quinta-feira, 23 de junho de 2016

Carta a um Sacerdote.

Carta a um sacerdote de uma arquidiocese brasileira sobre os projetos de atuação pastoral. 

Reparem que a desculpa de uma maior valorização da Palavra de Deus nas Escrituras serve para obscurecer a doutrina catequética da Igreja e fazer a Eucaristia desaparecer das igrejas gradativamente (na realidade, desvalorizando a mesma Palavra, que nos manda fazer o que a Igreja deveria fazer). 

Seria isso inspirado por Deus? Não  o creio... 

Vejamos o conteúdo da carta.

Revmo Pe. X:

Estive presente no início da reunião do sábado, dia 04 de junho de 2016, que apresentava o plano arquidiocesano de atuação pastoral, mas tive que me abster dos grupos de discussão e me retirar.

Ao ler os textos e ouvir as apresentações, ocorreu-me uma série de questionamentos sobre tal projeto de atuação, a qual gostaria de colocar particularmente ao Sr por não achar que aquela seria a ocasião adequada, já que o projeto estava pronto e apenas nos competia detalhar o que e como seria executado. Meus questionamentos se baseiam em notas feitas durante as apresentações.

1. O REI ESTÁ NU.

Isso está lembrando-me a estória da roupa nova do rei. O rei está nu, mas ninguém mais o vê ou, se o vê, não se sente à vontade para dizer algo.

Pelos próprios dados estatísticos da Arquidiocese e pelos nossos próprios olhos, a situação da Igreja em nossa região está lastimável: queda no número de católicos e desintegrações familiar, social e institucional, derivadas da desestruturação individual, fruto duma decadência ética relativista, da assimilação de ideologias e doutrinas humanas insanas, indicam que algo de errado está acontecendo e que o clero da Igreja não está sabendo responder a tais desafios.

Nossos pecados sociais, políticos, econômicos e familiares não passam da extensão e da expansão de nossos pecados pessoais, nossa falta de orientação e de uma base moral e espiritual que nos fortaleça.

Enquanto isso, todos dizem que a Igreja deve mudar, mas cada mudança, além de ser inócua para produzir resultados positivos, ainda aprofunda ainda mais os problemas.
Uma Catequese profunda, uma experiência profunda de oração e práticas espirituais saudáveis ajudariam os desorientados imensamente a encontrarem soluções para seus desafios.

“Ora-se como se vive; vive-se como se ora”. Se vivemos mal, é porque nossa oração não se aprofundou ainda para nos confrontarmos conosco mesmos e com Deus para podermos discernir a vontade de Deus para nossa vida e para recebermos as graças para cumpri-la.

2. FALTA BOM AMBIENTE EM CASA.

Falta um bom ambiente na casa do cristão, a Paróquia.

O excesso de democracia leiga retira o poder moderador e diretor do Pároco (que reina, mas não governa), e ficamos todos sujeitos ao arbítrio (e até da arbitrariedade) de pessoas e de facções leigas despreparadas que manipulam o poder pela pressão, pela intimidação e pela demagogia para obter prestígio e hegemonia, muitas vezes contrariando orientações sensatas da Igreja e de seu Magistério, inclusive pecando pela falta de caridade e de diálogo (alguma coincidência com nossa democracia republicana?). Os mesmos que pregam abertura e tolerância são aqueles que impedem práticas, que se mostraram eficazes e eficientes, de promoção da Verdade que Nosso Senhor Jesus Cristo, pela Sua Igreja, propôs para a humanidade.

Se aprofundarmos e sobrevalorizarmos a participação laica sem o devido preparo e sem a moderação do Pároco, muitas pessoas bem-intencionadas continuarão a abandonar as Paróquias para beber em outras fontes (não faltam bons livros, textos, e vídeos católicos de alto nível para adquirir, até gratuitamente via internet), ou simplesmente engrossarem a nação dos indiferentes e dos ateus. É preciso haver mecanismos de controles e de equilíbrio para que a tirania de pessoas ou grupos não destrua a vida paroquial.

No mais, quanto maior o número de ministérios, pastorais, conselhos leigos, maior a tentação de organizar uma burocracia hierárquica leiga, maior se torna a hierarquia organizacional e mais se distancia o leigo da classe sacerdotal, afastando a assistência ao mesmo.

O caminho da simplificação organizacional, da moderação do Pároco como instância deliberativa e das organizações leigas como instâncias consultivas (e não deliberativas) resolveriam muitos desses conflitos e abririam as portas para a meritocracia, e não para a politicagem, que tanto é detestada.

3. A IGREJA PREFERIU OS POBRES, MAS OS POBRES PREFERIRAM AS COMUNIDADES EVANGÉLICAS, OU PROTESTANTES.
Basta visitar as periferias ou usar um transporte público no domingo de manhã para perceber que os pobres (os de poucos haveres) preferiram as comunidades protestantes. Precisaríamos fazer uma pesquisa mais profunda de escuta dessas pessoas para saber o que as levou a isso.

Não é difícil perceber, na prática, que muitos desistiram da vida paroquial por não se sentirem alimentadas espiritualmente (“nem só de pão vive o homem...”) e por caírem nas lorotas de outras religiões, ou até de ideologias, para terem um fundamento ético e espiritual para iluminarem suas próprias vidas, o que não encontraram em suas Paróquias por algum motivo. O próprio Santo Cura D’Ars dizia que, sem padre nem catequese, os paroquianos passariam a adorar plantas e animais em menos de 30 anos de abandono catequético e sacramental!

Falta orientação espiritual profunda, muitas vezes, até pessoal; falta instrução catequética; falta acesso a sacramentos, em especial a confissão individual, que é pressuposto de uma participação eucarística proveitosa (para piorar, as comunidades protestantes chegam às periferias antes mesmo da Igreja); falta orientação para exercícios espirituais e devocionais.

O vácuo é preenchido com as coisas piores do mundo: cultura de consumo midiaticamente alimentada, ideologias, religiões falsas, revoluções culturais dos costumes promovidas pelos meios de comunicação social, mentiras históricas (muitas alimentadas pelas...escolas!), canções pornográficas e violentas, leis impiedosas e anticristãs, egoísmo, etc.

E quem é o pobre?

Segundo os materialistas, é o sem dinheiro.

Para Deus, o pobre é quem é humilde, põe sua vida nas mãos de Deus, tem Deus como sua única riqueza e trata os bens e males deste mundo com indiferença, com perfeita consonância com o “Princípio e Fundamento” – EE-23, de Santo Inácio de Loyola em seus “Exercícios Espirituais”:

 “O homem é criado para louvar, reverenciar e servir a Deus Nosso Senhor, e assim salvar a sua alma. E as outras coisas sobre a face da terra são criadas para o homem, a fim de ajudá-lo a alcançar o fim para que foi criado.
Donde se segue que há de usar delas tanto quanto o ajudem a atingir o seu fim, e há de privar-se delas tanto quanto dele o afastem.
Pelo que é necessário tornar-nos indiferentes a respeito de todas as coisas criadas em tudo aquilo que depende da escolha do nosso livre-arbítrio, e não lhe é proibido.

De tal maneira que, de nossa parte, não queiramos mais saúde que doença, riqueza que pobreza, honra que desonra, vida longa que breve, e assim por diante em tudo o mais, desejando e escolhendo apenas o que mais nos conduzir ao fim para que fomos criados”.

Ninguém procurou ouvir os “pobres” (tanto no sentido material como no espiritual) e suas necessidades espirituais, apenas as suas necessidades materiais...e caímos na tentação de trocar as pedras da Fé pelo pão material – “nem só de pão vive o homem...”(Mt 4, 4).

Isso quer dizer alimentar o corpo, sim, mas a alma também. Alimenta-se a alma com a Palavra junto com a Eucaristia. As pessoas precisam alimentar suas almas, precisam saber como agir, no que acreditar, nos males a evitar, como conduzir-se no sofrimento para superar seus desafios diários – essa é a verdadeira “fé encarnada”, traduzindo-se como a prática da fé na vida para um viver agradável a Deus, e não para agradar à ONU globalista, a ideologias, a partidos políticos ou sociedades secretas, aos meios de comunicação, a ONGs financiadas por desestabilizadores da ordem social cristã, a governos anticristãos ou a modismos que passam – o que é edificar a casa sobre a areia, e não sobre a rocha eterna, Cristo, Senhor Nosso, e Sua Igreja (Mt 7, 24-27).

Curiosamente, onde as vocações vicejam, onde a juventude freqüenta com gosto e participação, onde as famílias se equilibram, a onde os homens (a maioria das paróquias se tornaram ambientes mais agradáveis para mulheres e anciãos, não tanto para homens jovens ou adultos), e não apenas as mulheres, afluem são justamente as comunidades religiosas em que o padrão ético de práticas e em discurso é menos relativista e mais profundamente católico e espiritualizado (sem falsos moralismos, aliás o único tipo de moralismo condenado por Cristo); onde a espiritualidade é mais profunda (e, para ser profunda, precisa, também, de seus momentos “intimistas”, “devocionalistas”, para o indivíduo confrontar-se consigo e com Deus, para avaliar-se e para converter-se, confrontando-se com o que Deus espera dele – é para isso que os retiros e os momentos de oração e meditação individual, inclusive a leitura orante das Escrituras, supostamente valorizada pela Arquidiocese - existem, e que Cristo nos deixou como modelo quando se retirava para orar).

Um dos padres mais respeitados e mais acessados na internet, o Pe. Paulo Ricardo, de discurso mais conservador e mais profundo, é um dos mais assistidos, ouvidos e agradecidos por possibilitar as mudanças positivas de tantas vidas.

4. MORALISMOS E DOGMATISMOS.

Não condenamos mais os males porque pensamos que estamos condenando as pessoas junto. “E não tenhais cumplicidade nas obras infrutíferas das trevas; pelo contrário, condenai-as abertamente” (Ef 5, 11) está numa das Cartas dos Apóstolos, mas nós, que queremos valorizar a Palavra, estamos dando-lhe as costas.

“Ama o pecador, mas odeia o pecado”, segundo Santo Agostinho, é um ensinamento desprezado. Achamos que condenar o pecado é o mesmo que condenar o pecador antes do seu juízo por quem não compete julgá-lo, e que devemos aceitar o pecador e o pecado juntos.

Condenar o pecado não nos impede de acolher o pecador com empatia e misericórdia, e até simpatia.

Desvios dos ensinamentos da Igreja, alguns dos quais até abertamente ensinados pela viva voz de Nosso Senhor Jesus Cristo nos Evangelhos, ou pela voz de Deus no Antigo Testamento (isso é valorizar a Palavra), não podem ser admitidos ou aceitos em nome do acolhimento do pecador.

Aceitar o homossexual ou bissexual, pessoas separadas ou divorciadas sempre esteve nos planos da Igreja; aceitar o homossexualismo, o bissexualismo e mesmo o sexo heterossexual de modo desordenado, ou o divórcio, nunca foi um padrão moral da Igreja, e nem o pode ser:

“2358. Um número considerável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas. Esta propensão, objectivamente desordenada, constitui, para a maior parte deles, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição.

2359. As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior, e, às vezes, pelo apoio duma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem aproximar-se, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.

2360. A sexualidade ordena-se para o amor conjugal do homem e da mulher.

2384. O divórcio é uma ofensa grave à lei natural. (...) O facto de se contrair nova união, embora reconhecida pela lei civil, aumenta a gravidade da ruptura: o cônjuge casado outra vez encontra-se numa situação de adultério público e permanente:

«Não é lícito ao homem, despedida a esposa, casar com outra; nem é legítimo que outro tome como esposa a que foi repudiada pelo marido»(138).” (Catecismo da Igreja Católica).

Aceitar a apologia ao homossexualismo e ao divórcio, com a desculpa de aceitar homossexuais ou pessoas em uniões desaprovadas, é afrontar os mandamentos (6º e 9º mandamentos) de Deus. Disso não se faz tábula rasa, não se trata de um “dogmatismo”.

Dogma é uma opinião formada, firmada e segura sobre alguma doutrina depois de muito pensar e refletir, como em qualquer ciência (o “dogma” jurídico de direito ao devido processo legal e ao direito ao contraditório é inconteste em qualquer lugar do mundo, por exemplo). É a casa fundada na rocha. É a doutrina segura, basilar.

Dogmatismo já é invencionismo, doutrina humana que nem Deus determinou, nem a Santa (com exemplos e palavras santas, não heresias) Igreja Católica (a mesma em todo lugar e época) Apostólica (que guarda o depósito de fé ensinado aos apóstolos por Nosso Senhor e inspirado pelo Espírito Santo aos seus sucessores através de seu Magistério, em consonância com essa mesma Tradição e as mesmas Escrituras) Romana (pelos Papas, e não por aqueles que se separaram de nós) determinaram como seguro e basilar em matéria de fé e moral. É a casa construída sobre a areia, que desaba.

Nossa Igreja está desabando porque o dogmatismo está penetrando no pensamento e nas práticas eclesiais, e as doutrinas seguras estão sendo ridicularizadas. É preciso deixar isso bem claro para os fiéis antes que comecem a confundir o amor à pessoa com o amor ao pecado e sua tolerância. Mas isso só se obtém por uma profunda instrução catequética e moral.

No mais, a Igreja foi feita para os pecadores, quaisquer que sejam seus vícios e pecados, e que se encha deles para que se convertam, não que se aprove e nem se promova qualquer tipo de vida desordenada.

Para convertê-los, precisamos aprofundar a Catequese com base nos ensinamentos eternos da Igreja em seu Catecismo, nos exemplos e palavras dos seus santos e mestres, na interpretação sadia das Escrituras (que queremos valorizar). “Nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal” (2 Pd 1, 20) – é preciso conhecer a doutrina católica antes de ler a Bíblia.

Nenhum jurista lê e interpreta a lei antes de conhecer os institutos jurídicos, a doutrina dogmático-jurídica legal e institucional, e jurisprudencial. É o mesmo em relação à Bíblia. Não podemos fazer uma leitura livre da Palavra sem essa base doutrinal para não nos igualarmos a comunidades protestantes e seus erros.

Mas o que o plano nos propõe? Uma amenização de toda essa doutrinação, aprofundando os problemas e as dores dos indivíduos e da sociedade. Por ingenuidade ou por ignorância, nossos líderes assistem à demolição da Igreja e pensam em intensificar os esforços que levam a isso.
E o número de católicos segue em queda, buscando melhores luzes em outros lugares...e iludindo-se com o que encontram.

5. PRIMADO DA PALAVRA: PRÁTICA CATÓLICA OU CAÓTICA?
Creio que a Palavra, dissociada dos Sacramentos, em especial da Eucaristia (Catecismo da Igreja Católica nº “1324 A [§4] Eucaristia é “fonte e  ápice de toda a vida  cristã”, Concílio Vaticano II, Constituição Sacrosanctum Concilium, 47: AAS 56 (1964) 113.”) é uma incoerência que nos afasta da prática católica para nos aproximar duma prática caótica. No mínimo, deveríamos promover ambas juntas.
Estamos, assim, abolindo o Catolicismo para agradar aos globalistas, sejam capitalistas liberais ou comunistas, que não admitem vozes que se oponham a suas ideologias anticristãs, que desestabilizam indivíduos e sociedades, para estabelecerem seu reinado de escravidão, de miséria e de dor para os outros, mas para maior lucro próprio? Somos cúmplices dessa maquinação?

E o número de católicos segue em queda, buscando o Pão da Vida, a graça do perdão e a doutrina sensata, sofrendo e causando sofrimentos a Deus e ao próximo.

5. INSTRUMENTALIZAÇÃO DA IGREJA PARA ALAVANCAR E APROFUNDAR A DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE.

Na página 13 do documento arquidiocesano, lê-se: “...participarem ativamente no processo de mudanças na Igreja e na sociedade, comprometendo-se com o espírito ecumênico...”. Uma linguagem que permite sentidos equívocos, duplos, e não unívocos.

Que tipo de mudança seria essa? Mudança para melhor e “para maior glória de Deus, o nosso bem e de toda a Santa Igreja”?

Ou mudanças promovidas por instituições e lideranças anticristãs para maior glória de investidores, globalistas bilionários, profetas ideológicos da “nova ordem mundial”, de políticos patrocinados pelos mesmos e do dinheiro? Mudanças boas para quem?

Seria a mudança socialista, que destruiu as instituições brasileiras (e aumentou o número de pobres, enriquecendo as elites dos partidos hegemônicos, seus patrocinadores econômicos e patronos ideológicos) pela atuação dos partidos socialistas e comunistas nos últimos anos?

O socialismo (que nada tem a ver com a doutrina social da Igreja e a doutrina do Reinado Social de Nosso Senhor), a utopia dum paraíso terrestre igualitário e tirânico, de origem talmúdica, deve ser promovido através do clero e de leigos desavisados, o mesmo socialismo que perseguiu a Igreja, massacrou e escravizou tantos onde se tenha instalado?

O mesmo comunismo condenado pela Igreja com penas de excomunhão? Confira o documento Decreto do Santo Ofício 28 de junho (1º de julho) de 1949 AAS 41 (1949) pág. 334 - Decreto contra o Comunismo, Perguntas e Respostas (confirmadas pelo Papa Pio XII, a 30 de junho): confira mais em: http://ocatequista.com.br/archives/ 7605#sthash. E73FESk3.dpuf . Ou a mesma “teologia da libertação”, condenada pela Congregação para a Doutrina da Fé em “Libertatis Nuntius” (1984) http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19840806_theology-liberation_po.html ?

É essa a “experiência bem-sucedida das CEBs”, criadora de “movimentos sociais” (socialistas), que deveríamos promover?

Igreja é tudo igual? Então, nenhum problema há para os “pobres” receberem assistência social da Igreja (oportunismo?) e receberem assistência espiritual nas outras “igrejas” ou em centros espíritas? Pois é isso que fazem eles.

Somos herdeiros duma Tradição de 2000 anos, e qualquer movimento sectário e hostil aos católicos (protestantes) pode exigir que nos igualemos a eles em práticas e em discurso (vulgo “ecumenismo”)? Ou devemos, como Cristo, sentarmo-nos com eles e ensinar-lhes a Verdade que nos foi confiada para que se convertam e que sejamos um só Corpo?

Quantas Igrejas queria Cristo? Uma ou várias? Quais são criações humanas e quais são criações divinas?

Deveríamos pregar a outras confissões religiosas (“diálogo inter-religioso”) o que Cristo nos ensinou, conforme seu mandato em Mt 28, 19-20 (“ide e ensinai a TODOS...”)? Ou deveríamos ser indiferentes e nos envergonhar de Cristo, que vomitará os mornos e se envergonhará de nós (Ap 3, 16; Lc 9, 26; 12, 9)?

A maioria dos fiéis leigos saberia dar respostas a essas perguntas? Não.

Deveriam aprender a lidar com tais questionamentos? Sim.

Como? Sem educação para a fé (catequese), não é possível.

E o número – e a qualidade - de católicos segue em queda.

6. PROMOÇÃO DAS MULHERES NOS MINISTÉRIOS.

O serviço de acólitos junto ao altar, como incentivador de vocações sacerdotais, foi pensado também com o mesmo cuidado? Não seria hora de priorizar os meninos como coroinhas?

Saberemos conduzir as mulheres para vocações realmente compatíveis com sua condição (várias e frutuosas vocações nas obras de misericórdia corporal e espiritual, exceto no Presbitério)? Saberemos ouvi-las e reconhecer suas peculiaridades?

Ou então o feminazismo marxista-gramscista acampou na Igreja e está entre nós, como no Anglicanismo, o qual está cada vez mais decadente e perdendo seguidores em alta velocidade, fechando suas capelas onde antes se estabeleciam?

Estaríamos excluindo os homens lentamente das Paróquias, enviando-lhes subliminarmente a mensagem de que ali é um local para mulheres, não para eles?

Pois é assim que se sentem, e ninguém os quis ouvir.

“Mas não basta uma analise teórica é preciso verificar os resultados pastorais práticos, afinal de contas "pelos seus frutos os conhecereis" (Mt 7,16). Assim podemos ver o quão frutíferos são os grupos de coroinhas masculinos, quando vemos a conclusão de uma pesquisa encomendada pela conferência episcopal americana que com base em um grupo de 365 padres recentemente ordenados nos Estados Unidos concluiu que 80% deles havia sido coroinha. Trata-se certamente de uma esmagadora maioria que correlaciona o serviço e o discernimento vocacional de maneira inequívoca. 

A inclusão de meninas nos grupos desmotiva os meninos por diversas razões. Se as meninas realizam parte das tarefas, aquelas reservadas aos meninos diminui, isso implica em uma participação efetiva menor. Meninos e meninas necessitam de motivações diferentes, bem como métodos de formação diferentes; além do que, depois de certa idade, tendem a evitar atividades comuns. Um ambiente em que meninas são maioria tende a ser desmotivadora para meninos”. (http://www.salvemaliturgia.com/2014/06/acolitas-cerimoniarias-e-outras-coisas.html)

Curiosamente, o mesmo ocorre com os homens.

Uma das poucas ações bem-sucedidas, talvez inspirada por Nossa Senhora, seja a do Terço dos Homens, que prova que homens gostam da companhia e da camaradagem de outros homens, e que Nossa Senhora quer que eles também permaneçam na Igreja junto com suas mães, esposas, filhas e amigas.

Seria isso um “devocionalismo” condenado por nossa Arquidiocese? Por falar em devoção, ficaríamos corados de vergonha se lêssemos as Regras para Sentir com a Igreja, de Santo Inácio de Loyola, em seus “Exercícios Espirituais”. Como nos distanciamos dos nossos primeiros sensatos e bem-sucedidos missionários!

Não é preciso tirar o espaço dos homens para dá-los às mulheres. Todos sempre terão seu espaço.

Deus não quer que os homens sejam discriminados (At 10, 34), nem alijados da Sua Igreja; nem acusados preconceituosa, odiosa e diuturnamente de machistas (que não representam um homem de bem), pois são todos filhos de Nossa Senhora, Mãe de Deus e dos Homens (homens e mulheres) também. Não cabe discurso de ódio na Igreja.

E o número de católicos segue em queda. Talvez procurando um lugar mais inclusivo.

7. MINISTROS LEIGOS.

Estamos a promover uma atitude anticlerical e secularista de afastar e “neutralizar” a atuação clerical na própria Igreja, transformando Párocos em administradores burocráticos, extremamente atarefados para não poderem socorrer suas ovelhas com seu cuidado sacerdotal, catequético e sacramental?

A atuação leiga não estaria inflacionada, ocupando posições que não deveriam ser concedidas aos leigos (ministros da palavra sem uma formação adequada, afastando, progressivamente do altar, os sacerdotes, melhor qualificados para tal função?
Muitos se sentem afastados e pouco amparados do cuidado sacerdotal por esses motivos. E o número – e a qualidade - de católicos  prossegue em queda.

8. CONCLUSÃO.

No documento de apresentação do Projeto, p. 11-12, há a indagação: “Por que a Igreja Católica está sendo menos atraente, especialmente para essa faixa etária que inclui os jovens?”.

Porque o clero e os leigos da Igreja Católica estão desfazendo-se lentamente de suas raízes e de sua identidade católicas, tornando-a excessivamente humana e materialista, desfigurando as suas origens divinas e esquecendo-se de seus objetivos espirituais.

Isso afeta principalmente os jovens, tão carentes de orientação, de princípios morais e espirituais seguros para não caírem nas armadilhas das falsidades do mundo. Os jovens têm fome de Deus e sede de vida.

Precisamos repensar nossa fúria iconoclasta e revolucionária para não reinventarmos a roda e nem fundarmos uma forma de atuação de Igreja que mais parece a de um sindicato, de uma escola laica, de um partido político ou de uma associação de bairro; enfim, tudo, menos a de uma Igreja realmente missionária e que esteja adotando métodos missionários de sucesso.

Antes de olharmos para o futuro, precisamos refletir o presente e lembrarmo-nos dos exemplos missionários bem-sucedidos, passados ou presentes, para percebermos onde fracassamos e como podemos ser inspirados para retomar uma linha de atuação funcional e acertada para não aprofundarmos os erros. E, mais importante, não queiramos agradar ao mundo - “Não vos conformeis com este mundo” (Rm 12, 2).
“O insensato (vive) de esperanças quiméricas; os imprudentes edificam sobre os sonhos. Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a constroem”.  (Eclo 34, 1; Sl 126,1)

São José de Anchieta, Missionário do Brasil, São Luis de Montfort, Missionário Apostólico na França, e Santo Cura D’Ars, reformador dos costumes decaídos, que usaram métodos mais simples, mais eficientes e mais eficazes do que os nossos, rogai por nós.

“Buscai primeiro o Reino de Deus e toda a Sua Justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo. (Mt 6, 33). Venha a nós, Senhor, o Vosso Reino; e seja feita a Vossa vontade, não a minha”. (Mt. 6, 10; Lc 22, 42).

Cordial e respeitosamente,

ZZ.


** de yyy de 20**.
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