sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Crise de fé: avacalhação litúrgica.


A CRISE DA IGREJA – FATORES E ELEMENTOS: A QUESTÃO LITÚRGICA E O RITO DE PAULO VI (NOVUS ORDO MISSAE) – 1ª PARTE

“Se queremos destruir a Igreja temos que destruir a Santa Missa” (Martinho Lutero)

Imagine o quadro: uma missa regida a guitarra, baixo, bateria, sintetizador e até zabumba! No meio da nave da igreja, um grupo de adolescentes vestidas com roupas justíssimas se esforça em um número bem atual e frenético de dança, enquanto o sacerdote mal-aparamentado e os fiéis entusiasmados aplaudem efusivamente… e isto tudo ocorrendo durante a missa…

A situação descrita acima é comum em muitíssimas paróquias e pode ser tranquilamente encontrada em boa parte das cidades do Brasil e do resto do mundo. Em Salvador, infelizmente, tal realidade não é exceção, muito pelo contrário, ocorre com muito mais freqüência do que se imagina…

Embora não seja fator exclusivo da crise da Igreja, mas situado em uma conjuntura que será abordada gradativamente, iniciaremos esta explanação sobre o tema tratando da questão da reforma da liturgia pelo fato desta externar, de forma que salta aos olhos, sua considerável contribuição para o atual estado desolador em que se encontra o Rebanho de Pedro.

Para um melhor entendimento do que será comentado a seguir, iniciamos a explanação do tema com as considerações feitas pelo Padre Álvaro Calderón em sua obra “A Candeia debaixo do Alqueire” (Edições Mosteiro da Santa Cruz em conjunto com o Instituto Brasileiro de Filosofia e Estudos Tomistas, 1ª ed., 2009, p. 187):

“A liturgia ou culto público da Igreja foi, ao mesmo tempo, um dos principais instrumentos de transmissão do Depósito da Fé e de sua impressão na alma do povo fiel. Muitas verdades de fé foram primeiro vividas na liturgia e só depois ensinadas pelo magistério; e à maioria dos fiéis diz mais uma genuflexão diante do Santíssimo que a definição da Transubstanciação. Daí que o Papa São Celestino I tenha sentenciado: ‘que a lei da oração estabeleça a lei da fé’, e São Pio X tenha reconhecido que ‘a fonte primeira e indispensável’ do ‘verdadeiro espírito cristão’ é a ‘participação ativa nos sacrossantos mistérios na oração pública e solene da Igreja”.

Ora, em maio de 1964, ainda durante o Concílio Vaticano II (1962-1965), o Papa Paulo VI constituiu uma comissão de peritos a qual foi encarregada da elaboração de um novo missal. De fato, o missal anterior tinha sofrido sua última reforma em 1962, durante o pontificado de João XXIII, mas sem grandes alterações em suas linhas gerais. A partir de 1965 passou-se a rezar a “Missa do Concílio Vaticano II”, também conhecida como o “Rito de 1965”, que basicamente era o Rito de São Pio V rezado de modo mais enxuto e sem a repetição de algumas orações que estavam em duplicidade neste respeitável missal.

Enfim, até abril de 1969 a Igreja Latina utilizou o Missal promulgado por São Pio V, papa do século XVI reconhecido como santo, o qual, em 1570, através da Bula “Quo Primum Tempore”, regulamentou e canonizou o Rito Dâmaso-Gregoriano, também conhecido como Rito Romano, cujas origens mais bem delineadas remontam aos séculos IV, V e VI d.C., embora alguns estudiosos cheguem a afirmar, não sem razão, que algumas das orações do antigo Missal Romano teriam sua origem no tempo dos apóstolos.
São Pio V, na referida bula, determinou que a ninguém absolutamente estaria, in literis, “permitido infringir ou, por temerária audácia, se opor à presente disposição de nossa permissão, estatuto, ordenação, mandato, preceito, concessão, indulto, declaração, vontade, decreto e proibição” e que se, contudo, alguém, tivesse “a audácia de atentar contra estas disposições” incorreria “na indignação de Deus Todo-poderoso e de seus bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo”.
De fato, São Pio V não criou o Rito Romano, mas o disciplinou e cercou de tamanhos cuidados que, não sem razão, este passou a ser frequentemente chamada de “Rito de São Pio V”, “Rito Tridentino” ou mesmo “Missa Tridentina”, pois sua disposição foi oriunda das determinações tomadas no Concílio de Trento (1545-1563) e por este papa santo.
Enfim, retornando aos eventos da reforma litúrgica que se desenvolveram a partir de 1964, Paulo VI atribuiu a esta comissão (denominada Consilium para a Implementação da Constituição da Liturgia) os trabalhos da elaboração do novo missal. Este Consilium (o qual não deve ser confundido com o Concílio Vaticano II, embora seja oriundo de suas disposições) era um órgão que teve entre seus principais artífices Monsenhor Annibale Bugnini (1912-1982), C.M., clérigo com reconhecidos conhecimentos em liturgia, mas de tendência altamente progressista e ecumênica (tanto que sua ação durante o início do Concílio Vaticano II foi tolhida por João XXIII e por setores da Cúria Romana, que o viam como excessivamente liberal e inovador).
Após a morte de João XXIII, eis que Paulo VI, em uma atitude um tanto quanto inusitada, o reabilita, e Monsenhor Annibale Bugnini veio a tornar-se a alma e a mente por detrás da elaboração do Missal de 1969 promulgado por Paulo VI e da trágica dessacralização que se seguiu. Mais tarde, Annibale Bugnini foi feito arcebispo, mas esta é uma outra história…
De fato, Annibale Bugnini era inquestionavelmente uma figura polêmica e sua atuação muito questionada dentro da própria Santa Sé. Tanto que o respeitável Frade Paul Crane afirmava possuir fortíssimas evidências, oriundas de fontes seguras, de que Monsenhor Bugnini teria mantido estreitas ligações com sociedades secretas que estavam a agir na surdina (esta polêmica história será tratada em futuras explanações).
Mas retornemos ao assunto do Consilum encarregado da reforma da liturgia, no qual havia, ainda, a participação de peritos no Rito Latino e nos Ritos Orientais, porém, o que mais chamava a atenção foi que a estes foram estranhamente incluídos seis “observadores” protestantes: Rev. Ronald C. D. Jasper, (anglicano), Rev. Dr. Massey H. Shepherd Jr. (metodista), A. Raymond George, (metodista), Pastor Friedrick-Wilhelm Künneth, (calvinista), Rev. Eugene L. Brand, (metodista), Pastor Max Thurian, (Comunidade Thaizé), em uma tentativa de coroar a atuação “ecumênica” do órgão.
Alega-se que estes não teriam participado de quaisquer das seções formais do Consilium, o que não condiz com a verdade, sendo certo que eles exerceram, nos bastidores do órgão, muita influência na feitura no Novus Ordo Missae de 1969.
De fato, o que se viu foi a mutilação ou, pior, a supressão de orações importantes (e que faziam menção explícita do caráter propiciatório da missa), como, por exemplo, o comovente confiteor. Outras orações da missa (que também reforçavam seu caráter sacrificial) foram deslocadas do contexto em que se encontravam ou ficaram grotescamente desfiguradas (como, por exemplo, a coleta, passando esta a ser conhecida simplesmente como “ofertório”). Isto sem contar que se deixou de fazer a recitação do Salmo 42, do último evangelho e a oração a São Miguel Arcanjo, sendo todas estas belas orações impiedosamente varridas do novo missal.
Diminuíram sensivelmente as invocações aos santos, os sinais da cruz e as genuflexões do sacerdote (estas passaram a ser apenas uma). Pior, alteraram o próprio Cânon (fórmula da Consagração das espécies do pão e do vinho em Corpo e Sangue de Cristo), aproximando-o sensivelmente da ceia protestante, passando o sacerdote, que antes consagrava as espécies em uma postura ativa, para uma atitude visivelmente narrativa e quase teatral (isto, faça-se justiça, contra a vontade de Paulo VI). Ao invés de um único Cânon na Missa, foram elaborados outros quatro (o mais antigo deles, o Cânon Romano, foi deveras mutilado e só sobreviveu porque o Papa interveio pessoalmente para proibir sua total eliminação).
O altar, que antes era rente ao Santíssimo e voltado ad orientem (sempre contando com uma relíquia de algum santo em sua base), após a reforma, foi substituído pela protestantizante mesa eucarística, muitas vezes feita de madeira, ferro ou plástico, em um flagrante abuso litúrgico. Não raro, antigos e veneráveis altares de mármore ou granito foram esquecidos ou, pior, desmontados, arrancados e até cortados com serras apropriadas, sendo jogados fora ou, não raro, utilizados com meio-fio de estacionamentos ou passeios de rua.

O próprio Santíssimo, que antes dominava o altar, com a reforma litúrgica, foi gradualmente removido para um compartimento lateral, passando a ocupar absurdamente uma posição secundária, contrariando determinações expressas emanadas alguns anos antes de Pio XII para que tal dessacralização jamais viesse a ocorrer. No local onde originalmente encontrava-se exposto o Santíssimo, hoje, não raro, instala-se a cadeira do sacerdote ou outro móvel qualquer.
O papa descreve bem como reagiu diante da impiedosa imposição do Novus Ordo Missae na sua autobiografia (escrita quando ainda era cardeal): “eu ficava estupefato pela interdição do antigo missal, no momento que jamais se tinha verificado uma coisa semelhante em toda a história da liturgia. Deram a impressão de que tudo isto era absolutamente normal. O missal precedente tinha sido composto por Pio V em 1570, em seguida ao Concílio de Trento; era portanto normal que, após quatrocentos anos e um novo Concílio, um novo papa publicasse um novo Missal. Mas a verdade histórica é diferente. Pio V se limitara a fazer elaborar de novo o missal romano então em uso, como no decurso da vida da história isto havia sempre sucedido no transcorrer os séculos. E muitos dos seus sucessores, do mesmo modo que ele, tinham elaborado novamente este missal, sem jamais opor um missal a um outro. Tratava-se sempre dum processo contínuo, a continuidade nunca era destruída. (J. Ratzinger, La mia vitta – “Minha vida” – pp. 111-112)
É o mesmo Bento XVI que, no prefácio da magistral obra “A Reforma da Liturgia Romana”, de Monsenhor Klaus Gamber (1919-1987), antigo mestre da Universidade de Ratisbona e amigo pessoal do Papa Ratzinger, nos diz, textualmente e sem titubear, sua abalizada opinião de exímio teólogo a respeito da reforma de Paulo VI:

“A reforma litúrgica, em sua realização concreta, se distanciou demais de sua origem. O resultado não foi uma animação, mas uma devastação. De um lado se tem uma liturgia que se degenerou em ‘show’, onde se quis mostrar uma religião atrativa com a ajuda de tolices da moda e de incitantes princípios morais, com êxitos momentâneos no grupo de criadores litúrgicos e uma atitude de reprovação tanto mais pronunciada nos que buscam na liturgia, não tanto o ‘showmaster’ espiritual, mas o encontro com o Deus Vivo, diante do qual toda ‘ação’ é insignificante, pois somente este encontro é capaz de nos fazer chegar à riqueza de Deus”.

E prosseguindo em sua explanação, mais adiante, conclui que, com a reforma litúrgica de Paulo VI, ocorreu “que no lugar de uma liturgia fruto de um desenvolvimento contínuo, introduziu-se uma liturgia fabricada. Escapou-se de um processo de crescimento e de devir para entrar em outro de fabricação. Não se quis continuar o devir e o amadurecimento orgânico do que existiu durante séculos. Foi substituído, como se fosse uma produção industrial, por uma fabricação que é um produto banal do momento”.
Esta foi uma mudança sem precedentes na história da liturgia, tendo ido muitíssimo além do que a grande maioria dos Padres do Concílio Vaticano II visou quando eles votaram pela constituição do Sacrosanctum Concilium seis anos antes, assim como muitos deles atestaram.
O resultado da devastação litúrgica está patente aos olhos de todas as pessoas com um mínimo de discernimento dos fatos que se sucederam: igrejas que se esvaziaram, esfriamento gradativo da fé de muitos (isto quando atitudes histéricas, encenações teatrais despropositadas, números sensuais de dança, aplausos e línguas “estranhas” durante a missa não são encarados como “manifestações de fé”) e, em um sintoma mais que visível da crise, a queda nas vocações religiosas.
Muitos que analisam o assunto da questão litúrgica afirmam, não sem razão, que o missal de 1969 traz consigo uma teologia nova, inquietante e repleta de ambigüidades, tanto que o próprio Padre Pio (1887-1968), (famoso santo canonizado por João Paulo II e cuja vida foi pautada pelo amor à Eucaristia e repleta de milagres), em 1967, enquanto o novo missal ainda estava em fase de experimentação, pediu a Paulo VI, através do Cardeal Otaviani, Prefeito do Santo Ofício, autorização para continuar a rezar o missal de São Pio V, alegando que o novo rito (que ainda seria implantado nos anos seguintes) trazia consigo questionamentos sérios e dúvidas muito inquietantes as quais não existiam no rito anterior. Não precisamos dizer que o Padre Pio obteve tal autorização e continuou a celebrar sua missa normalmente.
Seguindo esta linha de pensamento, merece ser mencionado que Jean Guitton (1901-1999), escritor, filósofo e admirador da Nova Teologia (era inclusive amigo pessoal de Paulo VI) asseverou, em matéria publicada no L’Osservatore Romano, que o Novus Ordo Missae, em vários pontos, possui estreita semelhança com a ceia calvinista.
Com a intensa atenuação do sentido sacrificial e propiciatório e a equivocada exaltação da natureza protestantizante de “Ceia do Senhor”, o que se viu foi que, com o novo missal, os fiéis ficaram cada vez mais privados do contato com o transcendente, enquanto abriu-se a guarda à criatividade do sacerdote ou mesmo da equipe de liturgia de cada paróquia, sucedendo-se terríveis abusos litúrgicos (impensáveis no venerável rito anterior) e, não raro, verdadeiros sacrilégios. Em algumas paróquias percebe-se que tornaram a missa praticamente um encontro social, uma confraternização de amigos ou mesmo uma baderna despropositada regada a números de dança, histeria, línguas que se embaralham ou encenações em que o homem é o centro das atenções e não o mistério do Sacrifício de Nosso Senhor na Cruz…
A música sacra, que antes dava a melodiosa e respeitosa ambientação ao Sacrifício Incruento de Cristo no altar, cedeu lugar a canções com a profundidade de um pires, tendo sido abandonado o venerável canto gregoriano e o belíssimo coral polifônico. O órgão, com raríssimas e honrosas exceções, foi praticamente erradicado das igrejas em nome de um questionável avanço tecnológico e no gosto musical, cedendo lugar às guitarras, bateria, violão e outros instrumentos nem um pouco litúrgicos, sendo que a música que hoje acompanha as missas se assemelha, não raro, à trilha sonora de um show de Rock, MPB ou de alguma banda “da moda”.
Assim, vimos uma liturgia respeitável, milenar, sacralizante e teocêntrica ser rapidamente varrida dos templos católicos e, em seu lugar, ser imposta outra, antropocêntrica, criativa, ecumênica, quase totalmente dessacralizada e resultante de uma tendência passageira. Em suma, um novo rito da missa foi praticamente “fabricado” e forçosamente introduzido na Igreja em detrimento do anterior, pondo de lado mais de um milênio e meio de um zeloso e gradual progresso que vinha ocorrendo na liturgia, demolindo-se o venerável edifício litúrgico do Rito Tridentino e, de algumas pedras encontradas no entulho, construiu-se, juntamente com não pouco material estranho e questionável, outro rito no lugar, o Novus Ordo Missae.

Após o novo missal, como diz Dom Aloísio Roque Oppermann, Arcebispo de Uberaba/MG, em um artigo escrito no jornal informativo de sua diocese:

“Quase todo celebrante se considerava habilitado para inovar, criar, mudar e acrescentar. Não sem razão, muitos fiéis manifestavam o seu descontentamento, e a sua estranheza. Depois de melhores estudos, aos poucos a disciplina tornou a vigorar. Descobrimos, sim, que a criatividade é muito importante, para haver boas celebrações. Mas para o bem dos fiéis, foi preciso reconhecer que as regras, os ritos estabelecidos, precisavam ser rigorosamente observados. O rito não pode ficar à mercê da vontade do celebrante, sobretudo quando se trata da Missa”.

O drama da questão litúrgica é de tal dimensão que o falecido vaticanista Romano Amerio (1905-1997), em sua magistral obra “Iota Unum – Estudo sobre as Transformações da Igreja Católica no Século XX”, (livro que foi ignorado quando de seu lançamento em 1985, mas que atualmente foi redescoberto com toda a força e é uma referência das mais abalizadas sobre as terríveis mudanças ocorridas na Igreja), nos diz textualmente:

“A reforma da liturgia católica é a obra mais imponente, visível, universal e eficaz saída do Concílio Vaticano II. Contradiz os textos da grande assembléia e se caracteriza pelo caráter anfibológico de suas prescrições, sobre a qual se exercitaram tanto a sutileza bicéfala de seus redatores como a hermenêutica posterior, que a causa da anfibologia dos textos apelava ao espírito do Concílio”.

A respeito da contradição aludida por Romano Amerio entre a reforma litúrgica de Paulo VI em face dos próprios documentos conciliares, este autor aduz, de forma clara e precisa, que a supressão do latim da liturgia já contradiz, de imediato, o próprio artigo 36 da Constituição Conciliar sobre Liturgia, que reafirma a necessidade da conservação do uso da língua e do rito latino.

De qualquer forma, sendo o latim uma língua morta, é considerada como sendo ideal para o uso litúrgico a que se presta, pois encontra-se imune às modificações que acometem as línguas em uso (tais como os vícios de linguagem e gírias) as quais podem comprometer o próprio sentido eucarístico do rito. Frise-se que o latim reflete a universalidade da Igreja, sendo que, por exemplo, se um fiel acostumado a ir à missa celebrada em latim no México, viajando para Alemanha e indo a uma missa celebrada em latim naquele país, ali não se sente como um peixe fora d’água. É ainda digno de menção que o próprio Novus Ordo foi elaborado para ser rezado em latim, sendo a introdução do vernáculo uma inovação totalmente estranha e inusitada.

Frise-se que o latim guarda consigo uma atmosfera de profundo respeito e mistério, atmosfera esta que era reforçada pela alta espiritualidade e grandeza do Rito Tridentino. E nem se diga que antes as pessoas nada entendiam, pois os missais eram bilíngües, tendo ao lado do texto em latim a tradução em português, sendo que as leituras da missa e o sermão eram feitos na língua corrente do lugar. Aliás, não era incomum algumas pessoas decorarem as orações do missal, tendo-as na ponta da língua, podendo até mesmo dispensar o missal bilingüe.

Outro dado concreto é que, antes da reforma do missal de 1969 e do conseqüente banimento do latim, o fiel sabia mais perfeitamente o sentido da missa, tendo conhecimento de que estava diante do Sacrifício Incruento de Nosso Senhor, tornando-se o Calvário presente no altar quando o sacerdote, na pessoa de Cristo, converte o pão e o vinho em Corpo e Sangue de Jesus (ou, como a Igreja sempre anunciou, Corpo, Alma e Divindade de Cristo). Será que hoje em dia as pessoas que vão à missa em vernáculo têm conhecimento disto? O que mais se ouve nas paróquias são os leigos (e, pasmem, até padres) apregoarem que “missa é festa”, “missa é alegria” ou que “a missa é ceia fraternal dos irmãos de fé”, dentre outros terríveis equívocos do gênero.

De fato, a supressão do latim da missa, em vista da torpeza das inovações descritas acima, é apenas um leve nuance diante da dimensão do desmonte (ou, em outras palavras, verdadeira demolição) a que foi acometido o venerável edifício litúrgico da Igreja.

Ciente do terrível estado em que se encontra a liturgia católica, o Papa Bento XVI, através do documento de sua lavra denominado Motu Próprio Summorum Pontificum, de 2007, desimpediu o acesso dos fiéis ao Rito de São Pio V e aos sacerdotes a total liberdade em celebrá-lo, sendo absolutamente desnecessária a autorização diocesana ou domínio do latim para tanto (este último argumento utilizado de forma falaciosa por setores da Igreja que não vêm com bons olhos o retorno do Rito de São Pio V). Em suma, o papa permitiu que o Rito Trindentino e o Novus Ordo Missae convivessem juntos e pediu aos bispos, através de uma carta que acompanha os documentos, a remoção de qualquer obstáculo para tanto.

Infelizmente algumas dioceses do Brasil fizeram (e ainda fazem) vistas grossas ao documento de Bento XVI, não facilitando (e até mesmo vetando) a designação de sacerdotes ou de igrejas para celebrações do venerável rito, em desatenção ao Santo Padre, à caridade cristã e à brandura com que devem ser tratados os que encontram laços de amor e admiração ao rito anterior (denominado Rito Extraordinário).

Nada impede uma convivência entre os dois missais, o Novus Ordo (denominado no Motu Proprio como Rito Ordinário) e o anterior (Rito Extraordinário), a não ser a incompreensão, a má-formação dos sacerdotes nos seminários, a aversão à ressacralização da liturgia ou, na pior das hipóteses, má-vontade das cúrias. Mal sabem que esta é uma tendência que veio para ficar e que, mais dia, menos dia, não poderá ser contida, quer seja no Brasil, quer seja nesta Cidade do Salvador, terra de missão.

Na próxima explanação continuaremos a desenvolver o tema da questão litúrgica e sua contribuição para a crise que assola a Igreja, inclusive reproduzindo considerações do respeitável vaticanista Romano Amerio e outros sobre o assunto, assim como as providências que Santo Padre tenciona tomar no sentido de reformar, ressacralizar e melhorar o Rito de Paulo VI para aproximá-lo do Rito Tridentino.

ACOMPANHOU O ARTIGO A FAMOSA FOTO DOS PASTORES PROTESTANTES COM PAULO VI.

“OBSERVADORES” PROTESTANTES NA REFORMA LITÚRGICA – 1966

(Pe. Annibale Bugnini - La Riforma Liturgica - pg. 204, Edizione Liturgiche – 1983 – Roma)

“No dia 23 de agosto de 1966, a lista dos “Observadores”, aprovada pela Secretaria de Estado e pela Congregação da Doutrina da Fé, ficou assim composta:

Indicados pela Comunidade Anglicana (1º de julho):

1 – Rev. Ronald C. D. Jasper, presidente da Comissão litúrgica da Igreja Anglicana da Inglaterra.

2 – Rev. Dr. Massey H. Shepherd Jr., professor «Church Divinity School of the Pacific», California –USA.

O Conselho Mundial das Igrejas indicou (12 de agosto):

3 – Prof. A. Raymond George, membro da Conferência Metodista, diretor do «Wesley College» de Headingley, Leeds, Inglaterra.

A Federação Mundial Luterana indicou (12 de agosto):

4 – Pastor Friedrick-Wilhelm Künneth, de Genebra, secretário da Comissão «for Worship and spiritual Life», substituído em 1968 por:

5 – Rev. Eugene L. Brand, Metodista de N. York.

Finalmente, a Comunidade de Taizé escolheu:

6 – Pastor Max Thurian, vice-prior da Comunidade".

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