sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Humildade.


“Limitamo-nos a encarar aqui um único aspecto da humildade. Esta virtude foi largamente considerada como um freio para a arrogância e para o desmedido apetite do homem, que se esforçou sempre por ultrapassar os benefícios de que gozava com a criação de novas necessidades. Foi a própria capacidade de gozo que destruiu, em parte, as suas alegrias. Procurando o prazer, perdeu o prazer, porque o principal prazer é a surpresa. E daqui se conclui que, se o homem quisesse tornar o seu mundo grande, devia tornar-se a si mesmo pequeno. As mais altas visões, as grandes cidades e os pináculos mais elevados são criações da humildade. Os gigantes que arrancam florestas como quem arranca erva são criações da humildade. As torres que se elevam nos ares a apontar as estrelas solitárias são criações da humildade, porque as torres só são altas se nós, para as vermos, olharmos para cima, da mesma forma que os gigantes não serão gigantes se não forem maiores do que nós. Toda esta prodigiosa imaginação, que é, talvez o mais forte dos prazeres humanos é, no fundo, inteiramente humilde. É impossível, sem humildade, gozar seja o que for – mesmo o orgulho.
“Acontece, porém, que a humildade está hoje fora do seu lugar. (…) A velha humildade era uma espora que impedia o homem de parar; agora é um prego na bota que o impede de continuar a andar. A velha humildade fazia com que um homem duvidasse dos seus esforços, e isso dava-lhe ânimo para trabalhar com mais ardor; a nova humildade faz com que o homem duvide dos fins a atingir, e isso obriga-o a suspender o trabalho.
G. K. Chesterton, Ortodoxia; Trad. Eduardo Pinheiro, Livraria Tavares Martins, Porto, 1958, pp. 59-60.

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