quinta-feira, 7 de maio de 2009

Pecado original no Gênesis.

Gênesis e o Pecado Original.

Os hereges modernistas afirmam que os livros da Sagrada Escritura não têm valor histórico e que se deve interpretá-los apenas simbolicamente. Ora, essa maneira de ver foi condenada pela Igreja Católica.
O relato da criação, no Gênesis, tem sido particularmente atacado como sendo apenas um mito. Essa é uma afirmação herética.
Não se deve ler o Gênesis como se fosse um livro de astronomia, ou de fisica, mas também não se pode lê-lo como se ele fosse um mito.

O senhor me pergunta, em primeiro lugar, a respeito dos seis dias da criação; se, de fato, foram seis dias de 24 horas.
É claro que não foram dias de 24 horas. E o próprio Gênesis nos diz isso.
O senhor veja que foi só no quarto dia que Deus fez o sol aparecer. O que demonstra que a palavra dia não pode ter no Gênesis o sentido atual, porque se o sol só apareceu no quarto dia, os três dias anteriores não poderiam ser contados. Dias, portanto, no Gênesis, significam períodos de tempo e não dias de 24 horas.
De fato, a ciência comprova que a terra, desde o Big Bang até a criação de seres vivos, passou por longos períodos de resfriamento e de mudanças geológicas.

Deus criou o homem de barro mesmo e lhe insuflou uma alma imortal. De uma matéria retirada de Adão é que Ele fez Eva. Isso é magnífico.
Se Deus não tivesse feito o homem de barro, teríamos a tendência de desprezar as coisas materiais.
De outro lado, como Deus queria enviar seu Filho para se encarnar em um homem, convinha que o homem tivesse em seu ser tudo o que havia na criação: matéria mineral, vida vegetal e animal, alma espíritual.
Assim, encarnando-se, o Verbo de Deus dignificaria toda a criação.
Veja que magnífica foi a criação de Eva.
Deus disse: "Não é bom que o homem esteja só" (Gen. II, 18).
E não era bom porque o homem é um ser social, dotado de pensamento e linguagem. Se estivesse só, para que teria o dom de falar? Falaria com quem?
O homem não poderia se reproduzir sem uma esposa. Tendo Deus criado o homem com sexo masculino, não era bom que ele permanecesse só, pois deveria se reproduzir, e, para isso, precisava de uma esposa.
Foi então que Deus fez todos os animais passarem diante de Adão, que lhes deu o nome conveniente. Dar o nome significar duas coisas:
1- que Adão era sábio, pois definia o que cada animal era. Adão foi constituído então como sábio profeta;
2- que Adão era o senhor de todos os animais, pois quem dá o nome é aquele que tem poder sobre quem ou aquilo que recebe o nome.
Quando os animais passaram diante de Adão, ele verificou que "não se achava para Adão um adjutório semelhante a ele" (Gen. II, 20).
Ora, passou por Adão também o macaco, mas Adão não o considerou semelhante a si. O que mostra que a Sagrada Escritura não se coaduna com o evolucionismo: nenhum animal é semelhante ao homem.
Enviou Deus, então um profundo sono a Adão, tirou uma matéria da qual fez Eva.

Veja agora, senhor Azevedo, o paralelo entre Adão e Cristo.
Adão foi o primeiro dos homens no tempo. Jesus Cristo é o primeiro dos homens em valor, por ser Deus e homem, ao mesmo tempo.
Adão teve um profundo sono. Ora, o sono é imagem da morte, e o sono profundo do primeiro homem representa a morte de Cristo.
Enquanto Adão dormia, Deus abriu-lhe o flanco. Enquanto Cristo pendia morto da Cruz, o centurião lhe abriu o flanco com a lança.
Do lado de Adão Deus retirou uma matéria. Do lado de Cristo saiu sangue e água.
Desta matéria que Deus retirou do flanco de Adão, Deus fez sua única esposa Eva. O sangue e a água que saíram do flanco de Cristo representam a Igreja, única esposa de Cristo, Igreja que é constituída por sua cabeça, Cristo sangue, e pelo corpo, os fiéis (água).
Da união de Adão com Eva nascem os filhos da carne. Da união de Cristo com sua única esposa, a Igreja, nascem os filhos de Deus.
Deus não pode se separar da Igreja. O homem não pode se separar de sua esposa. Deus só tem uma Igreja. O homem só pode ter uma esposa.

É curioso ver, hoje, que os padres que defendem o ecumenismo como se Deus tivesse várias esposas, muitas vezes são também aqueles que defendem o divórcio, que é uma forma de poligamia por "rodizio" de esposas.
Deus colocou Adão e Eva no paraíso e ordenou que se multiplicassem. Deu ao homem o domínio sobre todas as coisas, constituindo-o rei da criação.
Permitiu-lhes que comessem de todos os frutos do paraíso, exceto um, o da árvore da ciência do bem e do mal.
Desse modo, com a proibição, Deus mostrava que Ele era o Senhor, o dono absoluto de tudo, e Adão reconheceria isso obedecendo à ordem de não comer um só fruto. Adão então deveria sacrificar esse fruto deixando de comê-lo.
Desse modo Adão era "sacrificador" e "sacerdote".
Esse fruto era o da árvore do conhecimento, que em grego se diz Gnosis.
E ele representava o conhecimento interdito ao homem: o do Bem e o do mal.
Ora, o Bem absoluto é Deus. E sendo Deus infinito, o homem não poderia compreendê-lo. O mal é aquilo que vai contra a razão, e, por isso, o mal é incompreensível. Se alguma coisa tem alguma razão de ser feito, então já não é mal moral. O pecado é incompreensível.
Portanto, Deus havia proibido ao homem que pretendesse conhecer Deus e o pecado.
A tentação de Adão e Eva foi de querer compreender Deus. Ora, tentar fazer isso é afirmar-se superior a Deus. É querer ser Deus. E foi exatamente isso o que a serpente ofereceu a Eva: "Se comerdes esse fruto sereis como deuses" (Gen, III, 5).

A serpente afirmou ainda que Deus mentira ao dizer que se comessem o fruto proibido nossos primeiros pais morreriam.
Adão e Eva comeram o fruto e pecaram:
1- Por desobediência;
2- por orgulho, querendo igualar-se a Deus;
3- por blasfêmia, ao aceitarem a afirmação da serpente de que Deus lhes mentira, ao dizer que eles morreriam, se comessem o fruto proibido;
4- por magia, pois esperavam que com uma causa menor (comer uma fruta) obteriam um efeito superior (tornarem-se deuses);
5- por satanismo, porque só esperavam esse efeito mágico pela ajuda do demônio.

Os hereges cátaros, e os gnósticos em geral, afirmam que o pecado original foi a união conjugal de Adão e Eva, e que o fruto proibido seria a mulher.
Ora, isso é um absurdo, porque Deus criara Adão e Eva com sexos e fez isso para que tivessem filhos.
Deus ordenou que Adão e Eva se multiplicassem. Portanto, o pecado original não poderia ter sido a união conjugal, ordenada pelo próprio Deus.
Aliás, quando Eva comeu o fruto, a Sagrada Escritura diz que ela o deu para "Viro suo", isto é para seu marido, e não simplesmente para o homem. Adão já era esposo de Eva, quando comeram o fruto.
E se o pecado original tivesse sido a união conjugal, Cristo não poderia ter instituído o sacramento do matrimônio nas Bodas de Caná.

Por tudo isso, a história do pecado original não é, de modo algum, um mito ou metáfora.
Adão fora criado por Deus em estado de inocência e santidade (em estado de graça, Deus habitando em sua alma). Além disso, recebera de Deus muitas qualidades acima de nossa natureza, como o da ciência infusa, a imortalidade e a impassibilidade, qualidades que ele perdeu ao cometer o pecado original.
Esse pecado danificou nossa natureza. Antes dele, a natureza de Adão era perfeita e ordenada. Depois, não só ele perdeu o dom da ciência infusa, como também a inteligência humana ficou tendente ao erro. A vontade ficou tendente ao mal. A nossa sensibilidade se desregrou e se rebela contra a inteligência e a vontade. Nosso corpo ficou tendente a ser dominado pelas paixões. Tudo, no homem, se desregrou.
E como Adão era a fonte original da humanidade, ele nos transmitiu sua natureza decaída.
O pecado original fez com que Adão perdesse sua justiça original. Os homens nascem todos com esse pecado original, do qual Cristo nos resgatou ao morrer na cruz.
Pelo Batismo o pecado original nos é perdoado, ficamos de novo em estado de graça, filhos adotivos de Deus, membros da Igreja e herdeiros do céu.

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