sexta-feira, 8 de maio de 2009

Meditação: método.


Método de Meditação (Oração Particular)
I. Preparação
Como preparação remota, procure permanecer unido a Deus no meio de suas tarefas diárias. Lembre-se freqüentemente desta verdade: Deus está em todo lugar e tem grande desejo de me ver feliz.
No começo da meditação, faça um deliberado ato de fé na presença de Deus. Peça-lhe perdão de todas as faltas. Peça-lhe que o ajude a fazer uma boa meditação. Acrescente uma oração a nossa Santíssima Mãe e a outros seus santos prediletos pedindo seu auxílio.
II. Consideração
Leia por alguns minutos na Bíblia ou em outro livro espiritual. Pergunte a si mesmo: o que li? O que me ensina esta leitura? Como agi até hoje a este respeito? Que vou fazer de agora em diante?
Já que o valor da meditação não está tanto na reflexão mas nas orações que ela suscita, é importante consagrar a maior parte da meditação aos "afetos" (pequenas preces fervorosas), súplicas (pedidos de auxílio a Deus) e resoluções (idéias práticas que mudem a sua vida, com o auxílio divino).
Afetos: "Senhor, eu me arrependo por vos ter ofendido". "Eu vos agradeço pelos dons que me tendes dado". "Quero vos amar acima de todas as coisas". "Eu vos louvo, Senhor!". "Seja feita a vossa vontade!". "Em vós ponho a minha confiança".
Súplica: Peça tudo o que você necessita: por exemplo, o perdão dos pecados, uma maior confiança, auxílio numa situação tensa, graças específicas para perdoar a alguém, para ser mais paciente, para ter uma boa morte.
Resoluções: Devem ser curtas e determinadas: por exemplo, deixar de conversa fiada com N..., ser gentil com N..., não perder a paciência com N..., ser fiel aos horários de oração.
III. Conclusão
(1) Agradecer a Deus pelas inspirações e graças recebidas durantes esta meditação, (2) renovar suas resoluções, (3) pedir auxílio para executar suas resoluções, e (4) escolher algum pensamento especial ou curta oração para levar consigo durante o dia.



Outras sugestões para a oração meditativa
1. Não fique falando o tempo todo: pare de vez em quando e ouça o Senhor. As inspirações que Ele dá às vezes são intuições ou sentimentos sem palavras, que você "ouve" em seu coração.
2. Não tente "sentir" os atos de amor e outros afetos que você exprime. Trata-se de atos da sua vontade, que não costumam se extravasar em sentidas emoções. Se você sentir insatisfação porque sua mente fica divagando, tenha paciência consigo mesmo. Suportar esta inabilidade para rezar é uma parte valiosa de sua oração.
3. Se você às vezes sentir-se levado a refletir ou "olhar" silenciosamente para Deus - ou você se torna vagamente consciente de sua presença - simplesmente continue do mesmo jeito. Mas se você surpreender sua mente em divagações, volte a expressar afetos tais como amor, louvor, arrependimento. Há pessoas que mantêm seu pensamento em Deus simplesmente repetindo devagar uma frase - por exemplo, "Senhor Jesus Cristo, tende piedade de mim" - ou uma única palavra como "Deus" ou "Jesus".





AVISOS PARA O EXERCÍCIO DA MEDITAÇÃO

Por São Pedro de Alcântara
Fonte: http://www.accio.com.br/Nazare/1946/pedroalcantara.htm
1. Introdução Tudo o que até aqui dissemos serviu para oferecer matéria de consideração para os que aprendem a meditar, o que é uma das principais partes deste tema. De fato, poucas pessoas possuem suficiente material para reflexão na meditação e, deste modo, por falta dele, não são poucos os que não conseguem dar-se a esta prática.
Agora, porém, resta declarar abreviadamente a maneira e a forma pelas quais pode-se meditar. E. mesmo que nesta matéria o principal Mestre seja o Espírito Santo, todavia a experiência nos mostrou que são necessários alguns avisos, porque o caminho para ir a Deus é árduo e necessita de guia, sem o que muitos andam muito tempo perdidos e desencaminhados. 2. Primeiro Aviso Seja, pois, este o primeiro aviso: que quando nos pomos a considerar algumas das coisas que já mencionamos como matéria de meditação em seus devidos tempos e exercícios, não devemos estar tão presos a estas matérias que consideremos como serviço mal feito deixarmos uma para tomarmos outra, quando nisto encontrarmos maior gosto ou maior proveito, porque, como a finalidade de tudo é a devoção, o que mais servir para este fim, será isto que se deve considerar como sendo o melhor. Porém isto não se deve fazer por motivos levianos, mas com vantagem conhecida. Sendo assim, se em alguma passagem de sua oração sentirmos maior gosto ou devoção do que em outro, detenhamo-nos nele por todo o espaço de tempo em que dure este afeto, mesmo que todo o tempo do recolhimento se gaste nisto. Porque, como o fim de tudo isto é a devoção, conforme já o explicamos, seria um erro buscar em outra parte, com esperança duvidosa, o que já temos como certo em nossas mãos. 3. Segundo Aviso Seja o segundo aviso que trabalhe o homem para desculpar neste exercício a demasiada especulação do entendimento, e procure deixar este negócio mais com afetos e sentimentos da vontade que com discursos e especulações do entendimento.Porque sem dúvida não acertam este caminho aqueles que de tal maneira se põe na oração a meditar os Mistérios Divinos como se os estivessem estudando para pregar, o que seria mais derramar o espírito do que recolhê-lo e seria mais andar fora de si do que dentro de si. De onde nasce que, acabada a sua oração, ficam secos e sem suco de devoção, e tão fáceis e prontos para qualquer leviandade como o estavam antes. Porque a verdade é que tais pessoas de fato não oraram, mas falaram e estudaram, o que é coisa bem diversa da oração. Estes tais deveriam considerar que no exercício da oração mais nos aproximamos para escutar do que para falar. Para acertar, portanto, neste negócio, aproxime-se o homem com o coração de uma velhinha ignorante e humilde, e mais com a vontade disposta e aparelhada para sentir e afeiçoar-se às coisas de Deus do que com o entendimento esperto e atento para esquadrinhá-las, pois isto é próprio dos que estudam para saber, e não dos que oram e pensam em Deus para chorar. 4. Terceiro Aviso O aviso anterior nos ensina como devemos sossegar o entendimento e entregar todo este negócio à vontade; mas o presente põe também sua taxa e medida à própria vontade, para que não seja excessiva nem veemente em seu exercício, para o qual deve-se saber que a devoção que pretendemos alcanças não é coisa que se há de alcançar à força de braços, como alguns pensam, os quais, com demasiado afinco e tristezas forçadas e como que por encantamentos procuram alcançar lágrimas e compaixão quando pensam na Paixão do Salvador, porque isto costuma mais secar o coração e torná-lo mais inábil para a visitação do Senhor, conforme ensina Cassiano. E ademais estas coisas costumam causar dano à saúde corporal, e às vezes deixam a alma tão atemorizada com o sensabor que ali alcançou, que teme retomar outra vez ao exercício como a algo que experimentou ter-lhe dado muita pena. Contente-se, pois, o homem com fazer de boa vontade o que é de sua parte, que é encontrar-se presente ao que o Senhor padeceu, admirando com olhar simples e sossegado e com um coração terno e compassivo e aparelhado para qualquer sentimento que o Senhor lhe quiser conceder pelo que Ele padeceu, mais disposto para receber o efeito que sua misericórdia lhe conceder do que para expressá-lo à força de braços. E, feito isso, não se aflija pelo restante, quando não lhe for dado. 5. Quarto Aviso De tudo quanto foi dito podemos concluir qual é o modo da atenção que devemos ter na oração, porque aqui principalmente convém ter o coração não caído nem frouxo, mas vivo, atento e erguido para o alto. Mas assim como é necessário estar aqui com esta atenção regrada e moderada, para que não seja danosa à saúde nem impeça a devoção, porque há alguns que fatigam a cabeça com a demasiada força que empregam para estarem atentos ao que pensam, conforme já dissemos, assim também há outros que, para fugirem deste inconveniente, estão ali muito frouxos e remissos e muito fáceis de serem levados por todos os ventos. Para fugir destes extremos convém conduzir um meio termo que nem com a demasiada atenção fatiguemos a cabeça, nem com o muito descuido e frouxidão fiquemos vagando com o pensamento por onde ele bem entenda. De modo que, assim como costumamos dizer ao homem que caminha sobre uma besta maliciosa que mantenha as rédeas firmes, isto é, nem muito apertada nem muito frouxa, para que nem volte para trás, nem caminhe com perigo, assim devemos procurar que nossa atenção siga com moderação e não forçada, com cuidado mas não com fadiga e aflição.
Mas particularmente convém avisar que no princípio da meditação não fatiguemos a atenção com demasiada atenção, porque quando isto se faz, mais adiante costumam faltar as forças, como faltam ao caminhante quando no princípio da jornada se entrega a uma demasiada pressa para caminhar. 6. Quinto Aviso Mas entre todos estes avisos o principal é que não desanime aquele que ora, nem desista de seu exercício quando não sente imediatamente aquela suavidade da devoção que ele deseja. É necessário que com longanimidade e perseverança esperar a vinda do Senhor, porque à glória de Sua Majestade e à baixeza de nossa condição e à grandeza do negócio que tratamos pertence que estejamos muitas vezes esperando e aguardando às portas de seu palácio sagrado.
Pois quando desta maneira tenhas aguardado um pouco de tempo, se o Senhor vier, dá-lhe graças por sua vinda e, se te parecer que não vem, humilha-te diante dEle, e conhece que não mereces o que não te deram, e contenta-te com ter feito ali o sacrifício de ti mesmo e negado a tua própria vontade e crucificado o teu apetite e lutado com o demônio e contigo mesmo, e feito pelo menos o que era de tua parte. E se não adoraste o Senhor com a adoração sensível que desejavas, basta que o tenhas adorado em espírito e em verdade, como Ele quer ser adorado (Jo. 4, 23). E creia-me, com certeza, que este é o caso mais perigoso desta navegação e o lugar onde se provam os verdadeiros devotos, e que se dele te saires bem, em tudo o demais seguirás prosperamente.
Finalmente, se mesmo assim te perecesse que fosse tempo perdido perseverar na oração e fatigar a cabeça sem proveito, neste caso não teria por inconveniente que, depois de ter feito o que está em ti, tomasses algum livro devoto e trocasses então a oração pela lição, contanto que a leitura não fosse corrida nem apressada mas pausada e com muito sentimento quanto ao que estivesses lendo, misturando muitas vezes em seus lugares a oração com a leitura, o qual é coisa muito proveitosa e muito fácil de fazer para todo gênero de pessoas, mesmo que sejam muito rudes e principalmente neste caminho. 7. Sexto Aviso Não é documento diverso do anterior, nem menos necessário avisar que o servo de Deus não se contente com qualquer gostozinho que encontre em sua oração (como fazem alguns que derramando uma lagrimazinha ou sentindo alguma ternura de coração, pensam que já cumpriram com o seu exercício). Isto não basta para o que aqui pretendemos. Porque assim como um pequeno filete de água não basta para que a terra frutifique, que não faz mais do que tirar a poeira e molhar a terra por fora, mas é necessária tanta água que desça até o íntimo da terra e a deixe encharcada de água para que possa frutificar, assim também aqui é necessária a abundância deste rio e desta água celestial para que possa dar fruto de boas obras. É por isto que com muita razão se aconselha que tomemos para este santo exercício o maior espaço de tempo que pudermos. E melhor seria um tempo longo do que dois tempos curtos, porque se o espaço é breve, todo ele será gasto em sossegar a imaginação e aquietar o coração, e depois de já quieto nos levantaremos do exercício quando o teríamos de começar.
E descendo a maiores detalhes no que diz respeito a delimitar este tempo, parece-me que tudo o que for menos de uma hora e meia ou duas horas é um tempo muito curto para a oração, porque muitas vezes se passa mais do que meia hora em moderar o caminho e acalmar a imaginação e todo o restante do tempo é necessário para gozar do fruto da oração. É verdade que quando este exercício é feito depois de alguns outros santos exercícios, como depois do ofício das matinas ou depois de ter assistido ou celebrado missa ou depois de alguma leitura devota ou oração vocal, o coração se encontra mais disposto para este negócio e, assim como ocorre com a lenha seca, mais rapidamente se acende este fogo celestial. Também o tempo da madrugada costuma ser mais curto porque é o mais aparelhado que existe de todos quantos há para este ofício. Mas o que for pobre de tempo por causa de suas muitas ocupações, não deixe de oferecer seu quinhãozinho com a pobre viúva do Templo (Lc. 21, 2), porque se isto não ocorre por sua negligência, Aquele que provê a todas as suas criaturas conforme a sua necessidade e natureza, prove-lo-á também segundo a sua. 8. Sétimo Aviso Conforme a este documento se dá outro semelhante a ele, e é que quando a alma for visitada na oração, ou fora dela, com alguma visita particular do Senhor, que não a deixe passar em vão, mas que se aproveite daquela ocasião que se lhe oferece, porque é certo que com este vento navegarão homem mais em uma hora que sem Ele durante muitos dias. Assim se diz que o fazia São Francisco, de quem escreve São Boaventura em sua vida que era tão especial o cuidado que tinha nisto que se ao andar pelo caminho nosso Senhor o visitava com algum favor especial, fazia ir adiante todos os companheiros e permanecia quieto até acabar de ruminar e digerir aquele bocado que lhe vinha do céu. Os que assim não o fazem costumam comumente ser castigados com esta pena, a de que não encontram a Deus quando o buscarem, porque quando Ele os buscava não os encontrou. 9. Oitavo Aviso O último e mais principal aviso seja que procuremos neste santo exercício juntar em uma só coisa a meditação com a contemplação, fazendo da primeira a escada para subir até a segunda, para o que deve-se saber que o ofício da meditação consiste em considerar com estudo e atenção as coisas divinas discorrendo de umas para as outras para mover nosso coração a algum efeito e sentimento das mesmas, que é como quem fere uma pedra para arrancar dela alguma centelha. Mas a contemplação consiste em já ter arrancado esta centelha, quero dizer, já ter encontrado este efeito e sentimento que se buscava, e estar em repouso e silêncio em seu gozo, não com muitos discursos e especulações do entendimento, e sim com uma simples vista da verdade, por causa do que diz um santo doutor que a meditação discursa com trabalho e com fruto, mas a contemplação o faz sem trabalho e com fruto; a primeira busca, enquanto que a segunda encontra; a primeira rumina a comida, enquanto que a segunda a degusta; a primeira discorre e tece considerações, enquanto que a segunda se contenta com uma simples vista das coisas, porque já possui o amor e o gosto das mesmas; finalmente, a primeiro é como um meio, enquanto que a segundo é como um fim; a primeira é como caminho e movimento, enquanto que a segunda é como o término deste caminho e movimento.
Daqui se conclui uma coisa muito comum, que é ensinada por todos os mestres da vida espiritual, ainda que pouco entendida por parte dos que a lêem, a saber, que assim como ao se alcançar um fim cessam os meios, assim como chegando ao porto cessa a navegação, assim também quando o homem, mediante o trabalho da meditação, chegar ao repouso e ao gosto da contemplação, deve então cessar daquela piedosa e trabalhosa investigação. E contente com uma simples vista e memória de Deus, como se o tivesse presente, tomar posse daquele afeto que se lhe é dado, seja ora de amor, ora de admiração ou de alegria ou coisa semelhante. A razão pela qual isto se aconselha está em que, como o fim de todo este negócio consiste mais no amor e nos afetos da vontade do que na especulação do entendimento, quando a vontade já está presa e tomada deste afeto, devemos dispensar todos os discursos e especulações do entendimento, na medida em que nos seja possível, para que nossa alma com todas as suas forças se empregue nisto sem derramar-se pelos atos de outra potência. E por isso aconselha um doutor que assim que o homem sentir-se inflamado do amor de Deus, deve logo deixar todos estes discursos e pensamentos, por mais altos que possam parecer, não porque sejam maus, mas porque neste caso se tornam impedimentos de outro bem maior, o que não é outra coisa mais do que cessar o movimento quando se chega ao seu término e deixar a meditação por amor da contemplação. Pode-se assinalar que isto pode ser feito no fim de todo o exercício, depois de se pedir o amor de Deus, de que antes já havíamos tratado, pelos seguintes dois motivos. Primeiro, porque pressupõe-se que neste momento o trabalho já feito no exercício terá dado à luz a algum efeito e sentimento de Deus, e, como diz o Sábio, mais vale o fim da oração do que o seu princípio (Eccles. 7,7). Segundo, porque depois do trabalho da meditação e da oração é razoável que o homem dê um pouco de folga ao entendimento e o deixe descansar nos braços da contemplação. Neste tempo, portanto, abandone o homem todas as imaginações que se lhe oferecerem, cale o entendimento, aquiete a memória e fixe-a em Nosso Senhor, considerando que está diante de sua presença e não especulando em particularidades das coisas divinas. Contente-se com o conhecimento que ele possui de Deus pela fé e aplique a sua vontade e amor, pois somente este o abraça e nele está o fruto de toda a meditação, pois o entendimento quase nada alcança do que se pode conhecer de Deus ao passo que a vontade pode amá-Lo muito. Encerre-se dentro de si mesmo no centro de sua alma onde está a imagem de Deus, e ali esteja atento a Ele, como quem escuta ao que fala a partir de alguma elevada torrem ou como quem o tivesse dentro de seu coração, e como se em toda a criação não houvesse mais nada senão somente ela ou somente ele. E mesmo de si mesma e do que faz deveria esquecer-se, porque, como dizia um daqueles Padres, a perfeita oração é aquela onde o que está orando não se recorda que está orando. E não somente no fim do exercício, como também no meio e em qualquer outra parte em que nos tomar este sonho espiritual, quando o entendimento está como que adormecido da vontade, devemos fazer esta pausa, gozar deste benefício e retornar ao nosso trabalho ao acabar de digerir e degustar aquele bocado. É assim que faz o jardineiro quando rega a sua terra a qual, depois de tê-la enchido de água, suspendo o jorro da corrente e deixa empapar e difundir-se pelas entranhas da terra seca o que esta recebeu e, uma vez feito isto, volta a soltar o jorro da fonte, para que receba mais e mais e fique melhor regada. Mas o que então a alma sente, o que goza da luz, da fartura, da caridade e da paz que recebe, não se pode explicar com palavras, pois aqui está a paz que excede todo o sentido e a felicidade que nesta vida se pode alcançar.
Há alguns tão tomados pelo amor de Deus que tão logo tenham começado a pensar nEle a memória de seu doce nome lhes derrete as entranhas. Estes têm tão pouca necessidade de discursos e considerações para amá-Lo como a mãe ou a esposa para regalar-se com a memória de seu filho ou esposo quando lhe falam dele. Há outros também que não somente no exercício da oração, como também fora dele, andam tão abosortos e tão empapados de Deus, que de todas as coisas e de si mesmos se esquecem por causa dEle pois, se isto o pode muitas vezes o amor furioso de um perdido, quanto mais não o poderá o amor daquela infinita beleza, se não é menos poderosa a graça do que a natureza e do que a culpa? Pois quando a alma o sentir, em qualquer parte da oração em que o sinta, de nenhuma maneira o deve menosprezar, mesmo que todo o tempo do exercício se gastar nisso, sem rezar ou meditar nas outras coisas que lhe estavam determinadas, a não ser que estas lhes fossem obrigatórias, porque assim como diz Santo Agostinho que deve-se deixar a oração vocal quando esta em alguma circunstância fosse impedimento da devoção, assim também deve-se deixar a meditação quando fosse impedimento da contemplação.
De onde que também deve-se muito notar que assim como nos convém deixar a meditação pelo afeto para subir do menos ao mais, assim também, pelo contrário, às vezes convirá deixar o afeto pela meditação, quando o afeto fosse tão veemente que se temesse perigo para a saúde perseverando nela, como muitas vezes acontece aos que, sem este aviso, se entregam a estes exercícios e os tomam sem discrição, atraídos pela força da divina suavidade. E em um caso como este, diz um doutor, é bom remédio entregar-se a algum afeto de compaixão, meditando um pouco na Paixão de Cristo, ou nos pecados e nas misérias do mundo, para aliviar e desafogar o coração.
Todos os artigos disponíveis neste sítio são de livre cópia e difusão deste que sempre sejam citados a fonte e o(s) autor(es).
Para citar este artigo:
ALCÂNTARA, São Pedro de. Apostolado Veritatis Splendor: AVISOS PARA O EXERCÍCIO DA MEDITAÇÃO. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/3979.%20Desde%2019/02/2007.


Como rezar - esquema de meditação

Além do santo rosário, oração fundamental de todos os católicos, recomendada por números Papas e cuja recitação foi solicitada por Nossa Senhora em Fátima, é fundamental também, para o aprofundamento da vida espiritual, achamada oração mental, ou meditação. Abaixo, indicamos de forma esquemática, o modo de realizar aoração mental segundo o método de Santo Inácio de Loyola. Recomendamos também anossos leitores, com o mesmo objetivo, os capítulos referentes à oração do excelente Introdução à Vida Devota de São Francisco de Sales e o Tratado da Oração e Meditação de São Pedro de Alcântara.
MEDITAÇÃO.
PREPARAÇÃO REMOTA
1. PREPARAÇÃO PRÓXIMA
Corpo da meditação: exercitar em cada ponto MEMÓRIA – INTELIGÊNCIA - VONTADE
5. COLÓQUIOS Para concluir, faço os colóquios, como um Ageu fala a outro amigo, ou um servo a seu senhor: às vezes, pedindo uma graça, outras culpando-se por algo que se fez mal, pedindo conselho, etc. Devemos falar e pedir segundo a matéria da meditação e a disposição da alma.



2. Memória
3. Inteligência
4. Vontade

A. Mortificação dos sentidos
B. Recolhimento habitual (união de coração a Jesus).
C. Humildade profunda e esquecimento de si mesmo.
D. Recordar os pontos da meditação.
A. De pé, faço o sinal da cruz, com água benta e ponho-me na pre sença de Deus.
B. Em seguida, faço a oração preparatória: pedir o que for para maior glória de Deus.
C. De joelhos, faço o primeiro preâmbulo: composição de lugar;
D. E o segundo preâmbulo: a graça a pedir.
Recordar o tema com as circunstâncias.
Razões que me iluminem e me persuadam:
- que devo considerar sobre este tema?
- que conclusão prática devo tirar?
- como segui esta doutrina até hoje?
- que obstáculos devo evitar para segui-la?
- que meios devo empregar?
Vem agora o que deve ocupar a maior parte da meditação: excitar atos da vontade que inflamem o coração e animem a generosidade (vergonha, dor, desejos, adoração, louvor, ação de graças, amor, súplica, etc.), insistindo sobre a graça pedida; resoluções propósitos práticos, particulares, pessoais e apropriados, rezando à Santíssima Virgem, aos Anjos e aos Santos. Em caso de distração, regressar ao ponto 1.C


EXAME
Por fim, pensarei como foi a meditação: como a fiz? Em que ou por que a fiz mal? Quais foram as conclusões práticas e os seus motivos? Quais foram os afetos produzidos, os pedidos formulados, as resoluções tomadas? Que luzes recebi? Recolher tudo isso por meio de um pensamento, frase ou oração que possa servir-me de lema espiritual durante o dia.


CONTEMPLAÇÃO
PREPARAÇÃO REMOTA
1. PREPARAÇÃO PRÓXIMA
Corpo da contemplação: em cada ponto, PESSOAS,PALAVRAS, AÇÕES (participando em mesmo do mistério e buscando a graça pedida)
5. COLÓQUIOS Para concluir, faço os colóquios, como um amigo fala a outro amigo, ou um servo a seu senhor: às vezes, pedindo uma graça, outras culpando-se por algo que se fez mal, pedindo conselho, etc. Devemos falar e pedir segundo a matéria da meditação e a disposição da alma.


2. Pessoas
3. Palavras
4. Ações

A. Mortificação dos sentidos.
B. Recolhimento habitual (união de coração a Jesus).
C. Humildade profunda e esquecimento de si mesmo.
D. Recordar os pontos da meditação
A. De pé, faço o sinal da cruz, com água benta e ponho-me na pre sença de Deus.
B. Em seguida, faço a oração preparatória: pedir o que for para maior glória de Deus.
C. De joelhos, faço o primeiro preâmbulo: composição de lugar;
D. E o segundo preâmbulo: a graça a pedir.
Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, os Anjos, os Santos, os homens. Seu exterior (rosto, idade, roupa, modos, movimentos). Seu interior: perfeições, sentimentos, virtudes, vícios, disposições, etc.

- Quem as diz?
- O que expressam? (louvor, repreensão, misericórdia, amor, ódio?)
- Sua natureza (de misericórdia, de justiça, de bondade, maldade, etc.);
- Suas circunstâncias (modo, tempo, lugar, causa, finalidade, conseqüências, etc.)
c).j- Em caso de distração, regressar ao ponto
EXAME
Por fim, pensarei como foi a contemplação: como a fiz? Em que ou por que a fiz mal? Quais foram as conclusões práticas e os seus motivos? Quais foram os afetos produzidos, os pedidos formulados, as resoluções tomadas? Que luzes recebi? Recolher tudo isso por meio de um pensamento, frase ou oração que possa servir-me de lema espiritual durante o dia.

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