quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Legião de Maria: manual de espiritualidade (parte 5).


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O SISTEMA LEGIONÁRIO NÃO DEVE SER ALTERADO

1. A Legião faz saber aos seus membros que não tem a liberdade de mudar ou variar, como lhes agrade, os seus regulamentos e práticas. O sistema legionário é este – e não outro. Qualquer mudança, por menor que pareça, arrasta inevitavelmente a


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outras, a ponto de nos encontrarmos dentro de pouco tempo, perante um organismo que de Legião pouco ou nada terá a não ser o nome. A Legião não hesitaria em desaprovar tal organismo, por mais valioso que fosse, em si o trabalho que realizasse.

2. A experiência tem demonstrado que o nome de uma organização representa, muito pouco para certas pessoas que consideram tirania o sistema que não lhes permite cobrir com a sua bandeira as caprichosas invenções da sua imaginação.

Às vezes os “modernizadores” tentam alterar quase tudo na Legião, conservando, entretanto, o seu nome. Não se darão eles conta de que a transferência ilegal para a sua posse, da posição e da qualidade de membros da Legião, seria o pior dos roubos, visto ser de ordem espiritual?

3. Há localidades – como há, também, pessoas – inclinadas a admitir que vivem fora do comum, e que o seu caso merece legislação especial. Daí, os pedidos que de vez em quando nos dirigem para que o sistema da Legião se ajuste a circunstâncias julgadas extraordinárias. O atendimento de tais pedidos, traria desastrosas conseqüências. É que, de um modo geral, essas petições provêm, não da necessidade (pois a Legião manifestou já a sua universal capacidade de adaptação), mas da atuação de um falso espírito de independência que, em vez de atrair as bênçãos do Céu, terá como resultado a ruína do organismo. Como, todavia, nem sempre é possível convencer toda a gente de que isto é assim, saibam ao menos aqueles que se dão o direito de interpretar pessoalmente os regulamentos legionários, que a sua própria honra os obriga a não cobrir os seus ajustes com o nome da Legião.

4. Além disso, a imitação de alguns elementos do sistema legionário, que certos grupos tentam praticar, nunca consegue comunicar a doçura e a inspiração próprias do original. O resultado vulgar duma tal operação cirúrgica é um cadáver ou, na melhor das hipóteses, uma bela máquina e nada mais. Que grave responsabilidade quando de tudo isto colhemos resultados pobres ou nulos!

5. A razão principal dos diversos Conselhos da Legião é, precisamente, conservar inviolável o sistema da Legião. Custe o que custar, devem ser fiéis ao cargo de confiança que lhes foi entregue.

[Capítulo 20 O Sistema Legionário Não Deve Ser Alterado página 126]

“O sistema da Legião de Maria é excelente” (Papa João XXIII).

“Deveis aceitar tudo ou rejeitar tudo. A diminuição enfraquece; a amputação mutila. É uma loucura aceitar tudo exceto uma parte que pertence à integridade do todo como qualquer outra (Cardeal Newman, “Ensaio sobre o Desenvolvimento da Doutrina Cristã”).

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O MÍSTICO LAR DE NAZARÉ

A doutrina do Corpo Místico de Cristo pode aplicar-se, particularmente, às reuniões da Legião, sobretudo à do Praesidium, coração do sistema legionário. “Onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí estarei Eu no meio deles” (Mt 18, 20). Estas palavras do Senhor nos garantem que a influência da Sua presença nos membros do Seu Corpo Místico é proporcional, em intensidade, ao número daqueles que se juntam para servi-lo. O número de pessoas é uma condição citada por Jesus para a manifestação completa do Seu poder. Isto resulta talvez da nossa deficiência individual, que não permite a Cristo revelar-se plenamente através das poucas virtudes de uma só pessoa. Ilustremos a doutrina com um exemplo simples e natural. Um vidro colorido deixará passar a luz da sua cor, impedindo todas as mais. Tomemos, porém, tantos vidros coloridos, como diversas são as cores e verificaremos que da fusão dos raios projetados por todos eles, resulta a luz em sua plenitude. De modo semelhante, quando os cristãos se unem mais ou menos numerosos com o fim de servir a Deus, as suas virtudes completam-se mutuamente, oferecendo ao Senhor a possibilidade de manifestar melhor através deles, a Sua perfeição e o Seu poder.

Quando os legionários se reúnem no Praesidium em nome e para o serviço de Jesus Cristo, podem estar certos de que Ele está presente como a Sua poderosíssima influência. Não é evidente que, nesse lugar, sai d’Ele uma extraordinária virtude? (Mc 5, 30).

Com Jesus, nesta pequena família legionária, estão também Maria e José, que mantêm para com o grupo a mesma relação íntima que os une a Jesus. Deste modo, o Praesidium pode considerar-se como uma projeção do Lar de Nazaré, não apenas por um simples sentimento de devoção, mas com base na realidade. “Somos obrigados”, escreveu Bérulle, “a tratar os atos e misté-

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rios de Jesus, não como passados e mortos, mas como vivos, presentes e até eternos”. Seja-nos permitido, por conseguinte, identificar, na nossa piedade, o local e os objetos do Praesidium com a construção e mobília do Santo Lar, e considerar o comportamento dos membros com aqueles, como prova da sua consideração pela verdade que Cristo vive em nós e trabalha por nós, servindo-se necessariamente das coisas que nós utilizamos.

Sirva este pensamento para animar os membros a prestarem uma escrupulosa atenção a tudo quanto se refere ao Praesidium e forma o lar legionário.

Embora o controle do local das reuniões possa ser limitado, não acontecerá assim com o restante: a mesa, as cadeiras, o altar, os livros. Ora, quais são as possibilidades oferecidas pelos legionários a Maria, a Mãe do Praesidium – Lar de Nazaré – para reproduzir neste o dedicado governo doméstico, outrora iniciado na Galiléia? Maria precisa da nossa colaboração. Se negarmos isso a Ela ou o fizermos de modo descuidado, poremos a perder o Seu trabalho a favor do Corpo Místico de Cristo. Que esta idéia leve os legionários a imaginar como Maria cuidava da sua casa.

Casa pobre, mobília simples. No entanto, como tudo respirava beleza! Entre as esposas e mães de todos os tempos, não houve quem se comparasse a Ela no gosto requintado e primoroso, que transparecia em cada objeto da sua casa. Como eram encantadores os pormenores mais singelos, as coisas mais simples. É que Maria amava todas as coisas – como só Ela era capaz de amar – por causa d’Aquele que as criara e que agora se servia delas como ser humano. Cuidava delas, limpava-as, dava-lhes brilho e procurava embelezá-las; cada uma a seu jeito, tinha de ser perfeita. Estejamos certos de que não havia nada desorganizado em toda a casa. Não havia, com certeza. Aquela pequena morada não tinha semelhante: era o berço da Redenção, a moldura do Senhor do Mundo. Cada objeto – fato estranho! – servia para educar Aquele que criara o universo. Por isso, tudo se adaptava a tão sublime propósito, pela ordem e limpeza, pelo brilho, pelo toque perfeito dado por Maria.

Cada um dos objetos que pertence ao Praesidium concorre, a seu modo, para formar os membros e deverá, por conseguinte, refletir as características do Lar de Nazaré, assim como os legionários hão de refletir Jesus e Maria.

Um escritor francês intitulou assim uma das suas obras “Viagem à volta do meu quarto”. Eis a viagem que os legionários devem fazer à volta do seu Praesidium. Examinem com sentido

[Capítulo 21 O Místico Lar de Nazaré página 128]

crítico tudo quanto lhes ferir o olhar e os ouvidos: o assoalho, as paredes e as janelas; a mobília; os objetos do altar; e, de modo especial, a imagem que representa o centro do lar – a Mãe. Observem atentamente, sobretudo, o procedimento dos membros e o modo de dirigir a reunião.

Se a soma total do que viram e ouviram não se harmoniza com o Lar de Nazaré é porque provavelmente o espírito deste não reside no Praesidium. Sem tal espírito, seria melhor ao Praesidium não existir.

Por vezes os Oficiais, como pais indignos, conduzem mal a formação daqueles que foram entregues aos seus cuidados. As deficiências do Praesidium podem ser atribuídas, quase sempre, aos Oficiais. Se os membros não comparecem pontualmente à reunião e por vezes faltam; se apresentam trabalho insuficiente ou sem continuidade; se deixam a desejar na sua atitude em reunião: é porque esse procedimento está sendo aceito por todos e não lhes é dado a conhecer nada melhor. Estão sendo deformados pela formação recebida dos Oficiais.

Como todos estes defeitos contrastam como o Lar de Nazaré! Imaginem a Virgem, se puderem, relaxada na ordem e nas minúcias da casa, dando a Seu Filho uma educação errada. Tentem representá-la – procurem fazê-lo, embora difícil – desalinhada, mole, indignada de confiança, indiferente; deixando arruinar o Santo Lar, torná-lo objeto das conversas zombadoras das vizinhas. Causa mal estar pensar nisso, como certeza. Todavia, muitos Oficiais da Legião deixam ruir vergonhosamente o Praesidium – Lar de Nazaré – que se comprometeram a administrar em nome de Nossa Senhora.

Se, ao contrário, toda as coisas, pela perfeição com que são feitas, provam o fervor e zelo do Praesidium, estejamos certos de que Nosso Senhor aí está presente com a plenitude que as Suas palavras traduzem. O espírito da Sagrada Família não estava limitado ao Santo Lar, ou a Nazaré, ou à Judéia: não tinha barreiras. Da mesma forma, o espírito que anima o Praesidium não deverá ficar apenas dentro dele, sem atingir toda a ação legionária.

“O amor dos católicos pela Mãe de Deus na sua relutância pelas minúcias primorosas da Vida de Nazaré, revela um sentido artístico louvável. Em Nazaré há duas vidas que excedem a experiência, e até certo ponto, a compreensão dos homens. Onde haverá na terra quem faça uma pintura destas duas vidas de super humana intensidade, em que se fundem completamente os seus movimentos, afetos e aspirações? Deixai-me contemplar do alto

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da colina de Nazaré aquela mulher que desce à fonte de bilha à cabeça com um jovem de quinze anos a seu lado. Entre os dois, eu sei, existe um amor que não tem semelhante nos anjos que vivem diante do trono de Deus. E reconheço também que não me é lícito ver mais: aliás, morreria de assombro” (Vonier: A Maternidade Divina).

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ORAÇÕES DA LEGIÃO

Damos a seguir as orações da Legião de Maria, conforme devem ser rezadas nas reuniões. Rezadas em particular, dispensam tal ordem.

Os membros Auxiliares deverão rezá-las diariamente por inteiro.

O Sinal da Cruz, que vai no princípio e no fim de cada parte, marca a divisão das orações. No caso de estas se rezarem em seguida, o Sinal da Cruz será feito apenas no início e no fim das mesmas.

1. ORAÇÕES INICIAIS DA REUNIÃO

Em nome do Pai + e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

P. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos Vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor, enviai, Senhor, o Vosso Espírito e tudo será criado.

R. E renovareis a face da terra.

P. Oremos: ó Deus que santificais a Vossa Igreja inteira, em todos os povos e nações, derramai por toda a extensão do mundo os dons do Espírito Santo e realizai agora no coração dos fiéis as maravilha que operastes no início da pregação do Evangelho.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho na unidade do Espírito Santo. Amém.

[Capítulo 22 Orações da Legião página 130]

P. Abri os meus lábios, ó Senhor.
R. E minha boca anunciará o Vosso louvor.

P. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
R. Socorrei-me sem demora.

P. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

(Segue-se o terço terminado pela Salve Rainha).

P. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

P. Oremos: Ó Deus, cujo Filho Unigênito, por Sua vida, morte e ressurreição, nos obteve o prêmio da salvação eterna, concedei-nos, nós Vô-lo pedimos que, meditando estes mistérios do Sacratíssimo Rosário da Bem-Aventurada Virgem Maria, imitemos o que contêm e consigamos o que prometem. Pelo mesmo Cristo, Senhor Nosso. Amém.

P. Coração Sacratíssimo de Jesus R. tende piedade de nós.
P. Coração Imaculado de Maria, R. Rogai por nós.
P. São José, R. Rogai por nós.
P. São João Evangelista, R. Rogai por nós.
P. São Luís Maria de Montfort, R. Rogai por nós.

Em nome do Pai + e do Filho e do Espírito Santo. Amém.


CATENA LEGIONIS

Ant. Quem é esta que avança como a aurora, formosa como a lua, brilhante como o sol, terrível como um exército em ordem de batalha?

• A minh’alma + engrandece ao Senhor*
• E se alegra e meu espírito em Deus, meu Salvador,

[Capítulo 22 Orações da Legião página 131]

• Pois ele viu a pequenez de sua serva, * eis que agora as gerações hão de chamar-me de bendita.
• O Poderoso fez por mim maravilhas* e Santo é o seu nome!
• Seu amor, de geração em geração,* chega a todos que o respeitam.
• Demonstrou o poder de seu braço, * dispersou os orgulhosos.
• Derrubou os poderosos de seus tronos* e os humildes exaltou.
• De bens saciou os famintos* e despediu, sem nada, os ricos.
• Acolheu Israel, seu servidor,* fiel ao seu amor,
• Como havia prometido aos nossos pais, * em favor de Abraão e de seus filhos, para sempre.

• Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, *
• Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. Quem é esta que avança como a aurora, formosa como a lua, brilhante como o sol, terrível como um exército em ordem de batalha?

P. Ó Maria concebida sem pecado,
R. Rogai por nós que recorremos a Vós.

P. Oremos: Senhor Jesus Cristo, Mediador nosso perante o Pai, que Vos dignastes escolher a Virgem Santíssima, Vossa Mãe, para Mãe e Medianeira nossa junto de Vós, concedei misericordiosamente a quem a Vós recorrer, buscando os Vossos favores, se regozije de os receber todos por Ela. Amém.


ORAÇÕES FINAIS

Em nome do Pai + e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

P. À Vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus; não desprezeis as súplicas que em nossas necessidades vos dirigimos, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita.

[Capítulo 22 Orações da Legião página 132]

P. (Invocação própria do Praesidium)

(Fora das reuniões do Praesidium reza-se sempre a invocação seguinte:

P. Maria Imaculada, Medianeira de todas as graças, R. Rogai por nós.

P. S. Miguel e S. Gabriel, R. Rogai por nós.

P. Milícias todas dos céus, Legião dos Anjos de Maria, R. Rogai por nós.

P. S. João Batista, R. Rogai por nós.

P. S. Pedro e S. Paulo, R. Rogai por nós.

Concedei-nos, Senhor, a nós que militamos sob o estandarte da Virgem, aquela plenitude de fé em Vós e de confiança em Maria, que nos assegurem a conquista do mundo. Dai-nos uma fé viva, animada pela caridade, que nos leve a praticar as nossas ações, unicamente por amor de Vós, e a ver-Vos e a servi-Vos sempre no nosso próximo; uma fé firme e inabalável como a rocha, que nos conserve calmos e resolutos no meio das cruzes, trabalhos e decepções da vida; uma fé corajosa que nos anime a empreender e prosseguir, sem hesitação, grandes coisas, por Deus e pela salvação do próximo; uma fé que seja a Coluna de Fogo da nossa Legião que nos guie avante unidos, – para acender em todos a chama do Amor divino, – iluminar os que estão nas trevas e sombras da morte, – animar os indecisos – restituir a vida aos mortos no pecado; e nos dirija os passos no caminho da paz; de forma que, terminada a batalha da vida, a nossa Legião possa reunir-se, sem uma só perda, no Reino do Vosso Amor e Glória. Amém.

P. Que as almas dos Legionários e de todos os fiéis defuntos, pela misericórdia de Deus, descansem em paz. Amém.

(Segue-se a bênção do Diretor Espiritual)

Em nome do Pai + e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

“A fé de Maria excedeu a de todos os homens e a de todo os Anjos. Em Belém, viu seu Filho no estábulo, e acreditou n’Ele como Criador do mundo. Viu-O fugir de Herodes e nunca a sua Fé hesi-

[Capítulo 22 Orações da Legião página 133]

tou em ver n’Ele o Rei do Reis. Viu-O nascer e acreditou que era o Eterno. Viu-O pobre, de tudo desprovido, e acreditou n’Ele como Senhor do Universo. Viu-O reclinado nas palhas e adorou-O como Onipotente. Viu-O sem pronunciar palavra, e acreditou que Ele era a Sabedoria Eterna. Ouviu-O chorar e reconheceu-O como a Alegria do Paraíso. Viu-O, por fim morrendo, exposto a todos os insultos, pregado na Cruz e, embora a fé de todos vacilasse, Maria perseverou na crença inviolável de que Ele era Deus” (Santo Afonso de Ligório). (Esta citação não faz parte das orações da Legião).

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AS ORAÇÕES SÃO INVARIÁVEIS

As orações da Legião são invariáveis. Mesmo no que diz respeito às invocações não é permitida qualquer alteração, para mais ou para menos, quer se trate de Santos nacionais ou locais ou de devoção individual. O mesmo critério deve ser adotado sempre que a legitimidade de uma alteração possa oferecer matéria de discussão.

Esta regra exige sacrifício, é certo, mas outros já o fizeram talvez com mais dificuldade; e facilmente o admitirão quantos conhecem a terra de origem destes Estatutos e o lugar único que ocupa na afeição dos seus habitantes, o seu Apóstolo Nacional.

É verdade que a tolerância de invocações especiais não constituiria, por si só, grave infração ao uso comum. Contém, todavia, a semente de divergências dentro do sistema, e a Legião teme tal possibilidade.

Há a considerar ainda que a alma da Legião se manifesta nas suas orações, e temos de concordar que estas, pela sua rigorosa uniformidade, devem ser o símbolo – qualquer que seja a língua em que venham a ser rezadas através dos tempos – da completa unidade de espírito, de coração, de regulamento e de prática, a que a Legião chama todos quanto militam à sombra da sua bandeira, em toda a terra.

“Assim como sois os filhos de Cristo, sede também os filhos de Roma” (S. Patrício).

“Concedei-me, Senhor, a graça de trabalhar por aquilo que é objeto das minhas orações” (S. Tomás More).

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PADROEIROS DA LEGIÃO

1. São José

Nas orações da Legião, o nome de S. José vem logo depois das invocações aos Corações de Jesus e de Maria, pois que também no Céu ocupa, junto d’Eles, o primeiro lugar.

Chefe da Sagrada Família, desempenhou, junto de Jesus e de Maria, funções especiais de importância fundamental. As mesmas funções, sem tirar nem pôr, continua ele, o maior dos Santos, a desempenhá-las junto do Corpo Místico de Jesus e da Mãe deste Corpo. Auxilia a existência e a atividade da Igreja e, por conseqüência, da Legião. Os seus cuidados são constantes, vitais e caracterizados por uma intimidade familiar. Depois de Maria, não há santo mais influente e, como tal, deve ser estimado pelos legionários. Para o seu amor se mostrar poderoso em cada um de nós, é necessário que o nosso procedimento para com ele reflita a compreensão do intenso afeto que nos consagra. Jesus e Maria, agradecidos a José pelos seus carinhos e trabalhos, traziam-no sempre no coração. Procedam do mesmo modo os legionários.

A solenidade de S. José, esposo da Bem-aventurada Virgem Maria, celebra-se a 19 de março; a memória de S. Jose, Trabalhador, a 1º de maio.

“Não podemos separar a vida histórica de Jesus da sua vida mística perpetuada na Igreja. Não é sem motivo que os Papas proclamaram S. José protetor da Igreja. Embora tenham mudado os tempos e as circunstâncias, a sua tarefa continua a ser a mesma de outrora. Com o carinho, revelado na execução da sua missão terrena cumpre hoje a sua missão de protetor da Igreja. A família de Deus, desde os dias de Nazaré, cresceu e dilatou-se até os confins da terra. O coração de José expandiu-se também de harmonia com a sua nova paternidade que prolonga e supera a paternidade prometida por Deus a Abraão, o Pai de muitas gentes. Deus não muda no trato com os homens; não tem pensamentos reservados nem altera de qualquer jeito o seu plano que é uno, organizado, consistente e contínuo. José, o Pai adotivo de Jesus, é também o Pai adotivo dos irmãos de Jesus, quer dizer, de todos os cristãos através dos tempos. José, o esposo de Maria, a Mãe de Jesus, permanece misteriosamente unido a Ela, enquanto se realiza no mundo o nascimento místico da Igreja. Por isso, o legionário de Maria, cujos esforços tendem

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a alargar o reino de Deus na terra, reclama com razão o auxílio especial do Chefe da Igreja recém-nascida, a Sagrada Família” (Cardeal L. J. Suenens).

2. S. João Evangelista

Citado no Evangelho como o “Discípulo a quem Jesus amava”, S. João representa para nós, modelo de devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Fiel até o fim, a este Coração se conservou unido até que O viu sem vida e varado pela lança. Manifestou-se em seguida como modelo de devoção ao Imaculado Coração de Maria. Puro como um anjo, ocupou o lugar que foi de Jesus, e continuou a prestar a Maria o amor de filho, até o momento em que Deus A chamou.

Mas a terceira palavra, pronunciada por Jesus Cristo no alto da cruz, continha mais que uma preocupação filial tomada para com Sua Mãe Santíssima. Na pessoa de S. João, Nosso Senhor indicava o gênero humano, mas sobretudo aqueles que pela fé se uniriam a Ele em todos os tempos. Assim, Maria foi proclamada Mãe dos homens, – de numerosíssimos irmãos de que Cristo é o primogênito. S. João, o representante de todos os novos filhos, foi o primeiro a tomar posse da herança de filho adotivo de Maria, – modelo de todos os que viriam depois e um santo, a quem a Legião deve a mais terna devoção.

Amou a Igreja e, nela, cada uma das almas, e ao seu serviço gastou todas as forças. Foi apóstolo, evangelista e teve o mérito de mártir.

Foi o sacerdote de Maria: por isso, ele é o padroeiro especial do Sacerdote-Legionário a serviço de uma organização que deseja ardentemente ser uma cópia viva de Maria.

A sua festa celebra-se a 27 de dezembro.

“Jesus, pois, tendo visto sua Mãe e perto dela o Discípulo que Ele amava, disse à sua Mãe: “Mulher, eis aí o teu filho”. Depois disse ao Discípulo: “Eis aí a tua Mãe”. E desta hora em diante a levou o Discípulo para sua casa” (Jo 19, 26-27)

3. S. Luís Maria de Montfort

“Se respeitarmos as decisões de não admitir padroeiros particulares ou locais, a inclusão do nome de S. Luís Maria Monforte parece ser, à primeira vista, discutível. Podemos todavia afirmar com segurança que nenhum santo desempenhou pa-

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pel mais importante do que este no progresso da Legião. O Manual está cheio do seu espírito. As orações são um eco das suas palavras. É realmente o tutor da Legião: motivo por que a sua invocação é, por parte da Legião de Maria, quase uma obrigação moral” (Decisão da Legião que coloca o nome de S. Luís Maria de Montfort na lista das suas invocações).

Foi canonizado a 20 de julho de 1947. A sua festa celebra-se a 28 de abril.

“Missionário e mais do que missionário, Doutor e Teólogo que nos deu uma Mariologia como nenhum outro havia concebido antes dele. Tão profundamente explorou as raízes da devoção mariana e por tão longe estendeu os seus horizontes, que se tornou indiscutivelmente o proclamador de todas as modernas manifestações de Maria – de Lourdes a Fátima, da definição da Imaculada Conceição à Legião de Maria. Tornou-se o precursor da idéia da vinda do Reino de Deus por Maria, e da tão suspirada salvação que, na plenitude dos tempos, a Virgem Mãe de Deus há de trazer à terra, pelo seu Imaculado Coração”. (Federico Cardeal Tedeschini, Arcipreste de S. Pedro. Discurso proferido no descerramento da estátua de S. Luís Maria de Montfort, na Basílica de S. Pedro, a 8 de dezembro de 1948).

“Prevejo que muitos animais ferozes virão enraivecidos para rasgarem com os seus dentes diabólicos este pequeno escrito e aquele de quem o Espírito Santo se serviu para o compor. Pelo menos envolverão este livrinho nas trevas e no silêncio de uma arca, a fim de que não apareça. Atacarão mesmo e perseguirão aqueles que o lerem e puserem em prática. Mas, que importa? Tanto melhor. Esta visão anima-me e faz-me esperar um grande êxito, isto é, um grande esquadrão de bravos e valorosos soldados de Jesus e Maria, de ambos os sexos, que combaterão o mundo, o demônio e a natureza corrompida, nos tempos perigosos que mais que nunca se aproximam” (S. Luís de Montfort, falecido em 1716: Tratado da Verdadeira Devoção, 114).

4. S. Miguel Arcanjo

“Apesar de príncipe da corte celeste, S. Miguel é o mais zeloso em honrar e fazer honrar Maria, sempre à espera das suas ordens para ter o especial privilégio de voar em serviço de algum dos seus servos” (S. Agostinho).

S. Miguel foi sempre o patrono do povo escolhido, da Antiga e da Nova Lei. É o leal defensor da Igreja, mas não deixou a

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guarda dos judeus pelo fato de eles se terem afastado de Cristo. Antes intensificou esta proteção, mesmo porque eles mais precisam dela, e também porque são ligados pelo sangue a Jesus, Maria e José. A Legião milita sob a proteção de S. Miguel.

Com a sua inspiração, deve trabalhar sacrificadamente pela recuperação desse povo, com o qual o Senhor fez uma aliança de amor sem fim.

A festa do “príncipe do Exército do Senhor” (Js 5, 14) celebra-se a 29 de setembro.

“Segundo a Revelação, os Anjos que participam da vida da Trindade na luz da glória, são também chamados a ter a sua parte na história da salvação dos homens, nos momentos estabelecidos pelo projeto da Divina Providência”.

“Não são eles todos, espíritos a serviço de Deus, enviados a fim de exercerem um ministério a favor daqueles que hão de herdar a salvação?” – pergunta o autor da Carta aos Hebreus (1, 14). E nisto crê e isto ensina a Igreja, com base na Sagrada Escritura, da qual sabemos que é tarefa dos anjos bons a proteção dos homens e a solicitude pela sua salvação” (João Paulo II, Audiência Geral, 6 de agosto de 1986).

5. S. Gabriel Arcanjo

Em algumas liturgias, S. Gabriel e S. Miguel são saudados juntamente como campeões e príncipes, chefes do exército celeste, capitães dos anjos, servos da divina glória, guardas e guias das humanas criaturas.

S. Gabriel é o Anjo da Anunciação. Foi ele que transmitiu a Maria as saudações da Santíssima Trindade; expôs pela primeira vez ao homem, o mistério desta Trindade Majestosa; anunciou a Encarnação; declarou a Conceição Imaculada de Maria; pronunciou as primeiras palavras da Ave-Maria.

Referimo-nos acima ao interesse de S. Miguel pelos Judeus. Talvez se possa dizer a mesma coisa de S. Gabriel com relação aos Maometanos. Estes acreditam que foi ele quem lhes comunicou a religião que praticam. Tal pretensão, embora sem fundamento, representa uma atenção para com o Arcanjo, atenção que ele procurará pagar de forma conveniente, esclarecendo-os a respeito da revelação cristã de que era guarda. Mas esta transformação não a pode conseguir por ele próprio. A colaboração humana tem de desempenhar sempre a sua parte.

[Capítulo 24 Padroeiros da Legião página 138]

Jesus e Maria ocupam no Corão (o livro sagrado da religião dos muçulmanos), um lugar tão importante, quase como nos Evangelho, mas sem qualquer função. Este santo par espera no Islã que alguém o ajude a explicar-se e a afirmar-se. Provado está que a Legião possui um dom especial neste sentido e que os seus membros são recebidos com consideração pelos muçulmanos. Que rico material para tal esclarecimento existe no Alcorão! (1)
(1) O mesmo que Corão.

A festa de S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael celebra-se a 29 de setembro.

“As Escrituras mostram-nos um espírito da mais elevada nobreza celeste, enviado, em forma visível, a anunciar a Maria o Mistério da Encarnação. Maria foi convidada a ser Mãe de Deus por um Anjo, porque, por sua divina maternidade, deteria a soberania, o poder e o domínio sobre todos os Anjos. “Pode-se dizer – escreve Pio XII – que o Arcanjo S. Gabriel foi o primeiro mensageiro da função real de Maria” (Ad coeli Reginam).

Gabriel é honrado como padroeiro dos responsáveis de missões importantes, dos que por Deus, são anunciadores de grandes novas. Foi ele quem transmitiu a Maria a mensagem de Deus. Nesse momento representava ela todo o gênero humano e ele, o conjunto dos Anjos. O seu diálogo, motivo de inspiração para os homens até ao fim dos tempos, firmou um tratado sobre o qual se haviam de erguer “novos céus e nova terra”. Que admirável, pois, aquele que falou a Maria e como erram quantos reduzem o seu papel a uma comunicação sem sua participação. Sabia perfeitamente o que estava acontecendo e deu prova do mais vasto conhecimento possível. Reverente para com Maria, responde perfeitamente a todas as suas perguntas, pois era o porta-voz e confidente de Deus. Do encontro de Gabriel com Nossa Senhora surgiu a renovação da criação. A nova Eva consertou os estragos causados pela primeira Eva. O novo Adão, como cabeça do Corpo Místico que inclui também os Anjos, restaurou não só o gênero humano mas igualmente, a honra dos mesmos Anjos que perdera o brilho por causa do Anjo perverso” (Dr. Michael O’Carroll, C. S. Sp.).

6. Milícias do Céu, Legião de Anjos de Maria

Regina Angelorum! Rainha dos Anjos! Que encanto, que alegria antecipada do céu pensar em Maria, nossa Mãe, acompanhada incessantemente por Legiões de Anjos!” (João XXIII).

[Capítulo 24 Padroeiros da Legião página 139]

“Maria é a Generalíssima dos exércitos de Deus. Os Anjos formam as mais gloriosas tropas daquela que é terrível como um exército em ordem de batalha!” (Boudon: Os Anjos).

A invocação dos Anjos teve o seu lugar, desde o princípio, nas orações da Legião. A fórmula usada era a seguinte:

S. Miguel Arcanjo, rogai por nós.

Santos Anjos da nossa guarda, rogai por nós.

Temos de supor que também aqui a Legião foi guiada sobrenaturalmente, pois a estreita relação dos Anjos com o movimento legionário não era então vista com a clareza de hoje. À medida que o tempo foi passando, tornou-se cada vez mais clara a conveniência de recorrer aos Anjos. Compreendeu-se enfim que os Anjos são o lado celeste da campanha desenvolvida na terra pela Legião.

A aliança entre a Legião e os Anjos tem diferentes aspectos. Cada legionário, seja ele Ativo ou Auxiliar, tem um Anjo da Guarda que combate a seu lado, golpe por golpe. A batalha tem maior significado para o Anjo, em certo sentido, do que para o legionário: o Anjo vê claramente o valor do que está em jogo – a glória de Deus e o valor de uma alma imortal. Por isso, o interesse do Anjo é mais intenso e o seu auxílio constante. Mas todos os outros Anjos estão igualmente interessados nesta guerra. Todos aqueles a favor de quem a Legião trabalha, por exemplo, têm os Anjos da guarda, prestando o seu auxílio ao lado dos legionários.

Além disso, o exército inteiro dos Anjos entra em cena. A batalha travada por nós faz parte do combate principal sustentado por eles, desde o princípio, contra Satanás e os seus seguidores.

Um lugar impressionante é assinalado aos Anjos no Antigo e Novo Testamento, onde há várias centenas de referências a eles. São representados como seguindo paralelamente a par e passo a luta dos homens, e desempenhando com relação a eles uma função protetora de caráter familiar. Intervêm nos acontecimentos importantes. Ocorre constantemente a frase: “Deus enviou o Seu Anjo”. Todos os nove coros angélicos exercem funções de proteção sobre os indivíduos, lugares, cidades e nações, sobre a natureza e alguns, até sobre outros Anjos. A Escritura mostra que mesmo os reinos pagãos têm os seus Anjos da Guarda (Dn 4, 10, 20; 10, 13). Os coros angélicos são assim designados: Anjos, Arcanjos, Querubins, Serafins, Potestades, Principados, Tronos, Virtudes e Dominações.

[Capítulo 24 Padroeiros da Legião página 140]

Eis, assim, o que se pode concluir: os Anjos prestam-nos auxílio, quer considerados como um corpo, quer individualmente, desempenhando um papel semelhante ao das Forças Aéreas com relação aos exércitos de superfície.

Verificou-se finalmente que a invocação aos anjos, tal como se apresentava, não exprimia a função protetora universal dos mesmos Anjos. Por isso decidiu-se:

1º) que a invocação seria refeita, adotando uma fórmula melhor;

2º) que a palavra “Legião” deveria ligar-se aos Anjos. O próprio Senhor a aplicou aos Anjos, consagrando-lhe assim o uso com os seus divinos lábios. Ameaçado pelos seus inimigos, disse a Pedro: “Julgas que não posso rogar a meu Pai e ele me enviaria imediatamente mais de doze legiões de Anjos?” (Mt 26, 53).

3º) que o nome de Maria deveria introduzir-se na mesma invocação. Com efeito Nossa Senhora, é a Rainha dos Anjos, a verdadeira Comandante da Legião Angélica. Saudá-la com este título tão profundamente significativo constituiria para a nossa Legião uma nova graça.

Do prolongado debate em toda a Legião resultou a aprovação, em 19 de agosto de 1962, da seguinte forma de invocação: “Milícias todas do céu, Legião dos Anjos de Maria, rogai por nós”.

A memória desta Legião celeste celebra-se a 2 de outubro.

Existe uma associação chamada “Philangeli”, cuja finalidade específica é a difusão do conhecimento dos Anjos e da respectiva devoção. O seu centro principal é o seguinte: Philangeli, Hon. General Secretary, Salvatorians; 129 Spencer Road, Harrow Weald, Middlesex HA3 7BJ, England.

“A realeza de Nossa Senhora, com relação aos anjos, não deve tormar-se apenas como uma expressão de honra. A sua função real é uma participação na realeza de Cristo e este tem domínio total e universal sobre toda a criação. Os teólogos ainda não explicaram todas as diferentes maneiras como Maria governa juntamente com Cristo Rei. Mas é claro que a sua realeza é um princípio de ação e que os efeitos desta ação atingem os confins do universo visível e invisível. Rege os espíritos bons e controla os maus. Através dela realiza-se aquela inquebrável aliança das sociedades humana e angélica, pela qual toda a criação será conduzida ao seu verdadeiro fim, a glória da Santíssima Trindade. A sua realeza é nosso escudo, pois a nossa Mãe e Protetora tem poder para

[Capítulo 24 Padroeiros da Legião página 141]

ordenar aos anjos que venham em nosso auxílio. Para ela, a realeza significa uma associação ativa com seu Filho, na desagregação e destruição do império de Satanás sobre os homens” (Michael O’Carroll, C. S. Sp.).

7. S. João Batista

O fato de só a 18 de dezembro de 1949 se ter introduzido oficialmente S. João Batista entre os Padroeiros da Legião é sem dúvida um fato estranho e de explicação nada fácil. Com efeito, se tirarmos S. José, nenhum outro Santo Padroeiro está mais intimamente ligado ao programa legionário de piedade.

a) João Batista foi o primeiro de todos os legionários, o precursor de Jesus, – indo à sua frente preparar os caminhos e endireitar os atalhos. Foi um modelo de inabalável firmeza e dedicação à sua causa, pela qual estava disposto a morrer e morreu de verdade.

b) Foi preparado e formado para a sua missão pela Santíssima Virgem, como todos os legionários o devem ser. Declara S. Ambrósio que o principal intento da estada de Nossa Senhora em casa de Isabel foi formar e estabelecer no seu cargo o Grande Profeta ainda criança. O momento desta preparação é celebrado pela Catena, a oração central da Legião, imposta como obrigação diária a todos os membros.

c) O episódio da Visitação apresenta-nos Nossa Senhora, pela primeira vez, no desempenho do seu cargo de Medianeira, e S. João, o primeiro beneficiado. Por isso, desde o início se exibiu S. João como Padroeiro especial dos legionários e de todos os contatos legionários; do trabalho das visitas sob todas as modalidades, e de fato, de toda a atividade legionária – esforço de colaboração com Maria, no seu ofício de Mediadora.

d) João foi um dos elementos mais importantes da missão do Salvador. Ora, todos os elementos desta missão devem estar presentes no sistema que procura reproduzi-la. O Precursor não pode faltar. Quereriam Jesus e Maria aparecer em cena, faltando João para os apresentar? Reconheçam os legionários o lugar especial de S. João e permitam-lhe continuar a sua missão por uma ardente confiança na sua proteção, “Sendo Jesus para sempre “Aquele que vem”, João será também o seu Precursor de sempre, por que a economia da Encarnação histórica de Cristo se continua no seu Corpo Místico” (Daniélou).

[Capítulo 24 Padroeiros da Legião página 142]

e) A invocação de S. João Batista segue a dos Anjos nas Orações Finais. Estas orações apresentam-nos a Legião em marcha, protegida do alto, pelo Espírito Santo que se revela através de Nossa Senhora, como Coluna de Fogo; apoiada pela Legião dos Anjos e por seus Chefes, S. Miguel e S. Gabriel, precedidos pelo Precursor S. João, no cumprimento, hoje como antigamente, da sua missão providencial e levando como Generais os Santos Pedro e Paulo.

f) S. João Batista tem duas festas: a da Natividade, a 24 de junho, e a do Martírio, a 29 de agosto.

“Creio que o mistério de João se efetua ainda no mundo de hoje. Antes de alguém acreditar em Cristo Jesus, tem de descer, sobre a sua alma, o espírito e a virtude de João para preparar ao Senhor um povo perfeito e endireitar e aplanar os ásperos caminhos do seu coração. Até nossos dias, sempre o espírito e a virtude de João preparam a vinda do Senhor e Salvador” (Orígenes).

8. S. Pedro

“Como Príncipe dos Apóstolos, S. Pedro é, por excelência, o padroeiro de uma organização apostólica. Foi o primeiro Papa, mas representa toda a ilustre série de Pontífices até ao Santo Padre atual. Invocando S. Pedro, expressamos uma vez mais a fidelidade da Legião a Roma, centro de Fé, fonte da autoridade, da disciplina e da unidade” – (Decisão da Legião, colocando o nome de S. Pedro na lista das invocações).

A festa de S. Pedro e S. Paulo celebra-se a 29 de junho.

“E eu digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do Reino dos Céus; e tudo o que ligares sobre a terra será também ligado nos Céus; e tudo que desligares sobre a terra será desligado também nos Céus” (Mt 16, 18-19).

9. S. Paulo

Uma alma que pretende ganhar as outras deve ser grande, imensa como o oceano: para converter o mundo é necessário ter

[Capítulo 24 Padroeiros da Legião página 143]

uma alma maior que o mundo. Tal era S. Paulo desde o dia em que uma luz celeste repentinamente o envolveu, lhe penetrou na alma e o inflamou no desejo ardente de encher a terra com a fé e o nome de Cristo. O seu nome resume a sua obra – Apóstolo dos Pagãos. Trabalhou incansavelmente até que a espada do carrasco entregou o seu espírito incansável nas mãos de Deus; mas os seus escritos sobreviveram e para sempre hão de viver, continuando a sua missão.

É costume da Igreja colocá-lo sempre junto com S. Pedro nas suas orações, o que para ele constitui grande glória. Nada mais justo, pois ambos consagram Roma com o seu martírio.

A Igreja celebra a Festa de S. Pedro e S. Paulo no mesmo dia.

“Cinco vezes recebi dos Judeus os quarenta açoites menos um; três vezes fui açoitado com varas, uma vez apedrejado; três vezes naufraguei e passei no abismo uma noite e um dia. Viagens sem conta, exposto a perigos nos rios, perigos de salteadores, perigos da parte dos meus concidadãos, perigos dos pagãos, perigos no mar, perigos entre os falsos irmãos e irmãs. Trabalhos e fadigas, repetidas vigílias, como fome e sede, freqüentes jejuns, frio e nudez” (2 Cor 11, 23-27).

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O QUADRO DA LEGIÃO

1. O Manual apresenta a reprodução do Quadro da Legião. O original foi pintado por um jovem e talentoso artista de Dublin e oferecido à Legião. Como era de esperar de obra animada por tal intenção, o quadro é cheio de inspiração e beleza, evidentes até nas mais pequenas produções.

2. O quadro apresenta, de forma admirável e completa, os pontos fundamentais da espiritualidade legionária.

3. As orações da Legião estão postas em evidência. As orações iniciais – invocação e oração ao Espírito Santo e o Terço – são representadas pela pomba que paira sobre Maria, cobrin-

[Capítulo 25 O Quadro da Legião página 144]

do-a com a sua sombra, e enchendo-a da Luz e do Fogo do seu Amor. Com estas orações a Legião honra o ponto alto e central de todos os tempos. O consentimento de Maria na Encarnação do Verbo fez dela Mãe de Deus e Mãe da Divina Graça; por isso, os legionários, seus filhos, a Ela se unem fervorosamente, pelo Terço, levando a sério as palavras de Pio IX: “Se eu tivesse um exército que rezasse o Terço, conquistaria o Mundo inteiro”.

Refere-se também a Pentecostes, em que Maria foi o canal desta nova infusão do Espírito Santo, que pode ser chamada a Confirmação da Igreja. Ele a tornou pública com sinais visíveis, enchendo-a do fogo apostólico que havia de renovar a face da terra. “Foi Maria quem obteve, por sua poderosa intercessão, para a Igreja recém-nascida, a milagrosa abundância do Espírito do Divino Redentor” (MC 110). Sem ela, nunca este fogo divino inflamaria os corações dos homens.

4. A Catena está representada, quanto ao nome, pela cadeia que emoldura o quadro. A Antífona está figurada, e com a maior propriedade, pela imagem de Maria, que avança como aurora, formosa como a lua, brilhante como o sol, terrível como um exército em ordem de batalha. Na sua fronte brilha uma estrela – para significar que Ela é a verdadeira Estrela da Manhã, banhada desde o primeiro instante do seu ser no brilho da Graça Redentora, anunciando o começo da salvação.

O Magnificat está representado pelo seu primeiro versículo, cujas palavras sempre presentes no espírito de Maria estão escritas em letras de fogo à volta da sua cabeça. É o cântico de vitória da sua humildade. Agora, como desde aquele momento, Deus quer depender nas suas conquistas, da humilde Virgem de Nazaré. Por intermédio daqueles que a Ela estão unidos, continua o Onipotente, para glória do Seu nome, a realizar grandes coisas.

O versículo e a respectiva resposta são da Festa da Imaculada Conceição, devoção principal da Legião expressa pelo esmagamento da serpente e pelas palavras do Gênesis que contornam o quadro: “Eu porei inimizades entre ti e a mulher e entre a tua descendência e a dela; Ela te esmagará a cabeça ao tentares mordê-la no calcanhar” (Gn 3,15).

A oração da Catena é a da Festa de Maria Medianeira de todas as Graças, Mãe de Deus e Mãe de todos os homens.

[Capítulo 25 O Quadro da Legião página 145]

O quadro mostra a luta perpétua entre Maria e a serpente, entre os filhos daquela e a raça maldita desta, entre a Legião e as forças do Mal que fogem em debandada.

Na parte superior do quadro está o Espírito Santo, Doador de todos os bem; em baixo, o globo terrestre rodeado de bons e maus – figurando o mundo das almas; ao meio, entre uns e outros, Maria, cheia de Graça, abrasada em caridade, canal universal de intercessão e distribuição dos favores celestes. Se é certo que Ela quer enriquecer todos os homens, a sua preferência vai para os filhos mais fiéis que, como S. João, se reclinaram no Coração de Jesus e A aceitaram amorosamente como Mãe. Esta Maternidade Universal de Maria, proclamada entre as inconcebíveis dores do Calvário, está indicada pelas palavras que emolduram o quadro: “Mulher, eis aí o teu Filho; eis aí a tua Mãe” (Jo 19, 26-27).

5. As Orações Finais refletem-se em cada traço do quadro. A Legião apresenta-se como um exército inumerável que avança em ordem de batalha sob o comando da sua Rainha, levando à frente os seus estandartes: “O Crucifixo, na mão direita; o Rosário, na esquerda; os sagrados Nomes de Jesus e de Maria no coração, e a modéstia e a mortificação de Jesus Cristo em todo o seu modo de ser” (S. Luís Maria de Montfort). A oração que brota dos seus lábios tem como objeto uma fé ardente que sobrenaturaliza todos os impulsos e ações da vida e os torna capazes de tudo ousar e fazer por Cristo-Rei. Esta fé é representada pela Coluna de Fogo que funde todos os corações legionários num só coração e os conduz a vitória e à Terra de Eterna Promessa, espalhando, na sua passagem, as chamas vivificantes do Divino Amor. A Coluna é Maria, que salvou o mundo pela sua fé – “Feliz a que acreditou” (Lc 1, 45), lê-se na moldura – e leva, infalivelmente, aqueles que A bendizem, até o encontro definitivo com Deus.

6. As orações terminam, elevando-nos em espírito, dos trabalhos legionários à chamada da Eternidade, em que todos os legionários fiéis, sem desistência alguma, formarão ombro a ombro para receber a coroa que jamais poderá ser destruída, prêmio do seu serviço.

Entretanto, não nos esqueçamos de orar por aqueles que terminaram já o combate e esperam a glória da ressurreição. Podem talvez precisar das orações dos companheiros.

[Capítulo 25 O Quadro da Legião página 146]

“Lemos no Antigo Testamento que o povo de Deus foi guiado pelo Senhor, do Egito à Terra Prometida, de dia por uma coluna de nuvem, e de noite por uma coluna de fogo (Ex 13, 21). Esta coluna maravilhosa, ora de nuvem, ora de fogo, simbolizava Maria Santíssima e as funções que Ela desempenha em nosso proveito” (Santo Afonso de Ligório).
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A TESSERA

Será entregue a todos os legionários Ativos e Auxiliares uma folhinha chamada Tessera, que contém as orações da Legião e reproduz o respectivo quadro.
Entre os romanos, a palavra Tessera designava a ficha ou senha que os amigos entregavam uns aos outros, como sinal de identificação entre eles e os seus descendentes. Como expressão militar, significava a tabuazinha que circulava na Legião Romana como senha do dia.
A Legião de Maria aplica a palavra Tessera à folhinha que contém as suas orações e o seu quadro, pois reúne estas propriedades:
a) Circula entre todos os legionários;
b) exprime a verdadeira senha da Legião: – as orações;
c) é o símbolo de unidade e fraternidade entre os legionários onde quer que se encontrem.
Por acaso, esta mesma idéia de universalidade aplica-se a uma dúzia de termos latinos usados para designar certos elementos característicos do sistema. Facilitam de tal modo a intercomunicação que se tornam indispensáveis. A objeção de que constituem elementos estrangeiros na Legião é inaceitável, pois enraizaram-se de tal maneira que presentemente são palavras legionárias. Seria uma grande injustiça para com a Legião privá-la de uma marca tão útil e característica.
“Companheiros de viagem nesta terra miserável, somos tão fracos que precisamos todos do braço do nosso irmão, para nos apoiarmos e não fraquejarmos na jornada. Mas é sobretudo no domínio da salvação e da graça que Deus quer que estejamos unidos. A oração é o laço que une todos os corações num só coração, todas as vozes numa só voz. A nossa força reside na oração unida. Só

Vexillum Legionis Modelo de Mesa Modelo para Acies ou Procissão
[Capítulo 26 A Tessera página 147]

assim nos tornaremos invencíveis. Apressemo-nos, pois, a unir as nossas orações, esforços e desejos, na certeza de que esses meios, por si mesmos poderosos, hão de tornar-se, pela união, irresistíveis” (Ramière).

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VEXILLUM LEGIONIS

O “Vexillum Legionis” é uma adaptação do estandarte da Legião Romana. A águia que ficava em cima deste último foi substituída pela pomba – símbolo do Espírito Santo. Por baixo desta, exibe-se com orgulho a legenda: “Legio Mariae” (Legião de Maria). Entre esta e a haste do Vexillum (e unida à primeira por uma rosa e um lírio) há uma moldura oval com a imagem da Imaculada Conceição, copiada da Medalha Milagrosa. A haste firma-se num globo que, nos modelos de mesa, assenta numa base quadrada. O conjunto exprime a idéia da conquista do mundo pelo Espírito Santo, atuando por Maria e seus filhos.

a) O papel destinado à correspondência oficial da Legião deve ser timbrado com a gravura do Vexillum.

b) Sobre a mesa de reunião deve-se colocar o Vexillum, situando-o quinze centímetros à frente da imagem, com o desvio de quinze centímetros para a direita. O modelo de mesa, comumente usado, tem trinta e dois centímetros de altura, incluindo a base. Numa página próxima damos o desenho do Vexillum. Na impossibilidade de se conseguir obtê-lo na localidade, pode-se pedir ao Concilium, o qual dispõe de exemplares em metal e ônix.

c) Na Acies e nas procissões, usar-se-á um modelo em ponto grande, com dois metros de altura, sendo cerca de 60 centímetros para a haste que sustenta o globo. A parte restante será de acordo com o desenho da página anterior à escala de 12/1. A haste assenta numa base (não faz parte do Vexillum), para o manter erguido durante a cerimônia da Acies e sempre que não for levado por alguém.

[Capítulo 27 Vexillum Legionis página 148]

Este Vexillum de grande formato não é fornecido pelo Concilium, mas pode ser feito ou pintado localmente, com facilidade. Os que desejarem uma reprodução mais trabalhada, recorrerão a outro material e não à madeira. O desenho permite ampla liberdade para arranjo artístico.

d) O Vexillum tem direitos reservados e só pode ser reproduzido com licença formal do Concilium.

“Que belo e sugestivo é o estandarte da Legião de Maria” (Pio XI).

[Capítulo 27 Vexillum Legionis página 149]

Vexillum Legionis

O Estandarte da Legião






S. Luís Maria de Montfort compreendeu com admirável clareza que não pode haver separação entre a Virgem Maria e o Espírito Santo. A Legião de Maria fez penetrar em sua doutrina uma completa convicção a respeito deste laço de união; por este motivo procura séria e ardentemente um conhecimento cada vez mais profundo da doutrina do Espírito Santo” (Laurentin).


[página 150]
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ADMINISTRAÇAO DA LEGIÃO

1. Normas gerais para todos os Conselhos Administrativos

1. A administração da Legião, tanto local como central, está confiada aos seus diversos Conselhos. A estes cabe, dento da esfera da sua jurisdição, assegurar a unidade, defender os ideais primitivos da Legião de Maria, guardar puros o seu espírito, os seus regulamentos e os seus costumes – conforme o Manual Oficial da Legião – e, finalmente, tratar da sua expansão.

Onde quer que esteja fundada, a Legião terá o valor que os seus Conselhos quiserem que ela tenha.

2. Todo o Conselho deve se reunir regular e freqüentemente, em regra, ao menos uma vez por mês.

3. As orações, a disposição e a ordem das reuniões de todo e qualquer Conselho da Legião, são as mesmas já estabelecidas para a reunião do Praesidium, exceto quanto: a) à duração das reuniões que não tem limite determinado; b) à leitura da Ordem Permanente que não é obrigatória; c) à coleta que é livre.

4. O dever principal de todo o Conselho é obedecer ao Conselho Superior imediato.

5. Nenhum Praesidium ou Conselho pode ser fundado sem a licença expressa do Conselho Superior imediato ou do Concilium Legionis e sem a aprovação da autoridade eclesiástica competente.

6. Ao Bispo da Diocese e ao Concilium Legionis, individualmente considerados, é reservado o direito de dissolver qualquer Praesidium ou Conselho. Estes deixam, por esse motivo, de pertencer à Legião de Maria.

7. Cada Conselho terá como Diretor Espiritual um sacerdote nomeado pela autoridade eclesiástica competente, o qual exercerá o seu cargo enquanto a esta interessar. A ele cabe a última palavra em todos os assuntos de ordem moral e religiosa que surgirem nas reuniões do Conselho e o direito de interromper a discussão sobre questões que possam surgir, a fim de obter da autoridade eclesiástica que o nomeou a decisão definitiva.

[Capítulo 28 Administração da Legião página 151]

O Diretor Espiritual é Oficial do Conselho, cumpre-lhe defender toda a autoridade legionária legitimamente constituída.

8. Além do Diretor Espiritual, cada Conselho terá um Presidente, um Vice-Presidente, um Secretário e um Tesoureiro, e ainda outros Oficiais, caso a sua necessidade seja reconhecida e aprovada pelo Conselho superior imediato. São eleitos para um cargo por três anos, tendo porém o direito de se reelegerem por mais três. O Oficial cujo tempo de mandato terminou não pode continuar a exercer os deveres do mesmo cargo.

Quando um Oficial, por qualquer motivo, não completa o primeiro mandato de três anos, deve ser considerado como se o tivesse cumprido por inteiro na data em que deixa o cargo. Durante o tempo do primeiro mandato que ele não terminou, pode ser reeleito para o mesmo cargo por outros três anos, considerando-se estes um segundo período. Se ele não completa o segundo período de três anos, deve considerar-se como tendo servido seis anos, no momento em que abandona o cargo.

Tendo completado um segundo período de três anos, requer-se um intervalo de três anos, antes de poder ser eleito para o mesmo cargo no mesmo Conselho. Este intervalo não é exigido, quando se trata de um cargo diferente no mesmo Conselho ou de um cargo em qualquer outro Conselho.

Todo o Oficial de um Conselho deve ser membro ativo de um Praesidium e cumprir as exigências da Instrução Permanente.

9. A elevação de categoria de um Conselho (de Curia a Comitium, etc.) não afetará o limite de duração dos cargos dos Oficiais existentes.

10. Os Oficiais de um Conselho serão eleitos numa reunião normal do Conselho, pelos membros do mesmo Conselho (isto é, pelos Oficiais dos Praesidia e dos Conselhos a ele diretamente filiados e quaisquer Oficiais eleitos do Conselho) que estiverem presentes. Qualquer legionário pode ser eleito. Se o eleito não for membro do Conselho, ficará sendo a partir desse momento. Todas as eleições de Oficiais estão sujeitas à aprovação pelo Conselho Superior imediato, podendo os eleitos, entretanto, desempenhar as funções dos respectivos cargos.

11. Deve-se dar conhecimento, antecipadamente, a todos os membros, das nomeações e eleições que deverão ser realizadas,

[Capítulo 28 Administração da Legião página 152]

se possível, na reunião, que as precede. É para desejar que os candidatos tenham perfeito conhecimento dos deveres dos respectivos cargos.

12. É permitido comentar, com as reservas impostas pela conveniência, a idoneidade dos candidatos. Podem também os Oficiais do Conselho, na sua qualidade de corpo diretivo, e conhecendo as condições favoráveis de um determinado candidato, recomendá-lo aos votantes. Tal recomendação, porém, não se opõe à proposta de outros candidatos e à forma perfeita de eleição.

13. A eleição será feita por votação secreta. Poderá ser da seguinte forma: a eleição de cada Oficial deve ser feita separadamente, por ordem decrescente. Cada nome sugerido deve ser formalmente proposto e apoiado. No caso de haver um só candidato, a votação não é necessária. Se, porém, forem apresentados e apoiados dois ou mais nomes, deverá proceder-se à votação. A cada membro do Conselho (incluindo os Diretores Espirituais) que estiver presente com direito a voto, será entregue uma ficha de voto. Preste-se a máxima atenção a esta última exigência: só os membros do Conselho têm direito a voto. Uma vez preenchidas, as cédulas devem ser dobradas cuidadosamente e recolhidas pelos que vão contar os votos. O nome do votante não deve aparecer na cédula.

Se a contagem dos votos revelar que um candidato obteve a maioria absoluta, isto é, um número de votar maior que a soma dos votos dos outros, ele será declarado eleito. Se nenhum candidato obtiver a maioria absoluta, dar-se-á conhecimento do resultado da votação, e se fará nova votação sobre os mesmos candidatos. Se essa repetição não der uma maioria absoluta a um candidato, será eliminado o que tiver menor número de votos e se votará pela terceira vez sobre os candidatos restantes. Se esta terceira votação ainda não der resultado, deverão ser feitas novas eliminações e revotações, até um dos candidatos obter a maioria necessária de votos.

O fato de se tratar da escolha de Dirigentes de uma organização religiosa não justifica métodos menos sérios de eleição. Esta deve ser feita de forma correta e exata, conforme os estatutos, respeitando ao mesmo tempo o caráter secreto do voto individual.

É necessário que se registre na ata da reunião o processo completo das eleições, incluindo nome dos proponentes e dos

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seus apoiantes, com o número de votos recebidos por cada candidato (quando há mais de um), e que tal ata seja enviada ao Conselho Superior imediato, para este decidir da sua possível aprovação.

14. Compete aos Oficiais de um Praesidium ou de um Conselho representá-lo no Conselho Superior imediato.

15. A experiência já comprovou que a designação de correspondentes é o meio mais eficiente para um Conselho Superior exercer as suas funções de supervisão dos Conselhos distantes, a ele filiados. O correspondente mantém um contato regular com o respectivo Conselho e, a partir da ata recebida mensalmente, prepara o relatório que deve apresentar ao Conselho Superior, quando solicitado. Assiste às reuniões do Conselho Superior e toma parte no debate dos assuntos ali apresentados, mas não tem direito a voto, a não ser que seja membro do respectivo Conselho.

16. Qualquer pessoa, faça ou não parte da Legião, pode assistir às reuniões de um Conselho, com autorização deste, a título de visitante, mas sem direito a voto. Tais pessoas são obrigadas a guardar segredo sobre o que se passa na reunião.

17. Os Conselhos da Legião são os seguintes: Curia, Comitium, Regia, Senatus, Concilium e quaisquer outros que venham a ser fundados, em conformidade com os Estatutos.

18. Os nomes latinos dos vários Conselhos concordam admiravelmente com as funções que desempenham.

Dentro da Legião, Maria é Rainha. É Ela quem convoca o exército legionário para as suas gloriosas campanhas, dirige-o no campo de operações, anima-o ao combate e, pessoalmente, o conduz à vitória. Depois da Rainha, vem naturalmente o seu Conselho Supremo – ou Concilium – que a representa visivelmente e participa com Ela da direção de todos os outros Conselhos Legionários.

Os Conselhos regionais são de caráter essencialmente representativos, menos, porém, os Conselhos mais elevados, por causa da impossibilidade prática de garantir o comparecimento às reuniões regulares dos Conselhos centrais, representativos de áreas muito extensas. Deste modo, os nomes de Curia, Comitium, Regia

[Capítulo 28 Administração da Legião página 154]

e Senatus destacam a função própria e a posição de um em relação ao outro, definindo a área de atuação de cada um.

19. Um Conselho superior pode combinar as funções próprias com as funções de um Conselho a ele subordinado. O Senatus, por exemplo, pode atuar também como Curia e, de fato, é o que acontece invariavelmente.

Tal combinação de funções é vantajosa pelas seguintes razões:

a) Em geral, as mesmas pessoas estão encarregadas da administração do Conselho superior e do Conselho inferior. Se uma reunião pode servir a dois propósitos haverá economia de tempo e energia.

b) Há, porém, uma consideração mais importante. Vivendo os representantes do Conselho superior muito afastados da sede, seria muitas vezes impossível a estes participar das reuniões regulares e freqüentes com a assiduidade devida. Conseqüência inevitável e evidente: alguns legionários zelosos ficariam sobrecarregados com pesadas responsabilidades e inúmeros trabalhos, que muitas vezes não serão feitos ou ficarão descuidados, com sério prejuízo para a Legião.

A combinação de funções do Conselho superior com as do inferior assegurará uma assistência mais numerosa e mais regular às reuniões. Os membros, além de cumprirem os deveres próprios do Conselho inferior, ainda serão iniciados e interessados nos trabalhos do Conselho superior. Torna-se assim possível associá-los aos importantíssimos serviços de inspeção, expansão e secretaria do Conselho superior.

Pode-se objetar que tal procedimento significa entregar a direção de uma grande área a um Conselho que na verdade não é local. Isto é um engano, pois é somente o núcleo daquele Conselho superior que é local. Os representantes de cada um dos Conselhos filiados têm o dever de assistir às reuniões e, sem dúvida, de o fazer conscienciosamente da melhor forma possível. A solução proposta é a de que o Conselho superior funcione separadamente, contentando-se, digamos, com quatro reuniões por ano. Deste modo estaria assegurada uma grande representação. Tal proposta a favor dos interesses de uma administração representativa não corresponde à realidade dos fatos, pois, nos intervalos das reuniões, o Conselho em questão seria forçado a entregar aos Oficiais a resolução dos seus problemas, e a exercer as suas funções administrativas apenas nominalmen-

[Capítulo 28 Administração da Legião página 155]

te. Resultado: os membros perderiam o sentido da responsabilidade e todo o interesse real pelo seu trabalho.

Além disso, a reunião tão espaçada de um grupo de dirigentes se pareceria mais com um Congresso do que com um Conselho. Não possuiria as características de um corpo governativo, a principal das quais é o sentido de continuidade e um conhecimento íntimo do trabalho administrativo e dos seus problemas.

20. Todo o legionário tem o direito de se comunicar confidencialmente com a Curia de que depende ou com qualquer outro Conselho Superior da Legião. Ao tratar de um assunto conhecido de maneira sigilosa, tal Conselho atuará com a máxima prudência e evidentemente, com o devido respeito pela posição e pelos direitos de qualquer Conselho ou Praesidium subordinado. Alguns poderiam pensar que a comunicação com os Conselhos, por fora das vias normais, isto é, por fora do Praesidium ou do Conselho de que dependem imediatamente os legionários, constitui um ato de deslealdade. Ora, não é assim. Temos de encarar o fato de, por vezes e por motivos vários, os Oficiais dos Conselhos Superiores desconhecerem assuntos que lhes deviam ser relatados. Se não houvesse outros meios de informação, tais Conselhos ficariam privados de conhecimentos indispensáveis. Todo o Conselho tem o direito – sem o qual não poderia funcionar convenientemente – de tomar conhecimento daquilo que realmente se passa na área confiada aos seus cuidados. Este direito essencial tem de ser garantido.

21. Todo o Conselho legionário tem o dever de ajudar economicamente o Conselho Superior imediato. Vejam-se a este respeito os capítulos 34 e 35, sobre as Receitas e Despesas e a Coleta Secreta.

22. Pertence à essência de um Conselho legionário a franca e livre discussão dos assuntos e problemas que lhe dizem respeito. Não se trata apenas de um grupo diretivo, encarregado de supervisionar e de tomar decisões, mas de uma escola de Oficiais. Mas, como poderão estes formar-se se não houver debate e não se puserem em destaque os princípios e ideais legionários? Além disso, o debate deve ser geral. O Conselho não deve se assemelhar de modo algum a um teatro, em que uma pequena minoria representa para um auditório silencioso. O Conselho só funcionará plenamente, se todos os seus membros para isso contribuírem. Um membro do Conselho não funciona, se não

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toma parte ativa nos seus trabalhos. Enquanto ouve, pode receber alguma coisa do Conselho, mas não dá nada. Pode mesmo acontecer de sair da reunião com o cérebro vazio, em virtude do fato psicológico de a inércia enfraquecer a memória. O membro do Conselho habitualmente silencioso é como a célula parada do cérebro ou do corpo humano, que retém o que dela é exigido, atraiçoa o propósito da sua existência e se torna, para a pessoa, um perigo constante. Seria triste que alguém se tornasse um perigo para o Conselho legionário a que deseja servir. A passividade, onde vitalmente se requer a atividade, conduz à decadência, e a decadência tende a se alastrar.

Por conseguinte, é princípio indiscutível que nenhum membro pode ser passivo. Deve contribuir plenamente para a vida do Conselho, não só com a sua presença, não só ouvindo, mas falando. Parece ridículo dizê-lo e, no entanto, tem um sério alcance: cada membro de um Conselho deve contribuir para os seus trabalhos, ao menos, com uma observação anual. Há pessoas tímidas, para as quais, falar significa uma dificuldade muito grande. Vençam esse problema e mostrem um pouco daquela coragem que a Legião exige de seus membros em todas as circunstâncias.

Tais pessoas respondem prontamente que é impossível falarem todos no pouco tempo disponível e, na realidade, assim é. Deixemos, porém, a solução desse problema para quando o mesmo se apresentar. O problema que quase sempre se tem de enfrentar é precisamente o contrário: participação imperfeita dos membros nos debates, que resultam apenas das contribuições de um pequeno grupo de enérgicos faladores. Por vezes, o silêncio do conjunto é disfarçado pela eloqüência de uns poucos.

Acontece também, com demasiada freqüência, que o Presidente fala em excesso e elimina os outros. É muito preocupante o efeito desanimador de uma só voz. Desculpa-se o Presidente explicando que se ele não fala, se estabelece um silêncio de morte. Se isso acontecer, não tema o momento de silêncio. Este é um eloqüente convite a todos os membros para darem vida ao Conselho com as transfusões das suas vozes. Os mais tímidos estarão certos de que chegou o seu momento: não impedirão ninguém de falar, tomando a palavra.

Seja esta uma norma inabalável: o Presidente não pronunciar uma só palavra inútil. Examine a este respeito o modo como dirige as reuniões.

23. Para ajudar a reunião, não se deve falar numa atitude de desafio; não se faça uma pergunta sem ajuntar uma idéia como

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resposta; não se apresente uma dificuldade sem tentar resolvê-la. Uma atitude puramente negativa está apenas a um pequeno passo desse silêncio destruidor.

24. Ganhar o outro convencendo-o, e não à força de votos, será a nota dominante de toda a reunião legionária. As decisões forçadas e precipitadas levariam à formação de partidos: uma maioria vencedora e uma minoria vencida, ambas irritadas e fechadas no seu próprio parecer. Pelo contrário, as decisões que são fruto de paciente exame, de ampla discussão de pontos de vista, serão aceitas por todos e com tal espírito, que o vencido ganhará méritos com a derrota e o vencedor não os perderá com o triunfo.

Por isso quando existirem diferenças de opinião, os que têm uma clara maioria a seu favor não se precipitem, tenham paciência. Podem não ter razão e vencer; isto seria sumamente grave. Se é possível, adie-se a decisão para reunião seguinte ou mesmo para mais tarde, de maneira a permitir um exame cuidadoso e um perfeito conhecimento de causa. Entretanto, faça-se esforço por estudar o assunto sob todos os pontos de vista, recorrendo à oração, a fim de serem iluminados. Convençam-se bem de que o importante não é a vitória de uma opinião, mas a investigação humilde da vontade de Deus. Deste modo se verificará que em breve se chega à perfeita unidade de pensamento.

25. Se os interesses da harmonia devem ser guardados, com toda a vigilância, dentro do Praesidium, onde as ocasiões de choque das diversas opiniões são tão raras, com que cautela não se deverá proceder nos Conselhos!

Porque:

a) Os membros estão aqui menos acostumados a trabalhar juntos.

b) As divergências de opinião são muitas, sendo um dos principais cuidados dos Conselhos tentar harmonizá-las. Exame de novos projetos, esforços para conseguir padrões mais elevados, questões sobre a disciplina geral, deficiências que é preciso eliminar: tudo isto tende necessariamente a criar desentendimentos que podem tornar-se fontes de discórdia.

c) Onde os membros são numerosos, é fácil encontrar algumas pessoas, que embora excelentes, acabam “aparecendo” demais. Exercem sobre as outras uma negativa influência; com o seu jeito destacado de ser, formam um grupo de seguidores e criam um ambiente de discussão e mal-estar. Resultado: o Con-

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selho, que deveria ser para os inferiores, um modelo de fraternidade e de método de direção dos negócios, torna-se um mau exemplo para todos os legionários. É um coração a espalhar veneno no aparelho circulatório da Legião.

d) Como conseqüência de uma falsa lealdade, nasce muitas vezes, a tendência para atacar o Conselho vizinho ou Superior, acusando-o – (quão fácil é elaborar uma acusação e conseguir que os demais a aprovem!) – de passar dos limites dos seus poderes ou de se portar indignamente.

e) “Nunca os homens se reúnem em grande número, sem que a paixão, a teimosia, o orgulho e a incredulidade, mais menos adormecida em cada um deles, brotem em chamas e se tornem elemento constitutivo da sua união. Mesmo quando têm fé e se unem para fins piedosos, uma vez associados, não tardam a evidenciar a fragilidade própria da natureza humana. No espírito e no procedimento, no falar e no agir estão em grave contraste com a retidão e a simplicidade cristãs. É isto que os escritores sagrados entendem por “mundo”, e a razão por que contra eles nos pedem prudência. A descrição do “mundo”, que eles nos deixaram, aplica-se, em grau diverso, a todas as sociedades humanas, das classes elevadas ou baixas, de caráter nacional ou profissional, leigo ou eclesiástico” (Cardeal Newman: No Mundo).

Palavras chocantes, sem dúvida, mas de um grande pensador. S. Gregório Nazianzeno diz a mesma coisa com outras palavras. O que à primeira vista parece uma afirmação estranha, reduz-se, em simples e clara análise, ao seguinte: o “mundo” é a falta de caridade. Em cada um de nós esta caridade é fraca, e a sua fraqueza esconde-se, até certo ponto, sob os laços do parentesco, da intimidade, da amizade, tudo isto limitado a poucas pessoas; mas, quando os homens se associam em maior número, surge a crítica e a discórdia, e essa caridade mostra imediatamente as suas fraquezas com as suas péssimas conseqüências. “Deus e a caridade são uma e mesma coisa” – diz S. Bernardo. “Onde não reina a caridade, dominam as paixões e os apetites da carne. A chama da fé, se não se acende na fogueira da caridade, se apagará antes de conseguirmos alcançar a felicidade eterna... Não há verdadeira virtude sem caridade”.

Estas graves advertências pouco aproveitam aos legionários se, depois de as lerem, se contentarem com este protesto: “Entre nós nunca tal acontecerá”. Pode e há de acontecer, se nas reuniões houver falta de caridade e se esfriar o espírito sobrenatural. Temos de estar sempre alerta.

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A história relata-nos que a Legião Romana nunca deixou passar uma noite, mesmo nas marchas forçadas, sem montar acampamento, abrir trincheiras e fortificar cuidadosamente o campo; e isto mesmo que o acampamento durasse uma só noite e o inimigo estivesse longe. Mais: mesmo em tempo de paz!... Tendo como modelo esta disciplina, aplique-se a Legião de Maria a defender os seus espaços (isto é, as suas reuniões) contra possíveis invasões deste destruidor espírito do “mundo”, excluindo todas as palavras e atitudes inimigas da caridade e, em geral, preenchendo as reuniões de profundo espírito de oração e de perfeita piedade legionária.

“A graça como a natureza tem os seus sentimentos e afetos: o seu amor, o seu zelo, as suas esperanças, as suas alegrias e as suas penas. De todos estes sentimentos gozava plenamente a Santíssima Virgem, pois vivia mais da vida da graça que da vida da natureza. A maior parte dos fiéis encontram-se mais em estado de graça do que na vida da graça. Muito ao contrário a Santíssima Virgem, enquanto viveu na terra, esteve sempre em graça e, mais que isso – na vida da graça, na perfeição desta grandiosa vida” (Gibieuf: Da Virgem Dolorosa ao pé da Cruz).

2. A Curia e o Comitium

1. Logo que numa cidade ou região se fundem dois ou mais Praesidia, deve formar-se também um Conselho diretivo chamado Curia. Esta será constituída por todos os Oficiais (incluindo os Diretores Espirituais) dos Praesidia da respectiva área.

2. Onde for necessário conferir a uma Curia, além das funções próprias, certos poderes de administração sobre uma ou várias Curiae, tal Curia superior tomará a denominação particular de Comitium.

O Comitium não é um novo Conselho. Continua a agir como Curia em relação à sua própria área e a governar diretamente os seus próprios Praesidia. Além disso, administra uma ou mais Curiae.

Cada Curia ou Praesidium diretamente dependentes do Comitium tem nele, direito à plena representação.

A fim de aliviar os representantes de uma Curia da participação de todas as reuniões do Comitium (as quais somadas com as reuniões da própria Curia se tornariam um fardo demasiada-

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mente pesado) poderão tratar dos assuntos relativos a essa Curia, de duas em duas ou de três em três reuniões do Comitium, exigindo apenas para essa ocasião, a presença dos ditos representantes.

O Comitium, em geral, não deverá ultrapassar os limites de uma Diocese.

3. O Diretor Espiritual será nomeado pelo Bispo da Diocese onde a Curia (ou Comitium) exerce as suas funções.

4. A Curia exercerá autoridade sobre os Praesidia que dela dependem, de acordo com os Estatutos da Legião. Nomeará os Oficiais, exceto o Diretor Espiritual, e cuidará da duração dos seus cargos. Quanto à maneira de proceder para a sua nomeação, veja-se o número 11 do Capítulo “O Praesidium”.

5. A Curia velará pela correta observância dos regulamentos, por parte dos Praesidia e dos seus membros. Entre as atividades importantes da Curia, deverão contar-se as seguintes:

a) Formar e vigiar os Oficiais no desempenho dos seus cargos e na maneira de dirigir os respectivos Praesidia.

b) Receber os relatórios dos Praesidia, ao menos uma vez por ano.

c) Comunicar reciprocamente as experiências.

d) Estudar novos trabalhos.

e) Tender à criação de padrões elevados.

f) Certificar-se de que cada legionário cumpre satisfatoriamente a sua tarefa semanal.

g) Expandir a Legião e estimular os Praesidia a recrutar Auxiliares, a organizá-los e a velar por eles.

Em vista disto, torna-se evidente o alto grau de coragem moral que a Legião exige da Curia, especialmente dos seus Oficiais, a fim de cumprirem convenientemente os deveres dos seus cargos.

6. A sorte da Legião está nas mãos das Curiae e o seu futuro depende do desenvolvimento delas. A própria existência da Legião, em qualquer localidade, deve considerar-se fraca, enquanto não se fundar uma Curia.

7. Os legionários com menos de 18 anos não podem pertencer a uma Curia de adultos; mas, se houver conveniência, se fundará uma Curia Juvenil, dependente da primeira.
[Capítulo 28 Administração da Legião página 161]

8. É absolutamente necessário que os oficiais da Curia, sobretudo o Presidente, estejam sempre dispostos a atender os legionários, seus subordinados, ansiosos por solucionar dificuldades, apresentar projetos ou tratar de outros assuntos ainda insuficientemente amadurecidos para uma discussão pública.

9. É aconselhável que os Oficiais, especialmente o Presidente, dediquem tempo considerável ao desempenho dos seus cargos. Disso depende muito o bom êxito da obra.

10. Quando numerosos Praesidia dependem de uma Curia, numerosos terão de ser os representantes na reunião da mesma. Tal fato poderá causar dificuldades de acomodação e de perfeita administração. Crê, todavia a Legião, que estas dificuldades serão amplamente compensadas por vantagens de outro gênero.

A Legião espera que as suas Curiae sejam algo mais que simples máquinas administrativas. Cada uma é o coração e o cérebro do grupo de Praesidia que dela dependem. Sendo a Curia centro de unidade, quanto mais numerosos forem os laços (isto é, os representantes) que a unem aos Praesidia, tanto mais forte será esta unidade e, conseqüentemente, mais seguros estarão os Praesidia de reproduzir o espírito e os métodos da Legião. Ora só nas reuniões da Curia é que os assuntos relacionados com a essência da Legião podem ser discutidos e compreendidos completamente. Daí serão transmitidos aos Praesidia e assim difundidos entre os respectivos membros.

11. A Curia deve providenciar para que cada Praesidium seja visitado periodicamente duas vezes por ano, se possível, a fim de o estimular e de se assegurar de que tudo caminha ordenadamente.

É da maior importância que tais visitas não se façam com espírito de censura ou de fiscalização, o que levaria a temer a presença dos visitantes e a aceitar com desprazer as suas recomendações; mas num espírito de amor e de humildade, conscientes os visitantes de que têm tanto ou mais a aprender de qualquer Praesidium visitado, como a ensinar-lhe.

A visita deverá ser notificada ao Praesidium, com uma semana de antecedência, pelo menos.

Ouvem-se, às vezes, queixas com a justificativa de que a visita representa uma “interferência estranha”. Tal atitude manifesta pouco respeito para com a Legião, da qual os Praesidia são simples elementos e à qual devem perfeita lealdade. Dirá a mão à cabeça “não preciso do teu auxílio?” Além disso, tal atitude é

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prova de ingratidão, pois que essas unidades, devem sua existência a isso que eles chamam de “interferência estranha”. São incoerentes consigo mesmos, pois aceitam de bom grado, da Autoridade Central, toda e qualquer iniciativa ou ordem que julgam úteis à organização. É também uma atitude insensata, já que a proposta está de acordo com a experiência universal. Em toda a organização, seja ela religiosa, civil ou militar, o reconhecimento espontâneo compreensivo e prático da Direção Central é essencial à defesa e salvaguarda do espírito e do bom funcionamento. A visita regular às unidades da organização é um fator importantíssimo da aplicação desse princípio, e nenhuma forma competente de governo o descuida.

Além de as visitas por parte da Curia serem necessárias ao bem-estar do Praesidium, recorde-se a este que a visita é um ponto estabelecido pelo Regulamento, cumprindo-lhe, por isso, cuidar para que a Curia não se desleixe no cumprimento desta obrigação. Desnecessário é dizer que os visitantes devem ser acolhidos cordialmente.

Nesta ocasião, o visitante examinará as listas dos membros, os livros de Secretaria e de Tesouraria, a Folha de Trabalhos e outros elementos da organização do Praesidium, a fim de verificar se estão em ordem, e certificar-se de que todos os membros, em condições de fazer o Compromisso Legionário o fizeram de fato.

A inspeção deve ser feita por dois representantes da Curia. Não se requer que estes sejam Oficiais da Curia; tal tarefa pode ser confiada a qualquer legionário experiente. Os visitantes apresentarão aos Oficiais da Curia um relatório escrito sobre o resultado da sua visita. O Concilium fornece modelos destes relatórios.

Os defeitos verificados não devem ser, logo de início, motivo de observações públicas, quer no Praesidium quer na Curia. Tratem-se primeiramente com o Diretor Espiritual e o Presidente do Praesidium. Se não der resultado, submeta-se o caso à Curia.

12. A Curia, em relação aos membros que a compõem, está mais ou menos na mesma situação que o Praesidium em relação aos seus. Por isso, tudo que o nestas páginas se expõe com relação à assistência e comportamento dos legionários nas reuniões do Praesidium aplica-se igualmente aos representantes do Praesidium nas reuniões da Curia. O zelo manifestado pelos Oficiais em outros serviços nunca compensará o descuido na fiel participação às reuniões da Curia.

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13. A Curia se reunirá em tempo e lugar determinados por ela própria, com aprovação do Conselho Superior imediato. As reuniões deverão fazer-se, se possível, ao menos uma vez por mês. Vejam-se as razões para esta freqüência no número 19 de “1. Normas gerais...”, deste capítulo.

14. O Secretário, depois de consultado o Presidente, preparará a agenda da reunião da Curia e deverá entregá-la, com a devida antecedência, aos Diretores Espirituais e Presidentes dos Praesidia nela representados. É ao Presidente que cabe avisar os demais representantes do Praesidium.

O programa proposto tem caráter provisório, devendo dar-se aos membros, a maior liberdade possível para a apresentação de novos assuntos.

15. A Curia exercerá a máxima vigilância sobre os Praesidia para que estes não se afastem do seu verdadeiro espírito, distribuindo bens materiais, o que seria o fim de todo o trabalho legionário verdadeiramente proveitoso.

A inspeção periódica dos livros de contas do Tesoureiro ajudará a Curia a descobrir os primeiros sinais de qualquer irregularidade.

16. O Presidente – e o mesmo se diz de todos os dirigentes – deve esforçar-se por não cair numa falta demasiadamente comum: querer assumir a responsabilidade sozinho, das coisas mínimas. O resultado de semelhante tendência seria o enfraquecimento da ação, chegando, nos grandes centros, onde existe muito trabalho, a provocar até a paralisação de toda a máquina legionária. Quanto mais estreito é o gargalo de uma garrafa, tanto mais lentamente dela escorre o líquido, acontecendo, por vezes, que alguém mais impaciente acabe por quebrá-la.

Mas eis outro aspecto não menos sério: negar as responsabilidades, a quem pode honestamente assumi-las, é ser injusto não só para com esses legionários, mas também para com a própria Legião. O exercício de um certo grau de responsabilidade é condição indispensável ao desenvolvimento das grandes qualidades do indivíduo. A responsabilidade é capaz de transformar a simples areia em ouro fino.

O Secretário não deve limitar-se pura e simplesmente ao trabalho de secretaria, nem o Tesoureiro ao arranjo das contas. A todos os Oficiais, mesmo aos mais experientes e aos promissores, devem ser confiados cargos em que possam desenvolver o

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espírito de iniciativa e de controle, pelos quais serão responsáveis, embora sujeitos à autoridade superior, a quem sempre se subordinarão. Tal procedimento tem como fim essencial, formar os legionários no sentido da responsabilidade pelo bem-estar e progresso da Legião, como poderoso meio de contribuir para a salvação do próximo.

“Todas as obras de Deus estão fundamentadas na unidade, pois o fundamento de todas é Ele mesmo – a mais simples e superior de todas as unidades possíveis. Deus é uno, por definição; mas, porque, em nosso entender é também multiforme na sua perfeição e nos Seus atos, segue-se que a ordem e a harmonia são da Sua própria essência”. (Cardeal Newman: A Ordem, Testemunha e Instrumento de Unidade. Esta e as três citações seguintes formam no original uma só passagem).

3. A Regia

1. O Conselho escolhido pelo Concilium para exercer autoridade sobre a Legião de Maria numa região, logo abaixo do Senatus,será chamado Regia. O Concilium decidirá se a Regia deve estar diretamente filiada ao Concilium ou ao Senatus.

2. Quando a categoria de Regia for conferida a um Conselho já existente, este continuará a exercer as suas funções originais, a que acrescentará as novas funções (Veja-se a este respeito o nº 1, parágrafo 19, deste capítulo sobre a Administração da Legião).

A Regia é formada pelos seguintes membros:

a) Os Oficiais de cada um dos ramos legionários diretamente filiados à Regia;

b) E os membros do Conselho, a que foi conferida a categoria de Regia, quando tal for o caso.

3. O Diretor Espiritual da Regia será designado pelos Bispos das dioceses, sobre as quais a Regia tem o poder de administração.

4. A eleição dos Oficiais dos Conselhos diretamente filiados à Regia está sujeita à aprovação pela mesma Regia. Estes Oficiais têm o dever de participar das reuniões da Regia, a não ser que estejam impedidos por circunstâncias especiais, como por exemplo, a distância.

[Capítulo 28 Administração da Legião página 165]

5. A experiência comprovou já que a nomeação de correspondentes é a forma mais eficiente de a Regia cumprir as suas funções de controle dos Conselhos distantes, que a ela estão filiados. O correspondente mantém contato regular com o Conselho e, a partir das atas recebidas mensalmente, prepara um relatório que apresenta à Regia, quando lhe for solicitado. Participa das reuniões da Regia e dos debates, mas não tem direito a voto, a não ser que seja membro da Regia.

6. Um exemplar das atas das reuniões da Regia deve ser enviado ao Conselho Superior a que está diretamente filiada.

7. Qualquer proposta de modificação da composição da Regia, que provoque grande alteração na sua reunião, exige aprovação formal por parte do Concilium, quer ela esteja diretamente filiada ao Concilium, quer a um Senatus.

8. Nos dias da antiga Roma, a Regia era a residência e local de trabalho do Pontífice Máximo; mais tarde passou a indicar a capital do rei ou a corte.

“Ser múltiplo e distinto e, todavia, ser absolutamente uno – ser a Santidade, a Justiça, a Verdade, o Amor, o Poder, a Sabedoria, ser cada uma destas qualidades tão plenamente como se fosse a única – implica na natureza divina uma ordem infinitamente superior e incompreensível à nossa razão, ordem que é qualidade tão maravilhosa como qualquer outra e o resultado de todas elas” (Cardeal Newman: A Ordem, Testemunha e Instrumento de Unidade).

4. O Senatus

1. O Conselho designado pelo Concilium para exercer autoridade sobre a Legião numa nação será chamado Senatus. Deve estar filiado diretamente ao Concilium.

Nos países, em que, por causa da extensão ou de outros motivos, um único Senatus não puder desempenhar totalmente as suas funções, serão criados dois ou mais Senatus, cada um dos quais dependerá diretamente do Concilium e exercerá autoridade sobre a Legião na área que lhe for confiada.

[Capítulo 28 Administração da Legião página 166]

2. Quando a categoria de Senatus for conferida a um Conselho já existente, este continuará a exercer as suas funções originais, a que se acrescentarão as novas responsabilidades (Ver nº 1, parágrafo 19, do capítulo Administração da Legião).

Os membros do Senatus são os seguintes: a) os Oficiais de cada um dos Conselhos filiados ao Senatus; b) os membros do Conselho a que foi conferida a categoria de Senatus, quando tal for o caso.

3. O Diretor Espiritual será nomeado pelos Bispos das Dioceses sobre as quais o Senatus tem jurisdição.

4. As eleições dos Oficiais dos Conselhos diretamente filiados ao Senatus estão sujeitas à sua aprovação. Estes Oficiais têm o dever de participar das reuniões do Senatus, a não ser que as circunstâncias (por ex., a distância) os impeçam.

5. A experiência já comprovou que a nomeação de correspondentes é a forma mais eficiente de o Senatus cumprir as suas funções de supervisionar os Conselhos distantes. O correspondente mantém contato regular com o Conselho e, a partir das atas recebidas mensalmente, prepara um relatório para apresentar ao Senatus, quando solicitado. Participa das reuniões e dos debates, mas não tem direito a voto, a não ser que seja membro do Senatus.

6. O Senatus deve enviar ao Concilium um exemplar das atas das respectivas reuniões.

7. Qualquer proposta de modificação da composição do Senatus que afete de forma significativa e fundamental a participação na reunião, exige aprovação oficial do Concilium.

“Deus é a Lei infinita, bem como o Poder, a Sabedoria e o Amor infinitos. A própria noção de ordem exige a de dependência. Se existe ordem nas qualidades divinas, devem relacionar-se mutuamente e, embora perfeitos em si mesmos, cada um deve atuar sem prejuízo da perfeição dos demais, chegando mesmo, aparentemente, a ceder em benefício dos restantes, em certas ocasiões” (Cardeal Newman: A Ordem, Testemunha e Instrumento de Unidade).

[Capítulo 28 Administração da Legião página 167]

5. O Concilium Legionis Mariae

1. Haverá um Conselho Central chamado “Concilium Legionis Mariae”, revestido da suprema autoridade administrativa da Legião. Salvos sempre os direitos da autoridade eclesiástica, como estão expostos nestas páginas, só a este Conselho pertence o direito de criar novos regulamentos, alterar ou interpretar os estabelecidos; fundar ou suprimir quaisquer Praesidia e Conselhos subordinados, no mundo inteiro; determinar o modo de agir em todas as situações; decidir todas as disputas e apelações, todas as questões de filiação legionária e tudo o que se refere à oportunidade de empreendimentos ou maneiras de os realizar.

2. O “Concilium Legionis Mariae” se reúne mensalmente, em Dublim, na Irlanda.

3. O Concilium pode transferir parte das suas funções a Conselhos subordinados ou a Praesidia individuais e modificar, a qualquer momento, o conjunto desta delegação.

4. O Concilium pode unir às suas funções, as funções de um ou mais Conselhos subordinados.

5. O “Concilium Legionis Mariae” será constituído pelos Oficiais de todos os corpos legionários a ele diretamente filiados. Os Oficiais das Curiae de adultos da Arquidiocese de Dublim formam o núcleo da participação nas reuniões do Concilium. Dada a distância, a presença regular da maioria dos outros grupos legionários não é possível. O Concilium reserva-se o direito de variar as representações das Curiae de Dublim.

6. O Diretor Espiritual do Concilium será nomeado pela Hierarquia Eclesiástica da Irlanda.

7. As eleições dos Oficiais dos Conselhos diretamente filiados ao Concilium estão sujeitos à sua aprovação pelo mesmo Concilium.

8. O Concilium nomeia correspondentes para exercer as funções de administração dos Conselhos distantes, de que tem a responsabilidade. O correspondente mantém contato regular com o respectivo Conselho e, a partir das atas recebidas mensalmen-

[Capítulo 28 Administração da Legião página 168]

te, prepara um relatório, a apresentar ao Concilium, quando lhe for pedido. Participa das reuniões e dos debates, mas não tem direito a voto, a não ser que seja membro de direito do Concilium.

9. Os representantes do Concilium, devidamente autorizados, podem entrar em qualquer área da Legião, visitar os grupos e Conselhos, exercer atividades de caráter promocional e, em geral, quaisquer funções que só ao Concilium competem.

10. Só ao Concilium Legionis Mariae compete, de acordo com os Estatutos e regras da Legião, o direito de reformar o Manual.

11. A mudança de Estatutos não pode ser feita, sem a concordância da maior parte dos corpos legionários. Estes devem ser notificados através dos respectivos Conselhos, de qualquer mudança em vista. Precisam de tempo suficiente para manifestarem os seus pareceres a respeito do assunto. Estes pareceres podem ser comunicados pelos representantes presentes na reunião do Concilium ou através de comunicação escrita.

“O Poder de Deus é certamente infinito, mas está, todavia, subordinado à Sua Sabedoria e Justiça; a Sua Justiça é também infinita, mas está subordinada ao Seu Amor; infinito é o Seu Amor; mas sujeito à Sua infinita Santidade. Harmonizam-se de tal maneira as qualidades que, entre eles, nenhum choque é possível, pois cada um é o maior na sua própria esfera. Deste modo uma infinidade de infinitos, atuando cada um segundo o seu modo de ser, juntam-se na unidade infinitamente simples de Deus” (Cardeal Newman: A Ordem, Testemunha e Instrumento de Unidade).

29

LEALDADE LEGIONÁRIA

Organizar significa unir num todo, vários elementos espalhados. Desde o simples membro, passando por todos os graus hierárquicos, até à suprema autoridade da Legião, deve haver um princípio de intensa unidade. Não levar em conta este princípio pode ocasionar um afastamento proporcional dos princípios fundamentais da Legião.

[Capítulo 29 Lealdade Legionária página 169]

Numa organização de voluntários, o cimento da união é a lealdade: lealdade do membro ao Praesidium e do Praesidium à Curia, e assim por diante, pelos graus hierárquicos, até ao Concilium Legionis; e sempre e por toda a parte, lealdade à Autoridade Eclesiástica.

O verdadeiro espírito de lealdade há de inspirar ao simples legionário, ao Praesidium e ao Conselho, o temor de uma atuação independente. Em todos os casos duvidosos ou situações difíceis e tratando-se de novos projetos ou orientações, procure-se a autoridade competente, em busca de direção e aprovação.

O fruto da lealdade é a obediência, que se manifesta pela aceitação pronta de situações e decisões desagradáveis; e, convém destacar bem, por uma aceitação alegre. Esta obediência cordial e pronta é sempre difícil. Às vezes, contraria de tal modo as nossas inclinações naturais que atinge o heroísmo, pois se transforma numa espécie de martírio. É assim que Santo Inácio de Loiola a considera: “Aqueles, diz ele, que por um generoso esforço, tomaram a resolução de obedecer, adquirem grandes méritos: pelo sacrifício que exige, a obediência assemelha-se ao martírio”. A Legião espera de seus filhos, em toda a parte, esta docilidade heróica e suave para com a autoridade legítima, seja ela qual for.

A Legião é um exército – o exército da Virgem humílima. Deve, pois, mostrar no trabalho cotidiano aquele heroísmo e sacrifício – mesmos supremos – que caracterizam os exércitos da terra. Ninguém duvida de que também aos legionários de Maria serão exigidos os mais heróicos sacrifícios. Não serão chamados muitas vezes, é certo, a oferecer os corpos aos ferimentos e à morte, como os soldados da terra, mas, sim, a subir cada vez mais gloriosamente às regiões do espírito, sempre prontos a oferecer os seus sentimentos, o seu parecer, a sua independência, o seu orgulho, a sua vontade, aos golpes da contradição e à própria morte, por uma inteira submissão – quando a autoridade competente o exigir.

“Sendo a obediência a alma de todo o governo, desobedecer é um mal indizível” diz Tennyson. Mas nem só a desobediência formal quebra o fio da vida legionária: quebram-no também os Oficiais que se desleixam no cumprimento dos seus deveres de participação nas reuniões de Praesidium ou nas reuniões de correspondência, isolando assim os Praesidia ou os Conselhos da grande corrente vital da Legião. Mal semelhante é causado por aqueles Oficiais ou outros membros que, embora participando

[Capítulo 29 Lealdade Legionária página 170]

das reuniões, tomam qualquer atitude, seja qual for o motivo que a provoque, que propositalmente conduza à desunião.

“Jesus obedecia à sua Mãe. Lestes que tudo quanto os evangelistas nos contam da vida oculta de Jesus Cristo em Nazaré, com José e Maria, se resume nestas palavras de S. Lucas: “era-lhes submisso” e “crescia em sabedoria, em estatura e em graça” (Lc 2, 51-52). Haverá nisto alguma coisa que não combina com a Sua divindade? Certamente que não. O Verbo fez-se carne; desceu até tomar uma natureza em tudo semelhante à nossa, exceto no pecado; veio, diz Ele, “não para ser servido, mas para servir” (Mt 20, 28), e ser “obediente até à morte” (Fl 2, 8): eis porque Ele quis obedecer a Sua Mãe. Em Nazaré sujeitou-se a Maria e a José, as duas pessoas privilegiadas que Deus colocou junto d’Ele. Maria Santíssima participa, em certa medida, da autoridade do Eterno Pai sobre a Humanidade de Seu Filho. Jesus podia dizer de Sua Mãe o que disse de Seu Pai do Céu: “Eu faço sempre aquilo que é do seu agrado” (Jo 8, 29 – Marmion: Cristo, Vida da Alma).

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