quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Legião de Maria: manual de espiritualidade (parte 4).


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CONDIÇÕES DE ADMISSÃO NA LEGIÃO

1. A Legião de Maria está aberta para todos os católicos que:

a) pratiquem fielmente a sua religião;

b) estejam animados do desejo de exercer o seu apostolado na Igreja, como membros da Legião;

c) e estejam resolvidos a cumprir todas as obrigações impostas aos membros da organização.

2. Aqueles que desejem ingressar na Legião de Maria devem solicitar sua inscrição em um Praesidium.

3. Os candidatos com menos de 18 anos só podem ser admitidos nos Praesidia juvenis (Ver o capítulo 36).

4. Ninguém deve ser admitido como candidato à Legião de Maria antes de o Presidente do Praesidium, a que é requerida a admissão, se ter certificado através de uma observação cuidadosa, de que o pretendente satisfaz as condições exigidas.

5. Antes de ser alistado nas fileiras da Legião, o candidato deve submeter-se satisfatoriamente a uma prova mínima de três meses. Pode, todavia, desde o princípio, participar plenamente nos trabalhos da Legião.

6. A cada candidato será entregue, um exemplar da Tessera.

7. A admissão propriamente dita consiste essencialmente no Compromisso Legionário e na inscrição do nome do candidato na lista dos membros do Praesidium. A fórmula do Compromisso Legionário vem inserida no capítulo 15 e está impressa de forma a facilitar a leitura.

Monsenhor Montini (mais tarde Papa Paulo VI), escrevendo em nome de Pio XII, declara: “Este Compromisso Legionário e Mariano tem fortalecido os legionários de todo o mundo na sua luta por Cristo, especialmente os que estão sofrendo perseguições pela fé”.

Existe um comentário do Compromisso Legionário – “A Teologia do Apostolado” – devido à pena ilustre de Sua Eminência, o Cardeal Suenens, Arcebispo de Malinas, e publicado em várias línguas. Obra de incalculável valor, que devia andar nas mãos de todos os legionários. A sua leitura, no entanto, aproveita também a qualquer católico responsável, pois encerra uma exposição notável dos princípios diretivos do apostolado cristão.

[Capítulo 13 Condições de Admissão na Legião página 81]
a) Terminado o período de provação de uma forma satisfatória, deverá o candidato ser informado com uma semana de antecedência, pelos menos, da sua admissão. Durante ela, o candidato procurará familiarizar-se com as palavras e o sentido do Compromisso Legionário, de maneira que, na cerimônia da admissão, o leia com facilidade, compreensão e fervor.

b) Na reunião semanal do Praesidium, logo após a recitação da Catena e enquanto todos os membros se conservam de pé, aproxima-se o Vexillum do candidato que, tomando na mão esquerda uma cópia do Compromisso, recita-o em voz alta, intercalando o seu próprio nome no lugar respectivo. No início do terceiro parágrafo leva a mão direita à haste do Vexillum e aí a conserva até o fim da recitação. Depois recebe a bênção do sacerdote (se este estiver presente) e o seu nome é inscrito na lista dos membros.

c) Em seguida os legionários sentam-se de novo, ouvem a alocução e a reunião segue o seu curso.

d) Se o Praesidium não possuir ainda o Vexillum, o candidato fará o Compromisso perante uma imagem do mesmo – a que figura na Tessera, por exemplo.

8. Uma vez aprovado, o candidato deve assumir sem demora, o seu Compromisso Legionário. Dois ou mais candidatos podem ser recebidos no mesmo dia, o que não é aconselhável, pois se torna evidente que, quanto mais numerosos, menos solene se torna a cerimônia para cada um deles.

9. A cerimônia da recepção pode constituir uma difícil prova para as pessoas extremamente sensíveis; mas tanto melhor: porque a cerimônia ganhará para elas em solenidade e seriedade – que se refletirão na sua futura vida legionária.
10) Compete ao Vice-Presidente, de maneira especial, o dever de acolher os candidatos, de os instruir nas suas obrigações, e de os animar durante a provação e depois dela. É este, porém, um dever em que todos os legionários devem colaborar.

11. Se um candidato, por qualquer motivo, não desejar assumir o Compromisso, poder-se-á prolongar o período de provação por mais três meses. O Praesidium tem o direito de adiar o Compromisso até se certificar de que o candidato satisfaz as condições exigidas. Dê-se a este, de modo semelhante, ampla oportunidade para se decidir. Mas ao fim dos três meses suplementares, o candidato deverá assumir o Compromisso incondicionalmente, ou deixar o Praesidium.

[Capítulo 13 Condições de Admissão na Legião página 82]

Se um membro, depois de ter assumido o Compromisso, mais tarde o rejeita interiormente, tem a obrigação moral de deixar a Legião.

A aprovação e o Compromisso são a porta por onde se ingressa na Legião. Não deve ficar aberta, por negligência, aos indivíduos despreparados que possam baixar o nível e enfraquecer o espírito da Legião.

12. O Diretor Espiritual não está obrigado à cerimônia do Compromisso. Mas assumi-lo seria não só legítimo, como agradável e honroso para o Praesidium.

13. Reserve-se esse Compromisso ao seu fim específico. Não é permitido usá-lo como ato de consagração na Acies ou em outras solenidades. Nada impede, porém, que os legionários o utilizem nas suas devoções particulares.

14. As faltas dos legionários às reuniões do Praesidium deverão ser consideradas com justa compreensão, conforme as causas que as motivaram. Não se risquem levianamente os nomes da Lista Oficial, sobretudo se as ausências se baseiam em doença, mesmo prolongada. Quando, porém, o nome de um membro foi retirado da lista por haver faltado de maneira irresponsável, requer-se, para reingressar na Legião, novo período de provação e novo Compromisso.

15. Em tudo ao que se refere o serviço legionário e só nisso, os membros tratar-se-ão por “Irmão” ou “Irmã”.

16. Conforme as necessidades e com a aprovação da Curia, os membros se agruparão em Praesidia de homens, mulheres, rapazes, moças ou mistos. No seu início, a Legião foi um organismo puramente feminino. Só oito anos mais tarde se formou o primeiro Praesidium de homens. Apesar disso, a Legião apresenta base igualmente apropriada para estes, existindo atualmente em atividade numerosos Praesidia, quer mistos, quer masculinos. Os primeiros Praesidia da América, da África e da China foram de homens.

Embora as mulheres ocupem, por isso, lugar de honra na Legião, usamos sempre nestas páginas o pronome masculino para designar os legionários de um e outro sexo. Tal é o costume do direito. Evitam-se, assim, repetições cansativas de “ele ou ela”.

“A Igreja nasceu para tornar todos os homens participantes da redenção salvadora e, através deles, conduzir efetivamente a Cristo o universo inteiro, dilatando pelo mundo o seu reino para glória

[Capítulo 13 Condições de Admissão na Legião página 83]

de Deus Pai. Toda a atividade do Corpo Místico que seja orientada para este fim, chama-se apostolado. A Igreja exerce-o de diversas maneiras, por meio de todos os seus membros, já que a vocação cristã é também, por sua própria natureza, vocação ao apostolado. Do mesmo modo que num corpo vivo, nenhum membro tem um papel meramente passivo, mas antes, juntamente com a vida do corpo, também participa da sua atividade, assim também no corpo de Cristo, que é a Igreja, todo o corpo “segundo a função de cada parte, opera o próprio crescimento” (Ef. 4, 16). Mais ainda: é tão profunda neste corpo a união entre os membros (Ef. 4, 16) que se deve dizer que não aproveita nem à Igreja nem a si mesmo, aquele membro que não trabalha para o crescimento do corpo, segundo sua própria medida” (AA2).

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O PRAESIDIUM

1. O núcleo de Membros Ativos da Legião de Maria chama-se Praesidium. Esta palavra latina indicava um destacamento da Legião Romana incumbido de determinada tarefa: um setor da linha de batalha, uma praça forte, uma guarnição. Conseqüentemente, o termo Praesidium é aplicado, com a máxima razão, à unidade orgânica da Legião de Maria.

2. Cada Praesidium adota como nome um título de Nossa Senhora, por exemplo: “Nossa Senhora da Misericórdia”, ou o de um dos seus privilégios, como “Imaculada Conceição”, ou, finalmente, o de algum acontecimento da sua vida, p. ex., “A Visitação”.

Feliz o Bispo que vier a ter na sua Diocese, Praesidia suficientes para formar uma Ladainha viva de Maria!

3. O Praesidium tem autoridade sobre todos os seus membros e poder para regular as suas atividades legionárias. Os membros, por seu lado, devem obedecer lealmente a todas as ordens legítimas do Praesidium.

4. Cada Praesidium, quer diretamente, quer por intermédio de um Conselho aprovado, deve estar filiado ao Concilium Legionis, sem o que não pertencerá à Legião. Segue-se que nenhum Praesidium deve ser fundado sem prévia licença de sua Curia ou, à falta desta, do Conselho Superior imediato, ou ain-

[Capítulo 14 O Praesidium página 84]

da, em último recurso, do Concilium. O novo Praesidium dependerá diretamente do Conselho que autorizou a sua fundação.

5. Nenhum Praesidium deve ser fundado em qualquer paróquia, sem o consentimento do Pároco ou do Ordinário. Um ou outro deve ser convidado a presidir à cerimônia da inauguração.

6. O Praesidium deve se reunir regularmente, uma vez por semana. A reunião deverá ser feita conforme o estabelecido no Capítulo intitulado “Ordem a observar na reunião do Praesidium.”

Esta regra é absolutamente invariável. Haverá quem diga com várias e excelentes razões que é difícil reunir semanalmente e que uma reunião quinzenal ou mensal bastaria para os fins em vista.

A tais objeções tenha-se presente que a Legião em circunstância alguma pode consentir que a reunião deixe de ser semanal, nem concede a nenhum Conselho o direito de alterar esta norma. Se a regulamentação do trabalho ativo em curso fosse o único assunto a tratar, talvez bastasse uma reunião mensal, embora seja para duvidar que o referido trabalho fosse feito semanalmente, como manda o Regulamento. Mas um dos fins essenciais da reunião é a oração semanal em comum, e será inútil acrescentar que tal fim só pode ser atingido com a reunião semanal.

É certo que uma reunião semanal acarreta sacrifício. Mas, se a Legião não pode exigi-lo com confiança aos seus membros, – onde encontraremos a base necessária e firme para o seu sistema?

7. Haverá em cada Praesidium como Diretor Espiritual, um sacerdote, e também um Presidente, um Vice-Presidente, um Secretário e um Tesoureiro.

Chamam-se Oficiais do Praesidium e são os seus representantes na Curia. As obrigações de cada um deles serão tratadas no capítulo 34. A primeira, porém, há de ser a perfeita execução do trabalho semanal ordinário, de modo a servirem de exemplo aos restantes membros.

8. Os Oficiais deverão apresentar ao Praesidium um relatório de cada reunião da Curia, e manter assim o necessário contato entre o Praesidium e a Curia.

9. O Diretor Espiritual é designado para o seu cargo pelo Pároco ou pelo Bispo. A permanência no cargo dependerá da aprovação dos mesmos.

[Capítulo 14 O Praesidium página 85]

Um Diretor Espiritual pode encarregar-se, ao mesmo tempo, da direção de mais de um Praesidium.

Caso ele não possa participar das reuniões do Praesidium, poderá fazer-se substituir por outro sacerdote ou religioso, ou, em circunstâncias especiais, por um Legionário competente, chamado Tribuno.

Embora o Diretor Espiritual deva estar a par do que se passa nas reuniões, a sua presença não é essencial à validade das mesma.

O Diretor Espiritual pertence à categoria dos Oficiais do Praesidium e deve apoiar toda autoridade legionária legítima.

10. O Diretor Espiritual deverá ter autoridade decisiva nas questões religiosas ou morais levantadas nas reuniões do Praesidium, cabendo-lhe o direito de suspender qualquer deliberação até que o Pároco ou o Bispo dêem o seu parecer.

“Este direito é uma arma necessária; mas, como qualquer arma, deve ser usada discreta e cautelosamente, para que não aconteça tornar-se instrumento de destruição e não de proteção. Numa associação bem organizada e bem dirigida a sua utilização nunca será necessária.” (Civardi: Manual da Ação Católica)

11. Os Oficiais do Praesidium, exceto o Diretor Espiritual, serão nomeados pela Curia, ou, se esta não existir, pelo Conselho imediatamente superior.

É para desejar que se evitem francas discussões a respeito das qualidades ou defeitos de candidatos a Oficiais, possivelmente presentes. Assim, quando se tem que preencher qualquer vaga no quadro dos Oficiais, o Presidente da Curia costuma apresentar a esta, depois de cuidadosa pesquisa (em que deve ser ouvido sobretudo o Diretor Espiritual do Praesidium) o nome da pessoa que lhe pareça mais idônea, e que a Curia nomeará, se assim o entender.

12. A duração do mandato dos Oficiais (exceto a do Diretor Espiritual) é de três anos, prolongável por outro período igual ao primeiro, isto é, seis anos ao todo. Depois de o seu mandato terminar um Oficial não pode continuar a exercer as suas funções.

A transferência de um Oficial para outro cargo ou para cargo idêntico em unidade diferente deverá considerar-se como nova nomeação.

Após um intervalo de três anos, um Oficial pode ocupar o mesmo cargo no mesmo Praesidium.

[Capítulo 14 O Praesidium página 86]

Quando, por qualquer motivo, um Oficial não puder completar os três anos de mandato, deverá considerar-se como tendo servido três anos, na data do abandono do cargo. Aplicam-se depois as normas gerais da renovação dos mandatos: a) se se tratar de um primeiro período, pode, dentro do triênio que não completou, ser designado para o mesmo lugar por um novo período de três anos; b) se se tratar de um segundo período, deve decorrer três anos entre a saída do cargo e a nova nomeação para as mesmas funções.

“O problema da duração de um cargo deve ser resolvido de acordo com os princípios gerais. Em qualquer organização – sobretudo numa organização religiosa de voluntários – nunca devemos perder de vista o grande perigo de acomodação que a ameaça, no todo ou em qualquer das suas partes, pela diminuição do entusiasmo, pela infiltração do espírito de rotina, pelo endurecimento dos métodos, diante dos males que surgem constantemente. Perigo realmente sério, – porque muito humano.

Este processo de deterioração conduz a um trabalho sem vida, a uma completa indiferença. A organização deixa de atrair ou reter os membros mais qualificados, caindo numa indiferença aniquiladora. É disto que a Legião tem de se defender a todo o custo. Para tal, é absolutamente indispensável garantir, em todo e cada um dos Conselhos ou Praesidia, um perpétuo renovar de entusiasmo. O nosso primeiro cuidado deve recair sobre os Oficiais – fontes naturais de zelo – esforçando-nos para que não diminua o impulso do seu primitivo fervor, o que se consegue com a mudança a que acima nos referimos. Se os Oficiais falham, tudo falha. Se neles se extingue a chama do entusiasmo, vão esfriar, na mesma medida os grupos que eles dirigem. E o pior é que se contentarão facilmente com o estado de coisas, a que se habituaram. Para tal situação não há remédio possível a não ser que o socorro venha de fora. Teoricamente, tal remédio estaria num estatuto que exigisse a renovação periódica de um cargo. Na realidade, porém, este remédio não seria eficaz, pois que os próprios conselhos administrativos não se aperceberiam do lento desmoronar e aprovariam automaticamente a reeleição dos mesmos dirigentes.

Conseqüentemente, parece que a única atitude segura a se tomar é substituir os Oficiais, sem considerar seus méritos ou outras circunstâncias. O procedimento das ordens religiosas sugere à Legião, o critério a seguir: “o de limitar a seis anos a duração dos cargos e exigir a renovação do poder após o primeiro triênio” (Decisão tomada pela Legião, limitando a duração dos cargos dos Oficiais).

[Capítulo 14 O Praesidium página 87]

13. “Não há maus soldados,” dizia Napoleão, – “só há maus oficiais”. É esta uma forma irônica de afirmar que são os oficiais que fazem os soldados. O padrão estabelecido pelos Oficiais, dentro da organização, em matéria de generosidade e de trabalho, nunca será ultrapassado pelos Legionários. Daí, a imperiosa necessidade de escolher os Oficiais entre os melhores elementos. Se o operário deve ser digno de seu salário, o legionário deve ser digno de ocupar um cargo de direção.

A nomeação sucessiva de bons Oficiais deveria significar o aperfeiçoamento constante do espírito do Praesidium. Cada novo Oficial, além de velar cuidadosamente pela manutenção do nível adquirido, há de contribuir com a sua participação pessoal para o progresso do Praesidium.

14. A nomeação do Presidente, sobretudo, requer madura reflexão. Um erro em tal matéria pode ser a ruína do Praesidium. A escolha só deve ser feita depois de um sério exame dos possíveis candidatos, de acordo com os requisitos apontados no capítulo 34, n° 2, relativo ao Presidente. A pessoa que não ofereça garantia de poder satisfazer às normas ali estabelecidas, deve ser absolutamente posta de lado, por maiores que sejam os seus méritos, sob qualquer outro ponto de vista.

15. Não havendo razões especiais em sentido contrário, a Curia, sempre que proceder à reorganização de um Praesidium que esteja em má situação, substituirá o Presidente. A ruína do núcleo provém, na maior parte dos casos, do desleixo ou incapacidade do Presidente.

16. Durante o tempo de prova, o legionário só provisória ou temporariamente poderá exercer um cargo de direção num Praesidium de adultos. Se ele não tiver sido retirado do cargo, durante o período de prova, ao expirar este torna-se Oficial de pleno direito, e o tempo decorrido vai ser tomado em conta para o triênio acima referido.

17. Nenhum membro do Praesidium deve sair para entrar em outro, sem prévia autorização de seu Presidente. A admissão em novo Praesidium será feita de acordo com as regras e constituições que regulam a admissão de novos membros, podendo estes ser dispensados da prova e da Promessa. Tal autorização, quando pedida, não deve ser negada sem razão suficiente. Ao pretendente fica sempre o recurso de apelar para a Curia.

[Capítulo 14 O Praesidium página 88]

18. O Presidente do Praesidium, depois de consultar os Oficiais, pode suspender qualquer membro do Praesidium, por motivos que todos considerem suficientes, sem ter de dar contas ao Praesidium.

19. A Curia tem o direito de expulsar ou suspender qualquer membro de um Praesidium, ficando a este o recurso de apelar para o Conselho diretivo, imediatamente superior, cuja decisão será definitiva.

20. Qualquer discordância entre Praesidia, relativa à divisão dos trabalhos, será solucionada pela Curia.

21. Um dos deveres essenciais do Praesidium é recrutar e manter à sua volta um sólido grupo de Auxiliares.

Um exército bem comandado, corajoso, perfeitamente disciplinado e armado, representa uma força irresistível. No entanto, se contar apenas consigo próprio, a sua eficiência será pouco durável. Ele depende a toda hora de uma grande multidão de trabalhadores que lhe fornecem munições, víveres, fardas e assistência médica. Vamos privá-lo de toda essa ajuda e veremos o que acontecerá a esta excelente formação, depois de alguns dias de combate.

Os Auxiliares são para o Praesidium o mesmo que aquela turma de trabalhadores é para o exército. Fazem parte integrante da organização. Sem eles o Praesidium é incompleto.

O verdadeiro método para se manter a comunicação com os Auxiliares é o contato pessoal. Não bastam cartas para cumprir tão importante dever.

22. Um exército procura sempre assegurar o futuro pelo estabelecimento de escolas de formação militar. Da mesma maneira, cada Praesidium deve considerar a fundação e direção de um Praesidium Juvenil como parte essencial do seu próprio sistema. Dois legionários adultos serão escolhidos para Oficiais do Praesidium Juvenil. Nem todos os legionários servem para tais cargos. A formação dos jovens exige qualidades especiais do educador. Que os Oficiais sejam, portanto, escolhidos com muito cuidado. O desempenho desta tarefa satisfaz a obrigação do trabalho semanal que lhes compete como membros do Praesidium de adultos a que pertencem. Representarão o Praesidium Juvenil na Curia de adultos ou na Curia Juvenil, se esta existir.

Os outros dois cargos de Oficiais serão preenchidos por membros juvenis que assim serão treinados para as responsabi-

[Capítulo 14 O Praesidium página 89]

lidades futuras. Representarão o Praesidium na Curia Juvenil, nunca, porém, na Curia de Adultos.

“Numerosos são os raios do sol, mas uma só a luz; muitos os ramos da árvore, mas um só o tronco, firmemente seguro por raízes inabaláveis.” (São Cipriano: De Unitate Ecclesiae).

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COMPROMISSO LEGIONÁRIO (1)

Espírito Santíssimo, Eu ..... (nome do candidato),
desejando alistar-me hoje nas fileiras da Legião de Maria, e reconhecendo que não posso, por mim mesmo, prestar serviço digno,
suplico-vos que desçais a mim e me enchais de Vós mesmo,
a fim de que os meus débeis atos sejam sustentados pelo Vosso poder e se tornem instrumentos dos Vossos soberanos desígnios.
Reconheço também que, tendo Vós vindo regenerar o mundo em Jesus Cristo,
só por Maria o quisestes fazer;
que sem Ela não podemos conhecer-Vos, nem amar-Vos;
que é por Ela que os Vossos dons, virtudes e graças são
distribuídos a quem lhe apraz, quando lhe apraz, e na medida e maneira que lhe apraz.
Reconheço, enfim, que o segredo do perfeito serviço legionário
consiste na união total com aquela que Vos está inteiramente unida.

Por isso, empunhando o estandarte da Legião que simboliza a nossos olhos todas estas verdades,
apresento-me diante de Vós como soldado e Filho de Maria,
e proclamo a minha completa dependência d’Ela.
Maria é a Mãe da minha alma.
O Seu coração e o meu fazem um só coração;

[Capítulo 15 Compromisso Legionário página 90]

e do fundo deste coração único, Ela repete as palavras de outrora:
“Eis aqui a escrava do Senhor”;
e mais uma vez vindes, Espírito Divino, por Seu intermédio operar grandes coisas.

Que o Vosso poder me cubra e comunique à minha alma o Vosso fogo e o
Vosso amor,
de modo a fundi-lo com o amor de Maria e a Sua vontade de
salvar o mundo;
para que eu seja puro n’Aquela que fizestes Imaculada;
para que, por Vós, cresça em mim o Cristo, meu Senhor;
para que eu, unido a Ela, Sua Mãe, possa levá-Lo ao mundo e às almas que
d’Ele carecem;
para que estas almas e eu, depois da vitória, possamos reinar com Ela na
glória da Trindade Santíssima.

Confiado em que me acolhereis – e Vos dignareis utilizar os meus serviços – e que convertereis neste dia, a minha fraqueza em força,
tomo lugar nas fileiras da Legião e ouso prometer um serviço fiel.
Prometo sujeitar-me completamente à sua disciplina,
que me liga a meus irmãos,
e faz de nós um exército,
e nos conserva alinhados na marcha com Maria,
para cumprir a Vossa vontade e operar os Vossos prodígios de graça,
que renovarão a face da Terra,
e estabelecerão o Vosso reino, Espírito Santíssimo, sobre todas as coisas.
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

(1) Anteriormente: “Promessa Legionária”.

“Notou-se que o Compromisso Legionário se dirige ao Espírito Santo, a Quem o comum dos católicos tem muito pouca devoção, e a Quem os legionários devem dedicar um amor muito especial. O seu trabalho, que é a santificação própria e a dos outros membros do Corpo Místico de Cristo, depende do poder e da ação do Espírito Santo, exigindo, por isso, uma íntima união com Ele. Para isto, duas coisas são essenciais: atenção cuidadosa às inspirações do Espírito Santo e uma terna devoção à Virgem Santíssima, com quem Ele trabalha em profundíssima união. Foi, provavelmente, a falta desta última e não da primeira, que fez com que houvesse no mun-

[Capítulo 15 Compromisso Legionário página 91]

do uma grande ausência da verdadeira devoção ao Espírito Santo, apesar dos numerosos livros escritos e dos inúmeros sermões pregados sobre este assunto. Os legionários amam muito, certamente, a Maria – sua Mãe e Rainha; mas, se juntarem este amor a uma devoção mais ardente e mais esclarecida ao Espírito Santo, entrarão perfeitamente no plano divino que exigiu a união do Espírito Santo e de Maria na obra de regeneração do mundo. Conseqüentemente, os legionários não poderão deixar de ver coroados os seus esforços por um acréscimo de forças e de êxitos.

‘As primeiras orações rezadas pelos legionários foram a Invocação e a Oração ao Espírito Santo, seguidas do Terço do Santo Rosário.’ Desde então as mesmas preces abrem cada reunião. Há a maior conveniência em colocar sob a mesma santa proteção, a cerimônia que incorpora o legionário nas fileiras da Legião. Esta cerimônia traz à memória o dia do Pentecostes – em que a graça do apostolado foi derramada pelo Espírito Santo, através de Maria. O legionário, procurando o Espírito Santo, por intermédio de Maria, receberá d’Ele de maneira abundante os Seus Dons e, entre estes, o de um verdadeiro e esclarecido amor à Mãe de Deus.

Além disso, a fórmula do Compromisso harmoniza-se com a espiritualidade legionária simbolizada pelo Vexillum, que nos mostra a Pomba presidindo a Legião e a sua obra – por Maria, para todos os seres humanos” (Extrato da ata da 88a reunião do Concilium Legionis). (Estas citações não fazem parte da Promessa Legionária).

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GRAUS SUPLEMENTARES DA LEGIÃO

Além dos membros ativos comuns a Legião admite duas categorias de membros.

1. Os pretorianos

Os Pretorianos(1) constituem um grau superior nas fileiras dos Membros Ativos. Compreende aqueles que, além das obrigações próprias de membro ativo, se comprometem:
(1) A guarda Pretoriana era a ala selecionada, a mais especial do Exército Romano.

[Capítulo 16 Graus Suplementares da Legião página 92]

1º a rezar diariamente todas as orações da Tessera;

2º a participar da Missa e comungar todos os dias. O receio de não poder participar da Missa e comungar todos os dias, sem exceção, não é motivo para desistir de entrar para Pretoriano, visto que ninguém pode estar certo de tal regularidade. Quem, normalmente, não falta mais do que uma vez ou duas por semana a estas obrigações, pode inscrever-se tranqüilamente como Pretoriano;

3º a reza diária de um ofício aprovado pela Igreja, especialmente o Ofício Divino ou parte significativa do mesmo; por exemplo Laudes, de manhã, e Vésperas, à tarde. Foi também aprovado um breviário mais breve, com estas duas partes do Ofício Divino, a que se acrescentou a oração da noite ou Completas – que também pode ser utilizada.

Tem sido sugerido que se fizesse um dia a reza do Ofício e no outro, uma meditação. Tal proposta não está de acordo com o fim essencial que levou à criação do Pretoriano – unir o legionário aos grandes atos oficiais do Corpo Místico. O apostolado ativo do legionário é uma participação no apostolado oficial da Igreja. O grau de Pretoriano ajuda a introduzi-lo mais profundamente na vida comunitária da Igreja. Daí, a exigência da Missa e da Sagrada Comunhão, atos centrais em que se renova diariamente o Ato Supremo do Cristianismo.

A seguir, na Liturgia, vem o Ofício Divino, a oração coletiva da Igreja, em que Jesus Cristo reza. Em qualquer Ofício baseado nos Salmos, utilizamos as preces inspiradas pelo Espírito Santo, unindo-nos, assim, intimamente à voz coletiva, que sobe aos ouvidos do Pai celeste. Por isso, se impõe ao Pretoriano um Ofício Divino e não a meditação.

“À medida que a graça progride em nós, deve o nosso amor tomar novas formas”, dizia aos seus legionários o Arcebispo Mons. Leen. A reza do Ofício Divino por inteiro constituirá, para quem o puder fazer, uma nova manifestação de amor.

Convém notar:

a) Os Pretorianos não constituem uma unidade à parte dentro da Legião, mas um simples grau do serviço ativo; por isso, não se devem fundar Praesidia especiais para Pretorianos.

b) O grau de Pretoriano deve ser considerado como um contrato particular meramente pessoal.

c) É proibido usar de imposição moral por mínima que seja, para recrutar Pretorianos; e, embora se possam e devam aconselhar freqüentemente os legionários a tornarem-se pretorianos, não é permitido dar ou citar os nomes em público.

[Capítulo 16 Graus Suplementares da Legião página 93]


d) O legionário torna-se Pretoriano pela inscrição do seu nome numa lista própria.

e) Os Diretores Espirituais e os Presidentes devem esforçar-se por aumentar o número de Pretorianos, mantendo-se, ao mesmo tempo, em relação com os Pretorianos atuais, para que não se cansem do seu generoso compromisso.

Se o Diretor Espiritual consentisse na inscrição do seu nome na lista dos Pretorianos, tal fato fortaleceria a sua qualidade de legionário, estreitaria os laços que o ligam ao Praesidium e havia de influenciar favoravelmente no aumento do número de Pretorianos.

A Legião deposita grandes esperanças no grau de Pretoriano. Levará muitos membros a uma vida de mais íntima união com Deus por meio da oração; introduzirá na organização legionária um coração, cheio de vida, no qual um número cada vez maior de legionários procurará envolver-se, influindo deste modo inevitavelmente em toda a circulação espiritual da Legião. Esta confiará assim cada vez mais no poder da oração, para conseguir bons resultados em todas as suas obras e se convencerá cada vez mais profundamente de que o seu principal e verdadeiro destino é aperfeiçoar, na ordem sobrenatural, todos os seus membros.

“Deveis crescer, bem o sei; é o vosso destino; exige o vosso nome de católicos; é o privilégio da herança dos Apóstolos. Mas, como admitir uma extensão material, sem o desenvolvimento moral correspondente? Só o pensar em tal possibilidade causa horror” (Newman: A Posição Atual dos Católicos).

2. Membros Auxiliares

À Categoria de Auxiliares podem pertencer os sacerdotes, religiosos e leigos. Os Auxiliares são as pessoas que, não podendo ou não querendo assumir as responsabilidades de Membros Ativos, se unem à Legião através do compromisso de rezar determinadas orações em seu nome.

Os auxiliares subdividem-se em duas categorias:

a) uma elementar, cujos membros se chamam simplesmente Auxiliares;

b) e outra, superior, cujos membros recebem o nome particular de Adjutores Legionis ou Adjutores.

Não há limite de idade para os Membros Auxiliares.

Não é preciso oferecer unicamente pela Legião as orações

[Capítulo 16 Graus Suplementares da Legião página 94]

estabelecidas. Basta oferecê-las em honra da Santíssima Virgem. É possível, por isso, que a Legião não receba qualquer fruto delas; mas a verdade é que também não deseja receber nada que possa produzir maior bem em outro lugar. Como, porém, tais orações são um serviço legionário, é provável que sensibilizem a Rainha da Legião a ter em consideração as necessidades da mesma Legião.

Recomenda-se insistentemente, no entanto, que este e outros serviços legionários sejam entregues como oferta à Santíssima Virgem, sem a mínima reserva, para que ela os administre conforme as suas intenções. Tal modo de agir elevará o nosso serviço a um nível superior de generosidade e realçará grandemente o seu valor. A reza diária da seguinte fórmula de oferecimento ou de outra semelhante será suficiente para manter essa intenção: “Maria Imaculada, Medianeira de toda as graças, a vós entrego a parte das minhas orações, trabalhos e sofrimentos, de que posso dispor”.

As duas categorias de Auxiliares são para a Legião o que as asas são para a ave. Com elas bem abertas – e tanto mais quanto maior for o número de Auxiliares – e agitadas intensamente sob o impulso marcante das orações prescritas, rezadas com fidelidade, a Legião poderá elevar-se no caminho do ideal e do esforço sobrenaturais. Voará rápida para onde quiser e nem as mais altas montanhas lhe cortarão a carreira. Fechem-se, porém, e a Legião arrastar-se-á lenta e penosamente, detendo-se ao menor obstáculo.

Primeiro Grau: Os Auxiliares

Esta categoria, cujos membros são chamados Auxiliares, é a ala esquerda do exército legionário que reza. O serviço legionário que lhes corresponde consiste na reza diária de todas as orações da Tessera, a saber: a invocação e oração ao Espírito Santo; o terço do Rosário e as invocações que se lhe seguem; a Catena e as orações finais. Podem distribuir-se pelas diferentes horas do dia, como mais convier.

As pessoas que costumam rezar diariamente o terço por qualquer intenção particular podem ser membros Auxiliares sem a obrigação de acrescentar novo terço.

“Quem reza “presta auxílio a todas as almas. Socorre e ampara seus irmãos, pela salutar e poderosa força de atração de uma alma que crê, conhece e quer. Cumpre o que acima de tudo nos pede S.Paulo: orações, súplicas, e ações de graça por todos os homens.

[Capítulo 16 Graus Suplementares da Legião página 95]

“Não cesseis de orar e de suplicar em todos os tempos, no Espírito Santo” (Ef 6, 18). E não vos parece que, se deixais de vigiar, de insistir, de vos esforçar, de vos manter firmes, tudo há de enfraquecer, o mundo há de recuar e os vossos irmãos hão de sentir em si mesmos menos força e amparo? Sim, certamente. Cada um de nós, até certo ponto, leva o mundo aos ombros e os que deixam de trabalhar, de vigiar, sobrecarregam os demais” (Graty: As fontes).

Grau Superior: Os Adjutores

São eles a ala direita da Legião que reza, formada por todos aqueles que diariamente: a) rezam as orações da Tessera; b) e participam da santa Missa, comungam e rezam um ofício aprovado pela Igreja (Veja-se o valor especial de um Ofício no capítulo sobre o Pretoriano).

Segue-se, portanto, que os Adjutores estão para os simples Auxiliares como os Pretorianos para os simples membros Ativos. As obrigações acrescentadas são as mesmas.

O fato de alguém falhar a estas obrigações uma ou duas vezes por semana não se considera falta grave aos seus deveres de membro Adjutor.

Não se exige a reza do Ofício aos Religiosos que não são obrigados a rezá-lo pelos seus Regulamentos próprios.

Esforcem-se por levar o simples Auxiliar a tornar-se Adjutor, pois esta categoria oferece-lhe um verdadeiro modelo de vida. O que se diz para os Pretorianos, no que se refere à união do legionário à oração da Igreja e ao valor especial de um ofício, aplica-se igualmente aos Adjutores.

Fazemos um apelo especial aos Sacerdotes e Religiosos para que se tornem Adjutores. A Legião deseja vivamente unir-se a estas almas consagradas, especialmente dedicadas a uma vida de oração e estreita intimidade com Deus e que constituem na Igreja, poderosas usinas de energia espiritual. Ligada eficazmente a estas geradoras de força, a máquina legionária desenvolverá um potencial irresistível.

Se refletirem um pouco, verão como é pequeno o encargo que com isso acrescentam às suas obrigações de costume; – nada mais do que a Catena, a Oração da Legião e algumas invocações; uma questão de alguns minutos apenas. Mas, através deste laço com a Legião, podem tornar-se a sua força motriz.

[Capítulo 16 Graus Suplementares da Legião página 96]

“Dai-me uma alavanca e um ponto de apoio e eu levantarei a própria Terra”, dizia outrora Arquimedes. Unidos à Legião, os Adjutores encontrarão nela o ponto de apoio indispensável da longa alavanca da suas fervorosas orações que, deste modo, se tornarão suficientemente fortes para levantar as almas oprimidas do mundo inteiro e afastar para longe, montanhas de dificuldades.

“No cenáculo, onde pela vinda do Espírito Santo a Igreja foi definitivamente fundada, Maria começa a exercer visivelmente no meio dos Apóstolos e dos discípulos reunidos, uma função que continuará a exercer pelos séculos afora, de um modo íntimo e oculto: a de unir corações na oração e de vivificar as almas pelos méritos da sua intercessão todo-poderosa: “Todos animados de um mesmo espírito perseveravam na oração com as piedosas mulheres e Maria, Mãe de Jesus e os irmãos d’Ele”(At 1, 14) (Mura: O Corpo Místico de Cristo).

Observações gerais relativas aos dois graus de Auxiliares

1. Serviço complementar. A Legião suplica aos Auxiliares dos dois graus que considerem as suas estritas obrigações de membros, não como máximo mas antes como o mínimo exigido pelo serviço legionário que eles terão a generosidade delicada de completar com outras orações e boas obras, feitas especialmente nesta intenção.

Sugerimos aos sacerdotes Adjutores um “Memento” especial em todas a missas e o oferecimento do Santo Sacrifício de tempos a tempos pelas intenções de Maria e da Legião. Exortamos também os outros Auxiliares a mandarem celebrar de vez em quando uma missa, ainda que com algum sacrifício, pelas mesmas intenções.

Por mais generoso que se mostre o Auxiliar para com a Legião, recebe dela em retorno infinitamente mais. O motivo é claro. A Legião dá a conhecer aos Auxiliares – tanto como aos Membros Ativos – as grandezas de Maria, alista-os como soldados ao serviço de tão maravilhosa Rainha e leva-os a amá-la como devem. Estas vantagens são tão elevadas que nenhuma palavra lhes pode traduzir o valor. A Legião eleva a vida espiritual dos seus membros a um plano superior, garantindo-lhes deste modo uma eternidade mais gloriosa.

[Capítulo 16 Graus Suplementares da Legião página 97]

2. Quem ousará recusar a Maria este presente? Não esqueçamos que Aquela que é a Rainha da Legião é igualmente a Rainha do Universo, de todas as suas partes, e de tudo quanto ao mundo interessa. Dar a Maria, portanto, é ir de encontro às mais urgentes necessidades, é aplicar as orações onde produzem maior fruto.

3. Na administração dos bens espirituais colocados em suas mãos, Maria Imaculada nunca esquecerá as numerosas exigências e deveres da nossa vida normal e todas as nossas obrigações atuais. Poderá desculpar-se: “Eu bem queria ser Auxiliar, mas dei tudo, desinteressada e completamente, a Maria ou às almas do Purgatório ou às missões. Fiquei sem nada; não tenho nada para a Legião. Que proveito lhe resultará da minha presença no Serviço Auxiliar?” A Legião responde: há maior vantagem no alistamento de pessoas tão generosas. A sua boa vontade em ajudar a Legião é já em si uma oração a mais, uma prova de especial pureza de intenção, um apelo irresistível à generosidade ilimitada da guardiã dos divinos tesouros. Fiquem certos de que, se se alistarem como Auxiliares, Maria corresponderá aos seus desejos: lucrarão suas novas intenções e as antigas não hão de perder. É que esta maravilhosa Rainha e Mãe tem tal arte que nos enriquece de forma maravilhosa, ao mesmo tempo que aproveita a nossa oferta para socorrer generosamente os outros com os nossos tesouros espirituais. A sua intervenção produz um trabalho a mais, realiza uma maravilhosa multiplicação, que S. Luís Maria de Montfort chama segredo da graça. É preciso notar – diz ele – que as nossas boas obras, ao passarem pelas mãos de Maria, aumentam em pureza e conseqüentemente em mérito e valor de reparação e de súplica. Tornam-se assim mais poderosa para aliviar as almas do Purgatório e converter os pecadores do que no caso de não passarem pelas mãos virginais e liberais de Maria”.

Todas as vidas necessitam da força que provém desta admirável transação, através da qual nos é tirado o que temos para ser colocado a juros, transformado em trabalho proveitoso e devolvido depois com lucro. Esta força encontra-se no dom que fizermos a Maria, da oração fiel dos Auxiliares.

4. A Legião parece ter recebido de Maria um pouco do seu dom de atrair irresistivelmente os corações, talvez devido ao grande número de almas aflitas com as quais está em contato. Os legionários não terão, pois, grandes dificuldades em alistar os

[Capítulo 16 Graus Suplementares da Legião página 98]

seus amigos no Serviço Auxiliar, tão essencial para a Legião e tão vantajoso para os próprios Auxiliares que, associados à Legião, participam das suas orações e trabalhos.

5. Tem-se verificado que o Serviço Auxiliar da Legião, (a ala que reza), tem a capacidade de encantar as almas tanto como a qualidade de Membro Ativo. Pessoas que de outro modo não pensariam em rezar diariamente o terço, cumprem fielmente as obrigações do Serviço Auxiliar que exige a reza diária de todas as orações da Tessera. Quantas almas desanimadas, recolhidas em asilos e hospitais ou em outros estabelecimentos, ganham ânimo e interesse pela vida, entrando como Auxiliares na Legião! Inúmeros católicos, perdidos nas suas aldeias, vivendo em circunstâncias propícias a tornar a religião sem gosto, quando não rotineira, compreenderam afinal como Auxiliares que desempenham papel importante na Igreja; quantos, tendo chamado a si como coisa própria os interesses da Legião, lêem com grande interesse qualquer escrito que a ela se refira e lhes venha às mãos! Reconhecem-se como parte nas lutas assumidas ao longe pela Legião em prol das almas, luta cuja sorte depende das suas orações. As notícias procedentes de diversos lugares acerca de nobres e emocionantes trabalhos a favor das almas enchem-lhes a vida monótona de apaixonante interesse por estes atos heróicos. As suas existências acham-se assim transformadas pelo mais sublime dos ideais: o ideal de cruzado. Mesmo as almas mais santas precisam de semelhante estímulo.

6. Um dos objetivos do Praesidium será o Alistamento de todos os católicos da sua área nas fileiras do Serviço Auxiliar. Desta maneira se prepararia um terreno favorável a outras formas de apostolado legionário. As visitas neste sentido serão por todos recebidas como uma honra e de antemão podem ser consideradas frutuosas.

7. Na medida em que os membros das outras organizações ou atividades católicas se alistarem como Auxiliares, conseguir-se-á uma desejável integração das atividades a que pertencem. Ficariam assim unidos na oração, na simpatia, no ideal, sob a proteção de Maria, e isto sem nenhum prejuízo da autonomia ou das características próprias dos diversos organismos e sem retirar deles as orações próprias dos seus membros. Note-se que as orações dos Auxiliares não são oferecidas nas intenções da Legião, mas simplesmente em honra de Nossa Senhora.

[Capítulo 16 Graus Suplementares da Legião página 99]

8. Um não-católico não pode ser Membro Auxiliar normal. Se acontecer, porém (e acontece, de fato, de vez em quando), que uma tal pessoa deseje rezar diariamente as orações da Legião, entregue-se-lhe a Tessera e anime-se no seu generoso propósito. Tome-se nota do nome para poder manter contato com ela. Nossa Senhora estará atenta, com certeza, às necessidades dessa pessoa.

9. Mais do que as necessidades locais, devem apresentar-se aos Auxiliares, como objeto das suas orações, os trabalhos da Legião e as difíceis batalhas por ela travadas a favor do ser humano, através do mundo inteiro. É certo que não tomam parte direta na luta; desempenham, porém, um papel essencial, comparável ao dos trabalhadores das fábricas de munições e ao dos serviços de abastecimento, sem os quais as forças combatentes nada podem.

10. O recrutamento de Auxiliares, não deve ser feito levianamente. Antes de os admitirmos, devemos instruí-los perfeitamente em todas as suas obrigações e ter uma razoável garantia de que serão fiéis aos compromissos que assumirem.

11. Com o fim de interessar cada vez mais os Auxiliares pela perfeita execução dos seus compromissos, e ao mesmo tempo: a) em relação ao presente, melhorar a sua qualidade e garantir a sua perseverança, b) e no que toca ao futuro levá-los a ingressar nas fileiras dos Adjutores e dos Membros Ativos, – seria aconselhável contar-lhes alguns dos trabalhos da Legião .

12. É necessário manter-se em contato constante com os Auxiliares a fim de os conservarem na Legião e avivar neles o interesse pela organização; trabalho admirável para certos legionários, cujo ideal devia ser o progresso espiritual daqueles que lhes estão confiados.

13. Dar-se-á conhecimento aos Auxiliares das enormes vantagens resultantes da sua entrada na Confraria do Santíssimo Rosário. Visto rezarem já mais orações do que as prescritas pelos Estatutos da Confraria, só lhes resta inscreverem-se nela.

14. Da mesma maneira, com a intenção de desenvolver plenamente a vida espiritual dos soldados Auxiliares de Maria, seria bom ao menos explicar-lhes a “Verdadeira Devoção” ou consagração total da vida a Maria. Muitos deles hão de sentir-se felizes

[Capítulo 16 Graus Suplementares da Legião página 100]

por poderem servi-la de uma forma mais perfeita, que exige a doação dos seus tesouros espirituais Àquela, a quem Deus escolheu como sua própria Tesoureira. E por que hesitar, se as intenções de Maria são os interesses do Coração de Jesus? Abrangem todas e cada uma das necessidades da Igreja e do apostolado. Estendem-se ao mundo inteiro. Descem mesmo às santas almas que sofrem no Purgatório. O zelo pelas intenções de Maria significa portanto carinho compreensivo pelas necessidades do Corpo do Senhor. É que, notemos, Maria não é agora Mãe menos compreensiva do que foi nos dias de Nazaré. Quando nos conformamos com as suas intenções, vamos diretamente ao fim, que é a vontade de Deus. Se quisermos alcançar este mesmo objeto apenas por nossa iniciativa, que caminho tortuoso não seguiremos! E quem nos diz que atingiremos o fim da caminhada?

Não faltará quem possa ser levado a pensar que tal devoção é própria só de pessoas avançadas em espiritualidade. É importante lembrar que foi a pessoas que acabavam de se libertar do pecado, e às quais se tornavam necessário recordar as verdades elementares do Catecismo, que S. Luís Maria de Montfort recomendou o Rosário, a devoção a Maria e a Santa Escravidão de Amor.

15. É desejável e, de fato, essencial estabelecer entre os Auxiliares, uma organização de regulamento suave com reuniões e festas próprias. Uma tal rede estendida sobre a comunidade teria como efeito a penetração desta pelo ideal legionário de apostolado e oração, a ponto de em breve, todos maravilhosamente o porem em prática.

16. Falando bem claramente: uma associação baseada no Serviço Auxiliar da Legião não seria menos importante que qualquer outra, tendo a mais, a vantagem de ser a própria Legião com todo o seu fervor e características. As reuniões freqüentes de tal associação garantiriam aos membros o contato com o espírito e as necessidades da Legião e iriam torná-los mais fervorosos no seu serviço.

17. Deve-se fazer o esforço de levar cada um dos Auxiliares a ingressar nos Patrícios, pois as duas associações completam-se de maneira ideal uma à outra. A reunião dos Patrícios cumprirá o fim da reunião periódica recomendada para os Auxiliares. Ajudará a mantê-los em contato com a Legião e contribuirá para o seu progresso em importantes aspectos. Por outro lado, se os Patrícios forem recrutados para Auxiliares, representará isso para eles mais um passo em frente.

[Capítulo 16 Graus Suplementares da Legião página 101]

18. Não se devem empregar os Auxiliares nos trabalhos ativos habituais da Legião. O contrário parece, à primeira vista, muito atraente. Com efeito, não será bom incentivar os Auxiliares a maiores realizações? Mas, se refletirmos um instante, veremos que se trataria da execução de um trabalho legionário sem a respectiva reunião semanal, o que significaria pôr de lado a condição essencial de Membro Ativo da Legião.

19. Os Auxiliares poderão tomar parte na Acies, quando isso se julgar conveniente ou possível, por ser esta uma cerimônia para eles excelente, pois os ligará intimamente aos Membros Ativos da Legião. Os Auxiliares que desejassem fazer o Ato de Consagração individual à Santíssima Virgem deveriam fazê-lo depois dos Membros Ativos.

20. A invocação na Tessera a ser rezada pelos Auxiliares será: “Maria Imaculada, Medianeira de todas as graças, rogai por nós”.

21. O convite insistente da Legião a todos os Membros Ativos: “sempre de serviço pelo próximo” – estende-se igualmente aos Auxiliares.
Os Auxiliares, tanto como os Membros Ativos, devem dedicar todos os esforços para recrutar novos membros para o serviço da Legião, de tal modo que, ajuntando um elo a outro elo, a Catena Legionis possa transformar-se numa rede dourada de orações que envolva o mundo inteiro.

22. Não falta quem proponha freqüentemente a redução ou substituição das Orações dos Auxiliares em consideração aos cegos, às crianças e às pessoas que não sabem ler.

Sem considerar o fato de uma obrigação perder parte da sua força, quando se torna menos exata, é evidente que o atendimento de tais pedidos é absolutamente impossível. Admitidas estas exceções, não tardaria o momento em que seria preciso estendê-las a pessoas de pouca leitura, de vista defeituosa ou muito ocupadas; seria abrir a porta ao relaxamento que, com o tempo, se tornaria regra geral.

Não, a Legião deve insistir na observância das normas estabelecidas. Se certas pessoas não são capazes de cumprir as obrigações prescritas, não podem ser Auxiliares. Entretanto podem prestar à Legião serviços incalculáveis, orando por ela como lhes for possível e a isto devem ser incentivadas.

[Capítulo 16 Graus Suplementares da Legião página 102]

23. É permitido pedir ao Auxiliar que pague a Tessera e o certificado de inscrição, mas nada mais se pode exigir dele.

24. Cada Praesidium terá em seu poder um Registro dos Membros Auxiliares com os respectivos nomes e endereços, subdividido em duas seções, uma para os Adjutores e outra para os simples Auxiliares. Este Registro será submetido periodicamente à Curia ou aos seus representantes autorizados. Será examinado atentamente para verificar se está bem conservado, se há cuidado no recrutamento de novos membros e se, de vez em quando, são visitados os Auxiliares existentes para se ter certeza de que, depois de terem colocado a mão no arado, não voltem para trás (Lc 9, 62).

25. Uma pessoa torna-se Membro Auxiliar pela inscrição do seu nome no Registro dos Membros Auxiliares de qualquer Praesidium. Este Registro ficará aos cuidados do Vice-Presidente.

26. Os nomes dos que desejam tornar-se Auxiliares serão escritos numa lista provisória até decorrerem os três meses de provação. Antes de os inscrever no Registro dos Auxiliares, o Praesidium deve certificar-se de que cumprem fielmente obrigações que deles são esperadas.

“Que recompensa não dará o bom Jesus a quem lhe entrega heróica e desinteressadamente, pelas mãos de sua Santíssima Mãe, todo o valor das suas obras? Se dá cem vezes, mesmo neste mundo, àqueles que por seu amor deixam os bens exteriores, temporais e perecíveis, que não dará Ele ao homem que lhe sacrifica mesmo os bens interiores e espirituais?” (São Luís Maria de Montfort).

17

AS ALMAS DOS LEGIONÁRIOS FALECIDOS

Terminada a caminhada da vida, eis o legionário gloriosamente reclinado no leito da morte. Agora, é ele confirmado no serviço legionário e por toda eternidade. Esta eternidade foi a Legião que o ajudou a conquistar. Ela formou a essência e o molde de toda a sua vida espiritual. Pelo poder das suas orações, rezadas

[Capítulo 17 As Almas dos Legionários Falecidos página 103]

cada dia fervorosamente num só coração por todos os legionários Ativos e Auxiliares, a fim de que a Legião pudesse reunir-se no céu sem uma perda, ela ajudou-a a vencer os perigos e dificuldades de toda a sua longa vida. Que pensamento suave e consolador para todos os legionários! Neste momento, sofremos por termos perdido um companheiro e um amigo. Apressemo-nos a orar para que a alma deste soldado seja prontamente libertada do Purgatório.

Imediatamente depois do falecimento de um membro ativo, o Praesidium mandará rezar uma missa pelo seu eterno descanso; e todos os membros do Praesidium devem rezar ao menos uma vez as Orações da Legião, incluindo o Terço, pela mesma intenção. Estas obrigações, porém, não se estendem aos parentes dos legionários. Todos os legionários que o puderem fazer, e não só os do próprio Praesidium, deverão tomar parte na santa missa e no enterro.

Recomenda-se a reza do Terço e das outras orações legionárias durante o enterro. Isto poderá fazer-se imediatamente a seguir às orações oficiais da Igreja. Este costume, extremamente proveitoso ao falecido, é profundamente consolador para os seus parentes entristecidos, para os próprios legionários e para todos os amigos presentes.

Esperamos com confiança que as mesmas orações sejam rezadas mais de uma vez, durante o velório, e que não limitaremos a isto a nossa piedosa lembrança.

No mês de Novembro, cada Praesidium mandará celebrar uma missa pelos legionários falecidos, não só do Praesidium, mas de todo o mundo. Nesta ocasião como em todas as outras em que se reza por eles, incluiremos nessas intenções os diversos graus de membros da Legião.

“O Purgatório faz parte do Reino de Maria. Lá se encontram também alguns dos seus filhos que, em dolorosos momentos de aflição, esperam o nascimento para a glória eterna. S. Vicente Ferrer, S.Bernardino de Sena e Luís de Blois e outros, declaram explicitamente que Maria é Rainha do Purgatório; e S. Luís Maria de Montfort convida-nos a pensar e agir de acordo com esta crença. Quer que ponhamos nos braços da Maria o valor das nossas preces e satisfações. Promete-nos em recompensa, um benefício mais abundante a favor das almas que nos são queridas, do que no caso de lhes aplicarmos diretamente as nossas orações” (Lhoumeau: Vida Espiritual na Escola de S. Luís Maria de Montfort).

[página 104]

18

ORDEM A OBSERVAR NA REUNIÃO DO PRAESIDIUM

1. Em todas as reuniões, a disposição deve ser uniforme. Os membros deverão sentar-se em volta de uma mesa, numa das extremidades da qual se preparará, sobre uma toalha branca, de dimensões convenientes, um pequenino altar com a imagem (de cerca de 60 cm de altura) da Imaculada Conceição na atitude de distribuidora de todas as graças, ladeada de duas jarras de flores, e dois castiçais com velas acesas. Em frente da imagem, mas um pouco à direita, será colocado o Vexillum, cuja descrição vem no capítulo 27.

Neste Manual encontrará o leitor fotografias da disposição do altar e do Vexillum.

O objetivo de uma tal disposição é representar a Rainha no meio dos seus soldados; por isso, o altar não deve estar separado da mesa da reunião, nem colocado fora do círculo dos membros.

O amor filial que devemos à nossa mãe celeste exige que o material e as flores sejam de qualidade tão boa quanto possível. A despesa com o material não deve oferecer dificuldades, visto não ser freqüente. Talvez se encontre um benfeitor ou uma pessoa de posses que ofereça ao Praesidium, vasos e castiçais de prata. Alguém, entre os legionários, deverá assumir a responsabilidade de conservar limpos e reluzentes, os vasos e os castiçais e devidamente enfeitados de flores e de velas, compradas à custa do Praesidium.

Se for absolutamente impossível obter flores naturais, é permitido o uso de flores artificiais, a que se ajuntará algumas folhas verdes para termos assim um elemento da natureza viva.

Em regiões, onde seja necessário defender a chama das velas para que não se apague, coloque-se na parte superior das mesmas globos transparentes de vidro.

Na toalha poderão ser bordadas as palavras Legião de Maria, mas não o nome do Praesidium. Importa pôr em relevo a unidade e não a distinção.

“A mediação de Maria está intimamente ligada à sua maternidade e possui caráter especificamente maternal, que a distingue da mediação das outras criaturas que, de diferentes modos e sempre subordinados, participam da única mediação de Cristo; também a mediação de Maria permanece subordinada. Se, na realidade, “nenhuma criatura pôde jamais colocar-se no mesmo plano

[Capítulo 18 Ordem a Observar na Reunião do Praesidium página 105]

que o Verbo Encarnado e Redentor”, também é verdade que “a mediação única do Redentor não exclui, antes desperta nas criaturas cooperação multiforme, participada dessa única fonte”; e assim, “a bondade de Deus, sendo uma só, difunde-se realmente, de diferentes modos, pelos seres criados” (RMat 38).

2. A reunião começará pontualmente à hora marcada. Nesse momento todos os membros devem estar nos seus lugares. Esta pontualidade, tão necessária ao bom andamento do Praesidium, só é possível, se os Oficiais chegarem alguns minutos antes, o tempo suficiente para fazerem os preparativos indispensáveis.

Nunca se começará uma reunião de Praesidium sem um programa escrito, chamado Folha de Trabalho. Esta deve ser feita antes da reunião e por ela se orientará o Presidente ao tratar dos diversos assuntos. Nela serão registrados pormenorizadamente todos os trabalhos que estão sendo feitos pelo Praesidium com a indicação dos membros que deles foram encarregados. Não é necessário seguir sempre a mesma ordem de assuntos, em todas as reuniões; mas todos os membros devem ser chamados, um por um, a dar conta do trabalho de que foram incumbidos, ainda que dois ou mais tenham participado da mesma atividade.

Providencie-se, antes do fim da reunião, para que cada membro receba o trabalho para a semana seguinte.

O Presidente deverá ter um livro encadernado no qual escreverá todas as semanas a Folha de Trabalho.

“Por mais fervoroso e absorvente que o ideal, nunca deve servir para justificar um sentimentalismo vazio e sem utilidade prática. Como já foi notado, o gênio de Santo Inácio consistia em explorar cuidadosa e organizadamente, as energias religiosas. O vapor é inútil, mesmo incômodo, enquanto não for aproveitado por um cilindro e por um êmbolo. Que desperdício de fervor espiritual, só porque não se sujeita a um exame minucioso, e não se aplica isso a casos práticos! Mal aproveitados, quatro litros de gasolina podem fazer ir pelos ares um automóvel; utilizados com competência, farão subir o carro até ao cimo do monte” (Monsenhor Alfredo O’Rahilly: Vida do Padre Guilherme Doyle).

3. A reunião abre com a invocação e oração ao Espírito Santo, fonte daquela graça, vida e amor, de que tanto nos alegramos em considerar Maria como canal.

[Capítulo 18 Ordem a Observar na Reunião do Praesidium página 106]

“Desde a hora em que concebeu o Filho de Deus em seu casto seio, Maria foi, por assim dizer, revestida de uma espécie de autoridade de jurisdição sobre as ações temporais do Espírito Santo, de tal sorte que nenhuma criatura recebe qualquer graça de Deus, a não ser por seu intermédio. Todos os dons, virtudes e graças do Espírito Santo por Ela são distribuídos a quem lhe agrada, quando lhe agrada e da maneira e na quantidade que lhe agrada” (São Bernardino de Sena: Sermão sobre a Natividade).
[Nota: a última parte desta citação encontra-se quase ao pé da letra nas obras de Santo Alberto Magno (Bíblia Mariana , Livro de Ester I), que viveu 200 anos antes de S. Bernardino].
4. Segue-se a reza de cinco dezenas do Rosário. A primeira, terceira e quinta são iniciadas pelo Diretor Espiritual. A segunda e quarta, pelos membros. Todos rezarão em voz alta e com tanta dignidade e respeito, como se a Virgem Maria, a quem dirigem as suas súplicas, estivesse visivelmente presente no lugar da imagem.
A devida reza da Ave-Maria exige que não se comece a segunda parte, antes de terminada a primeira e de o nome de Jesus ter sido pronunciado com todo respeito. Visto que o Rosário desempenha, quer como ponto de obrigação, quer como ato de piedade, papel importantíssimo na vida dos legionários, fiquem eles aconselhados a inscreverem-se na Confraria do Santíssimo Rosário (Cf. Apêndice 7).
O Papa Paulo VI insiste no dever de conservar o Rosário. É verdadeira oração. O seu conteúdo é verdadeiramente bíblico. Resume efetivamente toda a história da salvação e cumpre o propósito essencial de apresentar Maria nas diversas funções que desempenhou nessa história.
“Entre as diversas formas de oração, nenhuma há mais excelente que o Rosário. Resume todo o culto devido a Maria. É o remédio para todos os males e a raiz de todas as bênçãos” (Leão XIII).
“De todas as orações, o Rosário é a mais bela, a mais rica em graças e a mais agradável a Maria, a Virgem Santíssima. Amai, portanto, o Rosário e rezai-o devotamente todos os dias da vossa vida; eis o testamento que vos deixo para que vos recordeis de mim” (S. Pio X).
“Para os Cristãos, o Evangelho é o primeiro dos livros e o Rosário a síntese do Evangelho” (Lacordaire).

Disposição do Altar Legionário
O altar não deve ficar fora do círculo da reunião

[Capítulo 18 Ordem a Observar na Reunião do Praesidium página 107]

“É impossível que as orações de muitos não sejam ouvidas, se essas orações formam uma só oração. (S. Tomás de Aquino: Comentário ao Evangelho de S. Mateus, 18).

5. Após o Terço, segue-se imediatamente a Leitura Espiritual, feita pelo Diretor Espiritual ou, na sua ausência, pelo Presidente. A sua duração não deve ultrapassar cinco minutos. Embora a escolha da Leitura Espiritual seja livre, recomenda-se vivamente, ao menos durante os primeiros anos de existência do Praesidium, a leitura do Manual, a fim de familiarizar os membros com seu conteúdo e os animar a estudá-lo seriamente.

No fim da leitura, é costume fazer-se, em conjunto, o Sinal da Cruz.

“Maria é digna, sem dúvida alguma, de tais palavras de bênção, pelo fato de se ter tornado Mãe de Jesus segundo a carne (“Ditoso o ventre que te trouxe e os peitos a que foste amamentado”); mas é digna delas também e sobretudo porque, logo desde o momento da Anunciação, acolheu e acreditou na palavra de Deus e sempre foi obediente a Deus. Ela, com efeito, “guardava” a palavra , meditava-a “no seu coração” (Cf. Lc 1, 38-45; 2, 19-51) e cumpriu-a em toda a sua vida. Podemos, portanto, afirmar que as palavras de bem-aventurança pronunciadas por Jesus não se contrapõem, apesar das aparências, às que foram proferidas pela mulher desconhecida; combinam, antes com elas na pessoa desta Mãe Virgem, que a si mesma se designou simplesmente como “serva do Senhor” (Lc 1, 38) (RMat 20).

6. Lê-se a ata da reunião anterior que, se aprovada pelos presentes, é assinada pelo Presidente. A ata não será longa nem breve demais mas de bom tamanho; as reuniões serão designadas pelo número correspondente.

Salientamos já, no capítulo referente ao Secretário, a importância da ata. Sendo esta um dos primeiros assuntos a ser apresentado na reunião semanal do Praesidium, ocupa, digamos assim, uma posição estratégica. Pelo seu conteúdo e pela forma como é lida, exerce uma influência decisiva, positiva ou negativa, sobre o resto da reunião.

Atas bem feitas são como o bom exemplo; como o mau exemplo, se são mal feitas. Redigidas com perfeição, se não se lêem como devem, têm de ser classificadas como sem merecimento. O exemplo arrasta; e as atas, perfeitas ou imperfeitas, influenciam a atenção e os relatórios dos membros, de tal modo

[Capítulo 18 Ordem a Observar na Reunião do Praesidium página 108]

que pode depender delas o bom êxito ou fracasso da reunião que, por sua vez, influenciará o trabalho da semana.

Que o Secretário pondere estes motivos, enquanto se entrega ao trabalho silencioso da preparação das atas; e que o Praesidium, para garantia da força da sua ação, exerça neste assunto a máxima atenção.

“Seria certamente vergonhoso que, neste ponto, se verificassem as palavras de Cristo: “Os filhos deste século são mais hábeis que os filhos da luz” (Lc 16, 8). Vede com que zeloso cuidado aqueles tratam dos seus negócios e quantas vezes, e com que rigor, fazem o balanço das suas contas, como lamentam as perdas e se resolvem energicamente a recuperá-las” (S. Pio X).

7. Ordem Permanente. A seguinte Ordem Permanente deve figurar na Folha de Trabalho ou em outro lugar, de maneira a não passar despercebida no devido tempo e ser lida em voz alta pelo Presidente, na primeira reunião de cada mês, imediatamente depois da assinatura da ata.

Instrução Permanente

“O Serviço Legionário exige de cada membro da Legião:

Primeiro: A assistência pontual e regular à reunião semanal do Praesidium, onde deve apresentar em voz alta e compreensível o relatório exato do trabalho realizado.
Segundo: A reza diária da Catena.
Terceiro: A execução de um trabalho legionário, ativo e bem definido, em espírito de fé e união com Maria, de tal forma que, pelo legionário, seja Maria, a Mãe de Jesus, que mais uma vez contemple e sirva a pessoa Adorável de seu divino Filho, naqueles por quem o legionário trabalha e nos seus colegas de ação.
Quarto: Segredo absoluto sobre os assuntos tratados em reunião ou conhecidos na realização da atividade legionária”.

“Por meu intermédio, Maria deseja também amar a Jesus, no coração daqueles a quem eu posso inflamar de amor com o meu apostolado e com as minhas orações contínuas. Se me identificar inteiramente com ela, serei coberto tão abundantemente de suas graças e de seu amor, que me tornarei como um rio caudaloso, capaz de, por minha vez, transbordar sobre outras almas. Por mim, Maria poderá amar a Jesus e enchê-lo de alegria, não só por meio

[Capítulo 18 Ordem a Observar na Reunião do Praesidium página 109]

do meu coração mas também por meio dos inumeráveis corações unidos ao meu” (De Jaegher: A virtude da Confiança. Esta citação não faz parte da Ordem Permanente).

8. Relatório do Tesoureiro. O Tesoureiro deve apresentar todas as semanas o relatório da situação financeira do Praesidium, expondo as entradas e despesas havidas desde a última reunião e o saldo em caixa.

“As pessoas perdem-se muitas vezes porque não há dinheiro suficiente para se investir no apostolado” (Mellet, C.S. Sp.).

9. Apresentação dos relatórios dos trabalhos. Os membros, sentados, apresentam de viva voz, os relatórios dos seus trabalhos, podendo servir-se, se for preciso, de apontamentos.

O Praesidium não deixará passar, como coisa natural e de pouca importância, a falta de execução do trabalho legionário. Quando alguém, por uma razão válida, não tiver podido desempenhar-se da sua tarefa, deve, sendo possível, apresentar uma explicação. A falta não justificada de um relatório causa nos demais membros uma impressão de desleixo no cumprimento do dever, e constitui um mau exemplo para todos os membros.

Trabalhem os legionários com seriedade e poucas vezes surgirá a necessidade de se desculparem; e ainda bem, porque num ambiente de desculpas enfraquecem-se o zelo e a disciplina.

O relatório não deve ser dirigido só ao Presidente. É que é importante levar em conta um certo processo mental. Quando uma pessoa fala com outra individualmente, a voz ajusta-se automaticamente à distância que as separa e não mais. Isto poderia significar que as palavras dirigidas ao Presidente seriam ouvidas com dificuldade pelas pessoas a maior distância.

O relatório bem como toda a discussão sobre o mesmo devem fazer-se num tom de voz que possa ser ouvido por toda a sala. O relatório que, apesar da sua perfeição e fidelidade, não é ouvido por muitos dos presentes, torna-se pior, pelo seu efeito cansativo, do que a sua falta pura e simples. Falar em voz baixa não é sinal nem de humildade nem de boas maneiras, como alguns podem imaginar. Quem igualou jamais a simplicidade e a delicadeza de Maria? E, todavia, quem ousaria imaginá-la falando entre dentes ou de forma que as suas palavras não pudessem ser ouvidas pelas pessoas que a rodeavam? Legionários, nisto como em tudo, imitem a sua Rainha.

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Os Presidentes não devem admitir relatórios que exijam esforço para serem ouvidos. Mostrem-se, por isso, eles próprios, não merecedores de qualquer crítica. É o Presidente que dá o tom aos membros, os quais, em geral, falam ainda mais baixo do que ele. Se, pois, o Presidente fala em tom baixo ou de conversa, os outros hão de responder-lhe em voz sumida, julgando que estão a gritar, se levantarem a voz mais do que ele. Os membros devem insistir com todos, inclusive com o Presidente, para que falem alto. Como médico, que o Diretor Espiritual peça a todos, por sua vez, para se fazerem ouvir perfeitamente, pois, criar boas condições para que todos ouçam, é essencial à saúde do Praesidium.

Pela sua função própria, o relatório é tão importante para a reunião como as orações. São dois elementos que mutuamente se completam, ambos necessários à reunião.

O relatório une o trabalho ao Praesidium. Deve ser, por conseqüência, uma clara exposição das atividades do legionário – tão viva, em certo sentido, como a projeção de um filme – de forma a envolver mentalmente os outros no trabalho apresentado, quer julgando-o, quer comentando-o, quer tirando lições apropriadas. Por conseguinte, o relatório há de revelar o que se tentou fazer, o que se fez de fato, e com que espírito; o tempo empregado; os métodos utilizados; o que não se conseguiu, e as pessoas com quem não se chegou a falar.

A reunião será alegre e animada. Por isso, os relatórios serão, ao mesmo tempo, um motivo de interesse e uma fonte de informação. Se a reunião se torna demasiadamente pesada, é sinal muito claro de que o Praesidium não marcha como deve. Resultado: os jovens não entram.

Há trabalhos de tal variedade, que fornecem matéria abundante para relatórios interessantíssimos; mas outros existem sem as mesmas possibilidades. Torna-se pois indispensável aproveitar tudo quanto saia fora do comum, embora pareça insignificante, para dar cor e vida à exposição.

O relatório não deve ser nem longo nem breve demais, e sobretudo, nada de frases sempre iguais. Uma tendência em qualquer destes sentidos provaria não só que o membro se descuida no cumprimento do seu dever, mas que os outros colaboram com o seu descuido. Tal procedimento vai de encontro ao propósito legionário da orientação do trabalho. O Praesidium não poderá orientar as atividades, a não ser que esteja perfeitamente informado sobre elas.

O trabalho da Legião é, em geral, tão difícil que se os membros não forem animados pelo exame cuidadoso que a assembléia

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faz dos seus esforços, podem cair no relaxamento. Ora, tal não deve acontecer. Eles ingressaram na Legião para fazer o maior bem possível e é, provavelmente, nos casos em que as limitações pessoais mais se fazem sentir, que o seu trabalho é mais necessário. Ora, é a disciplina legionária que levará o membro a vencer as próprias fraquezas e a cumprir até o fim o seu dever, disciplina que se exerce sobretudo, através da reunião. Se os relatórios fornecerem apenas vagas informações, vago será também o controle do Praesidium sobre as atividades do membro. Conseqüência inevitável: o Praesidium não o anima nem o defende. O membro perderá o interesse e a orientação do Praesidium, realidade vitais que não podem ser dispensadas. A disciplina legionária perde a sua influência salvadora sobre o membro, com maus resultados, quer para o interessado, quer para o grupo de que faz parte.

Nunca esqueçamos que um relatório mal feito arrastará outros no mesmo sentido; é assim a lei da imitação. Pessoas com ótimos desejos de servir a Legião acabarão por prejudicá-la tragicamente.

Nenhum legionário se contentará com apresentar apenas um bom relatório. Porque não desejar chegar mais alto e ajuntar por vontade própria, ao cumprimento perfeito do trabalho, um relatório que possa servir de modelo? Desta forma, colabora-se na formação dos outros membros, quer no que se refere à realização do trabalho legionário, quer ao modo de relatá-lo. “O exemplo”, diz Edmund Burke, “é a escola do gênero humano, que não tem outra”. Procedendo assim, um só indivíduo pode erguer um Praesidium ao mais elevado grau de eficiência. É que os relatórios, embora não passem de um dos numerosos elementos da reunião, exercem uma tal influência no conjunto, que, por simpatia, tudo reage com eles, para melhor ou para pior.

Apontamos já acima Nossa Senhora como motivo de inspiração para um aspecto do relatório. Mas pensar nela pode ser uma ajuda em qualquer outro aspecto. Um olhar para a sua imagem, antes de começar o relatório, garantirá essa ajuda. É indiscutível que todo aquele que procurar fazer um relatório como, em seu pensar, Nossa Senhora o faria, não poderá deixar de apresentá-lo perfeito sob todos os pontos de vista.

“Certos cristãos apenas vêem em Maria uma criatura de beleza e graça incomparáveis, a mulher mais terna e amável que jamais existiu. Arriscam-se, assim, a não ter para com ela senão uma devoção sentimental ou, – se são de bom caráter – a sentir-se pouco

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atraídos pela mãe de Deus. Nunca repararam que esta Virgem tão terna e esta Mãe tão carinhosa é também a Mulher forte por excelência, e que nunca homem algum a igualou em fortaleza de caráter. (E. Neubert: Maria no Dogma).

10. A Catena Legionis (Cf. Capítulo 22: Orações da Legião) será rezada por todos, de pé, no momento fixado, mais ou menos a meio do tempo que vai da assinatura da Ata ao fim da reunião, ou seja, numa reunião normal de hora e meia, uma hora depois do início.

A antífona é rezada por todos; o Magnificat, alternado pelo Diretor Espiritual (ou, na sua ausência, pelo Presidente) com os assistentes; e a oração final só pelo Diretor Espiritual (ou Presidente).

O Sinal da Cruz não se faz antes da Catena, mas é feito por todos por ocasião da reza do primeiro versículo do Magnificat. Não se faz depois da Oração, porque se segue imediatamente a Alocução.

Nada há mais belo na Legião do que a reza comunitária da Catena. Quer o Praesidium se encontre cheio de júbilo ou mergulhado na tristeza, quer ande penosamente pelos caminhos estreitos do dia-dia, a Catena vem como brisa do céu, cheia dos perfumes daquela que é a rosa e o lírio dos vales, trazer a todos, maravilhosamente, o frescor e a alegria. Isto não é apenas uma descrição graciosa, mas uma realidade que dá para sentir – como muito bem o sabem todos os legionários!

“Se insisto no Magnificat, é que vejo nele, mais do que comumente se pensa, um documento de excepcional importância para a maternidade espiritual de Maria. A Virgem Santíssima unida a Cristo desde o momento da Encarnação do Verbo, declara-se representante de gênero humano, intimamente associada “a todas as gerações” e ao destino de Seus verdadeiros filhos. Este Cântico é o hino da sua maternidade espiritual” (Bernard, O.P.: O Mistério de Maria).

“O Magnificat é a oração por excelência de Maria, o cântico dos tempos messiânicos no qual se encontram a exaltação do antigo e do novo Israel, pois conforme parece querer sugerir S. Irineu, no cântico de Maria, é lembrado o júbilo de Abraão, que pressentia o Messias (cf. Jo 8, 56), e ressoou, profeticamente antecipada, a voz da Igreja... Este cântico da Virgem Santíssima na verdade, prolongando-se, tornou-se oração da Igreja inteira, em todos os tempos” (MCul 18).

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11. Alocução(1). Depois de todos se assentarem, o Diretor Espiritual lhes dirigirá uma breve alocução. Esta tomará a forma de comentário ao Manual, a não ser que circunstâncias extraordinárias exijam outra coisa, afim de que os membros se familiarizem com o seu conteúdo, em todos os pormenores. Os membros deverão tê-la em grande consideração, pois desempenha papel importantíssimo na sua formação e progresso. Os responsáveis por tal formação cometem uma injustiça para com os membros e para com a Legião, se não procuram tirar deles o rendimento máximo. Para isso, torna-se absolutamente necessário dar-lhes um conhecimento perfeito da organização. O estudo do Manual é um meio excelente, mas nunca poderá substituir a Alocução. Alguns legionários pensam ter estudado o Manual de modo satisfatório só porque o leram atentamente duas ou três vezes. Ora nem dez nem vinte leituras darão a conhecer a Legião como ela deseja ser conhecida. Tal objetivo só se conseguirá à força de muitas explicações e comentários orais, semana após semana, ano após ano, quando todos os membros se familiarizarem completamente com as idéias nele contidas.
(1) Alocução era o discurso do General Romano aos seus legionários.

Na ausência do Diretor Espiritual, o comentário fica a cargo do Presidente ou de outro membro por este designado. A simples leitura do Manual, ou de qualquer outro documento, insistimos, não pode substituir a alocução.

A alocução não deverá ultrapassar cinco ou seis minutos.

A diferença, entre o Praesidium em que a Alocução é bem feita, e o Praesidium em que é mal feita, é profunda: ou seja, de um lado um exército instruído e disciplinado e, do outro, um corpo de tropas sem treino nem lei.

“Tenho, desde há muito tempo, o pressentimento de que, à medida que o mundo vai piorando e Deus é, por assim dizer, afastado dos corações dos homens, o mesmo Senhor espera ansiosamente grandes feitos de quantos lhe permanecem fiéis. Talvez não possa juntar à volta do seu Estandarte um exército numeroso, mas quer que cada um seja um herói, entregando-se inteira e amorosamente à sua causa. Se nós pudéssemos entrar neste círculo mágico de almas generosas, creio não haver graça que ele não derramasse sobre nós para nos ajudar no trabalho tão querido do seu coração: a nossa santificação pessoal” (Alfredo O’ Rahilly: Vida do Padre Guilherme Doyle).

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12. Terminada a Alocução, toda a assistência faz o Sinal da Cruz, e retomam-se de novo os relatórios e os outros assuntos da reunião.

“O fato histórico é que a fala de Nossa Senhora era a fala de uma mulher extraordinariamente educada. A sua inclinação natural faria dela, com facilidade, uma poetisa. De cada vez que falou, as suas palavras fluíram em ritmo poético. A sua frase era a linguagem graciosa dos artistas da palavra” (Lord: Nossa Senhora no Mundo Moderno)

13. Coleta secreta. Imediatamente após a Alocução faz-se a coleta secreta, contribuindo cada um conforme as suas posses. Esta tem por fim pagar as despesas do Praesidium e ajudar a Curia e os Conselhos superiores a enfrentar as suas obrigações. Eles não dispõem de outros meios para se manterem, desempenharem as suas funções de dirigirem e expandirem a Legião, senão a soma recebida dos Praesidia (Ver cap. 35 “Receitas e Despesas”).

A coleta não deve interromper o curso da reunião. Passam a bolsa uns aos outros com naturalidade e, mesmo que não possam contribuir com coisa alguma, todos devem colocar a mão dentro dela.

Haverá para isso uma bolsa própria. Não convém usar, para tal fim, uma luva ou um saco de papel.

A coleta é secreta, porque é necessário pôr no mesmo plano, perante o Praesidium, os membros que têm meios e aqueles que não os têm. Por isso, respeite-se o seu caráter secreto: nenhum membro pode revelar a outro o valor da sua contribuição. Por outro lado, todos devem compreender que não só o Praesidium, mas a Legião inteira dependem, no seu funcionamento e progresso, do donativo de cada legionário. Por isso, não se considere o fato como mera formalidade. A obrigação de contribuir não fica cumprida, dando uma quantia tão pequena que ela nada signifique para o doador. A este é dado o privilégio de participar, ao longe, na missão da Legião. O ato de contribuir para a fundo comum é um dos meios de exercer o sentido da responsabilidade e da generosidade.

Só é secreta a contribuição pessoal. A soma total pode ser anunciada; deve evidentemente ser registrada nos livros e ser comunicada ao Praesidium.

“Quando Jesus louvou a oferenda da viúva, “que dá, não do que lhe sobra, mas da sua mesma pobreza” (Lc 21, 3-40), somos levados

[Capítulo 18 Ordem a Observar na Reunião do Praesidium página 115]

a pensar que Jesus tinha na mente Maria, Sua Mãe” (Orsini: História da Santíssima Virgem).

14. Fim da reunião. Uma vez tratados todos os assuntos, inclusive feita a distribuição do trabalho e a marcação das presenças, a reunião termina com as Orações Finais e a bênção do Sacerdote.

Não deve durar mais de hora e meia, contada a partir do momento estabelecido para começar.

“Digo-vos ainda que, se dois de vós se reunirem sobre a terra a pedir qualquer coisa, esta lhe será concedida por Meu Pai que está nos céus. Porque, onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18, 19-20).

19

A REUNIÃO E O MEMBRO

1. Respeito pela reunião. Na ordem natural a transmissão da energia depende do estabelecimento ou do rompimento de uma ligação. Assim acontece também na Legião de Maria: a falha num só ponto pode ser fatal. Poderá um membro assistir às reuniões e, todavia, partilhar pouco ou nada do entusiasmo, da generosidade e da força que, como acima dissemos, constituem a vida legionária. Deve existir união entre a reunião e o membro, para o que não basta a simples assistência material. Exige-se, além desta, a presença de um elemento que ligue verdadeiramente o membro à reunião: esse elemento é o respeito. Na organização legionária, tudo depende do respeito do membro pela reunião; respeito que se manifesta pela obediência, fidelidade e estima.

2. O Praesidium deve merecer este respeito. Uma organização, cujos ideais não se elevam acima do nível médio dos seus membros, está com falta da primeira qualidade de um líder, e não se fará respeitar por muito tempo.

3. O Praesidium deve respeitar os regulamentos. A vida legionária comunica-se aos membros na medida em que cada um respeita o Praesidium. Consistindo esta vida, essencialmente, num generoso esforço para atingir a perfeição, o Praesidium deve es-

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forçar-se por merecer o máximo respeito, a fim de exercer sobre todos a mais benéfica influência. O Praesidium, que reclama dos seus membros um respeito que ele mesmo não tem às regras pelas quais se orienta, procura construir sobre a areia. Eis a razão por que, nas páginas deste Manual, insistimos tanto na necessidade de seguir à risca a ordem traçada para as reuniões e em geral, os processos que expomos.

4. O Praesidium deve ser modelo de firmeza. A Legião exige que tudo quanto se diz e se faz nas reuniões sirva de exemplo a todos, mesmo aos mais zelosos dos membros. Dados os múltiplos aspectos da vida do Praesidium, não se torna coisa difícil. O legionário, individualmente, pode ver-se, de momento, impedido de cumprir os seus deveres, seja por doença, seja por gozo de férias, seja por circunstâncias inevitáveis: o Praesidium, porém, composto de elementos vários, nunca impedidos todos ao mesmo tempo, fica acima de tais limitações.

A reunião semanal nunca deve deixar de realizar-se, a não ser por impossibilidade absoluta. Se é realmente impossível reunir no dia habitual, transfere-se a reunião para outro dia. O fato de grande número de membros não poder estar presente não é motivo para a suprimir. É melhor reunir, embora em número reduzido, do que não reunir. Pouco se resolverá, com certeza, em tal reunião, mas o Praesidium desempenhou-se de um dos seus mais importantes deveres. E os assuntos tratados nas reuniões seguintes hão de lucrar grandemente, dado o profundo respeito instintivamente sentido por todos para com o Praesidium, que marcha avante, acima dos elementos que o compõem, firme no meio das suas fraquezas, dos seus erros e dos seus compromissos variados, refletindo assim, embora palidamente, a característica principal da Igreja.

5. Aquecimento e luz. A sala das reuniões deve estar bem iluminada e a uma temperatura agradável. O descuido neste ponto converterá a reunião em penitência, quando devia ser um prazer, e prejudicará fatalmente o futuro do Praesidium.

6. Assentos. Tenha-se o cuidado de que haja cadeiras ou, ao menos, bancos, para se sentarem. Se os membros se sentam aqui e ali, em carteiras escolares ou em outros assentos improvisados, cria-se um ambiente de desordem, com que o espírito da Legião, que é um espírito de ordem, nada terá a lucrar.

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7. Os Praesidia devem se reunir em horas convenientes. O fato de que a maior parte das pessoas trabalha durante o dia, exige que as reuniões se façam geralmente à noitinha ou no Domingo. Mas por outro lado, há muitos que trabalham à tardinha e de noite e importa considerar isso, marcando as reuniões em horas que lhes convenham.

Devemos ter igualmente em consideração os que trabalham por turnos, isto é, aqueles cujas horas de trabalho, mudam periodicamente. Dois Praesidia com horas de reunião bem distanciadas podem cooperar para os receber. Estes legionários participarão uma semana em um, outra semana em outro, à reunião dos Praesidia, conforme o seu tempo livre. Para se assegurar da continuidade da sua presença e do seu trabalho, os Praesidia precisam de se manter em estreito contato um com o outro.

8. Duração das reuniões. A reunião não durará mais de hora e meia, a contar do momento da abertura. Se acontece que, apesar de uma eficiente direção da reunião, com o seu encerramento automático, certos assuntos têm de ser interrompidos com freqüência ou tratados apressadamente, é sinal de que o Praesidium tem trabalho excessivo e, neste caso , convém pensar no seu desmembramento.

9. Duração insuficiente das reuniões. Não está determinada a duração mínima da reunião. No entanto, se esta durasse normalmente menos de uma hora – sendo meia hora ocupada pelas orações, leitura espiritual, ata e alocução – tinha fatalmente de apresentar algum defeito, que seria preciso curar, quer isso acontecesse por causa do pequeno número de membros, quer pela quantidade insuficiente de trabalho, quer pela qualidade inferior dos relatórios. Nos meios industriais, seria considerado erro grave de método, o fato de não se tirar das máquinas o rendimento máximo, quando os mercados não faltam. Do mesmo modo, é preciso tirar o melhor rendimento possível da organização legionária. Quem ousará insinuar que não há necessidade do mais elevado rendimento possível na ordem espiritual?

10. Chegada ou partida fora de hora. Os atrasados para as Orações Iniciais deverão ajoelhar e rezar a sós, as orações que precedem o Terço e as invocações que se lhe seguem. Mas faltar ao Terço constitui uma perda irreparável. De qualquer modo, quem tiver de sair antes do final da reunião pedirá licença ao Pré-

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sidente e, concedida esta, deverá ajoelhar e rezar a oração “A vós recorremos” e as outras invocações finais da Tessera.

Nunca, em circunstâncias alguma, se permitirá que um membro chegue tarde ou parta antes do fim da reunião de modo habitual. Pode-se, é certo, trabalhar e apresentar o respectivo relatório, mas a indiferença com que se falta às orações iniciais ou finais da reunião revela uma mentalidade desinteressada ou mesmo agressiva ao espírito da Legião, que é espírito de oração. A presença de tal membro traz mais prejuízo que proveito.

11. A boa ordem, raiz da disciplina. Sem espírito de disciplina, a reunião é como uma cabeça lúcida num corpo paralisado, incapaz de controlar os excessos dos membros, de os estimular e de os formar. A Legião conta, por isso, para desenvolver o espírito de disciplina:

a) com a conformidade exata com o quadro regulamentar da reunião;

b) com a exposição ordenada, ponto por ponto, dos assuntos da Folha da Trabalho;

c) com a fidelidade com que estes devem ser tratados de harmonia com o Manual;

d) e com o espírito marcadamente mariano, como incentivo desta ordem. Sem disciplina, os membros se deixarão arrastar pela tendência muito humana de trabalharem isolados; de evitarem, quanto possível, o controle dos trabalhos; de se entregarem a obras ditadas pelo capricho de momento e de as fazerem como quiserem. Que bons frutos se poderão esperar de tal procedimento?

Ao contrário, na disciplina voluntariamente aceita e consagrada às causas de Deus, reside uma das mais poderosas forças do mundo. E esta disciplina torna-se irresistível, quando usada com firmeza, mas sem rigidez, e em perfeita harmonia com a Autoridade da Igreja.

No seu característico espírito de disciplina, possui a Legião um tesouro, de que outros, fora dela, podem se beneficiar. Graça sem medida, num mundo que se agita inutilmente entre dois pólos opostos, o tudo proibir e o tudo permitir. A falta de disciplina interior pode disfarçar-se debaixo de uma disciplina exterior sólida, produto da tradição ou da força. Quando os indivíduos ou as coletividades dependem apenas desta disciplina externa são derrotados tragicamente, se a disciplina interior se frustra, como acontece nos momentos de crise. A afirmação da importância da disciplina interior sobre todo o sistema de disciplina externa não significa, porém, que esta não tenha valor. Na

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realidade, uma exige a outra. Quando as duas se entrelaçam, em devidas proporções, com o suave motivo de religião, dispomos de uma tríplice corda que – no dizer da Escritura – “não se romperá com facilidade” (Ecl 4,12).

12. Importância suprema da pontualidade. Sem pontualidade não se pode cumprir o mandamento do Senhor: “Põe a tua casa em ordem” (Is 38, 1). A organização que admite a desordem na formação dos seus membros, concorre para a sua perversão. Além disso, perde o direito ao respeito, que é a base de toda a reta educação e disciplina. A desconsideração deste princípio vital, que poderia ser tão facilmente remediado, só é comparável à conhecida falta de responsabilidade do comandante que deixa afundar o navio por não querer jogar fora um pouco da carga.

Coloca-se, por vezes, em cima da mesa, com todo o cuidado, um relógio, que não exerce a mais leve influência no curso da reunião. Se, noutros casos, desempenha algum papel, é apenas quanto ao princípio, meio e fim da reunião, e não quanto ao controle dos relatórios e de outros assuntos. Ora, o princípio da pontualidade e da ordem deve aplicar-se a todos os pontos da Folha de Trabalho, desde o início até ao fim.

Se os Oficiais não respeitam estas diretrizes, os membros devem protestar, caso contrário, estarão a ajudá-los e tornando-se também responsáveis por essa falha.

13. Como rezar as orações. Há almas impetuosas que têm dificuldade em conter-se, mesmo na forma de rezar. Semelhante incorreção, vinda sobretudo de pessoas de autoridade, pode arrastar o Praesidium inteiro para uma maneira de rezar que se aproxima do desrespeito. Se há, de fato, uma falta mais ou menos geral, é a excessiva pressa com que se rezam as orações, parecendo desprezar a norma legionária que manda rezar como se Nossa Senhora estivesse visivelmente presente no lugar da sua imagem.

14. As orações fazem parte integrante da reunião. Por diversas vezes se tem sugerido a conveniência de rezar o Terço diante do Santíssimo Sacramento, dirigindo-se em seguida os membros para o local da reunião. Não se pode admitir tal proposta, pela necessidade de salvaguardar a unidade da reunião, que a organização legionária considera essencial. Formando a reunião uma unidade inseparável, todos os assuntos nela tratados recebem uma singular marca de oração – fecundíssima em heroísmo e esforço; e tal característica se perderia, se a maior parte das orações fosse rezada noutro lugar. Essa mudança trans-

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formaria por completo o caráter da reunião e, conseqüentemente, o da própria Legião, que nela se alicerça. Por mais consideráveis que fossem nesse caso os méritos da organização, não se trataria já da Legião de Maria. Torna-se, por isso, desnecessário declarar também que a retirada do Terço ou de qualquer outra oração da Tessera – quaisquer que sejam as circunstâncias – é ainda menos aceitável. O Terço é para a reunião legionária o que a respiração é para o corpo humano.

15. Os exercícios de culto e a reunião. Pelas razões já apontadas, um Praesidium, que rezou as orações da Legião na igreja ou numa função que antecedeu a reunião, é obrigado a rezar de novo por inteiro as orações da Legião na reunião do Praesidium.

16. Orações especiais na reunião. Pergunta-se freqüentemente se é permitido oferecer as orações da reunião por intenções especiais. Como os pedidos são numerosos torna-se necessário esclarecer este assunto: – a) Se se trata de oferecer as orações normais da reunião por intenções especiais, está decidido que tais preces devem ser oferecidas pelas intenções da Santíssima Virgem, Rainha da Legião, e por mais nenhuma intenção. b) Se se trata de ajuntar outras orações por uma intenção particular, às orações da Legião, está resolvido que, sendo as orações prescritas já bastante longas, não devem, de modo habitual, acrescentar-se mais. Admite-se, todavia, que uma vez ou outra, haja interesses de excepcional importância para a Legião que reclamem súplicas extraordinárias e, nesse caso, poderá ajuntar-se uma breve oração. Mas, insistimos, tais casos devem ser raríssimos. c) É evidente, porém, que se podem recomendar intenções especiais à piedade particular dos membros.

17. Os relatórios e a humildade. Muitos membros pretendem justificar a pobreza dos seus relatórios, declarando que é contrário à humildade, fazer propaganda das nossas boas obras. Há neste modo de pensar um orgulho disfarçado com capa de humildade, a que os poetas chamam de pecado preferido do diabo. Cuidem pois, os legionários, para que em tais sentimentos, em vez de humildade não se escondam as espertas armadilhas do orgulho e um desejo não pequeno de esconder as atividades, próprias ao controle rigoroso do Praesidium. A verdadeira humildade não tenderá, com certeza, a seguir uma falsa diretriz que, ado-

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tada pelos demais, arrastaria o Praesidium ao abismo. Ao contrário, a simplicidade cristã encoraja os membros a evitarem os seus gostos pessoais, a submeterem-se com docilidade às regras e práticas da organização e a cumprirem plenamente seus deveres que, embora individuais, não são menos necessárias à reunião da qual cada relatório é elemento indispensável.

18. A harmonia, expressão de unidade. A harmonia é a exteriorização do espírito de caridade e deve, por isso, reinar, como virtude maior, na reunião. A eficiência, como a Legião a entende, não exclui a harmonia. O bem, realizado à sua custa, é de qualidade duvidosa. Por isso, os legionários evitarão como verdadeira peste todas as faltas que lhe são diretamente opostas, como o desejo de domínio, a crítica, o mau humor, o cinismo, e os ares de superioridade que, mal entram na reunião, destroem a harmonia.

19. O trabalho individual interessa a todos. O modo como todos participam, por igual, nas orações do princípio da reunião deve caracterizar a explanação dos assuntos subseqüentes. Nada, portanto, de conversas particulares ou risos indevidos entre vizinhos. Faça-se saber aos membros que cada caso é do interesse de todos os presentes e não só de um ou dois nele diretamente envolvidos. Ouvindo os relatórios, os assistentes visitam em espírito os lugares e pessoas por eles referidos. Sem esta convicção, o trabalho dos outros será seguido apenas superficialmente. Ora, a todo instante, os legionários presentes deviam, não só prestar aos fatos narrados, a atenção que se dá ao relato interessante de qualquer trabalho, mas sentir-se intimamente, pessoalmente, ligados aos mesmos.

20. O segredo é de suma importância. A Instrução Permanente, que todos os meses ressoa aos ouvidos dos membros, deve convencê-los da importância fundamental do segredo, dentro da Legião.

Se é vergonhosa a falta de coragem no soldado, a traição é infinitamente pior. Ora, é trair a Legião repetir fora o que se conheceu na reunião do Praesidium. Mas em tudo há um justo limite. Encontram-se, por vezes, legionários exageradamente cuidadosos que defendem, para proteger os interesses da caridade, que não se devem revelar ao Praesidium os nomes em casos de afastamento dos deveres religiosos. Dentro desta sugestão, aparentemente louvável, oculta-se um erro e uma ameaça à própria vida da Legião. Nestas condições, o Praesidium não poderia trabalhar.

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Adotar tal maneira de agir seria contrário aos usos de todas as Sociedades, as quais discutem livremente os casos que lhes dizem respeito.

A conclusão lógica de tal pretensão deveria levar os companheiros de visita a guardarem segredo com prejuízo um do outro.

O centro de ação, do saber e da caridade, não está no indivíduo nem nos dois visitantes, mas no Praesidium – a que devem referir-se, em pormenor, todos os casos de rotina. Negar-lhe os relatórios é quebrar a unidade e, com a desculpa de defendê-los, prejudicar os verdadeiros interesses da caridade.

Não há comparação com o caso do sacerdote, a quem as funções sagradas colocam num plano diferente. O legionário na sua visita domiciliar, conhece apenas o que conheceria qualquer pessoa de respeito, e que, as mais das vezes, corre já de boca em boca entre os inquilinos do prédio ou os vizinhos do bairro.

Dispensar membros da obrigação de apresentarem os relatórios completos da própria atividade é apagar a consciência do seu controle rigoroso, fator importantíssimo na organização legionária. Sem ela não há possibilidade de dar um conselho ou diretriz positiva, fazer uma apreciação, frustrando-se desta maneira o propósito essencial do Praesidium. Torna-se impossível, além disso, a formação e proteção dos membros, ambas baseadas no conteúdo dos relatórios. Tirem o relatório semanal detalhado, do trabalho dos membros, e ficará aberta a porta a todo tipo de imprudências. Em casos deste tipo, não deixem que as críticas recaiam injustamente sobre a Legião.

Pior ainda: com este proceder se enfraquecem os vínculos do próprio segredo. Porque a garantia do segredo legionário – tão bem guardado até ao presente – está na superioridade poderosa do Praesidium sobre os membros. Se esta superioridade diminui, os vínculos do segredo enfraquecem. Numa palavra, o Praesidium é não só o centro da caridade e da discrição mas também a sua defesa.

Os relatórios devem revestir-se do caráter de segredos de família, e, como tais, ser discutidos com plena liberdade, até se provar que tenham sido revelados a pessoas estranhas ao Praesidium. O remédio, então, consiste, não em omitir os relatórios, mas, com caridade e firmeza, chamar a atenção de quem tiver cometido tal imprudência.

Há todavia, casos excepcionais, em que as circunstâncias podem aconselhar um segredo absoluto. Recorra-se então ao Diretor Espiritual (ou, na sua ausência, a outro conselheiro competente), que decidirá qual a maneira de proceder.

[Capítulo 19 A Reunião e o Membro página 123]

21. Liberdade de discussão. Será lícito a alguém manifestar a sua discordância com relação aos métodos empregados na reunião? A este respeito o ambiente do Praesidium não deve ser rigoroso mas antes “familiar”. Aceitem-se, com reconhecimento, as observações oportunas dos membros. Mas que elas não tomem nunca, é evidente, o tom de desafio ou de falta de respeito para com os Oficiais.

22. A reunião, amparo da perseverança do membro. É próprio do homem desejar com impaciência os frutos visíveis de suas canseiras, e mostrar-se, em seguida, descontente com os resultados. Ora, os resultados palpáveis são sinal pouco seguro do sucesso de uma obra. A tal membro, basta-lhe estender a mão para a recolher cheia; mas um outro, depois de um trabalho que exigiu uma dedicação heróica, acha-se de mãos vazias. O sentimento de haver gasto em vão os seus esforços leva ao desânimo e à desistência da obra. Qualquer empreendimento, avaliado só pelos resultados aparentes, é, portanto, areia movediça, incapaz de sustentar por muito tempo os membros da organização. Ora, é absolutamente necessário um apoio sólido. O legionário o encontrará em tudo aquilo que caracteriza a reunião do Praesidium: riqueza de oração, cerimonial próprio, ambiente particular, relatórios semanais dos trabalhos realizados, santa camaradagem, força da disciplina, vivo interesse e até a ordem e a limpeza.
Na reunião, nada gera o sentimento de havermos trabalhado inutilmente; nada tende a enfraquecer os vínculos legionários, pelo contrário, tudo contribui para os estreitar cada vez mais. E à medida que as reuniões vão acontecendo, umas após outras, criam em nós a impressão de uma máquina que, rodando com suavidade, atinge infalivelmente o seu fim, dando aos membros a firme garantia de um trabalho frutuoso, garantia de que depende a sua perseverança.

Abram os legionários, os horizontes do espírito e vejam neste mecanismo, que é a Legião, a máquina de guerra de que Maria quer valer-se para estender o reinado de seu divino Filho. São eles as peças desta máquina, cujo funcionamento depende do ajuste voluntário e generoso de cada um. Se forem fiéis às suas obrigações, a máquina trabalhará perfeitamente e a Santíssima Virgem há de utilizá-la para realizar os seus projetos. Os resultados serão excelentes, pois “só Maria conhece plenamente o que resulta em maior glória de Deus” (S. Luís de Montfort).

[Capítulo 19 A Reunião e o Membro página 124]

23. O Praesidium é uma “presença” de Maria. Os conselhos dados neste capítulo destinam-se a uma mais perfeita integração dos indivíduos num organismo de enormes potencialidades no apostolado oficial e pastoral da Igreja. A relação entre este apostolado coletivo e o apostolado individual é comparável à relação entre a liturgia e a oração particular.

Este apostolado está unido à Maria que “deu à luz do mundo a própria Vida que tudo renova” e é sustentado pelos seus cuidados maternais. “Deus adornou-a com dignos de uma tão grande missão” (LG 56). Maria continua a exercer essa missão pelo ministério de quantos estejam dispostos a ajudá-la. O Praesidium coloca à sua disposição um grupo de pessoas, ansiosas por ajudá-la na Sua função. Maria aceitará com certeza esta ajuda. Podemos, pois, imaginar que um Praesidium é como uma Presença local de Maria; por ele distribuirá suas graças especiais e reproduzirá a sua maternidade. É justo esperar, por isso, que um Praesidium, fiel aos seus ideais, espalhará à sua volta, vida, renovação, remédios e soluções. Os lugares com problemas deveriam aplicar este princípio espiritual.

“Meu filho..., mete os teus pés nas suas correntes e o teu pescoço nas suas cadeias. Baixa o teu ombro e leva-a às costas, e não te desgostes com os seus vínculos. Aproxima-te dela de todo o teu coração, e guarda os seus caminhos com todas as tuas forças... E a suas correntes serão para ti uma forte proteção e um firme apoio, e as suas cadeias um vestido de glória; porque nela está a beleza da vida e os seus vínculos são uma ligadura salutar” (Eclo 6, 25-30).

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