sexta-feira, 8 de maio de 2009

Terço e a Ave-Maria.


REZAR O TERÇO PARA QUÊ?
O TERÇO – UMA ARMA De há muito tempo se diz que o terço é uma arma.
Por todo o lado entre os católicos se promove a reza do terço. Já o nosso saudoso João Paulo II dizia que o Terço era a sua oração favorita. No entanto há alguns que perguntam ainda:
“Rezar o terço para quê?”
E queixam-se de que é uma reza demorada, monótona, que retira a concentração. Dizem que o terço é para os velhos, para os pouco inteligentes, para os pouco instruídos… Vejamos então como é construída esta arma. O terço, chama-se assim porque é a terça parte do Rosário.
Há muitos anos se convencionou que o Rosário constava de três partes, correspondentes aos Mistérios Gozosos, Dolorosos e Gloriosos da vida de Cristo. Recentemente, o Papa João Paulo II acrescentou a estes os Mistério Luminosos para serem rezados às 5ªs feiras especificamente. Não aumentou o Rosário com estes mistérios. O rosário continua a ser composto de três partes, que são três terços. Se fossem quatro, já não se chamaria terço, mas a quarta parte do Rosário. Isto se tornaria bastante confuso. Mas quem quiser rezar os quatro conjuntos de mistérios, isto é os quatro terços, também não será impedido de o fazer. Tudo depende da devoção particular de cada um.
Cada Terço é composto por 50 Avé-Maria e 5 Pai-Nosso. Acrescenta-se no fim mais 3 Avé-Maria e uma Salvé Rainha pelo Santo Padre ou por alguma intenção particular. O Pai-Nosso não carece de explicação porque todos sabem que foi ditado por Jesus, que disse “Rezai assim…” ( Mat 6, 9-13) Cada Ave-Maria é composta por duas partes. A primeira, são as benditas palavras que o Santo Anjo dirigiu a Maria, a humilde jovenzinha de Nazaré, quando a convidou, da parte de Deus para ser Mãe do Seu Filho.
A segunda parte foi acrescentada pelo Papa, que assim rezava pelas ruas com o povo, quando em Concilio se discutia o fato de Maria ser ou não Mãe de Deus. E venceu Maria. E estava composta a Ave Maria, nosso cântico de guerra. São palavras maravilhosas, as quais nunca meditaremos o suficiente para alcançarmos a beleza dessa declaração de Amor, única em toda a História Sagrada: “Avé Maria cheia de graça, o Senhor é contigo”. São palavras de Deus pela boca do Arcanjo S. Gabriel, seu embaixador junto da noiva mais pura e mais sagrada que já existiu. É uma honra para nós poder repeti-las. Com que unção o Arcanjo as terá dito… e quão distraidamente as dizemos nós!
Comecemos por meditar o que quer dizer a saudação “Ave”. Esta era nesse tempo a saudação dos grandes imperadores. Não se saudava assim qualquer pessoa do povo. Esta primeira palavra já nos fala da grandeza da pessoa a quem é dirigida. Deus quis saudar Maria com a forma máxima de saudação sobre a terra. Ao dizermos Ave Maria sabemos que estamos saudando Maria da mesma forma com que o próprio Deus a saudou, pela boca do seu embaixador, a estamos tratando com o maior respeito possível na terra, como a criatura que está no Céu imediatamente abaixo de Deus. Tenho lido alguns significados para o nome próprio “Maria”, entre eles o de “Senhora” e o de “Rainha”. Pessoalmente gosto muito deste significado. Vejamos o que dizemos quando rezamos “Ave Maria”. Estamos dizendo “Ave Rainha” , “ave”, a mais alta saudação e “Rainha”, exatamente o que Ela é. Só esta ideia já abre um mundo de maravilha perante os nossos olhos. Só isto já deveria bastar para vermos o valor desta pequena oração que rezamos tão distraidamente, muitas vezes só por obrigação, lá para o fim do dia, só para não dizermos que passamos o dia sem rezar o terço.
Falta muito amor nos nossos corações distraídos com as coisas do mundo… falta muito amor nos nossos corações distraídos no meio do seu egoísmo… Falta amor e não conseguimos entender até ao fim, que esta Rainha que saudamos é a nossa Mãe… Mãe desejosa de nos dar tudo o que assim lhe pedirmos.
Ao dizermos “Ave Maria” certamente Ela nos olha com amor, se inclina para nós e nos pergunta “Que queres?” Cabe-nos dar a resposta. E que resposta damos? Umas palavras rápidas, para o terço acabar depressa. E nem reparamos no que estamos a pedir… Nem reparamos a arma que estamos a manejar, a “arma” daquela que é “bela como a lua, brilhante como o sol e temível como um exército em ordem de batalha”(Can 6, 10). Sim, Ela entrará na batalha conosco, sempre que lho pedirmos com as palavras da Ave Maria! E nessa batalha, com essa “arma” Ela nos dará a vitória.

Seguidamente dizemos como o Arcanjo: “cheia de graça”. É a continuação da saudação que Deus lhe fez. São as palavras mais belas que alguma vez Ele dirigiu a alguma criatura. Quem pode ser “cheio de graça” diante de Deus? Ele é o Autor e toda a graça. Ele a dá a quem a quer, sempre na medida das limitações de cada um de nós. Mas não há ninguém entre nós que possa considerar-se cheio de graça, porque temos sempre em nós tantas coisas e coisinhas, tantos problemas, preocupações, desejos, anseios, medos, amores e desamores, ilusões e desilusões, tantos projetos, tantos quereres, que a graça encontra em nós sempre um espaço bastante limitado.
Estar em graça, a nossos olhos apenas é estar no agrado de Deus, estar sem pecado mortal. Mas a graça é muito mais abrangente, porque todo o pecado, mesmo pequeno, mesmo pequeníssimo, qualquer imperfeição, mesmo involuntária, empana e graça de Deus em nós. Por isso, nós podemos viver em graça, mas nunca estar cheios de graça, porque a nossa natureza pecadora nos faz cair muitas vezes até involuntariamente.
Devemos procurar, sim, aumentar em nós a pureza de consciência, a pureza de coração, a disponibilidade para a aceitação da Vontade de Deus, para que aumente em nós a capacidade para a graça e ela nos invada, cada vez em maiores caudais. Enquanto formos vivos sempre poderemos aumentar em graça, mas nunca atingiremos a capacidade de Maria. A graça é uma riqueza tão grande que se a entendêssemos, batalharíamos mais pela perfeição, para alcançar mais alguns graus desse tesouro.
Com Maria isso não aconteceu, porque Ela foi já concebida cheia de graça. A graça estava com Ela totalmente, por causa da alta missão a Deus a chamava. Foi a única exceção que Ele fez, desde que Adão pecou e deitou fora a graça de Deus.
A graça é a vida de Deus numa alma, mais perfeitamente quanto mais essa alma adere a Ele. E Maria sempre aderiu a Deus com a totalidade do seu ser, sem ter outros projetos, outros desejos, senão os do seu Senhor. A Santidade de Deus a impregnava de tal maneira que a atravessava com um Sol através de um cristal tão puro que mal se vêem os seus contornos debaixo da luz. Nunca houve nela sentimento diferente ou discordante, a menor hesitação ou imperfeição. A beleza da Santidade de Deus brilha nela de tal forma que nos ofuscaria se a víssemos.
Chamar-lhe “cheia de graça” é chamar-lhe o nome mais belo, o nome pelo qual o Pai mandou ao Arcanjo que a chamasse, o nome de amor, pelo qual Ela sempre responde “sim” O Arcanjo continuou dizendo “O Senhor está contigo”. O Senhor já tinha estado com algumas pessoas no decurso da História Sagrada. Esteve com os profetas, esteve com Abraão, com Moisés, esteve também com alguns guerreiros, com alguns reis, enquanto eles foram fiéis. Mas com nenhum deles esteve com a plenitude com que sempre esteve com Maria. Repetir-lhe estas palavras do Santo Arcanjo, palavras que são para Ela a declaração de Amor do Pai, é dar-lhe grande alegria e declararmos também o nosso amor por Ela. Atualmente dizemos “o Senhor é convosco”, que vem a ser o mesmo.
Por estas palavras lhe recordamos o poder que tem junto de Deus, porque se Deus está com Ela também lhe dá o poder de realizar o que lhe pedimos. Seguindo esta oração, continuamos com os louvores que lhe dirigiu Isabel quando Maria a visitou. “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”.
Com estas palavras continuamos também a louvá-la, e agora a dizer-lhe com as palavras de Isabel que a achamos superior a qualquer mulher que já tenha existido sobre a terra ou que venha a existir. E bendita porquê? Bendita por ser cheia de graça, bendita por o Senhor estar com Ela, bendita por ser mulher de fé, bendita por ter dito sim, bendita por ser Mãe de Jesus, bendita por todas as perfeições da sua alma santa, impregnada da Santidade de Deus. Por isso Ele é bendita entre todas! Nunca nenhuma criatura por mais santa poderá minimamente chegar à Santidade de Maria.
Também aqui Isabel e nós bendizemos o Fruto do ventre de Maria. Por isso, nesta singela oração, que muitos pensam ser exclusivamente dirigida a Maria, estamos também a rezar a Jesus. Nesta oração se faz a união dos Corações de Jesus e de Maria, porque é dirigida aos dois.
Explicitamente dizemos: “e bendito é o fruto do vosso ventre Jesus”. A palavra “Jesus”, ergue-se como um ostensório na ave Maria e marca o meio, o centro da oração, o ponto de força desta arma invencível. Cada Ave Maria é, por isso um ato de adoração a Jesus. Quantos atos de adoração poderemos fazer ao longo do dia com esta simples oração, manejando assim uma arma de longo alcance, tão longo, quão longo é o alcance do poder de Jesus.
Depois de subirmos por Maria até Jesus, pela Ave Maria, eis que agora, na segunda parte desta oração, parte que foi formada pela Igreja, nós vamos descendo até à nossa humilde posição de pecadores que tudo esperam agora, mas principalmente na hora tremenda da morte, hora em que se decide o destino eterno de cada um de nós. E dizemos: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte”.
Agora, porque precisamos de auxílio a cada instante para nos conservarmos fiéis ao nosso Deus. Agora, porque as pressões externas nos apertam por todos os lados, porque as doenças nos afligem, porque a família nos preocupa, porque os problemas mundiais nos assustam, porque as tentações nos cercam, porque somos fracos, limitados e muito dirigidos por interesses pessoais até nas coisas de piedade.
Agora precisamos de auxílio, para que não fujamos da luta. Agora precisamos de aumentar em graça, precisamos de saber como proceder, como fugir do mal tão insidioso e que tão bem se sabe disfarçar. Agora precisamos de abrir bem os olhos para as realidades e não tapar a sujidade das nossas almas com panos de renda. Agora precisamos de preparar os nossos filhos para a luta. Agora precisamos fundamentalmente de rezar!...
Por tudo isto e por vários outros problemas, precisamos do auxílio de nossa Santa Mãe e Mãe de Deus, porque é agora que estamos na terra a preparar a nossa entrada na eternidade. Na hora da nossa morte precisamos ainda mais de auxílio, porque nessa altura talvez já não tenhamos lucidez mental para rezar. Nessa hora as forças infernais lançam os últimos ataques, para nos levar a dúvidas, para nos levar à revolta contra a Vontade e Deus e para nos levar à não aceitação da morte e consequentemente ao desespero e perdição eterna. Por isso cada Ave Maria nos prepara para a luta final.
Como a rezarmos agora, tal o auxílio que receberemos então. Cada Ave Maria são golpes de arma lançados sobre o inimigo na hora da nossa morte, quando talvez já não tenhamos força para rezar. Por isso terminamos com apalavra “amém”, que significa “assim seja” e quer dizer do nosso desejo de que se realize o que pedimos. A Ave Maria é pois uma arma, e o Terço é com muita razão chamado arma, porque é composto pela repetição da arma da Avé Maria. Por isso se pode dizer que o Terço é uma arma de repetição, uma “metralhadora” muito evoluída. Não existem barreiras que ela não derrube, nem exércitos do mal que ela não vença.
Esta arma mata as tentações que nos assediam, mata inúmeros problemas nas nossas vidas, mata as nossas imperfeições, mata a sujidade nas nossas almas, mata o avanço do mal no mundo e mata as dificuldades que teremos nos momentos finais, quando for a hora da nossa morte. Por tudo isto a arma do terço, a arma da Ave Maria, deve ser por nós manejada com perícia de soldados que são filhos daquela Rainha que vence, da Rainha que por fim esmagará a cabeça do dragão que quer devorar os seus filhos.
A Ave Maria é a nossa oração, a oração por excelência, a oração dos filhos de Maria, a oração que torna invencíveis os filhos da Rainha do Céu.

Gadget

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

Pesquisar: