quinta-feira, 1 de abril de 2010

Espiritualidade Passionista: a Paixão de Cristo nos ensina a caridade.


Espiritualidade Passionista.

Foi na família, que Paulo aprendeu o amor a Jesus Crucificado e aos crucificados. No seu lar, onde a fé tudo permitia superar, a mãe de Paulo adquire uma importância muito especial no seu crescimento religioso e espiritual. Ela tinha uma terna e profunda devoção a Cristo sofredor e crucificado, devoção que procurou infundir nos seus filhos. E assim, quando alguém tinha que sofrer ou alguma coisa não lhe agradava, tomava o Crucifixo e dizia-lhe: “Olha, filho, quanto sofreu Jesus por ti!”.

A semente lançada transformou a vida e a espiritualidade de Paulo. Será Paulo que mais tarde afirmará: “Para fazer oração basta tomar um crucifixo nas mãos”.
A Paixão de Jesus será a força motriz que orientará toda a vida espiritual de Paulo e dos seus seguidores, a Família Passionista.

Os Passionistas comprometem-se, através de um voto especial, a promover a Memória da Paixão de Cristo (Memória Passionis) com a palavra e com a própria vida. Procuram fazê-lo, sobretudo, com a pregação e com a sua presença junto dos pobres e dos marginalizados por qualquer razão, os "crucificados" de hoje.

Cristo Crucificado

A grande inspiração de Paulo da Cruz, que é a única força motora que lhe teceu e configurou a fisionomia, foi o lema: PREGAR AO MUNDO JESUS CRUCIFICADO. A vida dele, as suas pregações, os seus escritos aparecem impregnados do amor a Cristo Crucificado e de ânsias por atrair as pessoas aos pés do Crucifixo.

A espiritualidade específica da Família Passionista é a conformidade a Cristo Crucificado, ou seja, “eu vivo, mas já não sou eu, é Cristo que vive em” (cf. Gl 2,20), conforme o ensinamento do Fundador, que falava: “na Paixão de Jesus Cristo está tudo”; “esse é o caminho mais breve para se chegar à perfeição”; “no mar da Paixão de Cristo se recolhem às pérolas das virtudes”; “a meditação da Paixão de Jesus Cristo constitui o verdadeiro tesouro de que nos fala o Evangelho (Mt 13-14)”; “na meditação da Paixão de Cristo está à escola das virtudes, o alento nos trabalhos, a consolação nas aflições, o incentivo para todo o heroísmo, o bálsamo para todas as virtudes, o alimento da sólida devoção, o forno do divino amor”.

Os Passionistas fazem voto de viver e anunciar esta espiritualidade, em conformidade com o registrado nas suas Constituições: “Por este voto nos empenhamos em viver e promover a memória da Paixão de Cristo por palavras e obras, para aumentar, assim, a consciência do seu significado e valor para cada homem e para a vida do mundo. Por este vínculo, a Congregação toma o seu lugar na Igreja e se consagra plenamente à sua missão. À luz deste vínculo vivemos os conselhos evangélicos e procuramos realizar este voto na vida diária” (Constituições, 1984, n. 6).

Fazer memória da Paixão de Jesus
Paulo da Cruz apresenta a Congregação Passionista, como desejada por Deus, para suscitar na Igreja o despertar da Memória da Paixão de Jesus e assegurar a renovação da vida cristã. “Esquecer a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus é privar o cristão daquilo que dá sentido à sua vida e também daquilo que deve marcar o estilo do seu viver”.
Para Paulo da Cruz, “fazer memória” significa ver, na morte, a Páscoa. Não colocar a Páscoa depois da morte como que separadas ou aparecendo uma após a outra, sucessivamente. Não se deve entender a morte como algo superado pela Páscoa. Por outras palavras: a Páscoa não é a superação da morte, a Páscoa não deixa a morte "para trás" como algo superado, mas é a revelação, a manifestação da morte. Páscoa é descobrir a Vida que está no interior da morte.

Descobrir na morte a Páscoa, como plenitude de Vida, como Vida definitivamente instalada na existência. Descobrir na plenitude da morte a plenitude da Vida. Algo assim como na Primavera: abrem-se os botões e entregam a vida.

A Vida é o que de melhor alguém pode dar a seu semelhante. Quando alguém é capaz de dar a vida por seus semelhantes, é sinal de que vive em plenitude. Assim que, saber ler tudo isso na morte de Jesus, é descobrir a vida pascal. O Crucificado, com efeito, é o Ressuscitado. Daí que “fazer memória” da morte de Jesus é aproximar-se da Cruz com um olhar contemplativo, que é o da fé e o do coração. Da fé: só com ele, penetra-se no sentido mesmo do mistério da morte que contém a Vida. Do coração: é o olhar que tem a capacidade de deixar-se “tocar”.

Na prática, fazer memória é identificar-se com Cristo e com Cristo Crucificado. Fazer memória da Paixão de Jesus significa manifestar dinamicamente, com o nosso agir diário, que acreditamos no mistério do Amor, da entrega do Filho de Deus pela salvação do homem, e porque acreditamos na sua obra salvífica e sabemos que permanece vivo na Sua Igreja, recordando-O, fazendo d'Ele memória, procuramos ser hoje como Ele foi outrora.

Assim, “fazer memória” da Paixão de Jesus leva-nos a assumir as atitudes de Jesus, numa tentativa constante de “responder, como Jesus, às novas situações e circunstâncias do mundo que nos rodeia, a partir de uma íntima vivência de Deus”.

Paulo da Cruz, sugere um método fácil e eficaz de meditar sobre a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo: “Aos pobres camponeses que não podem fazer longas meditações, os Religiosos Passionistas ensinarão o modo de fazer, durante o dia, breves afetos ou jaculatórias a Jesus que padece, segundo as circunstâncias, sugerindo-lhes um método fácil, simples e devoto, animando-os a que façam tudo por amor e em memória do que Jesus fez e sofreu por nosso amor”.

Há, portanto, um primeiro caminho a percorrer por quem deseje iniciar-se na meditação sobre a Paixão de Jesus Cristo: fazer, durante o dia, breves afetos por meio de orações, chamadas jaculatórias. Criar-se-á um ambiente propício para uma frutuosa meditação sobre a Paixão de Jesus.

Os Missionários Passionistas, segundo estas medicações, incentivaram, ao longo dos tempos, esta prática simples de meditar sobre a Paixão do Senhor. As jaculatórias mais freqüentes, por eles ensinadas, são:

· Ao nome de Jesus todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra e toda língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para a Glória de Deus Pai. Amém;
· A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja sempre gravada nos nossos corações;
· Senhor, eu vos agradeço por terdes morrido na Cruz por meu amor. Meu Jesus Misericórdia;
· Bendita seja à hora ó Maria em que Jesus morreu na Cruz por nós. Meus Jesus na última hora lembrai-vos de nós;
· Em meu peito e minha mente, imprimi Mãe dolorosa, as chagas de Jesus Crucificado.
· Eterno Pai, eu Vos ofereço o Sangue Preciosíssimo de Jesus Cristo, em expiação dos meus pecados, em sufrágio das almas do Purgatório e pelas necessidades da Santa Igreja".

Ultrapassada esta etapa dos simples afetos e jaculatórias, vem o estudo e a meditação das virtudes de Jesus Cristo na Sua Paixão. Para S. Paulo da Cruz, meditar a Paixão de Jesus “não é um ato de pura inteligência, de imaginação ou de simples afetos. É alguma coisa que abrange toda a pessoa, orientando-a para a Pessoa Divina de Jesus com alegre gratidão, impelindo-a a 'praticar os Seus divinos costumes'; a 'copiar em si' as virtudes do modelo divino - Cristo Jesus - e a viver do Seu Santo Espírito”. Meditar sobre a Paixão de Jesus deve, portanto, levar-nos à identificação com Cristo.

Em todos os acontecimentos da Igreja está presente a Virgem Maria. Sua maternal proteção bem aparece na vida e na obra de São Paulo da Cruz, diversas vezes recebeu dela mensagens em torno da fundação da Congregação. Absorto em profunda oração, “viu-a revestida de preto, tendo no peito um coração com a cruz, os cravos e as palavras Paixão de Jesus Cristo; ao mesmo tempo lhe sugeriu: ‘Este é o traje e distintivo do Instituto que hás de fundar, destinado a propagar no mundo a memória de quanto sofreu meu filho para salvá-lo’”.

Maria Santíssima na Espiritualidade Passionista

Paulo venerava Maria Santíssima especialmente sob o título “das Dores”, por ter ela reproduzido em seu imaculado coração todas as chagas e martírios de seu bendito Filho. A vida de Maria Santíssima foi uma dolorosa caminhada em direção ao Calvário. Mas, assistindo à agonia de Jesus, perfez com ele uma só vitima, imolada no mesmo altar da Cruz para a redenção da humanidade. No auge de seu martírio, na hora da mais angustiante desolação, Jesus lhe entregou o discípulo amado que representava todos os redimidos, dizendo-lhe: “Eis aí o teu filho!”. E a João disse: “Eis aí a tua Mãe!”. E o discípulo a recebeu em sua casa. Assim Paulo da Cruz acolheu a Virgem Maria em toda extensão de sua vida, por meio de uma sincera e filial devoção.

O 38º Capítulo Geral da Congregação, realizado em 1964, interpretando o sentimento tradicional Passionista, aclamou por unanimidade Nossa Senhora das Dores como principal padroeira da Congregação Passionista.

A celebração de Nossa Senhora das Dores oferece a todos os da família Passionistas a oportunidade de viver, com a Mãe das Dores uma participação mais profunda do mistério da Paixão de Cristo e assim reviver o espírito de São Paulo da Cruz que, tanto em sua pessoal espiritualidade como em seu apostolado, ou mesmo em suas cartas e pregações, venerou grandemente a Santíssima Virgem como associada à Paixão de seu Filho.

Nas Missões, meditando com os fiéis na Paixão de Jesus, fazia freqüentes referências às dores da Virgem Maria, excitando no auditório vivas emoções. Costumava dizer: “Lembremo-nos das dores da Mãe de Jesus que ela se há de lembrar de nós na hora de nossa morte”; “Do mar das dores de Maria chega-se ao oceano infinito do amor de Deus”. E recomendava: “Sempre que virmos à imagem de Jesus Crucificado, lembremo-nos de que, aos pés da Cruz, está a sua Mãe...”. Com a meditação terço, as Sete dores de Maria e jaculatórias.

Algumas Recomendações de São Paulo da Cruz


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No dia 19 desse mês, celebraremos a festa de São Paulo da Cruz, fundador da Congregação Passionista. Sua vida, seus escritos e seu testemunho continuam a falar forte, especialmente para nós que nos consagramos nessa família religiosa.

Neste artigo, quero lembrar alguns fragmentos de suas cartas, cujos temas nos ajudarão a rezar em preparação a sua festa, a saber:

Espírito e fim da Congregação:

“A intenção primeira que Deus me dá desta Congregação consiste em: observar com perfeição a lei de Deus, a perfeita observância dos santos conselhos evangélicos, o desprendimento total de todas as criaturas, manter o fervor da santa oração, zelar pela santa honra de Deus, promover nas almas o santo temor de Deus, destruir o pecado e praticar incansavelmente a santa caridade, para que o nosso Deus seja por todos amado, temido, servido e louvado pelos séculos dos séculos. Amém.” (prefácio das primeiras regras – 1720)“ ...sendo este o fim primeiro desta pobre Congregação, emite-se o 4º voto de promover nos corações dos fiéis, tanto nas missões como em outros exercícios, a devota memória da Santíssima Paixão de Jesus”.

Abandono em Deus:
“De tudo me despojarei com total abandono de mim mesmo em Deus, entregando-me inteiramente aos seus cuidados”.

Amor de Deus:
“Não buscarei nem amarei outra coisa senão Deus, porque somente nisto gozarei o Paraíso, da paz, do contentamento e do amor, e me armarei contra tudo quanto pode desviar-me Dele.”

Viver em Deus:
“Morrerei de todo para mim mesmo a fim de só viver para Deus, e de certo morrerei para Deus, porque sem Deus não posso viver. Que vida, que morte.”

Oração:
“Não passe um dia que não faças uma meia hora ou pelo menos um quarto de hora de oração mental sobre a dolorosa Paixão do Redentor.”

“E, se dizendo as orações vocais, se sentir atraído para a oração mental com profundo recolhimento, deixe-as e faça à mental. Depois continuará com as vocais. Dê-lhes o tempo conveniente. Recite-as sem pressa, com o Espírito de Deus.”

“Quando lhe vem aquele recolhimento, que nasce da presença de Deus, continue assim, sem fazer outra espécie de oração.”

“Quanto à oração, se ela faltar, cairá por terra todo o edifício espiritual.”

“Oração 24 horas por dia, isto é, fazer tudo com o coração e a mente elevada para Deus, permanecendo em solidão interior, repousando em Deus, em pura fé e santo amor.”

“Quanto à obscuridade e trevas que sentes na oração, não são sinais de que você está abandonado, mas é sinal de que Deus quer que sua oração seja toda em fé puríssima.”
“Esteja escondido no lado Santíssimo de Jesus e deixe a alma aprofundar-se toda naquele mar imenso de caridade.”

“Muitas vezes não fazemos a vontade de Deus, mas a nossa, porque não rezamos, não pedimos conselho e não fazemos a devida reflexão.”

Amor ao próximo:
“Seja caridoso com todos e, em particular, com aqueles aos quais tenha alguma antipatia: com os imperfeitos, os impacientes e os orgulhosos.”

“Senhor, eis o meu lucro, eis a minha paz, vencer-me retribuindo o mal com o bem, o ódio com o amor, o desprezo com a humildade e a impaciência com a paciência.”

“Quanto mais caridade eu tiver com o próximo, tanto mais Jesus a terá comigo. Nisto eu não me engano. A caridade arrebata o coração de Jesus. Com ela posso ser grande santo.”

Do Testamento Espiritual:
“Recomendo-vos, a prática daquela santíssima lembrança deixada por Jesus Cristo a seus discípulos: “Nisso conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros. Recomendo-vos também o espírito de oração, solidão e pobreza, e estejam bem certos de que se estas três coisas forem mantidas, a Congregação brilhará como sol diante de Deus e dos homens. Recomendo-vos um afeto filial para com a Santa Igreja e para com o Romano Pontífice, uma grande dedicação à salvação da humanidade, promovendo no coração de todos a devoção à Paixão de Jesus e às dores de Maria Santíssima.”

A festa da Cruz:
“Por isso quero: que a tua alma se vista festivamente no meio dos sofrimentos, dores e contradições. Tu que és verdadeiro amigo do Crucificado, celebre sempre no templo interior a festa da cruz. Uma festa deve ser celebrada na alegria, por isso, os que amam o Crucificado irão à festa da cruz com rosto jovial e sereno”.

A Missão:
“É preciso propagar a Paixão de Cristo para que a humanidade aprenda a ciência do amor divino.”

“Desejo, porém beber em mares de fogo de amor. Eu quisera que nos abrasássemos em tal fogo de amor que chegássemos a incendiar quem passasse por nós, não só quem passasse por perto, mas também os povos distantes, as línguas, as nações, as tribos. Numa palavra, para que todos conhecessem e amassem o Sumo bem. Estuda bem isso, aos pés do Crucificado”.

“A messe é grande e os operários são poucos. Oh! Meu Deus doze homens verdadeiramente apostólicos que renunciassem a si mesmos e o mundo, que viessem para a nossa Congregação, seriam suficientes para levar o mundo inteiro ao reconhecimento do amor Crucificado”.
“No divino serviço deve-se caminhar, não com medo e tremor, mas com alegria e confiança em Deus.”

“Trabalhar com as mãos e com o coração tratar com Deus.”

Estas são algumas das muitas recomendações que São Paulo fez aos passionistas e às pessoas que ele dirigiu espiritualmente. Rezemos as suas palavras.

O Sofrer e a Graça Divina

Sempre perguntamos o porquê do sofrimento. Somos, por natureza, feitos para a felicidade, para sentir-nos bem, estar em harmonia com o cosmos e o ambiente mais próximo a nós. No entanto, temos intrinsecamente uma debilidade que acompanha-nos durante toda a vida, a qual poderíamos chamar de “culpa latente” – qual seja, a impressão que algo de errado acontecerá se, por muito tempo sentimos alegria ou estamos de “bem com a vida”, se temos um ânimo contente, satisfeitos com o que temos e o que somos. Já não ocorreu a você escutar alguém dizer: Ah! Tanta alegria hoje, tantas risadas... Verá amanhã que tristeza! Hoje o riso, amanhã o pranto...

Estas e outras afirmações semelhantes a respeito do dever de sofrer, como se não fosse permitido sentir e alimentar uma alegria sadia, advinda do equilíbrio psíquico no cotidiano.
E há os que buscam o sofrimento, quando se têm fé, vivem alimentando-se com modelos de orações que mais reforçam o mal e o seu sofrer, e os da humanidade, incapacitados estão de reconhecer e celebrar o bem, o bonito. Não têm em si uma experiência residual suficiente de amor, de auto valorização. Ninguém os amou verdadeiramente, desde o ventre materno foram desenvolvendo um modelo psíquico voltado ao negativo, ao pior que a vida pode oferecer. Então, passam seus anos reconhecendo em primeira mão o mal e o errado, o amargo das circunstâncias. Porque este modelo é o que conhecem, sua maneira de ser foi sendo plasmada a partir do mais difícil, conseqüentemente, as coisas passam a ser vistas desde seu ponto como impossíveis, distantes, chegando a sentir-se imerecedores de elogios e de experiências boas, amorosas.

O amor chama mais amor, o ódio chama mais ódio, pancadas e gritarias geram pessoas nervosas e revoltadas. A educação pautada na violência, seja ela de qualquer forma, até gritos e empurrões configuram-se gestos violentos, estes comportamentos só gerarão indivíduos inseguros e irritadiços.

Se observarmos bem, estes indivíduos são os que constantemente vêem catástrofes acontecendo, tem um olhar sombrio e triste, chamam para si doenças incuráveis, precisam sempre de médicos e até morrem prematuramente. Não chegam a desenvolver grandes projetos, não têm a capacidade do sonho, almejam fracamente suas metas e por isso nunca chegam a conquistá-las.

Para romper esta cadeia, faz-se necessário uma abertura do indivíduo para a vida e o que ela oferece. Não esperando coisas extraordinárias para alegrar-se, senão que reconhecer no pequeno e singelo, a vida como um dom, gratuita, simples, à espera de alguém capaz de vivê-la em sua plenitude, com abundância.

Ao viver uma experiência profunda de amor e de confiança, o ser humano torna-se capaz de reconhecer todo o bem que já recebeu, e conseguirá celebrar o que de bom possui, abrindo possibilidades para chegar a conquistar maiores e melhores coisas e o seu estado de espírito pode ganhar equilíbrio, seu ânimo estabelece uma linha de ação, sem tantos altos e baixos no humor.

No Novo Testamento, Jesus apresenta-se como uma pessoa amorosa, que vive a experiência específica de confiança com o Pai e faz dessa conversa uma extensão no dia a dia. Então encontra as pessoas e devolve-lhes o ânimo, a saúde perfeita, e elas, curadas, têm vontade de gritar de alegria, falam disso a todos que encontram. Louvam e agradecem aos céus e diretamente a Jesus, sua cura.


Tenho a impressão que falta-nos este tipo de comportamento, reconhecer nossas pequenas “curas” cotidianas, voltar-nos às possibilidades e criá-las, recriando a vida e detendo-nos menos no sofrer, no negativo e no temor das coisas que não deram certo. Atitudes que muitas vezes antecipam desgraças e mal estar que a vida, por si só, não nos regalaria. É nossa visão da vida capaz de gerar determinado comportamento em nós que atrai tempestades e problemas diversos.

Pensemos e sintamos verdadeiramente, desde nossas entranhas, que a vida é para ser vivida em plenitude. Jesus falou-nos em Jo 10,10: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância!”

Cristo padeceu tudo o que o ser humano poderia padecer e agora chama-nos a viver o amor, a alegria e o contentamento cristão, como seguidores de um Líder-Deus Ressuscitado!

A Graça divina oferece-nos a regeneração, a mudança de paradigma a cada dia, sendo preciso acentuar nossa visão prospectiva do viver. Agradecendo cada circunstância como nova, grávida de boas coisas, ainda que nosso jeito teimoso de chamar o negativo insista, devemos vencê-lo pela fé, pois a presença divina inunda tudo de eternidade. E esta mensagem devemos vivê-la, anunciá-la, e principalmente buscar formas de alcançar este grau de contentamento com nossa vida e as coisas que possuímos, sonhando o melhor e esperando o melhor. Se o sofrimento vier, vivamo-lo em companhia do Senhor crucificado, morto e ressuscitado por Amor, Jesus Cristo de Nazaré. Somente Ele pode curar nossas chagas e devolver-nos a vida plena, eterna. A vida que nunca mais terminará.

São Paulo da Cruz, Maria Madalena Frescobaldi, santos e santas passionistas deixaram-nos o exemplo de avançar tomados pela fé, transformando situações adversas e inconsistentes, acreditando teimosamente que o amor ao Crucificado Senhor é o remédio para todos os males que podem atingir-nos. Embebidos por esta idéia, traduzindo-a em gestos e palavras, que sofrimento nos poderá paralisar?! Com esta visão, saiamos para um abraço de paz ao mundo, tão carente de esperança e alegria! Ao contemplar irmãos e irmãs pesarosos que cruzam nosso caminho, anunciemos-lhes a alegria do Cristo Ressuscitado! “PAZ A VÓS, NÃO TENHAIS MEDO! SOU EU!” (Lc 24, 36-37) E antes de subir aos céus, a certeza nos é dada: “Eis que eu estou convosco, todos os dias, até a consumação dos séculos!” (Mt 28, 20).

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