quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Legião de Maria: manual de espiritualidade (parte 7).


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RECEITAS E DESPESAS

1. Todos os corpos legionários devem contribuir para a manutenção do Conselho superior imediato. Com exceção desta obrigação e das prescrições que seguem, têm plena liberdade para a gerência das suas receitas e responsabilidade exclusiva das suas dívidas.

2. Os vários centros não devem limitar a percentagens ou ao mínimo necessário as suas contribuições. O excedente, depois de satisfeitas as necessidades do Praesidium, recomenda-se que o enviem à Curia para as despesas da administração geral da Legião. Nesta matéria, como em tudo, as relações entre o Praesidium e a Curia devem ser como as do filho com a mãe; esta vela com solicitude pelos interesses daquele, o qual, por sua vez, procura, por todos os meios, aliviá-la dos seus cuidados maternais.

Verifica-se, com freqüência demasiada, que os Praesidia não se dão conta suficiente de que a administração geral da Legião depende das suas contribuições. Quando muito, cobrem as necessidades das Curiae, e às vezes nem tanto. Em conseqüência, as Curia não podem ajudar os Conselhos superiores a levar o pe-

[Capítulo 35 Receitas e Despesas página 218]

sado fardo econômico relativo ao trabalho de expansão, de fundação, de visita aos centros, e a pagar outras despesas correntes. Resultado: paralisação em parte de uma função vital, com as suas tristes conseqüências, provenientes de um simples descuido.

3. Antes de lançar-se em despesas extraordinárias, o Praesidium apresentará o projeto à Curia, a fim de que esta o examine e julgue sobre a conveniência ou não dos gastos.

4. A Curia pode conceder ajuda em dinheiro a um Praesidium, mas não deve assumir a responsabilidade financeira de qualquer empreendimento levado a efeito pelo mesmo. Esta responsabilidade cabe ao Praesidium. A necessidade desta regulamentação é evidente. Sem ela, qualquer grupo de dirigentes de um clube ou de um asilo, ou qualquer outra obra, poderia organizar-se em Praesidium e transformar os outros Praesidia em filiais financeiras para seu proveito.

Segue-se, pois, que nenhum Praesidium pode pedir a outro ou à Curia para ajudar a recolher receitas, senão a título de mero favor.

5. Toda transferência de fundos, que não seja de um Praesidium para as suas obras ou vice-versa, precisa de aprovação de Curia.

6. No caso de um Praesidium ou Conselho Legionário desaparecer ou cessar de existir como legionário, a propriedade do dinheiro e outros objetos passa ao Conselho Superior imediato.

7. O Diretor Espiritual não será responsável, financeiramente, pelas dívidas que ele mesmo não haja aconselhado.

8. Os livros de contabilidade do Tesoureiro serão examinados anualmente. Dois membros do Praesidium, não incluindo o Tesoureiro, serão designados para esse serviço. O mesmo deve ocorrer em relação aos Conselhos.

9. Admitir que a Virgem de Nazaré desperdiçava, no governo de sua casa, é idéia impossível. Por conseqüência, inútil se torna dizer que todos os núcleos e conselhos Legionários devem velar com atenção por tudo quanto lhes pertence, inclusive dinheiro, e administrá-lo com economia.

[Capítulo 35 Receitas e Despesas página 219]

“O gênero humano é um todo, um corpo em que cada membro recebe e deve transmitir. A vida precisa de movimento e de circulação. Chega a todos; quem a quiser deter perdê-la-á e quem consentir perdê-la achá-la-á. Cada alma, para viver, deve derramar-se noutra. Todo o dom divino é uma força que tem de ser transmitida, para ser conservada e multiplicada.” (Gratry: Mês de Maria)

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PRAESIDIA QUE EXIGEM TRATAMENTO ESPECIAL

1. Praesidia Juvenis

1. Com a aprovação da Curia, poderão fundar-se Praesidia para jovens com menos de 18 anos de idade, sujeitos, porém, às condições que se julguem necessárias (Cf. cap. 14, nº. 22).

2. Para conhecer a Legião só há um meio único e eficaz: pôr em prática o seu sistema. Não faltam conferências, freqüentemente, incentivando os jovens a fazerem apostolado, uma vez lançados no mundo. Tais conferências, embora excelentes, não passam de ossos secos, quando se comparam com o corpo vivo de um grupo em atividade. Acresce ainda que, sem algum treinamento prático, pouco vale a intenção ou desejo de começar o trabalho apostólico. A falta de experiência causa facilmente medo que paralisa a ação. Ou, quando se faz alguma tentativa contando apenas com a própria cabeça, quase sempre se falha.

3. Requer-se, como condição essencial, que, ao menos, o Presidente seja um legionário adulto. Seria para desejar que houvesse um segundo Oficial também adulto, a fim de substituir o Presidente na sua ausência e facilitar o trabalho de expansão do Movimento.

Se estes dois Oficiais são ao mesmo tempo membros de um Praesidium de adultos, o trabalho da direção do Praesidium juvenil satisfaz plenamente à obrigação da tarefa semanal. Se

[Capítulo 36 Praesidia que Exigem Tratamento Especial página 220]

apenas são membros do Praesidium juvenil, devem realizar por semana, a favor deste, um trabalho substancial, ativo, e de acordo com as suas condições de adultos.

Os Oficiais adultos do Praesidium juvenil hão de ser, quanto possível, legionários experimentados, que tenham assimilado perfeitamente o espírito e os métodos da organização, dotados das qualidades exigidas para realizarem nos jovens legionários os objetivos que a Legião tem vista, ao fundar-se o Praesidium. Consistem estes, principalmente, não na execução de um trabalho útil, mas no treino e formação espiritual, que os prepare para tomarem o seu lugar, terminada a vida escolar, nas fileiras ordinárias da Legião.

4. Dada a incapacidade de muitos jovens assimilarem o conteúdo do Manual pela simples leitura pessoal, torna-se evidente que a Alocução desempenha, na reunião do Praesidium, um papel duplamente importante. Por este motivo, o Diretor Espiritual – ou, na sua ausência, o Presidente – terão como base da Alocução o Manual. Deve-se ler primeiro um parágrafo, a que se seguirá uma explicação, tão detalhada e simples, que nos leve à certeza de que todos a compreenderam perfeitamente. Desta maneira, semana após semana, será estudado conscienciosamente o Manual do princípio ao fim e, terminado, será revisto integralmente.

Na prática, porém, dada a curta permanência dos membros no Praesidium Juvenil, não haverá oportunidade para se ver duas vezes sequer o Manual. Daí a perda irreparável que representa, na formação dos jovens, uma Alocução mal preparada e mal feita: será uma ocasião para sempre perdida.

5. O estudo metódico do Manual, conforme se expõe e recomenda no apêndice 10, Estudo da Fé, constituirá um curso proveitosíssimo, sem a impressão desagradável de um exercício escolar. Os jovens, futuros esteios da Legião, receberão deste modo uma formação de valor incalculável.

6. Os Praesidia de jovens não poderão, provavelmente, entregar-se a trabalhos próprios dos Praesidia de adultos. Por isso, a direção fará esforços, lançando mão de toda a criatividade, para oferecer aos seus membros cada semana uma tarefa determinada, que exija deles uma verdadeira e substancial atividade, plenamente de acordo com suas condições. Há jovens capazes de trabalhos reservados a adultos; e, de fato, a nenhum jovem de 16

[Capítulo 36 Praesidia que Exigem Tratamento Especial página 221]

anos deve ser dado um trabalho que não se aceitaria de adultos. Diversifiquem-se os trabalhos, pois esta variedade concorrerá para uma formação mais ampla dos jovens. Dada a impossibilidade de os membros passarem por todos os trabalhos, a melhor maneira de adquirir uma larga experiência consiste em prestar cada um a máxima atenção aos relatórios dos outros. A reunião ganhará, assim, mais interesse.

7. O mínimo de trabalho, por semana, de um membro juvenil, será de uma hora, ou seja, metade do exigido de um membro adulto.

8. Eis algumas sugestões de trabalho para os membros juvenis:

a) Distribuir a Medalha Milagrosa segundo o plano seguinte. Em cada reunião se dará a cada legionário uma ou duas destas medalhas – sempre em número preciso. Serão consideradas munições de guerra, que devem utilizar, como soldados de Maria, em desvantagem do inimigo, entregando-as, se for possível, a não-católicos ou a católicos desleixados. Este método inflama a imaginação e induz ao sacrifício. Deve-se ensiná-los a responder às perguntas, sempre prováveis em tais circunstâncias, e o modo de aproveitar a ocasião para abrir caminho numa conversa.

b) Alistar Auxiliares; ensiná-los a rezar as orações da Legião e visitá-los periodicamente a fim de assegurar a sua fidelidade.

c) Recrutar alguém, cada semana, para a Missa diária, ou a prática de uma devoção, ou uma associação de piedade, ou o Apostolado da Oração, ou qualquer Associação Católica, movimento ou pastoral.

d) Trazer crianças à Santa Missa e aos Sacramentos.

e) Ajudar à Missa.

f) Atuar como catequistas de crianças e recrutar as mesmas para a catequese.

g) Visitar crianças nos hospitais ou outras instituições, ou nas suas próprias casas.

h) Visitar os doentes e os cegos e prestar-lhes todos os serviços necessários.

9. Todo Praesidium Juvenil deve ter ao menos dois membros em cada um dos três últimos trabalhos indicados acima pelas letras: f), g) e h). Neste sentido vai a mais viva insistência. Feitos como convém, representam para os legionários juvenis um treino admirável, e para todos os outros trabalhos do Praesidium um padrão a imitar.

[Capítulo 36 Praesidia que Exigem Tratamento Especial página 222]

10. É permitido a um legionário juvenil fazer seu trabalho semanal em companhia de um legionário adulto.

11. Nos Praesidia internos dos Colégios ou instituições semelhantes, seria para desejar o trabalho ativo, de modo ordinário, fora do estabelecimento. Os Superiores, conscientes das suas responsabilidades, temem os abusos e imaginam outros perigos. A tais apreensões seja-nos permitido observar: a) se os legionários vivessem fora, fariam com certeza tal trabalho; b) o futuro só é garantido por um treino efetivo; se não houver liberdade, presentemente, não haverá treino real preparatório para o tempo de plena liberdade; o trabalho externo, protegido pela disciplina da Legião e do colégio, poderá constituir uma preparação ideal.

12. O fato de o Praesidium de um colégio não poder se reunir durante as férias, visto todos os legionários estarem dispersos, não impede a sua fundação. Os membros, durante aquele tempo, poderão trabalhar nos Praesidia dos locais para onde forem.

13. Faça-se compreender aos membros que a própria santidade constitui não só o fim principal da Legião, mas a mola real de todo o trabalho legionário. Animem-se, por isso, a cumprir certos atos de piedade pelas intenções do Praesidium, mas não sejam impostas nem relatadas na reunião semanal. Estes atos de piedade, insistimos, não podem substituir a tarefa semanal obrigatória; são apenas um complemento do trabalho ativo.

14. Os membros devem se aplicar atenta e cuidadosamente a fazer os seus relatórios; os Oficiais devem formá-los cuidadosamente na maneira de os apresentar. De modo ordinário a natureza simples dos seus trabalhos não oferecerá matéria para um relatório interessante ou minucioso: requer-se, pois, um esforço especial para tornar as reuniões atraentes e variadas.

15. Os legionários juvenis sentem-se identificados com os adultos que enfrentam situações difíceis e, muitas vezes, perigosas, pelo Reino de Deus. Isso dará vida aos trabalhos menos arriscados desses jovens, que se sentirão enormemente entusiasmados (para o que tudo concorre, aliás, dentro da Legião). E isso também impedirá a eles e a muitos outros, através deles, de olhar a religião como uma rotina imposta. O mal causado por seme-

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lhante idéia, se ela viesse a tomar raízes numa idade em que as impressões marcam para sempre, nunca poderia ser compensado pelos mais belos êxitos escolares.

16. Os membros dos Praesidia Juvenis não estão sujeitos ao regime de prova; não podem também prestar o Compromisso Legionário, nem fazer parte de uma Curia de adultos. Quanto ao resto, orações, métodos de trabalho e reuniões, inclusive a coleta secreta, tudo deve ser escrupulosamente feito, como num Praesidium de adultos.

Ao passar do Praesidium Juvenil para o adulto, o legionário cumprirá o tempo de Prova regulamentar.

17. O legionário adulto que for prestar serviço num Praesidium Juvenil e não houver ainda prestado o Compromisso num Praesidium de adultos, deverá fazê-lo no Praesidium Juvenil em que trabalha. A cerimônia impressionará profundamente os jovens e os levará a suspirar pelo dia do ingresso oficial na Legião, mediante o próprio Compromisso.

18. Tem-se sugerido, muitas vezes, a modificação das orações, para facilitar o ingresso das crianças nas fileiras da Legião. A leitura atenta deste capítulo mostra como essa proposta é inadmissível. O Praesidium Juvenil deve ser um reflexo, quanto possível, do Praesidium de adultos. “Jovem” não pode significar “trivial”. Temos de apresentar aos jovens, dos quais esperamos, em geral, que desempenhem no mundo juvenil o papel de chefes, grandes ideais de ação e de piedade. Ora, é evidente que um tal nível não pode ser atingido por uma criança qualquer que, depois de algumas lições, se mostre incapaz de rezar inteligentemente todas as Orações Legionárias.

19. Propostas semelhantes foram apresentadas para a adaptação do Manual ao uso dos jovens. O assunto é discutido no nº 10 do capítulo 33 – “Principais deveres dos legionários”.

20. Os pais e outras pessoas constituídas em autoridade têm o dever de colaborar inteiramente com o programa da Legião, pois desta colaboração depende grandemente a sua realização: a conversão da juventude numa “legião de valentes soldados de Jesus e Maria, para combater o mundo, o demônio e a natureza corrompida, nos tempos vindouros, mais perigosos do que nunca”, como diz S. Luís Maria de Montfort. Tão simples nas suas idéias e na sua estrutura, como uma roldana ou alavanca, ou qual-

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quer outro instrumento de multiplicar a força, a Legião tem a possibilidade de ativar o conjunto das verdades da Doutrina Católica e de as transformar em fontes de energia para todos os desígnios cristãos. Mais: o transbordar imediato desta energia encherá os momentos consagrados à escola, ao divertimento, ao trabalho caseiro e a qualquer outra ocupação com um idealismo santo, prático, que dará aos membros uma nova visão das coisas, equivalente à descoberta de um mundo novo, e os levará também a encarar sob uma nova perspectiva:

a) A Igreja, por uma compreensão nítida de que são seus soldados, com um lugar determinado na sua frente de combate, e com responsabilidade pelo seu crescimento.

b) As ocupações e a tarefa de cada dia. Assim como um pequenino ponto de luz ilumina um aposento, assim a modesta tarefa semanal do legionário dá um novo sentido ao curso da sua vida através da semana. O que os membros aprendem e praticam no Praesidium hão de reproduzi-lo na sua vida diária.

c) O próximo, no qual lhes ensinaram a ver e a servir a Cristo.

d) A casa paterna, que devem impregnar do perfume da vida de Nazaré.

e) Os trabalhos caseiros (ou escolares, se o Praesidium é interno), fazendo-os dentro do espírito da Legião, que é o de Maria em Nazaré; procurando-os, em vez de fugir deles; escolhendo as tarefas desagradáveis; pondo todo o empenho nas mínimas coisas; sendo a doçura e equilíbrio em pessoa; trabalhando sempre por Jesus, preservando o sentido da Sua presença.

f) A escola, pois tendo assimilado, até certo ponto, os ideais legionários, hão de ver, por conseqüência, sob uma luz diferente, as aulas, os professores, os livros, os regulamentos e o estudo, e tirar deles um aproveitamento que nenhum outro está em condições de tirar. Se a Legião representa, como dizem alguns, um desperdício do tempo de estudo, compensa isso com um resultado incomparável e nitidamente vantajoso.

g) O dever e a disciplina. Estas palavras, tão importantes e tão odiosas ao mesmo tempo para a juventude, porque mal compreendidas, hão de se tornar intuitivas e belas quando unidas a estas outras: Maria e a Legião.

h) A oração, quando compreenderem que não se trata de uma obrigação imposta, mas de uma fonte de energia, do amparo do próprio trabalho, de uma valiosa contribuição para o tesouro espiritual da Legião e, conseqüentemente, da Igreja.

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21. Nestas condições não será ousado pretender que a direção de um Praesidium, em conformidade com as regras aqui traçadas, exerça sobre os jovens uma das maiores influências educativas. Desenvolverá neles as qualidades próprias do caráter de um cristão e, servindo de molde, há de formar numerosos jovens, rapazes e moças, santos e dignos de confiança, a alegria dos pais e superiores e esteios seguros da Igreja.

22. Todo este programa, porém, todas estas esperanças serão frustradas pelo Praesidium Juvenil que não der aos seus membros o trabalho conveniente ou que, por outro lado, descuidar do cumprimento dos regulamentos. Tal Praesidium é um molde deformador. Concorre para criar uma mentalidade errada contra a Legião, quer nos seus membros quer nas pessoas estranhas. Fechá-lo será prestar serviço à Legião.

“Os jovens não devem ser considerados simplesmente como objeto da solicitude pastoral da Igreja: são de fato e devem ser estimulados a tornar-se sujeitos ativos, protagonistas da evangelização e artífices da renovação social. A juventude é o tempo de uma descoberta particularmente intensa do próprio ‘projeto de vida’, é o tempo do crescimento que deve realizar-se ‘em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens’”. (Lc 2, 52) (ChL 46).

2. Os Praesidia nos Seminários

“É particularmente importante preparar os futuros sacerdotes para a colaboração com os leigos. ‘Estejam prontos – diz o Concílio – a escutar o parecer dos leigos, considerando com interesse fraterno as suas aspirações e aproveitamento a sua experiência e competência nos diversos campos de atividade humana’. O recente Sínodo insistiu também na solicitude pastoral pelos leigos: ‘É preciso que o seminarista seja capaz de propor e de introduzir os leigos, nomeadamente os jovens, nas diferentes vocações.... Sobretudo e necessário ensinar e ajudar os leigos na sua vocação de penetrar e transformar o mundo com a luz do Evangelho, reconhecendo e respeitando a sua função.’” (PDV 59)

É claro que o conhecimento regular de uma organização eficiente e largamente difundida no mundo, como a Legião de Maria, constituirá um meio valioso para garantir a fecundidade apostólica dos futuros sacerdotes e religiosos. Ora, nenhum conhecimento puramente teórico pode substituir o conhecimento adquirido pela participação ativa nas suas fileiras. Daí a máxima

[Capítulo 36 Praesidia que Exigem Tratamento Especial página 226]

importância dos Praesidia formados por candidatos ao sacerdócio. Onde não é possível a fundação de Praesidia internos, os seminaristas muito se beneficiarão participando de Praesidia externos. Quer num caso quer em outro, os membros, com sério conhecimentos dos fundamentos teóricos da Legião e da sua prática, disporão do que ousaríamos chamar de uma filosofia prática do apostolado. No momento em que partirem para os seus destinos, terão um conhecimento suficiente da forma como deve atuar a Legião e, em geral, os outros grupos apostólicos.

No que diz respeito aos Praesidia internos, chamamos a atenção para o seguinte:

a) É absolutamente necessário dispor de tempo suficiente para a reunião semanal. Será difícil fazê-la em menos de uma hora; esforcem-se, por isso, seriamente, por lhe consagrar um pouco mais de tempo. Será seguida exatamente a ordem da reunião, conforme vem descrita neste Manual.

b) O ponto mais importante é a distribuição do trabalho ativo pelos membros. Sem trabalho substancial não há Praesidium. Levando em conta que o tempo disponível é muito pequeno, que há dificuldade em encontrar trabalho conveniente dentro do seminário, e que o estudo do Manual merece uma atenção especial, o trabalho ativo da semana deve durar o mínimo de uma hora. Deve-se compensar a falta de variedade de trabalhos por uma riqueza exuberante de espírito sobrenatural. Cumpram-se as tarefas impostas com grande perfeição e em união íntima com Maria.

A seleção dos trabalhos depende das circunstâncias e regulamento do seminário. Eis algumas sugestões: visitas às famílias, hospitais e outras instituições; formação religiosa dos convertidos; trabalhos de catequese, preparação dos adultos e das crianças para os Sacramentos. Importa que os trabalhos assumidos pelos legionários estejam em consonância com os programas de formação pastoral propostos pelos Superiores.

c) Os relatórios apresentados ao Praesidium não devem ser frases rotineiras, mas vivos e interessantes. O bom êxito neste sentido tornará os membros mestres na arte de relatar os seus trabalhos e qualificados para ensinarem os legionários cujos destinos tiverem de guiar no futuro.

d) Não devem confiar-se ao Praesidium trabalhos de caráter disciplinar ou de pura vigilância. Tais atividades levariam os outros colegas a olhar com maus olhos tanto os legionários como a Legião.

[Capítulo 36 Praesidia que Exigem Tratamento Especial página 227]

e) A entrada no Praesidium deve ser absolutamente livre. Tudo quanto fosse imposto ou se tornasse rotina escolar teria efeitos negativos. Para deixar clara esta liberdade conviria fazer as reuniões do Praesidium nos horários livres.

f) O Praesidium será dirigido de modo que as suas reuniões e atividades não interfiram, no mínimo que seja, com os horários e regulamentos do seminário. Por outro lado, não devem alterar-se as condições exigidas dos membros ativos, pois se frustrariam assim os objetivos da Legião. Há de verificar-se, na prática, que o trabalho fiel de um Praesidium desta natureza intensifica o amor dos seminaristas à sua vocação, aos estudos e à disciplina.

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SUGESTÕES DE TRABALHOS

Indicamos nesta seção alguns dos métodos que a experiência universal demonstrou serem singularmente frutuosos no trabalho realizado pela Legião. São, contudo, meras indicações. As necessidades particulares podem reclamar obras especiais.

Pede a Legião, com insistência, que não a privem de trabalhos difíceis ou que exijam notável espírito de iniciativa, visto estar para eles admiravelmente preparada. Trabalhos insignificantes só poderiam provocar no espírito dos membros uma reação desfavorável.

Em princípio, todo Praesidium deveria encarregar-se de um trabalho que pudéssemos chamar de heróico. Mesmo no começo da sua existência, não será impossível encontrar dois membros de ânimo disposto a lançarem-se em obras de semelhante natureza. Aproveitem-se tais membros. O seu exemplo constituirá um ideal mais elevado que os colegas buscarão alcançar quase automaticamente. Erguido, desta sorte, o nível geral do Praesidium, que os dois corajosos legionários sejam enviados de novo em busca de trabalhos heróicos. Esta progressiva atividade de pioneiros oferece o meio de elevar constantemente o nível. É que as limitações naturais não existem na ordem sobrenatural. Quanto mais mergulhamos em Deus, mais largos se tornam os horizontes e maiores as possibilidades.

[Capítulo 37 Sugestões de Trabalhos página 228]

Surgirá imediatamente quem discorde. Correr riscos pela religião é uma idéia que perturba muita gente. Hão de gritar-lhes aos ouvidos: “impróprio”, “imprudente”. O mundo não fala de forma tão covarde, e a Legião não pode ver-se ultrapassada pelo mundo. Se uma obra é necessária à salvação dos homens, se um ideal superior é vital para a formação do caráter da comunidade cristã, então o prevenir terá de ceder o primeiro lugar à coragem. Pensai bem nestas palavras do Cardeal Pie: “Quando a prudência se instala por toda a parte, em parte alguma achareis a coragem, e morrereis de prudência”.

Não deixeis que a Legião morra de prudência.

1. APOSTOLADO NA PARÓQUIA

Eis algumas formas de os legionários ajudarem uma verdadeira comunidade cristã a crescer:

a) Visitar as famílias. (Cf. a este respeito o nº 2 deste capítulo).

b) Orientar celebrações paralitúrgicas nos Domingos e dias santificados, onde não houver sacerdote para celebrar a Santa Missa.

c) Orientar aulas de formação religiosa.

d) Visitar e cuidar dos deficientes, de doentes e idosos, quando for necessário, e preparar a visita do sacerdote.

e) Rezar o Terço do Rosário nas capelas dos cemitérios e em velórios.
f) Promover, em geral, Associações, Movimentos e Pastorais Católicas, Associações paroquiais, inclusive Confrarias e Irmandades, onde existem, recrutando novos membros e animando os antigos a perseverarem.

g) Colaborar nas iniciativas de caráter apostólico e missionário, realizadas pela paróquia, ajudando as pessoas a participarem da Igreja, permitindo assim o crescimento tanto do indivíduo como da comunidade.

Há outros trabalhos paroquiais que, embora importantes, não satisfazem, a não ser em casos especiais, o trabalho semanal dos legionários adultos. Entre estes contam-se os seguintes: atuar como acólito; manter a Igreja limpa e asseada; velar pela ordem durante as funções litúrgicas; ajudar à missa, etc. Onde for necessário, os legionários poderão organizar e superintender a execução de tais trabalhos, fontes de bênçãos para os que os assumirem. Para além de tudo isto, compete aos legionários o trabalho mais difícil, o contato direto com as pessoas.

[Capítulo 37 Sugestões de Trabalhos página 229]

“Como a Mãe da Divina Graça, eu quero trabalhar por Deus. Quero, por meus trabalhos e sacrifícios, cooperar na minha própria salvação e na do mundo inteiro, imitando assim os Macabeus que, como narra a sagrada Escritura, no santo entusiasmo da sua coragem, ‘não trataram de salvar-se sozinhos, mas empenharam-se na salvação do maior número possível de seus irmãos’” (Gratry: Mês de Maria)

2. VISITAS DOMICILIARES

Embora não constituísse o seu objetivo inicial, as visitas domiciliares foram tradicionalmente o trabalho preferido da Legião, a sua tarefa peculiar, o meio de efetivação de bem incalculável. É uma característica da Legião.

Mediante as visitas, podemos estabelecer contato com numerosas pessoas e manifestar o interesse da Igreja por cada uma e por cada família. “A solicitude pastoral da Igreja não se limitará somente às famílias cristãs mais próximas, mas, alargando os próprios horizontes à medida do coração de Cristo, mostrar-se-á ainda mais viva para o conjunto das famílias em geral e para aquelas, em particular, que se encontrem em situações difíceis ou irregulares. Para todas, a Igreja terá uma palavra de verdade, de bondade, de compreensão, de esperança, de participação viva nas suas dificuldades por vezes dramáticas; a todas oferecerá ajuda desinteressada a fim de que possam aproximar-se do modelo de família que o Criador quis desde o “princípio” e que Cristo renovou com a graça redentora.” (FC 65)

O Praesidium deve pensar cuidadosamente na forma de se aproximar das famílias. É claro que o legionário tem de fazer a sua apresentação pessoal e de explicar o motivo que o leva ali. A Entronização do Sagrado Coração de Jesus nas famílias, o recenseamento paroquial e a divulgação da imprensa católica (como se explica nas páginas seguintes) são algumas das formas de aproximação a aproveitar.

Mediante as visitas às famílias, podem entrar na esfera de influência apostólica dos legionários não só os católicos praticantes, mas todas as pessoas, os não-católicos e os católicos afastados da Igreja. Preste-se também cuidadosa atenção aos que vivem em situações irregulares de casamento, como acima foi referido; aos que precisam de ser instruídos na religião; aos que vivem sós e aos doentes. Encare-se cada domicílio como campo de um serviço a prestar aos que nele moram.

[Capítulo 37 Sugestões de Trabalhos página 230]

A visita domiciliar deve-se caracterizar pela humildade e simplicidade. As pessoas podem ter idéias incorretas sobre a visita anunciada, esperando um sermão feito com modos superiores. Ora, deve ser precisamente o contrário: de início, os legionários devem procurar ouvir em vez de falar. Depois de ter ouvido com paciência e respeito, terão conquistado o direito de ser escutados.

“No conjunto daquilo que é o apostolado evangelizador dos leigos, não se pode deixar de pôr em realce a ação evangelizadora da família. Nos diversos momentos da história da Igreja, ela mereceu bem a bela designação de “Igreja doméstica”. Isso quer dizer que, em cada família cristã, deveriam encontrar-se os diversos aspectos da Igreja inteira. Por outras palavras, a família, como a Igreja, tem por dever ser um espaço onde o Evangelho é transmitido e de onde o Evangelho irradia.

No seio da família que tem consciência desta missão, todos os membros da mesma família evangelizam e são evangelizados. Os pais não somente comunicam aos filhos o Evangelho, mas podem receber deles o mesmo Evangelho profundamente vivido. E uma família assim torna-se evangelizadora de muitas outras famílias e do meio ambiente em que ela se insere. Mesmo as famílias surgidas de um matrimônio misto têm o dever de anunciar Cristo à prole, na plenitude das implicações do comum batismo; além disso, incumbe-lhes a tarefa, que não é fácil, de se tornarem construtores da unidade.” (EM 71)

3. ENTRONIZAÇÃO DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

A atividade apostólica da difusão da Entronização do Sagrado Coração nas famílias oferece uma forma de aproximação especialmente favorável, como poderá verificar-se, para entrar em contato com as famílias e com elas criar amizade.

Os ideais e métodos que devem caracterizar contatos desta natureza são tratados no capítulo 39 – Principais diretrizes do Apostolado Legionário. Ali se insiste suficientemente que, dentro do possível, não devemos deixar de visitar qualquer família, e que, em todas elas, devemos esforçar-nos, com dedicação e perseverança, por levar cada uma das pessoas, jovens e adultos, sem exceção, a subir ao menos um degrau na vida espiritual.

Os legionários designados para este trabalho podem aplicar a si próprios inteiramente as doze Promessas do Coração de Jesus. A décima diz-lhes respeito, de modo particular, quando

[Capítulo 37 Sugestões de Trabalhos página 231]

atuam como representantes do sacerdote: “Darei aos sacerdotes a graça de tocar os corações mais endurecidos”. Animados especialmente por este pensamento, os legionários atacarão com inabalável confiança os casos que todos consideram “desesperados”.

As visitas, no intento de entronizar o Sagrado Coração de Jesus nas famílias, constituem a mais frutuosa apresentação dos legionários, visto manifestarem, desde o início, uma piedade simples e desafetada, e facilitarem o conhecimento mútuo, as visitas freqüentes e o progresso do apostolado legionário.

Sendo a missão de Maria estabelecer o reinado de Jesus nos corações, existe uma singular conveniência em que a Legião propague com ardor a Entronização, apostolado que atrairá sobre ela especiais graças do Espírito Santo.

“Amar a família significa saber estimar os seus valores e possibilidades, promovendo-os sempre. Amar a família significa descobrir os perigos e os males que a ameaçam, para poder superá-los. Amar a família significa empenhar-se em criar um ambiente favorável ao seu desenvolvimento. E, por fim, forma eminente de amor à família cristã de hoje, muitas vezes tentada pelo desânimo e angustiada por crescentes dificuldades, é dar-lhe novamente razões de confiança em si mesma, nas riquezas próprias que lhe advêm da natureza e da graça, e na missão que Deus lhe confiou. “É necessário que as famílias do nosso tempo tomem novamente altura! É necessário que sigam a Cristo.” (AAS 72).” (FC 86)

4. RECENSEAMENTO PAROQUIAL

Este trabalho constitui um meio excelente para entrar em contato com os católicos que carecem de cuidados particulares ou com aqueles que se deixaram arrastar para a categoria dos “desleixados”, quer dizer, dos que quebraram todos os laços que os prendiam à Igreja.

Como se apresentam em nome do Pároco, os legionários deveriam, sendo possível, visitar todas as casas, sem exceção. As pessoas assim visitadas acham normal que as interroguemos sobre religião e fornecem normalmente, sem hesitação, as informações pedidas. Pelas respostas, o Pároco e os legionários hão de verificar que têm matéria para longos e pacientes trabalhos.

Ora, descobrir os casos de afastamento é apenas o primeiro passo e o mais fácil. Reconduzir ao rebanho cada um dos desgarrados, eis a missão providencial confiada por Deus à Legião, e de

[Capítulo 37 Sugestões de Trabalhos página 232]

que esta deve desempenhar-se com alegria e invencível coragem. Que não deixe, por culpa sua, de cumprir com integridade este mandato de confiança, por mais longo que seja o combate, penosos os esforços, violentas as repulsas, difíceis os casos e desesperadas as perspectivas.

Além disso, convém lembrar que todos, e não só os indiferentes, devem receber uma afetuosa atenção por parte dos legionários.

“Temos, no campo apostólico da Igreja, uma missão oficial, um meio providencial de ação, uma arma muito nossa: abeirar-nos das almas, não só em nome de Maria e sob sua proteção, mas também, e acima de tudo, procurar, de todo o coração, comunicar-lhes uma piedade filial para com sua terna mãe.” (Breve Tratado de Mariologia, por um Marianista)

5. VISITAS AOS HOSPITAIS, INCLUSIVE OS HOSPITAIS
DE DOENÇAS MENTAIS

A visita a um hospital foi o primeiro trabalho abraçado pela Legião e, durante algum tempo, não fez mesmo outra coisa. Fonte de bênçãos para a organização nascente, este gênero de trabalho merecerá sempre as atenções dos Praesidia. As linhas seguintes, escritas nos primeiros tempos da organização, exemplificam o espírito que deve animar trabalhos desta natureza:

“Fez-se a chamada e uma legionária começou o seu relatório. Tratava da visita ao Hospital. Embora breve, demonstrava uma grande intimidade com os enfermos. Estes conheciam até, disse ela um tanto confusa, os nomes de todos os seus irmãos e irmãs.

Seguiu-se depois a sua companheira, o trabalho era feito, evidentemente, dois a dois. Esta prática, que tem por si o exemplo dos Apóstolos, evita o adiamento indefinido da visita semanal.

Os relatórios sucedem-se. Em algumas enfermarias há novidade, e os relatórios prolongam-se: mas, em geral, são breves. Muitos são divertidos, alguns comoventes; todos, porém, são belos, pela revelação evidente do reconhecimento de Jesus Cristo, visitado na pessoa do pobre enfermo. Esta compreensão transparece em cada relatório. Quantos indivíduos não fariam aos da sua carne e sangue o que se narra aqui como praticado, com toda a singeleza e naturalidade, aos elementos mais desfavo-

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recidos da população. À delicadeza e ternura extraordinárias, prodigalizadas na ocasião das visitas, ajunta-se o atendimento a mil pedidos pessoais dos enfermos: escrever cartas, visitar parentes e amigos negligentes, dar recados a este ou àquele, etc. Nada é tão insignificante ou desagradável que não mereça a carinhosa solicitude dos legionários.

Leu-se, na reunião, a carta duma doente às suas visitantes. Dizia assim: “Desde que as senhoras entraram na minha vida...” Soava a romance de folhetim e todas riram. Mais tarde, porém, pensando naquela pessoa sozinha na cama dum hospital, para quem estas palavras diziam muito, senti-me comovido. Proferidas por uma, dizia comigo, deviam refletir os sentimentos de todas as pessoas visitadas. Que maravilhosa a organização dotada do poder de reunir numa sala um grupo numeroso de pessoas, para daí as mandar, como anjos, em alívio de milhares de vidas relegadas pelo mundo para os abismos do esquecimento.” (Padre Miguel Creedon, primeiro Diretor Espiritual do Concilium Legionis Mariae)

Os legionários se servirão regularmente da visita aos enfermos para lhes infundir no ânimo o verdadeiro significado do sofrimento, de modo que o suportem de forma cristã.

Procurem convencer os enfermos de que a doença, considerada como intolerável, é, de fato, um favor singular do céu, por ser por meio dela que o doente é moldado, ao vivo, em Jesus Cristo. “A Majestade Divina não pode conceder-nos graça mais assinalada – afirma Santa Teresa – do que a de uma vida semelhante à de Seu amado Filho”. Não é difícil levar o doente a encarar desta forma o sofrimento que, uma vez entendida, lhe arranca metade da sua amargura.

Para lhes fazer compreender o imenso tesouro espiritual que têm ao seu alcance, repita-se muitas vezes aos enfermos as palavras de S. Pedro de Alcântara a certa pessoa, que havia suportado com admirável paciência uma dolorosíssima enfermidade: “Como sois feliz, meu amigo! Deus revelou-me o grau elevado de glória que alcançastes com vossos padecimentos. Merecestes mais do que muitos podem ganhar por suas orações, jejuns, vigílias, disciplinas e outras obras de penitência”.

O sofrimento traz graças, mas é algo monótono e rotineiro. Mas, oferecendo-o para o bem e a salvação do próximo e do mundo, pode-se vê-lo de uma forma mais atraente. Expliquem, pois, os legionários, ao enfermo, a idéia do apostolado pelo sofrimento, ensinando-o a se preocupar com os interesses espirituais do mun-

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do, oferecendo a riqueza da sua dor pelas muitas necessidades da humanidade, e realizando, deste modo, uma campanha irresistível, visto apoiar-se ao mesmo tempo na oração e na penitência.

“Mãos assim erguidas para Deus – exclama Bossuet – destroçam mais batalhões do que mãos armadas”.

Se o doente tiver diante dos olhos um caso concreto para o qual deve oferecer seus sacrifícios e orações, terá mais facilmente perseverança no caminho do bem. Por isso, é importante especificar-lhe e descrever-lhe certas necessidades e trabalhos particulares, sobretudo os do próprio legionário.

Procurem alistá-los primeiramente como Auxiliares e propor-lhes mais tarde o grau de Adjutor. Se possível, formem grupos com estes membros e que eles tentem recrutar novos Auxiliares entre os companheiros. Encorajem-se também os enfermos por outros meios a ajudarem-se uns aos outros.

Mas, se é possível fazer de tais pessoas membros destas duas categorias de Auxiliares, porque não pensar nelas para membros Ativos? Há Praesidia formados por internados em muitos hospitais de doenças mentas. Fundar um Praesidium com tais pessoas numa instituição é introduzir ali um poderoso fermento em atividade. Estes legionários podem consagrar muito tempo aos seus trabalhos entre os outros doentes e atingir eles mesmos um elevado grau de santidade. Embora não seja o objetivo principal, o fato de pertencer à Legião ajuda até mesmo na cura ou terapia e isso é reconhecido em todos os lugares pelo corpo de médicos.

Abertos deste modo novos horizontes à vida, os pobres enfermos, alguns dos quais haviam sondado as profundezas da miséria, julgando-se inúteis e pesados, saborearão a alegria suprema de quem se sente útil à causa de Deus.

A Comunhão dos Santos deve atuar necessariamente e de forma intensiva entre os legionários e os visitados, com vantajosa troca de serviços, favores e proveitos. Todo homem deve a Deus uma soma de sofrimento que, se recaísse sobre cada um, individualmente, transformaria o mundo num imenso hospital. O trabalho cessaria por falta de braços. Para este prosseguir, é imperioso que uns sofram pelos outros. Por que não supor, então, que os doentes estão pagando parte da dívida de sofrimentos que os legionários têm de satisfazer?

Que poderão os legionários dar nesta invisível troca? Com certeza, uma participação no seu apostolado – dada a incapacida-

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de de o doente (às vezes por falta de preparação) cumprir esta parte do seu dever cristão.

Desta maneira, cada um se enriquecerá agradavelmente às custas (no bom sentido) do outro. Mas não se trata de uma simples troca. Os lucros são maiores que as perdas, em virtude do princípio sobrenatural que podemos enunciar assim: quando damos, recebemos o cêntuplo (Cf. nº 20 do capítulo 39: Principais diretrizes do apostolado legionário).

“Eu sou o trigo de Jesus Cristo, dizia Santo Inácio de Antioquia: é preciso que seja triturado pelos dentes dos leões para me tornar pão digno de Deus’. Não duvidemos: a melhor cruz, a mais segura e a mais divina, é a que o mesmo Jesus nos outorga, sem nos consultar previamente. Aumentai a fé nesta doutrina, tão querida aos santos formados no molde de Nazaré. Adorai, bendizei e louvai a Deus, em todas as contradições e provações que venham diretamente de sua mão e, vencendo as repugnâncias da natureza, dizei com toda a alma: ‘Fiat’ ou melhor ainda: ‘Magnificat’.” (Mateo Crawley-Boevey)

6. OBRAS A FAVOR DOS MAIS MISERÁVEIS E ABANDONADOS
ELEMENTOS DA POPULAÇÃO

Obras deste caráter hão de implicar a visita aos lugares que eles freqüentam: pensões, albergues e prisões; podem mesmo levar à fundação de “casas” dirigidas por legionários, para acolher esses irmãos.

Logo que qualquer centro da Legião se encontre de posse de membros com experiência e coragem suficientes, deve lançar-se nesta obra a favor dos mais miseráveis membros de Jesus Cristo – obra freqüentemente pouco realizada, para vergonha do nome católico.

Não deverá haver nenhum beco onde a legião deixe de entrar à procura da ovelha desgarrada da Casa de Israel. Medos sem fundamento erguem-se como primeiro obstáculo; mas, tenham eles fundamento ou não, alguém tem de fazer este trabalho. Se os legionários capazes, de formação sólida, protegidos por uma muralha de orações e de disciplina, não podem tentar, quem o poderá?

Enquanto todo e qualquer centro da Legião não puder afirmar, de verdade, que os seus membros conhecem pessoalmente e mantêm, de uma maneira ou de outra, certo contato com cada um dos membros das classes mais miseráveis, as suas obras devem considerar-se em estado de incompleto desenvolvimento e, neste sentido, cumpre intensificar todos os esforços.

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Nenhum pesquisador de coisas raras e preciosas da terra deve mostrar mais desejo de satisfazer a sua cobiça do que o legionário, ao procurar os miseráveis deste mundo. As nossas buscas representam, talvez, para eles, a única tábua de salvação eterna; e tão rebeldes se mostram freqüentemente a qualquer influência do bem que a prisão representa para eles numa bênção disfarçada.

Além disso, em trabalhos deste gênero, o legionário deve comportar-se como um soldado em campanha. Terá de sofrer incômodos de toda ordem; palavras injuriosas ou mesmo coisas piores, as violências e os ultrajes. Tais tratamentos podem humilhá-lo, afligi-lo, mas nunca intimidá-lo e, dificilmente, desconcertá-lo. É o momento de provar a sinceridade e a solidez das declarações guerreiras que tantas vezes cruzaram o seu espírito e brotaram de seus lábios. Falava de guerra? Aí tem os golpes de espada e as feridas a sangrar. Falava de ir em busca dos mais depravados? Agora, que os encontrou, por que lamentar-se? Por que estranhar que os maus se portem mal, e os piores, covardemente?

Numa palavra, sempre que surja uma dificuldade extraordinária ou tenha de enfrentar algum perigo, o legionário deve dizer: “Estamos em Guerra!” Esta frase, capaz de levar uma nação despedaçada pela guerra a sacrifícios heróicos, deveria dar-lhe uma fortaleza na luta pela conversão do gênero humano e mantê-lo no seu posto, ainda que, em circunstâncias semelhantes, muitos outros desertassem.

Se somos sinceros ao falar que o ser humano é imortal e precioso aos olhos de Deus, temos de estar prontos a pagar qualquer preço. Que preço? Pago por quem? A resposta é simples. Se o apostolado católico precisa de leigos para enfrentar o perigo, correndo os piores riscos, a quem há de recorrer senão aos que se esforçam por merecer o título de legionários de Maria? Se houver que exigir sacrifícios heróicos de leigos católicos, a quem pedi-los senão àqueles que deliberada e solenemente se alistaram ao serviço daquela que se manteve de pé, junto da cruz, na hora decisiva da Redenção? Estamos certos de que os legionários nunca faltarão à chamada.

Dirigentes que, de forma errada, protegem demais os legionários que estão sob seus cuidados, podem acabar com essa força da Legião. Aconselhamos, por isso, os Diretores Espirituais e todos os Oficiais a exigirem dos legionários um valor tão elevado que recorde um pouco o Coliseu Romano. Aos que se preocupam somente com os resultados visíveis, esta palavra – Coliseu – pode parecer um sonho, uma irrealidade! Mas o Coliseu, com o seu dra-

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ma, era também um cálculo; ali, numerosas pessoas, nem mais fortes nem mais fracas do que os legionários de Maria, perguntavam a si mesmas: “que dará o homem por uma alma?” O Coliseu resume numa palavra tudo quanto expusemos neste Manual, no capítulo 4 sobre “O Serviço Legionário”, em páginas que pretendem ser mais do que a expressão de puro sentimentalismo.

As obras a favor das classes desfavorecidas ou abandonadas são, por sua natureza, árduas e demoradas. Uma paciência infinita – eis a chave do problema. Tratando-se de pessoas que só depois de muitas quedas e recaídas hão de se levantar definitivamente, nada conseguiremos se, de início, exigirmos uma disciplina severa. Em pouco tempo, a exigência exagerada dispersaria os indivíduos para quem a obra foi precisamente destinada, e só ficariam os que dela menos precisam.

Proceda-se, pois, segundo o princípio de inversão de valores, quer dizer, interessem-se sobretudo por aqueles que até os otimistas repeliriam como “casos absolutamente desesperados”, e cuja perversão de espírito e endurecimento de coração manifestados nos primeiros contatos pareçam confirmar como “desesperados”. Apesar das rejeições, das ingratidões, das derrotas aparentes, devemos perseverar corajosamente na luta árdua de elevar da miséria as pessoas desprezíveis, más, naturalmente repugnantes, os rejeitados por outras associações e pela sociedade em geral, numa palavra: os marginalizados pela sociedade. Tarefa enorme que, em muitos casos, consumirá a vida inteira dos legionários.

Trabalhos desta ordem, empreendidos de acordo com as normas acima expostas, reclamam qualidades heróicas e uma visão puramente sobrenatural. Ver morrer, enfim, na amizade de Deus, os miseráveis a cujo serviço se dedicou – eis, para o apóstolo, uma recompensa, nesta vida, dos seus imensos trabalhos. Que alegria ter cooperado com Aquele que, “por esforços constantes, durante longos e pacientes dias, deu vida a um povo, arrancando-o da lama para que O louvasse eternamente” (Cardeal Newman: O Sonho de Gerontius).

Demoramo-nos na exposição deste gênero de trabalho, porque ele traduz realmente o verdadeiro espírito da Legião de Maria e ocupa, entre os serviços prestados à Igreja, uma posição dominante e decisiva. Constitui, de fato, uma afirmação solene do princípio católico de que mesmo os mais desprezíveis dos homens são credores do nosso respeito e amor, independentemente de seu mérito ou simpatia pessoais, porque na sua pessoa havemos de ver, reverenciar e amar o próprio Jesus Cristo.

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Sinal seguro da realidade deste amor é a sua manifestação em circunstâncias muito difíceis. A prova decisiva está no amor consagrado àqueles que a natureza humana espontaneamente rejeita, a todos quantos o mundo despreza. Eis a prova real do verdadeiro e do falso amor pela humanidade. Eis o eixo sobre o qual gira a fé, o sinal infalível do Cristianismo; sem o ideal católico, este amor nunca poderia existir. Divorciado da raiz que lhe dá sentido e vida, não passaria de um sonho. Se o amor da humanidade pela humanidade tivesse de ser o nosso evangelho, o juízo de valorização de todas as coisas deveria ser medido pela utilidade visível aos homens. Em boa lógica, tudo quanto não redundasse, indiscutivelmente, a favor do gênero humano, deveria ser olhado, de acordo com tais sistemas, como o pecado o é na economia cristã e, portanto, implacavelmente eliminado.

Aqueles que, por uma vida sacrificada, dão provas de verdadeiro amor cristão nas suas manifestações mais nobres prestaram à Igreja serviços de incalculável mérito.

“O vosso irmão é mau, intolerável, dizeis vós. Eis um motivo a mais para vos dedicardes a ele com amor, a fim de o afastar do caminho do vício e o reconduzir ao caminho da virtude. Mas – respondeis – não se importa com o que eu digo, com os meus conselhos. Como o sabeis? Insististes com ele, procurastes convencê-lo? – Muitas vezes, respondeis. – Mas quantas?- – pergunto. – Muitas, uma e outra vez. – E chamais a isso “muitas vezes”? Mesmo que tivésseis de persistir uma vida inteira nos vossos esforços, não devíeis afrouxar nem desesperar. Não vedes como o próprio Deus não cessa de exortar-nos por Seus Profetas, Apóstolos e Evangelistas? E com que resultados? Comportamo-nos sempre como devíamos? Obedecemos-lhe em tudo? Infelizmente, tal não é o caso! E, todavia, Deus não deixa de perseguir-nos continuamente com Sua insistência. E por quê? Porque nada é tão precioso como uma alma. ‘Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua alma? (Mt 16,26).” (S. João Crisóstomo)

7. OBRAS A FAVOR DA JUVENTUDE

“As crianças são, certamente, o alvo do amor dedicado e generoso do Senhor Jesus: a elas reserva a Sua bênção e, ainda mais, assegura-lhes o Reino dos céus (cf. Mt 19, 13-15; Mc 10, 14). Em particular, Jesus exalta o papel ativo que as crianças têm no Reino de Deus: são o símbolo mais expressivo e a esplêndida imagem das

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condições morais e espirituais indispensáveis para se entrar no Reino de Deus e para viver a sua lógica de total abandono ao Senhor: ‘Em verdade vos digo: se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, não entrareis no Reino dos Céus. Quem se tornar pequenino como esta criança será grande no Reino dos Céus’ (Mt 18, 3-5; cf. Lc 9, 48).” (ChL 47)

Que glorioso futuro, se conseguíssemos assegurar a fé e a inocência à juventude! Como gigante remoçado, a Igreja poderia lançar-se com ardor na campanha da conversão do mundo infiel e realizá-la em curto prazo. Infelizmente, ela consome a maior parte dos seus esforços na cura penosa das suas próprias chagas.

É que é mais fácil conservar o que existe do que reaver o perdido.

A Legião trabalhará num sentido e em outro, porque ambas as obras são de importância vital. Não descuidará, estamos certos, do mais fácil – a preservação. A energia que se consumirá mais tarde em refazer a vida de um só adulto degradado pode despender-se hoje com vantagem, impedindo que muitas crianças se precipitem no abismo.

Eis alguns aspectos do problema:

a) Participação das crianças na Liturgia da Missa. Traçando o programa de ação aos seus legionários, certo Bispo punha em relevo, como assunto de importância decisiva, uma campanha entre as crianças em prol da participação na missa do domingo. No seu entender, a falta das crianças à missa era uma das principais causas das suas futuras desordens.

Um meio muito eficaz para conseguir essa participação seria percorrer as casas das crianças no domingo de manhã. Os seus nomes podem ser obtidos pelas listas de matrícula escolar ou por outro meio.

Observemos, de passagem, que as crianças más, por natureza, são raras. Quando não cumprem este dever elementar do católico, podemos estar certos de que são vítimas da indiferença ou do mau exemplo dos pais. É um problema a mais para o legionário, no exercício de seu trabalho apostólico.

Tratando-se especialmente de crianças, as visitas irregulares ou durante um pequeno período conseguirão pouco ou nada.

b) Visitas às crianças em suas casas. A este propósito oferece-se uma consideração importante que convém pôr em relevo. Famílias que se fechariam a visitantes com intenções nitidamente religiosas, vão recebê-los de braços abertos, uma vez que o

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objetivo confessado seja conversar com as crianças. É um fato, explicado pelo amor natural, que os pais se mostram mais preocupados com o bem dos filhos do que com o bem próprio. Esquecem-se de si mesmos, mas raramente deixam de dar tudo de si pelos filhos. O coração mais duro emociona-se ao pensar no fruto do seu amor.

Quantos, insensíveis a toda influência religiosa, não são levados por sentimentos profundos do coração a desejar melhor sorte a seus filhos; e sentem uma alegria instintiva e indescritível ao verificarem neles o desabrochar da graça! Por tal motivo, pessoas que rejeitariam, com rudeza e até com violência, quem diretamente se dirigisse a elas em missão espiritual, toleram tal aproximação, tratando-se dos filhos.

Os legionários competentes, uma vez admitidos na casa, saberão descobrir o modo de influenciar todos os membros da família, com a irradiação benéfica do seu apostolado. O interesse sincero pelas crianças produz, quase sempre, uma impressão favorável no ânimo dos pais. Aproveitem-se disso de forma inteligente, para fazer brotar neles a semente da graça. Deste modo, a criança nos oferecerá não só a chave da casa, mas também a do coração e, talvez, a da alma dos pais.

c) Catequese de crianças. A este trabalho, de enorme valor, deve somar-se a visita domiciliar às crianças que freqüentam irregularmente os Encontros de Catequese, ou mesmo às que freqüentam regularmente, para lhes manifestar um interesse pessoal, ou, ainda, para estabelecer deste modo contato com os restantes membros da família. Acidentalmente, a Legião pode servir de Centro local da Arquiconfraria da Doutrina Cristã (Veja-se o Apêndice 8).

O seguinte exemplo revela a eficácia dos métodos legionários aplicados à catequese numa grande paróquia. A despeito dos esforços contínuos dos sacerdotes, mesmo de encorajamentos lançados durante os sermões, o comparecimento médio de crianças aos encontros de catequese tinha baixado para 50. Fundou-se, entretando, um Praesidium, que juntou ao trabalho do ensino a visita domiciliar às crianças. Um só ano de trabalho bastou para que o comparecimento médio subisse para 600. Este número impressionante não revela os benefícios espirituais dispensados aos inumeráveis parentes das crianças, que se descuidavam de seus deveres religiosos.

Em todos os trabalhos, a marca legionária deve ser esta: “Como é que Nossa Senhora trataria estes seus filhos?” Na Catequese, mais do que em qualquer outra obra, deve esta marca estar bem presente no coração do catequista. Há uma tendência

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natural para nos impacientarmos com as crianças. Mas falta mais grave seria ministrar tal ensino como se se tratasse de assuntos não religiosos, de forma a criar nas crianças a convicção de assistirem a mais uma aula como qualquer outra. Se isto acontecesse, noventa por cento dos frutos se perderiam. Perguntemos a nós mesmos mais uma vez: “Como é que a Mãe de Jesus instruiria estas crianças, em cada uma das quais ela contempla o Seu Filho muito amado?”

No ensino religioso de crianças e jovens, a memorização e a utilização dos meios audiovisuais desempenham papel importante. Preste-se especial atenção à escolha deste material, que deve conformar-se inteiramente com os ensinamentos da Igreja.

A Igreja concede uma indulgência parcial tanto à pessoa que ministra o ensino da Doutrina Cristã como àquela que o recebe (EI 20).

d) Escola leiga ou pública. A vida espiritual da criança que não freqüenta a escola católica periga a todo o instante e há de ser difícil que, com o correr do tempo, não venha a constituir um sério problema. Que a Legião adote e aplique, por todos os meios ao seu alcance, as medidas aprovadas pelas Autoridades Eclesiásticas locais, para diminuir ou impedir as conseqüências maléficas de tal estado de coisas.

e) Associações para a juventude. Para as crianças que cursam boas escolas, a crise começa na idade em que as abandonam. Terminada a fase escolar acabaram-se as influências sadias, as restrições protetoras, as salvaguardas minuciosas. Para muitas, talvez, eram o único amparo moral, por não desfrutarem no aconchego do lar de influências religiosas ou freios de qualquer ordem. O problema complica-se de modo pavoroso, quando consideramos que o amparo da escola católica lhes falta na idade mais crítica da vida – a das maiores lutas morais – e, infelizmente, no momento em que o indivíduo, deixando de ser criança, ainda não é adulto. Difícil como é o acertar com os meios apropriados para proteger esta fase intermediária da vida, não é de estranhar que deles careçam muitas vezes. Em vão as organizações protetoras do adulto lhes abrem os braços, passado o período de transição: os jovens saborearam já as doçuras perigosas da liberdade.

Torna-se, pois, imperioso manter, em certa medida, sobre o jovem saído definitivamente da escola, a mesma vigilância anterior. Método muito recomendado é a formação de Associações Juvenis, sob o patrocínio da Legião, ou, ao menos, de Seções

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Juvenis especiais nas Associações ordinárias já existentes. Que, antes de os jovens saírem definitivamente da escola, a autoridade interessada procure que os seus nomes sejam entregues aos legionários. Estes hão de visitá-los então em suas próprias casas para travar conhecimento com eles e convidá-los a ingressar na Associação. Os jovens que rejeitem o convite, ou cuja participação nas reuniões deixe a desejar, receberão visitas especiais.

Cada legionário será responsável por certo número de sócios cujos nomes, endereços e outros dados lhe serão entregues com antecedência. Antes de cada reunião da Associação, recordem-lhes o dever de participar da mesma. Os programas anuais hão de inserir um Retiro (fechado, se possível) e uma sessão recreativa.

Não há melhor meio nem mais concreto para conseguir que os jovens nos anos pós-escolares freqüentem regularmente os Sacramentos.

Os jovens saídos dos Centros Juvenis de Detenção ou de Orfanatos requerem particular atenção, em conformidade com as diretrizes acima traçadas. Muitas vezes são órfãos de pai e mãe e outras, até, vítimas de pais perversos.

f) Direção de clubes infantis, de grupos de escoteiros e de guias, de jovens operários católicos (J.O.C), de aulas de costura, da Associação da Santa Infância, etc. A direção destas obras não ocupará provavelmente todos os membros do Praesidium, mas constituirá apenas a tarefa semanal de alguns deles. Nada impede, porém, que um Praesidium inteiro se dedique unicamente a uma obra especial como as citadas. Convém notar que, neste caso, mesmo que todos os membros participem das reuniões dessas associações, a reunião semanal do Praesidium deve ser feita normalmente, conforme o regulamento da Legião. Tem-se sugerido, por vezes, que os membros reunidos para a direção dos trabalhos da Organização Especializada poderiam, num determinado instante, retirar-se para rezar as orações legionárias, ler a ata, e apresentar uns breves relatórios, e assim economizar o tempo gasto com a reunião do Praesidium. Talvez este procedimento salvasse externamente os pontos essenciais da reunião, mas uma leitura atenta do capítulo 11 sobre o “Plano da Legião” revelará como este expediente reflete pouco o espírito do regulamento.

Deseja a Legião que, nas reuniões de cada uma das Obras Especializadas confiadas aos seus cuidados, se rezem as preces legionárias, respectivamente no princípio, no meio e no fim. Se tiver de ser suprimido o Terço, não faltem nunca as restantes orações da Tessera.

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g) Uma fórmula legionária para a juventude. Indispensável se torna expor alguns princípios que possam servir de normas aos legionários incumbidos da direção de clubes ou grupos juvenis. Os métodos empregados dependem, habitualmente, dos dirigentes; a sua diversidade vai desde a reunião diária à semanal, desde o simples divertimento ou instrução técnica ao cunho puramente religioso. De processos tão variados resultam, é evidente, efeitos muito diferentes, nem sempre os melhores. O simples divertimento, por exemplo, representa uma formação duvidosa para a juventude, mesmo na hipótese de a distrair e defender das perturbações próprias da idade. “O trabalho, sem divertimento, faz de Jack um rapaz sombrio” – diz um conhecido provérbio inglês. Mas logo se completa com outro ainda mais verdadeiro: “O divertimento, sem trabalho, faz de Jack um leviano”.

O Praesidium, como a experiência confirma, possui um tipo de organização e funcionamento que se adapta perfeitamente a todos os tipos de pessoas e obras. Não será possível descobrir também um tipo semelhante de organização ou sistema padrão que possa ser aplicado a toda a juventude, que se adapte a todos os tipos de jovens?

As experiências feitas levaram à conclusão de que um projeto conforme as diretrizes seguintes alcançará um êxito razoável. Os Praesidia encarregados da direção de grupos juvenis são insistentemente convidados a pô-lo em prática.

1. Idade máxima, 21 anos; idade mínima, não há; separação de idades, desejável.

2. Todo membro deve participar de uma reunião semanal regular. Se um grupo se reúne mais de uma vez por semana, a aplicação destas regras às reuniões suplementares é facultativa.

3. Cada membro rezará diariamente a Catena Legionis.

4. Será erguido, na reunião semanal, o altar legionário, ou em uma mesa, como nas reuniões do Praesidium, ou à parte, ou ainda em lugar mais alto, por motivo de segurança.

5. Em cada reunião serão rezadas as Orações Legionárias, inclusive o Terço, repartidas como na reunião do Praesidium.

6. A reunião durará, ao menos, hora e meia, podendo prolongar-se conforme a conveniência.

7. Dedique-se o mínimo de meia hora para as atividades e motivos de instrução. O tempo restante, se o desejarem, poderá ser consagrado a divertimentos. Por “atividades” se entendem aqui os assuntos que surgem espontaneamente na direção de certos grupos, por exemplo, de futebol ou outro gênero de esportes, etc. Por “motivos de instrução”, indica-se toda espécie de formação ou influência educativa, quer religiosa, quer não religiosa.

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8. Os membros serão incentivados a se aproximarem da Sagrada Comunhão ao menos uma vez por mês.

9. Estimulem os sócios a alistarem-se nas fileiras Auxiliares da Legião e infundam-lhes no coração o generoso e nobre ideal do serviço ao próximo e à comunidade.

“Seria fácil deter-nos nas lições múltiplas que nos oferece a vida extraordinariamente ativa de São João Bosco. Recordemos apenas uma, de extrema e perene importância: a sua maneira de conceber as relações entre mestres e discípulos, superiores e inferiores, diretores e dirigidos, na aula, no colégio e no seminário. Nutria, com razão, um profundo desgosto por esse espírito de reserva, de salvaguarda das distâncias, de excessiva dignidade que, já por princípio, já inadvertidamente, já por simples egoísmo, torna os superiores e mestres inacessíveis àqueles cuja educação e formação lhes foi confiada por Deus. São João Bosco nunca esquecia as palavras do Eclesiástico (32,1): ‘Puseram-te como chefe? Não te exaltes por isso; sê entre eles com um deles mesmos; toma cuidado deles.’” (Cardeal Bourne)

8. BIBLIOTECA AMBULANTE

Os legionários poderiam tomar sobre si o encargo de um carrinho-biblioteca ou estante móvel, que atuaria em lugar público, de preferência numa rua movimentada ou nas suas proximidades. A experiência provou já o imenso valor deste trabalho legionário. Não há meio eficaz para fazer apostolado junto dos bons, dos medíocres e dos maus, ou levar a Igreja ao conhecimento das massas menos informadas. Deseja, por isso, a Legião que em todos os centros populosos haja ao menos uma dessas bibliotecas.

O leitor encontrará neste Manual o modelo de uma biblioteca ambulante em funcionamento.

Faça-se de modo a poder expor ao público o maior número possível de títulos e ordene-se de modo a oferecer ao visitante a leitura fácil de numerosas publicações religiosas a preços acessíveis. O trabalho será confiado aos legionários.

Além dos que se aproximam com intenção de comprar, haverá um sem-número de pessoas de todas as classes e condições que serão atraídas pela Biblioteca: o católico desejoso de conversar com os outros católicos; o boca-aberta e o indiferente, para matarem o tempo ou a curiosidade; o não-católico, não desejan-

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do entrar em contato direto com a Igreja, se mostra, no entanto, agradavelmente interessado. Todos eles hão de travar conversa com os amáveis e simpáticos legionários. Estes devem ser formados de modo a aproveitar todas as perguntas e compras, como outras tantas ocasiões para estabelecer um contato amigo com os visitantes. Utilizem-no para elevar a um nível superior de pensamento e ação os seus clientes, induzindo os católicos a alistarem-se em qualquer associação católica; ajudando os não-católicos a uma melhor compreensão da Igreja. Uns se despedirão resolvidos a participar da missa e a comungar diariamente; outros, a ser membros Ativos ou Auxiliares ou Patrícios; outros ainda, a fazer as pazes com Deus; e outros, enfim, levando no coração a semente fecunda da sua conversão ao Catolicismo. Os estranhos que visitem a vila ou cidade terão oportunidade de conhecer a Legião em atividade, o que seria difícil acontecer de outra forma, e talvez se interessem e decidam a fundá-la nas suas respectivas localidades.

Os legionários, porém, não devem esperar passivamente junto do Carrinho-Biblioteca que as pessoas venham ter com eles. Não hesitem em ir ao encontro das que se acham nas vizinhanças, não, necessariamente, para lhes vender livros, mas para estabelecer contatos que podem ser utilizados da forma indicada no parágrafo anterior.

É desnecessário recordar aos legionários que uma parte integrante do seu trabalho consiste em manter e estreitar, com grande perseverança, os conhecimentos e amizades iniciados por meio da biblioteca.

Quando se propõe a saída de uma biblioteca ambulante para a rua, esbarra-se sempre com a objeção de que, para isso, são necessários católicos bem instruídos e o Praesidium não os possui. Uma cultura superior sobre a Doutrina Católica seria, com certeza, utilíssima; a sua falta, porém, não deve fazer desistir do trabalho. A atração pessoal, eis o importante. Como diz Newman: “São as pessoas que nos influenciam: a sua voz nos emociona, as suas obras nos inflamam. Muitas pessoas estão prontas a viver e a morrer por um dogma; nenhuma, porém, a deixar-se martirizar por uma conclusão”. Numa palavra: importa mais o zelo sincero e a amabilidade do que o profundo saber. Com seus vastos conhecimentos, o sábio é levado a abismar-se nas águas profundas e a perder-se em canais tortuosos, sem saída; ao contrário, a confissão simples da própria fraqueza: – “Não sei, mas posso procurar saber” – mantém a discussão em rocha firme.

Com a experiência se verificará que a maioria das dificuldades que as pessoas apresentam são fruto de uma grande falta de

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conhecimento, e que o legionário com alguma formação pode resolvê-las com facilidade. No caso de questões mais complexas levem-se estas ao Praesidium ou ao Diretor Espiritual.

Poderíamos discutir indefinidamente e sem esperança de êxito, sobre os crimes, as perseguições e a falta de zelo, atirados contra a Igreja Católica. A parcela de verdade que existe nestas acusações só serve para complicar o problema, já por si mesmo confuso. Dar uma resposta absolutamente satisfatória à crítica hostil, neste ou naquele ponto minúsculo da disputa, é absolutamente impossível, mesmo que se ponha na mesa um vasto conhecimento. O caminho a seguir é este: reduzir insistentemente a discussão aos seus termos mais simples. São eles: Deus deve ter deixado ao mundo uma mensagem – a que chamamos religião; esta, sendo a voz de Deus, deve ser necessariamente una, clara, estável, infalível no seu ensino, reivindicadora da autoridade divina.

Estas características encontram-se apenas na Igreja Católica. Nenhuma outra organização ou sistema religioso pretende possuí-las. Fora da Igreja, só reina a contradição e a confusão; e de tal sorte que, na expressão esmagadora de Newman, “ou a religião católica é a vinda do invisível a este mundo visível, ou nada existe de positivo, de decisivo sobre o nosso último destino”.

Deve haver uma Igreja verdadeira e uma só. Se não é a Igreja Católica – onde encontrá-la? Esta maneira simples de encarar a verdade, bombardeando sem parar o mesmo ponto chave, tem um efeito esmagador. Mesmo os menos instruídos acabam entendendo. E os muito instruídos, embora continuem a lançar-nos em rosto os pecados da Igreja, dão-se, no fundo, por vencidos.

Recordemos ao adversário, com brevidade e delicadeza, que os seus argumentos provam demais. Admitidos contra a Igreja, valeriam também contra qualquer outra confissão religiosa. Com efeito, se provássemos que a Igreja é falsa, devido à maldade de alguns dos seus servidores, teríamos de concluir, em boa lógica, que não existe, no mundo, religião verdadeira.

Passaram os tempos em que os Protestantes reclamavam para a sua seita particular o monopólio da verdade. No momento atual contentam-se em afirmar modestamente, que todas as igrejas possuem uma parcela da verdade. Mas uma parcela não é o bastante. Equivale a dizer que a verdade não é conhecida nem há forma de a encontrar. Se uma Igreja tem certas doutrinas verdadeiras e outras que não o são, qual o meio de distinguir umas das outras? Ao aceitá-las, expomo-nos a tomar as falsas pelas verdadeiras. A Igreja que afirma das suas doutrinas: “algumas são ver-

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dadeiras”, não serve para nos auxiliar ou guiar no caminho que leva à verdade. Deixou-nos exatamente onde estávamos antes.

Repitamos, por isso, até que a lógica penetre nas almas: não pode haver senão uma só Igreja verdadeira, incapaz de se contradizer a si mesma, possuidora da verdade total, e com um critério seguro para diferenciar o verdadeiro do falso.

“O mundo não conhece mais poderoso amparo do que vós, minha Senhora e Rainha. Tem os seus apóstolos, profetas, mártires, confessores e virgens, a quem posso recorrer em busca de auxílio; mas vós, minha Rainha, sois mais excelsa que todos estes intercessores: o que eles podem com a vossa ajuda, vós o podeis sem eles. E por quê? É que sois a Mãe do nosso Salvador. Se vos calardes, ninguém intercederá nem virá em nosso auxílio; se vós abrirdes os lábios, todos suplicarão e virão em nosso socorro.” (Santo Anselmo: Oratio Eccl)

9. CONTATO COM A MULTIDÃO

O apostolado visa a comunicação das riquezas espirituais da Igreja a toda pessoa humana. A base deste trabalho deve ser a comunicação individual e perseverante de um coração fervoroso com outro coração, aquilo a que damos o nome técnico de “contato”. Na medida em que enfraquece o contato, diminui a influência. Por outro lado, na medida em que as pessoas se perdem na multidão, tendem a escapar-nos. Pode mesmo acontecer que a multidão nos separe da pessoa. Ora, a multidão é composta de indivíduos; cada um deles possui uma alma de preço incalculável. Cada membro da multidão tem a sua vida privada, mas a maior parte do tempo passa-a, de uma forma ou de outra, com a multidão – na rua, ou num lugar qualquer. Temos de converter a multidão em indivíduos e de possibilitar assim o contato com cada um deles. Como é que Nossa Senhora olha para estas multidões? Ela é Mãe de cada uma das pessoas que a compõem. Deve angustiar-se com as suas necessidades e suspirar por alguém que A ajude no trabalho maternal de cuidar delas.

Já mostramos o valor da biblioteca ambulante num lugar público; no entanto, este trabalho global com a multidão deve ser encarado como uma atividade distinta. Aproximar-se das pessoas, pedindo delicadamente licença para falar com elas acerca da Fé, pode levar a contatos frutuosos. Esta comunicação pode ser tentada nas ruas, nos jardins públicos, nas casas onde as pessoas costumam juntar-se, nas vizinhanças das estações de trem,

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de metrô, nas estações rodoviárias e pontos de ônibus e em outros lugares onde as pessoas se reúnem. A experiência comprovou já que estas tentativas, em geral, são bem recebidas. Os legionários empenhados neste trabalho apostólico devem recordar-se de que as suas palavras e maneiras são os seus instrumentos de contato. Sejam simples e atenciosos. Na conversa, evitem qualquer palavra que dê a impressão de que estão travando uma batalha ou ditando leis ou possa revelar superioridade. Devem crer, com a máxima firmeza, que Maria, Rainha dos Apóstolos, dará o devido peso às suas palavras, por mais fracas que sejam, e está infinitamente ansiosa em fazer frutificar o seu apostolado.

10. APOSTOLADO A FAVOR DAS EMPREGADAS DOMÉSTICAS CATÓLICAS

Esta atividade pode fazer parte das visitas domiciliares ou constituir um trabalho independente.

Colocada muitas vezes em famílias indiferentes ou hostis à fé, considerada como simples máquina de trabalho, freqüentemente migrante ou imigrante, sem amigos, sujeita a conhecer pessoas ao acaso, o que oferece graves perigos, a trabalhadora doméstica católica precisa de cuidados e amparo especiais. Este gênero de apostolado é, portanto, de suma necessidade e importância.

Para ela, a visita semanal dos legionários, preocupados com seu bem-estar, será como um raio de luz. Essas visitas deverão, normalmente, facilitar-lhe o ingresso em uma Associação ou Movimento da Paróquia, ou mesmo em um grupo que promova o lazer sadio; ajudarão também para que faça boas amizades e, em muitos casos, poderá ser convidada a ingressar na Legião. Quantas delas encontrarão novos e mais felizes caminhos, que levam à salvação e à própria santidade.

“À primeira vista somos levados a julgar que Deus deveria ter rodeado a sua digníssima Mãe de grande pompa e magnificência, ao menos durante um certo período da sua vida. Como a realidade, disposta pela Providência Divina, foi diferente! Em Nazaré, na sua pobre casinha, a vamos encontrar, ocupando-se dos mais humildes serviços domésticos: varrendo o chão, lavando a roupa, cozinhando os alimentos, indo e vindo do poço com o pote à cabeça, entregue a trabalhos que nós, a despeito do exemplo de Jesus, Maria e José, ousamos chamar servis. As mãos de Maria, sem dúvida, avermelhavam

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e calejavam com o trabalho. Quantas vezes não se sentia fatigada e esmagada pelo excesso da tarefa. Os seus trabalhos e inquietações eram os da esposa de um pobre operário.” (Vassall-Phillips: A Mãe de Cristo)

11. TRABALHO A FAVOR DOS MILITARES E NÔMADES

As condições de vida destas pessoas facilitam-lhes o descuido na prática da religião e expõem-nas a numerosos e graves perigos de ordem moral. Duplo motivo para um apostolado entre elas.

a) Como o acesso aos quartéis nem sempre é fácil para os civis, um trabalho eficiente entre soldados pode exigir a fundação de Praesidia compostos pelos mesmos. Isto já se fez em muitos lugares com pleno êxito.

b) O apostolado entre marinheiros comportará a visita a navios e a organização de diversas facilidades em terra. Os Praesidia que se empenham nesta atividade deveriam filiar-se à reconhecida sociedade internacional “Apostolatus Maris”, que tem sucursais na maioria dos países marítimos.

c) Os legionários devem revelar cuidadoso respeito pela disciplina dos militares e marinheiros, nunca se permitindo atuar contra os seus regulamentos e tradições. De fato, devem esforçar-se para que o seu apostolado seja aceito sem reservas e considerado como um poderoso fator para elevar os homens, sob todos os pontos de vista, representando um benefício indiscutível para tais meios e mais do que isso – uma necessidade positiva.

d) Os nômades – pessoas sem residência fixa, ciganos, pessoal de circos e outros – devem ser alvo do apostolado legionário. Os migrantes e refugiados estão também aqui incluídos.

“Entre as grandes transformações do mundo contemporâneo, as migrações produziram um novo fenômeno: os não-cristãos chegam em grande número aos países de antiga tradição cristã, criando novas ocasiões para contatos e intercâmbios culturais, esperando da Igreja o acolhimento, o diálogo, a ajuda, numa palavra, a fraternidade. Dentre os emigrantes, os refugiados ocupam um lu-

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gar especial e merecem a máxima atenção. São muitos milhões no mundo e não cessam de aumentar: fogem da opressão política e da miséria desumana, da fome e da seca que assume dimensões catastróficas. A Igreja deve acolhê-los no âmbito da sua solicitude apostólica.” (RM 37b)

12. A DIFUSÃO DA IMPRENSA CATÓLICA

Vidas de pessoas inumeráveis, como a de Santo Agostinho de Hipona e a de Santo Inácio de Loyola, provam que a leitura de bons livros, recomendados por pessoa amiga pode ser um meio para modificar alguém, induzindo-o a elevado nível de vida moral e cristã. A difusão da imprensa católica oferece inúmeras possibilidades para contatar uma variedade imensa de pessoas, com quem podemos abordar temas da Fé Católica. Sem formação católica continuada, vivendo num mundo secularizado, encontram-se numa situação imensamente desfavorável. O mundo em que a Igreja os ensinou a viver é diferente do mundo em que vivem de fato. O mundo secularizado grita mais alto que a Igreja. Importa corrigir este desequilíbrio. Como cristãos, temos de ganhar o mundo secularizado para Cristo. Este empenho exige de nós a posse de retos valores e atitudes, que o Cristianismo impõe.

Sem querer com isto menosprezar outras formas de comunicação, a leitura séria, isto é, a leitura para aprender, revela-se uma fonte riquíssima de idéias capazes de orientar a vida. Uma leitura breve, mas regular, é mais proveitosa que uma leitura longa ocasional, isto é, feita uma vez ou outra, quando se tem vontade. Existe uma dificuldade real em induzir as pessoas a ler livros de caráter religioso. Há que despertar o seu interesse e para este não se evaporar, devemos oferecer-lhes material de leitura de fácil alcance. Aqui temos uma oportunidade para católicos interessados no apostolado.

Assim como há livros e folhetos sobre temas religiosos, também há jornais e revistas católicas:

a) Para apresentar um resumo razoável dos assuntos correntes e uma reta avaliação dos mesmos;

b) Para corrigir pontos de vista distorcidos sobre os acontecimentos, fundamentando uma reta avaliação;

c) Para orientar as pessoas sobre os programas dos Meios de Comunicação Social;

d) Para despertar um saudável orgulho e fundamentado interesse pelos assuntos da Igreja Católica;

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e) e, finalmente, para cultivar o gosto da leitura de forma duradoura.

Além da palavra escrita, os Meios de Comunicação Social constituem instrumentos valiosos para a transmissão da Fé.

Antes de lançarmos mão de qualquer espécie deste material, devemos informar-nos devidamente, junto de pessoas de confiança, de que o material que desejamos utilizar concorda, no seu conteúdo, com a doutrina da Igreja. As publicações ditas católicas devem merecer o nome que usam. “Não são os nomes que nos despertam a confiança nas coisas, mas as coisas que despertam a confiança nos seus nomes.” (S. João Crisóstomo)

Entre os meios experimentados e comprovados para propagar a literatura católica, contam-se os seguintes: 1) Procurar assinantes de publicações católicas, de porta em porta; 2) Entregar jornais ou revistas católicas às famílias; 3) Responsabilizar-se pelo serviço nos quiosques e livrarias católicas, junto das igrejas; 4) Responsabilizar-se por bibliotecas ambulantes ou estantes móveis com imprensa católica em lugares públicos; 5) Utilizar os Patrícios para recomendar a leitura e venda de material católico.

A apresentação de livros e as respectivas estantes devem ser atraentes e bem mantidas. Os anúncios sobre a Igreja Católica devem ser apresentados com excelente qualidade. Durante a visita às famílias para propagar a imprensa católica, os legionários devem realizar um apostolado direto que influencie todos e cada um dos membros da família.

“Maria é inseparável companheira de Jesus. Sempre e por toda a parte a Mãe está ao lado de seu Filho. Por conseguinte, o que nos liga a Deus, o que nos coloca de posse das realidades celestes é não só Jesus Cristo mas este bendito par, a mulher e a sua geração. Separar Maria de Jesus no culto religioso é, portanto, destruir a ordem estabelecida pelo próprio Deus.” (Terrien: A Mãe dos Homens)

13. PROMOÇÃODA MISSA DIÁRIA E DA DEVOÇÃO
AO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

“Como é desejável, participem os fiéis ativamente, cada dia e em grande número, no Sacrifício da Missa, vindo alimentar-se da Sagrada Comunhão, com intenção pura e santa, e dando graças a Cristo Senhor Nosso por tão grande dom. Recordem-se destas palavras: ‘O desejo de Jesus Cristo e da Igreja, de que todos os fiéis de aproximem quotidianamente da sagrada mesa,

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consiste sobretudo nisto: em que os fiéis, unindo-se a Deus pelo Sacramento, dele recebem força para dominar a concupiscência, lavar as culpas leves quotidianas, e prevenir as faltas graves, a que está sujeita a fragilidade humana’ (AAS 38. 401). Durante o dia, não deixem de visitar o Santíssimo Sacramento, que se deve conservar nas igrejas e honrar, no lugar mais digno, segundo as leis litúrgicas; cada visita é prova de gratidão, sinal de amor e dever de adoração” (MF 66).

Provavelmente, isto não será um trabalho propriamente dito, mas, sim, algo a ter presente e assiduamente prosseguido como parte de toda a atividade legionária. Veja-se o capítulo 8: O Legionário e a Eucaristia.

“Vemos como a Eucaristia, sacrifício e sacramento, sintetiza, na abundância dos tesouros que encerra, tudo quanto a Cruz ofereceu a Deus e obteve ao gênero humano. É ao mesmo tempo o Sangue do Calvário e o orvalho do Céu; o Sangue que clama misericórdia e o orvalho vivificante que reergue a planta já murcha. É o nosso resgate e a nossa bênção; a vida e o preço da vida. Não valem mais a Cruz, nem a Ceia, nem as duas juntas; ambas se prolongam na Eucaristia, repleta de todas as esperanças da humanidade. Por isso, a Missa se chama “Mistério de Fé”, e com razão, não só porque resume todo o dogma cristão – o dogma da nossa ruína em Adão e da nossa restauração em Jesus Cristo – mas também e principalmente, porque, mediante a Missa, se prolonga entre nós o drama, a ação heróica pela qual foi levado a cabo o nosso sublime restabelecimento e a superabundante compensação das nossas anteriores perdas. Não é uma repetição simbólica: efetua atualmente entre nós o que o próprio Jesus Cristo realizou.” (De La Taille: Mistério de Fé)

14. RECRUTAMENTO DE AUXILIARES E CUIDADO A TER COM ELES

Todo Praesidium que reconhece devidamente o poder da oração deve procurar possuir uma lista de numerosos Membros Auxiliares. Todo legionário tem obrigação de recrutar Auxiliares e de se manter em contato com eles.

Considerai bem a generosidade dos Auxiliares, que deram à Legião parte dos preciosos anseios das suas almas! Que possibilidades de santidade eles não encerram! A Legião tem com eles uma dívida incalculável! Tanto os Membros Ativos como os Au-

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xiliares são filhos da Legião. Os Ativos são os mais velhos; a Mãe da Legião, como dedicada mãe de família, conta com eles para a ajudar a cuidar dos mais novos. Maria não supervisiona apenas esta ajuda; trata de a tornar eficiente e de tal modo que nos cuidados dispensados aos Auxiliares pelos Membros Ativos se encerram maravilhas de graça para ambos. Enquanto na alma do Auxiliar sobe o elevado edifício da santidade, o Ativo recebe a merecida recompensa de construtor.

Este trabalho a favor dos Auxiliares encerra tão numerosas possibilidades que reclama a atenção especializada de alguns legionários Ativos, espiritualmente mais bem preparados, que se consagrarão a esta atividade como filhos mais velhos da família.

“Parece-me que, nestes dias de crimes e ódios espantosos contra Deus, Nosso Senhor quer congregar à Sua volta uma legião de almas escolhidas, que se entreguem de corpo e alma a Ele e aos Seus interesses, e com as quais possa contar para Sua ajuda e consolação; almas, que não perguntem ‘quanto tenho que fazer?’ Mas, sim: ‘quanto posso eu fazer por Seu amor?’ Uma legião de almas que dêem sem contar, e cujo único desgosto seja não poderem fazer e dar mais e sofrer, por quem tanto fez por elas; em suma, almas que não sejam como as demais e que, talvez, passem por loucas aos olhos do mundo, porque a sua divisa é o sacrifício e não o bem-estar próprio.” (Monsenhor Alfred O’Rahilly: Vida do P. Guilherme Doyle)

“Então a legião de pequeninas almas, vítimas do Amor misericordioso, se tornará tão numerosa ‘como as estrelas do céu e as areias da praia’. Será terrível para Satanás: ajudará a Santíssima Virgem a esmagar-lhe completamente a orgulhosa cabeça.” (Santa Teresa de Lisieux)

15. TRABALHO A FAVOR DAS MISSÕES

O interesse pelas Missões faz parte integrante duma verdadeira vida cristã. Abrange a oração, o auxílio material e a animação de vocações missionárias, de acordo com as circunstâncias da vida de cada um.

Os legionários poderiam, por exemplo, fundar um núcleo da Santa Infância e rodear-se assim de numerosas crianças, a quem inspirariam o amor das Missões. Ou ainda, agrupar pessoas que, embora incapazes de ingressar nas fileiras ativas da Legião (organizando-as, talvez, como Auxiliares da Legião) estivessem dispostas a empregar-se em obras várias, como costurar, fazer ves-

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tes sagradas, etc., para as Missões. Haveria assim um triplo resultado: (a) santificação pessoal do legionário; (b) santificação das pessoas do grupo; (c) ajuda prática às Missões.

A este propósito, torna-se imperioso insistir em dois pontos que, todavia, são de aplicação universal:

a) Nenhum Praesidium pode ser transformado em mero instrumento de aquisição de esmolas, seja para que obra for; b) A vigilância e direção das pessoas empregadas na costura pode considerar-se como tarefa suficiente para satisfazer o cumprimento da obrigação do trabalho semanal. Mas o próprio trabalho de costura, só por si, não representa trabalho substancial para um legionário adulto, exceto em circunstâncias especiais, como seja a impossibilidade física real de fazer outra coisa.

“As quatro Obras – Propagação da Fé; S. Pedro, Apóstolo; Santa Infância; e União Missionária – têm em comum o objetivo de promover o espírito missionário universal, no seio do Povo de Deus” (RM 84).

16. PROMOÇÃO DE RETIROS

Tendo experimentado pessoalmente os preciosos frutos de um retiro, os legionários deverão organizá-los para outros, propagá-los entre o público, e tratar de os estabelecer onde não existirem.

Tal é a recomendação de Sua Santidade Pio XI, na Encíclica citada abaixo, às “piedosas associações de leigos que desejam servir a Hierarquia Apostólica nos trabalhos da Ação Católica. Nestes santos retiros, hão de descobrir com clareza o valor da pessoa humana, inflamar-se no desejo de socorrer a todas; e conhecer o espírito ardente, os trabalhos e ousados feitos do apostolado cristão”.

Note-se, nestas palavras, a insistência desse grande Papa na formação de apóstolos. Por vezes, não se favorece este propósito: os apóstolos não surgem. A utilidade dos retiros, em semelhantes casos, é duvidosa.

O fato de não se conseguir, para todos os que participam do retiro, quartos para passar a noite, não deverá levar os legionários a desistirem de propagar uma prática tão frutuosa. Sabe-se, por experiência, que um só dia de retiro, de manhã à noite, pode ser muitíssimo proveitoso a todos os participantes. E, de fato, não há outro meio de pô-lo ao alcance das massas. Ora, para este efeito, qualquer local com um terreno anexo pode ser adaptado para um só dia, e as despesas duma refeição simples serão mínimas.


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“O próprio Divino Mestre costumava convidar os Seus Apóstolos ao silêncio do retiro: ‘Vinde à parte a um lugar deserto e descansai um pouco’ (Mc 6, 31); e quando deixou esta terra de dores para subir ao céu, quis aperfeiçoar os Seus Apóstolos e discípulos no Cenáculo de Jerusalém, onde, por espaço de dez dias, ‘perseveraram unanimemente em oração’ (At 1, 14), e se tornaram dignos de receber o Espírito Santo: retiro memorável, modelo dos Exercícios Espirituais, de que saiu a Igreja, rica em virtude, dotada de energia permanente, e no qual, na presença da Virgem Maria, Mãe de Deus, e ajudados pelo seu patrocínio, se formaram aqueles de quem podemos falar com justiça que precederam a Ação Católica.” (MN)

17. ASSOCIAÇÃO DE PIONEIROS DA TEMPERANÇA
TOTAL, EM HONRA AO CORAÇÃO DE JESUS

O recrutamento de membros para esta Associação pode constituir admirável atividade para um Praesidium. O fim principal da Associação é a glória de Deus pela promoção da sobriedade e da temperança; a oração e o sacrifício são os principais meios para alcançar este objetivo. Para isso, os membros são movidos pelo amor pessoal a Cristo: a) a tornarem-se independentes do álcool; b) a repararem os pecados cometidos para satisfazer as paixões, inclusive os próprios; c) a procurarem obter, pela oração e sacrifício pessoais, as necessárias graças e ajuda para os que bebem em excesso ou sofrem as suas conseqüências.

As principais obrigações são as que seguem: 1) abster-se, durante a vida inteira, de bebidas alcoólicas; 2) rezar duas vezes por dia o “Oferecimento Heróico”; 3) usar publicamente o emblema da Associação.

Eis a oração do “Oferecimento Heróico”:

“Coração Sacratíssimo de Jesus,
Para Vossa maior glória e consolação;
Para dar o bom exemplo, por Vosso amor;
Para praticar o domínio de mim próprio;
Para reparar os pecados de intemperança
E para converter os que bebem em excesso;
Prometo abster-me de bebidas inebriantes, durante a vida inteira.”

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Existe um acordo: a) pelo qual um Praesidium, com a aprovação da Direção Central da Associação de Pioneiros, pode converter-se em Centro de Pioneiros; b) que dispõe que, nas áreas onde existe já um Centro da Associação, pode um Praesidium, com o consentimento do dito Centro, ligar-se a este, para promover e recrutar membros para o mesmo (cf. Apêndice 9).

18. CADA LOCALIDADE TEM AS SUAS NECESSIDADES PRÓPRIAS

Para atingir os objetivos da Legião, utilizem os membros quaisquer outros meios sugeridos pelas circunstâncias, que tenham sido aprovados pelos Conselhos diretivos superiores e sempre de acordo com a Autoridade Eclesiástica. Insistamos mais uma vez: qualquer novo trabalho deve ser empreendido com coragem e espírito de iniciativa.

Todas as ações heróicas praticadas à sombra da bandeira católica têm, na maneira de pensar da localidade, uma repercussão que se pode considerar eletrizante. Não há ninguém – nem mesmo os próprios descrentes – que não seja levado a encarar com seriedade a religião. Estas ações constituem um padrão que, lentamente, modificará a forma de viver de um povo inteiro.

“‘Não temais’, dizia Jesus. Ponhamos de lado todos os receios. Não queremos medrosos entre nós. Se alguma vez há necessidade de repetir as palavras de Cristo, ‘não temais’, é, com certeza, quando se trata do apostolado. O temor perturba o espírito e impede a clara visão das coisas. Para longe, pois, o temor, repitamo-lo mais uma vez, toda espécie de temor, exceto um só, o temor de Deus. Este quisera eu vos ensinar. Com ele não receareis nem os homens nem as dificuldades deste mundo.

Quanto à prudência, que seja como a define e recorda sem cessar a Sagrada Escritura: a prudência dos filhos de Deus, a prudência do espírito. Que não seja – e não é, de fato – a prudência da carne: fraca, preguiçosa, estúpida, egoísta e miserável.” (Discurso de Pio XI, a 17 de maio de 1931)

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