

Claro que o Salmo 150 não é um absurdo. E nem poderia ser, pois é Palavra de Deus, que sempre nos diz a verdade. Deus é a verdade.

Porém, a interpretação da Bíblia só pode ser feita pela Igreja, e não por nós individualmente. Principalmente no que respeita aos Salmos, que são de dificílima interpretação. Não é porque penso que o Salmo 150 me permite louvar a Deus com sons produzidos por qualquer tipo de intrumento musical, como baterias, tambores e guitarras, que isso passa a ser correto. Não é porque estou convencido de poder bater palmas e fazer uma dança, mesmo que seja uma "dança santa", diante do Santíssimo Sacramento e também na Missa, que isso passa a ser agradável a Deus.

É baseando-se em salmos de louvor, como o citado Salmo 150, que a RCC transforma a Missa em um show, onde todos batem palmas, levantam as mãos e onde está presente, via de regra, um conjunto musical, com guitarras e baterias. Isso hoje é muito comum. A Canção Nova chegou a mostrar em determinada ocasião alguns fiéis fazendo uma dança em oração diante do Santíssimo Sacramento exposto. Na realidade, o que há nesses casos é uma grave profanação e desfiguração da sagrada liturgia da Missa e da oração diante de Jesus Eucarístico, ainda que os participantes disso não se apercebam.

Perdeu-se, lamentavelmente, o senso do sagrado.

Tudo resultado de uma interpretação particular do Salmo 150. O mesmo que fazem os protestantes.

Vejamos um outro Salmo. O de número 91. Ali se diz que "é bom celebrar a Iahweh (...) com a lira de dez cordas e as vibrações da harpa" (Salmo 91- 92 - Biblia de Jerusalem). À primeira vista podemos pensar que é preciso termos uma lira e uma harpa para louvar a Deus, ou que, não sendo possível tocarmos esses instrumentos musicais hoje, seria necessário substituí-los por outros. Mas, não é nada disso. No encontro ocorrido em fevereiro, o Professor Orlando explicou justamente essa frase. A lira é um instrumento musical feito de madeira. A cruz de Cristo também era de madeira. Então, a lira representa a cruz que temos de carregar, pois Jesus Cristo disse que quem quisesse segui-lO, tomasse sua própria cruz. E as dez cordas representam os dez mandamentos da Lei divina. Louvar a Deus com a lira de dez cordas significa carregar a nossa cruz com paciência, todos os dias, cumprindo os dez mandamentos da Lei de Deus. Esse é um louvor agradável a Ele.

A Sagrada Escritura nos diz que Jesus Cristo, quando menino, era submisso à Virgem Maria e a São José. Pois bem: São Luís Maria de Montfort afirma que Cristo, submetendo-se a Maria Santíssima durante trinta anos, deu mais glória a Deus do que se tivesse convertido o mundo inteiro através dos mais espetaculares milagres.

Jesus deu glória a Deus no silêncio de Sua vida oculta, sendo humilde, obediente aos pais e, sobretudo, sem ser visto por ninguém, exceto por Deus, por Nossa Senhora e São José.
O louvor agradável a Deus não é sinônimo de um grupo numeroso de pessoas levantando os braços, batendo palmas e fazendo barulho de línguas desconhecidas. O louvor aceito por Deus está no silêncio da oração e da penitência.

O mundo, ávido de novidades, sedento de barulho e de folias, é que não aceita isso.

Coitados de nós se nos propomos imitar o mundo pensando estar agradando a Deus.

E quanto à música litúrgica?

Há uma música adequada para se louvar a Deus na Missa. Saiba que a Igreja proíbe que se louve a Deus de qualquer maneira. Deve-se louvar a Deus, sim; mas o louvor deve ser santo, deve ser segundo Deus e as regras da Igreja. Por isso, na Missa não se deve usar todo tipo de instrumento musical. Não se deve usar, por exemplo, baterias e guitarras, tão agradáveis ao mundo, mas que dão à Missa uma aparência de show mundano. Mesmo o piano não deve ser usado.
Você pergunta: "onde está a proibição?"

Pois, vou mostrar-lhe onde está.

"19. É proibido, na Igreja, o uso do piano bem como o de instrumentos fragorosos, o tambor, o bombo, os pratos, as campainhas e semelhantes.
"20. É rigorosamente proibido que as bandas musicais toquem nas igrejas, e só em algum caso particular, com o consentimento do Ordinário, será permitida uma escolha limitada, judiciosa e proporcionada ao ambiente de instrumentos de sopro, contanto que a composição seja em estilo grave, conveniente e semelhante em tudo às do órgão." (São Pio X, Tra le Sollicitude. n. 19 e 20)

Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/pius_x/motu_proprio/documents/hf_p-x_motu-proprio_19031122_sollecitudini_po.html


Portanto, é proibido tocar determinados instrumentos musicais na Igreja, não porque o Sr. Orlando Fedeli não os quer. É proibido porque a Igreja, através de São Pio X, disse que não pode.

E olhe que as bandas a que se refere São Pio X não eram bandas de rock "cristão", pois na época não existiam. Imagine o que São Pio X diria hoje, vendo os verdadeiros shows de profanação em que os padres e fiéis transformam a Santa Missa.

Por culpa - e muita culpa - da renovação carismática.

Mas, alguém poderá objetar: "isso era no passado e não vale mais".

Vejamos, então, o que está escrito numa matéria da agência portuguesa Ecclesia, datada de 2005.

"Bento XVI apelou ontem para uma “maior atenção à música sacra” prosseguindo a vontade já antes manifestada por João Paulo II."

Mais adiante, a mesma matéria continua:
"A 22 de Novembro de 2003 o Papa polaco assinou uma mensagem, «Tra le sollecitudini», por ocasião dos 100 anos do Motu Proprio de São Pio X, sobre a renovação da música sacra onde enumera alguns princípios que considera fundamentais para a boa prática da música católica. Nesta mensagem João Paulo II indica que “é necessário destacar que a música destinada aos ritos sagrados deve ter como ponto de referência a santidade” e refere ainda que “a própria categoria de «música sagrada» sofreu hoje uma ampliação tal que inclui repertórios que não podem entrar na celebração sem violar o espírito e as normas da própria liturgia”.
Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=26055

Aí está. João Paulo II lembrando o Motu Proprio "Tra le Solicitude", de São Pio X. E Bento XVI pedindo mais atenção para com a música sacra. Se existe esse pedido e essa preocupação do Papa - e ela não é de hoje - é porque, como já sabemos, a coisa vai de mal a pior no campo da liturgia. Fala-se nessa matéria sobre a chamada "inculturação", mas lembra-se que é preciso respeitar nesse terreno "critérios peculiares" que, conforme sabemos, não são respeitados em nossa Terra de Santa Cruz. Basta olhar para muitas Missas atualmente.
A chamada "inculturação", da maneira como é aplicada entre nós - sem nenhum critério - não funciona, pois logo desfigurou-se a Santa Missa, surgindo as missas macumbíferas, missas do vaqueiro, missas dos jovens, missas caipiras, missas-show (a triste "moda" atual), enquanto em outros países gerou missas com palhaços, missas com bruxinhas, missas discotecas e até coisas piores. Cada missa diferente uma da outra, dependendo da "criatividade do padre". Resultado: o desastre que vemos hoje.
São João Bosco quando visitou o céu em sonho, ouviu uma música celestial que em nada parecia com a mais linda música terrestre. Que diria esse santo sacerdote hoje se visse essas músicas mundanas tocadas em encontros de oração e até na Santa Missa?

Você me perguntará, talvez: e onde está a proibição das palmas?

Ora, bater palmas para acompanhar os cânticos na Missa ou para manifestar alegria e aprovação em determinados momentos da celebração eucarística, é algo tão recente, que no passado nunca se pensou que um dia existiria um tal abuso na Igreja. Evidentemente, essa prática, hoje lamentavelmente tão difundida, nunca ocorreu em toda a tradição litúrgica do catolicismo. E não é preciso fazer esforço algum para ver que tal gesto é totalmente incompatível com a santidade e a solenidade da Santa Missa.

É uma pena que o abuso das palmas na celebração eucarística não seja explicitamente mencionado nem na Redemptionis Sacramentum e nem na Encíclica Ecclesia De Eucharistia. A condenação ficou implícita, conforme veremos. Na Encíclica Ecclesia De Eucharistia o Papa João Paulo II mencionou claramente o valor sacrifical da Missa. Ora, se a Missa é sacrifício, nela não deve haver músicas acompanhadas com aplausos. Ele diz:
"Num contexto eclesial ou outro, existem abusos que contribuem para obscurecer a recta fé e a doutrina católica acerca deste admirável sacramento. Às vezes transparece uma compreensão muito redutiva do mistério eucarístico. Despojado do seu valor sacrificial, é vivido como se em nada ultrapassasse o sentido e o valor de um encontro fraterno ao redor da mesa." (Ecclesia De Eucharistia. n. 10)

Evidentemente, as palmas colaboram - e muito - para despojar a Missa do seu valor sacrifical. Ela fica parecida com uma festa.
João Paulo II condenou inovações não autorizadas introduzidas na Missa por padres e fiéis. É claro que a mais comum dessas inovações é o ato de bater palmas.
"Temos a lamentar, infelizmente, que sobretudo a partir dos anos da reforma litúrgica pós-conciliar, por um ambíguo sentido de criatividade e adaptação, não faltaram abusos, que foram motivo de sofrimento para muitos. Uma certa reacção contra o « formalismo » levou alguns, especialmente em determinadas regiões, a considerarem não obrigatórias as « formas » escolhidas pela grande tradição litúrgica da Igreja e do seu magistério e a introduzirem inovações não autorizadas e muitas vezes completamente impróprias. Por isso, sinto o dever de fazer um veemente apelo para que as normas litúrgicas sejam observadas, com grande fidelidade, na celebração eucarística." (Ecclesia De Eucharistia, n. 52 - sublinhado nosso )

Mais adiante ele afirma:

"O sacerdote, que celebra fielmente a Missa segundo as normas litúrgicas, e a comunidade, que às mesmas adere, demonstram de modo silencioso mas expressivo o seu amor à Igreja." (Ecclesia De Eucharistia, n. 52)
Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/special_features/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_20030417_ecclesia_eucharistia_po.html#fnref104

"Demonstram de modo silencioso mas expressivo o seu amor à Igreja". Como não ver nessas palavras de João Paulo II a condenação a todo barulho impróprio na Missa, incluindo aí os aplausos no acompanhamento das músicas?

O apelo do Papa é para o padre celebrar a Missa segundo as normas litúrgicas e para os fiéis aderirem a elas com grande fidelidade. Ora, as palmas não fazem parte das normas litúrgicas. Logo, é um erro mantê-las nas celebrações.

Mas, algum membro da RCC poderá aqui objetar: "nas nossas Missas continuamos a bater palmas e os padres até incentivam isso sem problema algum". Ao que cabe responder: isso só prova que nas Missas da RCC os padres e os fiéis desobedecem aberta e desavergonhadamente ao Papa.
E por que desobedecem? Porque pensam ter contato direto com o Espírito Santo e imaginam que Ele lhes manda transformar a Missa em algo alegre e festivo. Então, para quê obedecer ao Papa e à tradição litúrgica da Igreja? O que o Papa diz, não importa.

Além disso, os membros da RCC costumam apresentar o fato do Rei Davi ter dançado diante da Arca da Aliança. E usa-se isso como pretexto para os fiéis balançarem o corpo e baterem palmas durante as celebrações. Mas, se esquecem de dizer que a Arca Sagrada não continha a Carne e o Sangue do Filho de Deus. Deus não estava substancialmente presente na Arca da Aliança, a qual continha as tábuas da Lei, a vara de Aarão e o maná. Na Missa, no entanto, está presente Jesus Cristo vivo na Sagrada Eucaristia, sendo a Missa a renovação incruenta do Sacrificio do calvário, razão mais do que suficiente para não haver nada de profano, muito menos aplausos e danças.

A Bíblia relata que Davi dançou diante da Arca do Senhor. Mas, não diz que ele dançou diante dos sacrifícios da Antiga Aliança. Claro que ele não dançava diante dos holocaustos da Antiga Lei. Os sacrifícios do Antigo Testamento eram solenes, apesar de serem só uma sombra do sacrifício de Cristo. A imolação de bois, carneiros, ovelhas e pombas simbolizava Cristo que havia de vir para ser imolado na cruz. Mesmo assim, esses sacrifícios eram oferecidos com sumo respeito pelo sacerdote e assistidos da mesma forma pelos hebreus. Com adoração, respeito e temor. Quanto mais o Santíssimo Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo, oferecido incruentamente a Deus Pai na Santa Missa! A Missa não é festa. A Missa é sacrifício e mistério. É algo tremendo, cuja imensa santidade a língua humana não é capaz de expressar. Os anjos que rodeiam o Altar e adoram a Divina Vítima (Nosso Senhor Jesus Cristo em pessoa) não dançam e nem batem palmas. Pois se a Missa é a renovação incruenta do único sacrifício cruento de Cristo, e se nela se lembram os tormentos e as dores sofridas por nosso Redentor para nos salvar, como é que vamos bater palmas e dançar diante desses mistérios tão grandes da nossa Fé Católica? Os santos em todas as épocas sempre guardaram todo o respeito e recolhimento durante a Santa Missa e é assim que devemos assisti-la.
Passemos a outra consideração sua. Você escreveu o seguinte.

"2.1)-Não se pode dogmatizar a liturgia ( Não se pode forçar toda igreja a participar da missa em Latim, seria voltar as pessoas a ficarem rezando terços e fazendo novenas nas mesmas por não entenderem nada, (O Concílio Vaticano II ao qual devemos mais obediência que ao Orlando Fedeli já se pronunciou sobre este assunto)."


O que você chama de "dogmatizar a liturgia" é fixa-la em determinada forma e em determinado idioma, no caso o latim. Porém, você não vê que isso é um direito da Igreja Católica? Sendo a Fé Católica formada por dogmas imutáveis, revelados por Deus, a liturgia da Missa tem que ser a expressão exata dos dogmas referentes à nossa redenção. E o que se faz na Missa é objeto de dogmas: o Sacrifício incruento e propiciatório de Cristo, a Presença Real de Cristo na Sagrada Eucaristia, o poder do sacerdote de agir "in persona Christi", a remissão dos nossos pecados veniais no confiteor, o atendimento que Deus faz às nossas súplicas, o alívio que a Missa traz às almas do purgatório. A Santa Missa envolve dogmas. E, por isso, ela tem de expressá-los perfeitamente, em suas palavras e gestos. Cristo Se ofereceu na cruz a Deus Pai em sacrifício pelos nossos pecados, e esse sacrifício propiciatório é o mesmo oferecido incruentamente na Santa Missa, onde o Filho de Deus Se torna presente com Seu corpo, Sangue, Alma e Divindade e Se dá a nós em alimento na sagrada comunhão. Por isso, a Missa tem que ter a forma de um sacrificio.

A lei da oração é estabelecida pela lei da Fé. Rezamos de acordo com o que cremos. Então, a Igreja, com sua autoridade, dada por Cristo, fixou a liturgia da Missa desde o início, tratando, além do mais, de cuidar para que os sagrados ritos, expressão da Fé Catolica, não se banalizassem com o passar dos tempos e nem fossem alvo de profanações. Essa tarefa deve durar até o fim dos tempos. Claro que a Missa no Rito Romano Tradicional contém a expressão perfeita dos dogmas católicos. Por isso, Lutero detestava esse rito.

Quanto ao rito de Paulo VI, ele já não expressa perfeitamente a Fé Católica. Diversas vozes se levantaram para criticar esse rito, entre as quais as de dois eminentes Cardeais: Ottavianni e Bacci, em seu exame crítico do novus Ordo. E por que esse rito não expressa perfeitamente a doutrina católica com referência ao Santo Sacrifício do Altar? Porque foi feito para favorecer o ecumenismo. Quem disse isso foi o próprio Arcebispo Annibale Bugnini, criador do novo rito da Missa. Seu cuidado era de---- não ofender os protestantes. Isso está documentado. Foi dito em jornais. Ele quis remover até o mais leve sinal que escandalizasse, isto é, que desagradasse aos "irmãos separados". Ora, o que mais escandaliza os "irmãos separados" senão a doutrina católica, tão claramente mostrada no rito antigo da Missa? Por essa razão, foram retiradas da Santa Missa várias orações belas e precisas, que dizem claramente o que ela é.

Essas orações foram substituídas por textos ambíguos, para poderem ser interpretados tanto segundo a doutrina católica como segundo a doutrina protestante. Esta última, conforme sabemos, nega a Missa como sacrifício propiciatório, nega o sacerdócio ministerial do padre e a Presença Real de Jesus Cristo na Eucaristia.

Portanto, a Missa no rito de Paulo VI contém omissões e ambiguidades que contribuem para enfraquecer a Fé. Daí a necessidade desse rito ser reformado, conforme almeja o Papa Bento XVI. O primeiro passo foi Bento XVI declarar que o antigo rito da Missa nunca foi revogado e continua em vigor, passando a chamá-lo de rito extraordinário.

Feita essa observação, passemos a outro ponto da sua carta. Você diz: "Não se pode forçar toda igreja a participar da missa em Latim". Antes de ir adiante, lembro que a expressão "toda a igreja" aplicada aos fiéis não é correta, pois dá a entender que nós somos a Igreja. Isso é falso. A Igreja é o corpo místico de Cristo. Nós, os fiéis, somos apenas os membros terrestres e pecadores da Igreja.

Sua opinião é que não se pode forçar todos os membros da Igreja a participar da missa em latim.

Mas, meu caro, você não vê que a Igreja já fez isso durante quase vinte séculos em relação ao Rito Romano?

Sim, ela pode fazer isso, pois recebeu de Cristo a autoridade para fazê-lo.

A Santa Missa é celebrada em latim, com algumas partes em hebraico e grego.

A Igreja - que é o corpo místico de Cristo, que tem Cristo por cabeça, que é Santa, assistida pelo Divino Espírito Santo e governada na Terra pelo Papa - tem o poder de fazer isso, e foi o que ela fez desde a formação do rito romano. Vários séculos depois ela confirmou isso no Concílio de Trento. Veja os cânones desse Concílio, cuja doutrina estamos obrigados a seguir e a nunca abandonar nem duvidar.

Ou será que a verdade muda com o tempo? Então, Deus inspirou Sua Igreja a rezar a Missa em latim durante séculos, e depois Ele mudou de idéia, inspirando a reforma litúrgica de Paulo VI? Deus se tornou "aggiornato"? Deus se adapta ao mundo?

O Concílio Tridentino confirmou o que a Igreja já havia feito desde o início, quando o Rito Romano foi formado no Século VI da Era Cristã. Missa em latim e com o celebrante de frente para

Deus, não para o povo. Aliás, o Concílio de Trento excomunga quem disser que a Missa inteira deve ser celebrada na língua de cada povo.

O que traz um problema, pois a Reforma litúrgica de Paulo VI fez exatamente isso que o Concílio de Trento excomunga.

Você acrescenta: "seria voltar as pessoas a ficarem rezando terços e fazendo novenas nas mesmas por não entenderem nada."

Rezar o terço durante a Missa é bem melhor do que bater palmas e balançar o corpo, num frenesi que é mais do que mundano; é profanador e ofensivo a Deus.

E quem disse que os fiéis não são capazes de entender e nem responder nada da Missa em latim? Claro que eles podem saber as orações que o padre está rezando. Para isso existem os missais bilingües dos fiéis, contendo o texto em latim e em português. Mais do que isso: os fiéis devem responder em latim as partes que lhes compete. E você sabe quem deu essa norma? Pois foi exatamente o...

Concílio Vaticano II.

"Tomem-se providências para que os fiéis possam rezar ou cantar, mesmo em latim, as partes do Ordinário da missa que lhes competem." (Sacrossanctum Concilium. n. 54)

Fonte: http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19631204_sacrosanctum-concilium_po.html

Até o Concílio Vaticano II, em meio às suas inovações, quis os fiéis rezando e cantando em latim algumas partes da Missa, embora admitindo o emprego mais amplo da língua vernácula.
“36. § 1. Salvo o direito particular, seja conservado o uso da Língua Latina nos Ritos latinos.

§ 2 Contudo, já que na Missa, ou na administração dos Sacramentos ou em outras partes da Liturgia pode, não raro, o emprego da língua vernácula ser muito útil ao povo, permite-se dar-lhe um lugar mais amplo, principalmente, nas leituras e admoestações, em algumas orações e cânticos, conforme as normas que a respeito disso serão pormenorizadamente estabelecidas nos capítulos seguintes.” (Sacrossanctum Concilium. 36 – grifos nossos)

O Concílio não disse que a Missa inteira deveria ser em língua vernácula; isso só ficou decidido na reforma litúrgica de 1969. Ele mandou manter o latim na Missa. Se você deve obediência a esse Concílio, então, por que não aceita o latim? Por que incomodar-se quando se fala da volta do latim na Missa?

O Concílio também mandou utilizar o órgão de tubos como instrumento musical na Igreja, bem como o canto gregoriano.
"120. Tenha-se em grande apreço na Igreja latina o órgão de tubos, instrumento musical tradicional e cujo som é capaz de dar às cerimónias do culto um esplendor extraordinário e elevar poderosamente o espírito para Deus.

Podem utilizar-se no culto divino outros instrumentos, segundo o parecer e com o consentimento da autoridade territorial competente, conforme o estabelecido nos art. 22 § 2, 37 e 40, contanto que esses instrumentos estejam adaptados ou sejam adaptáveis ao uso sacro, não desdigam da dignidade do templo e favoreçam realmente a edificação dos fiéis." ( Sacrossanctum Concilium, n. 120 - grifos nossos)

"116. A Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana o canto gregoriano; terá este, por isso, na acção litúrgica, em igualdade de circunstâncias, o primeiro lugar.
Não se excluem todos os outros géneros de música sacra, mormente a polifonia, na celebração dos Ofícios divinos, desde que estejam em harmonia com o espírito da acção litúrgica, segundo o estatuído no art. 30." ( Sacrossanctum Concilium, n. 116 - grifos nossos)
Fonte: http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19631204_sacrosanctum-concilium_po.html

Os carismáticos hoje defendem o Concílio Vaticano II e reclamam obediência a ele. Mas, não vemos as Missas carismáticas sendo acompanhadas com canto gregoriano nem com órgão de tubos. Pelo contrário, só vemos baterias, guitarras, violões e músicas modernas, as quais nunca serão capazes de "dar às cerimónias do culto um esplendor extraordinário e elevar poderosamente o espírito para Deus."

Ponho em destaque a seguinte frase que você escreveu:

“O Concílio Vaticano II ao qual devemos mais obediência que ao Orlando Fedeli”.

Claro que não devemos obediência irrestrita ao Professor Orlando Fedeli. Ele é um Professor leigo, e não um Papa falando ex-cathedra, nem um Concílio infalível da Igreja. A autoridade dele é a de professor, cujo ensino devemos ouvir, respeitar e acolher sempre que nos mostra a doutrina da Santa Igreja.

Mas, permita-me corrigir você em um ponto.

Devemos obediência a todos os Concílios Infalíveis da Igreja. As definições doutrinárias desses Concílios valem para sempre e não mudam. O que esses Concílios condenaram como erros continuam sendo erros nos dias de hoje e o serão até o fim do mundo. Sugiro que leia principalmente o Concílio de Trento e o Concílio Vaticano I. Também devemos obediência ao Magistério dos Papas quando eles repetem o ensinamento ininterrupto da Igreja.

Isso gera um problema em relação ao Concílio Vaticano II, que aprovou o ecumenismo, a colegialidade e a liberdade de religião, erros condenados pelo Magistério da Igreja em épocas anteriores.

Por exemplo: o Syllabus, de Pio IX, não é nada ecumênico (por isso é tão odiado pela Modernidade). A Enciclica Mortalium Animos, de Pio XI, é toda ela uma condenação ao ecumenismo.

Mas, o Concílio Vaticano II aprovou o ecumenismo.

No que respeita à liturgia da Missa, Pio XII disse que não se deveria separar o sacrário do altar e que este não deveria ter a forma de mesa. Mas, a reforma litúgica feita por Paulo VI separou o sacrário do altar, deu a este a forma de mesa e fez o padre dar as costas a Deus.

E agora?

O Espírito Santo mudou de idéia? E como foi rápida essa mudança, não?

Fica problematico falar de "continuidade" em tal contexto.

E, assim, chegamos à sua última afirmação. Você diz:

"3)-O Orlando Fedeli promove a desobediência e total revolta e desrrespeito ao Concílio Vaticano II - Como Católico não podemos compactuar com isto. Ademais promove o afastamento da vida da Igreja com suas idéias tradicionalistas. Vejo apenas o site por interesses específicos tais como( E nisto é muito bom e recomendável: Refutações a protestantes,ateus e exotéricos) Quando ele se volta contra os Católicos e contra o Vat. II presta um desserviço a Santa mãe Igreja."

Ainda bem que você reconhece ser bom e recomendável o site Montfort na refutação às falsas doutrinas.

Aliás, reconhecia. Porque depois me enviou uma mensagem dizendo não recomendar mais o site Montfort aos católicos.

Suas afirmações mostram alguns equívocos. É preciso desfazê-los aqui. O Professor Orlando denuncia os erros do Concilio. E não faz isso com as ideias ditas "tradicionalistas" dele próprio - Orlando - mas com documentos da Igreja. É o Magistério da Igreja quem condena esses erros. Não é o Professor Fedeli com suas próprias idéias. Ele apenas mostra o que está claro nos documentos dos Papas e dos Concílios.

Com isso, o Professor Orlando não promove o "afastamento da vida da Igreja", se compreendemos por esta expressão a prática da doutrina sempre ensinada pela Igreja Católica. O Professor Orlando na verdade leva os católicos a se afastarem da heresia do modernismo e do relativismo, e abre-lhes os olhos para detectarem e evitarem esses erros. Não vejo como pode haver aí um desserviço à Igreja. Na época conturbada em que vivemos, quando são espalhadas tantas heresias por padres e teólogos, e os fiéis são constantemente envenenados por elas, é um dever do católico denunciá-las e fazer os fiéis se voltarem para o ensino perene da Igreja. Há aí um grande serviço a ela, e não um desserviço.

Os opositores do Concílio dizem: "o Concílio aprovou ensinamentos condenados anteriormente pelo Magistério da Igreja, e há ambiguidades em vários textos conciliares que prejudicam a Fé". Os defensores do Concílio, por sua vez, dizem: "olhem, o Papa aprovou esses ensinamentos novos. Eles agora são doutrina da Igreja. Vocês têm que aceitar. Quem não aceitar é desobediente, herege e cismático".

Essa discussão, naturalmente não tem data para terminar. Do ponto de vista meramente humano, parece algo sem solução. Ela terá fim com uma palavra definitiva do Sumo Pontífice.

Enquanto essa palavra não vem, é evidente só haver um caminho seguro a trilhar.

Entre as novidades do Concílio e a doutrina de sempre da Igreja, é melhor ficar com a doutrina de sempre da Igreja. Esse caminho é o mais seguro.

Só devemos aceitar as afirmações do Concílio Vaticano II que estão em concordância com os concílios infalíveis e, por conseguinte, com o ensinamento constante da Igreja através dos séculos. Mas, as novidades desse Concílio, que contradizem a doutrina da Igreja e foram anteriormente condenadas pelo Magistério, não podem ser aceitas. Aceitá-las seria concordar que a Igreja errou no passado ou que seus ensinamentos dados de maneira ininterrupta até 1962 não valem mais.

Um Concílio tem de repetir o que a Igreja sempre ensinou. Mas, se ele rompe com esse ensinamento constante, corre o risco de ser condenado. Isso já aconteceu na História da Igreja.

O padre Paul Krammer nos diz sobre esse assunto o seguinte:

"O dogma da Fé não pode falhar, mas as inovações podem falhar-nos. Os homens podem falhar; os leigos podem falhar; os Sacerdotes podem falhar; os Bispos podem falhar; os Cardeais podem falhar; e até o Papa pode falhar em assuntos que não envolvam o Seu carisma de infalibilidade - tal como a História nos demonstra com mais do que um Papa que ensinou, ou pareceu ensinar, alguma inovação.

"Por exemplo, - O Papa Honório foi postumamente condenado pelo Terceiro Concílio de Constantinopla, no ano 680, por ser auxiliar e cúmplice de heresia17, condenação essa que foi aprovada pelo Papa Leão II e reiterada por Papas subsequentes. - No Século XIV (1333), o Papa João XXII proferiu homilias - não definições solenes - em que insistia que as bem-aventuradas almas dos defuntos não gozam da Visão Beatífica antes do dia do Juízo Final. Por causa disto foi denunciado e corrigido por teólogos até que, por fim, retractou a sua opinião herética já no leito de morte." (Padre Paul Krammer, A Batalha final do demônio - capítulo 13 - http://www.devilsfinalbattle.com/port/ch13.htm - grifo nosso)

Mais adiante, ele continua:

"Outro exemplo é o do Papa Libério que, em 357, errou ao assinar um Credo que lhe fora proposto pelos Arianos e que omitia qualquer referência ao facto de o Filho ser consubstancial ao Pai. Resta esclarecer que o Papa Libério consentiu nisto depois de sofrer dois anos no exílio, e sob ameaça de morte. Falhou também (sob prisão e no exílio) ao condenar e excomungar erradamente - na realidade, dando só a aparência de excomungar - Santo Atanásio, que defendia a Fé neste assunto. Libério, o primeiro Papa a não ser proclamado santo pela Igreja, errou, porque Atanásio ensinava a Doutrina Católica - a verdadeira e infalível doutrina - ensinada infalivelmente pelo Concílio de Niceia no ano de 325 d.C. E era essa definição infalível - não o ensino erróneo do Papa Libério - que tinha de ser seguido naquele caso." (Padre Paul Krammer, A Batalha final do demônio - capítulo 13 - http://www.devilsfinalbattle.com/port/ch13.htm)

Os católicos são obrigados a aceitar a doutrina de Fé e de moral da Igreja. Mas, o Concílio Vaticano II não foi dogmático. Ele foi pastoral. Logo, não estamos obrigados a aceitar os pontos inovadores desse concílio, principalmente se vão contra a doutrina de sempre.

Porém, o texto anexado à sua mensagem diz que temos de aceitar todo o Concílio, mesmo ele não tendo sido dogmático. Diz o texto: “a má vontade dos tradicionalistas em encontrar na letra do Concílio a perene Doutrina da Igreja é notória. Em resumo, encontram “chifres em cabeça de cavalo”, pois dizem que os documentos do Concílio ensinam erros que lá não estão e pelo fato do Concílio não ter sido dogmático, complementam alegando que é legítimo recusar seus ensinamentos.”

São, então, duas acusações dirigidas contra os críticos do Vaticano II:

Primeira: a de não ver na letra do Concílio a doutrina perene da Igreja Católica.

Segunda: a de recusar o ensino pastoral do Concílio, que seria, então, obrigatório.

Examinemos essas duas afirmativas.

Os defensores do Vaticano II dizem não haver contradições nem rupturas entre esse Concílio e o ensino constante do Magistério da Igreja. Dizer que há ruptura seria uma invenção dos “tradicionalistas”, que estariam buscando "chifre em cabeça de cavalo". Então, ótimo! Se não há contradição, temos também que aceitar e obedecer a todos os Concílios infalíveis e ao Magistério dos Papas anteriores ao Vaticano II. Portanto, temos também de aceitar e obedecer, por exemplo, ao Syllabus, do Bem-Aventurado Papa Pio IX. E também a Encíclica Pascendi Domini Gregis e o decreto Lamentabili, de São Pio X, bem como a Mortalium Animos, de Pio XI, e a Mediator Dei, de Pio XII. Isso só para citar alguns exemplos.

Pois bem. Você verá que quando começamos a obedecer ao Vaticano II, automaticamente desobedecemos aos Papas anteriores a esse Concílio. E, conseqüentemente, desobedecemos toda a Tradição da Igreja.

A Encíclica Mortalium Animos, por exemplo, proibe aos católicos reunir-se com os não-católicos em encontros ecumênicos. Mas, o Concílio Vaticano II aprova e recomenda essas reuniões. No momento em que você promove o ecumenismo, para obedecer ao Vaticano II, você estará desobedecendo à Mortalium Animos. E, conseqüentemente, está desobedecendo ao que a Igreja sempre ensinou. Vamos aos textos.

A Mortalium Animos proibe aos católicos participar de encontros ecumênicos com os não-católicos:

"E de que modo pedirmos que participem de um só e mesmo Conselho homens que se distanciam por sentenças contrárias como, por exemplo, os que afirmam e os que negam ser a sagrada Tradição uma fonte genuína da Revelação Divina?

Como os que adoram a Cristo realmente presente na Santíssima Eucaristia, por aquela admirável conversão do pão e do vinho que se chama transubstanciação e os que afirmam que, somente pela fé ou por sinal e em virtude do Sacramento, aí está presente o Corpo de Cristo?
Como os que reconhecem nela a natureza do Sacrifício e a do Sacramento e os que dizem que ela não é senão a memória ou comemoração da Ceia do Senhor?" (Mortalium Animos. n. 14)

"E se é possível encontrar muitos acatólicos pregando à boca cheia a união fraterna em Jesus Cristo, entretanto não encontrareis a nenhum deles em cujos pensamentos esteja a submissão e a obediência ao Vigário de Jesus Cristo enquanto docente ou enquanto governante.

Afirmam eles que tratariam de bom grado com a Igreja Romana, mas com igualdade de direitos, isto é, iguais com um igual. Mas, se pudessem fazê-lo, não parece existir dúvida de que agiriam com a intenção de que, por um pacto que talvez se ajustasse, não fossem coagidos a afastarem-se daquelas opiniões que são a causa pela qual ainda vagueiem e errem fora do único aprisco de Cristo.” (Mortalium Animos. n. 9)

E continua no número 10.

“Assim sendo, é manifestamente claro que a Santa Sé, não pode, de modo algum, participar de suas assembléias e que, aos católicos, de nenhum modo é lícito aprovar ou contribuir para estas iniciativas: se o fizerem concederão autoridade a uma falsa religião cristã, sobremaneira alheia à única Igreja de Cristo." (Mortalium Animos. n. 10)

"Assim, Veneráveis Irmãos, é clara a razão pela qual esta Sé Apostólica nunca permitiu aos seus estarem presentes às reuniões de acatólicos por quanto não é lícito promover a união dos cristãos de outro modo senão promovendo o retorno dos dissidentes à única verdadeira Igreja de Cristo, dado que outrora, infelizmente, eles se apartaram dela". (Mortalium Animos. n. 16)
Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/pius_xi/encyclicals/documents/hf_p-xi_enc_19280106_mortalium-animos_po.html

Agora examinemos algumas afirmações do Decreto Unitatis Reintegratio, do Concílio Vaticano II. Ele diz:

"Em algumas circunstâncias peculires, como por ocasião das orações prescritas «pro unitate» em reuniões ecuménicas, é lícito e até desejável que os católicos se associem aos irmãos separados na oração. Tais preces comuns são certamente um meio muito eficaz para impetrar a unidade. São uma genuína manifestação dos vínculos pelos quais ainda estão unidos os católicos com os irmãos separados: «Onde dois ou três estão congregados em meu nome, ali estou eu no meio deles» (Mt. 18,20)." (Unitatis Reintegratio, n. 8)

E diz também:

"É, sem dúvida, necessário que os fiéis católicos na empresa ecuménica se preocupem com os irmãos separados, rezando por eles, comunicando com eles sobre assuntos da Igreja, dando os primeiros passos em direcção a eles. Sobretudo, porém, examinam com espírito sincero e atento aquelas coisas que na própria família católica devem ser renovadas e realizadas para que a sua vida dê um testemunho mais fiel e luminoso da doutrina e dos ensinamentos recebidos de Cristo, através dos Apóstolos". (Unitatis Reintegratio, n. 4)

"Hoje, em muitas partes do mundo, mediante o sopro da graça do Espírito Santo, empreendem-se, pela oração, pela palavra e pela acção, muitas tentativas de aproximação daquela plenitude de unidade que Jesus Cristo quis. Este sagrado Concilio, portanto, exorta todos os fiéis a que, reconhecendo os sinais dos tempos, solicitamente participem do trabalho ecuménico". (Unitatis Reintegratio, n.4)
Fonte: http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_decree_19641121_unitatis-redintegratio_po.html

A Unitatis Reintegratio manda fazer o contrário do que a Mortalium Animos ordena.

Meu caro, como Católicos não podemos compactuar com isso.

Não é possível obedecer à Unitatis Reintegratio e à Mortalium Animos ao mesmo tempo.

Ora, o Magistério da Igreja antes do Concílio Vaticano II estava errado quando condenou o ecumenismo? Em seus quase dois mil anos de história, a Igreja nunca abraçou qualquer tipo de diálogo, união ou oração em comum com os pagãos, com os hereges ou com os cismáticos. E quando surgiu o movimento ecumênico, ele logo foi condenado pelo Sagrado Magistério. Será que a Igreja vinha errando? Será que o Espirito Santo "mudou de idéia" a partir de 1962? Ou o ecumenismo era um erro só nos tempos anteriores ao Concílio Vaticano II?

Os partidários das mudanças conciliares gostam de dizer que não houve ruptura com o passado. Mas, quando confrontados com os textos que mostram o contrário, logo declaram obedecer ao que eles chamam de "Magistério de hoje". Com isso, reconhecem existir uma ruptura entre o Vaticano II e a doutrina e prática da Igreja antes desse Concílio.

Pois, se há um "magistério de hoje", é porque há também um "magistério de ontem", e ambos são discordantes.

E se dizem obedecer ao magistério "de hoje", então o "de ontem" não vale mais. E o de hoje? Valerá ele amanhã?

Ficamos, assim, diante de três alternativas inaceitáveis para qualquer católico:
1 - A Igreja vinha errando sobre essa questão do ecumenismo até 1962, ou
2 - Deus "mudou" suas determinações com respeito a esse assunto, ou
3 - A verdade muda com o passar do tempo. O que era erro ontem, pode ser verdade hoje. O que é pecado hoje pode ser virtude amanhã.

Meu caro, como Católicos não podemos compactuar com isso.

Você se indigna contra o Professor Orlando Fedeli porque ele "promove a desobediência e total revolta e desrrespeito ao Concílio Vaticano II". Mas, você não se revolta contra os que promovem a desobediência e total revolta e desrespeito aos Concílios de Trento e do Vaticano I. Quantos hoje falam e agem como se esses concílios e toda a Tradição estivessem ultrapassados e já não valessem. Para tais pessoas você não tem nenhuma palavra de censura.

Passemos agora à segunda acusação: a de recusar o ensino pastoral do Concílio, que seria, então, obrigatório.

Os defensores do Concílio Vaticano II dizem que, mesmo ele não sendo infalível, mesmo não tendo definido dogmas, teríamos a obrigação de aceitá-lo e obedecer-lhe na totalidade. Na opinião deles, quem não obedecesse às novas orientações conciliares, seria herege e cismático.

No texto anexado à sua mensagem há uma citação do Código de Direito Canônico, dizendo que todo Concílio, uma vez aprovado pelo Papa, tem de ser aceito pelos fiéis, mesmo não tendo definido dogmas.

"Cân. 341 § 1. Os decretos do Concílio Ecumênico não têm força de obrigar, a não ser que, aprovados pelo Romano Pontífice junto com os Padres Conciliares, tenham sido por ele confirmados e por sua ordem promulgados. § 2. Para terem força de obrigar, precisam também dessa confirmação e promulgação os decretos dados pelo Colégio dos Bispos, quando este pratica um ato propriamente colegial, de acordo com outro modo diferente, determinado ou livremente aceito pelo Romano Pontífice." (os grifos são do texto)

Evidentemente, fica subentendido que tal regra se aplica a todo Concílio ou ato do Magistério, desde que ele repita o ensinamento constante da Igreja. Se ele repete o que a Igreja sempre ensinou, tem força de obrigar quando seus decretos são confirmados e promulgados pelo Papa. Mas, em caso de haver novidades perigosas para a Fé ou contrárias ao que a Igreja sempre ensinou, os fiéis não estão obrigados a aceitá-las. Isso é lógico.

Ou será que o credo que favorecia a heresia ariana, tinha de ser aceito só porque lá estava a assinatura do Papa Libério? Santo Atanásio estava errado ao se opor ao arianismo, quando grande parte do clero e, inclusive, o Papa favoreciam esse erro? E dever-se-iam aceitar e obedecer aos documentos de Papas que no passado favoreceram heresias? (ver os exemplos citados acima pelo Padre Krammer)

Claro que não.

Respondendo a um leitor que defendia a obrigatoriedade do ensinamento pastoral do Vaticano II por ter sido este aprovado pelo Papa Paulo VI, o Professor Orlando Fedeli disse:

"Se você tivesse razão, deveriam se aceitar as heresias proclamadas no Concílio de Éfeso, de 449, -- um conciliábulo -- e que foi chamado de Latrocínio de Éfeso, porque nele se assasinou São Flaviano. Tudo o que esse Concílio decidiu é que todos os seus participantes foram excomungados, tendo sido proclamado dogma infalível apenas o que estava na carta de São Leão Magno ao Patriarca de Constantinopla, Flaviano, carta conhecida como Tomo a Flaviano (Cfr, Denzinger, 143).

Também o Concílio de Basiléia de 1431, ensinou erros, como por exemplo o do conciliarismo, que colocava a autoridade de um Concílio acima da autoridade papal e chegou a condenar o Papa reinante, Eugênio IV. Por isso, esse mesmo Papa Eugênio IV, em 1439, no Concílio de Florença, anatematizou os eros conciliaristas expressos no Concílio de Constança e no de Basiléia."
Fonte: http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=polemicas&artigo=20041016134312&lang=bra

Na época do Concílio, o Arcebispo Péricles Felice leu um documento no qual se diz claramente que as novidades conciliares são propostas (não impostas) e devem ser recebidas de forma diferente das coisas relativas à Fé que o Concílio tiver declarado.

“Tendo em conta a praxe conciliar e o fim pastoral do presente Concílio, este sagrado Concílio só define aquelas coisas relativas à fé e aos costumes que abertamente declarar como de fé. Tudo o mais que o sagrado Concílio propõe, como doutrina do supremo Magistério da Igreja, devem-no os fiéis receber e interpretar segundo a mente do mesmo Concílio, a qual se deduz quer do assunto em questão, quer do modo de dizer, segundo as normas da interpretação teológica.” (Compêndio do Vaticano II. Editora Vozes, 1986. Introdução geral. p. 21 e 22)

Então, há aqui uma separação bem clara. Só são relativas à Fé e aos costumes aquelas afirmações que o Concílio declarar abertamente como tais. Sabemos que o Concílio não proclamou nenhum dogma de Fé. Então, aceitamos todas as afirmações do Vaticano II em que ele simplesmente repetiu a doutrina de Fé e moral sempre ensinada pela Igreja. Essa doutrina é obrigatória. Mas, os ensinamentos que não são relativos à Fé e à moral, e que são novidades, esses são meramente propostos. O próprio Concílio não tem a intenção de impô-los.

E há mais. O padre Paul Krammer, em seu livro “A Batalha final do demônio”, cita um trecho de uma entrevista do mesmo Arcebispo Péricles Felice, em que este afirmou:

“Devemos distinguir, segundo os schemas e os capítulos, os que já foram sujeitos a definições dogmáticas no passado; quanto às declarações que têm características de novidade, devemos fazer reservas.” (Padre Paul Krammer - A Batalha Final do demônio, http://www.devilsfinalbattle.com/port/ch6.htm - grifos nossos)

Foi o próprio Secretário do Concílio Vaticano II quem o afirmou: devemos fazer reservas quanto aos ensinamentos conciliares que “têm características de novidade”.

Exatamente por isso muitos padres conciliares pediram um esclarecimento sobre o valor dos documentos do Concilio Vaticano II. Eles viram ser aprovados ensinamentos que nunca lhes haviam dito para acreditarem ou praticarem. Devem ter pensado: "estão mudando muitas coisas. Seremos obrigados a aceitar essas modificacões?"

Convém lembrar aqui um texto mais longo do mesmo padre Paul Krammer:

“Os católicos são obrigados a submeterem-se ao ensino estabelecido pela Igreja quanto à Fé e à Moral; mas, não são obrigados a submeterem-se às novas atitudes e às novas orientações de homens da Igreja liberais que, agora, dizem e fazem coisas que nunca se ouviram nem viram ao longo da História da Igreja. Portanto, os católicos têm o direito, e até o dever, de resistir a esta nova orientação, nascida das ambiguidades do Concílio e das opiniões da “nova teologia”, que divergem do Magistério perene e infalível. Há anos que os Católicos têm a falsa idéia de que devem aceitar o Concílio pastoral do Vaticano II com o mesmo assentimento de fé que devem aos concílios dogmáticos. Mas, isto não é assim. Os Padres
Conciliares referiram-se várias vezes ao Vaticano II como sendo um Concílio pastoral, querendo dizer que se tratava de um Concilio que não curou de definir a Fé, mas se preocupou antes em tomar medidas no âmbito de um critério prático e prudente – como a introdução da “aventura ecuménica”. (Padre Paul Krammer - A Batalha Final do demônio - capítulo 6 - http://www.devilsfinalbattle.com/port/ch6.htm)

O texto citado em seu email traz ainda a seguinte citação do Código de Direito Canônico:

“Cân. 752 Não assentimento de fé, mas religioso obséquio de inteligência e vontade deve ser prestado à doutrina que o Sumo Pontífice ou o Colégio dos Bispos, ao exercerem o magistério autêntico, enunciam sobre a fé e os costumes, mesmo quando não tenham a intenção de proclamá-la por ato definitivo; portanto os fiéis procurem evitar tudo o que não esteja de acordo com ela”

Se você me permitir, gostaria de comentar as afirmações desse texto, sem relacioná-las com outros cânones, já que não sou estudioso do Código de Direito Canônico. Pois me parece que um exame, mesmo superficial e despretensioso, apenas desse cânon levará a uma conclusão muito próxima àquela manifestada pelo Arcebispo Felice.

Muito bem: esse texto nos diz que quando o Papa e o Colégio dos Bispos em seu Magistério autêntico enunciam uma doutrina sobre a Fé e os costumes, mesmo não o fazendo em ato definitivo, devemos prestar a essa doutrina o religioso obséquio da inteligência e da vontade, e não assentimento de Fé. Claro que assim tem de ser, pois o assentimento de Fé (crer com certeza absoluta) só prestamos aos dogmas de Fé, que são atos definitivos.

Então, vejamos: o Concílio Vaticano II foi um ato do Magistério autêntico do Papa e dos Bispos? Sim, claro que foi. Porém, o Concílio proclamou algum dogma de Fé? Não. Então, não lhe cabe assentimento de fé.

Vamos adiante: o Concílio enunciou uma doutrina nova (sem ser dogma) sobre a Fé e os costumes? Certamente, não o fez. Caso tivesse feito, então caberia aos fiéis prestar o obséquio da inteligência e da vontade. Mas, somente a essas matérias de Fé e costumes, mesmo não sendo estas enunciadas em ato definitivo pelo Magistério. É o que diz o texto do cânon citado.

Ora, o Concílio não enunciou doutrinas novas sobre essas matérias, e - mais ainda - propôs novidades contrárias à doutrina sempre ensinada pela Igreja a respeito de determinados assuntos. Então, o obséquio da inteligência e da vontade não cabe a esses ensinamentos novos. É a conclusão lógica, tomando-se por base apenas o texto citado acima. Pois lá está dito que esse obséquio se aplica quando o Papa e os Bispos “enunciam sobre a fé e os costumes”. Portanto, o cânon 752 não se aplica às inovações trazidas pelo Concílio Vaticano II.

Como muito bem diz o padre Paul Krammer quando se refere à aceitacão das inovacões conciliares:

"Mas os Fiéis têm uma solução para este problema: não sendo o Concílio Vaticano II autoritário - no sentido em que não exerceu o Seu Magistério supremo -, não exerceu, portanto, o Seu poder nem de definir doutrina nem de anatematizar o erro. Uma vez que não exerceu, pois, essa autoridade, tudo o que foi ensinado pelo Vaticano II - e que não fora ensinado infalivelmente antes do Concílio - tem de ser examinado à luz das definições dogmáticas infalíveis e dos ensinamentos da Igreja Católica. Todavia, não é isso que acontece hoje. O que hoje acontece é que se está a redefinir “a Fé” à luz do Vaticano II. " (Padre Paul Krammer, A Batalha final do demônio - capítulo 13 - http://www.devilsfinalbattle.com/port/ch13.htm )

O artigo citado por você critica os que não aceitam os novos ensinamentos do Concílio: "Como alguém pode se dizer católico e negar o que a Igreja ensina?"

Ora, então os erros já condenados pelo Magistério da Igreja passaram a ser doutrina dessa mesma Igreja quando apareceram nos textos do Vaticano II? Temos agora de aceitar, praticar e promover o ecumenismo, a colegialidade, a liberdade religiosa? E temos de aceitar a nova definição de Igreja, chamada de "santa e pecadora"? E também o "subsistit", bem como a afirmação de que há uma "semente divina no homem"?

Aceitar essas novas orientações é rejeitar o que a Igreja sempre ensinou. "Como alguém pode se dizer católico e negar o que a Igreja ensina?" Essa frase também cabe aos defensores das novidades conciliares.

O texto anexado ao seu email cita o decreto do Concílio de Jerusalém, que está nos Atos dos Apóstolos e, em seguida, pergunta: "Será que estas determinações foram dogmáticas? Se foram, porque não as observamos hoje? Mesmo não sendo dogmáticas foram entregues pelos apóstolos para serem observadas. Completa a Escritura: “Nas cidades pelas quais [Paulo e Timóteo] passavam, ensinavam que observassem as decisões que haviam sido tomadas pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém” (At 16,4)" - grifos nossos.

Ele quer dizer: assim como as determinacões do Concílio de Jerusalém foram obrigatórias, mesmo sem serem dogmáticas, o mesmo ocorreria com as inovacões do Concílio Vaticano II.

Mas, não parece ser bem assim. O padre Paul Krammer, por exemplo, diz que a decisão do Concílio de Jerusalém foi infalível: "cerca do ano 50, em Antioquia, S. Pedro recusou sentar-se à mesa com gentios convertidos. Por se ter afastado destes convertidos, deu a falsa impressão de que o Primeiro Concílio de Jerusalém errava no seu ensino infalível de que não se aplicava à Igreja Católica a lei cerimonial moisaica (que proibia os Judeus de comerem com os gentios “imundos”). Foi por causa deste incidente que São Paulo repreendeu São Pedro, cara a cara e em publico. (Gal. 2:11)". (Padre Paul Krammer - A Batalha Final do demônio - capitulo 13 - http://www.devilsfinalbattle.com/port/ch13.htm - grifos nossos)

Ora, se desde o Concílio de Jerusalém até os dias de hoje não necessitamos mais da circuncisão e da lei ritual judaica, isso mostra a perenidade da decisão daquela assembléia apostólica presidida por São Pedro. Continuamos, portanto, a observá-la.

O Vaticano II, no entanto, é bem diferente. Suas decisões pastorais não são infalíveis e suas novidades são opostas ao ensino perene da Igreja.

Veja só. Tanto é verdade que as inovacões do Concílio Vaticano II não são obrigatórias, que padre Paulo Ricardo, bem conhecido na Canção Nova, criticou afirmações da Constituição Pastoral "Gaudium et Spes". Isso foi em um programa de rádio, cujo link já indiquei. É verdade que Padre Paulo tem opiniòes bem favoráveis à Lumen Gentium e à Dei verbum. Mas, só o fato de criticar algumas afirmações da Gaudium et Spes, mostra não ser obrigatório aceitá-las.

É muito fácil dizer que a Montfort e os chamados "tradicionalistas" têm má vontade, ao acusarem o Vaticano II de romper com o ensinamento constante da Igreja, e ao citarem certos textos do Cardeal Ratzinger quando este critica o Concílio. Há, por exemplo, um discurso conhecidíssimo, em que ele censura os que consideram o Vaticano II um "super dogma" e jogam fora toda a Tradição da Igreja.

Também é muitíssimo fácil inventar que a resistência a vários ensinamentos do Vaticano II não se baseia nos textos desse Concílio, mas em uma interpretação errada do mesmo. Vi essa objeção certa vez em um texto. Ela é simplesmene absurda, pois leva a pensar que os críticos do Vaticano II nunca leram uma linha dos documentos conciliares.

Não admira o fato dos carismáticos defenderem a todo custo o Vaticano II, declarando-o infalível e obrigatório para os católicos. Claro que precisam fazer isso! Sem o Concílio Vaticano II, não haveria ecumenismo. E se não houvesse ecumenismo, a RCC não existiria, pois a origem dela é protestante. Ela é fruto do ecumenismo. Ela é fruto do Vaticano II. A RCC defende o Concílo, dizendo que ele segue a Tradição da Igreja. Então, ela mesma deveria seguir essa Tradição. Mas, quando se fala da Tradição e da Missa de Sempre, a RCC simplesmente os ignora e continua com suas Missas-shows.

O texto do então Cardeal Ratzinger citado no artigo que você anexou à sua mensagem, é do livro escrito por Vittorio Messori em 1985: "A Fé em Crise? - O Cardeal Ratzinger se interroga". Ele mostra uma opinião do então Cardeal há exatos vinte e cinco anos. A preocupação era condenar tanto a opinião dos que rejeitavam o Concílio Vaticano II e suas mudanças (por exemplo, o Arcebispo Dom Marcel Lefèbvre) como a dos modernistas radicais, que usavam o Concílio como pretexto para eliminar dois mil anos de Tradição e destruir a Fé e a moral católicas.

O Cardeal Ratzinger naquela ocasião quis salvar o Concílio, assumindo uma postura que considerou equlibrada. Na realidade, não tinha outra opção. Dizendo que ninguém podia, ao mesmo tempo, aceitar o Concílio de Trento e repudiar o Vaticano II, ele atacava Dom Lefebvre, que sempre repudiou as mudanças do último concílio. E dizendo que não se podia ,ao mesmo tempo, aceitar o Vaticano II e rejeitar Trento e toda a Tradição da Igreja, ele condenava os reformadores radicais que, em nome do Vaticano II queriam destruir toda a Fé Católica tal como sempre foi ensinada. Não sabemos se o Cardeal Ratzinger já tinha em mente corrigir as afirmações controversas do Concílio e dar-lhe uma interpretação em concordância com a Tradição bi-milenar da Santa Igreja. É possível que sim.

Evidentemente, não se pode concordar com a opinião dele dada naquela ocasião, porque basta ler os textos para verificar a existência de conflito entre o catolicismo de sempre e vários pontos do Vaticano II. Seria o caso de dizermos naquela ocasião, se pudéssemos: "Ëminência, com todo o respeito, a coisa não é assim."

Opinião muda com o tempo. E as opiniões do então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé não são exceção.
Já se vão vinte e cinco anos desde que aquela entrevista foi dada.

Como disse o Professor Orlando, de lá para cá o então Cardeal Ratzinger mudou muito, principalmente depois de ter-se tornado o Sucessor de São Pedro. Suas corajosas palavras e ações o provam: a liberação e a valorização da Missa antiga (algo impensável há algumas décadas), a criação do Instituto Bom Pastor, a retirada da excomunhão dos Bispos da Fraternidade São Pio X, o início dos debates sobre o Concílio e o projeto de reforma da reforma da Missa.

Essa volta para a Tradição também trouxe uma série de publicações críticas em relação ao Concílio. Vozes que permaneceram caladas durante quarenta anos hoje se levantam. Uma das mais famosas é a de Monsenhor Brunero Gherardini, amigo do Papa. Monsenhor Gherardini lançou um importante livro, cujo título é "Concilio Vaticano II - Un discorso da fare". Um dos capítulos faz uma severa crítica à doutrina da colegialidade aprovada pela Lumen Gentium. Não por acaso, o capítulo se chama "a serpente no meio da erva."
Infelizmente, esse livro ainda não está disponível em português. Há um comentário sobre esse capítulo no site Montfort.
Fonte: http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=igreja&artigo=anguis-herba&lang=bra

Que crítica pesada a de Monsenhor Gherardini! E logo contra a principal constituição do Concílio: a Lumen Gentium! Uma coisa simplesmente impensável há alguns anos.

Então, parece que esqueceram de dizer a Dom Brunero que ele não pode fazer essas críticas, não é? Que ele está pecando por não aceitar as novidades conciliares e por criticá-las.

O Papa Bento XVI sabe que há um problema com o Concílio Vaticano II, pois este aceitou e consagrou ensinamentos já condenados pela Igreja (o exemplo mais visível é o ecumenismo).

E muitos textos conciliares são ambíguos, parecendo afastar-se do que a Igreja sempre ensinou. A primeira interpretação desses textos e sua aplicação na prática levaram a mudanças radicais destruidoras no campo da Fé, da moral e da liturgia, chegando ao desastre atual a que todos estamos assistindo. Por enquanto, Bento XVI escolheu o caminho de salvar a letra do Concílio Vaticano II, ao invés de condená-lo abertamente. Mas, condenou abertamente o chamado "espírito do Concílio". Esse "espírito" é a idéia falsa de que se deve romper com toda a Tradição da Igreja, tratando-a como algo descartável e sem valor. Segundo os defensores desse "espírito", o que vale é o "novo". Por isso, muitos deles pensam que a Igreja de Cristo começou só depois do Concílio. Isso é um absurdo. Por isso, Bento XVI condenou esse espirito de ruptura.

Fala-se já há muito tempo ser necessário colocar o Concilio Vaticano II de volta nos trilhos da Tradição. Uma tarefa dificílima. Alguns a consideram impossível. Mas, o Papa sabe que condenar abertamente o Concílio, de nada adiantaria, e quase com certeza provocaria um grande cisma declarado (o cisma silencioso já existe), devido ao fato de a maior parte do clero e dos fiéis aceitar as novidades conciliares e não querer se separar delas. A oposição dos Bispos ao Papa no mundo inteiro é um eloquente e grave sinal disso. Bento XVI, então, tem de caminhar devagar, procurando corrigir o Concílio, dando a várias afirmações ambíguas uma interpretação segundo o ensino constante da Igreja. Foram também abertas as discussões entre os teólogos do Vaticano e os da Fraternidade São Pio X. Bento XVI, aceitando discutir as afirmações controversas do Concílio, está nos dizendo que elas não são infalíveis e muito menos obrigatórias. Pois o que é infalível, não pode ser objeto de discussão. Será isso suficiente para sanar a crise atual? Não sabemos. Só Deus sabe, e o tempo nos mostrará.

Porém, a condenação do Concílio Vaticano II já se deu de forma simbólica através do Motu Proprio Summorum Pontificum, promulgado pelo Papa Bento XVI em julho de 2007; nele a Missa antiga é liberada, e qualquer padre pode celebrá-la sem precisar da autorização do Bispo diocesano. Os fiéis também têm o direito de pedi-la. Paulo VI certa vez recusou-se a liberar a Missa antiga porque, segundo ele, isso significaria condenar o Concílio Vaticano II através de um símbolo.
Fonte: http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=igreja&artigo=missa_concilio&lang=bra

De fato, a Missa no Rito Romano Tradicional é um símbolo contra as reformas pós-conciliares, especialmente no campo litúrgico. Ora, o que Paulo VI não fez na década de 1970, foi feito por Bento XVI em 2007. Para a honra e glória de Deus Todo-Poderoso e para o ódio e desespero de todos os inimigos da Santa Igreja Católica. E logo mais a própria Missa no rito de Paulo VI será reformada.

A reforma da reforma litúrgica já desponta no horizonte.

Salve Maria!

Atenciosamente,

X

P.S. Você me convida a "assistir a uma missa na Comunidade Católica Shalom aos Sábados e ver o Zêlo liturgico que esta comunidade tem pelo Sagrado." Já conheco o zelo litúrgico das celebracões carismáticas. Que Deus me livre delas.

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