sábado, 14 de novembro de 2009

Crucifixos em repartições públicas: sou a favor !





Erro sutil. Um padre (veja texto abaixo) é contra os crucifixos em repartições públicas.
Ele não quer ver Cristo nesses lugares.

Já pensei assim, também.
Mas percebi um erro sutil por trás disso.
Eu pensava exatamente como o frei quando eu atuava como advogado e via isso o tempo todo.
Ficava revoltado.

Um dia, olhando o crucifixo num desses lugares, ficava perguntando-me :"para que você está aí, por que puseram você aí?". "Que sacrilégio, que afronta ! Não existe Deus nestes lugares!"

E, como tinha de esperar, fiquei meditando até contemplar : uma daquelas visões com voz e tudo quase me fizeram chorar de tristeza por todos os crucificados pelo sistema, e Cristo com eles, quando isso me foi revelado.

Um desespero danado e uma vontade enorme de fazer algo por todos os maltratados.

Fiquei devoto do crucificado a partir daí e pus um na parede do meu quarto.

Para mim, essa é a mensagem da via crucis: enxergar o rosto desfigurado de Cristo na face do maltratado.

"Mostrai-nos, Senhor, a Vossa face e seremos salvos."

O próximo nos conduz à salvação quando percebemos isso.

E a face do Senhor nos é revelada e impressa nos nossos corações.

E nos torna semelhantes a Ele.

E resgata nossa dignidade, minha e do meu próximo, que também é semelhante a Ele, e ele, a mim.

Cristo não está lá para abençoar instituições que foram entregues ao diabo pelos homens (ver as tentações de Cristo no deserto em Lc 4, 1-13, especialmente os versículos 5 a 7).
E o apóstolo S. Paulo pedia respeito (e não veneração) às autoridades que cumprissem pontualmente suas missões ( Rm 13, 1-7 , principalmente o versículo 6), não as que cometessem abusos (Catecismo da Igreja Católica, nºs 2254 a 2256):
2254. A autoridade pública tem a obrigação de respeitar os direitos fundamentais da pessoa humana e as condições do exercício da sua liberdade.

2255. É dever dos cidadãos colaborar com os poderes civis na edificação da sociedade, num espírito de verdade, justiça, solidariedade e liberdade.

2256. O cidadão está obrigado em consciência a não seguir as prescrições das autoridades civis quando tais prescrições forem contrárias às exigências da ordem moral. «Deve obedecer-se antes a Deus do que aos homens» (Act 5, 29).

2257. Toda a sociedade refere os seus juízos e a sua conduta a uma visão do homem e do seu destino. Fora das luzes do Evangelho sobre Deus e sobre o homem, as sociedades facilmente resvalam para o totalitarismo.
É pontual o serviço de assistência médica que deixa os enfermos à própria sorte?
E o Poder Judiciário, que leva anos para decidir uma causa...injustamente ?
A polícia chega horas depois (quando chega) e submete as vítimas a interrogatórios, suspeitas e outros constrangimentos ? Sim !
E as autoridades, que nem consideram os direitos a petição aos poderes públicos ? Afinal, a expressão do pensamento e do descontentamento é livre, mas ninguém se sente obrigado a ouvir e nem a tomar providências...
Isso é uma autoridade "pontual"?
Embora instituída por Deus, foi entregue ao diabo pelos homens.

Cristo está lá crucificado para nos mostrar como essas instituições foram desviadas para massacrar o Cristo presente no rosto do pobre, do desvalido, do doente, do abandonado, do sem-dinheiro.

Cristo também está presente lá para nos mostrar que temos que seguir a vontade de Deus e não sermos tão subservientes aos homens ( At 5 , 29 ).

Que a crucificação do nosso egoísmo, fonte de todos os males, nos impedirá de fazermos outras pessoas sofrerem.

Que temos que enxugar o rosto do Cristo sofredor,que agoniza nas filas e recebe o desprezo das autoridades.

Que temos que carregar a cruz, como o Cirineu, daqueles que fraquejam como também fraquejamos.

Isso me ensinou o Cristo crucificado na parede do meu quarto.

Sem saber, porém, esse frei ajuda na laicização da nossa sociedade.

Espera-se dele o contrário: catequisar, evangelizar, levar Cristo às pessoas, e não retirá-lo das vistas delas.

Retirar Cristo das vistas das pessoas é colocá-lo no sepulcro: Deus morreu !

Mas não para mim nem para você: porque Cristo é nossa vida !

O Estado é laico. Por isso, não espere misericórdia dele.

Não espere misericórdia de quem expulsa Cristo da sua vida.

O Estado também precisa ser cristianizado.

Sou contra a laicização.

Enquanto meus olhos não viam o Cristo crucificado, eu errava mais, era mais arrogante e egoísta.

Hoje, erro menos e acerto mais.

Porque o Cristo crucificado está diante dos meus olhos e dentro do meu coração em boa parte do tempo.

E, nesse tempo, é impossível pecar!

Mas é possível ser misericordioso e ser sensível ao sofrimento do próximo para poder socorrê-lo.

Se o crucifixo não estivesse por trás , mas à frente das autoridades, eles pecariam menos, também. Talvez até seriam mais misericordiosas e prestativas.

Mas o crucifixo está diante do povo atendido: está a oferecer-lhe esperança, ressurreição, solidariedade com seu sofrimento.

Porque o povo é o Corpo Místico de Cristo e sofre com Ele, por Ele e n'Ele.

E, se o Estado é laico, por que essa perseguição ao Cristo?

O Estado deveria ser indiferente, não contra a religião, cujo culto e cujas crenças estão sob a proteção da própria Lei, que é o sustentáculo do próprio Estado.
Se a maioria da população deste país é cristã (católica), por que se opor à maioria se o Estado Democrático diz que governa em nome do povo (deveria ser em nome de Deus) e respeita a vontade soberana da maioria da nação ?

Não foi o cristianismo que inspirou o respeito a tantos direitos fundamentais, que permeiam todos os ordenamentos jurídicos civilizados do ocidente?

Ou essa religião incomoda aos poderes do Estado, como incomodava ao sinédrio ?

Senhor promotor, pare de promover-se !

Vá promover a justiça : nesse campo, a messe é grande, os operários são poucos, não faltará trabalho...
Estude melhor as leis e a Constituição desta República para não passar vergonha.
Justifique os polpudos vencimentos que recebe para servir a este pobre povo injustiçado !

Crucifique sua vaidade, seu orgulho ! Junte-se a nós !

E quanto ao padre? Dou nota 10 abaixo de zero para esse frei.

A atitude dele não merece qualquer louvor.
Porque , para ele, Deus morreu!

E está sendo sepultado pelas autoridades, que manterão severa vigilância para que não haja uma ressurreição.

Para esse padre, só importa a teologia da libertação, as "comunidades", o ateísmo prático , o decálogo de Stalin (veja o "decálogo de Stalin" neste blog no marcador "totalitarismo" ) e os jogos de poder, que também contaminam as paróquias.
E não confundamos doutrina social e misericórdia pelos sofredores com marxismo , a doutrina que incita o ódio e joga as pessoas umas contra as outras.
Tornar Cristo conhecido, amado e seguido é uma ordem a ser cumprida pelo clero: "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura." (Mc 16, 15).
Não retiremos Cristo crucificado das vistas das pessoas ! O crucifixo é uma pregação viva ! Espalhemos mais dele por aí !

Que tal um retiro inaciano, padre, para perceber seus desvios de doutrina e de conduta, sua falta de discernimento das moções, suas afeições desordenadas a heresias, a crise de sua fé, a veneração pelos poderes prostituídos, a sua descrença na misericórdia e na atuação sobrenatural de Deus ?

Que tal ler um catecismo ? Medite-o bem ! Praticá-lo é ainda melhor !

Que tal parar com o mexe-mexe do ativismo e começar a rezar e a meditar um pouco ?

A passagem de Marta trabalhando e Maria de Betânia aos pés de Cristo lhe sugere algo ? Sabe quem ficou com a melhor parte ? Maria ! (Lc 10, 38-42).
Para esse padre, Deus não existe.

E, "se Deus não existe, tudo é permitido" (Dostoievski).

Sinto muito.

Assunto: FREI NOTA -10 (abaixo de zero).

“Símbolos Religiosos nas Repartições Públicas do Estado de SP”(Fonte: FOLHA de SÃO PAULO, de 09/08/2009)

“Sou Padre católico e concordo plenamente com o Ministério Público de São Paulo, por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas..
Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião.
A Cruz deve ser retirada!
Nunca gostei de ver a Cruz em tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são vendidas e compradas...
Não quero ver a Cruz nas Câmaras legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte...
Não quero ver a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados...
Não quero ver a Cruz em prontos-socorros e hospitais,onde pessoas (pobres) morrem sem atendimento...
É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa da desgraça dos pequenos e pobres.”
Frade Demetrius dos Santos Silva * São Paulo/ SP

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