quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Maçonaria: o "caos calculado e controlado".


A MAÇONARIA E A REVOLUÇÃO DE 1789
Por Léon de Poncins
http://penademorteja.wordpress.com/2009/06/13/a-maconaria-na-revolucao-francesa/
Nenhum dos grandes historiadores clássicos da Revolução menciona o papel que nela desempenhou a Maçonaria. Isto, na verdade, é incompreensível: essa revolução é o maior acontecimento da historia, nos últimos 1800 anos, um acontecimento que alterou a face do mundo. Como pode a força oculta que nele exerceu um papel primordial, imenso, ficar, durante séculos, ignorada?
Alguns, muito raros, souberam a verdade e, por temor ou por interesse, conservaram-na sob silencio.
Outros, ainda mais raros, falaram: foram considerados visionários. Muitos dentre eles — refiro-me aos que eram sinceros — perceberam que as manifestações revolucionárias de 1789 não eram inteiramente espontâneas. Pressentiram um impulso secreto, sem lhe poder descobrir a origem.
Ora, na época atual, a Maçonaria reconhece abertamente a Revolução francesa como obra sua.
Na Câmara dos Deputados, na sessão de 1° de Julho de 1904, o Marques de Rosanbo pronunciou as seguintes palavras:
“A Maçonaria trabalhou em surdina, mas de uma maneira constante, para preparar a Revolução.”
Junel — “Efetivamente orgulhamo-nos disto.”
Alexandre Zévaès — “É o maior elogio que V. S. lhe pode fazer.”
Henri Michel (Boccas do Rhodano) — “Eis a razão pela qual V. S. e os seus amigos a detestam.”
M. de Rosanbo — “Estamos, pois, perfeitamente de acordo sobre este ponto: a Maçonaria foi a única autora da Revolução e os aplausos que recebo da esquerda e aos quais estou pouco habituado provam, senhores, que reconheceis comigo que ela fez a Revolução francesa,”
Junel — “Fazemos mais do que reconhecê-lo: proclamamo-lo.” (1)
O plano maçônico foi o seguinte:
É preciso destruir a civilização cristã no mundo. O ataque deve começar pela França que é a sua representante mais poderosa; é preciso aniquilar o que constitui a sua força: a monarquia e o catolicismo. Privada destas bases, a ordem social ficará indefesa e será possível abolir a hierarquia, a disciplina, a família, a propriedade, a moral.
Como a Maçonaria não pode entrar em luta aberta com a Igreja, atacará os seus esteios naturais: a monarquia e a nobreza; portanto o seu sentido recôndito não é só político, mas essencialmente social e religioso, desde que a civilização ocidental tem por bases a doutrina e a disciplina cristã.
A abolição da monarquia por direito divino era a condição sine qua non do êxito do plano inteiro. A Revolução que asseveram ter sido feita pelo povo foi, na realidade, praticada contra ele. A monarquia e a nobreza não foram aniquiladas, porque oprimiam a França, mas, pelo contrario, porque a protegiam demais.
Plano excessivamente inverossímil, podereis objetar.
Entretanto foi traçado, minuciosamente e por escrito, pela mão de Weishaupt, chefe da seita maçonica dos Iluminados, muito antes de 1789. Esses documentos indiscutíveis, apreendidos pelo governo bávaro na própria sede do Iluminismo, eram visíveis no Arquivo de Munique. (2)
Aliás, a aplicação pratica que tiveram, em, 1789, é uma garantia da sua autenticidade.
A IDÉIA, ARMA DE DESTRUIÇÃO
A extraordinária prova de habilidade do oculto poder maçônico foi ter feito a França trabalhar para a sua própria destruição e servir-se do povo, para derribar tudo o que, na realidade, o protegia.
A mentira e a hipocrisia tornam-se o característico de todos os movimentos revolucionários do mundo, desde 1789 até à atualidade., Afirma-se uma coisa e opera-se, conscientemente, em sentido contrario.
“É preciso mentir como um demônio, escrevia Voltaire; não timidamente, nem só temporariamente, mas sempre e com audácia.” (Carta a Thériot).
Segundo Collot d’Herbois, o principio geral é: “Tudo é licito para a vitória da Revolução.”
Essa força misteriosa que dirigia o ataque espalhava algumas idéias belas e sublimes, na aparência, mas que eram, na realidade, uma arma terrível de destruição, Além disto, teve a seu serviço o verdadeiro gênio da for-;;mula: o essencial é dizer ás massas a frase exata, sonora e cheia de belas promessas; pode-se depois fazer o contrario do que se promete, que não terá mais nenhuma importância, Sirvam de exemplos as três palavras de origem maçônica: Liberdade, Igualdade, Fraternidade, que serviram para destruir a França.
Resumindo: a Revolução de 1789 não foi um movimento espontâneo de revolta contra a tirania do antigo regime, nem um impulso sincero e entusiástico a favor das idéias novas de liberdade, igualdade e fraternidade, como se quis fazer acreditar. A Maçonaria foi a inspiradora do movimento. Se não criou completamente a nova doutrina, cuja longínqua origem provém da Reforma, elaborou os princípios de 89, difundiu-os nas massas e contribuiu ativamente para a sua realização.
Provemos, agora, esta asserção.
A AÇÃO REVOLUCIONÁRIA DA MAÇONARIA DE 1789 A 1792
Forjando a Nova Constituição
Todos conhecem a preparação revolucionaria dos Enciclopedistas; O que se ignora é o papel preponderante que a Maçonaria desempenhou em toda a Revolução. Leia-se ó testemunho do maçom Bonnet, orador da convenção do Grande Oriente da França, em 1904:
”No século XVIII, gloriosa casta dos Enciclopedistas encontrou nos nossos templos um auditório fervoroso que, único naquela época, invocava a radiosa divisa, ainda desconhecida.das multidões. ‘Liberdade, Igualdade e Fraternidade.’ A semente revolucionaria germinou depressa nesse meio seleto. Os nossos ilustres irmãos d’Alembert, Diderot, Helvetius, d’Holbach, Voltaire, Condorcet remataram a evolução dos espíritos, prepararam a era nova. E, quando a Bastilha desmoronou, coube à Maçonaria a suprema honra de outorgar á humanidade a Carta que, com tanto carinho, elaborara,
“Foi o nosso irmão de La Fayette quem primeiro apresentou o ‘projeto de uma declaração dos direitos naturais do homem e do cidadão vivendo em sociedade,’ que forma o primeiro capitulo da Constituição.
“A 25 de Agosto de 1789, a Constituinte, que contava, entre seus membros, mais de trezentos maçons, adotou definitivamente e quase palavra por palavra, tal como fôra longamente estudado nas lojas, o texto da imortal declaração dos Direitos do Homem. Naquela hora decisiva para a Civilização, a Maçonaria francesa representou a consciência universal e não cessou, depois, de contribuir com o resultado das lentas elaborações das suas lojas para as improvisações c as iniciativas dos constituintes.”
Esta afirmação é tão nítida e explicita, que supérfluo qualquer comentário.
Entre os documentos que atestam a ação revolucionaria da Maçonaria, os mais completos sãos os dos Iluminados.
Vimos em que circunstâncias o governo da Baviera mandou apreender, em Munique, o arquivo da seita do Iluminismo, a 11 de outubro de 1786. O chefe, Weishaupt, conseguiu fugir. Da perquisição operada resultou o descobrimento de um minucioso plano de revolução mundial. Todos os documentos foram reunidos sob o titulo de Escritos originais da ordem e da seita dos Iluminados e publicados por A. François, tipografia da Côrte, em Munique,1787. (3)
A alma da associação era o seu chefe, Weishaupt. Na : sua Historia da Revolução, Luiz Blanc, revolucionário bastante puro para que não seja possível duvidar das suas palavras; assim lhe caracterizou a ação:
“Conseguir simplesmente pela atração do mistério, única força da associação, submeter á mesma vontade e animar’ com a mesma idéia milhares de homens, em várias regiões do mundo e principalmente na Alemanha e na França, transformar esses homens em seres inteiramente novos, por meio de uma educação lenta e gradual, torná-los obedientes até ao delírio e à morte a chefes invisíveis e ignorados, influir secretamente com o peso de semelhante legião sobre os corações, circundar os soberanos, dirigir, sem que o percebam, os governos e levar a Europa inteira ao ponto de aniquilar toda superstição (leia-se religião) de derribar toda monarquia, de declarar injusto qualquer privilegio de nascença e de abolir o próprio direito de propriedade: tal foi o plano gigantesco do Iluminismo.
Para passar da preparação á atividade, operou-se um.trabalho de organização e de concentração maçônica. Para este fim, instalou-se em Wilhelmsbad, perto de Francfort, em 1784, um congresso maçônico europeu no qual os Iluminados tiveram um papel preponderante e em que foi posta em discussão a marcha da obra e, segundo alguns autores, a morte de Luiz XVI e de Gustavo III da Suécia.
Temos sobre este ponto os testemunhos particulares de Mirabeau, do conde de Haugwitz, do conde de Virieu, do Rev. Padre Abel etc.
No Congresso de Verona, em 1822, o delegado da Prússia, conde de Haugwitz, leu um relatório em que confessava ter sido maçom e encarregado das reuniões maçônicas em diversos paises. (4)
Eis um trecho do seu relatório:
“Foi em 1777 que me incumbi da direção das Lojas da Prússia, da Polônia e da Rússia.
“Freqüentando-as, adquiri a firme convicção de que tudo quanto aconteceu na França desde 1788, ou seja a Revolução francesa, inclusive o assassinato do Rei com todos os seus horrores, não só fôra resolvido naquela época, mas fora preparado com reuniões, instruções, juramentos e indícios que não permitem a mínima duvida, acerca da inteligência que tudo preparou e dirigiu.”.
O conde de Virieu fôra delegado em Wilhelmsbad,’ como representante da Loja Maçônica dos Cavalheiros bem feitores de Lyão. Depois do seu regresso a Paris, atemorizado pelo que soubera, declarou:
“Não vos direi os segredos de que sou portador, mas julgo poder-vos adiantar que se está tramando uma conjuração tão bem urdida e tão profunda, que dificilmente a religião e o governo deixarão de sucumbir.”
O Rev. P. Abel, filho do ministro da Baviera, numa conferência em Viena, por ocasião da Quaresma de 1898, pronunciou estas palavras:
“Em 1784 houve, em Francfort, uma reunião extraordinária da Grande Loja Eclética. Um dos membros propôs a votação da sentença de morte de Luiz XVI rei da França e de Gustavo III rei da Suécia. Esse homem era meu avô.”
Um jornal judeu, A Nova Imprensa Livre, censurou o orador por ter assim desconsiderado a sua família. Na conferência seguinte, o P. Abel declarou:
“Antes de morrer, meu pai determinou, como ultima vontade, que me aplicasse em reparar o mal que ele e os nossos parentes tinham praticado. Se não tivesse de executar essa prescrição do testamento de meu pai, datado de 31 de julho de 1870, não diria as palavras que pronunciei.”
Tendo elaborado o seu plano de ação, a Maçonaria passou a agir ativamente, dirigindo de um modo invisível as eleições de 1789.
Num estudo publicado a 1.° e a 16 de novembro de Í904, na Revue d’Action française, os srs. Cochin e Charpentier chegaram á conclusão, confirmada por todas as suas pesquisas, de que no estado de dissolução a que haviam chegado todas as antigas entidades independentes: províncias ordens e corporações, era fácil que um partido organizados se apossasse da opinião, para a dirigir. Copin Alhancelli, na sua obra O poder oculto contra a França, analisa, nestes termos, o estudo de Cochin e Charpentier:
“Esses dois escritores compulsaram os documentos dos arquivos municipais e nacionais de 1788 e 1789, nos quais encontraram inúmeros vestígios da ação maçônica, Para exemplificar, diremos que se aplicaram de maneira especial ao estudo eleitoral de 1789 na província de Borgonha, e aqui transcrevo o resultado desse estudo: Verificaram que as principais petições contidas nos cadernos dessa província não tinham sido redigidas pelos estados nem pelas corporações da região, mas por uma insignificante minoria, por um reduzido grupo composto de uma dúzia de membros, médicos, cirurgiões, procuradores e advogados. Esse grupo não só redigia as proposições, mas manobrava, para que fossem aceitas sucessivamente por todas as corporações; usava astúcias e subterfúgios, para atingir os seus fins; e, quando não os alcançava, chegava ao ponto de falsificar os votos adotados.
“Não é tudo: verificaram mais que, nos documentos provenientes desse grupo em ação na Borgonha, era empregada uma gíria que agora conhecemos perfeitamente: a gíria maçônica. E, finalmente, para completarem a sua demonstração, os nossos dois autores, estendendo as suas pesquisas, encontraram processos análogos aplicados em outras províncias, as mesmas insignificantes minorias, formadas de elementos semelhantes, agindo em toda parte do mesmo modo, obedecendo, portanto, á mesma ordem, empregando essa mesma gíria tão especial e tão fácil de reconhecer e provando, por conseguinte, que essa ordem emanava da Maçonaria. De modo que — concluem Cochin e Charpentier — de 1787 a 1795, nenhum movimento — exceto o da Vencléa — foi propriamente popular, mas todos foram decididos, organizados, determinados em todos os seus detalhes pelos chefes de uma. Organização secreta, agindo, em toda parte, ao mesmo tempo e com os mesmos métodos e fazendo executar, em todos os lugares, a mesma ordem.”
Ora, a obra recente, aliás notável, do maçom G, Martin fornece sobre o papel preparatório da Revolução desempenhado pela Maçonaria uma serie clara e copiosa de documentos. (5) Este autor acusa de má fé todos os adversários da Maçonaria. Isto corta qualquer discussão. “A Maçonaria não é subversiva, aí afirma ele; respeita o rei, a religião e as leis. Todavia, convém acrescentar que esse respeito não é passivo. As leis são respeitáveis, mas não são intangíveis.” (Pag. 43)» Como espíritos esclarecidos que se orgulham de ser, os maçons reservam-se o direito de alterar as leis e efetivamente propagam princípios que têm por objeto a sua destruição.
Tudo isto não passa de um jogo de palavras; restam os fatos, sobre os quais todas as opiniões coincidem.
A Maçonaria proclama e difunde um novo sistema de idéias políticas e religiosas que constituem uma civilização diferente e radicalmente aposta á antiga. Para a Maçonaria, Ela é, por definição, superior; portanto a Maçonaria é uma força construtora.
Nós a julgamos, pelo contrario, perigosa e maléfica e como, para estabelecer essa nova civilização, é indispensável destruir primeiro a outra, temos o direito de afirmar que a Maçonaria é uma força destrutora.
G. Martin estuda a ação da Maçonaria francesa no período preparatório da Revolução.
Este período compreende três fases:
lª) A elaboração da doutrina revolucionaria.
2ª) A propagação da doutrina.
3ª) O papel ativo da Maçonaria.
l.) A ELABORAÇÃO DA DOUTRINA REVOLUCIONARIA:
Conhecemos atualmente a união intima da Maçonaria com os Enciclopedistas. Teria Ela inspirado os filósofos ou lhes adotaria as doutrinas?
O maçom Amiable (citado por G. Martin) opta pela primeira hipótese, G. Martin, pela segunda. Este ponto não foi, portanto, convenientemente esclarecido.
Os filósofos elaboraram uma doutrina abstrata. De 1773 a 1788, a Maçonaria sazonava-a e tornava possível a sua aplicação na pratica, trabalho que G. Martin reúne nestes termos:
“Assim se desprende lentamente a doutrina que será a dos Estados Gerais. Os maçons de Saint-Brieuc têm razão de dizer que ela se encontra inteira nos filósofos; os de Rennes também não se enganam, afirmando que, em toda parte, a Maçonaria se incumbiu de a tornar o instrumento de emancipação política e social em que essa doutrina se está transformando.” (pag. 97).
Duas condições eram necessárias, para que esses princípios tivessem aplicação, na pratica:
1ª) A adesão a esses axiomas da maioria da nação.
2ª) Uma força capaz de superar os obstáculos que, indubitavelmente, lhe oporiam aqueles cujos interesses eles haviam de lesar.
“A Maçonaria operou ultimamente, para favorecer estas duas condições.
“Para provocar a adesão da maioria da Nação, organizou a sua propaganda; para conquistar a força, interessou-se muito de perto pelas eleições, esforçando-se ao mesmo tempo por desarmar as hostilidades inevitáveis.” (pag. 981).
A propaganda fez-se, a principio, nos meios maçônicos, com os resultados seguintes:
“Os princípios Fundamentais da Maçonaria tornaram-se parte integrante da mentalidade de todos os maçons, não só como uma noção filosófica adquirida, mas como uma maneira de sentir e, muitas vezes, até como uma maneira de ser.” (pag. 120).
A fundação do Grande Oriente, em 1793, e a reorganização da Loja dos Nove Irmãos (à qual pertencia Voltaire) assinalam o inicio de uma nova orientação: a propaganda fora das lojas.
“Podemos dividir em três categorias os meios de propaganda utilizados pelos maçons, para difundir, no mundo profano, as verdades reformadoras que lhe queriam inculcar: a imprensa, a propaganda oral e o espírito didático e o club.” (pag. 126).
O balanço da ação maçônica, no domínio das idéias propriamente ditas, estabelece-se assim:
1.°) A Maçonaria foi o mais útil instrumento de propaganda da difusão das idéias filosóficas.
2.°) Se não criou as idéias reformadoras, coube-lhe, todavia, a missão de as elaborar.
3.°) Nessa transformação da sociedade por meio das idéias, a Maçonaria não se contentou com a adaptação dos princípios aos indivíduos, Passou rapidamente ; a procurar os meios práticos de realizar as suas idéias… Sob este aspecto, foi a verdadeira criadora, não dos princípios, mas da pratica revolucionaria.
4.°) Enfim, manifestou-se, simultaneamente, como a grande propagandista do moderníssimo evangelho.”
Logo:
“A Maçonaria suportava, quase a seu pesar, o peso dessa revolução constituinte; efetivamente, não só pregara as doutrinas, mas; preparara os chefes e, talvez imprudentemente, sustentara certas praticas, derivadas do antigo regime, cuja aplicação, excedendo rapidamente as suas previsões, anunciava já os dias de agosto e setembro de 1792.” (pag, 145),
2ª) A PROPAGAÇÃO DA DOUTRINA:
A Maçonaria dirigiu as eleições de março-abril de 1789.
“Em muitos pontos, foram obra sua e convém agora examinar-lhes os detalhes.”
A Maçonaria teve uma influência primordial na redação dos cadernos de 1789:
“A identidade das redações impressionou os espíritos menos críticos, sugerindo a idéia de pesquisar se esses ,’ cadernos não haviam tido um modelo que tivesse circulado, de bailiado em bailiado.”
Dessa pesquisa resultou muito depressa a certeza de haverem sido espalhados, por toda parte, instruções e modelos gerais de cadernos.
“Não pode deixar de nos impressionar o fato de serem todas essas instruções de origem maçônica.”
O resultado foi que a metade dos deputados eleitos para os Estados Gerais eram maçons, e G. Martin relata a sua influencia neste trecho:
“Formou-se, no terceiro estado, um bloco que a Maçonaria dirigia por meio de órgãos de que adiante nos ocupamos; esse grupo tinha a vantagem da coesão, de uma percepção nítida dos seus planos, do habito dos debates parlamentares e, no principio, uma disciplina quase perfeita.
“Representava, em numero, a metade da assembléia e a grande maioria da ordem. Mas estaria destinado à impotência, se continuasse em vigor o antigo sistema do voto por ordem.
“O grupo atuava, por conseguinte, sobre os deputados das outras ordens, impressionados pela sua coesão e pela sua vontade, e, graças aos elementos maçônicos espalhados entre eles, conseguia separá-los, entre cinco de maio e vinte e três de junho. Assegurava assim a capitulação do rei e a vitória da reforma. Em tais condições, é difícil encarecer os serviços prestado» pela Maçonaria á Revolução nascente,”
Os eleitos eram efetivamente, submetidos a uma rigorosa vigilância, graças a uma organização denominada escritório de correspondência, cujos detalhes são descritos por G. Martin:
“Os maçons não cessam, com efeito, de dirigir a opinião parlamentar, e o escritório de correspondência é o ponto em que se opera a junção entre as lojas, o publico e os eleitos.”
Além disto:
“Não menos importante é o auxilio financeiro da Maçonaria à obra reformadora. A realização de semelhante obra de transformação devia necessariamente custar muito caro. A Maçonaria não poupou o seu dinheiro, como o seu tempo e a sua atividade intelectual.”
A Maçonaria dispunha, efetivamente, de avultados capitais.
“As duas fôrmas principais da sua utilização parecem ter sido a impressão e a difusão dos escritos que serviram de modelo aos cadernos, e o equipamento de grupos de maçons que auxiliaram, ao mesmo tempo, a vitória das idéias novas e a manutenção da ordem, alterada por uma espécie de anarquia rural, em princípios de 1789.”
A Maçonaria distribuía também numerosas esmolas, uma parte das quais tinha um fim nitidamente político — diríamos hoje demagógico.
“O certo é que, no caso de desordens, a parte do povo que apoiasse, com a força, as reivindicações políticas do partido reformador tinha a certeza de ser auxiliada pecuniariamente pelas lojas maçônicas.” (pag. 198).
Logo:
“Subvencionando jornais, imprimindo cartazes, ajudando as vitimas da guerra civil, comprando as resistências, a Maçonaria cooperou, secreta mais eficazmente para a batalha eleitoral que terminou pela convocação dos Estados Gerais.” (pag. 204).
“Entretanto, organizava-se, em Versailles, a assembléia dos Estados Gerais, em que a Maçonaria devia desempenhar uni papel preponderante.”
Ela conseguiu dominar a assembléia, graças à união organizada cios deputados maçons.
“A partir dos fins de maio, o projeto da sociedade maçônica dos representantes tornaram-se uma realidade. Mas era mister que não se conservasse secreta, semelhante a um templo, para que os outros deputados não fossem induzidos a formar um grupo que a hostilizasse. Bastava que os chefes fossem maçons, que o espírito do club fosse maçou, para salvaguardar os princípios e estabelecer a concentração necessária.” (pag. 208).’
3a)O PAPEL REVOLUCIONÁRIO ATIVO DA MAÇONARIA:
E’ um assunto escabroso e G. Martin, que não o ignora, trata-o de modo muito mais vago.
Mostra-nos a Maçonaria iniciando chefes populares que julga poder empregar utilmente e encarregando, ao mesmo tempo, alguns maçons de arengar o povo.
“Sua qualidade de maçons é ignorada dos que os’ ouvem; muitas vezes, têm habilidade de fazer crer ao auditório que lhe cabe a iniciativa das resoluções tomadas; dirigem, mas não se impõem.”
A Maçonaria não se limita às arengas; organiza o proletariado, tanto para manter a ordem, como para esteio dos seus princípios.
Por outro lado e graças ao auxilio mutuo entre maçons, outros membros da associação se insinuam no governo real, no qual conseguem firmar o predomínio das idéias de reforma; finalmente, a Maçonaria penetra no exército.
“Muito mais árduo seria, talvez, na pratica, a vitória das doutrinas maçônicas, se a associação não contasse, nos últimos anos do século, com o apoio de grande parte do exercito. Os historiadores que notaram este fato não parecem ter-lhe percebido claramente a causa, que foi a extraordinária difusão das lojas nos meios militares.
“Deve-se, em parte, a queda do antigo regime á circunstancia do exercito francês e seus quadros subalternos nada terem feito, para o socorrer. Mais um ponto em que as conseqüências da propaganda maçônica excederam extraordinariamente as previsões dos seus promotores militares. Pelo socorro prestado à revolução nascente a Maçonaria militar foi um elemento essencial da vitória das novas idéias; é licito julgar que, sem, ela, a “grande obra” ficaria seriamente comprometida.” (pag. 274).
Limitando-se á revolução propriamente dita, G, Martin assim conclui o seu livro:
“Não se deve, pois, diminuir a importância da Maçonaria na Revolução. Sem duvida, a maior parte das lendas romanescas — punhais, traidores e capas de repertório de opera — não têm consistência nem fundamento, e a Maçonaria teve , razão de estigmatizar a má fé dos acusadores que davam crédito a inépcias tão pueris. Mas, ao lado dessas mentiras interessadas, eleva-se o fato de ser a Maçonaria a alma declarada ou secreta de todos os movimentos populares ou sociais que, em conjunto, formaram a revolução constituinte. Foi ela a necessidade que converteu, em. ação criadora, virtualidades de emancipação que, sem o seu concurso, se conservariam latentes ou abortariam, por falta de coordenação e pela importância dos esforços espasmódicos e divergentes,” (pag. 284).
A MAÇONARIA E O TERROR
Os maçons, apóstolos da grande Revolução, conseguiram separar, na opinião publica, os três imortais princípios de 1789 dos excessos do Terror. Explicam, portanto, os massacres de 1792 como fatos reprováveis, devidos unicamente a um excesso de entusiasmo na aplicação dos referidos princípios (principalmente do da fraternidade!).
Contudo, a Maçonaria, associação filantrópica e humanitária, teve a sua parte de responsabilidade na organização do Terror.
Possuímos sobre este ponto testemunhos formais: o de Bertrand de Molleville, ministro de Luiz XVI, o do maçom Marmontel e também o de Duport, o mais cruel e encarniçado de todos, o autor do plano revolucionário do Terror e cujos crimes foram preparados, principalmente pela Comissão de propaganda da Loja dos “Amigos Reunidos.”
Eis o que escreve Marmontel:
“O dinheiro e, mais do que tudo, a esperança da pilhagem são onipotentes entre este povo. Acabamos de o verificar, no subúrbio de Santo Antônio, onde, com incalculável facilidade, o Duque d’Orleans conseguiu que fosse saqueada a manufatura desse honrado Réveillon que, no mesmo subúrbio, provia à subsistência de cem famílias, Mirabeau sustenta zombeteiramente que, com um milhar de luizes, é possível armar uma boa sedição.
“Teremos de recear a hostilidade da maioria da nação que ignora os nossos projetos e pôde não estar disposta a prestar-nos o seu concurso?
“É claro que, nos seus lares, nos seus escritórios, tios seus gabinetes, nas suas oficinas, a maior parte desses pacatos cidadãos deve achar muito ousados esses planos destinados a perturbar-lhes o descanso e os divertimentos: Mas a sua desaprovação será tímida e discreta. Sabe porém, a nação o que quer? Far-lhe-emos dizer e querer o que nunca pensou. E se duvidar, lhe responderemos, como Crispim ao legatário: “É a. vossa letargia.”
A nação é um grande rebanho, ocupado só em pastar e que, com o auxilio de bons cães, os pastores podem dirigir a seu bel prazer, Afinal, é para seu bem o que se quer, à sua revelia. Nem o antigo regime, nem o culto, nem os costumes, nenhum dos seus antiquados preconceitos merecem consideração. Tudo isto causa pena e vergonha a um século como o nosso; e, para traçar o novo plano, é indispensável limpar o terreno.
“Para nos impormos à burguesia, teremos, se for necessário, essa classe que não tem nada a perder com a mudança e espera, pelo contrario, ter tudo a ganhar.
“Para amotiná-la, contamos com os moveis mais poderosos: a carestia, a fome, o dinheiro, os boatos de alarme e de terror e o delírio de medo e de cólera com que se impressionam os espíritos.
“A burguesia só produz oradores elegantes; todos eles nada são, comparados com esses Demóstenes a um escudo que, nas tabernas e nas praças publicas, nos jardins e nos cais, anunciam estragos, incêndios, aldeias saqueadas e inundadas de sangue e conjurações para sitiar ‘ e esfomear Paris.

“Assim o requer o movimento social. Que se obteria do povo, amordaçando-o com os princípios de honradez e de justiça? Os homens de bem são fracos e tímidos; só os velhacos são resolutos. A vantagem do povo, nas revoluções, é não ter moral Quem pode resistir a homens, para quem todos os meios são lícitos? Nem uma só das antigas virtudes nos serviria. O povo não precisa delas ou as requer de outra tempera. Tudo o que é necessário para a Revolução, tudo o que lhe é útil, é justo; eis o grande axioma.”
Nota. — 1.°) Desde o principio da Revolução para se proteger, a Maçonaria ordenara o fechamento de todas as Lojas. Mas esta supressão aparente, simples medida de precaução, não lhe prejudicava a atividade, pois as lojas secretas continuavam a existir, como no passado, e as outras eram substituídas pelos clubs. Esta circunstancia foi confirmada por um estudo do maçom Schaffer, publicado, em 1880, no Boletim Maçônico da Loja Simbólica Escocesa.
Não esqueçamos, aliás, que o papel da Maçonaria propriamente dito é mais criar o estado de espírito revolucionário do que combater abertamente, à testa de um movimento.
A Maçonaria criara esse estado de espírito e lançara os seus homens ao ataque. Estes, impregnados de princípios maçônicos, aplicaram-nos na Revolução, sem que fossem necessariamente dirigidos pela seita.
2.°) Notemos, de passagem, que Adriano Duport conseguiu que a Constituinte adotasse a emancipando os Judeus; antes de obter este resultado, fizera quatorze tentativas e só na véspera do encerramento da Assembléia a lei foi votada, depois que Régnault de Saint-Jean d’Angély disse:
“Requeiro que sejam chamados á ordem todos os que falarem contra essa proposta, pois estarão combatendo a própria constituição.”
O que significava — combater os judeus era combater a revolução. (6)
Vejamos agora qual foi o papel da Maçonaria na França, de 1793 aos nossos dias.
AÇÃO MAÇONICA NA POLÍTICA FRANCESA, DE 1798 AOS NOSSOS DIAS
Esta ação foi descrita minuciosamente por diversos autores, como: Deschamps, Delassus, Copin Albancelli e é de suas obras que extraímos este breve resumo.
Por ter agido com demasiada rapidez, a Maçonaria malograrem-se os seus fins. Os excessos do Terror provocaram uma violenta reação no país. A falta de melhor, a Maçonaria reassumiu a sua atitude filosófica e observadora da ordem social.
Apoiou, portanto, Napoleão que, aliás, a serviu, espalhando o espírito revolucionário pela Europa inteira; ele proclamava, com razão:
“Consagrei a Revolução; incorporei-a as leis.”
E também:
“Semeei copiosamente a liberdade, por toda parte onde implantei o meu código civil.”
Numa palavra, Napoleão foi, para a Europa, o que evolução havia sido para a França.
“Enquanto Bonaparte, general, foi o servidor da Revolução, a Maçonaria francesa celebra-o unicamente como pacificador que, repelindo o estrangeiro, coloca-o na impossibilidade de prejudicar o desenvolvimento da República.” (7)
Mas as associações secretas começaram repentinamente a hostilizá-lo, logo que ele manifestou veleidades em seu proveito, uma autocracia hereditária e conservadora. A primeira excomunhão maçônica contra Napoleão data de 1809.
Caído o império, o poder oculto não conseguia opor-se ao desejo da nação inteira e teve de suportar a restauração dos Bourbons. O que pretendia a Associação era salvar, a qualquer preço, à Revolução, mantendo o seu espírito e conservando tudo o que podia das suas conquistas. Os dois pontos importantes para ela eram a separação da Igreja e do Estado e a supressão da monarquia absoluta. O regime constitucional foi, pois, instaurado na França e, com ele, a Maçonaria continuava a dominar,
“Luiz XVIII, diz Bazot, secretario do Grande Oriente da França, concede a Carta; é o governo constitucional: este príncipe protege-nos.”
Tendo provido a questão mais urgente, o poder oculto reencetou a sua obra, dirigindo i visivelmente uma campanha encarniçada contra a Restauração que se solidificava e tornava o povo demasiadamente feliz. Citemos a este respeito as palavras de Stendhal (Henri Beyle) cujas opiniões são uma garantia de nenhuma parcialidade a favor dos Bourbons:
“Serão talvez necessários séculos, para que a maior parte dos povos da Europa alcance o.grau de prosperidade que a França desfrutou, sob o reinado de Carlos X.”
A seita também obteve êxito na revolução de 1830.
“Não se pense, diz um importante maçom, o sr. Dupin Sênior, da Loja dos Trinosofos, que tudo tenha sido feito em três dias. Se a revolução foi tão rápida e tão subitânea e se a realizamos em poucos dias, é que já fôra planejada e podíamos substituir, ineditamente, por uma nova e completa ordem de cousas a que acabava de desmoronar.”
Não me alongarei sobre a preparação maçônica da revolução de 1848. Eckert, Deschamps, Delassus, Copin Albancelli consagraram-lhe vários capítulos aos quais
Naquela época, a emancipação dos judeus, iniciada com a; Revolução de 1789, desenvolvia-se na Áustria, na Alemanha, na Grécia, na Suécia, na Dinamarca. Em diversos pontos da Europa estalavam revoltas cuja simultaneidade seria inexplicável, sem o apoio internacional das Lojas. Na França a 6 de março de 1848, o governo provisório, de cujos onze membros nove eram maçons, recebeu uma delegação oficial das Lojas que ostentava, abertamente, numerosas insígnias maçônicas.
“Eles saudaram o triunfo dos seus princípios e felicitaram-se de poder afirmar que a pátria inteira recebeu, nos membros do seu governo, a consagração maçônica. Quarenta mil maçons, distribuídos em mais de quinhentas lojas, constituindo um só coração e um só espírito, prometem o seu concurso, para completar a obra começada.” (O Monitor, 7 de Março de 1848).
Apesar da pressão desse governo essencialmente maçônico, a Assembléia nacional, eleita, foi um congresso patriótico; recusou obedecer ás normas traçadas previamente pelo poder oculto. Este, sem hesitar, voltou-se então para um homem que lhe pertencia, ligado pelos seus juramentos de carbonário: e assistiu-se ao advento de Napoleão III. Desde o primeiro dia o imperador provou que era efetivamente o homem da Revolução e se julgava incumbido da missão “de arraigar na França e introduzi-la em toda parte, na Europa.”
“Napoleão III foi um estranho monarca, como houve poucos, na historia, ate entre os próprios usurpadores e aventureiros. Estes procuram geralmente fazer esquecer os atos anteriores à sua exaltação, enquanto aquele parecia vangloriar-se deles e ter ciclo elevado ao trono, para demolir as monarquias, inclusive a sua….
“Esse império assemelhava-se extraordinariamente a uma republica leiga e, a despeito do seu fausto aparente,’ foi o reinado da democracia e da liberdade de pensamento.” (8)
A Maçonaria auxiliou-o, enquanto julgava poder contar com a sua obediência; depois esse auxilio foi enfraquecendo, à medida que Napoleão procurava apoiar-se na França, para recuperar a sua independência.
Em 1861, deu-se a cisão definitiva, após a nota do Senado relativa à manutenção do poder temporal do Papa. Os desastres de 1870 precipitaram os acontecimentos: a Maçonaria foi impelida a uma ação mais rápida do que teria desejado. Repetindo a experiência de 1789, quis, com a violência da Communa, retomar as rédeas do governo. A 26 de abril de 1871, cinqüenta e cinco lojas, mais de dez mil maçons, chefiados pelos seus dignitários, ostentando as suas insígnias, percorreram em cortejo os baluartes, onde hastearam sessenta e duas das suas bandeiras. Saudando, no Paço Municipal, o poder revolucionário, o maçom Tiriforque dissera aos amotinados:
“A Communa é a maior das revoluções que o mundo pôde contemplar.”
Dominada a Communa, não podendo impedir a eleição de uma assembléia com uma maioria monárquica, as associações secretas combinaram-se, em toda a Europa (sob forma de um apelo à Maçonaria mundial) para se oporem ao advento do conde de Chambord, representante do poder forte pela legitimidade, pela herança e pela autoridade. Depois de ter tirado o maior proveito dos diferentes governos que se sueederam, desde, 1789,. E baseada solidamente nessas experiências, a Maçonaria chegou finalmente á forma de governo que mais lhe convém: listo é á Republica, regime sob o qual se lhe torna fácil influenciar o poder.
“Quando o advento da Republica permitiu que a Maçonaria manifestasse a sua ação e ocupasse no Estado um lugar tão importante, que os seus adversários puderam dizer que a França não estava sob a republica mas sob a Maçonaria… o Grande Oriente experimentou a sensação deliciosa e inquietadora da liberdade. Quis, então, existir não só para os seus membros, mas para o mundo profano. A associação deixou de ser secreta, se não no seu aparato, pelo menos na sua atividade. E a supressão do Grande Arquiteto foi, sem que ela o percebesse claramente, uma das provas mais impressionantes da sua nova orientação.” (9)
A terceira Republica não fez mais do que aplicar as leis elaboradas e ditadas pela Maçonaria, destruindo, pouco a pouco, tudo o que restava em assunto de conservação social. Instruída pelas experiências de 1789, 1848 e 1871, a Associação evolui lentamente, mas com segurança. Abatida a monarquia, trata agora de derribar a outra base da civilização: o catolicismo. Há cinqüenta e seis anos que toda política se concentra sobre esse ponto.
Citemos as palavras de um dos que ativamente colaboraram, para a vitória das idéias revolucionárias; mas, porque era sincero, renegou-as no dia em que reconheceu o seu erro: Gustavo Hervé, que teve a coragem de escrever:
“Nos primeiros tempos da terceira Republica e nas mãos dos partidos republicano e radical, o sistema leigo foi, durante os vinte e cinco anos que precederam a guerra, uma arma a serviço de uma seita, a cujos olhos, a irreligião se tornara um dogma e quase uma nova religião, para demolir as crenças religiosas da maioria do país.” (10)
“O mal provém de um erro fundamental que presidiu á nossa grande Revolução. No dia em que os grandes filósofos do século XVIII, cujos escritos propagaram o espírito revolucionário, proclamaram que a razão humana — essa misera luz que é, na maior parte dos homens, a nossa pobre razão humana — era a única estrela que, a partir daquela época, devia guiar os povos, para o progresso material e moral, nesse dia o mundo foi abalado nos seus alicerces…
“Até à nossa grande Revolução, havia, entre nós como em toda parte, uma Igreja poderosa e venerada que, mediante símbolos, cerimônias e lições apropriadas à imaginação e á sensibilidade das multidões, fazia penetrar no âmago da alma popular certas idéias tradicionais de respeito, de disciplina, de moralidade, de dever, de espírito de sacrifício. A religião era a poderosa armadura da família, da moral, da propriedade, da pátria e do Estado.
“O terrível explosivo descoberto pelos filósofos , de século XVIII, caindo nas mãos do povo destruiu, sem duvida, os abusos do antigo regime, mas provocou, ao mesmo tempo, a ruína do arcabouço moral da sociedade, ou melhor — porque essa ruína não foi subitânea — abalou-o e fê-lo vacilar, até ao desmoronamento total Foi, só após um século e um quarto, que se principiou a avaliar a extensão do desastre, à medida que, pela escola, pelo jornal a um soldo, pelo romance popular e pelo cinema, o espírito dissolvente dos filósofos racionalistas o século XVIII foi penetrando nas camadas profundas da nação.
“Não há instituição, por mais útil e venerável que seja, que não ofereça o flanco à critica, se a examinarmos do ponto de vista da fria razão. Estado, religião, propriedade, pátria e até a própria moral mais elementar: tudo isto é passível de critica. Tudo isto ainda não foi criticado, mas está para o ser e o será, se não se tomar cuidado; a tempestade bolchevista que se seguiu á guerra mundial é, para a civilização inteira, uma séria advertência.
“A família francesa não lhe resistiu e é disto que a França perece.” (11)
Citemos as palavras pronunciadas, na tribuna, pelo sr. Viviani, a 15 de janeiro de 1901:
“Estamos incumbidos de preservar de todo ataque o patrimônio da Revolução… Apresentamo-nos aqui, trazendo nas mãos, além das tradições republicanas, essas tradições francesas, atestadas por séculos de combate em que, pouco a pouco, o espírito leigo se libertou da pressão da sociedade religiosa… Não estamos somente em face das congregações, mas da própria Igreja católica.
“Acima deste combate de um dia, não paira, mais uma vez, esse conflito formidável em que o poder espiritual e o poder temporal disputam as prerrogativas soberanas, procurando, com a conquista das consciências, manter, até ao fim, a direção da humanidade?
“Mas, comparado com as batalhas do passado-e do futuro, não passa de uma escaramuça! O certo é que se. encontram aqui na bela frase do Sr. de Mun, em 1878, a sociedade baseada na vontade do homem e a sociedade baseada na vontade de Deus.
“E* preciso saber se, nesta luta, uma lei sobre as Associações será suficiente. As congregações e a Igreja não vos ameaçam somente com a sua atividade, mas também com a propagação da fé. Não temais as batalhas que vos forem oferecidas: marchai. E, se vos encontrardes em face dessa religião divina que poetiza o sofrimento, prometendo reparações futuras, oponde-lhe a religião da humanidade que também poetiza a dor, oferecendo-lhe, como recompensa, a felicidade das gerações.”
Muito extensa se tornaria a enumeração das leis destruidoras, emitidas pela terceira Republica; basta que; cada um as medite sinceramente.
Examinando bem o estado da França, chega-se naturalmente a esta conclusão: a Maçonaria soube estabelecer, gradualmente e, desta vez, sem violências, um estado de cousas que, sob certos aspectos, é análogo ao da Rússia; bolchevista, mas sob fôrmas mais envolventes.
Como conseguiu este resultado?
A resposta é bem simples: desde 1871, nenhum dos governos e dos ministérios que se sucederam representou a França. A suposta republica francesa não é senão a republica maçônica, destruidora da Igreja e da verdadeira sociedade francesa.
Para alcançar o seu fim, que adiante estudaremos, a Maçonaria conseguiu aniquilar-nos completamente e transformar o nosso país num foco de propaganda revolucionaria. Porque, embora dissimulada, a ditadura maçônica é muito poderosa.
A Maçonaria começa a abandonar o véu e, em toda parte, celebra o seu triunfo. Já em setembro de 1893 o Matin, que é considerado o reflexo das idéias predominantes no seio do Grande Oriente, dizia francamente num dos seus artigos:
“Pode-se afirmar, sem ousadia, que a maior parte mas leis a que estão subordinados os franceses — referi-mo-nos às grandes leis políticas — antes de aparecerem no Officiel, foram estudadas pela Maçonaria.”
E acrescentava:
“As leis sobre o ensino primário, sobre o divorcio e entre outras, a lei sobre o serviço militar para os seminaristas alçaram-se da rua Cadet {sede do Grande Oriente) para o Palácio Bourbon: voltaram invioláveis e definitivas.”
E concluía com este brado de triunfo:
“Somos ainda onipotentes, mas com a condição de sintetizarmos as nossas aspirações numa formula. Durante dez anos, avançamos, repetindo: “O clericalismo é o inimigo!” Temos, por toda parte, escolas leigas, os padres foram reduzidos ao silencio, os seminaristas são soldados. Não é um resultado vulgar, para uma nação que se denomina a “Filha predileta da Igreja.” (12)
Citemos ainda a seguinte proposta, votada na convenção de 18 de setembro de 1891:
“A convenção maçônica incita o Conselho da Ordem a convocar, na sede do Grande Oriente, todos os membros do Parlamento pertencentes à ordem, afim de lhes comunicar os votos expressos pela generalidade dos maçons, bem como a orientação política da Federação. Depois de cada reunião, o Boletim publicará a lista dos que se escusarem e dos que deixarem o convite sem resposta. Estas comunicações oficiais do Grande Oriente, bem como as trocas de idéias que lhes sucederem, deverão ser feitas num dos nossos templos, sob a forma maçônica do grande aprendiz. O Conselho da Ordem dirigirá os trabalhos e os convidados tomarão lugar nas colunas.” (13)
Na convenção de 1894, foi adotado o voto seguinte, publicado pela Coleção Maçônica, pag. 308:
“Todo profano admitido a receber a luz deverá, antes, assumir o compromisso seguinte: Seja qual for a situação política ou de qualquer outra espécie a que possa chegar um dia, prometo, pela minha honra, responder a toda convocação da Maçonaria e defender, por todos os meios ao meu alcance, todas as soluções dadas por ela às questões políticas e sociais.”
Essa intromissão da Maçonaria nos negócios do Parlamento e o domínio exercido sobre grande numero de deputados e senadores afirmou-se ainda mais, no ministério Herriot, após as eleições de 1924, das quais resultou a vitória do Cartel.”
“Os adversários da Maçonaria sofreram, nesse dia, a derrota mais completa entre as que lhe foram infligidas, A vitória republicana caracterizou-se, do ponto de vista maçônico, pelo fato de levar à Câmara dos Deputados um numero considerável de membros, notoriamente conhecidos como adeptos da Associação, enquanto os chefes das organizações anti-maçônicas, tais como o general de Castelnau, no Aveyron, o Conde de Leusse no Alto-Rheno, o sr. Marcellot, no Alto-Marne etc, eram vergonhosamente derrotados. (14)
“Que é o Cartel? É, há mais de trinta anos e sob diferentes fôrmas, a coalizão do partido socialista-radical e do partido coletivista S. F. I. O., aliança travada no seio da Maçonaria que é, desde 1871, a verdadeira senhora da República.
“O ramo radical da Maçonaria, que, durante muito tempo, dominou, quase sozinho, a grande organização secreta, especializou-se sempre em extirpar do país o cristianismo por meio do iluminismo irreligioso.
“Debalde ouve clamar que a escola leiga — aliás escola de livre pensamento — se tornou um viveiro de revoltados e fabrica, por séries, legiões de revolucionários; que a extirparão do cristianismo, por meio da escola leiga e das leis especiais contra as congregações religiosas, é a fonte da corrupção moral que penetra, gradualmente, em todas as camadas da nação e da assustadora despovoação que nos reduziu, numericamente, a uma nação de segunda ordem.
“Nada o desvia da aplicação implacável das leis irreligiosas, ditas leigas.
“Ora, apesar das insanias do Cartel na ultima Câmara, o partido socialista-radical conseguiu eleger, para a Câmara atual, 125 membros, aos quais devemos acrescentar uns trinta deputados socialistas-republicanos, igualmente maçons e que não valem muito mais.
“Quanto aos intuitos do partido coletivista S.F.I.O. de Blum, segundo ramo da Maçonaria, com tendências a subrepujar o ramo simplesmente socialista radical, são bem conhecidos: não é somente um partido anti-religioso, mas um partido de luta de classe e de revolução social, que tem por objeto a destruição do chamado regime capitalista, isto é de propriedade individual, para substituí-lo por uma sociedade coletivista ou comtista, em que os bancos, as minas, as fabricas, os meios de transporte e as terras seriam explorados pelo Estado proletário.
“Ora, esse partido S.F.I.O. enviou à Câmara atual, 100 deputados que concentraram sobre seus nomes, nas eleições de 1928, 1.700.000 sufrágios, sem contar com o partido comunista, momentaneamente divorciado do Cartel, e que por sua vez reuniu 1.100.000 votos.
“Eis o ponto a que chegamos.
“E cada ano que passa agrava o perigo.
“A cada mino que passa, a escola leiga, entregue a um magistério cuja maioria professa as idéias da extrema esquerda, prepara, para a vida publica, uma nova classe de jovens que vai engrossar as fileiras dos. partidos revolucionários.
“A cada ano que transcorre, uma nova parte dos ambientes populares e contaminada por l’Humanité outros jornais revolucionários que podem, impunemente — como nós mesmos fazíamos, no tempo do nosso iluminismo subversivo — solapar os alicerces da autoridade e as bases da sociedade.
.”Finalmente, a cada ano que passa, a natalidade diminui.” (15)
A. G. Michel publicou um livro A Ditadura da Maçonaria, na França (edições Spes) assinalando as resoluções tomadas nos diferentes congressos maçônicos e simultaneamente, a sua realização oficial, durante o ministério Herriot.
I — As Lojas decretam a supressão da embaixada junto ao Vaticano. (Boletim oficial da Grande Loja da França, janeiro de 1923, pag. 39).
Lei realizada em 24 de outubro de 1924.
As lojas requerem a aplicação da lei sobre as congregações. (Boletim off. da Grande Loja da França, convenção de 1922, pag. 220).
Primeira declaração ministerial Herriot, seguida de realização: 17 de junho de 1924.
III — As Lojas querem o triunfo das idéias leigas, (Convenção do G. Oriente, 1923, pag. 220).
Primeira declaração ministerial Herriot, seguida de realização: 17 de junho de 1924.
IV — As Lojas reclamam anistia plena e sem restrições para os condenados e os traidores, especialmente Marty, Sadoul, Caillaux, Malvy, Goldsky etc, (Grande Conferência na sede do G, Oriente, rua Cadet 16, a 31 de janeiro de 1923 — Boletim hebdomadário n.° 339, 1923, pag. 13).
Lei votada na Câmara a 15 de julho de 1924.
V — As Lojas protestam contra os decretos-leis. Grande Loja da França, fevereiro-abril de 1924, págs. 209-210.
Declaração ministerial Herriot de 17 de junho de 1924.
VI — As Lojas querem o escrutínio dos distritos. (Grande Loja da França, 1922, pag. 287).
Declaração ministerial Herriot a 17 de junho de 1924 e realização a 23 de agosto de 1924, pelo voto do Senado.
VII — As Lojas decretam a introdução do regime leigo na Alsacia-Lorena, apesar das promessas contrarias, (Convenção do G. Oriente da França, pag. 271, 1922).
Declaração ministerial Herriot a 17 de junho de 1924 e diversas realizações.
VIII — As Lojas reclamam o estabelecimento da escola única e o monopólio do ensino. (Convenção do G. Oriente da França, 1923, pags. 265-266).
Declaração ministerial de junho de 1924 e diversas realizações.
IX — As Lojas querem a continuação da relação com os Soviets. (Boletim oficial da G. Loja, outubro de 1922, pág. 286)
Declaração ministerial Herriot a 17 de junho, e realização oficial a 28 de outubro de 1924.
X — As Lojas querem instaurar um regime econômico preparatório do socialismo. (Convenção do G. Oriente 1922, pags. 233-234).
Vejam-se, na obra de A. G.Michel, as realizações.
XI — As Lojas adotam uma política colonial leiga e emancipadora. (Convenção do G. Oriente da França, 1923, pag. 247).
Vejam-se, na mesma obra, as realizações.
XII — As.Lojas hostilizam o exército. (Convenção do G. Oriente, 1922, pags. 142-143).
Declaração ministerial Herriot e realizações.
XIII — As Lojas são favoráveis à reconciliação com a Alemanha e à Liga das Nações, para torná-la a Internacional dos povos e a Federação mundial. (Grande Oriente da França, 1923, pag. 97).
Tudo isto são etapas do programa maçônico para o futuro, que é:
A destruição do catolicismo.
O socialismo universal.
“É muito com modo injuriar e maldizer a sociedade capitalista. Não há aqui um só que não a deteste e não sofra as suas injustiças. Mas é necessário substituí-la.
“Para esse fim, devemos primeiramente entender-nos. Examinemos, excitemos e desenvolvamos as organizações coletivas que ela admite e postula e que, em muitos casos, já possui, regulando-as conforme o espírito de justiça que lhes falta. Em uma palavra: arrastemo-la ao que deve nascer delia, mas não nos exasperemos em excomunhões pueris.” (16)
Tais são as tendências atuais da Maçonaria francesa. O trecho seguinte de Alberto Lantoine mostra-nos como ela as aplica e de que modo influencia a política francesa:
“A Instituição existe, para preparar constantemente o futuro, pelo estudo do presente, e não para impor uma idéia, pelo prestigio efêmero da sua influencia.
“Cabe ás organizações profanas, mais aparelhadas do que. a ordem maçônica, a missão de prosseguir a realização dessa idéia; e o seu eventual insucesso não poderia atingir a Maçonaria, habilmente entrincheirada no seu papel especulativo. Os atos da vida publica nunca deveriam ser, para ela, um campo de ação, mas um campo de experiências, para a correção dos seus erros e o aperfeiçoamento da sua inteligência. Assim não haveria a política militante de que o Grande Oriente pretendessem, razão, se ocupar e pela qual a Grande Loja, contrariamente aos seus interesses bem compreendidos, tem, ás vezes, a fraqueza de se deixar influenciar. Haveria, apenas, política filosófica. Por este motivo, se devemos suprimir o artigo que interdiz, nas Loja as discussões sobre a própria vida do país, devemos conservar zelosamente (pois é a própria base da nossa instituição) o que só se preocupa com a sinceridade e a lealdade dos postulantes, sem averiguar as suas opiniões. Porque — note-se a desastrosa contradição — ousa-se escrever que se interdizem os assuntos políticos e, na pratica, rejeita-se sistematicamente um republicano demasiado tíbio ou um católico. (Repetimos: católico, porque, no nosso país, que não sofreu só as perseguições da Igreja Romana, gozam de uma especial mercê, nos ambientes do pensamento livre, os judeus e os protestantes). Por exemplo, no momento em que as obediências ousavam elevar-se oficialmente — o que constituiu uma falta imperdoável — contra os atos do ministério Poincaré, um candidato que se declarasse partidário desses atos seria certamente recusado. Em plena sessão da Grande Loja, um deputado da Jerusalém Escocesa declarou abertamente que a Maçonaria devia ser pelo bloco das esquerdas, e exprimia, infelizmente a opinião da maioria, da grande maioria, manifestando uma mentalidade de comício e a disposição de esquecer a virtude fundamental da ordem que rejeita a sua subordinação a qualquer dogma.” (17)
NOTAS:
(1) Passagem citada na Conjuração Anticristã, de Monsenhor Henrique Delassus.
(2) Esses documentos foram reproduzidos, em parte, pelo Abade Barruel, no seu livro Memórias para servirem a historia do Jacobinismo, 1798, e, mais recentemente, por Mons. Delassus, na sua-obra A conjuração anti-crístã, 1910. Veja-se também: Le Forestier — Les Illuminés de Bavière, 1914 e N. H. Webster — The World Revolution, 1922.
(3) — F. S. R,
(4) Os mesmos documentos foram publicados, na França, pelo Abade Barruel, em seu livro Memórias para a historia do Jacobinismo, em 1798.
(5) O escrito desse Estadista foi publicado, pela primeira vez, em Berlim, no ano de 1840, na obra intitulada Dorrev’s Denkschriften und Briefe zur Charalcteristik der Welt und Literafür, (vol. IV, pags. 211-221).
(6) Leia-se a historia detalhada da emancipação dos judeus no livro do Abbade Lemann (Judeu convertido) A entrada dos israelitas na sociedade.
(7) Alberto Lantoine — Hiran no Jardim das Oliveiras, — Livraria Maçônica Gloton, Paris, 1928. Pag. 16.
(8) E. Malynski — A Grande Conjuração Mundial — Livraria Cervantes. Paris, 1928.
(9) Alberto Lantoine — Hiram coroado de espinhos, — Vol. II, pag. 513. E. Nourry. Paris, 1926.
(10) G. Hervé — Assuntos de pós guerra, — pag. 13. Livraria da Victoria, Paris, 1924.
(11) G. Hervé — Assumtos de pós guerra, — Prefacio. Liv. da Victoria. Paris, 1924.
(12) Artigo do Matin citado pela Maçonaria desmascarada; setembro de 1893; pag. 322-325.
(13) Boletim do Grande Oriente, 1891; pag. 225.
(14) R. Meimevée — A organização anti-maçônica na França; pag. 52. Paris, 1928.
(15) G. Hervé — A Vitória, 25 de fevereiro de 1929. Primeira carta às elites.
(16) 1) A. Lebey — Na Loja Maçônica, pag. 95. — E. Chiron, Paris. Discurso de encerramento da Convenção de 1920.
(17) Alberto Lantoine — Hiram coroado de espinhos. Vol II, pág. 558. (O grifo é nosso)
(Léon de Poncins: As Forças Secretas da Revolução. Ed. Globo, 1931.)

O PLANO MAÇÔNICO
PARA A DESTRUIÇÃO DA IGREJA CATÓLICA
http://www.conchiglia.us/PORTUGAL/PT_extra/PT_Piano_Massonico.htm

Normas do grande Mestre da Maçonaria aos Bispos católicos maçons, efetivas desde 1962.
(Posta em dia pelo Vaticano II). Todos os confrades maçons terão que referir sobre os progressos destas decisivas disposições. Reelaboradas em outubro de 1993 como plano progressivo para o passo final. Todos os maçons ocupados na Igreja têm que acolhê-la e realizá-las.

1
Removam de uma vez por todas a São Miguel, protetor da Igreja Católica, de todas as orações ao interior e ao exterior da Santa Missa. Remover suas estátuas, afirmando que elas apartam da Adoração de Cristo.

2
Removam os Exercícios Penitenciais da Quaresma como a abstinência de carne as sextas-feiras e também o jejum;
impeçam cada ato de abnegação. Em seu lugar devem ser favorecidos os atos de alegria, de felicidade e de amor ao próximo. Digam: "Cristo já mereceu por nós o Paraíso" e "cada esforço humano é inútil". Digam a todos que devem tomar em sério a preocupação por sua saúde. Estimulem o consumo de carne, especialmente de porco.

3
Encarreguem aos pastores protestantes de reexaminar a Santa Missa e de desacralizá-la. Semeiem dúvidas sobre a Real Presença de Cristo na Eucaristia e confirmem que a Eucaristia - com maior aproximação à fé dos protestantes - é somente como pão e vinho e compreendida como um puro símbolo. Disseminem protestantes nos Seminários e nas escolas. Falem de ecumenismo como caminho para a unidade. Acusem a cada um que crê na Presença Real de Jesus o Cristo na Eucaristia como subversivo e desobediente para com a Igreja.

4
Proíbam a Liturgia latina da Missa, Adoração e Cantos, uma vez que eles comunicam um sentimento de mistério e de respeito. Apresentem-no como feitiços de adivinhos. Os homens pararão de crer nos Sacerdotes como homens de inteligência superior, de respeitar como portadores dos Mistérios Divinos.

5
Dêem coragem às mulheres a não cobrir-se a cabeça com o véu na igreja. O cabelo é sexi. Pretendam às mulheres como leitoras e sacerdotisas. Apresentem a coisa como se fosse uma idéia democrática. Fundem um movimento de libertação da mulher. Quem entra na igreja tem que vestir vestidos descuidados para sentir-se nela como em casa.
Isso debilitará a importância da Santa Missa.

6
Afastem os fiéis de receber de joelhos a Comunhão. Digam às monjas que devem impedir aos pequenos antes e depois da Comunhão de ter as mãos juntas. Digam a eles que Deus os quer assim como são e deseja que se sintam completamente cômodos. Eliminem na igreja de estar de joelhos e cada genuflexão. Tirem os genuflexórios. Digam às pessoas que durante a Missa devem certificar sua fé em posição erguida.

7
Eliminem a música sagrada do órgão. Introduzam guitarras, harpas judias, tambores, ruídos e sagradas risadas nas igrejas. Isso afastará a gente da oração pessoal e das conversações com Jesus. Impeçam a Jesus o tempo de chamar crianças à vida religiosa. Introduzam ao redor do altar danças litúrgicas com vestidos excitantes, teatros e concertos.

8
Tirem o caráter sagrado aos cantos da Mãe de Deus e de São José. Indiquem sua veneração como idolatria. Convertam em ridículos os que persistem. Introduzam cantos protestantes. Isso dará a impressão que a Igreja Católica por fim admite que o Protestantismo é a verdadeira religião ou ao menos que ele é igual a Igreja Católica.

9
Eliminem também todos os hinos a Jesus uma vez que eles fazem pensar à gente na felicidade e serenidade que deriva da vida de mortificação e penitência por Deus desde a infância. Introduzam cantos novos somente para convencer a gente que os rituais anteriores de algum modo eram falsos. Assegurem-se que em cada Missa ao menos um canto pelo qual Jesus não seja mencionado e que em vez fale somente de amor para os homens. A juventude será entusiasmada ao sentir falar de amor para o próximo. Anunciem o amor, a tolerância e a unidade.
Não mencionem a Jesus, proíbam cada anúncio da Eucaristia.

10
Removam todas as relíquias dos Santos dos Altares e sucessivamente também os Altares mesmos. Substituem com mesas pagãs privadas de Consagração que possam ser usadas para oferecer sacrifícios humanos no curso das missas satânicas. Eliminem a lei Eclesiástica que quer a celebração da Santa Missa somente sobre Altares que contenham Relíquias.

11
Interrompam a prática de celebrar a Santa Missa na presença do Santíssimo Sacramento no Tabernáculo. Não admitam algum Tabernáculo sobre os Altares que são usados para a celebração da Santa Missa. A mesa deve ter o aspecto de uma mesa de cozinha. Deve ser transportável para expressar que ela não é absolutamente sagrada porém tem que servir para um dobro objetivo, por exemplo, de mesa para conferências ou para jogar cartas. Mais tarde coloquem ao menos uma cadeira a tal mesa. O Sacerdote tem que sentar-se para indicar que depois da Comunhão ele descansa como depois de uma comida. O Sacerdote não tem que estar nunca de joelhos durante a Missa nem fazer genuflexões.
Nas comidas, de fato, não se ajoelham nunca. A cadeira do Sacerdote tem que ser colocada no lugar do Tabernáculo. Dêem coragem à gente a venerar e também a adorar ao Sacerdote no lugar da Eucaristia, a obedecer-lhe no lugar da Eucaristia. Digam à gente que o Sacerdote é Cristo, seu chefe. Coloquem o Tabernáculo num local diferente, fora da vista.

12
Façam desaparecer os Santos do calendário Eclesiástico, sempre alguns em tempos determinados. Proíbam aos Sacerdotes de falar dos Santos, exceto aqueles mencionados pelo Evangelho. Digam ao povo que eventuais protestantes, talvez presentes na igreja, poderiam escandalizar-se deles. Evitem tudo aquilo que molesta aos protestantes.

13
Na leitura do Evangelho omitam a palavra "santo", por exemplo, em lugar de "Evangelho segundo São João", digam simplesmente: "Evangelho de João". Isso fará pensar à gente de não ter o dever de venerá-los mais.
Escrevam continuamente novas bíblias até que elas sejam idênticas àquelas dos protestantes. Omitam o adjetivo "Santo" na expressão "Espírito Santo". Isso abrirá o caminho. Evidenciar a natureza feminina de Deus como a de uma mãe cheia de ternura. Eliminem o emprego do termo "Pai."

14
Façam desaparecer todos os livros pessoais de piedade e destruam-no. Por conseguinte desaparecerão também as Ladainhas do Sagrado Coração de Jesus, da Mãe de Deus, de São José como a preparação à Santa Comunhão. Supérfluo inclusive se tornará o agradecimento depois da Comunhão.

15
Façam também desaparecer todas as estátuas e as imágens dos Anjos. Por que tem que estar entre nossos pés as estátuas de nossos inimigos? Defínam-los mitos ou contos de boa noites. Não permitam o discurso sobre os Anjos uma vez que chocaria a nossos amigos protestantes.

16
Revoguem o exorcismo menor para expulsar aos demônios; empenhem-se nisto, anunciem que os diabos não existem. Expliquem que é o método adotado pela Bíblia para designar o mal e que sem um malvado não podem existir histórias interessantes. Em conseqüência a gente não crerá na existência do inferno nem temerá de poder-se cair nele. Repitam que o inferno não é outra coisa que estar longe de Deus e que não é uma coisa terrível este se trata no fundo da mesma vida como aqui na terra.

17
Ensinem que Jesus era somente um homem que teve irmãos e irmãs e que odiou aos que tinham o poder. Expliquem que ele amava a companhia das prostitutas, especialmente de Maria a Magdalena; que não soube o que fazer com as igrejas e sinagogas. Digam que aconselhou de não obedecer aos chefes do Clero, digam que ele foi um grande mestre que se desviou do caminho quando negou obediência aos chefes da igreja. Desacreditem o discurso sobre a Cruz como uma vitória, ao contrário Apresentem-na como um fracasso.

18
Lembrem-se que podem induzir às monjas à traição de sua vocação si se dirigem a sua vaidade, atrativo e beleza. Façam trocar o hábito Eclesiástico e isso as levará naturalmente a jogar no lixo seus Rosários.
Revelem ao mundo que tem dissensão em seus conventos. Isso dissecará suas vocações. Digam-lhes que não serão aceitas se não renunciam ao hábito. Também Favoreçam o descrédito do hábito Eclesiástico entre a gente.

19
Queimem todos os Catecismos. Digam aos catequistas de ensinar a amar as criaturas de Deus em vez do mesmo Deus. Amar abertamente é testemunho de maturidade. Façam que o termo "sexo" se converte em palavra de uso cotidiano em suas classes de religião. Façam do sexo uma nova religião. Introduzam imagens de sexo nas lições religiosas para ensinar às crianças a realidade. Certifiquem-se que as imagens sejam claras. Dêem coragem às escolas de tornarem-se pensadores progressistas no campo da educação sexual. Introduzam assim a educação sexual através da autoridade Episcopal, dessa maneira os padres não terão a possibilidade de dizer nada em contrário.

20
Destruam as escolas católicas, impedindo as vocações de monjas. Digam às monjas que são trabalhadoras sociais com um salário e que a Igreja está a ponto de eliminá-las. Insistam que o Professor leigo católico receba o idêntico salário daquele das escolas governamentais. Empreguem professores não católicos. Os Sacerdotes devem receber o idêntico salário como os correspondentes empregados seculares. Todos os Sacerdotes devem tirar assim sua Batina Clerical e suas Cruzes para poder serem aceitos por todos. Ponham em ridículo àqueles que não se conformam.

21
Destruam ao Papa, destruindo suas Universidades. Tirem as Universidades ao Papa, dizendo que em tal modo o governo poderia subsidiá-las. Substituam os nomes dos Institutos Religiosos com nomes profanos, para favorecer o ecumenismo. Por exemplo, em lugar de "Escola Imaculada Conceição" digam "Escola Superior Nova". Criem departamentos de ecumenismo em todas as Dioceses e preocupem-se que seu controle seja de parte protestante. Proíbam as Orações para o Papa e a Maria porque elas desanimam o ecumenismo. Anunciem que os Bispos locais são as autoridades competentes. Sustentem que o Papa é somente uma figura representativa. Expliquem à gente que o ensino Papal serve somente à conversação, que ela de outro modo não tem nenhuma importância.

22
Combatam a autoridade Papal, colocando um limite de idade a seu exercício. Reduzam-na pouco a pouco, expliquem que é para preservá-lo do excesso de trabalho.

22
Combatam a autoridade Papal, colocando um limite de idade a seu exercício. Reduzam-na pouco a pouco, expliquem que é para preservá-lo do excesso de trabalho.

23
Sejam audazes. Debilitem ao Papa introduzindo sínodos Episcopais. O Papa se tornará então somente como uma figura de representação como na Inglaterra onde a Câmara Alta e aquela Baixa reinam e deles a rainha recebe as ordens. Sucessivamente debilitem a autoridade do Bispo, dando vida a uma instituição concorrente a nível de Presbitérios. Digam que os Sacerdotes recebem em tal modo a atenção que merecem. Ao final debilitem a autoridade do Sacerdote com a constituição de grupos de leigos que dominem aos Sacerdotes. Deste modo se originará um tal ódio que abandonarão a Igreja e até os Cardeais e a Igreja será democrática... a Igreja Nova...

24
Reduzam as vocações ao Sacerdócio, fazendo perder aos leigos o temor reverencial por eles. O escândalo público de um Sacerdote destruirá milhares de vocações. Louvem aos Sacerdotes que por amor de uma mulher souberam deixar tudo, definem-no heróicos. Honrem aos Sacerdotes reduzidos ao estado laical como autênticos mártires, oprimidos a tal ponto de não poder suportar mais. Também condenem como um escândalo que nossos confrades como maçons no Sacerdócio tenham que ser notados e seus nomes publicados. Sejam tolerantes com a homossexualidade do Clero. Digam à gente que os Curas padecem de solidão.

25
Comecem a fechar as igrejas à causa da escassez de Clero. Definem como boa e econômica tal prática. Expliquem que Deus escuta em todos os lados as orações. Neste caso as igrejas se convertem em extravagantes desperdício de dinheiro. Fechem antes de tudo as igrejas em que se praticam piedade tradicional.

26
Utilizem comissões de leigos e Sacerdotes débeis na fé que condenem e assegurem sem dificuldade cada aparição de Maria e cada aparente milagre, especialmente do Arcanjo São Miguel. Assegurem-se que nada disto, de nenhuma maneira receberá a aprovação segundo o Vaticano II. Denominem desobediência respeito à autoridade se alguém obedece às Revelações ou se alguém reflete sobre elas. Indiquem aos Vigentes como desobedientes respeito à autoridade Eclesiástica. Façam cair seu bom nome em desestima, então ninguém crerá nestas revelações.

27
Escolham a um Anti Papa. Afirmem que ele reconduzirá aos protestantes na Igreja e talvez até os Judeus. Um Ante Papa poderá ser eleito se fosse dado o direito de voto aos Bispos. Então muitos Ante Papas serão eleitos assim que será instalado um Ante Papa como compromisso. Afirmem que o verdadeiro Papa è morto.

28
Tirem a Confissão antes da Santa Comunhão para os alunos do segundo e terceiro ano para que a eles não importem nada dela quando freqüentem quarto e quinto e depois as classes superiores. Então A Confissão desaparecerá. Introzam, (em silêncio), a confissão comunitária com a absolvição em grupo. Expliquem à gente que a coisa sucede por causa da escassez de Clero.

29
Façam distribuir a Comunhão por mulheres e leigos. Digam que este é o tempo dos leigos. Comecem dar a Comunhão na mão como os protestantes, em vez de dar na boca sobre a língua. Expliquem que Cristo fez do mesmo modo. Recolham algumas hóstias para "missas negras" em nossos templos. Depois distribuam no lugar da Comunhão pessoal uma taça de hóstias não consagradas que se podem levar consigo à casa. Expliquem que deste modo se podem receber os dons divinos na vida de cada dia. Coloquem distribuidores automáticos de hóstias para a comunhão e denominem-no Tabernáculos. Digam à gente que se deve dar o sinal da paz. Dêem coragem à gente a deslocar-se na igreja para interromper a devoção e a oração. Não façam Sinais de Cruz; no seu lugar façam o sinal da paz. Expliquem que também Cristo se deslocou para saudar aos Discípulos. Não permitam alguma concentração em tais momentos. Os Sacerdotes devem dar as costas à Eucaristia para honrar ao povo.

30
Depois que o anti papa for eleito, tirem os sínodos dos Bispos como as associações dos Sacerdotes e os conselhos paroquiais. Proíbam a todos os religiosos de pôr em discussão, sem licença, estas novas disposições. Expliquem que Deus quer a humildade e odeia aos que aspiram a glória. Acusem de desobediência respeito à autoridade Eclesiástica todos os que põe interrogações. Desanimem a obediência a Deus. Digam à gente que tem que obedecer a estes superiores Eclesiásticos.

31
Concedam ao Papa (=Anti Papa) o máximo poder de eleger aos mesmos sucessores. Ameacem sob pena de excomunhão a todos os que amam a Deus de levar o sinal da besta. Não o chamem porém "sinal da besta". O Sinal da Cruz não tem que ser feito nem usado sobre as pessoas ou através delas, (não se deve benzer mais). Fazer o Sinal da Cruz será designado como idolatria e desobediência.

32
Declarem falsos os Dogmas anteriores, exceto aquele da infalibilidade Pontifícia. Proclamem a Jesus o Cristo um revolucionário frustrado. Anunciem que o verdadeiro Cristo presto virá. Somente o Ante Papa eleito tem que ser obedecido. Digam às gentes que devem inclinar-se quando seja pronunciado seu nome.

33
Ordenem a todos os seguidores do Papa de combater em santas cruzadas para estender a única religião mundial. Satanás sabe onde se encontra todo o oro perdido. Conquistem sem piedade o mundo!
Tudo isso levará à humanidade o quanto ela sempre desejou: "a época de ouro da paz."

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