sexta-feira, 8 de maio de 2009

RCC:cuidado!

CARISMÁTICOS - ENGANO À PIEDADE


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Salve Maria!

Ainda recebo alguns recados no Orkut, de 'carismáticos' buscando defender a todo custo seu movimento e usando argumentos 'legalistas' na sua defesa. Visando esclarecer melhor a estes carismáticos, publico abaixo o estudo "OS CARISMÁTICOS - ENGANO À PIEDADE", tradução minha encontrada no site http://www.cristiandadfm.com/documentos/desmitif-carismaticos.htm. Espero que o mesmo sirva para esclarecer os menos informados do engodo que é o Movimento Carismático (recomendo também a leitura do artigo "MANIPULAÇÕES PSÍQUICAS DO MOVIMENTO CARISMÁTICO", encontrado também neste blog).


OS CARISMÁTICOS – ENGANO À PIEDADE

(do original: LOS CARISMÁTICOS – ENGAÑO A LA PIEDAD)
TRADUÇÃO DE JORGE LUIS
O Pentecostalismo é uma heresia que conseguiu infiltrar-se na Igreja com o fim de debilitá-la desde o seu interior. Anda de mãos dadas com o Modernismo, e também o reforça; os dois movimentos procedem da mesma maneira e se apóiam reciprocamente neste trabalho de demolição. Ora, se o Modernismo intenta destruir a Igreja quanto à doutrina, o pentecostalismo o faz quanto ao culto. Ambos se disfarçam com pele de ovelha; por isso sua terminologia é muito similar à católica. Com palavras piedosas e seu proceder externo podem enganar inclusive a pessoas mais cautas, e por isso é preciso esquadrinhar sob esta roupagem; para desmascarar os lobos que se escondem em seu interior.

O pentecostalismo é um movimento subversivo controlado e cuidadosamente dirigido pelos inimigos ocultos da Igreja com o fim de chegar à sua ruína total. Promete a seus adeptos a plena experiência do Espírito Santo que tiveram os Apóstolos no dia de Pentecostes, junto com alguns dos dons externos que receberam, especialmente os de língua, curas e profecia.

A esta extraordinária experiência chamam Batismo do Espírito, que dizem transmitir e receber com a imposição das mãos, ao estilo de outros ritos de nossa Santa Madre Igreja.

Os adjetivos ‘pentecostal’ e ‘carismático’ indicam perfeitamente o caráter deste movimento: pentecostal se refere à plenitude do Espírito Santo recebido no primeiro Domingo de Pentecostes, enquanto carismático alude aos carismas, ou dons extraordinários que acompanharam ao dom do Espírito Santo naquele dia.

A partir desta terminologia é que muitas pessoas se enganam, porque entendem que o movimento pretende simplesmente oferecer preces especiais e intensificar a devoção à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade; se estes fins e os efeitos conseqüentes fossem verdadeiros, superariam bastante os produzidos pelos sete Sacramentos instituídos por Jesus Cristo.

Mas isto não é assim; as pretensões deste movimento seguem outros caminhos, como veremos, pelo qual o Movimento Carismático e a Igreja Católica não podem estar de acordo. Como demonstraremos neste trabalho, se a Igreja é verdadeira então o pentecostalismo é falso, e o contrário, se o pentecostalismo é verdadeiro, a Igreja Católica é falsa; mas como a Igreja Una, Santa, Católica, Apostólica e Romana não pode ser falsa, se segue que o pentecostalismo é falso e deve ser rejeitado, não somente como um movimento eclesial mas como uma espécie de seita, de pseudo-religião, que – lamentavelmente – está infiltrada no próprio seio da Esposa de Cristo.

É mister examinar o movimento por distintos pontos de vista; ao fazer-lo, será impossível evitar repetições que, sem embargo, nos ajudarão a ter uma idéia mais completa possível deste movimento que toca os próprios fundamentos da piedade cristã.


UMA CONSTRUÇÃO SOBRE AREIAS MOVEDIÇAS

Doutrinariamente, o movimento está construído sobre areias movediças. Com efeito, qualquer um que queira analisá-lo à luz do ensinamento infalível da Igreja e de sua Tradição autêntica, se encontraria frente a algo inalcançável.

O movimento afirma fundar-se na experiência pessoal e encontrar-se sob a inspiração direta do Espírito Santo, coisas que ninguém pode controlar, e que os adeptos desta organização se ocupam de torná-las indemonstráveis, a partir de considerar essa inspiração e essas experiências como inquestionáveis, pelo mesmo fato de afirmá-las, transmiti-las e difundi-las. Ademais, como dizem os carismáticos, um movimento tão pleno de vida não pode definir-se e conter-se nos limites de fórmulas doutrinais; daí se segue que o Movimento Carismático não possui uma doutrina sólida, mas somente vagas afirmações, referências inconsistentes ao Novo Testamento, e formulações temporárias. Em suma é uma sombra evanescente

Seus líderes mesmo o admitem. “Orientações teológicas e pastorais sobre a Renovação Carismática Católica” é um dos documentos mais importantes do movimento. Foi preparado em Malinas, Bélgica, de 21 a 26 de maio de 1974 por alguns ‘experts’ internacionais, sob a guia do Cardeal León Suenens, que – como nos informa o documento – ‘teve parte na discussão e formulação do texto’ (Prefácio). Também se diz que ‘o documento não é exaustivo e se requerem ulteriores estudos (...) esta afirmação representa uma das idéias mais repetidas (...) o texto se apresenta como uma tentativa de resposta às principais perguntas que suscita o movimento carismático’ (Prefácio). Em outras palavras, os autores não sabem o que eles são: ‘cegos guiando cegos’. (Mt 15,14)

Quando passamos ao texto, nos deparamos com uma infinidade de afirmações vagas, meias afirmações, tentativas de respostas e opiniões. A duras penas se fazem algumas distinções; sem embargo as distinções são justamente a base e a fonte de qualquer argumento teológico; sem elas é impossível distinguir o verdadeiro do falso, ou a mera opinião, ou uma hipótese, da doutrina segura.

Tome-se como exemplo a passagem da página 21 entitulada: “A experiência religiosa pertence ao Testemunho do Novo Testamento”, onde se afirma:

“A experiência do Espírito Santo é a contra-senha de um cristão e, em parte, com ela os primeiros cristãos se distinguiam dos não-cristãos. Se consideravam representantes, não de uma nova doutrina, mas de uma nova realidade: o Espírito Santo. Este Espírito era um fato vital, concreto, que não podiam negar sem negar que eram cristãos. O Espírito lhes fora infundido e o haviam experimentado individual e comunitariamente como uma nova realidade. A experiência religiosa, é preciso admitir, pertence ao testemunho do Novo Testamento: se se quita esta dimensão da vida da Igreja, se empobrece a Igreja.”

Seria difícil juntar em um parágrafo tantas verdades, falsidades e meias verdades.

O texto é escorregadio, soa como algo piedoso e, para o ignorante, também convincente; mas na realidade é falso.

É falsa a afirmação de que ‘os primeiros cristãos se consideravam representantes não de uma nova doutrina, mas de uma nova realidade: o Espírito Santo.’ A verdade é que Cristo enviou os Apóstolos a ensinar a todas as gentes. Pois bem, ensinar é, antes de tudo e sobretudo, aceitar e transmitir uma doutrina; a experimentação é algo muito subjetivo e por isso mesmo sujeita a ilusões ou falsas sensações.

A ‘tese da experiência e da Fé’ é a tese de Lutero, não de Cristo, que veio ‘dar testemunho da Verdade’ (Jo 18,37) e que nos ensinou uma doutrina bem definida a respeito do Pai, de Si mesmo e do Espírito Santo; de sua Igreja, dos Sacramentos, etc. Ele exigia que seu ensinamento fosse aceito com fé, ‘o que crê e for batizado, será salvo; mas o que não crê, será condenado’ (Mc 16,16)

São Paulo escreveu com duras reprovações aos Gálatas (1,8) porque se desviaram de seu primitivo ensinamento e lhes dizia que se ele mesmo ou um anjo lhes ensinasse uma doutrina diferente da que lhe havia ensinado no início, devia ser considerado anátema. Os Apóstolos e os primeiros cristãos estavam muito interessados na doutrina, e muito pouco no sentimento e na experiência.

O resto do parágrafo e todo o capítulo que trata de Fé e experiência são uma obra prima da confusão. Tome-se por exemplo esta passagem: ‘o Espírito Santo foi infundido sobre eles e foi experimentado por eles individual e comunitariamente como uma nova realidade.’ Isto implicaria, ainda que os autores cuidem de não comprometer-se com uma afirmação categórica, que todos os cristãos da era apostólica receberam a efusão do Espírito Santo e tiveram a mesma experiência que os Apóstolos no dia de Pentecostes, com os mesmos fenômenos místicos e milagres. Mas isto é falso: não há nada no Novo Testamento, nos escritos dos Padres, ou no ensinamento oficial da Igreja, que nos diga que sucedeu-se assim.

O Novo Testamento, é verdade, narra casos particulares nos quais o Espírito Santo desceu de maneira extraordinária sobre alguns dos novos cristãos, mas foram casos raros e isolados. Inclusive no primeiro dia quando foram batizadas três mil pessoas (At 2,41-47), os primeiros convertidos da Igreja, não há indícios de que se produzira algum milagre entre eles, mas apenas a conversão. Tem mais; estavam atemorizados porque viam os Apóstolos realizar prodígios e milagres; e se tinham temor é porque essas maravilhas não eram comuns e somente realizadas pelos Apóstolos.

Ademais as palavras sobreditas confundem duas coisas distintas: a íntima paz e alegria, que são próprias de um verdadeiro cristão (paz e alegria que superam todo sentido e compreensão humana e que nada pode arrebatá-la), com a experiência extraordinária e mística, com carismas maravilhosos, concedida aos Apóstolos no dia de Pentecostes e a algumas almas privilegiadas ao longo dos séculos.

Ocasionalmente Deus concede tais dons divinos aos filhos dos homens, mas de nenhum modo se devem ao homem, nem são prometidos a todo cristão, nem são necessários para santificar-se.


ANTECEDENTES E ORIGENS DO PENTECOSTALISMO

Hoje em dia a Igreja está sendo criticada tacitamente em muitos de seus autênticos ensinamentos, sobre a base do que as pessoas crêem serem ‘novas’ intuições e ‘novas’ doutrinas. Na realidade não são novas, mas simplesmente velhos erros revestidos com novas roupas, novas somente para aqueles (e são legiões) que esqueceram o conhecimento do passado. O Antigo Testamento afirma que ‘não há nada novo sob o sol’ (Ecl 1,9). Nada, nem sequer o pentecostalismo.

Seria interessante esboçar a origem, o desenvolvimento e o caráter das heresias que desenvolveram estes novos movimentos, mas isto nos levaria muito tempo. Sem embargo, há uma coisa comum a todas elas: seus fundadores e seguidores sustentam ter intuições sob o ensino e inspiração do Espírito Santo.

No tempo de São Paulo havia hordas de falsos profetas, que roubavam afirmando falar sob a inspiração ou em nome do Espírito Santo e perturbavam as comunidades cristãs de recente fundação. Depois vieram os gnósticos e foram os primeiros hereges oficiais; se relacionavam com os Apóstolos, e são João escreveu seu Evangelho para por em alerta aos cristãos contra suas falsas doutrinas.

Um tipo particular de pentecostalismo apareceu no séc. II; fundado por um tal Montano, que afirmava falar sob a inspiração do Espírito Santo. Ele e seus seguidores sustentavam possuir a plenitude do Espírito Santo e seus carismas; em particular, afirmavam possuir, com seus êmulos modernos, o dom de curas, de profecia e de línguas. Seus seguidores foram inúmeros, o mesmo que hoje são inúmeras as vítimas do pentecostalismo; e também como hoje, entre suas vítimas haviam algumas situadas em postos altos da Igreja e com capacidades intelectuais pouco comuns. O mesmo Tertuliano, que escreveu brilhantemente sobre a Igreja Católica e a defendeu contra seus inimigos, finalmente caiu vítima do montanismo, se separou do Papa e fundou sua própria seita.

Os séculos XII e XIII conheceram muitidões de ativos puritanos que se jactavam de ter uma especial iluminação do Espírito Santo; como os modernos pentecostais, viajavam sem parar de um lugar para outro, pregando seu próprio evangelho. Alguns sobrevivem hoje, outros não deixaram seguidores; poderíamos citar os albigenses, valdenses, cátaros, os pobres de Lyon, etc. Todos fundamentaram suas crenças e práticas estranhas em sua interpretação particular, distorcida e separada do Magistério, das Sagradas Escrituras, e tentaram menosprezar e destruir no que fosse possível a Igreja Católica.

Mas foi Lutero quem conseguiu arrebatar a Igrejas nacionais inteiras. Lutero, um sacerdote católico desviado, sustentava que ele e seus seguidores possuíam “a plenitude do Espírito Santo”, uma vez que a negavam dos bispos, dos Papas e inclusive como sustento e iluminação dos Concílios Ecumênicos. Daí que o protestantismo, por sua mesma natureza, chegou a ser o berço e terreno de cultivo do moderno pentecostalismo.

O movimento carismático moderno ou pentecostal, de fato, nasceu do Protestantismo na Carolina do Norte (EUA); a época oficial de nascimento foi o ano de 1892; seus fundadores foram o Rev. R. G. Spurling e o Rev. W. F. Bryant, o primeiro era pastor batista, o segundo pastor metodista. O movimento foi bem recebido por outras comunidades protestantes contemporâneas a eles.

Estes pentecostais afirmavam possuir a mesma plenitude do Espírito Santo que os Apóstolos receberam no dia de Pentecostes, junto com alguns carismas também outorgados aos Apóstolos nessa ocasião; em particular os dons de profecia, curas e línguas. Como o resto de seus irmãos protestantes, afirmavam que o Espírito Santo intervém diretamente na interpretação pessoal da Sagrada Escritura. Rechaçavam também todos os dogmas, porque sustentavam que o Espírito Santo inspira diretamente aos fiéis no que é necessário crer para sua salvação; daí que no movimento não havia lugar para nenhum tipo de magistério, porque a piedade cristã era vivida de forma pessoal, sem guias hierarquizados mas de maneira entusiástica, inclusive com emotividade e exaltação extremas.

Era esperado que um movimento deste gênero se transformasse em um caos. Isto deveria abrir-lhes os olhos e fazê-los mudar de caminho, pois o Espírito Santo não produz o caos; em vez disso, os pentecostais protestantes explicaram o fenômeno dizendo que a confusão era inevitável em um movimento vivo e em expansão. Uma observada nos organismos vivos ao nosso redor lhes ensinaria que a vida sã se desenvolve harmoniosamente e produz coisas boas, enquanto a vida que se desenvolve caoticamente não pode produzir mais que monstros e abortos da natureza.

A Igreja Católica julgou o movimento pelo que era, e no segundo Concílio Plenário de Baltimore (EUA) os bispos católicos puseram em alerta os fiéis para não prestar-lhe nenhum tipo de adesão. Proibiram aos católicos inclusive de estarem presentes, ainda que por mera curiosidade, nos chamados encontros de oração.

A Igreja, sem embargo, não conheceu um movimento assim em seu interior por séculos, e os católicos se livraram do contágio até 1966, quando chegou à Igreja por meio de dois leigos, ambos professores de Teologia na Universidade de Duquesne, Pittsburgh, Pennsylvania (EUA). Se chamavam Ralph Keifer e Patrick Bourgeois; eles leram, releram e discutiram dois livros sobre o movimento pentecostal protestante: “A Cruz e o Punhal”, do pastor Wikerson e “Eles Falam em Línguas”, do jornalista J. Sherill.

Em seu desejo de reacender a chama da Fé nos estudantes universitários, pensaram erroneamente que Deus tinha posto em suas mãos um meio providencial. Em sua luta contra a apatia e a descrença dos universitários, tinham necessidade daquele poder que criam que Wikerson possuía.

Estudaram e reestudaram durante dois meses seguidos; logo releram algumas passagens da Carta de São Paulo aos Coríntios (1 Cor 12) e dos Atos dos Apóstolos, que serviram como base teológica ao movimento, e por fim se dirigiram a um grupo de oração pentecostal protestante para receber... o Batismo do Espírito.

E assim foi como em 13 de janeiro de 1967, em um encontro de oração, se impôs as mãos em Ralph Keifer e em Patrick Bourgeois, que receberam o Batismo do Espírito junto com o exaltante dom de ‘orar em línguas’. Seu entusiasmo se inflamou; convenceram aos estudantes a provar da mesma experiência, e no encontro de oração seguinte o mesmo Keifer impôs as mãos sobre alguns estudantes, que subitamente receberam o Batismo do Espírito com vários ‘dons extraordinários’.

Desde então o movimento se difundiu amplamente em toda a Igreja Católica. Tem ganhado seguidores inclusive entre Cardeais e Bispos, e naturalmente atrai, como uma irresistível calamidade, a milhares de religiosas, desejosas de experimentar o que crêem ser as emoções do primeiro Pentecostes.

Mas é necessário destacar ainda uma vez mais que não existe um movimento carismático ‘católico’. O movimento não é católico, mas protestante. Não nasceu na Igreja Católica, mas foi importado a ela a partir das seitas pentecostais protestantes, nas quais nasceu.

É protestante até a sua medula; é filho da heresia; considerá-lo católico seria dizer que pode haver um autêntico movimento carismático católico e protestante, como se o Espírito Santo pudesse assumir diversas formas obrando na Igreja Católica ou nas diversas seitas protestantes.

Ainda que durante dois mil anos a Igreja não tenha conhecido nenhum Batismo do Espírito, e ainda que o movimento provenha da heresia, o fenômeno se estendeu como um incêndio. Como pode acontecer uma coisa assim?

A resposta, pensamos, antes de mais nada é esta: o movimento carismático promete uma conversão imediata e uma santidade imediata. Além disso é permissivo especialmente a partir do ponto de vista moral. Quem renunciaria a tão preciosos dons a um preço tão baixo?

Para os que apresentam objeções, têm uma resposta pronta e aparentemente convincente: “por que põem objeções? Acaso não vê que muitos sacerdotes, bispos e inclusive cardeais e o Papa respaldam o movimento? É claro que não há nenhum mal nele.” É evidente que o engano diabólico no movimento carismático ofusca a massa de superficiais que vão em busca de clamoroso êxito e de resultados imediatos, esquecendo que o caminho da santidade autêntica e do apostolado eficaz e duradouro é feito de de abnegação, silêncio, mortificação, humilhação, e também de aparentes fracassos: “Se o grão de trigo não cai na terra e não morre, não produz fruto.” (Jo 12,24)

Deve-se advertir que se entre os seculares e em algumas religiosas se pode presumir a ‘boa fé’, não é assim nos eclesiásticos que estão em situação de compreender esta diabólica fraude. Algum deles são demolidores da Igreja Católica conhecidos demais para não se suspeitar outra de suas manobras de destruição.

O caso do reconhecimento pontifício está relacionado com a boa disposição que existe atualmente para reconhecer os movimentos. Mas devemos esclarecer que ao momento de solicitar a aprovação podem apresentar-se postulados “para ser aprovados” e logo no quadro da atual desobediência que reina na Igreja fazer o que quiserem.

Isto é fácil de comprovar ao conhecer alguns postulados que, como veremos nos próximos capítulos, são insultantes para com Deus, para com os Santos e para com a Igreja. O Papa jamais aprovaria um movimento que tenha entre suas práticas “perdoar a Deus” como os Carismáticos. Nunca jamais o sucessor de Pedro aprovou nem aprovará estas coisas.

Alguns pensam que o próprio sucesso do movimento fala a seu favor; sustentar isto seria um grave erro; a história ensina que todos os movimentos heréticos, particularmente em seus inícios, receberam o respaldo entusiasta de muitíssimos cristãos, inclusive nas ‘alturas’ da hierarquia católica.

Aqui é necessário esclarecer que criticar o Movimento Carismático não é estar contra o Espírito Santo. Como poderia ser assim? O Espírito Santo é a mesma alma da Igreja, o próprio princípio de sua vida sobrenatural.

Se fosse possível demonstrar que procede do Espírito Santo, o Movimento Carismático teria direito a que todos o apoiassem; mas se não é assim, então estamos obrigados a combatê-lo até sua destruição, porque só dois podem ser as fontes de sua existência: Deus ou Satanás.

Se vem de Deus, todos nós devemos aderir a ele; se vem de Satanás, todos nós devemos combatê-lo.

Agora bem; quando se examina o movimento à luz da sã Teologia, a conclusão inevitável é que o pentecostalismo e portanto o Movimento Carismático, ainda que se autoproclame católico não vem do Espírito Santo (e portanto vem de Satanás).



PRETENSOS FUNDAMENTOS ESCRITURÍSTICOS

1) O Movimento busca sua justificação sobretudo nos capítulos de 12 a 14 da primeira carta de São Paulo aos Coríntios. Mas a semelhança entre o movimento carismático – pentecostal e o que aconteceu em Corinto é apenas superficial; os dois fenômenos concordam unicamente em que ambos pretendiam receber do Espírito Santo alguns carismas, como o dom de línguas, curas e de profecia. Diferem no resto.

a) Ao contrário do movimento carismático – pentecostal, em Corinto não houve Batismo no Espírito, não houve imposição das mãos, não houve tentativas de organizar encontros de oração ou retiros com a intenção de se distribuir o Espírito Santo;

b) Das cartas de São Paulo se deduz com evidência que o fenômeno não estava generalizado entre a Igreja apostólica, mas que estava limitado a Corinto, e que em seguida se comprovaram muitos abusos. Por outra parte, não houve nenhum intento por parte de São Paulo ou de outro Apóstolo ou discípulo de difundi-lo em outros lugares, com o fim de sustentar a piedade dos fiéis. Por fim, os impropérios de São Paulo tiveram o efeito de uma ducha de água fria sobre o movimento, que de repente desapareceu e não se ouviu falar dele na Igreja até 1966. Os pentecostais modernos, por sua parte, não economizam esforços para difundir o movimento em todo o mundo.

c) Em Corinto os católicos falavam “línguas estranhas”, ao contrário dos pentecostais que emitem “sons estranhos” [sussurros].

Eram verdadeiras línguas, ainda que desconhecidas aos presentes. Isto é evidente pela “unânime interpretação dos Padres da Igreja” e inclusive pelas repetidas reprovações do próprio São Paulo: “Há no mundo grande quantidade de línguas e todas são compreensíveis. Porém, se desconhecer o sentido das palavras, serei um estrangeiro para quem me fala e ele será também um estrangeiro para mim". (1Cor 14,10-11)

Afinal, o mesmo São Paulo diz possuir o dom e que o possui com mais plenitude que eles (1Cor 14,19). E assim era justo que fosse, pois devia pregar o Evangelho a diversos povos. Como poderia aprender tantas línguas tão rapidamente? Deus, para tanto, obrou nele o mesmo milagre que havia obrado nos outros Apóstolos no dia de Pentecostes.

Pelo contrário, os pentecostais – carismáticos emitem sons ininteligíveis (sussurros), e o balbuciar não pode ser linguagem da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, que é Espírito de grande Sabedoria e Verdade.

d) Os pentecostais não levam em conta os conselhos de São Paulo, e portanto se tornam inábeis para receber o Espírito Santo.

De fato, São Paulo, ainda que não proíba aos Coríntios profetizar e falar em línguas, repete insistentemente que o dom de línguas é o menos importante entre os carismas, e que não deve buscar-se ansiosamente. Quando se apresenta o caso autêntico de uma pessoa que fala em línguas, deve fazê-lo com discrição e de maneira decorosa, e enquanto não houver nada que se compreenda ou nenhum intérprete presente, deve calar-se.

São Paulo põe em evidência que o fiel deveria ambicionar não estes dons, mas as grandes virtudes da Fé, da Esperança e da Caridade. Conclui dizendo que “as mulheres devem se calar na assembléia”, porque não lhes é permitido falar, mas que devem estar sujeitas, como diz também a Lei, porque “é indecoroso para uma mulher falar na assembléia” (1Cor 14,34-35)

Os pentecostais, sem embargo, fundando-se insistentemente na Epístola de São Paulo, não levam em conta os conselhos e as normas prescritas em nome de Deus, tornando-se assim inábeis para receber o Espírito Santo e seus dons. De fato, aspiram ao dom de línguas e o consideram como a prova irrefutável da efusão do Espírito Santo. As mulheres, pois, não só falam na igreja, mas são as mais ativas em organizar encontros de oração carismática, em profetizar, em ver sinais do Espírito Santo, em realizar curas (de sua natureza e de sua causa se falará a seguir) e em impor as mãos em todos.

Distantes de escutar as palavras de São Paulo, os líderes do movimento fazem todos os esforços para atrair as mulheres; eles intentam justificar sua aberta desobediência à palavra de Deus afirmando que a proibição de São Paulo de permitir às mulheres falar na Igreja foi sugerida por causa das limitações impostas pela cultura que viviam. Hoje a cultura mudou radicalmente, e assim, pretendem eles, o mandato de São Paulo não é atual; como de costume; os pentecostais carismáticos tergiversam e manipulam a Sagrada Escritura para adaptá-la a seus próprios fins.

A verdade é que no mundo pagão, nos tempos de São Paulo, haviam muitas mulheres que pretendiam profetizar e falar em nome dos deuses. Mas São Paulo não tem em conta os costumes e hábitos culturais, mas que apela à Lei de Deus: “como diz a Lei” (ibidem).

Qual pode ser, então, o verdadeiro motivo, ainda que oculto e inconfessável, de todos os esforços para persuadir às mulheres de que venham a aderir ao movimento? Cremos que acontece porque se acautelam de que, por sua natureza emotiva, as mulheres podem ser manejadas mais facilmente que os homens para ‘crerem-se’ movidas pelo Espírito Santo.

2) Os pentecostais se apóiam também em alguns episódios dos Atos dos Apóstolos, especialmente a efusão do Espírito Santo no dia de Pentecostes.

Buscam trazer à mente de todo cristão aquela grande experiência mística: “por que – dizem – deve se privar um cristão daquele dom incomparável, tão necessário para uma vida cristã fervorosa?”

A resposta é a seguinte:

a) No primeiro Pentecostes, a experiência mística e sensível do Espírito Santo, junto com os carismas de línguas, profecia, curas e semelhantes, não foi concedida a todos, mas apenas aos Apóstolos e, provavelmente, aos discípulos presentes no Cenáculo. Certamente não se concedeu aos três mil convertidos que foram batizados naquele dia; sem embargo, os Apóstolos falavam em uma língua, enquanto que os ouvintes lhes ouviam cada um falar em sua própria língua. Obviamente os Apóstolos falvam aramaico com seu sotaque Galileu, mas a gente lhes ouvia falar em grego, latim, parto, elamita, etc; evidentemente, é bem distinto do que acontece nos encontros carismáticos de oração.

b) Os pentecostais se remetem também ao capítulo 8 de Atos, onde se lê que em Samaria o diácono Felipe converteu e batizou muitas pessoas. Quando os Apóstolos, em Jerusalém, ouviram o que acontecera em Samaria, mandaram a Pedro e João, que ao chegar impuseram suas mãos sobre os novos batizados, que receberam o Espírito Santo.

Obviamente se trata do sacramento da Confirmação, cujo ministro ordinário é o Bispo. Esta é a interpretação constante da Igreja. Felipe, ainda que diácono, fazedor de milagres, grande pregador, e que havia administrado o Batismo, não se atreveu a impor as mãos a seus novos batizados, porque este estava reservado aos Apóstolos, que eram Bispos.

3) Outro episódio ao que se remetem os carismáticos é a conversão de São Paulo, quando Ananias lhe impôs as mãos dizendo-lhe: “Saulo, meu irmão, o Senhor, esse Jesus que te apareceu no caminho, enviou-me para que recobres a vista e fiques cheio do Espírito Santo. No mesmo instante caíram dos olhos de Saulo umas como escamas, e recuperou a vista. Levantou-se e foi batizado. Depois tomou alimento e sentiu-se fortalecido. Demorou-se por alguns dias com os discípulos que se achavam em Damasco.” (At 9,17-19)

Os carismáticos insistem neste episódio para justificar a imposição das mãos praticada por eles. Mas novamente estamos diante de uma interpretação evidentemente errada.

Ananias era provavelmente sacerdote e, de todas as maneiras, não ia impondo as mãos nas pessoas para dar o Espírito Santo; teve uma visão e um mandato especial para este caso particular: “O Senhor lhe ordenou: Levanta-te e vai à rua Direita, e pergunta em casa de Judas por um homem de Tarso, chamado Saulo; ele está orando.” (At 9,11) Isto não tem nada a ver com as pretensões dos carismáticos.

4) Ainda assim há outros dois episódios aos que apelam os pentecostais:

a) O primeiro é referido no capítulo 19 de Atos (1-7), quando São Paulo encontrou em Éfeso doze discípulos de João Batista. Depois de lhes instruir sobre Cristo, batizou-os em nome do Senhor Jesus, e depois que “que lhes impôs as mãos, o Espírito Santo desceu sobre eles e começaram a falar em línguas e a profetizar.” (At 19,6) Mas este é mais um caso de administração da Confirmação por parte de São Paulo, que era Bispo.

b) Outro episódio é a conversão de Cornélio e de seus familiares:” Estando Pedro ainda a falar, o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a (santa) palavra. Os fiéis da circuncisão, que tinham vindo com Pedro, profundamente se admiraram, vendo que o dom do Espírito Santo era derramado também sobre os pagãos; pois eles os ouviam falar em outras línguas e glorificar a Deus.” (At 10,44-46)

Uma vez mais é preciso refutar com firmeza que isto constitua uma justificação do movimento carismático. São Pedro não foi a Cesaréia para impor as mãos e conferir o Espírito Santo; foi levado até ali através de uma revelação especial, e o Espírito Santo desceu enquanto lhes falava para instruir aos ouvintes sobre Cristo e sua missão. Deus operou um grande milagre, inclusive antes que Cornélio e os seus fossem batizados, porque eram os primeiros gentios a serem acolhidos oficialmente na Igreja e se necessitava que ficasse bem claro a todos os cristãos ‘da circuncisão’, tão convencidos da idéia de que ninguém fora do povo eleito poderia entrar no reino messiânico, de que a partir de então os gentios seriam convidados a participar dos benefícios da Redenção.

De volta a Jerusalém, São Pedro foi asperamente criticado pelos judeus pelo que tinha feito em Cesaréia, mas ele se defendeu de seus acusadores com estas concisas palavras: "Pois, se Deus lhes deu a mesma graça que a nós, que cremos no Senhor Jesus Cristo, com que direito me oporia eu a Deus?" (At 11,17)

Fora destes textos citados, quase esporádicos, não há nenhuma outra prova de que semelhante efusão externa do Espírito Santo tenha acontecido na Igreja Apostólica, nem sequer, como já se sublinhara, no dia de Pentecostes, quando depois da pregação de São Pedro três mil pessoas foram batizadas.

Além do mais, Cristo jamais prometeu tais experiências místicas e dons extraordinários, nem deu disposições para transmiti-los por meio de ritos particulares. Mais exatamente, Ele instituiu o sacramento da Confirmação, que a Igreja sempre tem administrado e através do qual cada cristão participa na efusão do Espírito Santo.

A Confirmação, sem embargo, não confere o Espírito Santo com sinais externos e milagrosos, tão alheio ao Espírito de Cristo, mas silenciosamente e de maneira misteriosa, como os outros sacramentos.

Durante seus dois mil anos de vida, a Igreja Católica jamais conheceu o “Batismo do Espírito”, tal como nos querem ensinar os pentecostais carismáticos; mas que tem ensinado, infalivelmente, desde o Concílio Ecumênico de Florença (1439) que a Confirmação é o Pentecostes de todo cristão; as palavras do Concílio são: “na Confirmação o Espírito Santo é dado para fortalecer ao fiel o mesmo que foi dado aos Apóstolos no dia de Pentecostes.” (Denz. 697)


O BATISMO DO ESPÍRITO
Como se disse, o ‘pentecostalismo’ e o ‘carismatismo’ eram desconhecidos na Igreja, tendo nascido no século XIX entre as seitas protestantes. Os dois leigos católicos Ralph Keifer e Patrick Bourgeois, que o introduziram na Igreja Católica, receberam o Batismo do Espírito das mãos de pentecostais protestantes; portanto, sua ação foi um insulto à verdadeira e única Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseqüência, uma autêntica apostasia.

Eles, com seu ato, ainda que não com as palavras, declararam que a Igreja Católica não estava capacitada para dar-lhes o Espírito Santo por meio dos Sacramentos, os sacramentais, as bênçãos, o Sacrifício da Missa, a Comunhão, os retiros, as peregrinações, etc. Por isso se sentiram compelidos a buscá-lo fora, entre os pentecostais protestantes, onde se encontraria facilmente.

Agora bem, como podia o Espírito Santo comunicar-se a tais pessoas? Se foi assim, isto implicaria que a Igreja Católica não tem o direito de dizer que é a única e verdadeira Igreja de Cristo; por conseguinte, se o que afirma o Movimento Carismático é certo, todo católico deveria abandonar a Igreja e unir-se aos pentecostais protestantes, que foram ‘enchidos’ do Espírito Santo muito antes que a Igreja Católica soubesse algo dele.

Como pode um católico buscar o Espírito Santo em uma ‘igreja’ não católica, sem negar implicitamente a unicidade da Igreja Católica?

Se o considerado Batismo do Espírito fosse verdadeiro, seria na verdade um “Super Sacramento”, instituído, sem embargo, não por Cristo mas pelos homens. Naturalmente, os pentecostais ‘católicos’ negam que seja um sacramento, mas isto se deve à confusão e insegurança que invadem todo seu ensino doutrinário. Insistem na ‘experiência’ e não estão completamente seguros da ‘doutrina’. Nisto os pentecostais protestantes são mais coerentes: rechaçam qualquer Batismo de crianças e a Confirmação dos adolescentes, e no seu lugar pregam um batismo de fé para os adultos, que deve ser seguido pelo verdadeiro Batismo do Espírito.

Mas os pentecostais católicos não se atrevem a rechaçar estes sacramentos, porque seria uma clara heresia; sem embargo, a duras penas aludem a eles em seus ensinamentos, e aqui e acolá fazem afirmações surpreendentes, alheias à Fé. Tome-se por exemplo o que dizem Kevin e Dorothy Ranaghan no livro “Pentecostais Católicos”, considerado um dos clássicos do movimento:

“O Batismo do Espírito Santo é uma parte fundamental de nossa iniciação cristã. Para os católicos, esta experiência é uma renovação, que faz nossa iniciação concreta e explícita.” É difícil sondar a profundidade dos erros contidos nestas linhas, mas ainda assim, podem ser detectados. Em primeiro lugar, nesta afirmação se supõe que o Batismo do Espírito tem um significado distinto conforme se seja católico ou protestante, e portanto haveria um Batismo do Espírito para os protestantes e outro para os católicos.

Além do mais, se “o Batismo do Espírito Santo é uma parte fundamental de nossa iniciação cristã”, se segue dele que ninguém é autêntico cristão se não o recebeu, porque lhe faltaria algo fundamental na vida cristã. As conclusões seriam verdadeiramente surpreendentes: Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino, São Francisco de Assis, Santa Teresa de Ávila, São Francisco Xavier, Santa Teresa de Lisieux, São Pio X, todos os papas e bons cristãos anteriores a 1966, e posteriormente todos aqueles que se recusam receber o Batismo do Espírito ou que simplesmente não o tenham recebido, não seriam autênticos cristãos, já que estiveram privados de algo fundamental na vida cristã.

Isto implicaria também que haveria uma cristandade dentro da cristandade, uma raça eleita dentro do povo de Deus. Implicaria inclusive que durante dois mil anos a Igreja haveria privado seus filhos da plenitude do Espírito Santo. Se comportara com eles como uma madrasta indigna, até que os pentecostais trouxeram a plenitude do Espírito Santo ao seio da Igreja.

Quem poderia medir as dimensões deste estúpido e subjacente orgulho?

Os pentecostais católicos negam que o Batismo do Espírito seja um sacramento, mas sua negação contradizem os seus atos. Um sacramento, na verdade, é um sinal externo que produz uma graça. Agora bem, o chamado “Batismo do Espírito” teria todos os elementos constitutivos de um sacramento: a imposição das mãos seria um sinal externo; a invocação ao Espírito Santo seria a forma; a efusão do Espírito será o efeito. Mas há mais. Se o “Batismo do Espírito” fosse verdadeiro, não seria um simples sacramento, mas um “Super Sacramento”, muito superior aos outro sete reconhecidos pela Igreja, porque:

a) Não produziria somente a graça, mas uma efusão dela semelhante em plenitude à produzida no dia de Pentecostes;
b) Além do mais, não produziria somente a graça na alma, mas também uma milagrosa efusão externa;
c) Por último, não produziria somente a graça interna e externa, mas que conferiria também dons milagrosos, como o dom de curas, profecia, línguas, etc.

TUDO ISTO, NATURALMENTE, É CONTRÁRIO À FÉ.

Superficialmente se pode observar que os carismáticos não se mostram muito interessados nos sete dons do Espírito Santo, que se dão a todos os cristãos no Batismo e na Confirmação: os dons de Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade e Temor de Deus. É mais, inclusive no caso de alguns sacerdotes como o Padre Dario Betancourt, um dos líderes do movimento na América, os dons do Espírito Santo adquirem características novas e chagadas de mentiras.

Mas os verdadeiros dons do Espírito Santo são muito mais desejáveis que os secundários, como a cura, a profecia, o dom de línguas, etc., os quais não são necessários nem para a salvação nem para conseguir um alto grau de santidade, e que inclusive poderiam terminar em uma terrível armadinha, enquanto poderiam conduzir ao orgulho espiritual.

Se o que os pentecostais afirmam do Batismo do Espírito fosse verdade, onde se colocaria a Confirmação na vida cristã?

Os pentecostais católicos ou Renovação Carismática evitam a questão, e como não querem negar abertamente a Confirmação, colocam-na à parte. Ranaghan, no livro supra citado, propõe a questão nestes termos: “Se pode estar mais seguro do que quer dizer ‘estar batizado no Espírito Santo’, que do quer dizer ‘estar Confirmado’.”

Eles não sabem o que quer dizer estar confirmado! Sem embargo o ensino imemorial da Igreja é a infalível declaração do Concílio de Florença, em 1439: “a Confirmação é o Pentecostes de todo cristão.” Inclusive – como veremos mais adiante – alguns, como o já mencionado Padre Dario Betancourt, afirmam que ainda que se receba o Espírito Santo na Confirmação e no resto dos sacramentos, O ESPÍRITO SANTO ESTÁ COMO QUE LIGADO, PORÉM TRAVADO, ATÉ QUE O BATISMO DO ESPÍRITO DOS CARISMÁTICOS O LIBERA DE NOSSO INTERIOR E O FAZ SURGIR.

O dilema é portanto inevitável: ou o Batismo do ou no Espírito é verdadeiro e a Confirmação é falas, ou pelo menos não é necessária; ou a Confirmação é verdadeira e o Batismo do Espírito é falsa.

As duas coisas não podem ser verdade.

Se um leigo, homem ou mulher, ou uma religiosa, ao impor as mãos, podem distribuir o Espírito Santo junto com alguns poderes milagrosos, que necessidade temos de bispos ou de sacerdotes? NENHUMA! Os pentecostais protestantes não têm necessidade deles; por que os católicos teriam de tê-la? Qualquer um poderia objetar que isto é levar as coisas longe demais. Afinal, os carismáticos dizem: “Que mal há na imposição das mãos? Então cada qual não pode impor as mãos e invocar o Espírito Santo?”

À primeira objeção se responde que isto não levar as coisas longe demais, mas sua lógica conclusão. Desgraçadamente os pentecostais seguem a “experiência” e não a “lógica”, e isto lhes tornam surdos à voz da razão. À segunda objeção se responde que todos somos livres para invocar o Espírito Santo, mas não são para impor as mãos com o fim de introduzir os fiéis no caminho ao qual querem lhes conduzir. Impor as mãos denota autoridade: Os patriarcas do Antigo Testamento impunham as mãos para abençoá-los. Cristo impunha as mãos sobre os Apóstolos para lhes conferir o Espírito Santo. Os Apóstolos, por sua vez, e depois deles os Bispos e Sacerdotes, impõe as mãos para consagrar e confirmar.

Mas que autoridade tem um leigo para impor as mãos sobre outro leigo, ou o que é pior, sobre um Sacerdote, ou sobre um Bispo ou um Cardeal? Quem lhes deu essa autoridade?

NÃO CRISTO, que estabeleceu o Sacramento da Confirmação para conferir o Espírito Santo; NEM A IGREJA, que nada sabe sobre o Batismo do Espírito; NEM O PRÓPRIO ESPÍRITO SANTO, posto que não há provas nas Escrituras ou na Tradição de que tenha conferido tal autoridade.

E não se objete que é um simples gesto que qualquer um pode fazer: não é um simples e inútil gesto. É um ato de ação “sacramental”, porque se faz uma petição fantástica (quase se poderia dizer sacrílega) para que, por meio deste ato, se produza uma efusão extraordinária do Espírito Santo, com experiência mística e carismas muito superiores aos que podem produzir os Sacramentos do Batismo, da Confirmação, da Ordem e verdadeiramente de qualquer outro sacramento.

Os carismáticos dizem que a efusão miraculosa do Espírito Santo se deve à fé: Cristo não havia dito que onde estivessem reunidos dois ou três em seu nome, Ele estaria no meio deles? Não afirmou que qualquer um que tivesse fé como um grão de mostarda, seria capaz de realizar grandes prodígios? Por que maravilhar-se então, se os carismáticos realizam coisas extraordinárias? A afirmação soa bem quando não se examina de perto. Mas na verdade Cristo prometeu que estaria que estaria entre aqueles que se achavam reunidos em seu nome, mas tem que ser em seu nome, isto é, entre aqueles que se reúnem para pedir o que agrada a Deus. Agora bem, Deus jamais prometeu tais experiências místicas, nem estas são de modo nenhum necessárias para nossa santificação. Deus nos pede fazer uso de todos os meios ordinários postos à nossa disposição: Confissão, Sacrifício da Missa, Comunhão, outros Sacramentos, etc.

Na realidade a busca da experiência extraordinária implica que os carismáticos não crêem no poder dos Sacramentos. Eles nem sequer crêem na presença do Espírito Santo, a menos que, como Tomé, o sintam e o toquem; e isto ficará certificado com as palavras do Padre Dario Betancourt, como veremos mais adiante. Aqui são oportunas as palavras de Cristo: “porque me viste, creste! Bem aventurados os que não viram e creram.” (Jo 20,29) Parece que os pentecostais carismáticos esqueceram deste ensinamento de Cristo.


EXAME DOS PRETENSOS CARISMAS

DOM DE CURA: Ao ouvir os pentecostais ou carismáticos ou da Renovação Carismática ou no espírito, parece que estiveram caminhando sobre um tapete esmaltado de inúmeros milagres, que exibem como prova segura da origem divina do movimento. Sem embargo, para aceitar como autênticas as curas milagrosas se requerem três condições:

a) Que se excluam todas as causas naturais capazes de realizar uma cura súbita, o que não acontece por exemplo nas curas milagrosas reais ou verdadeiras de câncer ou na ressurreição dos mortos;
b) Que o suposto milagre se submeta a um exame atento por parte de médicos, cientistas e teólogos, como acontece por exemplo nos milagres de Lourdes ou nos que atribuem à Virgem e aos Santos;
c) Que a sentença final seja dada pela autoridade competente.

Agora bem, estas três condições não se dão no Movimento Carismático ou Renovação Carismática. Eles crêem nos milagres pelo simples testemunho de quem dizem recebê-los; alguns “milagres” são de natureza trivial, outros de natureza psicológica, outros não duram permanentemente. Além disso seria necessário examinar as causas de cada milagre em particular.

Existem três possíveis causas:

- Deus: mas neste caso deve-se estabelecer que são verdadeiros milagres, e em tal caso não deve haver nenhum traço de orgulho, de ostentação ou auto-satisfação, bem presentes no movimento carismático.
- Processos psicológicos: Por exemplo, se põe uma grande ênfase no fato de que alguns convertidos abandonaram seu hábito de beber; mas é notório que os membros dos Alcoólicos Anônimos alcançam resultados similares por meio da ciência profana e com tratamentos que incluem técnicas psicológicas, sem nenhum recurso ao “espírito” invocado pelos carismáticos.
- O demônio: Pode, também ele realizar alguns “prodígios”, especialmente em uma atmosfera carregada de emoção, atmosfera que é a procurada nesses encontros multitudinários, que duram várias horas e de onde se relatam testemunhos e anedotas, com fundo de música percussiva, sincopada e forte; e o orador aos gritos. Ante estas circunstâncias se produzem fenômenos de tipo psicológico, a partir dos quais inclusive se chega a uma dissociação de consciência tão extrema que se liberam hormônios relaxantes e que adormecem, explicando assim os desaparecimentos de sintomas de dor, ainda que não diminuam em nada as enfermidades.

O mesmo Cristo nos alerta sobre esta possibilidade, porquanto nos avisara que viria um tempo em que os falsos profetas realizariam “milagres” ou “prodígios” para enganar, se fosse possível, até os eleitos. Com o movimento carismático se baseia em falsas premissas doutrinais, se torna fácil ao demônio infiltrar-se e extraviar as almas.
DOM DE LÍNGUAS – Embora já tenhamos dito algo deste argumento quando examinamos a primeira carta de São Paulo aos Coríntios, podemos acrescentar alguma consideração, posto que os carismáticos-pentecostais apreciam muitíssimo este ‘dom’.

Até há pouco tempo eles o consideravam como prova definitiva da efusão do Espírito Santo. Isto implica como conseqüência que ao receber os Sacramentos nós não podemos estar seguros de ter recebido o Espírito Santo, toda vez que não há nenhum fenômeno externo; nem sequer em Sacramentos como o Batismo, Confirmação, Ordem, que foram instituídos justamente para conferir uma especial efusão do Espírito Santo. Nos Sacramentos, com efeito, nossa única garantia é a fé sincera na promessa de Cristo, atestada pela infalível autoridade da Igreja, posto que esta fé não se apóia quase nunca no sentimento ou na experiência.

Contrariados por tais objeções, os pentecostais católicos deixaram de considerar estes dons como a prova da efusão do Espírito Santo. Diante de tais contradições, o que devemos pensar? Com que autoridade estabelecem eles os critérios de sua fé? O Espírito Santo primeiro lhes induziu crer que o dom de línguas é a prova definitiva, e depois que não é? Pode o Espírito Santo estar sujeito a tais contradições?

E se considerarmos a natureza do ‘carisma’, nossa perplexidade não pode mais que aumentar, porque as línguas que dizem falar os pentecostais-católicos não são de fato línguas humanas. São línguas estranhas, simples balbucios de sons ininteligíveis, (que alguns chegaram a afirmar que era “a língua ou o linguajar dos anjos”) aos que se chama glossolalia. Já temos notado que as ‘línguas estranhas’ de que se fala nos Atos dos Apóstolos e na primeira carta de São Paulo aos Coríntios eram verdadeiras línguas, se bem que desconhecidas em sua maior parte aos presentes.

Os pentecostais, sem embargo, dão uma explicação e falam da possibilidade de orar “não objetivamente, de uma maneira pré-conceitual”. Esta é a definição dada por Le Renouveau Charismatique (ver Lumen Vitae, Bruxelas 1974):

“A possibilidade de orar não-objetivamente, de uma maneira pré-conceitual, tem um valor considerável na vida espiritual. Permite expressar com meios pré-conceituais o que não pode ser expresso conceitualmente. A oração em línguas é para a oração normal como a pintura abstrata, não representativa, é para a pintura ordinária. A oração em línguas requer um tipo de inteligência que até as crianças tem.”

Em primeiro lugar, não existe nada parecido na Tradição da Igreja, nos ensinos dos grandes mestres do espírito e dos grandes místicos da Igreja. E ainda que Cristo tenha ensinado aos Apóstolos e aos primeiros discípulos orar e dado até uma fórmula com a qual expressar seus próprios pedidos, Ele jamais orou de maneira ‘pré-conceitual’ e ‘não objetiva’, nem ensinado a seus discípulos a fazer algo parecido. Este gênero de oração implica que os murmúrios não corresponde à realidade objetiva, posto que são ‘não objetivos’, e que o Espírito Santo é incapaz de expressar a realidade divida em uma linguagem racional. MAS TUDO ISTO É FALSO. Os profetas, Cristo, os Apóstolos e depois os Santos no curso de vinte séculos, inflamados no Espírito Santo, foram capazes de expressar a mais alta Verdade em linguagem humana. A expressão, logicamente, é inferior à realidade, mas isto não se deve ao uso de uma linguagem ‘não objetiva’ ou ‘pré-conceitual’, mas ao fato de que quando o homem fala da realidade divina, necessariamente se expressa de forma analógica.

A este argumento dos carismáticos, ademais, seria necessário propor-lhes mais perguntas. Por exemplo; poderia ser que, longe de ser um dom do Espírito Santo, o ‘falar em línguas’ [sussurros] fosse uma fraude ou uma manifestação de processos psíquicos devido a uma explosão emotiva? Pode-se acrescentar que há, ao menos em alguns casos, outra possível fonte: Satanás, que pretende enganar aos homens imitando os milagres do primeiro Pentecostes.

Outro fenômeno que faz que o julguemos desfavoravelmente é a multiplicação desde milagre. Um dos líderes do carismatismo francês em 1978 dizia que “na França 80% dos carismáticos pentecostais falam em línguas” (Le Figaro, 18/02/78).

É asssim que os milagres acontecem com freqüência?


INDIFERENTISMO RELIGIOSO

Como já recordamos, o movimento carismático ‘católico’ foi importado do pentecostalismo protestante. Os pentecostais católicos o têm reconhecido agraciados, e chegaram a considerar como autêntico o movimento pentecostal protestante. Era lógico que fosse assim, pois de outra maneira cairiam em aberta contradição com suas próprias origens; em conseqüência, celebram seus encontros de oração com protestantes de qualquer denominação e sem distinções.

Nestes encontros, qualquer um que tenha recebido o dom de ser ‘guia’ pode impor as mãos sobre qualquer outro, sem preocupar-se com a Igreja ou seita a qual pertença. Todos recebem dons supostamente do Espírito Santo, falam em línguas, interpretam, profetizam e curam.

As diferenças doutrinais não são uma barreira. E assim os católicos, que deveriam sustentar que somente eles possuem a Verdade plena, não pretendem iluminar a seus irmãos protestantes com a plenitude da Verdade que só se pode encontrar na Igreja Católica. Enquanto aos protestantes, longe de admitir as justas pretensões da Igreja Católica, o qual deveria ser o resultado lógico de uma autêntica efusão do Espírito Santo, afirmam experimentar um conhecimento mais claro da doutrina de suas respectivas denominações protestantes.

Tanto os carismáticos ‘católicos’ como os protestantes afirmam trabalhar, com rapidez e em espírito de caridade e de muita compreensão, pela unidade, que é o intuito do movimento ecumênico. As questões doutrinais não se discutem, porque (como eles dizem) buscam a unidade em “UM NÍVEL MAIS PROFUNDO”.

Com de ‘nível mais profundo’ pretendem dizer ‘nível emotivo’, que confundem com o ‘amor sobrenatural’. Sem embargo, o nível emotivo é o mais falaz.

Somente a Verdade é o nível mais profundo, e nela a unidade é possível porque Cristo veio a dar testemunho da Verdade, rechaçando todos os arranjos com o erro e a ambigüidade. Ele deu sua vida pela Verdade, se a Verdade não é aceita e confessada plenamente, o amor sobrenatural e a unidade são impossíveis.

O movimento carismático, portanto, está destinado a fazer naufragar a esperança do ecumenismo, já que nenhuma união será possível enquanto nossos irmãos protestantes – ou de outras confissões – não aceitem a plena potestade de fé e de governo da Igreja Católica.

É notório também que alguns líderes carismáticos têm feito afirmações, e têm tomado posições, que dificilmente se podem conciliar com a doutrina católica. Assim por exemplo, Kevin Ranaghan (quem, juntamente como sua mulher Dorothy, recebeu o Batismo do Espírito, ajuda o Cardeal Suenens a organizar o movimento no mundo inteiro, e escreveu “Pentecostais Católicos”, que se considera um clássico no tema) por ocasião da Encíclica Humanae Vitae (1968) sustenta, contra o ensinamento do Papa Paulo VI, o direito ao controle da natalidade.

Como poderia o Espírito Santo inspirar uma coisa ao Papa e outra a Kevin Ranaghan?

Ou talvez ele teria razão e o Papa estava equivocado?

Ainda mais: na página 4 de seu livro “Pentecostais Católicos”, Kevin, citando “A Cruz e o Punhal”, de David Wilderson, escreve:

“estas palavras mostram claramente que Cristo recebeu o Espírito Santo para que pudesse ser Messias e Senhor.”

Sem embargo, isto é uma HERESIA! Porque Cristo não recebeu o Espírito Santo para ser Messias e Senhor, mas que era as duas coisas desde a sua concepção, a causa da União Hipostática.

INCRIVELMENTE, É O QUE TAMBÉM AFIRMA O PADRE DARÍO BETANCOURT COMO VEREMOS MAIS ADIANTE, E QUE O FAZ CAIR EM HERESIA.

Tome-se também a afirmação da página 250, relativa aos promotores de uma ‘autêntica vida de fé’. Kevin cita não só São Francisco de Assis, São Inácio de Loyola e São Francisco de Sales, mas também a Joaquin de Fiore (cujos erros foram condenados em 1215), George Fox (fundador dos ‘quackers’ protestantes), John Wesley (fundador dos metodistas) e o ‘telepastor’ Bill Graham!

Por isso, segundo Kevin Ranaghan,

“o Espírito Santo não faz diferença entre a Igreja Católica e as várias denominações protestantes, mas que trabalha igualmente em todas, despreocupando-se do que crêem e ensinam”.


DEMOLIÇÃO DA ASCÉTICA CRISTÃ

Se passarmos da teologia especulativa à ascética, tal como tem sido ensinada e vivida pelos Santos, descobrimos que o movimento carismático não só está privado dos requisitos fundamentais de uma verdadeira ascensão a Deus, mas inclusive lhe é prejudicial.

Destrói a humildade e favorece ao orgulho – A humildade é o fundamento e fonte de todas as virtudes; o orgulho é a fonte de todos os pecados; a humildade é virtude de Cristo, de Maria Santíssima e dos Santos; o orgulho é o vício de Satanás e de seus sequazes. O orgulhoso está cheio de segurança e o ostenta como virtude; o humilde, ao contrário, busca o último lugar, evita o sensacional e extraordinário, tem medo de enganar-se e se considera indigno dos dons extraordinários. Se Deus lhe dá estes dons, os aceita como temor e terror, inclusive pede ao Senhor que os retire e lhe conduza pelo caminho comum; os esconde o mais possível, e se às vezes, constrangido pela obediência, deve falar, o faz como extrema repugnância e reserva.

É exatamente o oposto do que ocorre aos carismáticos: desejam dons extraordinários, particularmente os que impressionam os sentidos, como o dom de línguas [sussurros], sua interpretação, e o dom de cura.

Enquanto o humilde implora: “Não a mim, Senhor, não a mim!”, o pentecostal se põe em primeiro lugar com atrevimento e diz com os fatos, mas com as palavras: “Eis-me aqui, Senhor; faz com que eu tenha a experiência mística de Tua presença, que eu fale línguas, que eu tenha o poder de conferir o Espírito Santo no momento e ocasião que considere oportuno, que eu profetize, que eu cure as pessoas em qualquer parte.”

E quando crê ter recebido o Batismo do Espírito, o carismático prossegue com atrevimento impondo suas mãos, clamando ao Espírito Santo e conferindo-lhe; e se alguma vez o Espírito ‘se demora’, ele insiste histericamente: “Espírito Santo, desce, tens que descer!”

Expõe a alma ao auto-engano – Alimentando um mórbido desejo do sensacional, o movimento cria uma atmosfera sobrecarregada de emoção, e que, portanto, expõe-se ao auto-engano; declara, com efeito, que a experiência pessoal é a prova suprema da efusão do Espírito Santo.

Se embargo isto é o oposto ao ensinamento de Cristo, que disse que o cumprimento da Vontade de Deus é o único critério seguro de estar no caminho da salvação: “Nem todo aquele que me disser: ‘Senhor, Senhor!’, entrará no Reino dos Céus, mas o que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus, este entrará no Reino dos Céus.” (Mt 7,21)

Freqüentemente, quão penoso e difícil é fazer a vontade de Deus! O coração está seco, a vontade é débil e a carne é fraca; sem embargo, fazer a vontade de Deus nestas circunstâncias, é grande perfeição.

Jesus chegou até a excluir que os dons extraordinários fossem um sinal seguro de salvação, enquanto que os pentecostais e carismáticos os consideram como uma prova irrefutável da autenticidade de sua experiência. Estas são as palavras de Jesus: “muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor; não fomos nós que profetizamos em teu nome e expulsamos demônios e fizemos milagres em teu nome?’ Então lhes direi: ‘Não os conheço, afastai-se de mim, obreiros da iniqüidade!” (Mt 7,22-23)

A experiência, sendo muito subjetiva e a mais débil de todas as provas, está extremamente exposta ao auto-engano. Basta estar presente nos momentos culminantes dos encontros de oração dos carismáticos. O que acontece freqüentemente nestes momentos é desconcertante, e em lugar de induzir ao espectador honesto a reconhecer a presença da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, lhe induz a temer que outro ‘espírito’ esteja no meio deles, espírito que tem prazer ao poder enganar tão facilmente os filhos dos homens e conduzi-los sem esforço a um reino onde Cristo não reina.

Sobre este aspecto do movimento carismático, eis aqui o que escreve um autor francês, Henri Caffarel: “seria inútil apanhar aqui exemplos, mas é claro que normalmente, pela excitação que domina nesta assembléia, se está muito perto do histerismo coletivo e os líderes são evidentemente incapazes de canalizar as explosões emotivas. Em alguns casos não se pode estar seguro de si se está ainda nos limites de uma autêntica vida cristã, ou se já se toca de leve a superstição e a magia. O Maligno, certamente... apanha sua colheita!” Não é difícil compreender que estas assembléias ameacem seriamente a fé das pessoas, sua vida espiritual e seu equilíbrio psíquico. Também se compreende que dão origem a falos profetas e taumaturgos, como aqueles de quem falou Cristo quando disse: “Guardai-vos dos falsos profetas que vêm a vós com pele de cordeiro, mas por dentro são lobos vorazes.” (Mt 7,15)

Ainda mais: Ralph Martin, diretor do Movimento Carismático, em seu livro “A menos que o Senhor construa a Casa” (original em espanhol – “A menos que el Señor construya La Casa”), expõe o problema em termos mais sangrantes: “demasiado vão mais além dos limites da moralidade, já que se criam relações pessoais entre sacerdotes, religiosas e leigos que tristemente pervertem-se de um plano espiritual até um nível puramente natural e sensual. O ‘ágape’ perverte-se no ‘eros’.”

Não poucas vezes a imposição das mãos dos Carismáticos culminou em lascivas e luxuriosas situações de toques sexuais.

É contrário à experiência de quem têm vivido espiritualmente – O ensinamento e a prática dos carismáticos-pentecostais contradizem o exemplo dos Santos, particularmente dos grandes místicos, apesar de citá-los constantemente como inspiradores das técnicas que eles põem em marcha. Os Santos constantemente temiam ser enganados pelo demônio, desdenhavam os fenômenos extraordinários e pediam ao Senhor com insistência em mantê-los no caminho ordinário.

Para evitar o auto-engano, se confiavam ordinariamente a experientes diretores espirituais, e freqüentemente recebiam ajuda providencial do próprio Deus. Lhes declaravam até os mais insignificantes sentimentos de seu coração e obedeciam heroicamente ao que lhes mandavam. Se pode imaginar Santa Catarina de Siena, Santa Teresa de Ávila, São Francisco de Assis, São Inácio de Loyola, recorrendo ao mundo fazendo ostentação de si mesmos, em seu reconhecido caráter de autênticos dispensadores do Espírito Santo?

O ensinamento e a prática carismática contradizem também o explícito ensino dos grandes mestres da vida espiritual e dos Doutores da Igreja, que constante e unanimemente ensinam que as verdadeiras virtudes que devemos almejar são a humildade, a mortificação, o amor da humilhação, o aniquilamento de si mesmo, a vida escondida, o evitar a singularidade e a ocasião, para que o orgulho não venha a nascer no coração.

São João da Cruz resume assim esta doutrina: “PORTANTO DIGO QUE DE TODAS ESTAS APREENSÕES E VISÕES IMAGINÁRIAS E OUTRAS QUAISQUER FORMAS OU ESPÉCIES (...) AGORA SÃO FALSAS E DA PARTE DO DEMÔNIO, AGORA SE PERCEBEM SER VERDADEIRAS DA PARTE DE DEUS, O ENTENDIMENTO NÃO HÁ DE SE EMBARAÇAR NEM NUTRIR-SE NELAS, NEM AS TEM A ALMA DE QUERER ADMITIR NEM TER PARA PODER ESTAR SOLTA, DESNUDA, PURA E SIMPLES” (Subida ao Monte Carmelo, Lib. II, Cap. 16)

É exatamente o oposto do que fazem os carismáticos.

Os carismáticos abandonam a Cruz – O movimento se concentra na celebração da ‘alegria’ do espírito. Não há lugar no movimento para a agonia do Getsêmani, os tormentos da Paixão, as noites de alma que ressaltam na vida dos Santos; como a noite tão profunda que arrancou dos mesmos lábios de Cristo o grito de indizível dor: “Meu Deus, meu Deus! Por que me abandonastes?” (Mt 27,46)

Os carismáticos deveriam saber que a santidade não consiste na alegria, mas muito mais no sofrimento. Cristo tem levado seus Santos, particularmente os grandes místicos, às alturas da santidade não precisamente pelo caminho da alegria, mas por uma inarrável dor, porque a essência do amor não é a alegria, mas o sofrimento: “quem quer ser meu discípulo, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e segue-me.” (Mt 16,24)

A autêntica celebração da alegria está reservada para o céu.

É indício de maior perfeição dizer “que se faça tua Vontade” na agonia do Getsêmani, que na alegria de Pentecostes.

O Movimento Carismático contradiz o Concílio Vaticano II: com efeito, este ensina que “não devemos pedir temerariamente estes dons, nem esperar deles com presunção os frutos das obras apostólicas.” (Lumen Gentium, 12) Parece que estas palavras foram inspiradas por Deus como uma pré-condenação de um movimento que surgiu imediatamente após o Concílio.


CONCLUSÃO

Examinamos com objetividade e sinceridade, o Movimento Carismático, a partir de distintos pontos de vista, e o encontramos frágil, contraditório, errôneo e pernicioso. Mas no meio da multidão, o clamor, o dinheiro que movimentam e o alvoroço suscitado pelo Movimento, fica difícil prevalecer a voz da reta razão.

Vivemos uma época delirante, em que o ensino e a Tradição da Igreja são abertamente atacados ou postergados com desprezo. Parece que chegaram os tempos profetizados por São Paulo a Timóteo: "Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si. Apartarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas." (2Tm 4,3-4)

São Paulo nos convida a examinar tudo, a reter o bom e rechaçar o mal.

À LUZ DA SÃ TEOLOGIA E DA TRADIÇÃO, O MOVIMENTO NÃO SE QUALIFICA COMO COISA BOA: PARTE DE PRETENSÕES FANÁTICAS, MINA A FÉ, INDUZ AS ALMAS A UM FALSO MISTICISMO, E AS CONDUZ ATRAVÉS DA CREDULIDADE E ORGULHO OCULTO, A SATANÁS.

Portanto está plenamente justificado o juízo do Arcebispo Robert Dwyer, quando diz: “Julgamos o Movimento Carismático como uma das orientações mais perigosas da Igreja em nosso tempo, estreitamente ligado em espírito com outros movimentos destrutivos e separadores que ameaça com grave dano a sua unidade e a inúmeras almas.” (Christian Order, maio de 1995, pág. 265)

MANIPULAÇÕES PSÍQUICAS DO MOVIMENTO CARISMÁTICO
(do original: MANIPULACIONES PSIQUICAS DEL MOVIMIENTO CARISMÁTICO)

SITE: http://www.cristiandadfm.com/documentos/desmitif_Manipulacion.htm

TRADUÇÃO DE JORGE LUIS

"Julgamos o Movimento Carismático como uma das orientações mais perigosas da Igreja em nosso tempo, estreitamente ligado em espírito com outros movimentos destrutivos e separadores que ameaça com grave dano a sua unidade e a inumeráveis almas.” Arcebispo Robert Dwyer” (Christian Order, maio 1995, pág. 265)



O CONTROLE MENTAL

Para adentrarmos na grande mentira diabólica do ‘Controle Mental’, utilizaremos o trabalho do especialista ALBERTO HORÁCIO ÁVILA (psicólogo social) em sua obra “OS PERIGOS DO CONTROLE MENTAL” da série TERCERO MILÊNIO (Ed. Claretiana, 1993 – publicada na Argentina), série dirigida por Monsenhor Héctor Aguer, então bispo auxiliar de Buenos Aires, obra que conta com sua Censura Eclesiástica e com o Imprimatur de Mons. Dr. Eduardo Mirás, vigário geral da Arquidiocese de Buenos Aires em 1992.

Devemos recordar antes de ingressar de vez neste tema que o autor irá nos falar sobre Controle Mental, não dos Carismáticos ou de Betancourt(1). Nós, havendo estudado anteriormente os textos do padre Dario Betancourt, devemos realizar a correspondente concordância com o que sob o título de ‘Controle Mental’ aqui se expõe. Devido a que muitas concordâncias poderão passar desapercebidas, ressaltaremos com negrito as partes que estas técnicas de manipulação do pensamento, que é o ‘Controle Mental’, tem com o que o padre Betancourt nos quer fazer crer que a Igreja tenha praticado sempre.

O licenciado em Psicologia e especialista em seitas, Presidente da Fundação SPES, José Maria Baamonde é quem assina o prólogo do trabalho e diz entre outras coisas sobre os ‘cursos de Controle Mental:

"Estes cursos prometem solucionar todos os problemas e servem, segundo seus mentores, para agilizar o estudo, desenvolver a memória, triunfar nos negócios, arranjar casamentos (que geralmente depois do curso se desarranjam ainda mais), vencer dependências de qualquer tipo, emagrecer, dominar poderes supostamente paranormais, realizar viagens astrais, diagnosticar enfermidades de pessoas que não conhecemos e logo tratá-las terapeuticamente, comprar um automóvel, encontrar o ‘Deus interior’, viver em harmonia com o cosmos... enfim, a Bíblia e o aquecedor.”

“Isto que poderia gerar um alívio, culmina em alguns casos, em tragédias. Como bem explica o autor da presente obra, o Controle Mental como tal, não existe, senão que se implementam técnicas de sugestão hipnóticas, com os conseqüentes riscos psicofisiológicos que o uso indiscriminado das mesmas pode provocar entre os cursantes.”

“Outro elemento importante a levar em conta é que cada vez são mais as seitas, especialmente as de tipo ‘psicoterapêutico’ ou de ‘reabilitação pessoal’, que para o recrutamento de novos membros oferecem, em um proselitismo enganoso, a possibilidade destes cursos, iniciando a pessoa em um caminho que, às vezes, não tem retorno.”

“Lamentavelmente os promotores destas técnicas se guardam muito de mencionar estes perigos e só falam do ‘poder ilimitado de nossa mente’ e ‘como dominá-la ao nosso desejo’. Possivelmente por este último o subtítulo ideal do controle mental seja: ‘...E sereis como Deuses’ do Gênesis. A primeira e mais antiga das tentações segue tendo em nossos dias toda a vigência que teve no princípio dos tempos;”

Podemos já ver aqui os elementos em comum com o que temos visto lendo os livros do padre Dario Betancourt com respeito à cura e mais especificamente no último parágrafo. Tudo ocorre pelo poder da oração feita por mim. Não como interecessora, mas como algo eficaz, enquanto que eu o desejo e o quero.

“Com segurança é difícil que o leitor não tenha ouvido falar sobre Controle Mental ou Poder Mental através de autores internacionais e nacionais como José Silva, Lauro Trevisan, Dr. Las Heras ou Prof. Lotitto. O capitalismo selvagem, com seu decadente materialismo, a falta de objetivos, a falta de credibilidade nas igrejas históricas, têm favorecido e fomentado o retorno dos ‘bruxos’. Oferecem uma mercadoria desejável: esoterismo, mantras, novos e melhores estados de consciência, experiências místicas, paraísos prometidos. As técnicas e métodos utilizados nos cursos são para dominar e possuir o estudante ou adepto, cujas características mas sobressalentes são as de ser pessoas frustradas social ou pessoalmente, com problemas de saúde, debilitadas emocionalmente. Personalidades que na maioria das vezes se encantam com a parapsicologia são seduzidas pela panacéia destes ‘mercadores de ilusões’.”

“Assistimos a um aumento do interesse por libertar o potencial que possui nossa mente, em busca de supostos poderes mágicos ocultos. Essa tendência massiva inutiliza o sentido crítico e fomenta o pensamento mágico convertendo as pessoas em seres vulneráveis à exploração e inclusive, como veremos adiante, pondo em perigo sua estabilidade psíquica. Toda essa ondulação surge da exploração, durante os últimos anos, desse potencial da mente humana e dos ‘Estados Alterados de Consciência (EAC).”

“Paradoxalmente, essa avidez científica pela mente e suas potencialidades procede do uso massivo de drogas (as drogas denominadas ‘dilatadoras da mente’, como a mescalina e o LSD ou dietilamida do ácido lisérgico). Milhares de jovens se entregaram, durante os anos 60, à experiência da ‘dilatação da mente’ com alucinógenos. Estas drogas proporcionaram a muitos experiências visionárias e místicas, revelações de indescritível beleza, cores, dimensões e forma; momentos de assombrosa compreensão, de compaixão, de amor.”

“Todos hoje conhecemos o triste resultado destas ‘magníficas experiências’. Finalmente, as experiências com estas drogas ‘psicodélicas’ se interrompeu e sua posse se converteu em um delito. Nesse contexto, surgiu a idéia de que os mesmos estavam relacionados com muitas das teorias e sentimentos que líderes espirituais haviam desejado e desejavam fazer compreender a seus seguidores.”

“O interesse pelas filosofias religiosas aumentou a curiosidade pela meditação e quando técnicas de exame interior aparecia, adquiriu um novo significado.Se iniciou assim um novo tipo de exploração: a busca de novos ‘estados de consciência’ presumidamente mais elevados e benéficos, esperançados em que não fora necessário o uso de drogas para alcançá-los.”

“Parecia que, enfim, o místico oriente teria algo a oferecer ao materialista ocidente.”

“Toda esta tendência de viu reforçada pelas notícias de investigadores que falavam sobre o sucesso dos meditadores da India, China e Japão. Entrando em um estado de consciência ‘especial, demonstravam um extraordinário controle de algumas funções fisiológicas. Variações voluntárias da freqüência cardíaca, da temperatura corporal, da pressão arterial, de processos digestivos, etc.”

“É assim como um terreno vai se preparando e os ‘mercadores de ilusões’, sempre dispostos, mesclam e unificam, ao ‘gosto do cliente’, cada uma destas coisas, para obter um dos produtos mais ‘vendáveis’ dos últimos tempos, o Controle Mental. Uma mescla de misticismo oriental com a tecnologia do ocidente.”

É irrefutável que ao falar de ‘gosto do cliente’ nos encontramos com essa adaptação que temos feito referência anteriormente, tanto da Renovação Carismática, que trataram de adaptar-se ao Catolicismo, para logo protestantizar aos católicos, como o padre Dario Betancourt, que mescla todas as técnicas e oferecem aos bispos e sacerdotes um produto ‘quase católico’, que secundado com a terrível apostasia que se vive em todo o mundo faz crer facilmente que é um reviver, uma revitalização da Igreja de Cristo, quando, analisando os ditos e escritos destes ‘sacerdotes’ nos damos conta que na verdade está muito longe de ser um rejuvenecimento da fé, senão que pelo contrário nos deparamos com uma demolição sistemática.

“Se sabe oficialmente que governos como os dos EUA, através da CIA, tem desenvolvido vários projetos de ‘Controle Mental’ com o objetivo de manipular a vontade dos seres humanos. As técnicas foram aplicadas em milhares de pessoas em hospitais militares, clínicas privadas e presídios.”

“Os campos de experimentação incluíam a perda da memória, a criação de dependências, alterações da conduta sexual, as diversas formas de sugestão, o desenvolvimento da percepção extrassensorial.”

“Parece até que estamos falando de ficção científica mas não é.”

“Aparecem as chaves de nossa unificação: a ‘sugestão’ que afirma utilizar em suas técnicas o padre Dario Betancourt e por outro lado o desenvolvimento da percepção extrassensorial, de maneira ilusória como por exemplo nas técnicas de ‘banho de luz’ e ‘palavra de conhecimento’ com as supostas telepatias com Nosso Senhor.”

“Com respeito às origens do que hoje conhecemos como ‘Controle Mental’ em nosso país (Argentina), se origina como uma das tantas técnicas de meditação e que, paulatinamente, vai incorporando elementos esotéricos e pseudo-espirituais, alcançando uma ‘melange’ pseudo-científica e pseudo-religiosa.”

É importante mergulhar no mito que se denomina CONSCIÊNCIA ALFA ou ESTADO ALFA. As origens se mesclam entre os dados extraídos do âmbito científico e idéias supersticiosas derivadas do ocultismo e esoterismo.

“O mito da CONSCIÊNCIA ALFA forma-se a partir de um elemento científico: as investigações em eletroencefalografia sobre os estados alterados de consciência, que começam na década de 50. Entre outras coisas se pretendia investigar o sono, os estados hipnóticos e outros estados alterados de consciência (EAC).”

“Assim começam a estudar-se as chamadas ‘ondas mentais’ que estão diretamente relacionadas ao fato de que o cérebro se comporta como um aparato elétrico produzindo pequenas correntes que variam segundo os estados mentais.”

“O eletroencefalograma recolhe os distintos sinais elétricos que o cérebro produz e permite uma análise posterior.”

“Deste modo se chega com o tempo à classificação destes padrões de ondas:

- ONDAS ALFA: são observadas em sujeitos despertos com os olhos fechados, em repouso físico e mental. Quer dizer, o ambiente deve ser confortável e relativamente livre de estímulos. Em outras circunstâncias, em sujeitos normais, se podem registrar ondas alfa, por exemplo nas primeiras horas do sono ou durante uma anestesia geral bem ligeira. Pode estar ausente em certos sujeitos normais. Pode, assim mesmo, ser bem amplo, permanente ou aparecer com os olhos abertos em certas condições.”

Recordemos aquilo que nos dizia o padre Dario Betancourt na página 80 sobre COMO SE FAZ O BANHO DE LUZ. Lá diz Betancourt: É NECESSÁRIO ANTES DE TUDO UM LUGAR TRANQUILO QUE CONVIDE À ORAÇÃO... É MUITO IMPORTANTE ACALMAR O ESPÍRITO PARA ENTRAR EM ORAÇÃO. Poderíamos pensar que o que Betancourt quer obter, segundo o Controle Mental, um ambiente propício para que se gerem as Ondas Alfa.

O resto das ondas que se registraram são: Ondas Beta, que se registram no indivíduo desperto, em atividade; as Ondas Delta, que se observam nos primeiros anos de vida, durante o sono profundo e em anestesia geral. Fora desses estados a aparição de ondas delta é sinal de estado patológico. Finalmente, aparecem as Ondas Theta, que se registram durante o sono e se interrompem em ocasiões por estados penosos.

“Destas investigações se desprendia a relação que existia entre a produção de ondas alfa e sua associação a estados subjetivos de sensações de paz, relaxamento, tranqüilidade, etc. Um psiquiatra norte-americano, Joe Karniya, se embocou à investigação da possibilidade de ensinar-se às pessoas a distinguir seus próprios ritmos mentais, a reconhecer os ritmos alfa dos ritmos beta. Em sua busca experimentou com sujeitos normais, em seu laboratório de Chicago, USA, usando os registros de EEG.”

“Com o propósito de registrar as frequências das ondas alfa, se fazia soar um sinal para que, neste preciso momento, o sujeito de experimentação ‘adivinhara se estava produzindo onda alfa ou ondas beta. Imediatamente era informado se havia acertado ou não, produzindo o que se chama uma retroalimentação ou feedback.”

“As provas iniciais alcançaram resultados interessantes. Os percentuais de acerto variavam entre 60 e 80%, o que fazia supor a possibilidade de treinar, então, aos sujeitos para que produzissem voluntariamente ondas alfa.”

“Esta interessante curiosidade científica se associou de imediato às notícias sobre estudos EEG realizados em meditadores orientais, praticantes em sua maioria de zen e de ioga. Estas notícias mostravam que os praticantes destas diversas técnicas, em plena meditação, produziam grande quantidade de ondas alfa.”

“É assim como da união indiscriminada e apriorística destas notícias com o agradável condimento do mágico e esotérico, surge um dos mais manifestos mal-entendidos dos instrutores e difusores do Controle Mental; se os meditadores como ioguis, lamas, gurus, etc. quando se encontram em plena meditação, ou mais corretamente, ‘transe’, a maioria das vezes caracterizado por um estado subjetivo de calma, paz, bem-estar, êxtase, sensação de iluminação, etc., produzem grande quantidade de ondas alfa, se conseguirmos fazer as pessoas produzir ondas alfa conseguiremos que elas obtenham paz, bem-estar, relax, saúde, êxtase, estados transcendentais, etc!!!”

Citemos algo em referência ao denominado ‘transe’: se denomina assim a um estado hipnoide, sonabúlico, no qual caem frequentemente meditadores, ioguis, médiuns, etc. durante suas práticas e que muitas vezes parece ser necessário para a manifestação de suas suspeitas faculdades. Este estado psicofisiológico especial denominado ‘transe’ (de transitus, passamento; passar de um estado a outro) é descrito muitas vezes como uma forma de auto-hipnose, já que difere da hipnose que provoca a heterossugestão pela ausência de subordinação a um hipnotizador, ademais, em geral, a passividade não se encontra tão acentuada como se crê, podendo-se observar todas as transições, inclusive o desdobramento da personalidade. Sua aparição não depende completamente da vontade, se bem que muitos ‘meditadoes’, ‘controladores mentais’ podem entrar em transe com inteira segurança, utilizando técnicas distintas e na maioria das vezes empregam uma aceleração viva do ritmo respiratório (hiperventilação) entre outras.

“Nisto consistiu basicamente o estratagema do Controle Mental. Simplesmente ‘blindaram’ argumentos mediante uma estipulação implícita. Para ele estipularam um novo significado para o conceito de ‘estado alfa’ ou ‘consciência alfa’, colocando e associando-o com paz, harmonia, relax, êxtase, etc...”

“Baseando-se nesta falsa teoria, de que esta nova forma de autocontrole pouparia, aparentemente, os muitos anos de estudo para dominar as ‘técnicas de meditação orientais’ e, também, dando renda solta ao pensamento mágico subjacente em todo ser humano (esquecendo-se um ‘pouco’ os métodos científicos), supuseram ter encontrado a chave de outros muitos segredos da mente vinculados a crenças orientais, ocultistas, esotéricas e gnósticas.”

“Foi assim que em meados da década de 60 começaram a surgir grupos que ofereciam (e oferecem) o ensinamento do que chamam: ‘estados alfa’, entrar em alfa’, ‘chegar ao nível alfa’, ‘meditação alfa’ e outras necessidades pelo estilo.”

“Estes grupos ofereciam e oferecem atualmente (claro que com novos toques mágicos para melhorar o marketing), cursos em que prometem saúde, prosperidade, paz mental, sono profundo pelas noites, maior criatividade, controle de hábitos perniciosos (cigarro, alcoolismo, etc.), controle da dor, novas capacidades para resolver os problemas que se confrontam com o mágico (senão com o ridículo), supostas faculdades para poder ‘curar’ aos demais e até o desenvolvimento da percepção extra-sensorial (telepatia, clarividência, etc.). Toda esta panacéia com simplesmente alcançar o ‘estado alfa’ (a esta altura a ‘alfamania’ é patologicamente visível).”

Lembremos que estas técnicas de Controle Mental são ensinadas em cursos em hotéis ou salões; se bem que em muitas coisas diferem-se da problemática dos Carismáticos em geral e do Padre Betancourt em particular, devemos entender que “os resultados estão orientados para o mesmo lado” e com estamos vendo a base das técnicas utilizadas são as mesmas.

A diferença é que no caso dos Carismáticos a credibilidade do pregador está alicerçada com uma grande publicidade e o grande ‘escudo’ de ser católico, enquanto que nos doutrinadores das seitas e grupos de Controle Mental esta credibilidade deve ser conquistada diante do auditório. Em ambos os casos temos a certeza de que a maioria dos que vão assistir ao encontro possuem características especiais tanto cultural quanto socialmente, como também no que denominamos ‘mentalidade mágica’.

“Para alcançar seu objetivo, (estes grupos) não deixam de servir-se indiscriminadamente e em uma atitude abertamente negligente e irresponsável, de uma grande variedade de sistemas que misturam, dentre os que se incluem, principalmente, técnicas de relaxamento, meditação, hipnose, pensamento positivo, hiperventilação, exercícios físicos, programações subconscientes mediante sugestão e auto sugestão e aprendizagem do que chamam “visualização criativa”.

As semelhanças começam a nos surpreender. Já falamos do que para o padre Dario Betancourt significa a utilização da “visualização criativa”, ou seja as técnicas de imaginação de situações, conversas, etc.

É no parágrafo seguinte (pág. 23) onde as “suspeitas” começam a tornar-se “certezas”:

“Por exemplo, Silva Mind Control oferece cursos de 48 horas, que constam de várias conferências e sessões de ‘condicionamento’. Estes se cumprem com leituras e meditações utilizando algumas das ‘exclusivas’ técnicas de Silva, assim como também técnicas mais tradicionais de psicoterapia e hipnose. Exatamente como na maioria dos ‘doutrinamentos’ cúlticos, o Controle Mental Silva leva a cabo suas sessões desde a parte da manhã (9 hs) até tarde da noite (22 hs). Esta atitude tende a sobrecarregar o indivíduo e a eliminar eficazmente qualquer tipo de reflexão crítica sobre o que se tenha dito e sobre o que se esteja pensando. Isto chega a fatigá-lo a tal ponto que provavelmente o indivíduo perde a maior parte de suas barreiras racionais.”

As chamadas ‘sessões de evangelização’ da Renovação Carismática tem exatamente esta duração (ainda que comecem mais cedo e encerrem um pouco antes que os de Silva). A sucessão de ‘pregações’ vai criando o clima necessário para a posterior utilização das técnicas de Reforma do Pensamento ou Condicionamento de Conduta que Betancourt leva mais adiante.

Tudo deve começar com uma “sessão de música”, chamada também de “Ministério de Música” ou “Música de operação”, que como o nome indica vai operando condicionamentos nos assistentes através da sensibilização, emoção, e aumento de tensão. Logo depois aparece o pregador, que é recebido de maneira triunfal, e que eleva ainda mais a tensão do auditório que o esperava ansiosamente (e não se dava conta que era manipulado pela “sessão de música de operação”) com um Crucifixo que é levantado pelo pregador incitando-os à descarga parcial da tensão acumulada. Obviamente a fixação do pregador com a imagem de Nosso Senhor é poderosa para a psique dos crentes.

A experiência que vivemos nos dias 13 e 14 de novembro de 1999, em San Luis, Argentina, nos diz que o Padre Betancourt recomendou especialmente aos organizadores locais que disseram às pessoas a importância e a necessidade de assistir ambos os dias completos.

O primeiro dia (sábado dia 13) começou por volta das 10 hs devido a problemas com o som, o que desagradou profundamente aos organizadores. Um deles, em declarações afirmou que lamentavam (os organizadores e o Padre Betancourt) esta demora, já que o evento devia começar com a “música de operação” a fim de predispor melhor aos assistentes. Mais claro, impossível!

“Talvez definir o que entendemos por “sugestão” em medicina e psicologia seja uma tarefa difícil. Na atualidade, todo tratamento de psicoterapia gira ao redor do emprego da sugestão, independentemente do método empregado para o tratamento das alterações psíquicas, e na mesma esfera das modificações somáticas de origem no psíquico, se atribuem muitas vezes à sugestão o principal sucesso obtido ao empregar a mesma em estado de vigília ou hipnótico.”

“A palavra sugestão vem do verbo ‘sugerir’, que significa ‘fazer entrar no ânimo de uma idéia. Propor.’ Existem duas maneiras pelas quais a sugestão chega ao conhecimento do indivíduo. Uma aparentemente normal e outra na qual esta penetra na pessoa graças a um estado especial de sua personalidade ou sua consciência. Não é o mesmo uma sugestão que podemos receber ao ver um filme, que se introduz por um discurso ou uma ação em conjunto de indivíduos entre os quais nos podemos encontrar.”

“Uma sugestão externa constitui, de certo modo, o começo do despertar de nossos conhecimentos e a ela se une logo uma autosugestão que nós mesmo realizamos.”
Algo que sempre nos chama a atenção por parte dos adeptos da Renovação Carismática é o seu alto grau de messianismo, ou seja sentir-se, ou crer-se, ungidos, distintos, com poderes que só os que estão dentro deste grupo parecem poder desenvolver.” E esta é talvez sua característica mais secreta.

Ao utilizar uma terminologia que os diferencia do resto dos católicos (e que os aproxima dos protestantes) os ingênuos seguidores crêem ter deste modo participação no grupo de onde ‘o Espírito Santo abençoa’ e portanto usam um vocabulário especialíssimo.

Esta linguagem ou jargão utilizado não é outra coisa senão o que se chama “formulação de propósitos” ou “propósitos formulados” em psicologia. Não esqueçamos que já nos fizeram crer que as palavras são eficazes para a cura. O exemplo mais patético está na página 103 do livro Vengo a Sanar, do Padre Dario Betancourt sobre a “Palavra de conhecimento”, que assegura:

MUITAS VEZES COINCIDE O ANÚNCIO DA PALAVRA DE CONHECIMENTO COM O ATUAR DE DEUS. EM OUTRAS OCASIÕES, PARECE QUE A PALAVRA DE CONHECIMENTO, POR SER CAMINHO DO ESPÍRITO, É PALAVRA EFICAZ QUE REALIZA SEU CONTEÚDO. ASSIM COMO QUANDO DEUS DISSE ‘HAJA LUZ’ E ESTA APARECEU, DE MANEIRA ANÁLOGA AO ANUNCIAR-SE A CURA, ESTA SE REALIZA.”

Sobre isto, Ávila em seu livro diz:

“Estas ordens podem ter uma ‘força hipnótica’ e, quando alguma vez se praticam com sucesso, é porque se equiparam, quanto aos efeitos, à sugestão. Mas este sucesso (um doente que melhora, um adepto que ‘adivinha’ algo), se divulga a toda voz e aos quatro ventos, enquanto que se desconhecem os fracassos, pois aquela pessoa que fez caso ao Controle Mental e teve problemas, não se manifestará jamais por medo de passar ridículo. O Controle Mental pretende através do desenvolvimento de suspeitas faculdades extrassensoriais, diagnosticar doenças nas pessoas e/ou nos animais, atuar sobre a saúde de qualquer ser humano, seja ele conhecido ou não.”

“Basicamente o Controle Mental nos diz que empregando a técnica chamada ‘Percepção efetiva sensorial’ podemos nos projetar mentalmente em objetos, na matéria vivente em inclusive em seres humanos. Fixe-se o leitor que não se trata simplesmente de imaginar que alguém está ali, mas que, de acordo com os pregadores do Controle Mental, efetivamente estaremos ali. Esta projeção imaginária nos fará superar as barreiras do espaço e de todas as leis físicas conhecidas, convertendo-nos em uma espécie de médicos à distância.”

“Trata-se de leso e plano curandeirsmo.”

Nestes parágrafos, o autor nos mostra de modo impressionante as semelhanças com os casos que a Renovação Carismática mostra como ‘milagres’ e ‘testemunhos’. O recurso à imaginação, como já dissemos, não é somente fantasia para os ingênuos, mas também um recurso muito perigoso.

Nas técnicas estudadas (banho de luz e palavra de conhecimento) é a própria imaginação que origina o fenômeno interior. Não há dúvida de que a confusão gerada tanto pelas técnicas em si, como pelo envolvimento ‘condicionado’ de música e ‘fé’, predispõem estes ingênuos seguidores a desenvolver uma consciência mágica que lhes faz ver manifestações de Deus em todas as coisas. Incrivelmente a maior parte dos sacerdotes que de algum modo colaboram com os Carismáticos ajudam na criação desta consciência mágica.

Um foco que se queima e a deflagração produzida pela ruptura do filamento se esparge pelo interior do vidro: “É o Espírito Santo.” Se pela forma do filamento que é do tipo M (ou seja, mais baixo que seus extremos e mais alto em dois picos centrais) essa deflagração se transforma em uma mancha em forma de ‘M’ a resposta é: “A Virgem Maria que está me falando.”

Em uma manhã de umidade, no vôo de um pássaro, na borra do café, ou em qualquer coisa costumeira, com a consciência assim confundida os adeptos da Renovação Carismática e de outros grupos ‘pseudo-místicos’ crêem ter revelações especiais. É que têm sido condicionados nessa ‘mentalidade mágica’, supersticiosa e anti-cristã por estas técnicas de Controle Mental, sugestão e auto-hipnose.

“Toda afetação orgânica, visceral ou de qualquer outra espécie, comporta necessariamente um elemento psicológico. Se se atua somente sobre o elemento psíquico concomitante, a ‘cura’ necessariamente será então somente aparente. Isto é o que acontece nos tão aclamados casos supostamente efetivos de cura do Controle Mental. Seus criadores e recriadores nos falam somente dos casos ‘bem sucedidos’, mas as provas de seguimento e comprovação científica brilham por sua ausência... Por que será?

Na Renovação Carismática ocorre exatamente o mesmo. As curas são circunstanciais, menores, fúteis, pouco estudadas e dirigidas somente à percepção consciente da dor, ou seja somente aparente. As provas nunca aparecem. Nunca demonstram publicamente a verdade do que se proclama em seus meios de comunicação. No mais, frente à ausência de testemunhos concretos de cura, o próprio Padre Dario Betancourt e seus seguidores locais anunciaram que os efeitos muitas vezes não se dão no mesmo momento do ‘show de curas’, mas que se deve esperar pacientemente pelos próximos dias, porque as curas vão acontecendo ‘aos poucos’. “A meta principal dos métodos do Controle Mental é a remoção dos sintomas. A maioria das curas são passageiras precisamente por ser efeito da sugestão ou auto-sugestão e não de uma verdadeira remoção das causas.”

“Podem surgir ‘fenômenos’ devido a esse estado especial de consciência, de onde por alguma das pretendidas ‘técnicas’ forçamos uma dissociação de nosso inconsciente e algumas de suas faculdades se manifestam um pouco, pela pequena fenda que abrimos no psiquismo. Algo perigosíssimo, pois junto a estes ‘fenômenos’ podem emergir uma variada gama de traumas latentes. Estes traumas poderiam encontrar-se ocultos, sem atuação. Mas poderiam sair à superfície ou se já saíram reforçar-se e agravar-se. Para algumas pessoas propensas (desequilibrados, doentes fronteiriços, hiperemotivos e hipersensíveis) uma só experiência provocada pode ter conseqüências nefastas.

Existe algo que chama a atenção de quem estuda o Movimento Carismático, o Controle Mental e outras técnicas e grupos da mesma espécie. Os adeptos que se decepcionam são poucos. Estes não retornam nunca mais. Sem embargo um alto percentual daqueles que assistiram aos eventos dos Carismáticos, ainda que não recebam ‘dons’, curas ou outro tipo de manifestações especiais, permanecem com o grupo e não se afastam. As condições de manipulação mental a que são submetidos pelos doutrinadores são tão profundas que lhe criam esta dependência. São manipulados psiquicamente por premissas de auto-hipnose. Formulação de propósitos e sugestão. Além do mais lhe fazem crer que se não acontece o que eles esperam (manifestações sensíveis e especialmente a cura) é por culpa deles e não dos pregadores ou organizadores. Só é culpa dos próprios adeptos. Não deixarão de repetir até bastar frases como esta: “Segundo as disposições e a cooperação individual os sacramentos são mais eficazes” com o que lhe diz às pessoas uma mensagem que no interior do adepto soará como: “Se me curou é obra dos Carismáticos (ou de Betancourt, por exemplo), mas, é por minha culpa, porque me falta fé, porque sou um grande pecador, etc.”

Sem dúvida é uma obra diabólica que pode desembocar na desesperação pela salvação, posto que previamente tem sido identificada esta com a cura corporal.

“Todas estas interpretações errôneas são produto da mentalidade distorcida com a firme intenção de manipular psiquicamente ao adepto, para depois doutriná-lo”.

Esta frase final de Ávila nos deixa a chave completa para compreender o que acontece com a Renovação Carismática:

“Por trás do enorme aparato pseudo-científico e comercial montado para a difusão do Controle Mental, se esconde um amálgama de ambição econômica, pretensões de poder e delírio messiânico. Se esconde em definitivo o perigoso mecanismo das seitas que os conduz à ignorância, à miséria, à alienação e à destruição.”


TÉCNICAS DE INDUÇÃO A CRISE HISTÉRICA

Finalmente e para ilustrar melhor transcrevemos do livro SEITAS E LAVAGEM CEREBRAL (original: SECTAS Y LAVADO DE CEREBRO – ED. BONUM, 1991) do licenciado em Psicologia José María Baamonde este capítulo que nos descreve claramente os ‘casos de sanidade’ (pág. 76):

“A presente é uma técnica utilizada por vários movimentos e, de forma preferencial, por parte daqueles que dizem realizar ‘curas’ ou ‘exorcismos’. Nestes grupos é freqüente ver que ao fazer a imposição das mãos ou outro gesto já estipulado, por parte do líder do grupo, se registrem desmaios ou crises convulsivas em meio a fortes e desgarradores gritos, ou fenômenos de transe diversos.”

“Tais efeitos não respondem a nada mágico, nem milagroso ou sobrenatural.”

“Tão somente é a consciência lógica da utilização de uma técnica psicológica conhecida com o nome de ‘Indução à Crise Histérica’ ou, simplesmente como ‘técnica de indução à crise’, a qual pretende obter uma sorte de choque nas pessoas que são submetidas à mesma.”

“A forma de levá-la a cabo é relativamente simples. Se medirmos em um gráfico a intensidade e inflexão da voz que implementa a técnica, observaríamos os seguintes passos:

- Contando com um auditório previamente preparado, pois veio se relembrando com antecedência não somente sobre o poder inegável do influenciador, mas também sobre a segurança de que se operarão ‘milagres’ e ‘grandes maravilhas’, o influenciador começa a falar calmamente e desde um nível 1.

- Logo depois de começar, incrementa o volume da voz e a inflexão da mesma, até chegar a um nível 4. Esta é uma técnica básica de oratória que pretende, entre outras coisas, mobilizar o auditório. Se o influenciador falasse em um tom monocorde obteria um efeito inverso quase hipnótico, de adormecimento, também muitas vezes utilizado.”


É importante que recordemos que no caso dos Carismáticos muitos dos processos que Baamonde descreve são ‘pulados’ porque a predisposição dos adeptos é tal que não se necessitam tantas irrupções de gritos e inflexões. Será compensada esta carência com o esgotamento físico (calor ou frio, fome e outros incômodos) que facilitarão o aumento da tensão residual.

“No caso que estamos analisando se busca, com o aumento de tensão na voz do influenciador, um aumento recíproco da tensão no auditório.”

“Ao chegar ao nível 4, produz uma descarga da tensão acumulada. Esta descarga geralmente se leva a cabo por meio de exclamações que são, em seguida, repetidas pelo auditório (por exemplo: Aleluia! Glória a Deus! Amém! Graças Jesus! Etc.).”

“Agora se observa que esta descarga é parcial, já que faz cair a tensão tão somente até um nível 3, ou seja, não alcança a extrair a totalidade da tensão acumulada no auditório, e resta em conseqüência uma carga residual de tensão.”

“O influenciador retoma o discurso porém não de onde havia começado, no nível 1, mas inicia a partir do nível 3. Daí volta a incrementar a tensão da voz; até chegar ao nível 6, e produz uma nova descarga.”

“Esta nova descarga, mais violenta e com um uso repetido e ‘in crescente’ dos términos utilizados, chega a um nível 5, pelo que aumenta a carga residual de tensão acumulada.”

“O influenciador prossegue a partir do nível 5 e assim sucessivamente, até que a carga de tensão acumulada no auditório se torna impossível de suportar e necessita ser descarregada violentamente, em forma de choque.”

“Assim começam a gerar-se os clássicos desmaios, gritos histéricos e diversas formas de transe.”

“As pessoas submetidas a tal técnica e que efetuam esta descarga violenta da tensão acumulada em forma de choque registram uma série de sintomas psicofisiológicos muito interessantes.”

“Primeiramente, se observa uma espécie de anestesia sensitiva a nível do córtex cerebral. Por isto é tão freqüente que aquele que sofria de reumatismo, úlcera no duodeno, etc, não registre na forma consciente a dor, e se crê curado.”

“O reumatismo e a úlcera continuam; o que se detém temporariamente é a percepção consciente das dores provocadas por tal ou qual doença.”

“Este fenômeno fisiológico se vê reforçado por outro de ordem psicológico, que consiste em um mecanismo de defesa inconsciente, da integridade iogue.”

“Se de alguma maneira pudéssemos ‘escutar’ o inconsciente, este diria algo mais ou menos assim: ‘Não passei toda essa experiência de tensão para ficar igual. Necessariamente não tenho que sentir mais dor’, ou ‘...necessariamente tenho que ser distinto’.

“A esta síndrome psicofisiológica de anestesia sensitiva, se adiciona um forte estado confusional, característico de todo choque.”

“Chamado estado confusional, entre outros elementos, é ele que possibilita que ao despertar ou sair do estado de crise, o sujeito aceite facilmente a instrução ou explicitação que o influenciador dê a respeito. Se explica assim a total ausência de questionamentos ou pensamento crítico por parte do ‘danificado’, ao ser-lhe dito, por exemplo, que foram exorcizados e retirados vinte demônios de seu corpo.”


CONCLUSÃO FINAL

“Vêem só visões disparatadas, só fazem predições enganosas, eles que dizem: oráculo do Senhor! quando o Senhor não os enviou; e, todavia, esperam a realização de sua palavra. Não é verdade que não tendes senão visões ineptas e não fazeis senão predições enganadoras, quando dizeis: oráculo do Senhor, quando eu não falei coisa alguma? E, por isso, eis o que diz o Senhor Javé: porque proferis oráculos enganadores e tendes visões mentirosas, eu vou castigar-vos - oráculo do Senhor Javé. Estenderei minha mão contra esses profetas de visões ineptas e de oráculos enganadores. Não farão mais parte do conselho do meu povo, não serão inscritos no número da casa de Israel e não regressarão à terra de Israel. E saberão assim que sou eu o Senhor Javé.” (Ezequiel 13,6-9)

“O Espírito diz expressamente que, nos tempos vindouros, alguns hão de apostatar da fé, dando ouvidos a espíritos embusteiros e a doutrinas diabólicas, de hipócritas e impostores que, marcados na própria consciência com o ferrete da infâmia.” (1 Tim 4,1-2)

Cremos que há muitas pessoas boas dentro da chamada Renovação Carismática ou Movimento Carismático. Muitas pessoas de ‘boa fé’, ainda que ignorantes em muitos casos, que se deixam enganar pelas artes más destes falsos profetas.

A mentalidade atual não tolera a verdade cruelmente expressada. Se atém ao ‘diálogo’, aos bons modos, a jogar água sobre a doutrina com o objetivo de não cair em disputas.

É o que se chama falso irenismo ou ‘paz do mundo’.

Quando nos propomos realizar seriamente esta investigação, sabíamos que chegaríamos a conclusões muito duras para os ouvidos modernistas e progressistas. E que para muitos seria motivo de escândalo.

São Beda nos deu o empurrão que faltava: “Se o escândalo vem pela verdade, é melhor que venha” (Catena Áurea)

Se houvesse uma possibilidade de que o Movimento Carismático e o Padre Betancourt estivessem na verdade... diríamos que teria que os seguir como fiéis discípulos e nos fazer todos ‘carismáticos’. Nós seríamos os primeiros a fazer-lo, porque somente o amor à Verdade é que nos move.

Mas se eles mentem, se eles enganam, se eles não fazem o que a Igreja fez sempre, como cremos haver demonstrado nesta investigação, nos vemos obrigados a enfrentá-los.

Até as últimas conseqüências.

Encomendamo-nos à Santíssima Virgem nesta tarefa, já que ela é o terror dos hereges. A destruidora do maligno e seus erros.

"Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza". (Mt 6,24)

"Quem não está comigo, está contra mim; quem não recolhe comigo, espalha". (Lc 11,23)

©MMV - Militia in Veritate

Para citar este texto:

CRISTIANDAD FM - "MANIPULAÇÕES PSÍQUICAS DO MOVIMENTO CARISMÁTICO" (tradução de Jorge Luis)
Blog TRADIÇÃO VIVA (EM DEFESA DA FÉ CATÓLICA)
http://tradicaoviva.blogspot.com/2007/08/manipulaes-psquicas-do-movimento.html
Postado por Jorge Luis às 22:16
11 de Agosto de 2007
UM POUCO SOBRE A RCC...
Salve Maria

Tenho recebido alguns 'scraps' em meu perfil do Orkut de membros do movimento conhecido como 'Renovação Carismática Católica', onde estas pessoas afirmam ser eu portador de ódio a este movimento. Dentre outras coisas, me questionam como posso eu ser contra um movimento que tem a aprovação do Papa, e que, agindo assim, estou buscando a divisão na Igreja.

Antes de mais nada, é importante conhecer as origens do que hoje é a Renovação Carismática. Não sem antes passarmos pelas origens do chamado Movimento Pentecostal ou Avivamento. Para tanto, valho-me de um estudo sobre a Renovação Carismática publicado no site da Capela de Nossa Senhora da Conceição (RJ), de onde transcrevo algumas partes:

1) Breve História do Movimento (RCC)

a) Raízes Protestantes:

Apesar de muitos carismáticos tentarem atribuir suas chamadas "manifestações do Espírito" `a ininterrupta Tradição Apostólica, eles acabam sempre por fracassar nesse intento. Alguns chegam ainda a sustentar que o fenômeno cessou por causa de uma atitude "sufocante e burocratizante "por parte da Hierarquia Católica. Apesar disso, o fato da existência desses carismas não ser conhecido depois da era Apostólica, é algo que fica claramente demonstrado por essa declaração de Santo Agostinho, feita no quarto século:

"Quem em nossos dias, espera que aqueles a quem são impostas as mãos para que recebam o Espírito Santo, devem portanto falar em línguas , saiba que esses sinais foram necessários para aquele tempo. Pois eles foram dados com o significado de que o Espírito seria derramado sobre os homens de todas as línguas, para demonstrar que o Evangelho de Deus seria proclamado em todas as línguas existentes sobre a Terra. Portanto o que aconteceu, aconteceu com esse significado e passou"

Ao descartarmos a atribuição dos carismas à Tradição Apostólica , devemos portanto olhar para outras direções para compreendermos a origem desse fenômeno moderno. Muitos escritores atribuem o início do moderno Pentecostalismo a John Wesley, o famoso ministro ex-Anglicano e fundador do Metodismo no século 18.

O próprio Wesley, filho de um ministro Anglicano, cresceu tentando "espiritualizar" a então ainda "muito-católica" religião Anglicana, ou seja, tentando livrar o Anglicanismo de todo o seu "ranço"católico. Ele enfatizava a necessidade de uma piedade pessoal extremamente emocional, um "relacionamento pessoal"com Deus. Um dia, depois de um período convalescendo de uma longa enfermidade, Wesley sentiu uma "sufocante" manifestação do "Espírito" e percebeu que todas as suas antigas obras religiosas não passavam de tolices. Assim "cheio do poder", batizado no Espírito, tendo recebido aquilo que ele chamava de "segunda-bênção", ele foi capaz de sair e conquistar os corações de gelo das massas de denominação Anglicana dando-lhes um sentido mais profundo da presença de Deus através de seu "Método" de "Encontros de Oração".

O paralelo entre o nascimento do Metodismo e as orígens da RCC se tornam ainda mais evidentes quando consideramos o segundo passo no desenvolvimento do primeiro. Wesley começou o seu movimento como uma espécie de suplemento para os serviços dominicais da Igreja Anglicana. Os encontros de oração eram realizados durante a semana, normalmente com a supervisão de algum membro do clero. Mas logo logo as autoridades Anglicanas começaram a ficar apreensivas com o rumo que os Metodistas estavam tomando e assim recusaram-se a designar mais elementos do clero para acompanhá-los. Como consequência, Wesley e seu movimento romperam com a hierarquia Anglicana, fundando sua própria igreja, sob sua própria autoridade, embora nunca tendo renunciado ao seu "sacerdócio anglicano". O número de apóstatas Católicos, cuja apostasia_ formal ou material_ é devida à RCC sem dúvida é significante, pois qualquer um sabe que uma igreja pentecostal ou carismática é formada quase em sua totalidade por apóstatas católicos.

O Pentecostalismo propriamente dito, teve início com o movimento Revivalista ou de Reavivamento, o qual desovou entre outras, a seita do reverendo Charles Parham em Topeka, Kansas por volta do ano de 1900. Os Católicos Carismáticos atribuem o início do "Derramamento do Espírito" nos tempos modernos a essa seita herética. Uma breve sinopse da história dessa seita pode ser encontrada no livro de William Whalen chamado "Minorias Religiosas na América":

“O aparecimento da glossolalia ( falar em línguas) foi registrado em 1901. Charles Parham, um pregador do movimento da Santidade, andava desanimado com sua própria aridez espiritual. Ele alugou então uma mansão que mais parecia um "elefante branco" em Topeka, Kansas, e ali começou uma escola bíblica com cerca de 40 alunos. Juntos eles começaram uma espécie de curso intensivo das Escrituras e chegaram à conclusão de que falar em línguas era o sinal de que um cristão havia recebido o batismo no Espírito Santo. Às 7 horas da tarde, numa véspera de Ano Novo, uma de suas alunas, Agnes N. Ozmen, começava a reunir o grupo para orar e quando foram-lhe impostas as mãos, ela começou a orar em línguas. Dentro de poucos dias, muitos outros a seguiram na experiência.”

Pahram passou os cinco anos seguintes levando uma vida de pregador intinerante antes de abrir outra escola bíblica, desta vez em Houston no Texas. Um de seus alunos, um ministro negro chamado W. J Seymore, levou a mensagem do "evangelho-pleno" à Los Angeles. Assim o movimento de Reavivamento, com apenas 3 anos de existência na Califórnia já atraía pessoas de tudo quanto é parte do país e essas pessoas se encarregaram de fundar e espalhar o Pentecostalismo na maioria das grandes cidades dos Estados Unidos, bem como em muitos países da Europa. As antigas igrejas do movimento revivalista recusavam-se a enfatizar a necessidade de se falar em línguas, mas rapidamente dezenas de denominações pentecostais independentes se organizaram, dando origem entre outras , às chamadas "assembléias de Deus".

Logo após esse firme estabelecimento em solo protestante, o Pentecostalismo começou a crescer rapidamente. De qualquer modo, sempre foi visto pelos escritores católicos como uma nova seita herética, nunca como "igreja-irmã". A revolução entrou na Igreja com a mudança de atitude proclamada pelo Vaticano II, uma abertura das janelas para o mundo, o que significou também uma abertura para todas as religiões do mundo- sob a guia de seu Príncipe e fundador, Satanás.

b) O Retiro de Duquesne e seus antecedentes (extraído do site da Comunidade Shalom):

"A primeira pessoa beatificada pelo Papa João XXIII foi uma freira chamada Elena Guerra, fundadora em Lucca, na Itália, das Irmãs oblatas do Espírito Santo. Entre os anos de 1895 e 1903, a irmã escreveu doze cartas ao Papa Leão XIII pedindo a pregação permanente do Espírito Santo, "que é aquele que faz os santos", e expressou ao Santo Padre o seu desejo de ver toda a Igreja unida em permanente oração, como o estavam Maria e os Apóstolos no Cenáculo, aguardando a vinda do Espírito Santo. Como resultado, o Papa Leão XIII publicou "Provida Matris Caritate", onde pediu que a Igreja celebrasse, entre as festas da Ascensão e Pentecostes uma solene novena ao Espírito Santo; e publicou também a sua encíclica sobre o Espírito Santo, "Divinum Ilud Munus", e em 1º de Janeiro de 1901, primeiro dia do século vinte, invocou o Espírito Santo e cantou ele mesmo o hino "veni, Creator Spiritus" em nome da Igreja. Mas, apesar da fraca resposta dos católicos ao chamado do papa Leão XIII, pessoas de outras denominações se puseram em oração ao Espírito Santo e receberam manifestações impressionantes dos dons e poder do Espírito Santo, até que nos meados da década de 1960 também a Igreja Católica começou a experimentar a Graça da Renovação Carismática.

Neste momento veremos a infiltração do protestantismo no chamado 'movimento carismático' católico:

"Em Agosto de 1966 estes dois professores (da universidade de Duquesne) encontraram-se com Ralph Martin e Steve Clark na Convenção Nacional dos Cursilhos e receberam destes cópias dos livros "A Cruz e o punhal" e "Eles falam em outras línguas" (de autoria protestante - Nota minha), que tratam da experiência pentecostal. Impressionados com a clareza que agora viam do papel do Espírito Santo na vida de quem crê, procuraram um ministro da Igreja episcopal, que embora não tivesse vivido a experiência do batismo no Espírito os conduziu a uma paroquiana sua, chamada Flo Dodge. Esta paroquiana, com seu grupo carismático de oração, os levou e, mais dois professores da Duquesne, a receber o batismo no Espírito Santo.

O que lemos acima parece ser, no mínimo, aterrador: católicos buscam em livros protestantes a clareza necessária para viver uma 'experiência' com o Espírito Santo, e recebem das mãos de uma protestante o 'batismo no Espírito Santo', pois, como no próprio texto da Shalom afirma: 'Todavia, eles ainda queriam "algo mais". Não tinham uma noção exata daquilo que queriam e que ainda estava faltando'!!! Uma porta para que o Demônio se mostre e seduza os corações mais simples...

O resto da história todos nós já a conhecemos. Por isso pergunto: como não se dedicar a combater um movimento que se diz católico, mas tem em sua raízes mais profudas o protestantismo??? Como aceitar passivamente que pessoas de boa vontade sejam enganadas por doutrinas já há muito condenadas pela própria Igreja???

Rezo a Deus para que mostre aos 'carismáticos' a enganação a que se sujeitam, e que a Igreja seja forte para sufocar a heresia que teima em contaminar seus filhos, e é por isso que luto com todas as forças contra este movimento, pelo bem das almas e pela glória de Deus e de sua Santa Igreja, assistida desde sempre pelo Espírito Santo... não este 'espírito' que reina entre os pentecostais e carismáticos.

A RENOVAÇÃO CARISMÁTICA
A RENOVAÇÃO CARISMÁTICA
(negação dos Sacramentos e caricatura dos Dons do Espírito Santo)
Tradução do espanhol por Jorge Luis

Atualmente se fala com freqüência na Igreja do Movimento Pentecostal e da Renovação Carismática. Efetivamente há muitos católicos hoje em dia que buscam receber a graça do Espírito Santo por um caminho diferente que em definitivo nos chega através do Protestantismo. O Movimento Pentecostal é de origem protestante (1) e entrou na Igreja (2) transformando-se no Movimento da Renovação Carismática. Temos que dizer com clareza que estas manifestações são cada vez mais freqüentes na Igreja e sempre com a autorização das autoridades eclesiásticas (3).

No mês de Novembro de 1984, durante a reunião que teve lugar em Munique conhecida como Katholikentag, todos os Cardeais e Bispos alemães se congregaram junto a mais de oitenta mil fieis. Todo o mundo foi testemunha destas estranhas manifestações que tiveram lugar geralmente antes de se administrar o Sacramento da Eucaristia. E não cabe dúvida que diante de tais manifestações alguém se perguntasse se estavam inspirados pelo verdadeiro Espírito de Deus ou se tratava de outro espírito.

Mais ou menos e também por este modo, em Graz (Áustria), tiveram lugar uma serie de manifestações carismáticas diante do bispo deste lugar, no qual afirmou que adiante seriam aceitas na Igreja Católica como um meio para atrair aos jovens cuja prática religiosa era cada vez menor. Talvez, seguiu dizendo, seja um meio para que renasça a vida cristã entre a juventude.

Ao mesmo tempo, em Paray-le-Monial, se celebram freqüentemente reuniões deste tipo, adornadas com certos elementos tradicionais.

Concretamente aqui, em Paray-le-Monial, há jovens que passam a noite em adoração diante do Santíssimo Sacramento, rezando o Rosário e dando testemunho de um autêntico espírito de oração. No entanto há um aspecto curioso e estranho nele em que se mesclam elementos da Tradição e essas manifestações raras e nada habituais na Igreja.

Que podemos pensar de tudo isto? Devemos crer que é um novo caminho aberto por ocasião do Concilio Vaticano II, e incluído alguns anos antes, para receber o Espírito Santo?

"O Movimento Pentecostal é de origem protestante e tem entrado na Igreja transformando-se no Movimento da Renovação Carismática"

Tudo parece indicar que estas novas manifestações não estão de acordo com a Tradição da Igreja. De onde procede o Espírito Santo? Quem nos dá o Espírito Santo? Quem é o Espírito Santo?

DE ONDE PROCEDE O ESPÍRITO SANTO?

O Espírito Santo é Deus. Spiritus est Deus, diz São João. “Deus é Espírito”. E Deus quer que rezemos e lhe adoremos em espírito e verdade. Assim pois mais que manifestações sensíveis, externas, se trata de uma atitude espiritual que deve mostrar nosso verdadeiro vínculo com o Espírito Santo. No Evangelho Nosso Senhor Jesus Cristo anuncia aos Apóstolos que receberão o Espírito Santo, que Ele lhes enviará o Espírito Santo. O Espírito Santo, Espírito de verdade, de caridade, que glorificará a Nosso Senhor porque tomará dEle e lho dará a conhecer. Mittam eum ad vos. “Eu lhos enviarei”. Este Espírito procede de Nosso Senhor Jesus Cristo e do Pai. O dizemos no Credo: Credo in Spiritum Sanctum, qui ex Patre Filioque procedit. “Que procede do Pai e do Filho”. Esta é a Fe católica: cremos que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho e que Nosso Senhor Jesus Cristo veio precisamente à Terra para comunicar-nos seu Espírito, para infundir-nos sua vida espiritual, sua vida divina.

OS SACRAMENTOS

Como se da a recepção do Espírito Santo? Que meios usa Nosso Senhor? Se vale destas manifestações (4) que vemos na Renovação Carismática e nos Pentecostais? Em absoluto. É por meio dos Sacramentos, instituídos por Ele, que nos comunica seu Espírito.

Devemos insistir de forma especial nesta verdade da Tradição: Nosso Senhor nos comunica seu Espírito pelo Batismo. Ele disse a Nicodemos na entrevista noturna que manteve com ele. “Aquele que no renasce da água e do Espírito Santo não entrará no Reino dos Céus”. Devemos renascer da água e do Espírito Santo. Ademais Nosso Senhor comunicou também desta forma seu Espírito aos Apóstolos. Primeiramente receberam o batismo de João e depois em Pentecostes receberam o Batismo do Espírito. E logo depois de terem recebido o Espírito Santo, que fizeram?

"Creio que deveríamos meditar com mais atenção a grande realidade de nosso Batismo. É uma total transformação a que se opera em nossas almas com a recepção deste sacramento."

Eis o que fizeram os Apóstolos: foram batizar; comunicaram o Espírito Santo a todos que tiveram Fé, a todos que creram em Nosso Senhor Jesus Cristo.

É assim como a Igreja, sob a influência e o ditame de Nosso Senhor Jesus Cristo, comunica o Espírito Santo às almas através do Batismo. Todos nós recebemos o Espírito Santo no dia de nosso Batismo. Creio que deveríamos meditar com mais atenção a grande realidade de nosso Batismo. É uma total transformação a que se opera em nossas almas com a recepção deste sacramento.

Os outros Sacramentos vêm a completar esta efusão do Espírito Santo recebido no dia de nosso Batismo.

O Sacramento da Confirmação nos comunica também todos os dons do Espírito Santo com grande profusão, já que temos necessidade deles para alimentar e fortalecer nossa vida espiritual, nossa vida cristã.

E isso não é tudo. Com efeito, Nosso Senhor Jesus Cristo quis que dois Sacramentos em particular nos comunicasse seu Espírito de forma freqüente, com o fim de manter em nós a efusão de seu Espírito. São os Sacramentos da Penitencia e da Sagrada Eucaristia. O Sacramento da Penitencia reforça a Graça que recebemos no dia de nosso Batismo e purifica nossas almas de nossos pecados. Não podemos pensar em receber numerosas graças do Espírito Santo se estamos contristando-lhe pelo pecado. O Sacramento da Penitencia restitui pois em nós a força do Espírito Santo, a virtude da Graça.

O que diremos do Sacramento da Sagrada Eucaristia que nos é dado pela celebração do Santo Sacrifício da Missa? É nesse preciso instante em que o Sacrifício da Missa se consuma, continuando-se assim o Sacrifício da Redenção, quando o Sacramento da Sagrada Eucaristia se realiza. Esta graça flui do Coração traspassado de Nosso Senhor Jesus Cristo. O Sangue e a água que saem de seu Sagrado Coração significam as graças da Redenção e ao mesmo tempo nos comunicam sua vida divina. Na Sagrada Eucaristia recebemos toda vez a santificação de nossas almas para apartá-las do pecado e a união com Nosso Senhor Jesus Cristo, e em tudo isto se nos comunica a força do Espírito Santo.

Os Sacramentos do Matrimonio e da Ordem santificam a sociedade. O primeiro santifica as famílias e o segundo é conferido para comunicar precisamente o Espírito Santo a todas as famílias cristãs, a todas as almas. São momentos nos quais Nosso Senhor Jesus Cristo nos dá realmente seu Espírito, Espírito de verdade, de caridade e de amor.

Finalmente o Sacramento da Extrema-Unção nos prepara para receber a verdadeira e definitiva efusão do Espírito Santo, quando receberemos nossa recompensa no Céu.

NÃO TEMOS DIREITO A ESCOLHER OUTROS MEIOS

Estes são os meios que Nosso Senhor Jesus Cristo quis empregar para comunicar-nos sua vida espiritual, seu próprio Espírito. Não temos direito a querer e escolher outros meios distintos daqueles que Nosso Senhor Jesus Cristo nos deu, esses meios que Ele mesmo instituiu tão singelos, tão belos, tão eficazes e tão simbólicos ao mesmo tempo. Não pretendamos receber o Espírito Santo mediante simples manifestações externas ou gestos originais. É demais temer que todas estas manifestações sejam inspiradas pelo espírito do mal, precisamente para enganar aos fieis, fazendo-lhes crer que recebem o verdadeiro Espírito de Nosso Senhor. E não é verdade, não recebem o Espírito Santo, mas outro tipo de espírito... Cuidado para não deixar-nos enganar por estas correntes, velando para que não o sejam também nossos familiares. Façamos ver que Nosso Senhor Jesus Cristo pôs todo seu empenho em comunicar-nos o Espírito Santo através dos Sacramentos que Ele mesmo instituiu.

A VERDADEIRA AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO NAS ALMAS: OS DONS DO ESPÍRITO SANTO

Assim, pois, como atua o Espírito Santo em nossas almas? Primeiramente apartando-nos do pecado, mediante os dons da Fortaleza e do Temor de Deus. Especialmente o temor filial e não o temor servil, ainda que pode ser útil o temor que nos infundem os castigos, guardando-nos fiéis a Nosso Senhor Jesus Cristo e a seus Mandamentos. Mas é o temor filial que devemos cultivar. È este temor que nos infunde o Espírito Santo. Temor de apartar-nos de Nosso Senhor Jesus Cristo que é nosso tudo, de apartar-nos de Deus, do Espírito Santo. Este temor deveria ser suficiente e eficaz para apartar-nos de todo pecado voluntário, seja ele que seja. Que nossa vontade não se afaste de Deus pelo apego a bens contrários à Vontade divina. Este é o primeiro efeito dos dons do Espírito Santo.

Através dos Dons do Conselho e Sabedoria o Espírito Santo nos inspira a submissão à Vontade de Deus; o Dom de Conselho aperfeiçoa a virtude da Prudência. Todos temos necessidade em nossa vida de saber qual é a Vontade de Deus para poder cumpri-la. Nem sempre é fácil. Há momentos em que devemos tomar certas decisões, que são sem dúvida complicadas, e é então quando descobrimos ser difícil conhecer a Vontade de Deus. O Espírito Santo nos ilumina pelos Dons de Conselho e Sabedoria.

A Terceira Pessoa da Santíssima Trindade nos move também à oração, à união com Nosso Senhor Jesus Cristo, à união com Deus Pai através da oração. Eis aqui o Dom da Piedade, um dos sete Dons do Espírito Santo. O Dom da Piedade se manifesta especialmente na virtude da Religião que leva as almas a Deus. Virtude da Religião que forma parte da virtude da Justiça, pois é justo e digno que tributemos um culto. E o culto que Deus Pai quer que lhe tributemos através da Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, mediante o Sacrifício do Calvário. Pela celebração do Santo Sacrificio da Missa Deus Pai quis que lhe tributasse toda honra e toda gloria por Nosso Senhor Jesus Cristo, com Ele e nEle.

Isto é o que a Igreja nos pede que façamos cada Domingo: unir-nos ao Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo. É a oração mais bela e maior. Na Santa Missa o Espírito Santo nos inspira esta virtude da Religião, espírito de piedade profunda, realidade espiritual muito mais que sensível.

UMA FRASE BEM REPETIDA: A PARTICIPAÇÃO ATIVA NA LITURGIA

De novo nos vemos obrigados a dizer que há um erro na reforma litúrgica: a repetição maçante sobre a participação dos fiéis. Eu mesmo ouvi dos lábios de Monsenhor Bugnini, peça chave na reforma litúrgica, dizer o seguinte: “A reforma litúrgica tem como objetivo incentivar a participação dos fiéis na Liturgia”.

De que participação se trata? Esta é la pergunta. Uma participação externa? Una participação oral? Estas formas não são sempre a melhor maneira de participar. Por que a participação externa? Por que estas cerimônias? Por que estes cantos? Por que estas orações vocais? Acaso é com o fim de chegar à união interior, a essa união espiritual, sobrenatural, a essa união de nossas almas com Deus?

Dito isto é bem possível que alguém possa assistir ao Santo Sacrifício da Missa em atitude silenciosa, sem abrir sequer o Missal, precisamente quando toda a atenção se dá no que ali se celebra, e a alma está centrada, invadida pelos sentimentos que o sacerdote manifesta em sua ação litúrgica, pendente do momento em que o ministro pronuncia o confiteor, seu ato de contrição. Desta forma a alma faz suas as palavras do sacerdote e se dói de seus pecados.

Quando se entoa o Kyrie Eleison se faz una chamada à piedade e à misericórdia de Deus. Quando se lê o Evangelho ou a Epístola surge o espírito de Fé. O Credo é um ato de Fé, de Fé nas verdades ensinadas pela Santa Igreja. No momento do Ofertório a alma se oferece, junto com a Hóstia, na patena. Se oferece o trabalho do dia, a própria vida e a família, os entes queridos: tudo se oferece a Deus. Os sentimentos continuam expressando-se desta maneira através da Missa, é magnífico. Esta é a verdadeira participação, participação interior de nossas almas na oração pública da Igreja. Não tem que ser necessariamente uma participação externa, ainda que esta seja bem útil e possa nos ajudar a estar unidos ao sacerdote. Mas o fim é sempre a união espiritual de nossos corações e de nossas almas com Nosso Senhor Jesus Cristo, com Deus Pai. E por tudo isso é um erro quando se pretende que os fieis participem externamente e isto em tal grau que chega a ser um obstáculo para a oração interior e a união das almas com Deus.

"Não temos direito a querer e escolher outros meios distintos daqueles que Nosso Senhor Jesus Cristo nos deu, esses meios que Ele mesmo instituiu tão singelos, tão belos, tão eficazes e tão simbólicos ao mesmo tempo."

Quantas pessoas dizem que não podem rezar agora com a Nova Missa. Sempre se está ouvindo algo. Sempre há uma oração em comum, pública, manifestada externamente, que é motivo de distrações e impede que possamos nos recolher e assim estar unidos mais intimamente com Deus. É a negação do que se está fazendo. O espírito de Piedade e o Dom da Piedade são também uma manifestação do Espírito Santo.

DA PIEDADE À CONTEMPLAÇÃO

Finalmente os Dons do Entendimento e da Ciência nos convidam à contemplação de Deus através das coisas deste mundo. O Dom da Ciência e o Dom do Entendimento nos penetram e nos infundem a Luz da existência de Deus, de sua Presença em todas as coisas e especialmente nas manifestações espirituais e sobrenaturais que Deus nos concede pela Graça e pelos Sacramentos. Quando o Espírito Santo ilumina a uma alma esta vê de alguma maneira a presença de Deus em todas as coisas e assim se une a seu Senhor no viver diário esperando vê-lo realmente na vida eterna.

O ESPÍRITO SANTO FONTE DA VIDA INTERIOR

Assim é e assim se manifesta o Espírito Santo. Nos Evangelhos, nos Atos dos Apóstolos, nas Epístolas, se pode contemplar ao Espírito Santo. Está em todas as partes e em todas as partes se manifesta. É a expressão claríssima da Vontade de Deus Pai que deseja ver-nos como nos santificamos pela presença do Espírito Santo.

Peçamos à Santíssima Virgem Maria, inundada pelo Espírito Santo, Ela que é Nossa Mãe do Céu, que nos ajude a viver esta vida espiritual, interior e contemplativa. Ela que tanto recato teve em manifestar externamente sua oração. Umas poucas palavras no Evangelho bastam para nos mostrar e descobrir um pouco a alma da Santíssima Virgem Maria.

Ela meditava as palavras que proferia Nosso Senhor. As meditava em seu Coração, nos diz o Evangelho. Este era o espírito da Santíssima Virgem Maria: meditava as palavras de Jesus.

Meditemos também nós os ensinamentos do Evangelho; meditemos os ensinamentos que a Igreja nos faz aprender para nos unir cada vez mais e mais a Deus Nosso Senhor.

† Mons. Marcel Lefebvre

Notas:
(1) Em primeiro de janeiro de 1901 uma estudante protestante experimentou de repente uma sensação de paz e de gozo que segundo ela provinha de Cristo e igualmente se pôs a falar em línguas cujo conhecimento ignorava. Passados alguns dias toda sua comunidade havia recebido, como ela, o “Batismo no Espírito”. Assim nascia o Movimento Pentecostal protestante.
(2) Em 13 de janeiro de 1967 dois professores da Universidade de Pittsburgh pedem que se lhes imponha as mãos em uma assembléia protestante, descobrindo com grande surpresa que “falam em línguas”. Nascia a Renovação Carismática católica.
(3) Esta tendência ecumenista atual, de tão grande êxito, não constituirá talvez o que se vêm chamando a “renovação conciliar”?
(4) Os sinais extraordinários de Pentecostes foram carismas passageiros cujo fim era interessar aos judeus na predicação dos Apóstolos. À medida que a Igreja se estendia estes carismas foram desaparecendo pouco a pouco.



Texto original: 'La Renovacion Carismatica: negación de los sacramentos y caricatura de los Dones del Espíritu Santo', publicado em http://www.statveritas.com.ar/Varios/Lefebvre-Carismaticos.htm

Disponível em: http://tradicaoviva.blogspot.com/search/label/RCC


Será o movimento carismático a ilusão espiritual sutil dos tempos do Anticristo ?
http://ortodoxiacatolica.wordpress.com/2008/07/16/rcc-um-sinal-dos-tempos-do-anticristo/

A Bíblia e os Santos Padres, nos falam claramente sobre o sinal do fim dos tempos, que não será uma grande “renovação” espiritual, ou uma “efusão do Espírito Santo,” mas sim de uma apostasia quase universal, de uma grande ilusão espiritual tão sutil, capaz de enganar até os escolhidos, e se possível, causar até o desaparecimento virtual do Cristianismo da terra. Saberemos que o Anticristo provará para o mundo que é o Cristo fazendo seus pródigios unido a um movimento cheio de “poder,” que faz todos os tipos de falsos milagres, sinais e maravilhas enganadoras (II Tessalonicenses 2:9).

A ilusão do “falar em línguas” dos carismáticos

Se analisarmos cuidadosamente os escritos da “renovação carismática,” veremos que esse movimento guarda muitas semelhanças com diversos movimentos sectários do passado, baseando-se de modo primário — ou mesmo integral — em práticas religiosas e ênfases doutrinárias bizarras. A única diferença é que a ênfase é outra, um ponto específico que nem os sectários no passado reconheceram como crucial: o “falar em línguas.”
Aqui já se pode notar uma ênfase (no falar em línguas) que certamente não está presente no Novo Testamento, onde o falar em línguas teve um significado menor, servindo como um sinal da descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes (Atos 2) e duas ocasiões (Atos 10 e 19). Depois do primeiro ou talvez do segundo século não há registro desse fenômeno em qualquer documento do magistério, e não há relatos de sua ocorrência nem mesmo entre os grandes padres do deserto Egípcio que, dotados do Espírito de Deus, podiam realizar numerosos milagres surpreendentes, inclusive ressuscitar os mortos. Pode-se resumir a atitude Ortodoxa com relação ao genuíno falar em línguas, com as palavras de Santo Agostinho (Homilias sobre São João, VI:10): “Nos primeiros tempos O Espírito Santo desceu sobre aqueles que acreditaram, e eles falaram em línguas que haviam aprendido, conforme o espírito lhes ensinava.” Estes sinais faziam parte daquela época, pois foi necessário que este sinal do Espírito Santo se manifestasse em todas as línguas mostrando que dever-se-ia proclamar o Evangelho de Deus aos quatro cantos da Terra. Foi um sinal que acabou. E como resposta aos pentecostais contemporâneos — e sua estranha ênfase nessa questão — Agostinho continua: “Espera-se agora que aqueles que recebem a imposição de mãos devem falar em línguas? Ou quando impusemos nossas mãos sobre as crianças, cada um de vocês esperou ver se elas falariam em línguas? E quando se vê que elas não falam em línguas, qualquer um de vocês foi tão perversos a ponto de dizer que não receberam o Espírito Santo?”

Tal fenômeno, longe de ser um dom concedido de modo livre e espontâneo, sem a interferência do homem — como são os verdadeiros dons do Espírito Santo — pode-se estimular o falar em línguas de maneira previsível através de uma técnica regular de um grupo “de oração” concentrado e que é acompanhado por hinos protestantes psicologicamente sugestivos (“Ele vem! Ele vem!”), culminando em uma “imposição de mãos,” e que as vezes envolve esforços puramente físicos, como a repetição contínua de uma determinada frase, ou apenas fazer sons com a boca. Uma pessoa admite que, como muitas outras, depois de falar em línguas.
O Padre carismático Jonas Abib, da Canção Nova, num vídeo disponível no You Tube, aparece ensinando fazer com a boca sons silábicos sem sentido no esforço de iniciar o fluxo da oração em línguas; e tais esforços, ao invés de serem desencorajados, são estimulados pelos carismáticos. Ora, pode qualquer cristão da ortodoxia católica dotado de bom senso confundir estes perigosos jogos psíquicos com os dons do Espírito Santo? Está claro que de não há nada cristão nesse fenômeno, ou pelo menos nada que seja espiritual. Ao invés disso, trata-se de uma série de mecanismos psíquicos que podem ser ativados através de técnicas psicológicas ou físicas bem definidas — o “falar em línguas” ocuparia, então, um papel chave neste processo, como um tipo de “gatilho.”
http://br.youtube.com/watch?v=IJtF8-Hj_zE
De qualquer modo, além de não haver nenhuma semelhança com os dons espirituais descritos no Novo Testamento, este “falar em línguas” está mais próximo do xamanismo praticado nas religiões primitivas, onde o xamã ou pajé faz uso de uma técnica regular para entrar em transe e enviar ou receber uma mensagem para algum “deus” em uma língua que lhe é desconhecida. Se prestarmos atenção ao movimento, podemos ver que a renovação carismática não é exatamente uma “renovação,” pois nela há pouco arrependimento ou condenação dos pecados, mas essencialmente uma busca pelo poder e a experimentação.

Nicholas Berdyaev, eminente intérprete ortodoxo oriental do cristianismo diz que a “renovação carismática” possui um fundamento inteiramente diferente à luz do ensinamento ascético tradicional e ortodoxo da Igreja e revela-se como uma fraude espiritual. Logo, não há lugar para ambas as concepções no mesmo universo espiritual: para aceitar a “nova espiritualidade” da “renovação carismática” é necessário rejeitar a ortodoxia católica; e reciprocamente, para permanecer um cristão fiel, deve-se rejeitar a “renovação carismática” que é uma falsificação da ortodoxia.
TENDO POUCO OU NENHUM FUNDAMENTO nas fontes genuínas da espiritualidade cristã — os sagrados Mistérios da Igreja, os ensinamentos espirituais transmitidos pelos Santos Padres de Cristo e de seus apóstolos — os seguidores da “renovação carismática” não possuem nenhum diferenciar o que é graça de Deus e o que é fraude. Todos os “escritores carismáticos” mostram, em grau maior ou menor, uma falta de cautela e discernimento em relação às experiências que tiveram.

O fraude do Batismo do Espírito Santo
Um dos efeitos mais comuns após o “Batismo do Espírito Santo” é a risada e a euforia. Um católico disse: “Estava tão eufórico que a única coisa que conseguia fazer era rir deitado no chão” (Ranaghan, p. 28). Outro católico disse: “O senso da presença e do amor de Deus era tão grande que só me lembro de estar rindo na capela por mais de meia hora, cheio do amor de Deus” (Ranaghan, p. 64).
Um protestante descreve seu Batismo “Comecei rindo… Apenas ria e ria, foi algo tão bom que nem consigo descrever. Ri até a exaustão.” (Sherril, p. 113). Outro protestante disse: “A nova língua havia se mesclado com uma nova onda de alegria, todo medo que tinha parecia ter ido embora. Era a língua da risada.” (Sherrill, p. 115). Um padre ortodoxo, Pe. Eusebius Stephanou escreveu: “Não pude esconder o largo sorriso da minha face, e a cada minuto dava uma grande risada — a risada do Espírito Santo, que dá um refrescante alívio.” (Logos, April, 1972, p. 4).
Ora, qual o critério da tradição Ascética da Igreja em relação ao “riso do Espírito Santo” e em relação às atitudes irreverentes frente ao Santíssimo Sacramento, como vemos com frequência?

São Barsanúnfio e São João, ascetas do século VI, dão a resposta Ortodoxa em relação a prática definitivamente não Cristãs. Um monge ortodoxo foi acometido por este problema (Resposta 451).: “no temor a Deus não há risada. As Escrituras nos falam dos tontos, que levantam a voz em risada (Sirach 21:23). A palavra do tolo está sempre alterada e privada da graça.”
São Efraim, o Sírio, ensina com a mesma claridade: “A risada e a falta de cerimônia são o começo da corrupção da alma. Se vê isso em ti mesmo, saiba que chegaste a profundidade dos males. Peça para que Deus o tire desta morte. A risada nos tira a benção prometida aos que lamentam (Mateus 5:4) e destrói tudo de bom que foi construído. A risada ofende o Espírito Santo,não traz benefícios à alma, desonra o corpo. A risada tira nossas virtudes, não se lembra da morte e nem pensa nas torturas.” (Filocália, Edição Russa, Moscou, 1913, vol. 2, p. 448).
Além das risadas, das irreverências e dos prantos, há freqüentemente várias outras reações físicas ao “Batismo do Espírito Santo,” inclusive a sensação de calor, e muitos tipos tenebrosos de contorções, e o tombo.
A pessoa não sabe com o que se maravilhar mais: com a incongruência total de tais sentimentos histéricos, que conduz as pessoas enganadas às contorções do “Espírito Santo,” ou para as “inspirações divinas,” ou ainda para a “paz de Cristo.” Está bem claro, que tais pessoas carecem de orientação e experiência espiritual, estão totalmente analfabetas. Em toda história do Cristianismo ortodoxo, não há qualquer experiência “extática” produzida pelo Espírito Santo. É uma tolice quando alguns apologéticos “carismáticos” comparam suas experiências infantis e histéricas com as revelações divinas outorgadas aos maiores Santos, como para São Paulo durante a estrada de Damasco, ou para São João Evangelista, em Patmos. Estes Santos estavam sobre a proteção do verdadeiro Deus (sem contorções, e certamente, sem risadas), já estes pseudo-cristãos estão reagindo à presença de um espírito invasor, e o adorando.
O Ancião Macário de Optina escreveu sobre uma pessoa em um estado semelhante: “Pensando em encontrar o amor de Deus em sentimentos consoladores, você não está buscando a Deus, mas está buscando a si mesmo, isto é, sua própria consolação, evitando o caminho das lamentações, ficando perdido e sem consolações espirituais”

O espírito dos últimos tempos.
A “renovação carismática,” é um “sinal” da apostasia?

O movimento ecumênico se apresenta como um movimento de “boas intenções” e de boas “ações humanitárias,” mas percebe-se que está unido a um outro movimento sutil cheio de “poder,” que faz todos os tipos de falsos milagres, sinais e maravilhas (II Tessalonicenses 2:9).
Então, o que isso quer dizer? A RCC não vem resgatar um ecumenismo deformado, e o coloca em sua meta principal? E isto não é apenas o primeiro passo para a maior meta de nos colocar completamente para fora do Cristianismo: estabelecendo a “unidade espiritual” de todas as religiões, de todos seres humanos, numa espécie de Pentecostes sem Cristo e sem a Igreja católica? Não temos aqui o denominador comum da “experiência espiritual” é fundamental para uma nova religião mundial, a religião do Anticristo? Esta não é a chave à “unidade espiritual” do ser humano que o movimento ecumênico busca em vão?
O ensinamento católico em relação ao anticristo é um assunto muito grande e não pode ser apresentado aqui. Mas se, como os seguidores da “renovação carismática” acreditam, os últimos dias realmente estão chegando, e é de importância crucial para o Cristão ser informado deste ensinamento, pois os “falsos profetas” mostrarão grandes sinais e maravilhas, a tal ponto, que será possível enganar até mesmo os eleitos (São Mateus. 24:24).
E o “eleito” não é certamente essas multidões de pessoas que estão aceitando estas ilusões estranhas às Escrituras, já que “o mundo não está no limiar de um grande despertar espiritual,” mas sim de que somos o “pequeno rebanho” para qual Nosso Salvador prometeu: “Porque foi do agrado de vosso Pai dar-vos o Reino.” (São Lucas 12:32). Até mesmo o verdadeiro “eleito” será extremamente tentado pelos grandes “sinais” e maravilhas” do anticristo; mas a maioria dos “cristãos” o aceitará sem exitação, e é justamente isso que o “Novo Cristianismo” busca.
Estas “experiências religiosas” são, todavia, tentações da natureza, em que há pelo menos tanto um auto-engano psíquico como há um ritual autentico de iniciação demoníaca, naqueles que estão “meditando” de maneira fervorosa e os que pensam estar recebendo o “Batismo do Espírito” estão recebendo realmente uma iniciação ao reino do satanás.
Mas a meta dessas “experiências,” é dar lugar da técnicas de iniciação mais eficientes a medida que a humanidade prepara-se para elas, mediante atitudes de passividade e aberturas a novas “experiências religiosas” que são pré-pagãs e que preparam o cenário para a manifestação do mistério da iniquidade.
A ilusão
(São Gregório, o Sinaíta, Pequena Filocalia, p. 169-170. Paulus)
Amante de Deus, fica bem atento…Quando, ocupado em tua obra, vires luz ou fogo, dentro ou fora de ti, ou a suposta imagem de Cristo, dos anjos ou dos santos, não o aceites; correrias o risco de sofrer por isso. Não permitais também que teu espírito os invente. Todas essas formações exteriores intempestivas têm como resultado a indução da alma ao erro.
O verdadeiro princípio da oração é o calor do coração, que consome as paixões, produz na alma alegria e júbilo, e fortalece o coração num amor seguro e num sentimento de plenitude indubitável. Tudo o que se apresenta à alma, de sensível ou de intelectual [...] não vem de Deus, foi enviado pelo inimigo. É o ensinamento dos Santos Padres. Quando vires teu espírito atraído para fora ou para o céu, por algum poder invisível, não creias; não deixe que ele seja arrastado, mas traze-o de volta à sua obra, imediatamente.
As coisas divinas vêm sozinhas; tu ignoras sua hora”, diz Isaac, o Sírio. O inimigo interior e natural dos rins* transforma, como quer, uns e outros, os objetos espirituais; faz passar uns por outros, apresenta, sob a aparência de fervor, seu fogo desordenado, para entorpecer a alma. Ele faz parecer júbilo a alegria insensata e a volúpia lúbrica, com seu cortejo de presunção e obstinação. Esse inimigo se esconde dos principiantes inexperientes e faz com que vejam, na obra de sua mentira, a operação da graça. [...]
No coração de todo iniciante, agem duas operações, de maneira distintas. Uma sob o efeito da graça; outra sob o efeito do erro. Marcos atesta-o: “Há uma operação espiritual e uma operação satânica desconhecida das crianças”. A operação da graça é uma virtude do fogo do Espírito, que se exerce no coração com alegria; fortifica, aquece e purifica a alma, suspende por algum tempo seus pensamentos e mortifica provisoriamente os movimentos do corpo. São estes os frutos e os sinais que testemunham sua verdade: lágrimas, contrição, humildade, temperança, silêncio, paciência, solidão e tudo o que dá um sentimento de plenitude e de certeza indubitáveis.
Deus é um “fogo que consome” (Dt 4, 23) as paixões e não as excitam. A operação do erro é indecisa e desordenada, diz Diádoco de Fótice. Causa-nos alegria despropositada, presunção perturbação, acende o temperamento, trabalha a alma e a aquece, atrai para si a alma, para que o homem, contraindo o hábito da paixão, expulse pouco a pouco a graça. [NT: neste caso as paixões e as emoções são excitadas]
* (No Antigo Testamento, os rins são a sede das paixões e dos impulsos inconscientes)

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