domingo, 7 de março de 2010

Oração e Meditação: lições preciosas e modo de usar (parte II).



Jesus no SSmo. Sacramento permanece em oração contínua, contemplando sem cessar a glória de seu Pai e intercedendo por nós, a fim de nos ensinar que na oração está o segredo da vida interior, - que é necessário cuidar da raiz da árvore se quisermos colher bons frutos, - que a vida exterior, tão valiosa aos olhares do mundo, não passa de uma flor estéril se a caridade, que produz os frutos, não for alimentada.
Sede, portanto, contempladores de Jesus para conseguirdes êxito em vossas obras.
Os Apóstolos, lamentando o pouco tempo de que dispunham para rezar, ordenaram os diáconos, a fim de ajudá-los no ministério exterior. Cristo, durante a sua vida, furtava-se à multidão, retirava-se, escondia-se, para rezar e contemplar. Havemos nós então de levar uma vida puramente exterior? Possuímos por acaso mais riqueza de graças e forças mais sólidas para o bem do que os Apóstolos? E não nos deu Nosso Senhor o exemplo?
Ah! Toda piedade que não se nutre de oração, que não se recolhe no seu centro, em Jesus Cristo, a fim de reparar suas perdas e renovar a vida, estiola-se e morre.
E’ a vida de oração que constitui o valor de toda santidade, a raiz da caridade e do amor.
Contemplai Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento; está sempre a orar. E’ o grande suplicante da igreja, e obtém mais, por sua oração, do que todas as criaturas juntas. Jesus, porém, reza no aniquilamento. Quem vê ou percebe sua oração? Os apóstolos viam-n’O rezar sobre a terra, podiam ouvir os seus gemidos no jardim das Oliveiras. Aqui, entretanto, a sua oração é toda aniquilada, e é tanto mais poderosa quanto mais profundo é o seu estado de imolação. Comprimi a esponja, e ela deixará correr o líquido que contém; a compressão é necessária para que haja grande força de expansão. Eis porque Nosso Senhor se aniquila se reduz a nada, oprime-se, para que o seu amor se precipite com uma força infinita para o seu Pai Celeste.
A alma contemplativa reconhece em Jesus o seu modelo; não quer ser conhecida, recolhe-se, concentra-se, apraz-lhe estar sozinha.
Quantas almas, desprezadas pelo mundo, são, no entanto todo-poderosas, porque a sua oração se assemelha à de Jesus Hóstia!
“Oportet orare et nunquam deficare”
É NECESSÁRIO ORAR E NUNCA DEIXAR DE ORAR.
A oração, a oração contínua, ou melhor, o hábito da oração, é indispensável a todo cristão. É nos concedida a sua graça no Batismo, sendo o próprio Espírito Santo que nos faz clamar a Deus: Pai! Pai!
É um dom, uma graça, uma força de que todos gozam.
Nada podemos fazer de bom, nenhuma virtude podemos praticar sem a oração, que nos obtém a graça necessária.
A oração é o alicerce de todas as virtudes, e a própria fé, princípio da justiça, é o exercício da oração.
Eis porque o Profeta agradecia a Deus deixar-lhe, no meio de seus desfalecimentos, de suas tribulações e quedas, a faculdade de orar, e exclamava! “Bendito seja o Senhor Deus, que não me privou da oração e de sua misericórdia”.
É que ele compreendia a importância da oração, e que orar é possuir o Coração de Deus e a salvação da alma.
“Não sei rezar, dizem muitas almas, e se recebi no Batismo o dom da oração, dele não sei utilizar-me”.
Este pretexto encobre muita ilusão. A oração não é uma montanha a escalar; é coisa muito mais simples. Orai, por conseguinte, com a vossa graça do momento, vossa graça de estado; apresente-vos tal qual é, empregai os pequenos meios de que dispõem, as faculdades vossas como Nosso Senhor vo-las concedeu.
O orgulho nos quer persuadir de que somos nós que devemos rezar, e eis por que pensamos ser necessário empregar esforços extraordinários, como se a oração devesse proceder naturalmente de nosso espírito e de nosso coração. É o próprio Espírito Santo que deseja rezar em nós. Somos incapazes, por nós mesmos, mas o Espírito de Jesus Cristo, que habita em nós, quer ajudar nossa fraqueza e orar por seus gemidos inenarráveis. Deixemos, portanto este Espírito de Amor falar e rezar em nós; a oração que procede d’Ele é a verdadeira e boa oração do coração, que penetra os céus e tudo obtêm!
Fazer silêncio, destruir o obstáculo que impede o Espírito Santo de orar em nós, e nos unirmos à sua prece – eis o exercício e a virtude da oração.
O amor provém da intensidade da oração. Sede, pois, antes de tudo, uma alma de oração.
Aplicai-vos à meditação: é a bussola da vida e o alimento da virtude, é a educação da alma pela graça, pelo próprio Deus, é a palavra de ordem para o dia todo, e, cumprindo-a, sereis felizes. Não desanimeis na pratica deste exercício fundamental e não vos admireis se o demônio, nosso inimigo, o ataca tão violentamente.
É necessário meditar segundo as disposições do momento, que se tornam então a regra e o método de nossas ações. O êxito sobrenatural da meditação depende unicamente da graça de Deus e não de belas reflexões ou sentimentos de fervor. As faculdades devem trabalhar, de certo, mas como veículos da graça divina.
Ide, pois à oração como a criancinha pobre, e assim vos sentireis sempre bem. A oração é e deve ser o exercício humilde e confiante de nossa pobreza espiritual, e quanto mais pobre é a alma, tanto mais direito lhe cabe à caridade divina! Este pensamento tem sido a riqueza de grande número de almas sofredoras.
A oração, homenagem completa que tributamos a Deus de todo nosso ser com suas faculdades, deve começar pela oferta de nós mesmos à Majestade divina. É este o meio de alcançarmos o verdadeiro espírito de oração.
A nossa primeira atitude, portanto, ao iniciar a oração, que é uma visita de homenagem e de reconhecimento da grandeza de Deus e de nossa dependência, deve ser prostrarmo-nos interior e exteriormente, para fazer a Deus o dom de nós mesmos, de nossa alma, de nosso espírito, de nosso coração.
Esta homenagem há de ser profunda silenciosa; é o ato de adoração no aniquilamento.
Tal como se faz no céu, nada se diz e se diz tudo.
Faz-se mister, assim, antes de qualquer outra coisa, calar, adorar, e aniquilar-nos diante de Deus. Somente depois a alma entra na meditação propriamente dita que é um exercício de santificação de nossas faculdades, e no qual operam o espírito, o coração e a vontade.
A oração é a nossa santificação operada por Deus; deve produzir, portanto, a reforma dos costumes, como fim imediato, conclusão prática, fruto necessário. Não esqueçamos, nesta matéria, que "não são aqueles que dizem: Senhor, Senhor, que possuirão o reino dos céus, mas o que cumprem fielmente a vontade do Pai que está nos Céus".
Tende em vista primeiramente a virtude mais necessária ao vosso estado, à vossa pobreza; começai pela mais urgente, sem descuidar porém a prática fiel daquelas que constitúem vossa lei e dever essencial. Aliás, todas as virtudes são irmãs; uma só bem praticada, dominante, atrai as outras, facilitando-lhes a prática.
E, para a aquisição da virtude, o melhor método é trabalhar por amor, que se transforma então em paciência, desapego, obediência, pureza, doçura e humildade. O trabalho da alma se concentra em amar, fazer um ato de amor, destruir um obstáculo ao amor, dar um impulso ao amor e à união com Deus.
http://www.saopiov.org/

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