terça-feira, 1 de abril de 2014

O batismo e o dilúvio.

São Máximo de Turim (?-c. 420), bispo
Sermão para a quaresma; PL 57, 585

«Queres ficar são?» A quaresma conduz ao baptismo

Lemos no Antigo Testamento que, no tempo de Noé, como todo o género humano tivesse sido vencido pelo pecado, as cataratas do céu se abriram e durante quarenta dias e quarenta noites choveu sem cessar. […] Era simbólico: tratava-se mais de um baptismo do que de um dilúvio. Foi, na verdade, um baptismo que lavou a maldade dos pecadores e poupou a rectidão de Noé. Tal como nessa época, hoje o Senhor dá-nos a quaresma para que os céus se abram durante o mesmo número de dias, para nos inundar com a chuva da misericórdia divina. Uma vez lavados nas águas salvíficas do baptismo, este sacramento ilumina-nos; tal como outrora, as águas levam o mal das nossas faltas e reafirmam a rectidão das nossas virtudes.

Hoje a situação é a mesma que no tempo de Noé. O baptismo é o dilúvio para o pecador e a consagração para os que são fiéis. No baptismo, o Senhor salva a justiça e destrói a injustiça. Vemo-lo no exemplo de um único homem: o apóstolo Paulo; antes de ser purificado pelos mandamentos espirituais era um perseguidor e um blasfemo (1Tim 1,13); uma vez banhado pela chuva celeste do baptismo, o blasfemo morreu, morreu o perseguidor, Saulo morreu e tomou vida o apóstolo, o justo, Paulo. […] Quem viver religiosamente a quaresma e observar os preceitos do Senhor, verá morrer em si o pecado e viver a graça […]; morre como pecador, para viver como justo.
Ocorreu um erro neste gadget

Pesquisar: