segunda-feira, 23 de junho de 2014

Adventismo: crenças judaizantes.

O adventismo
Por Quadrante

O adventismo surgiu no século XIX, fundado pelo norte-americano William Miller que, baseado em interpretações errôneas de algumas passagens bíblicas, julgava-se capaz de determinar a data da segunda vinda de Cristo. Os principais pontos doutrinais, entretanto, foram definidos por Ellen Gould White, logo após da morte de Miller. Uma das suas principais características é a ênfase dada a algumas proposições do Antigo Testamento (como a observância do sábado) que já foram ultrapassadas pela vinda de Cristo.
O fundador da denominação adventista é William Miller (1782-1849), camponês nascido de piedosos pais batistas. Em 1816, comparando os textos sagrados entre si, chegou à conclusão de que a segunda vinda de Cristo se daria em 1843. Com efeito, os 2300 “dias” mencionados em Dan 8, 5-11 deveriam ser tidos como anos, que ele começava a contar a partir do retorno de Esdras a Jerusalém, ou seja, a partir de 457 a.C. Donde: 2300 - 457 1843. O fim do mundo, portanto, haveria de dar-se precisamente entre 21.03.1843 e 21.03.1844; nesse período de tempo, Cristo reapareceria sobre a terra e reinaria com os santos pelo espaço de mil anos, durante os quais se daria a exaltação dos bons e a condenação dos maus, como parecia sugerir o Apocalipse (20, 6-7). Em 1842-1843, Miller realizou cento e vinte assembléias ao ar livre, com a participação global de mil e quinhentos ouvintes. A comunidade batista o excomungou. Em 22.10.1843, Miller tinha chegado a reunir cerca de cinco mil discípulos.

O prazo previsto, porém, passou sem novidades. S.S. Snow, discípulo de Miller, refez os cálculos, alegando que o ano hebreu não correspondia ao ano cristão; por conseguinte, o termo exato da segunda vinda do Senhor seria o dia 22.10.1844. Foi por esta ocasião que os seguidores de Miller tomaram o nome de adventistas. Mas também esta nova data decorreu sem maiores percalços, e o entusiasmo de muitos arrefeceu.

Surgiu então a figura ardorosa da sra. Ellen Gould White, que era metodista quando aderiu à pregação de Miller. Dizia ter revelações, e explicava-as assim: em 1844 realmente se teria dado algo de novo, não na terra, mas no céu. O santuário de que falava Dan 8, 14 seria o santuário celeste; Cristo, naquele ano, teria entrado no “Santo dos santos” do céu. A sra. White dizia tê-lo visto com seus próprios olhos: podia atestar que, a partir de 22.10.1844, Jesus Cristo passara a examinar os defuntos, aprovando ou reprovando cada um deles. Quando essa obra gigantesca acabasse, os vivos passariam por um julgamento semelhante e o fim do mundo estaria próximo.

A tese da “vidente” convenceu muita gente. Depois que Miller morreu (1848), Ellen White tornou-se a grande mestra do adventismo. Entre 1840 e 1844, alguns grupos batistas passaram a observar o sábado em lugar do domingo, e os seguidores da sra. White também adotaram essa praxe. Os adventistas do sétimo dia exigem a fé, não somente nas Escrituras, mas também no espírito de profecia de Ellen Gould White. A todo candidato faz-se a pergunta: “Aceita o espírito de profecia tal como se manifestou no seio da Igreja escatológica pelo ministério e os escritos de E. G. White?” Também se impõe aos novos adeptos a abstinência de fumo e álcool, sob pena de excomunhão da Vida Eterna. Este rigorismo contribuiu para que os adventistas do sétimo dia se tornassem uma comunidade de elite, exigente e fanática, à semelhança das seitas.

À medida que os adventistas foram-se organizando, as cisões se multiplicaram: adventistas evangélicos, cristãos adventistas, a Igreja de Deus, a União da Vida e do Advento, os adventistas da era vindoura...

Em matéria doutrinal, os adventistas crêem em Deus uno e trino. Aceitam Cristo como Deus e homem. O homem seria mortal, mas a morte física não passaria de um “sono” das almas (heresia defendida por um certo Vigilâncio já no século IV; Santo Agostinho comentou que, quem defendia semelhante tese, não deveria chamar-se Vigilâncio, mas “Dormitâncio”...). Os mortos, inconscientes, ignorariam por completo o que ocorre na terra. Todos os defuntos, bons e maus, permaneceriam nos seus túmulos até a ressurreição dos mortos. Os santos receberiam o dom da imortalidade quando Cristo voltasse, ao passo que os ímpios seriam aniquilados. O batismo é conferido, por imersão, somente aos adultos; é, como nos batistas, mero símbolo da conversão realizada anteriormente.

Os adventistas do sétimo dia promovem campanhas em favor da higiene e da saúde do corpo. Chegam a distribuir livros de dietética e revistas de arte culinária ou de higiene. Tais impressos, às vezes, precedem os livros religiosos que oferecem. A carne de porco, o álcool, o café, o chá, os produtos excitantes, os narcóticos estão banidos e o regime vegetariano é fortemente recomendado. Quem não se conforma com essas normas é excluído da comunidade, uma vez que não poderia obter a Vida Eterna.

O adventismo pretende apoiar as suas doutrinas na Sagrada Escritura, dando certa ênfase a proposições do Antigo Testamento que o cristianismo elucidou e reformulou. Assim, a tese de que as almas adormecem pela morte e se tornam inconscientes na outra vida, equivale à crença judia no sheol, região subterrânea onde se encontrariam inconscientes os bons e os maus. O Novo Testamento, ao contrário, ensina que o homem entra no seu destino definitivo logo após a morte; os bons verão a Deus face a face (cf. Fil 1,21-23; 2 Cor 5, 6-10).

O cálculo adventista da data do fim do mundo (1844), por sua vez, apóia-se em interpretações fantasiosas do livro de Daniel... Cristo não precisa de 160 anos para fazer o discernimento dos bons e dos maus (estamos em 2004). O mundo ainda pode durar muitos séculos; o Senhor recusou-se expressamente a revelar aos Apóstolos a data do Juízo Final, mas quis incutir nos homens a vigilância, a fim de que possam, a qualquer momento, receber o Juiz de toda a humanidade (cf. Mt 25, 2; 24, 42.44; Mc 13, 32). Por conseguinte, não é de se crer que a data do Juízo Final possa ser deduzida das Escrituras.

Quanto à observância do sábado, é preciso observar que os cristãos deslocaram já desde os primeiros séculos o repouso do sábado para o domingo, porque foi no dia posterior ao sábado que Jesus Cristo ressuscitou dos mortos. Os próprios Apóstolos o atestam (cfr. 1 Cor 16, 2; At 20, 7 e Apoc 1, 10).

Por fim, a proibição de certos alimentos também é vestígio do Antigo Testamento, ultrapassado pelo Novo, que recomenda sobriedade e mortificação, mas já não proíbe os alimentos que a Lei de Moisés interdizia por motivos de higiene e de pureza ritual. Assim, por exemplo, o Senhor diz: Não percebeis que tudo quanto vem de fora não pode contaminar o homem, porque não penetra no coração? (Mc 7, 18-19). E São Paulo escreve: Alguns impostores proíbem o uso de alimentos que o Senhor criou para que, com ação de graças, participem deles os fiéis e aqueles que conhecem a verdade. Porque tudo o que Deus criou é bom e não é para desprezar, contanto que se tome com ação de graças, pois é santificado pela Palavra de Deus e pela oração (1 Tim 4, 2-5).


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Estêvão Bettencourt, Religiões, Igrejas e seitas, Lumen Christi, Rio de Janeiro, 1997.

Manuel Guerra Gómez, Los nuevos movimientos religiosos, EUNSA, Pamplona, 1993.
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