terça-feira, 25 de maio de 2010

Catecismo Anticomunista.


CATECISMO ANTICOMUNISTA

D. Geraldo de Proença Sigaud

ÍNDICE

I. O que é o comunismo e o que ele ensina
II. Atitudes do comunismo perante a religião
III. Pontos básicos da divergência entre comunismo e catolicismo
IV. A essência do homem é ser trabalhador
V. A Revolução e a Cristandade
VI. Virtudes que fundamentam a Cristandade e paixões que movem a Revolução
VII. O proletário é o único homem ideal, segundo o comunismo
VIII. A luta de classes
IX. A propriedade, a vida humana e a escravidão do operariado
X. O papel de Satanás
XI. A violência e a liberdade
XII. O materialismo do Ocidente prepara o caminho do comunismo
XIII. A Igreja e os operários
XIV. O socialismo
XV. A conquista do povo — as elites e a massa
XVI. Os pontos mais visados — a Reforma Agrária
XVII. O ideal do comunismo: a sociedade sem classes; o igualitarismo

_______


I. O QUE É O COMUNISMO E O QUE ELE ENSINA

1. Que é o comunismo?
O comunismo e uma seita internacional, que segue a doutrina de Karl Marx, e trabalha para destruir a sociedade humana baseada na lei de Deus e no Evangelho, bem como para instaurar o reino de Satanás neste mundo, implantando um Estado ímpio e revolucionário, e organizando a vida dos homens de sorte que se esqueçam de Deus e da eternidade.
2. Qual é a doutrina que a seita comunista ensina?
A seita comunista ensina a doutrina do mais completo materialismo.
3. Que ensina o materialismo comunista a respeito de Deus?
O materialismo comunista ensina que Deus não existe, e que só existe a matéria.
4. Contenta-se a seita comunista em ensinar que não há Deus e que só existe a matéria?
A seita comunista dá grande importância a um materialismo prático, em que o homem não cogita se Deus existe ou não, mas procede, pensa e organiza sua vida sem se incomodar com Deus nem se lembrar dEle. Assim, aos poucos chega também ao materialismo teórico. O comunista verdadeiro é materialista teórico e prático, para poder levar seus prosélitos ao caminho aludido.
5. Que pensa a seita comunista a respeito da alma?
Para a seita comunista o homem é só matéria, e a alma não existe.
6. Que pensa a seita comunista a respeito da eternidade?
Para a seita comunista o homem desaparece totalmente após a morte. Não há Céu nem inferno, não há felicidade nem castigo depois desta vida.
7. Que pensa a seita comunista a respeito da natureza humana?
Para a seita comunista o homem é um simples animal; embora mais evoluído do que o boi e o macaco, não passa de animal.
8. Qual e a primeira conseqüência prática desta doutrina?
A primeira conseqüência prática deste materialismo é que o homem deve procurar sua felicidade somente nesta terra, e no gozo dos prazeres que a vida terrena oferece.
9. O homem, segundo o comunismo, depende de Deus e da sua lei?
Não. Uma vez que só há matéria, o homem não depende de Deus, que não existe; ele é supremo senhor de si mesmo.



II. ATITUDES DO COMUNISMO PERANTE A RELIGIÃO

D. Sigaud: a Religião Católica é inimiga mortal do comunismo. O católico não pode ser socialista!
10. A seita comunista dá importância à Religião?
Embora negue a existência de Deus, e afirme que a Religião é coisa quimérica, o comunismo dá grande importância ao fato de que existe a Religião no mundo, porque vê nela o seu maior inimigo. Lenine a chama de “ópio do povo”.
11. Por que a Religião é inimiga do comunismo?
A verdadeira Religião, que é a Religião Católica, é inimiga mortal do comunismo, porque ensina exatamente o contrário do que ele ensina, e inspira os fiéis a preferirem a morte às doutrinas e ao regime comunista.
12. Que faz o comunismo com a Religião?
Com a Religião Católica a luta do comunismo é de morte: só poderia cessar se chegasse a destruir em todo o mundo a Igreja verdadeira (o que é impossível). Quanto às outras religiões, a seita usa de duas táticas: quando sente que uma delas é um empecilho para a sua vitória, ataca-a; mas se vem a perceber que se pode servir de alguma religião para se propagar, ou mesmo para matá-la, então a tolera e até favorece na aparência, para a destruir mais radicalmente.
13. Para conquistar o poder, que faz a seita comunista com referência à Igreja Católica?
Para conquistar o poder, a seita comunista procede da seguinte maneira com relação à Igreja Católica:
a) Procura persuadir os católicos de que não há oposição entre os objetivos da seita e a doutrina da Igreja. Procura até apresentar as idéias comunistas como a realização da doutrina do Evangelho.
b) Procura criar uma corrente intitulada de “católicos progressistas”, “católicos socialistas” ou “católicos comunistas”, para desorientar e desunir os católicos.
c) Procura atirar as organizações católicas contra os outros adversários naturais do comunismo, como os proprietários, os militares, as autoridades constituídas, para dividir e destruir os que se opõem à conquista do poder pelo Partido Comunista.
d) Favorece as modas e costumes imorais para minar a família e portanto a civilização cristã da qual a família é viga mestra.
e) Mantém nas nações cristãs a sociedade em constante agitação, fomentando antagonismo entre as classes, as regiões do mesmo país, etc.
14. Depois de conquistado o poder, que faz a seita comunista com a Igreja Católica?
Sua tática com a Igreja Católica, depois de conquistado o poder, varia de acordo com as circunstâncias. Mas os passos da luta em geral são os seguintes:
a) envolver os católicos nos movimentos promovidos pelo Partido Comunista;
b) afastar os Bispos, Sacerdotes e Religiosos que resistem; se preciso, matá-los;
c) liquidar os líderes católicos;
d) separar a Igreja do país, da obediência ao Santo Padre.
15. Pode um católico colaborar com os movimentos comunistas?
A coisa que os comunistas mais desejam é que os católicos colaborem com eles. Quem começar a colaborar, terminará comunista. “Colaborou? Morreu!”
16. Se o comunismo ensinasse que Deus existe, e tolerasse a Religião, os católicos poderiam ser comunistas?
No dia em que o comunismo admitisse que Deus existe, e que ele é Senhor nosso, já não seria propriamente comunismo.
III. PONTOS BÁSICOS DA DIVERGÊNCIA ENTRE COMUNISMO E CATOLICISMO
17. Então a divergência entre a seita comunista e o Catolicismo se verifica só no campo religioso?
Não. Além do campo religioso, há muitos outros campos em que as divergências entre a seita comunista e o Catolicismo são irredutíveis.
18. Em que outros pontos fundamentais existe esta divergência radical?
Esta divergência existe em todos os pontos. Mas ela é mais fundamental em relação à verdade e à moral, à família, à propriedade e à desigualdade social.
19. Que ensina o comunismo a respeito da verdade?
Ensina a Igreja que Deus criou o mundo e criou a alma humana, que é inteligente. A alma conhece a verdade das coisas. Ela afirma que uma coisa é idêntica a si mesma, dizendo o que é, é; o que não é, não é.
O comunismo ensina que não há verdade. Uma coisa pode ser e não ser, ao mesmo tempo. Uma coisa é ela e o contrário dela.
20. Então o comunismo não admite a verdade?
Não. Para o comunista não interessa que uma afirmação corresponda à realidade ou não. Para ele, “verdade” é o que ajuda a fazer a Revolução. A mesma afirmação pode ser hoje e amanhã, sucessivamente, “verdade” e “mentira”, de acordo com a conveniência do Partido. Assim, houve tempo em que Stalin era um herói para a seita comunista. Hoje é um bandido declarado. Não há verdade objetiva.
21. Que outra grande divergência existe entre o comunismo e o Catolicismo?
O Catolicismo ensina que Deus é absolutamente santo. E por isto, as ações humanas que estão de acordo com Deus são boas; e as que vão contra a ordem que Ele estabeleceu são más.
O comunismo, que é materialista, ensina que não existe moral. Quando uma ação é útil ao Partido, é boa; quando prejudica o Partido, é má.
22. Dê um exemplo.
Para o católico as boas relações dos filhos com os pais constituem um bem.
Para o comunista, essas boas relações podem ser um bem, e podem ser um mal. Se os pais se opõem à Revolução, o filho deve odiá-los, denunciá-los, e, se for preciso, depor nos processos contra eles e até matá-los. Se os pais trabalham para a Revolução, o filho deve mostrar-lhes amor e colaborar com eles.
23. Poderia dar outro exemplo?
Outro exemplo seria o seguinte. Se o Brasil entrar em guerra contra a Rússia, o comunismo ensina que os brasileiros deverão trair sua Pátria, trabalhar para que os nossos soldados sejam derrotados e o Brasil dominado pelos soviéticos. Mas, se por desgraça o Brasil passar a aliado da Rússia, os brasileiros deverão mudar de orientação e lutar pela vitória do Brasil.
Em resumo: é bom o que ajuda a Revolução, é mau o que a combate ou prejudica.
24. O comunismo ensina a respeitar as famílias?
Como o homem é um animal, a família vale tanto como um casal de bichos. Por isto o comunismo ensina a dissolver as famílias, a violentar as mulheres dos povos que não são comunistas, e a respeitar as “famílias” dos que o são.
25. Que aconteceria às nossas famílias católicas se o comunismo dominasse o Brasil?
Os pais que resistissem à profanação do seu lar poderiam ser mortos; as filhas e esposas ficariam expostas à violação; as famílias perderiam suas propriedades e seriam arruinadas e destruídas.
26. O comunismo acha que o Direito é sagrado?
Como não admite a existência de Deus nem da alma, o comunismo não reconhece a dignidade do homem e nega que o Direito exista. Somente reconhece a força.
27. Pode dar um exemplo?
Se eu der um osso a um cão, este não adquire um direito ao osso. Posso lhe tirar o osso sem ferir nenhum direito. A razão é a seguinte: não tendo alma, o cão não é uma pessoa. Não sendo pessoa, não tem direito. Uma vez que para o comunismo o homem não é pessoa, e sim animal, ele não tem direito. O Estado lhe dá o que quiser, e quando quiser lhe tira. O homem é menos que um escravo; é uma rês.
IV. A ESSÊNCIA DO HOMEM É SER TRABALHADOR
28. Qual é a definição do homem?
Para o católico: o homem é um animal racional, dotado de personalidade e de direitos.
Para o comunista: o homem é um animal trabalhador.
29. Qual é o papel do trabalho na vida?
Para o católico; o trabalho é meio de conseguir certos recursos que possibilitam ao homem gozar dos bens que Deus criou para ele. O trabalho existe para o homem.
Segundo o comunismo, o homem existe para o trabalho. O trabalho é o fim da vida.
30. Se o homem é um animal trabalhador, deve ele trabalhar sempre?
Para a seita comunista quem não trabalha não é homem. Quanto mais o homem trabalha, mais homem é. Assim, ele pode mudar a sua própria natureza, vivendo somente para o trabalho.
31. Então o homem não tem uma natureza estável, que Deus lhe deu?
Segundo a doutrina católica, tem. Deus constituiu a natureza humana imutável.
Para o comunista, uma lei universal levou a matéria até a forma humana. Esta forma está em evolução. É o homem que dá a si mesmo a sua natureza, mediante o trabalho. O homem é o criador de si próprio.
32. Quem deve, então, ser adorado?
Para o católico, Deus deve ser adorado, porque é o Criador do céu e da terra.
O comunista recusa adoração a Deus. Em vez de adorar ao Criador, ele adora o Estado comunista e totalitário.
V. A REVOLUÇÃO E A CRISTANDADE.
33. Qual é para o comunismo o critério supremo da verdade, da moral e do direito?
O critério supremo da verdade, da moral e do direito é para o comunismo a ação revolucionária. Assim como para o católico o fim supremo é a vida eterna, para o comunista o fim supremo da vida é a Revolução.
34. Que é a Revolução?
Revolução, com maiúscula, é a rejeição de Deus, de Cristo, da Igreja, e de tudo o que deles provém; é a organização da vida humana somente segundo a razão humana e as paixões humanas. Seu ideal é a Cidade do homem sem Deus, oposta à Cristandade e à ordem natural, que é a Cidade de Deus.
35. Que é a Cristandade?
Cristandade é a sociedade temporal organizada segundo Deus, isto é, de acordo com o direito natural e a palavra de Deus, revelada por Jesus Cristo, transmitida, interpretada e aplicada à vida pela Igreja Católica.
36. Quais são os fundamentos da Cristandade?
Os fundamentos da Cristandade são dois: o direito natural e a Revelação, trazida por Jesus Cristo e transmitida pela Igreja Católica.
VI. VIRTUDES QUE FUNDAMENTAM A CRISTANDADE E PAIXÕES QUE MOVEM A REVOLUÇÃO.
37. Sobre que virtudes se baseia a Cristandade?
A Cristandade se baseia principalmente sobre as seguintes virtudes: a fé, a castidade e a humildade.
38. Que paixões desordenadas são a mola da Revolução?
O orgulho, que rejeita a fé; a sensualidade que rejeita a castidade; a soberba, que rejeita a humildade, são as molas principais da Revolução.
39. Quais são as conseqüências destas paixões?
Do orgulho, que rejeita a fé, nasce a negação da vida eterna como fim da existência terrena, bem como a negação de Deus, e de Cristo como Senhor do homem.
Da sensualidade, que rejeita a castidade, nasce o desejo de gozar esta vida de todas as formas, e em conseqüência ela conduz ao desprezo e a dissolução da família.
E da soberba, que rejeita a humildade, nasce a revolta contra a autoridade divina e humana, e contra todas as limitações que o homem pode sofrer. De modo especial ela conduz ao igualitarismo, isto é, ao ideal comunista de uma sociedade sem classes.
40. Que se entende aí por classe social?
Classe social é um conjunto de pessoas — e suas respectivas famílias — cujas funções na sociedade são diversas, porém iguais em dignidade. Exemplo: advogados, médicos, engenheiros, fazendeiros, oficiais das Forças Armadas, apesar da diversidade de suas funções, constituem com suas famílias uma mesma classe social.
Todas as classes sociais são dignas, mas não iguais em dignidade. Por exemplo: o trabalho manual é digno e foi até exercido pelo Verbo Encarnado; todavia, a dignidade do trabalho intelectual é intrinsecamente maior: o espírito é mais do que a matéria.
41. A que título a família faz parte da classe social?
De acordo com a lei natural e a doutrina da Igreja, a família participa de algum modo, não só do patrimônio, como da dignidade, honra e consideração de seu chefe, com o qual forma um só todo e a cuja classe social pertence. Sendo inerente à família a transmissão aos filhos, não só do patrimônio dos pais, como também, de certo modo, da honra e consideração que se prende ao nome paterno, a presença da família na classe social dá a esta um certo caráter de continuidade hereditária.
42. Então uma pessoa não pode passar para uma classe a que não pertence a sua família?
Pode. Não se deve confundir classe social com casta. No regime pagão das castas existe entre estas uma barreira intransponível. Cada pessoa pertence necessariamente, por toda a vida, à casta em que nasceu. Isto, quaisquer que sejam suas ações, boas ou más. Na civilização cristã, não há castas impermeáveis, mas classes sociais permeáveis. Ou seja, a pessoa pertence à classe em que nasceu, mas pode elevar-se a outra se tiver um mérito saliente. Bem como pode decair, em razão de seu mau procedimento. Assim, o princípio da hereditariedade se harmoniza com o postulado da justiça.
O comunismo, ao invés, quer uma sociedade sem classes, em que todos sejam iguais, no que contraria o princípio natural da hereditariedade e as exigências da justiça.
VII. O PROLETÁRIO É O ÚNICO HOMEM IDEAL, SEGUNDO O COMUNISMO
43. Se não há Direito, como pode, segundo os comunistas, existir a sociedade?
A sociedade, segundo os comunistas, existirá sem Direito: existirá pela força.
44. Em mãos de quem ficará a força na sociedade?
Aqueles que representam o homem mais perfeito hão de ter em suas mãos a força na sociedade.
45. Quem representa o homem mais perfeito, de acordo com o comunismo?
Segundo o comunismo, os proletários não tem nenhuma raiz que os prenda ao passado ou à sociedade presente, e portanto são os homens mais livres de limitações; são eles que, unidos, constituem a maior força revolucionária. Para a seita comunista o proletário é, pois, o homem mais perfeito. De fato, em sua mentalidade não existem os “entraves” e as “degenerescências” que ligam as outras classes à ordem social vigente. Por isso mesmo, a seita o considera como o instrumento ideal da Revolução.
46. Que devem fazer os proletários, de acordo com o comunismo?
De acordo com o comunismo, os proletários devem mover guerra às outras classes, e implantar a ditadura do proletariado, que pela violência extermine a Igreja, o Clero, os nobres, os ricos, os proprietários, os que se realçam pela inteligência, todos os homens independentes, e assim destrua tudo o que se opõe à Revolução.
VIII. A LUTA DE CLASSES
47. Como se chama esta oposição entre os proletários e os demais cidadãos?
Esta oposição se chama luta de classes.
48. Esta luta durará muito?
Para os comunistas, esta luta não terminará senão quando no mundo inteiro só houver a classe dos proletários, isto é, dos trabalhadores que não têm nada de próprio.
IX. A PROPRIEDADE, A VIDA HUMANA E A ESCRAVIDÃO DO OPERARIADO
49. O indivíduo, no regime comunista, não pode possuir nada?
No regime comunista o indivíduo não é dono de nada. Tudo é do Estado.
50. O comunismo não admite por vezes o direito de propriedade?
Quando está no poder, o comunismo às vezes concede o uso de algum imóvel a um ou outro trabalhador. Mas não reconhece o direito de propriedade, pois pode tomar tudo a todos, quando quiser. O homem, no regime comunista, não tem sequer direito ao fruto do seu trabalho.
51. No regime comunista ninguém é, então, dono de nada?
No regime comunista ninguém é dono de nada: nem do dinheiro, nem da fábrica, nem do campo, nem da casa, nem da profissão, nem de si mesmo. Tudo é do Estado, tudo depende do Estado.
52. Então o regime comunista é de escravidão?
O regime comunista estabelece a mais completa escravidão, pois não reconhece ao homem nenhum direito.
53. O comunismo respeita a vida humana?
Não. Uma vez que o homem não passa de animal, o comunismo trata a vida humana como nós tratamos a dos bois. Se fôr preciso, mata-se. Assim, para dominar a Rússia foi preciso assassinar cerca de 20 milhões de russos, ou fuzilando-os, ou deixando-os morrer de fome. Nos campos de concentração da União Soviética, ao tempo de Stalin, calcula-se que havia 16 milhões de homens e mulheres de todas as categorias, padres, intelectuais, operários, que trabalhavam como escravos e acabaram morrendo de miséria. Para conquistar o poder, os comunistas chineses assassinaram vários milhões de pessoas. Para dominar os católicos da Espanha, as milícias bolchevistas mataram onze Bispos e 16.852 Sacerdotes e Religiosos, bem como muitos milhares de pais de família.
54. No regime comunista, o operário pode se queixar, fazer greve, trocar de serviço?
Não. O Partido marca onde o operário deve trabalhar. Neste trabalho ele deve produzir o máximo. Não pode reclamar, e nem é bom pensar em greve, porque quem pensar vai para o degredo na Sibéria, para um campo de concentração ou para a forca. No regime comunista o operário não tem direito algum.
55. Os comunistas mantêm sempre os operários na miséria?
Até hoje a situação material dos operários em todos os países comunistas é em geral miserável. Todavia, a Rússia promete que no ano 2000 os trabalhadores russos terão a mesma situação que têm atualmente os seus colegas ocidentais. O comunismo não se interessa pelo bem-estar dos operários senão enquanto ele é útil para a Revolução, por isso, se os operários, obtido o bem-estar, começam a desobedecer, volta de novo a miséria. O comunismo trata os trabalhadores como reses, ou como escravos. O senhor de escravos dava-lhes comida porque lhe interessava que eles fossem fortes e sadios, para poderem trabalhar. Mas, se em dado momento parecer necessário às autoridades comunistas reduzir gravemente o padrão de vida da classe trabalhadora, em favor do desenvolvimento das industrias do Estado ou do seu poderio militar, fá-lo-ão sem hesitação, pois para elas o operário é escravo e o escravo não tem direito.
56. Nos países não comunistas, o comunismo quer melhorar a situação dos operários?
Não. Nos países não comunistas o comunismo quer que os operários fiquem tão miseráveis, que cheguem ao desespero, e assim provoquem greves e desordens, as quais os comunistas aproveitarão para derrubar o governo legítimo e implantar a sua ditadura.
57. Nos países dominados pelos comunistas não há diferenças de riqueza e de classe social?
O comunismo promete abolir as diferenças de riqueza e de classe. Mas isto é contra a natureza humana. Destruindo a moral e o direito, o comunismo favorece um grupo de dirigentes e de membros do Partido, que dispõem de grandes riquezas e vivem com fartura e luxo em casas suntuosas, enquanto o operário em geral passa privações, e obrigado a trabalhar onde o Partido manda, tem para morar somente um quarto, onde se amontoam os pais, os filhos e todos os membros da família, sem cozinha, nem banheiro próprios. A diferença entre os que mandam e os outros é muito maior que entre os capitalistas e os operários.
X. O PAPEL DE SATANÁS
58. Quem inventou este regime?
Quem inventou este regime foi Satanás, que sabe que o melhor meio de levar os homens à perdição eterna é fazê-los rebelarem-se contra a ordem constituída por Deus.
59. Como que Satanás consegue adeptos para este regime?
Prometendo aos homens o paraíso na terra se eles renunciarem a Deus e ao Céu, Satanás consegue enganá-los como o fez a nossos primeiros pais, e o resultado é o inferno na terra e na eternidade.
XI. A VIOLÊNCIA E A LIBERDADE
60. Como se implanta o regime comunista?
O regime comunista é implantado, em geral, pela violência. Os comunistas procuram chegar ao poder de qualquer modo: por eleições, por pressão de tropas estrangeiras, por golpes armados. Uma vez no poder, destroem toda oposição, e implantam a ditadura, em nome do proletariado.
61. Então são os operários que passam a mandar?
Não. Os operários não mandam. Eles passam à situação de escravos, trabalham onde o governo os manda trabalhar, não podem se afastar dali; recebem o salário que o governo quer e, se reclamam, podem até ser fuzilados.
62. O comunismo admite direito à greve?
Nos países que quer dominar, o comunismo exige que a lei estabeleça o direito de greve; e organiza paredes para desmantelar a economia nacional. Mas, uma vez dominado o país, não tolera a greve em nenhuma hipótese, e sujeita o operário à mais tirânica escravidão.
63. É somente pela violência que o comunismo é implantado?
Em geral o comunismo é implantado pela violência; mas ele é preparado por muitas atitudes dos cristãos.
XII. O MATERIALISMO DO OCIDENTE PREPARA O CAMINHO DO COMUNISMO
64. Que atitudes dos cristãos preparam a vitória do comunismo?
Como o comunismo nasce do materialismo, da sensualidade e do orgulho, o materialismo prático dos cristãos que vivem como se não houvesse a eternidade cria o caldo de cultura em que o bacilo comunista prolifera.
65. Dê alguns exemplos destes materialistas práticos.
Posso dar os seguintes exemplos: quem só se preocupa com ganhar dinheiro; quem procura gozar dos prazeres da vida, embora lícitos, sem se interessar pela prática da oração e da penitência; quem se entrega ao jogo; quem freqüenta lugares suspeitos; quem se veste com sensualidade, sem modéstia; quem dança as danças modernas; quem lê revistas obscenas ou sensuais; os freqüentadores do cinema e da televisão imorais; quem se desinteressa pela graça santificante, pecando como se não houvesse pecado.
XIII. A IGREJA E OS OPERÁRIOS
66. Que tem feito a Igreja pelos pobres e operários?
A Igreja, ao longo da Historia, aboliu a escravatura, defendeu os fracos e pobres, ensinou os ricos e poderosos a amparar os humildes, difundiu a justiça e a caridade. Organizou os trabalhadores em grandes sociedades chamadas corporações, que cuidavam de sua formação técnica, de sua prosperidade material, do bem espiritual deles e de sua família, lhes davam assistência na doença e cuidavam dos seus filhos em caso de morte. Estas associações sofreram um golpe de morte com a Revolução Francesa, mas duraram em muitos países até as agitações do ano de 1848; na Alemanha elas ainda existem.
67. Depois de 1848 a Igreja não fez mais nada pelos operários?
O individualismo introduzido pela Revolução Francesa destruiu as corporações católicas e deixou os operários entregues à própria sorte. Então a Igreja empreendeu um grande trabalho em favor deles, simultaneamente em três pontos.
68. Qual foi a primeira frente que a Igreja atacou?
A Igreja Católica procurou, de início, principalmente minorar a miséria das pessoas. Para este fim multiplicou as Santas Casas, os orfanatos, asilos para velhos, Oratórios festivos, creches, e obras de assistência social. Assim é que, para dar um exemplo, no Estado de São Paulo, atualmente, de cada cem instituições de caridade ou de assistência, oitenta são mantidas pela Igreja Católica. Os comunistas não mantêm nenhuma. As vinte restantes pertencem a outras igrejas, às organizações leigas e ao Poder público. Nos outros Estados do Brasil, a proporção de obras mantidas pela Igreja é ainda maior. E note-se que as instituições de caridade e assistência mantidas e dirigidas pela Igreja funcionam admiravelmente. Basta ver um hospital dirigido por Religiosas.
69. Qual foi a segunda frente que a Igreja atacou?
Enquanto fundava e organizava instituições de caridade e de assistência, a Igreja lutava para corrigir os defeitos da sociedade que geravam tanta miséria. Desde o Papa Pio IX, e principalmente no pontificado de Leão XIII, Ela insistiu com os ricos, os patrões, o Estado e os trabalhadores para que se lembrassem da ordem social que Deus quer e Jesus Cristo fundou, e se aplicassem a melhorar as condições de vida do operário. Os Papas ensinaram que o trabalho não é mercadoria, e que o homem que trabalha tem direito a um salário nas seguintes condições: a) que lhe permita viver com dignidade; b) que dê para criar e educar os filhos; c) que possibilite ao trabalhador diligente e econômico formar um pecúlio que melhore a sua situação e lhe garanta o futuro.
70. Os ensinamentos dos Papas tiveram resultado?
Os ensinamentos dos Papas já modificaram completamente, em muitos países, a mentalidade dos patrões e dos operários, e melhoraram felizmente as condições destes últimos. Mas a Igreja continua a insistir, e o atual Pontífice, Sua Santidade o Papa João XXIII, publicou há pouco a Encíclica “Mater et Magistra”, em que ensina mais uma vez como os patrões devem tratar os trabalhadores, para que haja justiça, caridade e paz.
71. Qual foi a terceira frente em que a Igreja empreendeu o grande trabalho em favor dos operários?
A Igreja, enquanto atendia as misérias mais gritantes e imediatas, e ensinava aos patrões e operários como deviam ser as suas relações de acordo com a justiça e a caridade, promovia a organização destes e daqueles em associações, que se chamam corporações, círculos operários, etc. Estas organizações formam nos vários países grandes confederações, como na França a Confederação dos Trabalhadores Cristãos, na Itália a Associação Católica dos Trabalhadores Italianos, no Brasil a Confederação dos Círculos Operários etc.
72. Em que mais os Papas insistiram?
Os Papas insistiram em que os operários se unam, para juntos defenderem os seus direitos, respeitando, porém, os direitos dos patrões. Os Papas aconselham a estes que, na medida do possível, melhorem o salário e as condições dos trabalhadores, dando-lhes mais do que o estritamente justo.
73. Quais os Papas que mais se salientaram , na ação em favor dos direitos do operário, e da justiça e harmonia entre as classes sociais?
Todos os Papas se têm desvelado pela melhora da dura situação que começou para os operários com a Revolução Francesa. De um modo especial devem-se mencionar os seguintes Pontífices: Leão XIII, autor da Encíclica “Rerum Novarum”; Pio XI, autor da Encíclica “Quadragesimo Anno”; João XXIII, autor da Encíclica “Mater et Magistra”.
74. Que Papas se salientaram na luta contra o comunismo?
Todos os Papas, de Pio IX a João XXIII, tem condenado o comunismo. A Encíclica “Divini Redemptoris” de Pio XI trata especialmente do assunto, com grande, clareza e vigor. Durante o pontificado de Pio XII, a Suprema Sagrada Congregação do Santo Ofício fulminou com a pena de excomunhão quem pertence ao Partido Comunista ou colabora com ele.
75. Quais as conseqüências práticas desta excomunhão?
Os membros do Partido Comunista e os que com ele colaboram não podem receber os Sacramentos nem ser padrinhos de batismo, confirmação e casamento, ficam privados de enterro religioso e sepultura eclesiástica, e não se pode celebrar em público missa em sufrágio de suas almas.
76. Os comunistas têm direito de divulgar suas doutrinas, de viva voz, ou pela imprensa, rádio e outros meios de propaganda?
Não. Segundo a doutrina católica o erro não tem direito de ser difundido. Cumpre ao Poder Público proibir-lhe a propaganda.
XIV. O SOCIALISMO
77. Haverá outro meio de preparar os homens para o comunismo?
Outro meio de preparar os homens para o comunismo é o socialismo.
78. Que vem a ser o socialismo?
O socialismo é o sistema que professa que todos os meios de produção, de transporte, o ensino, a assistência, toda a propriedade, devem pertencer ao Estado.
79. Para o socialismo, qual é o papel do indíviduo?
Para o socialismo o individuo é meio e não fim da sociedade. Por isto o Estado deve se ocupar de tudo, e cuidar do indivíduo em todos os setores, deixando a este somente aquilo que o Estado mesmo não pode fazer.
80. Neste caso, o socialismo é o mesmo que o comunismo?
Não. O fim de um e outro é o mesmo o estabelecimento de uma sociedade sem classes, a abolição da propriedade privada e da iniciativa privada, e a entrega ao Estado de todos os meios de produção. A diferença está em que o socialismo procura alcançar estes objetivos com meios brandos, usando da propaganda doutrinária e das eleições, enquanto que o comunismo prefere recorrer à violência. Os meios são diferentes, mas o fim é o mesmo. O socialismo é como uma rampa pela qual o mundo desliza suavemente da ordem natural e divina para o comunismo.
81. Há formas moderadas de socialismo?
Há formas moderadas de socialismo. Tais formas existem sempre que se exagera, em medida maior ou menor, a ação do Estado, em detrimento da iniciativa individual ou da propriedade privada.
82. Pode o católico ser socialista?
O católico não pode ser socialista, porque o socialismo contradiz a doutrina da Igreja, que estabelece o seguinte princípio: o Estado existe para realizar as tarefas de bem comum de que nem os indivíduos, nem as famílias, nem as sociedades intermediárias são capazes por si mesmos. Este princípio defendido pela Santa Igreja, e de modo especial pelo Santo Padre João XXIII na Encíclica “Mater et Magistra”, chama-se o “princípio da subsidiariedade”.
83. Que dizem os Papas sobre o socialismo moderado?
Os Papas dizem que, consistindo o socialismo, ainda que moderado, no exagero da ação estatal, é sempre condenado, porque incompatível com a justiça e a ordem natural estabelecida por Deus. Por isto disse Pio XI que o socialismo — mesmo quando moderado — “não pode conciliar-se com a doutrina católica” (Encíclica “Quadragesimo Anno”).
84. Que dizer então do chamado “socialismo cristão” ou “católico”?
O chamado “socialismo cristão” ou “socialismo católico” é uma aberração tão grande como se alguém falasse de um protestantismo católico ou de um círculo quadrado.
XV. A CONQUISTA DO POVO — AS ELITES E A MASSA
85. Qual a técnica que o comunismo usa para conquistar as elites?
A técnica usada pelo comunismo para conquistar as elites consiste em promover o convívio e a colaboração delas com núcleos da seita. Os comunistas aos poucos as vão levando a pensar à maneira materialista. Levam-nas primeiro a agir como materialistas, para terminarem pensando como materialistas.
Os comunistas usam também um processo de mudança da maneira de pensar, em geral sem discutir, que denominam de “lavagem cerebral”.
86. Que meios usa o comunismo para conquistar as massas?
Os grandes meios utilizados pelos comunistas para conquistar as massas são a revolta e as promessas. Pela revolta, o comunismo açula a classe operária contra os ricos. Pelas promessas desperta nos corações a inveja e a cobiça. Para conquistar as inteligências do povo usa da propaganda, menos para convencer do que para saturar os cérebros com as idéias que convêm ao Partido, e tirar as que lhe são contrárias. Ao Partido não interessa se a propaganda diz verdades ou mentiras: o que interessa é martelar até que a idéia pegue.
XVI. OS PONTOS MAIS VISADOS — A REFORMA AGRÁRIA
87. Quais são os pontos mais visados pela seita comunista em sua campanha para dominar um país?
Os pontos mais visados pela campanha comunista no primeiro período, que é o da destruição da sociedade católica, são os seguintes: direito de propriedade, forças armadas, pátria, família, e sobretudo a Religião. Para quebrar todas as resistências, procura-se encher o povo de ódio contra tudo isto.
88. Que reformas o comunismo apregoa, para dominar um país?
Para dominar um país o comunismo apregoa a necessidade de várias reformas. A primeira é a reforma agrária, depois vem a reforma urbana, a comercial e a industrial, todas elas de caráter mais ou menos acentuadamente expropriatório e socialista.
89. Em que consiste a reforma agrária que os comunistas querem?
Os comunistas, tomando por pretexto a situação não raras vezes lamentável do trabalhador rural, e a conveniência de favorecer-lhe o acesso à condição de proprietário, promovem o confisco das propriedades rurais grandes e médias. Desde que haja só propriedades pequenas, caem todas sob o controle absoluto do Estado.
90. De que maneira uma tal reforma agrária prepara a Revolução desejada pelo comunismo?
De tal reforma agrária o comunismo tira diversas vantagens:
a) ela destrói as elites rurais, coluna indispensável da ordem social;
b) cria uma grande desordem no campo, com lutas, violências, homicídios;
c) daí nasce uma grande penúria e grande fome no campo e na cidade;
d) assim se enfraquece a nação e se leva o povo ao desespero. Com isto as resistências anticomunistas ficam prejudicadas, e o Partido pode dar o golpe da Revolução.
91. A Igreja concorda com uma reforma agrária que viole o direito de propriedade?
A Igreja condena toda reforma agrária que não respeite como sagrado o direito da propriedade, seja do grande fazendeiro, como do pequeno sitiante. Em ambos os casos este direito é sagrado.
92. Que reforma agrária a Igreja abençoa?
A Igreja abençoa uma reforma agrária que atenda aos seguintes pontos fundamentais:
a) respeito pela legítima propriedade, qualquer que seja o seu tamanho;
b) fornecimento por parte do Estado, de assistência técnica, social e financeira ao lavrador;
c) colonização da imensa reserva de terras inaproveitadas da União, Estados e Municípios;
d) concessão de crédito aos grandes proprietários que queiram dividir e colonizar suas terras;
e) concessão de crédito a juros baixos e prazo longo, para os agricultores que queiram adquirir terras, montar suas fazendas ou sítios;
f) assistência religiosa e educacional aos homens do campo;
g) facilitar a formação de cooperativas agrícolas, livres, de iniciativa particular;
h) facilitar o armazenamento e transporte dos produtos da agricultura.
93. A Igreja proíbe a expropriação de uma gleba para fins sociais?
A Igreja admite a expropriação de uma gleba para fins sociais, mas com grandes cautelas:
a) é preciso que se trate de alcançar um bem comum proporcionadamente grande, ou de afastar um mal proporcionadamente grande;
b) é preciso que não haja outra solução que não seja dispor da gleba;
c) é necessário que se tenha antes tentado, sem êxito, a aquisição amigável do imóvel;
d) é necessário que o dono receba, no ato da desapropriação, e em dinheiro, o preço justo, correspondente ao valor real e atual do imóvel, seja esse valor grande ou pequeno.
94. Há casos especiais de desapropriação?
Sim. Por exemplo, se a finalidade da obra a ser executada em determinada gleba o exigir, o Estado poderá desapropriar, além desta, as glebas vizinhas, a fim de que a obra aproveite ao maior número de pessoas.
XVII. O IDEAL DO COMUNISMO: A SOCIEDADE SEM CLASSES; O IGUALITARISMO
95. Qual o ideal remoto da sociedade comunista?
A sociedade comunista ideal, diz a seita, será, depois dos horrores da ditadura do proletariado, uma sociedade sem classes nem proprietários, onde todos serão iguais, todos trabalharão, cada qual segundo as suas forças, e cada um receberá da sociedade tudo o de que precisar. Será este o paraíso na terra.
96. Este ideal corresponde à vontade de Deus?
Este ideal é oposto à vontade e aos planos de Deus em pontos essenciais:
a) Deus não quer que este mundo seja um paraíso, e sim um lugar em que ao lado de puras alegrias nós encontremos grandes sofrimentos, e assim, carregando a nossa cruz, nos santifiquemos. Nosso paraíso nos espera na outra vida.
b) Deus quer que cada indivíduo procure o seu bem-estar por seu esforço pessoal, amparado pelo Estado, mas não substituído por ele.
c) Deus quer que entre os homens haja desigualdades, as famílias formem classes distintas, umas mais altas que as outras, sem hostilidade recíproca, com caridade, e sem exagerada diferença: não deve haver alguns miseráveis, e outros excessivamente ricos.
97. Deus quer então que haja pobres e ricos, nobres e plebeus?
Está de acordo com os planos de Deus que existam pobres e ricos, gente humilde e gente importante, mas baseada toda esta hierarquia na justiça e na caridade.
98. Qual a última causa da desigualdade entre os homens?
A última causa da desigualdade entre os homens é a sua liberdade. Dada a natural desigualdade de talentos e virtudes entre os homens, estes só podem ser mantidos num mesmo nível econômico mediante uma ditadura de ferro, que suprima toda liberdade e toda iniciativa.
99. Como se chama a tendência que leva o homem a odiar as diferenças sociais, a querer uma sociedade sem classes?
A tendência que leva a querer que todos sejam iguais e a odiar as diferenças de classe chama-se: igualitarismo.
100. Quais são os vícios que alimentam o igualitarismo?
Os vícios que alimentam o igualitarismo são:
a) a inveja, que não tolera que o próximo seja melhor, ou mais sábio, ou mais rico;
b) o orgulho, que não tolera ninguém acima de nós;
c) a soberba, que não se conforma com os planos de Deus.
101. Que manda a justiça social?
A justiça social manda que o Estado providencie que cada família possa conseguir por seu trabalho o necessário para seu sustento, educação de seus filhos e formação de uma reserva para o futuro, de modo que haja o menor número possível de miseráveis, e os ricos não sejam demasiadamente ricos. Assim a sociedade será como uma pirâmide: com pessoas que vivem só de seu trabalho, pequenos proprietários, pessoas remediadas, ricos, e alguns muito ricos.
102. A justiça social manda que todos sejam iguais em fortuna e posição social?
Não. Que todos os indivíduos e famílias fossem iguais seria uma injustiça social, porque importaria na destruição da liberdade, da iniciativa privada e do direito dos filhos a herdar dos pais.
A boa sociedade católica e humana é desigual, hierarquizada.
_________¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬______________________________________________________________________
Fonte: D. Geraldo de Proença Sigaud, S.V.D., Arcebispo de Diamantina, Catecismo Anticomunista, 3ª. Ed. Editora Vera Cruz. São Paulo, 1963.
http://www.sacralidade.com/igreja2010/0314.catecismo_anticomunista.html#TL





SOCIALISMO: CAVALO DE TRÓIA A SERVIÇO DO COMUNISMO *
D. GERALDO DE PROENÇA SIGAUD, S. V. D.
1. Socialismo e comunismo

D. Sigaud (1909-1999): o socialismo é condenado pelo direito natural, e não pode haver socialismo cristão
O socialismo ensina a mesma doutrina marxista que o comunismo. Tem o mesmo objetivo, a Revolução, e quer a mesma organização econômica da sociedade. É materialista, rejeita a Religião, a moral, o direito, Deus, a Igreja, os direitos da família, do indivíduo. Quer que todos os meios de produção estejam nas mãos do Estado, e igualmente toda a educação, todos os transportes, as finanças, e que o Estado seja o soberano senhor de todas as forças da nação. Deseja a supressão da diferença entre as classes sociais. Também para o socialismo, a pessoa existe para o Estado, não o Estado para a pessoa (cf. Leão XIII, Encíclica Rerum Novarum, Edit. Vozes, pp. 5 e 6).
A diferença que há entre os socialistas e os comunistas é uma diferença de método. Os comunistas desejam a implantação imediata da ditadura do proletariado para realizar a Revolução. Os socialistas recorrem a meios "legais" para obter o mesmo objetivo. Recorrem às eleições, às greves legais, às agitações sem derramamento de sangue, para conseguir leis de nacionalização, de ensino laico. Vão fazendo a nação deslizar para o comunismo em geral sem convulsões violentas. O socialismo é uma rampa pela qual as nações vão resvalando para o comunismo quase sem perceberem.
2. Socialismo e seus matizes
A vantagem tática do socialismo, para os que dirigem a seita comunista, é que o socialismo pode tomar coloridos mais suaves. O comunismo é vermelho-sangue. O socialismo pode ir do rubro ao cor de rosa. O comunismo tem dificuldade de se fazer passar por cristão. O socialismo arranja modos de se dizer cristão, e assim realizar a Revolução paulatinamente e por etapas.
3. Socialismo cristão
Os fautores da Revolução realizaram esta proeza de enfeitarem o socialismo com o rótulo de cristão. Com um semblante comovido tais socialistas cristãos condenam o capitalismo como intrinsecamente mau, pior do que o comunismo. E com comoção dizem que no comunismo há muita coisa boa. Seu ódio à América do Norte é violento.
Suas simpatias pela Rússia são difíceis de esconder. Consideram o capital uma abominação quando nas mãos daquele que o amealhou com seu suor, mas o acham admirável quando nas mãos do Estado. Têm uma confiança cega no Estado, e uma desconfiança irremediável da iniciativa particular. Têm antipatia à ordem desigual e hierárquica de uma sociedade de classes, e têm prazer de se proletarizar. Mas confessam se e comungam, e se dizem católicos progressistas.
É possível um socialismo cristão? Sua Santidade o Papa Pio XI já respondeu a esta questão na Encíclica Quadragesimo Anno: "Se este erro, como todos os mais, encerra algo de verdade, o que os Sumos Pontífices nunca negaram, funda se contudo numa concepção da sociedade humana diametralmente oposta à verdadeira doutrina católica. Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista" (Edit. Vozes, p. 44, n.° 119).
E se o socialismo for muito moderado? Mesmo neste caso continua incompatível com o Catolicismo. Pio XI é explicito também neste ponto. Ouçamo lo: "E se o socialismo estiver tão moderado no tocante à luta de classes e à propriedade particular, que não mereça nisto a mínima censura? Terá por isto renunciado à sua natureza essencialmente anticristã? Eis uma dúvida que a muitos traz suspensos. Muitíssimos católicos, convencidos de que os princípios cristãos não podem abandonar se nem jamais obliterar-se, volvem os olhos para esta Santa Sé e suplicam instantemente que definamos se este socialismo repudiou de tal maneira as suas falsas doutrinas, que já se possa abraçar e quase batizar, sem prejuízo de nenhum princípio cristão. Para lhes respondermos, como pede a Nossa paterna solicitude, declaramos: o socialismo, quer se considere como doutrina, quer como fato histórico, ou como "ação", se é verdadeiro socialismo, mesmo depois de se aproximar da verdade e da justiça nos pontos sobreditos, não pode conciliar se com a doutrina católica, pois concebe a sociedade de um modo completamente avesso à verdade cristã" (Encíclica Quadragesimo Anno, Edit. Vozes, p. 43, n.° 117).
Realmente, Deus estabeleceu uma ordem natural, que não é licito ao homem violar, e a esta ordem pertencem dois pontos que todo socialismo viola. São os seguintes:
a) O papel subsidiário do Estado. O Estado não existe para absorver ou substituir os indivíduos, as famílias e as associações, mas para realizar as tarefas que estes elementos não podem realizar por si mesmos. Assim João XXIII, na Encíclica Mater et Magistra: "Essa ação do Estado, que protege, estimula, coordena, supre e complementa, apóia se no "princípio de subsidiaridade" (A. A. S., XXIII, 1931, p. 203), assim formulado por Pio XI na Encíclica Quadragesimo Anno: "Permanece, contudo, firme e constante na filosofia social aquele importantíssimo princípio que é inamovível e imutável: assim como não é lícito subtrair aos indivíduos o que eles podem realizar com as próprias forças e indústria para confiá lo à coletividade, do mesmo modo passar para uma sociedade maior e mais elevada o que sociedades menores e inferiores poderiam conseguir, é uma injustiça ao mesmo tempo que um grave dano e perturbação da boa ordem. O fim natural da sociedade e de sua ação é coadjuvar os seus membros e não destruí-los nem absorvê los" (ibid., p. 203) (apud "Catolicismo", n.° 129, de setembro de 1961).
b) O indivíduo, as famílias, as associações têm direito de possuir bens de raiz, bens móveis e bens produtivos. O Estado não pode açambarcar estes bens para si. Os homens têm o direito e o dever de proverem às suas necessidades, e o Estado não pode se arvorar em Providência e suprimir este direito ou substituir se a este dever.
Por isto tudo, o socialismo é condenado pelo direito natural, e não pode haver socialismo cristão.
4. A Igreja primitiva foi comunista? As ordens religiosas são comunistas?
Amados Filhos, provavelmente já tereis ouvido ou lido afirmarem que a Igreja primitiva foi comunista e que as atuais Ordens Religiosas o são.
Depois do que dissemos a respeito do marxismo, compreendereis que somente um ignorante ou uma pessoa de má fé pode afirmar uma monstruosidade tal.
Mas, mesmo se abstrairmos do marxismo, nem a Igreja primitiva praticou, nem as Ordens Religiosas praticam o comunismo. Vede bem que o essencial do comunismo é a negação do direito de propriedade.
Ora, examinemos sob este aspecto a Igreja primitiva. Levadas da vontade de seguir de perto o exemplo do Divino Mestre e realizar os conselhos evangélicos, várias famílias cristãs de Jerusalém resolveram viver no voto de pobreza. Para isto venderam tudo o que tinham e entregaram o dinheiro aos Apóstolos para que com ele fosse mantida a comunidade. Notai bem: os indivíduos desta comunidade renunciavam a seus bens porque queriam. Quem não quisesse viver na pobreza, não precisava. Assim disse São Pedro a Ananias: "Conservando o campo, ele não ficava teu? E vendendo o, não dependia de ti o que farias com o dinheiro?" (At. 5, 4).
A Igreja permitia que os que quisessem viver sem possuir nada pessoalmente, o fizessem. Mas, de um lado, isto era livre; de outro, o imóvel ou o dinheiro apurado passava a ser propriedade da comunidade. Ficava pois de pé o direito de propriedade da comunidade; não era negado nem transferido ao Estado.
Para desiludir os comunistas utópicos, devemos dizer que a primeira tentativa de realizar o ideal da pobreza não foi bem sucedida. Consumidos os capitais apurados na venda dos imóveis, criou se em Jerusalém uma situação difícil, e foi preciso as outras comunidades cristãs enviarem periodicamente esmolas para Jerusalém a fim de sustentarem os irmãos que tinham renunciado a seus bens. Verificou se que o voto de pobreza só é possível junto do voto de castidade, e que o estado de pobreza evangélica não é possível quando há família, mulher e filhos. Para pessoas casadas o caminho da santidade está no trabalho e na reta administração das riquezas temporais. Mais tarde a Igreja retomou a experiência, primeiro com indivíduos isolados, os anacoretas, depois com pequenas comunidades de eremitas, os cenobitas; só depois que raiou a liberdade para o Cristianismo é que dois grandes Santos organizaram a vida de pobreza evangélica aliada à obediência e à castidade: no Oriente, São Basílio; no Ocidente, São Bento. Mas, se o monge renuncia a toda propriedade pessoal, o mosteiro passa a ser o proprietário. Verifica se o que se dá muitas vezes na família: se os indivíduos não são donos, a família é a proprietária.
Vejamos agora o valor que tem a afirmação de que as Ordens Religiosas são comunistas ou socialistas.
Ninguém afirmará que as doutrinas filosóficas, sociológicas, teológicas do comunismo se encontram realizadas nas Ordens Religiosas. Tal afirmação é tão absurda, que ninguém a tomaria a sério. Restaria então o tipo de vida econômica das Ordens Religiosas. Perguntamos: o tipo de vida econômica que o comunismo pretende implantar é aquele que as Ordens Religiosas realizam há tantos séculos? Para respondermos com clareza a este absurdo, que no entanto se repete com enfadonha monotonia, vamos analisar um pouco mais de perto o tipo de vida econômica das Ordens Mendicantes. É sabido que são elas que realizam o ideal de pobreza evangélica mais absoluto entre as comunidades religiosas. Verificado que nelas não há sombra do tipo econômico comunista, fica provado que as outras Ordens e Congregações, em que o tipo de pobreza é mais suave, a fortiori não podem ser tachadas de comunistas.
Nas Ordens Mendicantes mais rigorosas, não só os Religiosos individualmente nada possuem de próprio, mas nem mesmo a Ordem, as Províncias ou conventos são os titulares das propriedades. Em lugar deles a Santa Sé ou a Diocese são os proprietários formais. A administração dos bens destinados à Ordem, à Província ou ao convento é realizada por pessoas nomeadas pela Santa Sé ou pela Diocese. Mas, se a propriedade não é nominalmente da Ordem, etc., os frutos do patrimônio que existir, ou as esmolas dadas pelos fiéis, se aplicam formalmente à manutenção daquele convento e daquela comunidade para que são destinados. Assim, os Religiosos não têm os ônus da propriedade e de sua administração, caridosamente suportados pela Autoridade Eclesiástica, mas têm as rendas necessárias para se manterem. É a realização da pobreza de Cristo e da fé na Providência. É o "nihil habentes, et omnia possidentes" de São Paulo (2 Cor. 6, 10 ) . Assim, as Ordens Mendicantes são a mais formal refutação do comunismo. Porque:
a) A renúncia às propriedades é uma afirmação clara da existência do direito de propriedade, pois ninguém renuncia seriamente ao que não existe.
b) Cada comunidade e cada Religioso tem o direito de viver dos frutos do patrimônio e das esmolas que tocam ao convento, e que são administrados pela Autoridade Eclesiástica em favor da comunidade, e não arbitrariamente.
c) O Religioso renuncia ao direito de propriedade voluntariamente. O comunismo nega este direito e confisca as propriedades violentamente.
d) O Religioso abraça a pobreza voluntária para melhor seguir a Nosso Senhor Jesus Cristo e santificar melhor sua alma na esperança da vida eterna. O comunismo diz que destrói a propriedade particular para proporcionar a todos os homens a maior soma de prazeres nesta terra, uma vez que não existe a vida eterna.
e) Na realidade, a pobreza voluntária dos Religiosos os leva a maior liberdade no serviço de Deus. O comunismo, prometendo a maior soma de prazeres, realmente tem por fim escravizar os homens, e depois, por meio da fome, obrigá los à total apostasia de Deus.
f) A pobreza voluntária das Ordens Religiosas serve a Deus. O comunismo serve a Satanás.
Concluindo, devemos pois dizer que a afirmação de que as Ordens Religiosas realizam o tipo econômico do comunismo é uma verdadeira blasfêmia.
_________
* Carta Pastoral Sobre a Seita Comunista – seus erros, sua ação revolucionária e os deveres dos católicos na hora presente. D. Geraldo de Proença Sigaud, S. V. D. Publicada em 6 de janeiro de 1962 na cidade de Diamantina, MG. 2º. Edição, Editora Vera Cruz, São Paulo, 1963. Cap. IV, pp. 94-1014.
VARIAÇÕES CROMÁTICAS DO SOCIALISMO E DO COMUNISMO
André F. Falleiro Garcia
Afirmar-se socialista é uma etiqueta da moda ostentada em muitos ambientes. O aplauso midiático costuma gratificar os que, por convicção ou faceirice, assim se exibem. Mas para os ativistas encastelados nas siglas partidárias ou em ONGs ecotribalistas, ser socialista é muito mais do que modismo ideológico: significa a adesão a uma espécie de religião. Tanto socialistas quanto comunistas, em variados graus de adesão ou iniciação, fazem parte de uma única seita revolucionária, atéia, materialista e hegeliana, cuja ação tem uma abrangência universal, voltada para a destruição da Igreja e da civilização cristã.
Teve percepção do caráter sectário do socialismo bolivariano Xavier Legorreta, chefe da Seção da América Latina da associação de direito pontifício Ajuda à Igreja que Sofre. Com efeito, ao analisar o resultado do referendo sobre a reforma da Constituição venezuelana, realizado em fevereiro de 2009, comentou:
"Cabe afirmar que o chavismo se converteu em uma espécie de religião na Venezuela. A linguagem, a forma de se apresentar, as conversas e discussões, tudo gira em torno da sua pessoa [Chávez], sua ideologia e sua estratégia tática. Assim ele consegue o êxito, chamado também de revolução bolivariana. Esta revolução busca criar um modelo similar ao sistema político que esteve implantado na Europa do Leste, e que hoje ainda subsiste em Cuba: uma ditadura socialista encabeçada por uma forte personalidade, um líder. Em Cuba, esse líder é Fidel Castro, e na Venezuela, Hugo Chávez".[1]
A seita comunista espalha os seus membros numa gama variada de partidos, movimentos sociais ou ONGs de colorações que vão do róseo ao rubro, do socialismo dito democrático ao marxismo maoísta, stalinista, trotskista ou gramscista. Por exemplo, o Partido dos Trabalhadores (PT) é uma espécie de tábua de queijos, tal o leque de tendências de esquerda nele concentradas. Mas as eventuais divergências táticas – diversidade é palavra da moda nesses ambientes – não obstruem a fundamental concordância estratégica que as une: a mesma meta revolucionária. Por isso, qualquer que seja o vencedor das eleições presidenciais de 2010 no Brasil – Lula, Dilma, Serra, Aécio, Ciro Gomes, todos de esquerda – as rédeas do poder continuarão nas mãos da seita.
Desde os tempos da extinta União Soviética, designou-se como Nomenklatura o rol dos funcionários graduados da burocracia governamental e membros da elite dirigente do partido.[2] De fato formavam uma verdadeira casta privilegiada, mas não só isso: sobretudo faziam parte de uma seita filosófico-religiosa, na qual as recompensas de ordem econômico-financeira ou os ostracismos eram circunstanciais, e a adesão sectária, o vínculo essencial.
Esses fanáticos sectários constituem minorias disciplinadas e escoladas. Utilizam estruturas verticais ou redes lineares, que servem, em última análise, de linhas auxiliares a serviço da seita.
Espalhados pelo mundo, seus corifeus dominam com perfeição a técnica de reunir em torno da causa uma periferia de incautos, desprevenidos, iludidos, considerados como "companheiros de viagem" ou "inocentes úteis" ("idiotas utiles", dizem os hispanos com mais acerto). Para tanto manuseiam o elenco temático do socialismo utópico – justiça social, solidariedade, igualdade, repartição de riquezas etc. Mas para galgar posições na seita o que conta não é essa cartilha utópica. Será decisiva a facilidade do neófito ou iniciado em se livrar da moral cristã ou burguesa: matar, roubar, fornicar, mentir são recursos úteis e necessários para a vitória da causa.
A opinião pública em geral não distingue bem o que separa o socialismo do comunismo e o que os une. Na verdade ambos possuem a mesma doutrina e a mesma meta.
A diferença é uma questão de método. Enquanto o comunismo marxista – nas versões leninista, stalinista ou maoísta – emprega a violência e a luta armada para alcançar o poder e depois a repressão policial feroz para nele se manter, os socialistas utilizam a via pacífica e eleitoral, agindo num compasso lento, gradual e processivo, para assim realizar a modificação das estruturas sócio-econômicas e do ordenamento jurídico das nações.
O comunismo vermelho tingiu de sangue os lugares onde se implantou. O Livro Negro do Comunismo fez um balanço desse horror: cerca de cem milhões de mortos.
O socialismo proteiforme tem o condão de se mostrar róseo nas nações onde participa do jogo eleitoral democrático, ou de apresentar coloração mais carregada onde as instituições que garantem a liberdade se encontram em situação agônica. Quando se aproxima do rubro, a sua face totalitária adquire mais visibilidade.
O socialismo é uma rampa pela qual as pessoas e as nações resvalam para o comunismo. Lula e Chávez são matizações locais e circunstanciais de uma mesma doutrina e meta político-social. No caso do "Lula light" ou "Lulinha paz e amor", a passagem do socialismo ao comunismo é feita em meio à atonia geral. O presidente sindicalista já confessou ser uma "metamorfose ambulante": nos ambientes mais democráticos mostra-se rosado, quando está junto com os "companheiros" perde o desbotado e revela sua alma vermelha.
Quanto à República Bolivariana da Venezuela e seu ditador, é expressivo o depoimento do escritor peruano Mario Vargas Llosa, reproduzido no jornal El Universal (28/05/2009): "Não há dúvida de que o processo em curso aproxima a Venezuela de uma ditadura comunista e afasta o país de uma democracia liberal". Afirmou ainda Vargas Llosa, durante palestra no auditório do hotel Caracas Palace: "Se este caminho não for interrompido, a Venezuela se transformará na segunda Cuba da América Latina. Não devemos permitir isso, por isso estamos aqui".[3]
Há uma intensificação cromática no arco ideológico que vai do socialismo ao comunismo. Significa que quanto mais a cor é carregada, mais forte é o teor comunista. E há uma mitigação, em dégradé, no itinerário do comunismo ao socialismo. Quer dizer, por estratagema o comunismo rubro evolui para uma coloração desbotada própria ao socialismo. Essa evolução pode ser verificada na análise das três fases da marcha processiva comunista.
Desde o início da fase leninista até o final do período de terror stalinista, a nota comum foi a extrema violência como principal instrumento para a conquista e permanência no poder, presente tanto na violenta repressão interna nos países comunistas quanto na expansão internacional por meio de guerras, golpes de estado, guerrilhas etc. Com o tempo, tornou-se patente o insucesso do comunismo vermelho no convencimento ideológico das massas. A Igreja Católica, duramente perseguida, resistiu heroicamente. A Igreja do Silêncio e a epopéia vivida pelo Cardeal Midzensty são exemplos eloqüentes desse período.
Na fase gramscista, a partir de 1958-1960, o comunismo passou por uma metamorfose ou primeira Perestroika.[4] E o novo déspota do Kremlin, Nikita Khrushchov, encomendou a Pablo Picasso a pintura da pomba da paz, símbolo neocomunista de grande aceitação nos ambientes superficiais do Ocidente. Embora o comunismo rubro não cessasse de atuar, buscou-se de modo preferencial a convergência entre o mundo capitalista e o socialista. A guerra psicológica revolucionária foi muito utilizada para dar credibilidade aos neocomunistas e desprestigiar os anticomunistas autênticos. A partir dos anos 60 e 70 o neocomunismo gramscista empenhou-se na conquista da hegemonia sobre a sociedade civil procurando realizar o consenso de opiniões e a modelagem dos modos de ser e de sentir. Com isso desbotou-se um tanto o vermelho armorial do comunismo primevo.
Enquanto isso, na Igreja deu-se um acontecimento de gravidade apocalíptica. O Concílio Vaticano II (1962-1965), que pretendeu ser apenas pastoral, omitiu-se em condenar o lobo vermelho, a seita comunista. Desde então, a infiltração das idéias comunistas nos meios católicos cresceu de modo assombroso. Socialismo cristão, Teologia da Libertação, "opção preferencial pelos pobres", Comissão Pastoral da Terra, Conselho Indigenista Missionário, exemplificam as numerosas bandeiras sectárias erguidas no próprio seio daquela que outrora foi o maior bastião de oposição espiritual e moral ao socialismo e ao comunismo.
A fase do caos factual inaugurou o ciclo dos fatos consumados impactantes. Os anos 80 e 90 foram marcados pela Perestroika de Gorbatchev (1985), a queda do Muro de Berlim (1989) e a dissolução da URSS (1991). E no início do milênio, dois outros fatos impactantes chocaram a opinião pública.
A derrubada das Torres Gêmeas em Nova York (11/09/2001), num atentado promovido pelas redes do terrorismo muçulmano, abalou o prestígio e a vivência do american dream. Oito anos depois subiu ao poder Barack Hussein Obama, de raízes muçulmanas.
Na Igreja Católica, deu-se a desconcertante revelação do Terceiro Segredo de Fátima em 26 de junho de 2000. O documento divulgado – pesam graves dúvidas sobre sua autenticidade – teve o condão de desmitificar a profecia marial anticomunista. Em termos psicológicos, os protagonistas do ato, hoje Papa Bento XVI e Cardeal Bertone, provocaram na opinião pública católica um choque criteriológico, à vista do conteúdo e da interpretação que propuseram sobre o suposto Terceiro Segredo revelado. Em outras palavras, o significado prático do assunto Fátima passou a ser: o comunismo está morto, a Rússia está em franco processo de conversão e já começou uma nova era, a Civilização do Amor. Nesse contexto, os eventos religiosos autorizados por Putin – tanto os promovidos pela Igreja Católica quanto pela Igreja Ortodoxa – salpicam com água benta a face da nova Rússia. Com isso a edulcoração do comunismo russo no regime de Putin atinge o seu clímax.
Vladímir Putin exerceu o cargo de presidente da Rússia (1999-2008) e agora é o seu primeiro-ministro. Embora represente o controle governamental pelos quadros do KGB, de onde proveio, a mídia o apresenta como continuador do expansionismo dos czares dotado de carisma populista. Putin desempenha o papel de ex-KGB aberto ao mercado capitalista.
O êxito da estratégia da Perestroika pode ser verificado nas entrelinhas das declarações de Mario Vargas Llosa já referidas: "Somente dois países do mundo mantêm a ficção da utopia socialista: a Coreia do Norte e Cuba".[5]
Mirabile dictu! Os "especialistas em América Latina", reunidos no forum realizado no Hotel Caracas Palace retiraram a Rússia do rol dos países sob governo comunista! Conservaram apenas a Coreia do Norte e Cuba. São especialistas renomados cuja voz impressiona o Departamento de Estado norte-americano.
Sem dúvida o dégradé da estratégia do comunismo a longo prazo alcançou inegável sucesso. Conseguiu convencer o Ocidente de que o comunismo russo morreu e tornou-se coisa do passado.
Também a China, embora governada pelo Partido Comunista, não é mais considerada comunista, e sim, uma economia que se agiganta graças à abertura para o capitalismo.
Para a ótica desses e de outros especialistas equivocados, companheiros de viagem" ou "inocentes úteis", a esquerda light – de Lula, Bachelet e Tabaré Vasquez – faz o contraponto ao socialismo rubro de Hugo Chávez. O equívoco só favorece os desígnios da seita.
O caos factual traz em seu bojo o caos criteriológico. Socialismo e comunismo tornaram-se noções de múltiplo sentido que confundem o homem comum. Também os "especialistas" em América Latina, Rússia e China – dos governos republicanos ou democratas norte-americanos – se equivocam quando acreditam nessas metamorfoses policrômicas.
A manifestação unânime dos representantes de 34 países na recente reunião da OEA (03/06/2009), onde foi aprovada uma resolução que anulou a suspensão da participação do governo cubano na entidade imposta em 1962, é indicativa de que o dégradé aplicado no regime castrista também obteve êxito. As cosméticas modificações introduzidas pelo ditador Raúl Castro, salpicadas de água benta na histórica visita do Cardeal Bertone à ilha-prisão, abrem caminho para o retorno da tirania cubana ao sistema interamericano.
Se o estratagema socialista apresenta a utilidade de servir de cavalo de tróia do comunismo, por sua vez o dégradé do comunismo convence seus adversários e vítimas de que ele morreu e assim os desmobiliza e transforma em simpatizantes ou colaboradores. De enorme proveito para a seita e comprovado sucesso são as variações cromáticas do socialismo e do comunismo.
_________

NOTAS:

[1] Venezuela: chavismo converteu-se em "religião". Agência de notícias Zenit. Roma, 18 de fevereiro de 2009.
[2] Nomenklatura é uma palavra russa derivada do latim nomenclatura que significa lista de nomes. A casta dirigente soviética foi descrita pelo dissidente Mikhail Voslenski em A Nomenklatura - Como Vivem as Classes Privilegiadas na União Soviética (Record, RJ), que se inspirou na obra de Milovan Djilas, intitulada A Nova Classe.
[3] Cf. Para Vargas Llosa, Venezuela será uma 2ª Cuba.
[4] Khrushchov durante o XX Congresso do PCUS (1956) desmitificou o stalinismo genocida e em 1958 tornou-se primeiro-ministro. Pode-se fazer um paralelismo entre as mudanças que ele introduziu, e a reconstrução ou reestruturação (Perestroika) do comunismo que Mikhail Gorbatchev executou a partir de 1985.
[5] Ver acima a nota 3.
Numa conferência sobre o comunismo, anterior à política da Perestroika que Gorbatchov desenvolveu nos anos 1980, Plinio Corrêa de Oliveira apresentou os pontos principais da doutrina marxista.
O comunismo constitui uma seita revolucionária, atéia, materialista e hegeliana, voltada para a destruição da Igreja e da civilização cristã. É uma anti-igreja, ainda que se disfarce sob a aparência enganadora de socialismo ou comunismo cristão.
A exposição do prof. Plinio, realizada provavelmente no início dos anos 1960, tem grande atualidade, e possibilita uma compreensão profunda do comunismo que é de grande valia no momento em que, metamorfoseado, toma a aparência de morto.
O título, subtítulos e destaques a seguir foram introduzidos pelo Editor deste site.
_____________________________________________________________________________

A ANTI-IGREJA COMUNISTA, VERDADEIRA SEITA
PLINIO CORRÊA DE OLIVEIRA
1. Em sua fase leninista e stalinista, a violência era a nota marcante do expansionismo comunista. Mas a partir de 1958, inicia-se com Khrushchov a fase do neocomunismo risonho e conciliador e da guerra psicológica revolucionária total
Há uma cortina de ferro, que se prolonga pela cortina de bambu, e que divide o mundo em duas frações. Sabemos que a fração que está do lado de lá é a fração inimiga. Por que razão existe essa divisão entre um lado e outro do mundo? Quais são os pontos de vista, os objetivos que diferenciam essas duas secções da humanidade?
A – Na nova fase, o comunismo estabelece um modus vivendi com a Igreja
As idéias que surgem, quando alguém formula estas perguntas, são das mais sumárias. Antes de tudo uma idéia muito vaga: os russos e chineses perseguem a Religião com penas atrozes, proíbem o funcionamento do culto. Mas esta idéia geral, sumária, indecisa, fica contrastada por certas notícias que nos vêm da Rússia, como por exemplo a de que no último Conselho Mundial das Igrejas o governo soviético mandou os bispos cismáticos participarem, e eles afirmaram representar trinta milhões de crentes da igreja cismática, soi-disant ortodoxa.
Tal notícia suscita uma pergunta: a igreja cismática está sendo perseguida lá, mas apesar disso tem trinta milhões de fiéis e uma hierarquia constituída, mesmo sendo, é verdade, a igreja cismática, e não a Católica. Não se terá atenuado o conflito entre o comunismo e a Igreja? E se uma igreja cismática, que sumariamente é cristã, pode entrar em entendimento com o governo soviético, poderiam também os católicos fazê-lo? Em outros termos, qual é a consistência desse muro divisório ideológico que nos separa dos países comunistas? É uma pergunta apenas esboçada em muitos espíritos, mas que paira no ar, e que a pessoa relativamente intelectualizada se formula quando lê notícias do tipo dessa que acabo de mencionar.
B – A idéia que havia no subconsciente das pessoas sobre a crueldade comunista foi modificada pelo neocomunismo mais ameno e conciliador
Essa pergunta não se põe apenas no campo da liberdade do culto católico. Os comunistas querem, por exemplo, a morte violenta de todos os capitalistas, de todos os burgueses, de todos os aristocratas, de todos os intelectuais, de todos aqueles que não são estritamente proletários.
Sobretudo no subconsciente das pessoas que têm mais de 40 anos, ficaram as reminiscências de morticínios de burgueses e nobres, praticados na Rússia logo que o comunismo subiu ao poder. A idéia do assassinato do Czar e da família imperial, e mil outras cenas de abjeto vandalismo, formam um fundo de quadro de crueldade, que gera por sua vez a impressão genérica de que isto se poderá repetir às nossas expensas.
Mas de lá também nos vêm sons que falam em outro sentido. Os técnicos, por exemplo, estariam agora muito bem colocados, no mundo comunista. Na China, muitos capitalistas teriam recebido cargos de dirigentes, nas mesmas fábricas e estabelecimentos de que foram outrora proprietários.
Será que o comunismo não se amenizou? Será que eu também não poderia ficar assim, se entrasse num acordo com eles? Um operário, um advogado vestido de macacão, um professor de cabeça raspada, meio proletarizado, mas enfim um ente humano, cujo destino, em todo caso, é menos horrível que o dos príncipes russos, que os bolchevistas atiraram em um poço de gasolina e acenderam fogo. Por detrás das idéias sumárias e negras sobre a crueldade comunista aparece, pois, uma pequena claridade, a esperança de alguma amenização, quiçá de uma conciliação.
C – A pressão psicológica da ameaça nuclear: vale a pena desencadear uma guerra mundial para defender a propriedade privada ameaçada pelos socialistas e comunistas?
A estas impressões junta-se outra, quanto à luta em prol da propriedade privada. Todo mundo sabe que o comunismo quer abolir a propriedade privada. Mas – pensam alguns – se é muito mal feito abolir a propriedade privada, vale a pena desencadear uma guerra mundial para evitar que ela seja abolida?
Pode-se pensar no reflexo dessa pergunta num novaiorquino, por exemplo. Uma pessoa de minha família esteve há algum tempo nos Estados Unidos. Contou-me que em São Francisco distribuíam folhetos, ensinando às pessoas como se salvar de um bombardeio atômico. Mapas distribuídos ao público, dividindo a cidade em várias zonas: numa, se a bomba cair, ficará tudo destruído e ninguém se salvará; noutra zona, caindo a bomba, muitas pessoas não morrerão, mas ficarão loucas, e outras poderão sair ilesas; matando os loucos agressivos que perambulassem pelas ruínas, estas poderão salvar-se.
Vendo isto, e pensando que a qualquer momento poderá ser a vítima da bomba, pensará uma pessoa que deve defender a propriedade privada, a tal ponto que se exponha aos riscos do bombardeio?
Poucas são as pessoas que pensam na propriedade privada, em si, como um princípio de ordem moral. A maioria é de horizontes mentais insuficientemente vastos para não verem a propriedade privada como um mero interesse pessoal legítimo, mas como uma instituição, como um valor da Civilização Cristã. Pensando na propriedade privada, pensam na sua propriedade, e em nada mais. E o bom senso do velho adágio, que diz "vão-se os anéis, mas fiquem os dedos", começa a aflorar no sub-consciente de numerosas pessoas. Não é melhor proletarizar-se do que ficar um cadáver? O instinto de conservação responde que sim.
Surgem tais cogitações até na mente de pessoas muito corajosas em relação ao comunismo. E essas hipóteses, que na ordem concreta dos fatos se transformam em interrogação, indecisões e recuos, tem por isto mesmo um papel muito grande na atual luta entre o comunismo e o anticomunismo.
D – Principal objetivo da guerra psicológica revolucionária: tirar a vontade de lutar
Na realidade, o homem luta na medida em que a razão pela qual ele luta vale mais do que o esforço que ele desenvolve para lutar, e do que os riscos que corre lutando. Se ele acha que, lutando, evita males proporcionados a seu esforço e seu risco, então ele lutará. Mas se não estiver persuadido disto, ele poderá começar a lutar num primeiro momento de irritação, de cólera, de entusiasmo ou de irreflexão, mas ao cabo de algum tempo, quando vier o cansaço, quando vier o tédio, quando a briga perder a graça e começar a se tornar seriamente perigosa, surgirá uma série de interrogações em seu espírito. Diminuindo a vontade de lutar, tudo diminuirá na reação ao adversário.
Tenho a impressão de que nada há de mais perigoso para uma ordem social, para uma civilização, para um país, para seja o que for que queira sobreviver, do que perder a noção de que vale a pena arriscar tudo para lutar e para ganhar. A partir do momento em que essa convicção se apaga, a partir do momento em que nasce a idéia da possibilidade de um acordo que seja menos ruim que o horror da luta, começa uma espécie de defecção interna, que se manifesta por sintomas psicológicos discretos e insignificantes de início, mas que, na hora da pressão dos acontecimentos, dá a transparecer inevitavelmente um enfraquecimento interior, que conduz à derrota.
O advento do comunismo, fora ou dentro de nossas fronteiras, é um mal tão grande que, para evitá-lo, todas as lutas e todas as desgraças individuais, e até a morte, devem ser suportadas com coragem. Estamos numa dessas lutas de vida e de morte, em que comprar a vida por um recuo diante do adversário importa em fazer com que a vida não valha a pena ser vivida. Para um homem de caráter e de fé, mais vale a pena padecer a pior das mortes do que viver uma vida inglória, vergonhosa, de braços cruzados sob o tacão do comunismo. Focalizar isto, reavivar as razões pelas quais devemos lutar contra o comunismo, a meu ver é um dos elementos mais indispensáveis para que uma resistência anticomunista realmente tenha consistência, tenha dinamismo e seja eficaz.
2. A seita comunista, uma anti-igreja: doutrina hermética inacessível ao homem comum, que constitui uma espécie de crença anti-religiosa e dogmática, com fundamentos filosóficos equivocados. Sua meta é alcançar o poder para impor novos modos de ser, de pensar e de sentir, e assim formar uma nova cultura e uma nova civilização
Chamo a atenção para a sagacidade da propaganda comunista, que pouco fala sobre a doutrina comunista. Encontram-se livros comunistas à venda em livrarias comunistas. Tais livros são propriamente ilegíveis, pelo comum das pessoas, tal a quantidade de expressões técnicas complicadas, de cálculos que têm pressupostos, que por sua vez se prendem a outros pressupostos, de princípios filosóficos hirsutos e confusos. É preciso a pessoa passar por uma espécie de iniciação, adquirir certos conceitos primeiros e muito simples, para que aquela algaravia seja mais ou menos inteligível.
Uma pessoa que chegue a inteirar-se devidamente do conteúdo desses livros perceberá que a doutrina comunista constitui uma espécie de crença anti-religiosa, dogmática, coerente a partir do erro. Isto, aliás, é o que ela tem de pior, pois nada melhor do que a coerência na verdade, e nada de pior do que a coerência no erro. Fora do partido comunista, os supostos simpatizantes do comunismo não têm idéia nenhuma dessa doutrina. Pensa-se, no grande público, que os comunistas querem a igualdade dos bens, e que a partir do momento em que os bens forem todos nivelados eles estarão satisfeitos. Ora, se isto é verdade, e se de fato eles querem a divisão dos bens, ainda é mais verdade que eles não se contentam com isto.
Quando se estuda a doutrina comunista, percebe-se que se trata de uma verdadeira seita, de uma anti-igreja, que não acredita no sobrenatural, mas que está construída sobre certos preconceitos filosóficos. O nivelamento dos bens é uma das conseqüências, importante sem dúvida, mas apenas uma das conseqüências da doutrina filosófica comunista.
Se os comunistas vencerem, introduzirão o nivelamento dos bens, que é um mal em si, e que em si é contrário à doutrina católica. Mas não vem apenas isto: vem o domínio despótico de uma seita, que toma conta do governo, estabelece uma ditadura e organiza toda a vida de acordo com sua filosofia específica. É a cultura, é a civilização, são todos os modos de ser e de existir do homem, é o próprio homem no interior de sua alma, que tem que ser amoldado aos princípios dessa seita. Não é só o advento de uma nova civilização e uma nova cultura, que querem instituir, mas de uma nova humanidade modelada por esses princípios filosóficos.
A – O melhor meio para criar uma barreira intransponível contra o comunismo é denunciar o seu caráter sectário e os fundamentos filosóficos errados de sua doutrina
Conhecer bem este aspecto do comunismo, e os princípios errados que essa seita filosófica veicula, parece-me que é o meio melhor para criar contra o comunismo esta barreira intransponível, que contra ele se deve levantar. Deve-se mostrar que o comunismo é o erro completo, é a profissão de uma doutrina inteiramente falsa, que deforma o homem e elimina os valores que dão à vida seu sentido. E realmente mais vale a pena correr todos os riscos, mais vale a pena morrer, mais vale a pena enfrentar todas as desgraças do que cruzar os braços diante da perspectiva de que um tal estado de coisas seja estabelecido no Brasil e no mundo.
Reavivemos então as razões pelas quais devemos lutar contra o comunismo, estudando sua doutrina e pondo a nu o fel que sua maquiavélica propaganda procura esconder.
A doutrina comunista procede de duas teorias a respeito de dois pontos diferentes e fundamentais. Uma é a respeito da essência do universo, e outra é a respeito dos movimentos que no universo se dão.
3. O materialismo metafísico: tudo no universo é matéria e Deus não existe
Marx, que viveu no século XIX, adotou de Feuerbach, filósofo alemão anterior a ele, um sistema chamado materialismo metafísico. Tal sistema afirma que no mundo não há senão matéria, tudo é matéria. Nega a idéia de que existe o espírito, no sentido em que a Religião Católica o toma, isto é, um ser que não é feito de matéria. A idéia de que existe um Deus, puro espírito, ele a nega também. Tudo no universo não é senão matéria.
Segundo este sistema, a matéria passa por múltiplos fenômenos, que nada mais são do que a matéria que se modifica. Reações químicas, movimentos, tudo é apenas matéria.
Neste momento estamos conversando, e eu estou enunciando as idéias dessa escola. Para nós isto é um fenômeno espiritual. É a minha alma espiritual que produz tais idéias, e os senhores, através dos sentidos, as recebem em suas almas espirituais. Para eles, a própria idéia que eu lhes transmito é matéria, enquanto vibrando no ouvido de cada um dos senhores. Estamos colocados assim diante de um materialismo crasso.
4. O materialismo dialético, uma adaptação da teoria filosófica hegeliana sobre o movimento
Ao lado dessa concepção, cumpre lembrar rapidamente a teoria do movimento. É uma teoria que os comunistas chamam de dialética, e que dá origem ao chamado materialismo dialético.
O que é dialética? Engels, que era genro de Marx, é reputado, enquanto sistematizador das idéias marxistas, superior ao próprio Marx. Ele definia a dialética como sendo a ciência das leis gerais do movimento, tanto do mundo interno quanto do externo. O movimento do universo é externo, mas dentro de mim também há movimentos: movimentos orgânicos, o movimento de meu cérebro, o movimento de minha inteligência, que também é matéria em movimento.
Para exprimir bem seu pensamento a este respeito, Marx se servia das idéias de outro filósofo alemão, Hegel, que sob certo ponto de vista estava em posição oposta a Marx. Hegel era espiritualista, afirmava que tudo é espírito. Até o braço dessa cadeira não seria para ele senão um espírito, colocado em certa situação de condensação. Marx rejeitou o aspecto espiritualista da teoria de Hegel, e afirmou que tudo é matéria. Mas quanto às idéias sobre o movimento de todo o universo – universo que Hegel reputava espiritual, e Marx reputava material – Marx as aceitou, transpondo-as para a matéria.
A – O movimento do pensar humano: tese, antítese e síntese
Analisemos como se desenrola este fenômeno material, que é o pensar. Penso algo. Diante do pensamento que concebi – digamos que movido por certa vacilação interior – sou tentado a passar, e passo, para uma posição contrária, duvidando e mesmo negando o que há pouco cheguei a afirmar. Depois chego à síntese, terceiro pensamento que engloba os dois primeiros.
Para esclarecer o assunto, consideremos um exemplo sem grande valor filosófico. Imaginemos uma pessoa que está no escuro, e que procura pegar um objeto. Tomando-o, tem dele uma primeira impressão. Mas como está no escuro e não o pode ver, à força de pegar o objeto passa à idéia oposta, isto é, conclui que o objeto não é isto, mas aquilo. Depois, à força de apalpar, conclui que o objeto não corresponde à primeira, nem à segunda, mas a uma terceira impressão, que reúne alguns elementos das duas impressões anteriores. Essa pessoa formou uma tese, depois uma antítese, isto é, uma afirmação contrária à tese, e por fim uma síntese, isto é, um ponto de repouso terminal daquele ciclo de pensamento, em que chegou a uma espécie de equilíbrio entre as duas posições anteriores.
Dizia Marx que os homens individualmente, e também as sociedades humanas – segundo Hegel, também o próprio equilíbrio universal, que se concretiza num objeto qualquer, numa cadeira, num papel, numa casa – tudo passa por um movimento assim. Algo é afirmado, passa-se depois à antítese desse algo afirmado, depois chega-se à síntese. Esta síntese, por sua vez, faz o papel de tese em relação a uma outra antítese, que vai gerar uma outra síntese. E assim, cambaleando de meias verdades em meias verdades, ou de meios erros em meios erros, o espírito humano vai destilando algo que representa sempre uma posição nova, e que contém um enriquecimento das posições antigas. Por sua vez, esta posição não chega a ser uma verdade absoluta – porque a verdade absoluta, como os católicos a concebemos, não é atingível – mas, pelo menos, representa algo de mais rico do que os elementos que vieram antes.
B – O movimento no universo: a transformação incessante da matéria, as quatro modalidades de movimento, a relatividade de todas as coisas
Tudo na humanidade, tudo no universo é matéria, vivendo neste movimento de tese, antítese e síntese. É necessário ver o sentido que Marx dá a estas palavras, para bem compreender. Pode-se dizer que há aí três princípios.
Princípio da transformação incessante da matéria. Tudo está constantemente se transformado. Nós estamos aqui conversando, e à medida que conversamos há um desgaste individual, que conduz ao envelhecimento. Passamos por transformações da vida, até o momento final. Com todos os seres acontece isto, tudo se transforma constantemente. Este princípio, em sua expressão mais material, Lavoisier o enunciou para os seres inanimados: No universo nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Isto é verdade para os seres puramente materiais, e não para os seres que têm alma, como nós. Ou então há apenas uma parcela de verdade, já que nossa alma não está sujeita a essas transformações enunciadas por Lavoisier. Mas Marx, que era materialista puro, achava que este princípio se aplica a tudo, desde que só há matéria.
Princípio das quatro modalidades do movimento. O movimento é, antes de tudo, um deslocamento. Mas há outras formas de movimento, que não são deslocamentos mas transformações. Por exemplo, quando a fisionomia de uma pessoa vai mudando com o curso do tempo. Há um certo tipo de transformações que são aparecimentos, e um outro tipo que são os desaparecimentos. Temos então: deslocamento, transformação, aparecimento e desaparecimento.
Princípio da relatividade de todas as coisas. Se tudo está sempre se transformando, se tudo passa a ser constantemente outra coisa, tudo acaba sendo relativo, nada tem valor absoluto, nada é eterno, nada é sagrado. A única coisa que existe de fato é a matéria, e essa transformação permanente.
Vem a propósito lembrar aqui a doutrina do turbilhão vital. Os fisiologistas afirmam que toda a matéria existente no corpo humano, de 7 em 7 anos é substituída (segundo outros há um limite até 14 anos). Assim, todas as substâncias de que o corpo humano era composto, em determinada época, após 7 anos já terão sido substituídas por outras. Quando nasci, eu era constituído por determinada matéria. Com 7 ou 14 anos, já nada possuía daquela matéria.
Se não sou senão matéria, e toda a matéria originariamente existente em mim desapareceu, devo dizer que morri dentro de mim mesmo, ou que me esfarelei. A sensação de continuidade pessoal que tenho aos 14 anos, em relação ao indivíduo que eu era ao nascer, é pura ilusão; aos 28 anos isto se repete, e assim por diante. Ora, o que assegurou a unidade de minha pessoa? Eu era aos 14 ou 20 anos um certo conglomerado de matéria, e me desfiz. Mas há uma porção de coisas que não eram eu – plantas e animais que comi, bactérias que respirei – e passaram a ser eu. Se comi um frango, a incorporação daquele frango a mim fez com que o frango passasse em parte a ser eu. Mas se uma fera comeu algum homem, é o homem que parcialmente se torna fera.
Há então entre o homem, o frango e a fera uma espécie de reversibilidade. Segundo esta concepção, tudo é mutável e reversível. Eu sou perfeitamente relativo, e tão precário e relativo que a minha continuidade pessoal, minha identidade comigo mesmo nem sequer se sustenta ao longo do tempo.
Poder-se-ia fazer uma objeção. Os fisiologistas dizem que o esqueleto não muda. Mas será que o esqueleto é o que garante nossa continuidade pessoal? É fácil perceber que cairíamos tão baixo, ficaríamos tão reduzidos, nesta concepção, que menos não é possível ser. Perderíamos o respeito de nós mesmos, a noção de nossa própria dignidade. Se aceitamos o materialismo, caímos aos nossos próprios olhos numa tal diminuição, que equivale moralmente à própria destruição de nossa personalidade.
Está discretamente afirmada nessa visão materialista uma concepção do homem muito depreciativa. Sublinho a expressão discretamente porque, se bem que essa concepção seja conseqüência rigorosamente necessária de todo o pensamento materialista, e portanto comunista, chama a atenção o fato de os comunistas não apregoarem abertamente essa conseqüência. Ela é um elemento velhacamente velado da sua doutrina. Quem não esteja com o espírito muito deteriorado sente horror a uma concepção dessas, e se arma logo em luta contra ela.
Este é um dos tantos refolhos da doutrina comunista, comparáveis às dobras de uma sanfona. Quando se vê uma sanfona espremida, ela é uma coisa; quando está aberta, vê-se outra muito maior. É preciso ter em mente, para julgar o comunismo, não só as noções sumárias que correm na rua, veiculadas pelo Partido, mas também todas as conseqüências em que essas noções implicam. Só assim se chega a compreender bem o que é o inimigo que está diante de nós.
C – Características do movimento universal: o evolucionismo radical
Marx apontou alguns elementos como características do movimento universal: 1) Autodinamismo; 2) Ação recíproca; 3) Lei do progresso universal; 4) Lei da contradição; 5) Salto qualitativo.
Autodinamismo. Tomemos um exemplo dado pelo próprio Marx: uma árvore que dá uma fruta, uma maçã. Essa fruta se forma no galho da árvore, chega à sua maturidade completa, cai, apodrece e liberta as sementes. Essas sementes libertadas dão origem a outras árvores, etc. Há neste fenômeno o movimento da natureza, que é a tese: a maçã nasce. Depois a antítese: certas forças letais da maçã, que ela traz consigo ao nascer, entram em luta com ela, para provocar sua destruição. Em seguida a síntese: a maçã morta libera as sementes, que darão uma árvore, a qual dará outras maçãs. A vida, a morte, a ressurreição, o aparecer, o desaparecer, o germinar, são as realidades concretas do mundo dos fatos palpáveis. O autodinamismo da maçã é um movimento interno, que a leva a nascer, amadurecer, desaparecer e liberar seus frutos.
Ação recíproca. A realização na maçã desse processo de tese, antítese e síntese se conjuga necessariamente com outros processos naturais. Por exemplo: o vento, o tempo, o clima, e outros fatores enfim. O universo se compõe de milhões de processos que se emaranham, que ao se emaranhar se apóiam, e ao mesmo tempo entram em luta. Esta interação é que faz com que o universo funcione.
Lei do progresso universal. Este movimento de tese, antítese e síntese não é um círculo vicioso. Não é uma só árvore, da qual sai uma só maçã, da qual sai uma só semente, do qual sai uma árvore, e assim por diante. É um movimento progressivo: uma árvore dá muitas maçãs, as maçãs contêm muitos caroços, desses caroços nascerão muitas árvores, das quais sairão muitas maçãs. Assim como acontece com a maçã, acontece com tudo quanto há no universo. Tudo está crescendo, há um pregresso constante de tudo.
Lei da contradição. Dentro de si, cada coisa tem algo que tende a matá-la: há uma luta. Marx chega a dizer que cada ser não é senão um equilíbrio de movimentos contrários, de forças contrárias. Esta lei é capital para compreendermos mais adiante a ferocidade do comunismo.
Salto qualitativo. Há uma noção marxista curiosa, que nos ajuda ainda mais a compreender a concepção comunista: é o salto qualitativo brusco. Diz ele que num determinado momento dessa evolução – tomando a água, por exemplo – acrescenta-se uma, duas ou três partículas de hidrogênio, que se somam à água original. Mas aquela soma produz um efeito especial, e a água inicial muda de qualidade, dando origem a um outro ser. Dá-se o salto qualitativo brusco.
Em função disso, à medida que os seres vão progredindo, vão mudando de qualidade. A doutrina do salto qualitativo brusco explica, segundo Marx, a origem material do espírito. A matéria, num determinado momento, teria chegado a um tal grau de sutileza, a um tal grau de excelência, que se transformou num gênero novo de matéria, de alto quilate, que nós, por pobreza de expressão, por pobreza de conceitos, chamamos de espírito, mas que não é mais do que a matéria em estado sublime.
Houve saltos qualitativos no universo, segundo Marx. Em virtude deles apareceram as plantas, os animais; depois apareceu este animal excelente, que é o homem, apareceu o pensamento humano, e ninguém sabe o que vai aparecer depois. Mas isto não pára. De salto qualitativo em salto qualitativo, iremos indefinidamente para a frente. Depois do homem pode aparecer algo de ainda mais excelente. O que será? Ninguém o pode prever, como na era em que só havia plantas era imprevisível o que seria o homem.
Este é um dos pontos em cuja interpretação os críticos do marxismo mais se enganam. Pensam eles que Marx admite uma espécie de ponto final da evolução. É um engano. Do homem vai nascer – ou melhor, está nascendo – um tipo de homem tão quintessenciado, que não vai mais precisar do governo, e vai viver inteiramente livre. Será o período feliz da anarquia ordenada. Depois surgirá qualquer coisa que nem se pode imaginar, mas a matéria – a que tudo se reduz – irá sempre em ascensão.
5. O materialismo histórico
Essas leis do movimento da matéria regem o universo inteiro, e portanto também a parte mais nobre do universo, que é a humanidade, ou melhor, a parte mais evoluída do universo, posto que "nobre" não é uma palavra marxista.
Essas várias leis do movimento da matéria que acabamos de ver aplicam-se ao próprio mover da humanidade, que é a História. De que maneira? Procuram os marxistas interpretar toda a História de acordo com essas leis. É assim que, do materialismo dialético, nasceu o que se chama materialismo histórico.
O materialismo histórico é uma interpretação da História, procurando provar que são verdadeiras as leis que, segundo Marx, regem a História. Toda a História, tão difícil de analisar em sua imensa complexidade, vista do ângulo marxista se torna inteligível até nas suas mais extremas profundezas.
Todas as sociedades humanas, segundo Marx, estão numa evolução contínua. A elas podemos aplicar alguns princípios já vistos:
A transformação incessante. Há uma espécie de força interna pela qual, na história da humanidade, houve primeiro a escravidão. A escravidão gerou algo que é diferente dela, e que é a servidão. O escravo é aquele que pode ser tratado como uma coisa, podendo ser morto, destruído. A servidão é a escravatura já modificada, evoluída. Neste sentido, é a antítese da escravatura. O servo tem direito à vida, à propriedade, à família, se bem que esteja sob a autoridade de um senhor. A escravatura (tese) gerou depois uma antítese, que é a servidão. A servidão e o feudalismo, que para Marx constituem um todo só, por seu choque geraram algo de especificamente diverso, que é o plebeu livre, o burguês – uma síntese.
O progresso universal. A burguesia vem a ser o contrário do feudalismo e da escravidão antiga, mas constitui um progresso. É o mundo do dinheiro, o mundo da liberdade, o mundo dos negócios, o mundo do ouro, do prazer, um mundo mais desvencilhado dos preconceitos religiosos.
A contradição. Mas desta série tese-antítese-síntese sai uma outra antítese, que é a sociedade proletária, socialista, que está contida na tese como o burguês está contido no feudal, como o feudal está contido no servo e o servo no escravo. Por este movimento chegaremos ao socialismo e comunismo, depois à anarquia – uma liberdade inteira sem desordem nem caos – que é o ponto final do comunismo. Este sistema é a linha previsível, para eles, da história da humanidade. Por esse movimento, o homem alienado como escravo foi ficando cada vez mais dono de si, mais livre, rejeitando todos os jugos: do Senhor, do patrão, dos deuses (meros mitos) e dos governos.
A – Primazia do econômico na História e na vida
Como a matéria rege tudo, o mundo físico – isto é, a economia, o dinheiro – domina toda a sociedade. A influência da economia vai produzir todo o encadeamento dos processos: processos de idéias, de instituições, de leis, de cultura, de arte, tudo evolui à base da economia. As próprias religiões são apenas reflexos da economia. Como a economia está toda baseada no instrumento de trabalho, é a história dos instrumentos de trabalho a nervura essencial da história das religiões, artes, ciências, culturas.
Pode-se justificar o coletivismo exatamente assim. No tempo da Idade Média havia o artesanato. Um operário, para fabricar um objeto, levava muito tempo, e o trabalho era individual, por causa da natureza individual do instrumento de trabalho. Concebia-se então a propriedade privada. Mas a partir do momento em que os instrumentos de trabalho passaram a se tornar coletivos – uma fábrica faz objetos em série, e muitos homens produzem o mesmo objeto – a produção se tornou coletiva. A partir desse momento a propriedade privada perdeu a sua razão de ser, e deve tornar-se coletiva.
Em conseqüência, a razão de tudo, na História, se encontra na evolução dos instrumentos de trabalho. Para uma pessoa cuja mentalidade lhe diz que a economia domina tudo, isto é muito razoável, porque imagina que só existe a matéria.
B – O salto qualitativo e a luta de classes
Vejamos agora no que consiste, na História da Humanidade, o salto qualitativo. De acordo com a marcha da História, o senhor feudal, que representou uma evolução em relação ao senhor de escravos, está na origem do processo de decadência do feudalismo. Ele representa a tese, que é o feudalismo então vigente. Vem a antítese, a burguesia, que vai lutar contra o senhor feudal. O senhor feudal resiste, porque tende a conservar a tese. A antítese vai crescendo, e dá o salto qualitativo sobre o senhor feudal. O salto é a luta, a briga, o assalto, o morticínio.
A violência está no âmago desse processo, dessa dialética, desse entrechoque. É preciso que haja violência. Era forçoso que dos ataques saíssem outros ataques; que tivessem ocorrido muitas tragédias de sangue; que o morticínio, o "paredón", tivessem despontado na História. Porque é da fricção desses movimentos contrários que a História se movimenta. Se uma pessoa fosse evitar tais coisas, se evitasse a luta de classes, evitaria o salto qualitativo, que é o melhor da História.
O salto qualitativo é o salto agressivo dos que estão em baixo, superando os que estão em cima. É um mundo novo que nasce das entranhas do mundo velho, que o quer destruir. O antigo deve defender-se, e o novo deve atacar. Tem que sair a luta. Isto está na essência da História. Essa luta, a luta de classes, que a nós causa horror, é o próprio âmago da História.
C – A nocividade da Religião segundo a doutrina comunista: evita o salto qualitativo
Aparece aí uma enorme crítica, que eles fazem não tanto à Religião – da qual, como materialistas, negam tudo – mas ao papel histórico da Religião. Para eles, religião é uma quimera. Jesus Cristo foi admitido como Deus em conseqüência de um longo conjunto de processos, que derivaram de uma modificação qualquer nos instrumentos de trabalho na bacia do Mediterrâneo. Isto de dizer que o Verbo de Deus se encarnou e habitou entre nós, que nasceu de uma Virgem pelo poder do Espírito Santo, que depois cresceu em graça e sabedoria, que remiu os homens pecadores, que abriu o Céu, tudo isto é para eles um conjunto de mitos, que decorrem dos instrumentos de trabalho. A banalidade destas negações não suscita de nossa parte qualquer comentário especial.
Qual é, para os marxistas, o papel da Religião na História? Qual o papel desses mitos? Papel malfazejo, pois evita o salto qualitativo, evita a dialética, a luta. Um padre diz ao homem que aceite as dores da vida, porque no Céu terá a recompensa. O homem, aquiescendo a isto, não luta. O padre diz ao patrão que tenha pena do empregado, porque no Céu será recompensado também. O patrão, prestando auxílio ao empregado, frustra a luta de classes, ou seja, o salto qualitativo. Na sua função pacificadora ela evita os choques, que são o bem da História.
Note-se que é das profundezas de doutrina comunista que sai a idéia, não só da impossibilidade da aceitação da Religião, mas da nocividade da Religião. Para o comunista, a Religião é um mito, e é o mito nocivo por excelência, é o mal na História.
6. A concepção depreciativa que a doutrina comunista tem do homem, da sociedade e da Religião
1) Necessidade de um eterno conflito entre os homens, para que a humanidade vá para frente.
2) Negação de todo o papel da Religião, porque ela é um mito nascido de instrumentos de trabalho, e o progresso dos instrumentos de trabalho vai varrê-la, substituindo-a pelo ateísmo completo. Para o marxismo, a Religião é o mal.
3) Uma concepção do homem em que ele não é um ser individualizado, com uma alma espiritual imortal, elemento capital de sua personalidade, que faz com que esse ser não se confunda com nenhum outro que houve e haverá até o fim do mundo. De maneira tal que, quando eu for julgado por Deus e for misericordiosamente levado ao Céu, como espero, eu ainda serei eu mesmo. Se fosse mandado para o inferno, também seria eu mesmo.
4) Negação do direito de propriedade e outros direitos e valores fundamentais.
Desta natureza espiritual e pessoal vem a todo homem o direito ao produto de seu trabalho, o direito a ter economias e ser proprietário, o direito a ter mais do que os outros, porque Deus deu a uns mais do que a outros. Daí vem a noção de uma sociedade humana constituída sobre direitos individuais e sobre uma hierarquia de pessoas de valor desigual. Mais ainda, uma sociedade humana constituída sobre uma hierarquia de famílias desiguais. Como o filho é a carne da carne, o sangue do sangue de seus pais, as desigualdades dos indivíduos se projetam em uma desigualdade de famílias, que tem algo de hereditário e está na própria essência da família. De onde termos sociedades baseadas na hereditariedade, na hierarquia, na tradição, em valores perenes, precisamente porque baseados na família, que é o receptáculo da tradição. Baseadas na idéia da alma espiritual, essas sociedades tomam a Religião como o maior de seus valores.
Ao contrário disso, o comunismo nega a personalidade do homem. Em conseqüência, nem vem em conta perguntar se um homem tem direito à sua vida. Isto não tem sentido, pois está morrendo a toda hora. Não tem direito a nada, pois é um composto heterogêneo do frango que comeu ontem, mais a alface que comeu anteontem. E podemos acabar com ele, como com o frango e o alface, contanto que vá para frente a evolução eterna da matéria, através do processo já descrito, das violentas explosões da dialética e do salto qualitativo.
7. Conclusão: a guerra sem tréguas ao comunismo é a única atitude razoável
Compreende-se que, a partir do momento em que uma tal concepção do mundo prevalecesse, o homem seria tão pouco, a vida seria tão miserável e tão mesquinha, que o último homem que discordasse dessas idéias só teria duas coisas a fazer: combater o comunismo, fazendo novos prosélitos, ou ajoelhar-se e pedir a Deus que o levasse desta vida.
Diante do comunismo, a posição não pode ser de salvar a vida e tentar conciliações, com a idéia de que se pode entrar em acordo com ele, mas o contrário: expor a vida, não aceitar conciliações, não aceitar nenhum acordo. A guerra sem tréguas ao comunismo é a única atitude razoável, sobretudo dentro de nossas fronteiras. Entre nós e o comunismo há muito mais que muralhas de ferro ou de bambu: há uma diversidade insolúvel, na concepção da vida e da Religião, uma diferença que põe em jogo tudo que faz a vida digna de ser vivida.
_________________________________________________________________________________
A MARCHA DO CAOS FACTUAL
André F. Falleiro Garcia
Neste artigo serão apresentadas as três fases da marcha processiva comunista. Para ilustrar esta análise, ao final será enfocada a tentativa de transferência da Escola Superior de Guerra, tradicional instituição militar formadora da elite militar e civil, sediada no Rio de Janeiro, para Brasília.
A fase marxista-leninista

20 milhões de mortos na URSS, segundo O Livro Negro do Comunismo
Desde os anos do terror stalinista, a conservação e a expansão do regime comunista realizaram-se segundo formas clássicas consagradas pela doutrina marxista-leninista. A nota comum era a violência, presente tanto na repressão interna nos países comunistas quanto na expansão internacional por meio de guerras, golpes de Estado, guerrilhas etc. A propaganda ideológica comunista no Ocidente, promovida pela máquina do partido ou a serviço do partido, tinha em vista o levante popular, a luta de classes etc. Enfim, a via armada para a conquista do poder representava a estratégia expansionista do comunismo.
O resultado disso aparecia quando eram abertas as urnas eleitorais em eleições livres: partidos comunistas anões e insucesso fragoroso na via eleitoral. O impasse a que chegou a expansão comunista levou seus dirigentes a reformularem, ainda nos tempos da Guerra Fria, a sua estratégia. Para a demolição do Ocidente passaram a promover a guerra psicológica revolucionária total, envolvendo todo o homem e o contexto político-social em que está inserido. Conforme relatou o ex-agente da KGB e dissidente soviético Yuri Alexandrovich Bezmenov, apenas cerca de 15% do tempo, capital e recursos humanos da KGB era gasto especificamente em espionagem e atividades de inteligência. Segundo Bezmenov, os outros 85% eram empregados "em um processo lento que chamamos de subversão ideológica, ou 'medidas ativas' na linguagem da KGB, ou guerra psicológica".[1]
A fase gramscista: o neocomunismo

Gramsci acentuou a busca da hegemonia cultural e a demolição da Igreja
Sem que tenham abandonado a doutrina e o método marxista-leninista, os dirigentes comunistas priorizaram então uma atualização que fora preconizada pelo teórico marxista Antonio Gramsci (1891-1937). Com efeito, Gramsci distinguiu a “sociedade política” da “sociedade civil”. Enquanto a doutrina marxista-leninista concentrava a aplicação dos esforços sobre a sociedade política que correspondia ao Estado e Governo, Gramsci, um dos fundadores do Partido Comunista Italiano considerou como mais importante alcançar previamente a hegemonia cultural na sociedade civil (as escolas, as universidades, os partidos políticos, as religiões, a mídia etc.).
Com relação à Igreja Católica, principal bastião da luta anticomunista no Ocidente, Gramsci concebeu a sua destruição por meio da infiltração das idéias comunistas. De fato, com a subida ao trono pontifício de João XXIII teve início a obra demolidora. Sobretudo por meio da concepção igualitária (que apagava a fundamental distinção entre a simples natureza humana e a transcendência divina), da desmitificação das categorias e valores religiosos e da dessacralização, técnicas que se revelaram muito eficientes para a autodemolição da Igreja. Desse modo a sacralidade eclesial se tornou o principal alvo do neocomunismo.
Com efeito, “entre as medidas para alcançar o que denominava “hegemonia cultural”, Gramsci propunha acabar com as crenças, tradições e costumes que falam ao homem de uma transcendência, ridicularizando-as; silenciar, por meio da calúnia, com tudo aquilo que remete para algo transcendente; criar uma nova cultura, na qual a transcendência não tenha lugar; infiltrar a Igreja para conseguir, por qualquer meio, que bispos e sacerdotes atuem contra ela. Este plano, basicamente propunha a autodestruição da Igreja”.[2]
Os anos 60 e 70 foram marcados por esse neocomunismo gramscista, pluralista e convergencialista, que promoveu a queda das barreiras ideológicas e a distensão entre o mundo capitalista e o socialista. Progrediu a autodemolição da Igreja, graças à aplicação do Concílio Vaticano II e à atividade dos papas conciliares. Nesse contexto, o neocomunismo com freqüência se tornou proteiforme e invisível, minando sorrateiramente as instituições e os costumes, modificando hábitos arraigados na psicologia do homem ocidental. A Revolução da Sorbonne em 1968, a Revolução Sexual, a Revolução Cultural que se serviu do rock-and-roll e das drogas, constituíram modalidades dessas transformações promovidas ou estimuladas pelo neocomunismo.
A fase do caos factual
A partir dos anos 80, estando já em gestação a metamorfose do comunismo que Gorbatchev denominou “perestroika” (reestruturação), um dos artifícios táticos usuais nas revoluções começou a adquirir destaque cada vez maior: o caos. O processo revolucionário comunista até então avançava fundado na estratégia marxista-leninista atualizada por Gramsci. Com a propagação do caos, as transformações sociais revolucionárias, tanto na sociedade política quanto na sociedade civil, passaram a avançar sobretudo a partir da realidade dos fatos impactantes. O que não interrompeu as maquinações do neocomunismo, mas passou a funcionar como um acelerador episódico, mas freqüente, do processo.
Houve então a queda do Muro de Berlim (1989) e a dissolução da URSS (1991).
Estes acontecimentos não devem ser atribuídos exclusivamente ao enorme descontentamento popular latente no Leste Europeu gerado pelo notório fracasso econômico-social do chamado socialismo real. Uma imperiosa e urgente necessidade do processo de convergência entre o mundo capitalista e o comunista moveu os próprios dirigentes comunistas a programarem e executarem a grande mudança.[3]
Também por uma exigência do processo revolucionário houve a metamorfose do comunismo: o socialismo real engessava o sistema, impedindo a marcha rumo à sociedade autogestionária, à anarquia e à anomia de micro-coletividades à margem do Estado, onde as formas cooperativistas e tribais realizariam a utopia igualitária.

Medvedev com Chávez
Sob Yeltsin e depois Putin, o comunismo soviético deu lugar a uma outra estrutura ideológica e sócio-política. Mas, passados alguns anos, o ilusionismo já não produz o mesmo efeito: a presença de navios da marinha de guerra russa em manobras nas águas do Caribe desperta agora na opinião pública a suspeita de que se defronta com o mesmo comunismo de antes, igual ao que sempre foi. Não foi por acaso que Chávez recepcionou a armada russa depois — e não antes — das recentes eleições venezuelanas.
Na fase do caos factual os acontecimentos surgem dotados de um dinamismo próprio, capaz de impulsionar grandes e históricas mudanças. Aparecem ventos novos, supostamente espontâneos, que desencadeiam fatos impactantes que, por sua vez, são amplificados e ultradimensionados pela mídia e assim aceleram a marcha do processo revolucionário. As entranhas agitadas e cheias de surpresa da realidade se transformam numa máquina produtora de um caos considerado criativo, que invade os espaços antes ocupados pelo clima de ordem e harmonia no interior da pessoa humana, nas instituições sociais e nos órgãos componentes do Estado.
Os dois métodos do caos na América
Um dos métodos desse caos revolucionário — induzido e não espontâneo — é o apodrecimento da família e das demais instituições sociais, como também a corrupção nas estruturas de poder do Estado. Um exemplo disso na realidade brasileira foi o acontecimento bombástico de 13 de junho de 2006: a entrevista do deputado Roberto Jefferson, na qual revelou a existência do “mensalão”, um vasto esquema de corrupção envolvendo partidos políticos, empresas estatais e privadas, ministros do governo etc.
Outro método do caos é a implosão da ordem nas estruturas do Estado ou nas instituições da sociedade civil pela exacerbação de fatores heterogêneos ou homogêneos. É o caso da promoção das reivindicações tribalistas, mediante a acentuação das heterogeneidades, em detrimento da soberania nacional. Aqui já publicamos algumas matérias a esse respeito.[4]
A meta do processo caótico
A meta última do processo caótico não se limita à construção da URSAL (a União das Repúblicas Socialistas da América Latina) ou da Ameríndia (o continente tribal latino-americano). Estas são etapas transitórias ou eventualidades operacionais. Pois esse processo visa em última análise o desmantelamento total da sociedade política e da Igreja, da sociedade civil ordenada e da própria estrutura psicológica do homem (para livrá-lo do jugo da razão e imergi-lo na fantasia e mitos tribais). Essa meta autogestionária, caótica e anárquica foi antevista, entre outros, por Engels.[5]
Na perspectiva da entrada do Brasil na Idade do Caos, nota-se que há pouco mais mais de vinte anos foi iniciada a caminhada por esse percurso que não é longo nem demorado. A velocidade vertiginosa dos processos caóticos de apodrecimento ou implosão não queima etapas, mas a desagregação e ruptura do tecido social são aceleradas à medida que as estruturas psicológicas e sociais vão sendo desarticuladas. Se considerarmos que o progresso de uma nação na História guarda certa analogia com a vida do homem, ficaremos estarrecidos diante da real possibilidade de que nossa pátria, que mal atingiu sua maturidade, caminhe veloz e inexoravelmente para a decrepitude.
A caotização das instituições-chaves
Exemplo da marcha do caos em parceria com o neocomunismo, através do desmantelamento das instituições sociais rumo à sociedade-nada, é a tentativa de mudança da Escola Superior de Guerra (ESG), sediada no Rio de Janeiro, para Brasília. Aplaudimos o esforço de um de seus dirigentes, o coronel Celente, que se empenha em preservá-la para que não caia na armadilha mortal dessa transferência caótica, que resultará em seu desmantelamento ou aparelhamento político.
Com efeito, ele denunciou no artigo "Em defesa do último bastião do nacionalismo: a Escola Superior de Guerra" a existência de uma campanha de calúnias ou comentários desairosos sobre a ESG, com a finalidade de sensibilizar o Congresso Nacional para a aprovação da transferência da instituição para Brasília. Dentre os absurdos veiculados, destacou: a ESG estaria ultrapassada e não serviria para mais nada; seu Método de Planejamento Estratégico parou no tempo e no espaço; no Rio de Janeiro estaria deslocada, urge a sua transferência para Brasília, para os políticos fazerem seus cursos.
Com relação à possibilidade de que a transferência da ESG para Brasília faria os políticos retornarem ao seu Corpo de Estagiários, o coronel Celente considerou a afirmação tão infantil que denota a falta de largueza perceptiva. Pois os políticos não deixariam de participar de eventos em sua base eleitoral para assistir aulas ministradas pela ESG. E com amplo e inegável conhecimento de causa rebateu as acusações sobre a falta de atualidade da ESG e falta de eficiência de seus métodos.
Não se pode deixar de vislumbrar sinais da atuação do caos factual nesse episódio, à vista do questionamento feito pelo coronel Celente: "Será que é proposital a notícia-surpresa, objetivando impactar nefastamente, em termos psicológicos, a todos da Escola e, com isso, obstruir a difusão do nosso Pensamento Estratégico à Sociedade Brasileira?"
Publicamos a seguir os trechos mais expressivos desse artigo, ilustrativo do que aqui foi dito sobre a marcha do caos factual. Aliás, advertimos aos que tenham interesse em aprofundar a compreensão do caos factual, que este conhecimento deve ser complementado pela leitura do artigo Caos apático e factual na revolução tribalista peruana, para o qual remetemos também o leitor.
________
NOTAS:
[1] As interessantes declarações de Bezmenov podem ser vistas no Youtube. [2] Fundador del partido comunista italiano se convirtió antes de morir. ACI Prensa, 10 de dezembro de 2008.
[3] Ver o artigo "Filmando a grande fraude", por Jeffrey Nyquist:
___________________________________________________________________________
A ESTRATÉGIA NEOCOMUNISTA DE CONQUISTA DOS APARATOS IDEOLÓGICOS DA SOCIEDADE
Jorge Baptista Ribeiro

Carrilo aplicou o eurocomunismo gramscista: a conquista dos aparatos ideológicos do Estado e da sociedade, e não sua destruição como previa a doutrina leninista
Abaixo transcrevo alguns trechos, em tradução corrente, extraídos do livro intitulado Eurocomunismo e Estado[1], publicado em 1977, de autoria do então Secretário Geral do Partido Comunista Espanhol, Santiago Carrillo[2]. Essa obra nada mais é do que uma síntese da estratégia preconizada pelo filósofo marxista italiano Antônio Gramsci para a tomada do poder político pelos comunistas, por intermédio do assenhoramento — lento, gradual, e determinado — dos postos-chave dos mais variados instrumentos que atuam sobre o comportamento humano individual e coletivo forjando caráteres, moldando procedimentos e atitudes, nos campos político, psicossocial, econômico e militar.
Este processo é intrinsecamente perverso, principalmente, porque seu motor é a cavilosa sedução das mentes das criaturas, insidiosamente atacadas no que apresentam de vulnerabilidades emocionais e intelectuais.
Assim sendo, eis as diretrizes enunciadas por Santiago Carrillo que, certamente, serão de utilidade àqueles que ainda não tiveram a sua capacidade de reflexão ardilosamente obnubilada e, portanto, ainda têm a oportunidade de criar defesas para não ingressar, ingenuamente, no mundo fraudulento e obscurantista, habitado pelos esquerdistas dos mais variados matizes.
São as seguintes:
........"a estratégia das revoluções de hoje, nos países capitalistas desenvolvidos, tem que orientar-se no sentido de ganhar os aparatos ideológicos do Estado — e não destrui-los como prevê a doutrina leninista — para transformá-los e utilizá-los contra o poder do Estado do capital monopolista. Entre os aparatos ideológicos que atuam sobre a consciência humana estão os religiosos, os familiares, os jurídicos, os políticos, os de informação — imprensa escrita, rádio e televisão — e os culturais. A experiência moderna mostra que isso é possível . E aí está a chave para transformar o Estado por uma via democrática.
........atualmente a Universidade e os docentes se convertem com freqüência em focos de impugnação da sociedade capitalista graças ao nosso persistente trabalho ....
.......a Universidade ocupa um lugar privilegiado na atividade das forças políticas revolucionárias. Não apenas pela grande concentração de massas jovens, disponíveis para a ação, como também por ser ali que se formam os quadros para integrarem os aparatos ideológicos da sociedade e onde se semeiam as idéias marxistas e progressistas com um dos meios mais eficazes para assegurar e ganhar, pelo menos parcialmente, esses aparatos. À medida que as novas gerações se incorporarem à profissão esse fenômeno se estenderá e a impugnação à justiça burguesa tradicional se fará mais amplamente ....
.........entre os aparatos ideológicos do Estado e da sociedade capitalista moderna estão os meios de comunicação: a televisão , o rádio e a imprensa escrita. Estas são hoje as armas ideológicas mais eficazes, porque penetram em todos em todos os lugares, umas vezes de modo agressivo e outras de forma sutil, desempenhando um papel alienante e embrutecedor ....
.........a condição prévia é lutar por uma autêntica liberdade da cultura. O florescimento e a extensão da cultura são o terreno em que as idéias revolucionárias e progressistas podem firmar-se e influir cada vez mais, decisivamente, na marcha da humanidade penetrando e transformando os aparatos ideológicos da sociedade para as idéias revolucionárias ....
..........a atitude que devemos adotar é, em substância, a luta pela conquista de posições, na medida do possível, nos aparatos ideológicos da sociedade, para as idéias revolucionárias ....
.......... uma das grandes tarefas históricas atuais para a conquista do poder do Estado e seus componentes, pelas forças socialistas, é a luta determinada, resoluta, inteligente, para voltar contra as classes que estão no poder a arma da ideologia e, consequentemente, os aparatos ideológicos, pois nenhuma classe pode conservar o poder do Estado se perde a hegemonia dos aparatos ideológicos ....
........torna-se necessário que o Partido Comunista e todos os partidos que lutam pelo socialismo e, em geral, as forças transformadoras da sociedade assumam ante os aparatos coercitivos do Estado e seus componentes, um atitude distinta da que tem historicamente adotado. Quando há uma manifestação ou uma greve, não são os dirigentes do Banco do Estado que vão à rua enfrentar os grevistas ou os manifestantes. São as forças da ordem, a polícia e , em casos extremos, o Exército que o fazem. É esse papel que o poder do Estado do capital monopolista confere as Forças Armadas que devemos impugnar. Trata-se de lutar, por meios políticos e ideológicos, a fim de impor um novo conceito de ordem pública mais democrático e, de levar esse conceito à mente dos componentes das forças da ordem ....
.........é verdade que nós, comunistas , revisamos teses e fórmulas que, em outros tempos, eram artigos de fé. Mas não abandonaremos as idéias revolucionárias do marxismo: as noções de luta de classes, o materialismo histórico e o materialismo dialético. Não estamos retomando à social-democracia. Em primeiro lugar porque não descartamos de nenhuma maneira a possibilidade de chegar ao poder revolucionariamente, se as classes dominantes fecharem os caminhos democráticos e se surgir uma conjuntura em que essa via seja possível."
É isso aí, em resumo, a metodologia de ação dos que tentam, sorrateiramente, de maneira pérfida, assassinar a alma de um povo, aniquilando sua liberdade — um direito fundamental do Homem. Infelizmente, muitos só a valorizam quando a perdem.
Com a autoridade que a minha vivência permitiu combater idéias e ideais alóctones, posso assegurar, principalmente, aos incautos e inocentes úteis: se esses pregadores da globalização com o sinal trocado encontrarem quem os enfrente, eles se calam e se entrincheiram num silêncio onde renovam forças para novas investidas, mesmo que se repitam seus tradicionais fracassos.
Quanto às outras grandes ameaças que pairam sobre nossas cabeças — a ação, insidiosa e perversa do capital transnacional apátrida, que objetiva a destruição da civilização cristã e da soberania dos Estados Nacionais, aliada à cobiça do nosso território — deixo aos cuidados dos especialistas no assunto.
_________
Notas de Sacralidade:
[1] O eurocomunismo foi uma versão suavizada do comunismo lançada em 1971 pelos líderes comunistas da Itália, França e Espanha, respectivamente Berlinguer, Marchais e Carrillo. A divulgação do novo modelo foi muito favorecida pelas tubas publicitárias porquanto surgiu na época em que Salvador Allende subiu pela via eleitoral ao poder no Chile. Berlinguer propôs um distanciamento em relação a Moscou e Pequim, e certa liberalização política e econômica no programa do PCI. Desse modo o comunismo apresentou nova face "democrática" e mentalidade "pluralista" segundo a via chilena, e articulou com as esquerdas européias uma vasta coligação política para fazer a "revolução na liberdade". Dez anos depois de lançado, o eurocomunismo tinha se transformado numa velheira política que não era mais levada a sério. Importa destacar o conteúdo profundo que está por detrás desse estratagema de ocasião: a estratégia preconizada pelo filósofo marxista italiano Antônio Gramsci. Se o eurocomunismo perdeu atualidade, o mesmo não se pode dizer do neocomunismo gramscista que está sendo aplicado no Brasil.
[2] Santiago Carrilo (1915), político comunista espanhol, foi secretário geral do Partido Comunista Espanhol (PCE) de 1960 a 1982. Foi uma das figuras chaves na oposição ao franquismo e depois na Transição. Responsabilizado desde o regime franquista pelo massacre de Paracuellos de Jarama — como Consejero de Orden Público, dificilmente poderia tê-lo ignorado e nada fez para evitá-lo — sempre negou sua participação ou responsabilidade. Impulsionou a renovação ideológica do eurocomunismo gramscista em seu país. Carrillo foi homenageado três meses atrás em Barcelona em ato prestigiado pelos holofotes midiáticos e o aplauso de sindicalistas e políticos.
_________
O Cel de Infantaria e Estado Maior, Reformado do Exército, Jorge Baptista Ribeiro é um estudioso da Guerra Revolucionária, possuindo o curso da Escola Nacional de Informações (EsNI) que, por óbvias razões de domínio público, foi extinta pelo presidente Fernando Collor. Bacharelou-se em Ciências Sociais na então Universidade do Estado da Guanabara, hoje UFRJ.
______________________________________________________________________________
A GNOSE PETISTA *
Nivaldo Cordeiro
Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!

Fora! Fu! Fora o bom burguês!...
(Mário de Andrade, poema ODE AO BURGUÊS)
É possível explicar a fórmula de sucesso da ação política do PT, a sua hegemonia? Sim, é possível, mas não no âmbito das categorias empregadas pela ciência política convencional que se estuda nas nossas academias. Na verdade não só a ciência política, mas toda a pesquisa acadêmica no campo das Humanidades no Brasil deixou há muito a seriedade científica para tornar-se ela própria um mero instrumento da propaganda revolucionária, que objetivamente impede as pessoas de melhor formação, as que alcançaram o ensino superior, de terem qualquer noção do que realmente se passa no plano político. Vivemos numa sociedade de zumbis. Um sonho dantesco domina o estado de vigília e a esmagadora maioria sonâmbula carrega em triunfo seus ídolos.
Vou tentar aqui fazer um simples esboço para dar uma explicação sustentada dessa realidade confusa. Não é tarefa fácil, pois bem sei que alguns dos termos que usarei aqui não são de uso comum. Não será pedantismo da minha parte, mas uma imposição da necessidade teórica. A teoria não é um enfeite, é a única ferramenta que permite o descortino da realidade, que infelizmente demanda o uso correto dos conceitos que não são de uso corrente.
Uma das grandes vitórias revolucionárias foi convencer a opinião pública de que a política é separada da religião

A estrela de 5 pontas paramentada é chamada de Pentagrama Esotérico ou Pentalfa Gnóstica por resumir a Gnose
A começar pela expressão “gnose” ou “gnóstico”. Um dos grandes tentos dos agentes políticos da revolução foi convencer largas parcelas da opinião pública de que não há ligação entre o elemento religioso e a ação política enquanto tal. A religião supostamente se restringiria à vida privada, como se a gnose política não fosse, ela mesma, uma forma satânica de religião. É como se o Estado, sua representação e sua missão fosse um mundo à parte e não se relacionasse com as coisas do Espírito. É nessa mentira fundamental que todo o edifício político da modernidade foi erigido. Aceitar essa premissa é cair nos braços da gnose e negar a verdade enquanto tal.

O petismo é um ramo recente desse processo, de somenos importância quando visto de uma perspectiva global e de sua ação na história até o presente momento. Mas quando ele é colocado no devido contexto, veremos que toma a feição da linha de frente do movimento revolucionário universal e suas realizações no passado são nada diante da iminência dos grandes fatos que estão por vir.
A gnose na Antiguidade pagã
A gnose é um antigo termo religioso que designa os desvios de doutrina que deságuam na mentira espiritual, com implicações diretas sobre a práxis. Talvez o mais antigo e eficaz movimento gnóstico tenha começado no mundo pagão da Grécia e tomou forma na filosofia epicurista, nascida para confrontar nada menos do que Sócrates, Platão e Aristóteles. Epicuro foi contemporâneo desse último e seus seguidores ajudaram a expulsar o estagirita de Atenas, triunfando no meio político que levou o grande Sócrates ao supremo sacrifício em defesa da verdade da alma. Seguiu-se a decadência não apenas política, mas filosófica de toda a Grécia, vez que o gnosticismo é um elemento de elevado poder destrutivo.
Em poucas palavras, Epicuro defendia que o sentido da vida se resume à existência nesse mundo, simplificado no binômio busca do prazer/fuga da dor. Essencialmente o que importa sublinhar é a negação de qualquer realidade transcendente para os seguidores do epicurismo, tornando o homem — mais precisamente o prazer eventualmente obtido por ele — a medida de todas as coisas. Gigantes como Aristóteles e Platão riram dessa idiotia teórica, pois desde Parmênides sabia-se que a explicação do universo manifesto pressupunha a realidade do Além, as Formas ou o Deus único dos filósofos, o limite mais amplo a que puderam chegar os maiores pensadores pagãos antes do Advento.
A gnose moderna
No universo cristão a gnose emerge com a mesma idéia central, a de que o homem pode ser aperfeiçoado nesta vida e buscar a salvação ainda nesse mundo. Pelágio é o ancestral mais vistoso dessa heresia, derrotada, no campo teórico, teológico e político pelo grande Santo Agostinho. Mas a gnose acompanhou, como sombra, o Cristianismo pelos séculos seguintes até triunfar na modernidade (entendida esta como a cultura que moldou a civilização ocidental a partir do século XIV). Embora não seja um corpo de doutrina único e se manifeste em diferentes teorias e movimentos religiosos e políticos, o gnosticismo moderno tem como denominador comum declarar a imanência da salvação e reduzir a psique do homem à relação binária busca do prazer/fuga da dor. Essa caricatura espiritual gerou a criatura bifronte dada pelos falsos opostos liberalismo ateu e o marxismo revolucionário.
Os grandes restauradores do epicurismo na modernidade foram Locke e Rousseau, autores que geraram as tradições paralelas do liberalismo ateu e do marxismo revolucionário. Veja, meu caro leitor, que dessa árvore frondosa nasceu a falsa verdade filosófica estabelecida por pelo menos três séculos seguidos. Essa gente tomou conta dos Estados nacionais na Europa e nas Américas e, depois, no resto do mundo. Então quando eu falo em modernidade eu falo da linha de pensamento que seguiu seu curso a partir desses nomes que são familiares a toda a gente. Basta recordar que gigantes como Kant, Hegel, Marx e Nietzsche, sem falar nos autores do ramo britânico do liberalismo, como Smith e Ricardo, são os caudatários diretos dessa nova suposta verdade da alma.
A oposição entre a gnose moderna e o Cristianismo
O inimigo dessa gente é um só, a Igreja Católica e o Cristianismo ele mesmo. Na verdade as denominações protestantes são elas próprias uma plena manifestação do gnosticismo usando a roupagem evangélica. Sei que muitos dos seguidores dessas religiões ditas cristãs talvez nem tenham a noção do que se passou, porque não é tarefa fácil encontrar livros de história e menos ainda livros de filosofia política que relatem fielmente o que aconteceu. A decretação de morte de Deus por Nietzsche é o coroamento da modernidade e a síntese de tudo, o corolário da Reforma.
O PT, herdeiro do PCB e legatário da tradição gnóstica
O PT só pode ser compreendido como legatário dessa tradição. Recordemos que ele nasceu da implosão do Partido Comunista Brasileiro (PCB), que aconteceu desde os anos sessenta e se consumou plenamente depois da queda do Muro de Berlim. O Partidão fragmentou-se em várias siglas, mas aquela que realmente triunfou e é seu legítimo herdeiro é o PT. Não é à toa que as demais denominações socialistas e comunistas que persistiram estão, todas elas, na base de apoio do governo do PT, tendo tornado-se seus vassalos. Inclusive o PC do B, a sigla mais belicosa e a mais antiga dissidência do Partidão.
Como o PT chegou ao poder — o papel do PSDB
A questão teórica a responder é: como o PT e seus aliados esquerdistas tomaram a representação política e se legitimaram enquanto donos do Estado? Em que consiste essa representação? Quais são as suas idéias fundamentais e em que elas colidem com as “boas” idéias políticas?
Na verdade o imaginário socialista e comunista começou a tomar conta das mentes no Brasil muito antes do PT, pela ação do Movimento Comunista Internacional e pela Internacional Socialista, sua ramificação mais branda. Inicialmente essa gente controlou os meios de comunicação e, ato seguinte, fez-se senhora das universidades. Esse processo iniciou-se na primeira metade do século XX, já antes da Intentona Comunista, sendo notável que grandes escritores brasileiros foram militantes da causa, como Mario de Andrade e Graciliano Ramos, bem como o escritor menor e grande divulgador do comunismo, Jorge Amado. Mas foi nos anos Setenta, com a inexplicável omissão dos governos militares, que essa gente tomou de assalto o ensino público, em todos os níveis.
O movimento de redemocratização deu-lhe o palanque que precisavam e a nova Constituição de 1988 já será um produto de sua loucura. Daí para Lula chegar ao poder precisou apenas do um governo preparatório presidido por FHC, cujo partido em essência é um aliado ideológico e um sócio no processo político, servindo como dique contra qualquer tentativa de reação das forças conservadoras.
O PSDB é o escudo á direita do movimento comunista brasileiro. Gente como o próprio FHC e José Serra poderiam perfeitamente estar no PT sem necessitar de qualquer adaptação ideológica, vez que concordam em tudo e por tudo com o essencial deste partido, divergindo apenas do tom demagógico e populista que o PT usa sem qualquer freio.
Então o PT passou a representar a sociedade brasileira a partir do momento em que teve acesso à formação da juventude e ao aparelho de Estado, no qual entrou como um vírus que usa o organismo sadio como hospedeiro e de lá não mais saiu. Os eleitores do PT de fato se reconhecem naqueles a quem elegem, pois estão enganados desde o berço. Por isso que o PT é ilegítimo, porque é filho da mentira calculada, da dupla linguagem que usa, uma para o grande público, outra para sua própria elite partidária. É fruto também da dupla moral oportunística, que apregoa as virtudes tradicionais tão caras às gentes brasileiras e pratica efetivamente o seu contrário no exercício do poder. Vimos às escâncaras esse fato por ocasião dos numerosos escândalos, principalmente durante a CPI do “mensalão”.
Sua representação, no nível mais essencial, é falsa, pois que produto da mentira maquinada por décadas de propaganda enganosa. Essa é uma das falhas essenciais da equação petista, a Matrix que não tem como evitar a própria destruição, o próprio colapso.
As idéias-chaves do petismo
Três são as idéias-chaves que sustentam o discurso petista e lhe dão a unidade:
1 — A denúncia do capitalismo como uma ordem econômica supostamente injusta e maligna que precisa ser substituída pelo reino da justiça comunista. Essa idéia esconde o fato real de que a economia capitalista é a forma natural de organização da sociedade humana, forjada ao longo de milênios e que encontrou no meio cristão o ambiente propício para a sua realização na história. Esconde também que essa economia natural está em consonância com a verdade da alma e permite cumprir o que está na Escrituras. A tradição cristã aceita como um dado da vida a lei da escassez e constrói a sua ética a partir dela, afirmando que cada um deve ganhar o pão com o suor do seu rosto. Os incapazes de sobreviver no sistema são objeto da caridade privada, característica eminente de toda a tradição judaico-cristã. O credo petista nega tudo isso e propõe a substituição do livre mercado pelo Estado, ente supostamente capaz de instituir uma esdrúxula “justiça social”. A idéia do Estado Total que pode mediar e remediar toda a vida privada, exorbitando nas leis e na sua aplicação. Fora do Estado não há salvação para a ideologia petista, ele é posto como a alternativa à ordem natural do capitalismo, o que foi feito pelo comunismo desde sempre.
2 — A denúncia dos capitalistas, suposta a classe dominante, e a pregação contínua da luta de classes até o limite da histeria, como vemos nas cenas freqüentes das catarses públicas de ódio explícito, seja dos movimentos sindicais, seja dos movimentos sociais, como o MST. Aqui se faz a satanização dos indivíduos por sua condição social. De novo, a pregação da igualdade utópica, ignorando que os indivíduos têm características diferentes e talentos diferentes, que não podem ser homogeneizados de forma alguma. Toda a máquina de propaganda foi posta em movimento para tornar verdade auto-evidente que alguém, se for economicamente bem sucedido na vida, pratica atos imorais, ainda que eventualmente lícitos. Sinais de riqueza adquirida honestamente no mercado passaram a ser tratados como uma forma de traição social. De roubo puro e simples. O irônico é que a própria elite econômica assumiu o complexo de culpa por ter riqueza. Ela própria se engaja nos movimentos sociais e financia as ONGs dos que geraram essa propaganda enganosa. A burguesia brasileira tem financiado continuamente aqueles que serão seus algozes, seja no sentido figurado, seja no sentido literal. É claro que a burguesia há muito deixou de ser classe dominante, tornando-se refém da burocracia estatal controlada pelos agentes do PT. Essa gente é chantagedada todos os dias, espoliada de suas riquezas, paga os impostos absurdos e ainda paga as campanhas políticas e o “arrego” (vide o filme Tropa de Elite) dos esbirros partidários. Ainda assim, como vimos no caso recente da Cisco, a burguesia ainda pode ser perseguida judicialmente pelo crime de dar dinheiro a seus algozes, ainda que dentro das formalidades da lei. A verdadeira classe dominante é a burocracia partidária instalada na burocracia do Estado.
3 — A pregação supostamente libertária dos novos costumes que nega a moral natural seguida por milênios. Então causas nefandas como o abortismo, o gaysismo, o feminismo, a visão de que os criminosos não são criminosos (exceto sonegadores de impostos burgueses), mas vítimas do capitalismo, a defesa de todas as aberrações comportamentais e supostamente religiosas, ao lado da perseguição das religiões tradicionais, especialmente da Católica, completam a confusão geral. A bandeira da liberação das drogas é partilhada com a tolerância crescente com o consumo e com o tráfico das mesmas. A imprensa noticiou fartamente que dinheiro de traficantes das FARC supostamente financiou a eleição de Lula. Os indivíduos isolados, em meio a esse ruído contra-cultural, ficam indefesos e não têm como ter critério próprio de julgamento diante das aberrações, restando-lhes exclusivamente a luz natural da razão e da moral como guia. Gente fraca sucumbe imediatamente. E aquilo que sempre foi tratado como nefando passa a ser defendido como moral superior consagrada pelo sistema jurídico.
A seita petista — verdadeiro cerne da burocracia partidária instalada na burocracia do Estado — tornada classe dominante
Essas principais idéias-chaves listadas acima resumem o credo gnóstico que deixa implícito o que os gnósticos de todos os tempos sempre defenderam: viva o aqui e agora, os vícios são virtudes, a salvação é nesse mundo, não existe nada no Além, Deus é o Papai-Noel dos adultos e por aí. É o epicurismo redivivo. Esse é o PT, o petismo, o Mal em ação.
Diante dessa realidade, só me resta fazer minhas as palavra de Voegelin em seu monumental livro A Nova Ciência da Política:
“Isso significa, concretamente, que um governo tem o dever de preservar a ordem, bem como a verdade que ele representa; quando surge um líder gnóstico proclamando que Deus ou o progresso, a raça ou a dialética determinou que ele se tornasse o soberano existencial, o governo não deve trair a confiança nele depositada. Não ficam excluídos dessa regra os governos que funcionam com base numa constituição democrática e no respeito aos direitos individuais. Jackson, Juiz da Corte Suprema dos Estados Unidos, ao pronunciar a opinião contrária no caso Terminiello, afirmou que a Constituição não é um pacto de suicídio. Um governo democrático não se deve transformar em cúmplice de sua própria derrubada, permitindo que movimentos gnósticos cresçam prodigiosamente à sombra de uma interpretação errônea dos direitos civis; e, se por inadvertência um movimento desse gênero houver atingido o ponto crítico de captura da representação existencial através da famosa ‘legalidade’ das eleições populares, um governo democrático não se deve curvar à ‘vontade do povo’ e sim sufocar o perigo pela força e, se necessário, romper a letra da constituição a fim de preservar seu espírito”.
_______________________________________________________________________________
O SURGIMENTO DO IMPÉRIO NEOCOMUNISTA *
Atila S. Guimarães
Resenha do livro de Toby Westerman:
Mentiras, Terror e o Surgimento do Império Neocomunista – Origens e Direção (Bloomington, IN: AutorHouse, 2009, 231pp.)

Os que não caíram na artimanha de que o comunismo morreu, vão encontrar neste livro uma valiosa ferramenta para apoiar sua posição. Os que ingenuamente acreditaram no mito de que João Paulo II e Ronald Reagan derrotaram o comunismo dando prestígio e dinheiro a Lech Walesa, vão encontrar neste livro clara comprovação de que o comunismo nunca morreu, só mudou seu rosto para avançar mais.
Baseado em notável quantidade de informações confidenciais retiradas de seus arquivos, como expert em política internacional Toby Westerman oferece aos seus leitores um amplo mapa da atividade comunista contemporânea. Isto é apresentado em estilo atraente, que torna a leitura desse grave tema como se fosse uma novela policial.
A “nova” face do comunismo russo
Westerman começa descrevendo como a atuante rede de espionagem comunista era forte – ironicamente, ao mesmo tempo em que Boris Yeltsin pronunciava seu dramático discurso diante do Congresso dos Estados Unidos (17 de junho de 1992), assegurando ao mundo que o comunismo estava morto e que a Rússia havia adotado os princípios sócio-econômicos do Ocidente moderno. O Autor especifica que enquanto Yeltsin nos garantia que “a liberdade não seria enganada”, em torno de 700.000 espiões comunistas trabalhavam no mundo todo para continuar a expansão de suas idéias.
De fato, muitos símbolos antigos do comunismo foram abandonados e muitas instituições foram fechadas. Sem embargo, isto se deu não tanto porque seus líderes haviam mudado de ideologia, mas porque essas instituições estavam obsoletas e o povo já não seguia seus chefes. Se bem que esse fracasso geral deu a aparência de uma mudança nas idéias, o Autor sustenta que, na realidade, isso se passou para convidar os capitalistas para entrarem na Rússia e restaurarem sua economia. Desde então, operou-se um forte aumento dos investimentos ocidentais que ingressaram na falida economia comunista e lhe deram nova vida.
No entanto, oito anos mais tarde, como o desastre econômico começou a ser resolvido, Vladímir Putin ganhou as eleições (março de 2000) e começou novamente a construir e reinstalar as instituições comunistas que haviam sido abandonadas. Ex-agente do KGB, Putin trabalha para restaurar a infame agência. O mesmo pessoal, os mesmos métodos — espionagem, perseguição, assassinatos — continuam sendo aplicados contra aqueles que de alguma maneira ameaçam o regime. De maneira significativa — e Westerman o documenta muito bem — Putin também anseia pelo retorno da URSS.
No fundo, o Ocidente é o facilitador para que o comunismo continue. É o que ainda hoje acontece. O comunismo continua, mas com sua face metamorfoseada. O que há de novo nessa face? Em cada parte do mundo assume características peculiares. Na Rússia, abandonou o estilo comunista stalinista para retornar aos métodos de Lênin.
Muitas pessoas hoje em dia esqueceram que depois do golpe bolchevique de 1917 o comunismo fracassou em sua gestão do Estado. Então Lênin introduziu sua Nova Política Econômica (NPE), que permitiu em alguma medida a propriedade privada. A adoção dessa política — apoiada por importante segmento dos meios de comunicação capitalistas — convenceu o Ocidente de que o comunismo havia fracassado e que, portanto, o melhor a fazer seria ajudar Lênin a reparar os danos. Bem sabemos como essa estratégia serviu para sustentar o comunismo. Westerman argumenta que a mesma tática de mudança de face foi usada mais tarde, depois da queda da Cortina de Ferro.
Pontos não negligenciados: a Rússia nunca deixou de apoiar as redes do terror que operam a partir do Irã, Síria, ou Venezuela; nunca deixou de reforçar os vínculos com os déspotas de estilo soviético do Casaquistão, Kirguistão, Uzbequistão, Turquimenistão, Tadjiquistão, Coréia do Norte e Cuba; nunca deixou de pressionar a Ucrânia e a Geórgia para retornarem ao seu âmbito de influência. Isto só para mencionar alguns poucos fatos dentre os citados pelo Autor em seu livro, e que são normalmente silenciados pelos meios de comunicação.
O “novo” comunismo com características chinesas
Depois de analisar o “novo” rosto do comunismo na Rússia, Westerman passa a tratar da China. Em primeiro lugar, demonstra que carece de substância o velho mito de que a Rússia e a China são adversárias. Em seguida analisa o novo boom econômico chinês, aberto ao livre mercado, propiciado por Nixon. Na realidade, hoje em dia o mercado na China está controlado pelo governo, e seu êxito se deve à combinação de três fatores:
1. Uma constante injeção de dinheiro;
2. A introdução de sofisticadas tecnologias do Ocidente;
3. Uma enorme força de trabalho escravo interna.
Também demonstra como o Ocidente é ingênuo ao acreditar que a economia de livre mercado necessariamente derrotará o comunismo na China. O Autor demonstra que precisamente o oposto é que é verdadeiro. O Ocidente está proporcionando à China os meios para converter-se em um gigante que já está ameaçando econômica e militarmente os Estados Unidos.
Como responderam os Estados Unidos a esta ameaça? A administração Bush decidiu que para equilibrar o rápido crescimento da China, os Estados Unidos deveriam canalizar assistência econômica para os comunistas do Vietnã e oferecer-lhes prioridades comerciais...
O comunismo avança por meio de eleições na América Latina
O Autor mostra que o novo objetivo do comunismo é implantar governos vermelhos através de eleições democráticas. Este é a nova face do comunismo na América Latina. Analisa em detalhe o caso da Venezuela e mostra como Hugo Chávez promove o comunismo sob o nome de Revolução Bolivariana.
Também assinala os vínculos entre Chávez e as guerrilhas colombianas Farc, e como Chávez ajudou Rafael Correa a ser eleito presidente do Equador. Além de tratar do caso Chávez, menciona outros presidentes vermelhos que chegaram ao poder através de eleições: Evo Morales na Bolívia, Cristina Kirchner na Argentina, Luis Inácio Lula da Silva no Brasil, Tabaré Vasquez no Uruguai.

Westerman também chama a atenção para as relações cordiais ou tratados econômicos e militares de Chávez com a Rússia, China, Cuba, Nicarágua, Coréia do Norte, Síria e Irã. Isto é parte do novo império ao qual se refere no título de seu livro.
O autor também se ocupa em destacar o perigo que Cuba representa para os Estados Unidos e fundamenta suas palavras com interessante informação sobre a atividade de espionagem realizada pela ilha comunista para infiltrar-se nos EUA. Ao concluir sua análise da “Tormenta Vermelha Latino-Americana”, coloca sua atenção sobre a eleição do marxista Daniel Ortega na Nicarágua.
Islã e terrorismo
Um breve capítulo é dedicado a verificar a continuidade histórica da oposição militante islâmica contra o Ocidente e seu milenar ressentimento contra as Cruzadas. Esta rápida descrição pretende preencher o vazio que se fez sobre este tema nos meios de comunicação, livros e ambientes acadêmicos. Também faz uma rápida e indireta vinculação entre o terrorismo atual e o comunismo.
A esquerda norte-americana e a mídia
Todas as diversas frentes do comunismo atual têm um inimigo comum: os Estados Unidos como representante do capitalismo. Elas têm uma forte aliança com a esquerda norte-americana. Se bem que o Partido Comunista tem uma pequena influência na vida política desse país, não se pode dizer o mesmo com relação à influência dos meios de comunicação e da esquerda política. No que concerne à mída, Westerman reproduz documentação histórica que mostra como ela apoiou Lênin na Rússia, Mao na China e Castro em Cuba. Encontramos sempre a mesma cumplicidade com o mais perigoso inimigo norte-americano, o comunismo. Com respeito à esquerda, uma forte influência política foi dada aos comunistas desde o final do governo de Franklin D. Roosevelt. De fato, vários dos mais influentes membros de seu gabinete eram espiões de Moscou. Desde então, o broto vermelho lançou raízes cada vez mais profundas na política norte-americana.

Para fomentar o comunismo nos EUA, um importante papel foi desempenhado pelas estrelas de cinema e produtores de Hollywood que promoveram heróis antiamericanos como Che ou anti-heróis como o casal Rosenberg — condenado à morte por vender segredos atômicos para a URSS.
O autor aponta a “reabilitação” do infame casal como grave sintoma da debilidade no senso de autodefesa norte-americano.
Tampouco subestima o enorme esforço antibelicista dos ambientes acadêmicos e movimentos pacifistas impulsionados pela mídia esquerdista que tem por objetivo desalentar as tropas que estão sacrificando suas vidas para salvar o país combatendo o terrorismo. A poderosa coalizão de norte-americanos que promovem sentimentos contrários ao seu próprio país não é apenas algo contraditório e vergonhoso, como também é muito perigoso.
A plataforma pacifista norte-americana também é promovida pelos novos líderes comunistas mencionados anteriormente. Um exemplo simbólico: Hugo Chávez recebeu a celebridade antibelicista Cindy Sheeman com todas as honras em seu palácio de governo. Depois posou para as câmeras abraçando Cindy e Elma Rosado, a viúva do líder terrorista de Porto Rico, Ojeda Rios. Ojeda foi morto em 2005 por agentes norte-americanos depois de um milionário assalto bancário e de destruir onze aviões de combate da Guarda Nacional Aérea em Porto Rico. Chávez e as duas mulheres se abraçaram no transcorrer da realização do Foro Mundial Social reunido em Caracas. O terrorismo e o pacifismo se entrelaçaram no abraço de Hugo Chávez, um gesto que fala por si mesmo...
Westerman termina sua obra com um apelo aos norte-americanos para que tomem consciência do que escondem os meios de comunicação. Também os convida a tomar medidas para deter o inimigo central denunciado em seu livro: os cúmplices norte-americanos do comunismo.
Seu livro proporciona um amplo e abrangente panorama, como também muitos fatos e fontes que vale a pena conhecer, e perspectivas históricas que ajudam a compreender a situação atual.[1]
___________________________________________________________________________
NOTAS:
[1] O livro Lies, Terror and the Rise of the Neo-Communist Empire pode ser comprado em International News Analysis.
______________________________________________________________________

* Artigo publicado no site católico norte-americano Tradition in Action sob o título The Rise of the Neo-Communist Empire.
_________________________________________________________________________________
NEM A BÍBLIA ESCAPA!

Klauber Cristofen Pires
Venho denunciar um fato gravíssimo. Minha esposa adquiriu uma Bíblia nova (a nossa estava meio velhinha), e o que encontramos? A Teologia da Libertação apoderando-se da palavra de Deus para pregar Karl Marx!
Trata-se da Bíblia Sagrada — Edição Pastoral, 70ª edição, editora Paulus. O exemplar é idêntico ao da foto ao lado, pelo preço aproximado de R$ 16,00. Apesar de se tratar de uma edição razoavelmente bem acabada — possui notas de referências e mapas, o que a torna interessante — os livros bíblicos são precedidos por introduções que manifestam claramente o caráter marxista da TL.
Vejam o que está escrito na introdução ao Evangelho Segundo São Marcos, à página 1221:
Toda a atividade de Jesus é o anúncio e a concretização da vinda do Reino de Deus (Mc 1,15). E isso se manifesta pela transformação radical das relações humanas: o poder é substituído pelo serviço (campo político), o comércio pela partilha (campo econômico), a alienação pela capacidade de ver e ouvir a realidade (campo ideológico). Trata-se de proposta alternativa de sociedade, que leva ao nivelamento fraterno das pessoas.
Agora vamos dar uma olhada na introdução ao Evangelho Segundo São Lucas, à página 1248:
O caminho de Jesus inicia o processo de libertação na história, e por isso realiza nova história: a história dos pobres e oprimidos que são libertos para usufruírem a vida dentro de novas relações entre os homens. O programa de ação libertadora de Jesus é apresentado no seu discurso na Sinagoga de Nazaré (4,16-22). Por essa razão, o caminho provoca confronto, choque com aqueles que julgam a história como já realizada e querem manter o sistema organizado. Tal sistema, porém, mostra apenas a história tal como é contada pelos ricos e poderosos, que exploram e oprimem o povo, reduzindo-o à miséria e fraqueza. O caminho de Jesus força a revisão dessa história, e começa a contar a história a ser construída pelos pobres (1,46-55; 1,67-79). [grifos dos editores]
(...) O caminho de Jesus é, portanto, a pedagogia que ensina a fazer a história dos pobres que buscam um mundo mais justo e mais humano. Com efeito, Jesus traz o projeto para uma ordem nova, a libertação que leva os homens à relação de partilha e fraternidade, substituindo as relações de exploração e dominação.
Bom, só por amostragem já deu para perceberem a deturpação e a subjugação do ensinamento cristão à doutrina marxista. Eu não sou um doutor dos textos sagrados, mas tenho que Jesus jamais afirmou qualquer coisa contra o sistema econômico vigente. Pelo contrário, ele disse: "No meio de vocês sempre haverá pobres; ao passo que eu não estarei sempre com vocês." (João, 12, 8); bem como aceitou ser recebido pelo cobrador de impostos Zaqueu, e ainda mais, ensinou a um soldado romano a não reclamar do seu salário!

"Campo político"? Quando que Jesus fez política? Aqui recorro à autoridade de quem entende de Política: Lula! Não foi ele quem disse recentemente que, se Jesus se metesse com a política, teria feito alianças? Arre! Os editores querem distorcer a idéia da solicitude, do amparo e da caridade para tratar da dialética marxista das "relações", à luz do método Paulo Freire, para construir uma sociedade materialmente igualitária, isto é, sem classes sociais.
Em João, então? Com quem os editores confundem Jesus? Com Lênin, Stalin ou Hitler? Pois o novo homem há de nascer da sua proposta de uma nova história (agora os grifos são meus), fruto da revolução (confronto, choque) que "libertará" os homens pobres (a luta de classes e a vitória do proletariado), substituindo as relações de "exploração e dominação", conforme, aliás, o que prega o determinismo histórico barbudão.
O atual Papa Bento XVI já se manifestou contrário à Teologia da Libertação [1] e ao Socialismo, razão pela qual deveria ter conhecimento desta obra eivada de infiltrações maliciosas. Tenho que os cristãos conservadores devem tomar alguma atitude com respeito a isto.
_________
Nota de Sacralidade:
[1] A edição dessa Bíblia Sagrada — Edição Pastoral recebeu o Imprimatur de D. Luciano Mendes de Almeida, Presidente da CNBB, concedido em Brasília, em 26 de novembro de 1991, de acordo com o Cân. 825 do Código de Direito Canônico. Não obstante, a Teologia da Libertação foi condenada pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, hoje Bento XVI. Também João Paulo II manifestou-se contrário à Teologia da Libertação em sua Alocução de Puebla:
“Circulam hoje em muito lugares — o fenômeno não é novo — ‘releituras’ do Evangelho, resultado de especulações teóricas mais do que de autêntica meditação da palavra de Deus e de um verdadeiro compromisso evangélico. Elas causam confusão ao se apartarem dos critérios centrais da Fé da Igreja, caindo-se ademais na temeridade de comunicá-las, à maneira de catequese, às comunidades cristãs.
Em alguns casos, ou se silencia a divindade de Cristo, ou se incorre de fato em formas de interpretação conflitantes com a Fé da Igreja. Cristo seria apenas um ‘profeta’, um anunciador do Reino e do amor de Deus, nem seria portanto o centro e o objeto da própria mensagem evangélica.
Em outros casos se pretende mostrar a Jesus como comprometido politicamente, como um lutador contra a dominação romana e contra os poderes e, inclusive, como implicado na luta de classes. Esta concepção de Cristo como político, revolucionário, como o subversivo de Nazaré, não se compagina com a catequese da Igreja. Confundindo o pretexto insidioso dos acusadores de Jesus com a atitude de Jesus mesmo — bem diversa — se aduz como causa de sua morte o desenlace de um conflito político e se silencia a vontade de entrega do Senhor, e ainda a consciência de sua missão redentora” (Insegnamenti di Giovanni Paolo II, Libreria Editrice Vaticana, vol. II, 1979, pp. 192-193).

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Infelizmente, devido ao alto grau de estupidez, hostilidade e de ignorância de tantos "comentaristas" (e nossa falta de tempo para refutar tantas imbecilidades), os comentários estão temporariamente suspensos.

Contribuições positivas com boas informações via formulário serão benvindas!

Regras para postagem de comentários:
-
1) Comentários com conteúdo e linguagem ofensivos não serão postados.
-
2) Polêmicas desnecessárias, soberba desmedida e extremos de ignorância serão solenemente ignorados.
-
3) Ataque a mensagem, não o mensageiro - utilize argumentos lógicos (observe o item 1 acima).
-
4) Aguarde a moderação quando houver (pode demorar dias ou semanas). Não espere uma resposta imediata.
-
5) Seu comentário pode ser apagado discricionariamente a qualquer momento.
-
6) Lembre-se da Caridade ao postar comentários.
-
7) Grato por sua visita!

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Gadget

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

Pesquisar: