quarta-feira, 30 de abril de 2014

Entendendo o Marxismo Cultural.

Introdução ao Marxismo Cultural
Por Jason Sutherland - FONTE: http://omarxismocultural.blogspot.com.br/

Há já algum tempo que eu queria escrever um artigo sobre o Marxismo Cultural, mas tentar limitar o alcance do meu artigo ou cobrir todas as ideias distintas tem sido um desafio. Já li o artigo na Wikipedia e ele fala na Escola de Frankfurt, mas não estou convencido de que ele é assim tão aprumado; eu acho até que isto está mais relacionado com a natureza humana do que com Karl Marx. Este será apenas o primeiro artigo que eu tenciono escrever sobre o Marxismo Cultural, mas gostaria de deixar este artigo disponível como uma introdução ao tópico, ou como algo do tipo "como detectar um Marxista Cultural", antes de começar a explorar os diferentes aspectos do Marxismo Cultural de uma forma mais profunda.

Socialismo, Comunismo e Marxismo


Os Marxistas são um grupo diverso; muitas pessoas podem afirmar que o que os une são as suas ideias de colectivismo. Eu discordo; o que os une é a ideia de que todas as relações humanas, que atravessam as áreas da etnia, da classe, da cultura, da religião, da política, da sexualidade e da vida pessoal, podem ser reduzidas para a dinâmica de dominação e submissão com um opressor e um oprimido. Ou seja, onde quer que haja uma distinção entre dois grupos, a sua relação será uma de "opressor versus oprimido", isto é, boas pessoas e más pessoas.

Para além disso, o grupo que está na mó de cima, ou que é visto como estando na mó de cima ("privilegiado"), é automaticamente a parte culpada. Qualquer pessoa que os Marxistas Culturais classifiquem de "privilegiado" é inimigo da sociedade. A única posição segura é criar a impressão de ser uma vítima indefesa.

Eu não acredito que Marx tenha inventado o Marxismo, mas sim que o mesmo faça parte da nossa programação igualitária primitiva e tribalista que foi muito bem usada pela nossa espécie durante os tempos nómadas. Ela manteve a maioria dos membros da tribo vivos através dum sistema de exploração dos trabalhadores mais eficazes, e desde logo providenciando uma vantagem de sobrevivência à espécie.

Os marxistas culturais não são diferentes dos revolucionários ou dos comunistas no propósito final que eles têm para todas as sociedades. Eles só diferem deles porque desejam avançar com a sua agenda usando tácticas não-violentas de causar a vergonha dentro da sociedade ["social shaming"] e o cultivo da culpa. Uma vez que isto é motivado por um instinto primitivo, duvido que a maior parte dos marxistas culturais esteja ciente do que faz, ou do porquê eles o fazerem, mas eles são pessoas cheias de boas intenções, apenas lhes faltando a perspectiva da forma como o seu comportamento está, na verdade, a impactar o mundo à sua volta, e como isso está a impactar a sua própria habilidade de terem vidas felizes e satisfatórias.

Uma pessoa independente e que tenha o que tem como consequência do esforço próprio, não pode ser um marxista cultural porque a sua independência retira dele todas os incentivos para que ele venha a depender de outras pessoas. Quanto mais dependente a pessoa for de outros, emocionalmente, socialmente ou materialmente, maiores serão as probabilidades dessa pessoa vir a ser marxista cultural.

Politicamente Correcto

A melhor definição de politicamente correcto que já ouvi é "colocar a responsabilidade da reacção do ouvinte sobre os ombros de quem fala". Por exemplo, se por acaso tu dizes algo que me deixa perturbado, então tu és culpado por me teres perturbado, e como tal, da próxima vez que fores a falar, toma cuidado com o que vais dizer como forma de não magoares os meus frágeis sentimentos e eu não me responsabilizar por te ter espancado. Esta é a mentalidade dum tirano, no entanto todos os dias nós andamos por ruas que estão cheias de pessoas que pensam assim.

Os marxistas culturais pensam desta forma porque eles dependem emocionalmente de outras pessoas.

Será fácil detectar os marxistas culturais quando se chega ao politicamente correcto porque eles ficam zangados sempre que tu dás uma opinião diferente da deles. Por exemplo, é um facto amplamente estabelecido que, nos EUA, os negros comentem mais crimes que os brancos. Não existe qualquer razão racional para alguém ficar ofendido com este facto, mas os marxistas culturais irão reagir de formas que vão desde tentar silenciar o teu discurso, ridicularização e até inventar directamente acusações de racismo.

Outro exemplo seria expressar uma opinião tal como, "Eu acredito que em média, os homens têm um limiar de dor mais elevado que as mulheres"; esta é uma opinião que eu já expressei abertamente e por uma vez a reacção foi, "nem te atrevas a dizer isso a uma mulher!"

No entanto, a pessoa com quem eu estava a falar era uma mulher, e ela pessoalmente não se importava com esta minha opinião; ela não concordava mas ela não sentia necessidade de fazer com que eu concordasse com ela, ou vice-versa; nós pudemos discordar de forma amigável.


Mas o facto dela ter que me avisar (para a minha própria protecção) para não expressar tal opinião, ressalva o poder do politicamente correcto e, consequentemente, do Marxismo Cultural. Embora uma menor proporção de pessoas seja marxista cultural, eles têm uma alargada e desproporcional influência na liberdade e no discurso na nossa sociedade através do seu uso da intimidação de pessoas até que elas se calem e não expressem publicamente as suas sinceras opiniões.

Quando foi a última vez que tu falaste com uma pessoa e disseste exactamente o que estava na tua mente antes de passares por um intenso processo de análise para saber se era seguro falar ou não? Agradece isso ao facto dos marxistas culturais monitorizarem todos os teus pensamentos.

Nacionalismo Negativo

Nacionalismo Negativo é a crença de que o teu país é corrupto, degenerado e indigno do teu amor e da tua lealdade. A título pessoal, posso dizer que este é um dos sinais mais repulsivos e alarmantes no Marxismo Cultural. O desprezo que muitas pessoas, especialmente estudantes universitários, têm pelo seu próprio país é uma situação extremamente perturbadora, particularmente se levarmos em conta que os graduados universitários irão preencher a larga maioria das posições de autoridade na nossa sociedade.

Quando eu falo de nacionalismo, ou do amor pelo próprio país, não estou a falar da obediência desmiolada ao governo ou a um líder nacional. O nacionalismo é o amor pelo país e, de facto, amar o próprio país envolve uma certa desconfiança,, suspeita, e até hostilidade para com os governos nacionais visto que é impossível confiar aos políticos o cuidado necessário do bem-estar de algo que tanto amamos.

O nacionalismo centra-se em dizer, "Eu exijo melhores líderes para o meu país. Eu exijo melhores motivos que justifiquem a nossa entrada numa guerra como forma de dar apoio à ganância corporativista, ou ideias altruístas vagas de civilizar os Povos 'selvagens'". O Nacionalismo é criar uma sociedade onde as pessoas olha umas pelas outras visto que partilham duma identidade comum e um conjunto de valores.

O nacionalismo é criar uma comunidade forte e unida. O nacionalismo não é o conformismo ou lealdade descuidada. De facto, um líder ou governo que exige lealdade descuidada por parte do seu país está a dar apoio a um crime contra a nação, crime que chamamos de "traição".

O nacionalismo negativo é uma forma de traição. No passado, se alguém dissesse "Tenho vergonha em ser Australiano!", nós chamaríamos a essa pessoa de traidora ou pelo menos ficaríamos com a suspeição de que ela estava disposta a cometer actos de traição. O que é muito revelador na pessoa que diz "Odeio o meu país", é que as razões que elas dão prendem-se com decisões feitas pelo governo. "Odeio o meu país por aquilo que o governo fez" é a mesma mentalidade perturbada de confundir o nacionalismo com a adoração do governo ou do estado. Se o governo tomasse decisões com as quais eles concordam, será que eles amariam o seu país então?

Quem é que estaria à vontade em confiar numa pessoa cujo "amor" pelo seu país é tão ténue? Seria mais lógica olhar para esta pessoa como um oportunista pronto a trair o país na primeira oportunidade que tivesse, e como forma de ganho próprio.

Para o marxista cultural, se o governo não age segundo a sua visão socialista ou comunista utópica, eles odeiam o seu país. É difícil pensar numa atitude mais traiçoeira ou desprezível que um concidadão pode ter. No entanto, aqui no Ocidente, nós já nos habituamos tanto ao facto dos marxistas culturais denegrirem a dignidade e a santidade das nossas nações que nós nem tentamos colocar em causa as suas palavras. Em vez disso, nós retiramo-nos para um lugar isolado, frio, solitário e assustador que é para onde vão as pessoas sem a unidade nacional que os fala sentir unidos, fortes, cuidados e protegidos.

Ateísmo Marxista


De forma a entendermos a diferença entre o Ateísmo racional pessoal e o ateísmo Marxista temos que entender que o Marxismo é uma religião. Tal como todas as outras religiões, o Marxismo tem um livro de vida completo. Para além disso, ele tem os seus textos sagrados (“Das Kapital” e “O Manifesto Comunista”), santos e profetas (Marx, Engels, Lenin, Trotsky, Mao, etc…) e até copia outras religiões tal como o Catolicismo. Eis aqui um exemplo da história Marxista e como eles se alinham com a história Católica e as suas profecias:

Catolicismo: No passado, nós estávamos com Deus num lugar chamado Jardim do Éden.

Comunismo: No passado, nós vivíamos felizes e satisfeitos em sociedade nómadas num estado chamado de comunismo primitivo.

Catolicismo: Cometemos pecado e consequentemente fomos expulsos do paraíso.

Comunismo: Inventamos a propriedade individual (o capital) e começamos a destruir a nossa felicidade e o nosso mundo.

Catolicismo: Entraremos num estado completo de pecado, onde irmão matará o irmão e a mães comerão os seus filhos.

Comunismo: Entraremos num estado de capitalismo completo, onde irmão matará o irmão e as mães comerão os seus filhos.

Catolicismo: Devido ao peso do pecado mundial entrar em colapso sobre si mesmo, o Senhor Jesus voltará.

Comunismo: O sistema de capitalismo global entrará em colapso devido ao peso da sua própria corrupção.

Catolicismo: Por fim, re-entraremos no reino de Deus e viveremos no paraíso até ao final da história.

Comunismo: Por fim, recriaremos uma sociedade comunista perfeita que irá durar até ao final da história.
(...)
A oposição do Marxismo Cultural às outras religiões existe pelos mesmos motivos que o Cristianismo e o islão estão em oposição a todas as outras religiões: eles são rivais na luta pelo domínio cultural.

Se a vida já não fosse suficientemente complicada, é importante ter em mente que nem todos os ateus são marxistas culturais; eu [Jason] sou totalmente contra o Marxismo Cultural e sou um ateu. Só porque se é um ateu, não significa que se é um marxista cultural, do mesmo modo que crer em deus(es) não significa que não se possa ser um marxista cultural. Não existem marxistas culturais puros, da mesma forma que não existem Cristãos puros.

O Marxismo Cultural está dissolvido na nossa cultura e se ele alguma ver atingir os seus objectivos, teremos os gulags e os campos de concentração necessários para purificar os marxistas culturais impuros do meio de nós. Mas nós ainda não chegamos a esse nível de consciencialização; tudo o que temos por enquanto é uma proliferação de sabotadores dentro das nossas sociedades. No entanto, se a actual tendência continuar, então a situação dos gulags e dos campos de concentração são inevitáveis.

A Manada e o Indivíduo


O que é mais importante? Os interesses de muitos ou os interesses do indivíduo? A resposta óbvia é, os interesses de muitos. No entanto, isto é uma enorme simplificação do pensamento civilizado e um tipo de pensamento que eu estou certo tu te arrependerás se tentares viver segundo ele. Os marxistas culturais colocam este ponto sobre a mesa frequentemente como justificação para as suas políticas sociais: "Temos que os 99%! A maioria pensa desta forma, e como tal, temos que avançar e fazer as coisas!" Isto é uma forma de dizer que o que conta é a lei do mais forte; se estás em maior número, então estás moralmente correcto.

No entanto, vencer e estar moralmente certo têm uma relação puramente coincidente, se por acaso ocorrerem ao mesmo tempo. No entanto, ao usarem o argumento da manada contra o indivíduo, os marxistas culturais irão esconder o seu vácuo moral interior.

Imaginemos que se quer escolher alguma e como forma de os trazer, pede-se emprestado o saco da Betty; ela recusa. Respeitando a sua decisão, tu encontras alguns pedaços de material e com eles tu fazes o teu próprio saco de compras. Depois disto, tu pedes ao Toby que te empreste a sua escada, ao que ele diz não. Como consequência, tu resolves trepar as árvores embora seja mais perigoso e mais cansativo tu fazeres isso. Depois disto, pedes à Julie que te ajude a apanhar a fruta, e ela diz não. Finalmente, perguntas ao Gary se ele te pode dar uma boleia do morro até a pomar, e ele diz não.

Sem perderes a calma, sobes esse morro, arranhas-te quando sobes as árvores para colher o fruto, batalhas para carrega-las de volta dentro do teu saco feito por ti, mas depois de tanto trabalho, tu voltas para casa com uma recompensa. Estás em vias de te sentar para saboreares os frutos quando aparecem a Betty, o Toby, a Julie e o Gary a exigir a sua parte da tua fruta. Eles falam da importância da igualdade e exigem que a fruta seja dividida uniformemente com 20pct (porcento) para cada um.

É isto um final justo? Sem dúvida que é um resultado igual e no interesse da maioria. Se nós estivéssemos a viver numa savana pré-histórica, esta decisão ajudaria na sobrevivência do grupo.
Isto é o socialismo e o Marxismo Cultural - a crença de que as pessoas preguiçosas e as pessoas que em nada ajudam têm o direito ao resultado do trabalho das pessoas engenhosas e laboriosas. Eles, os socialistas e os marxistas culturais, chamam a isto de "compaixão", de providência ["welfare"], de acção afirmativa, e eles chamam a isto "pensar nos outros que têm menos sorte que tu".

Para além disso, eu acredito que se tu não pagas impostos, tu não deverias ter direito de voto. Não é justo que aqueles que em nada contribuem para os recursos do estado tenham a mesma voz que aqueles que dão para o estado. Os marxistas culturais insistirão, no entanto, que todos têm o direito à tua propriedade ou fortuna, e que isto é no melhor interesse da maioria.

NOTA: Sei que o capitalismo tem as suas falhas, e isso eu não nego. Eu só nego que o socialismo seja a solução para essas falhas.

Para que qualquer sociedade possa sobreviver, é necessário cultivar uma atitude de reciprocidade: eu ajudo-te e tu ajudas-me. Isto é o individualismo - que não pode ser confundido com o egoísmo (isso é o socialismo), que é onde o indivíduo pode ver os direitos individuais sobre os seus corpos, a sua propriedade e os seus recursos serem-lhe ser retirados pela maioria sempre que eles assim desejarem.

Eu preocupo-me com os sem-abrigo, e também me preocupo com a fome no continente Africano; mas isso não é motivo para exigir que eu entregue o meu dinheiro em prol de pessoas que nunca chegarão a exibir qualquer tipo apreciação, e muito menos reciprocidade, pelo meu sacrifício feito em seu favor. Os marxistas culturais dirão que sou insensível e ganancioso; eu respondo e digo que eu tenho respeito por mim mesmo, e se há algo que os marxistas culturais odeiam, é pessoas com respeito por si mesmas visto que é muito difícil extorquir dinheiro e recursos a eles.

Os marxistas culturais querem que te sintas desmoralizado, sem valor e imerecedor; melhor ainda, eles querem que te sintas assim porque de outro modo, todo o sistema económico socialista não funciona, e qualquer pessoa com um átomo de respeito próprio irá construir o seu próprio ninho mal consigam; para além disso, o Bloco do Leste tinha este tipo de corrupção em níveis endémicos.

Feminismo


O feminismo é a crença de que as mulheres formam uma classe - tal como os escravos ou os negros formam uma classe - e que segundo a teoria marxista, existe uma dialéctica e uma relação histórica de antagonismo entre os homens e as mulheres de opressor e oprimida, tal como a relação entre o rico dono de terras e o servo.

Eu já escrevi um artigo mais extenso sobre isto (que irei publicar brevemente) explicando que o feminismo e o socialismo são essencialmente a mesma coisa; como tal, não entrarei agora em maiores detalhes.

No entanto, posso dizer que, embora nem todas as pessoas (homem ou mulher) que se identificam como feministas são marxistas culturais, é bastante seguro assumir que são.

Arte Abstracta Sem Sentido

Eu não sei bem como é que isto foi causado directamente pelo Marxismo Cultural, ou se o Ocidente sofreu danos colaterais provenientes do Marxismo Cultural, mas posso dizer que a maior parte da arte Ocidental é demasiado cara, sem inspiração, degenerada e feia. Eu acho que as coisas acontecem da seguinte forma:

* Um artista decide criar uma pintura, escultura, novela ou uma peça de música. O que pode ele criar, pensa ele?

a) Uma bela imagem de perfeição física, tal como David ou Vénus? Não, porque isso é politicamente incorrecto; as pessoas podem pensar que eu não gosto de pessoas feias ou que sou uma espécie de fascista.

b) Uma história inspiradora em torno de um colono ou explorador? Não, porque isso também não é politicamente correcto visto que os brancos têm vergonha da sua história e da sua cultura. Pelo menos deveriam ter.

c) A história dum homem heterossexual triunfando na vida quando as probabilidades estavam todas contra ele? Não, porque isso também não é politicamente correcto visto que os homens heterossexuais são canalhas privilegiados violentos que criaram os problemas do mundo. Para além disso, essa história poderia chatear todos aqueles que não são brancos e heterossexuais.

d) Uma história retirada dum mito cultural Europeu? Não, visto que os Europeus têm demasiados privilégios e essa história poderia chatear os não-Europeus.


Já sei! Vou desenhar umas linhas coloridas sem qualquer tipo de significado, visto que isso não irá chatear ninguém. Se por acaso alguém lançar alguma crítica, eu lançarei sobre eles o truque do "Rei vai nu" e fazer com que eles se sintam burros [por "não entenderem arte"]. Ou então, crio uma história em torno dum estrangeiro ou dum homossexual - história com a qual 95% das pessoas neste país não se vai identificar de alguma forma significativa - ou então crio uma peça de arte onde exponho o quão corrupta e degenerada a humanidade é - especialmente os homens brancos heterossexuais - e então a audiência dos marxistas culturais brancos pode-se sentar e se auto-flagelar, dizendo uns aos outros o quão moralmente superiores eles são só porque se odeiam a eles mesmos (...).

É suposto que a arte seja a história cultural das pessoas, e que ela não só as una, mas também que una a sua história, a sua identidade, e as inspire a fazer grandes coisas e a expressar amor pela nobreza, força e beleza. A arte não é uma ferramenta política para os marxistas culturais como forma de desmoralizar a sociedade. Alguém diga isso aos marxistas culturais, se faz favor!

Infantilismo Racial

Sempre que os marxistas culturais falam dos estrangeiros, é sempre em termos deles serem vítimas indefesas e os brancos como opressores gananciosos. As linhas orientadoras desta forma de pensar têm semelhanças com panfletos de propaganda Soviética, e embora seja uma coisa boa o facto do marxistas culturais serem letrados - de facto, eles lêem muito - o facto deles não se aperceberem do quão racistas eles são quando pensam assim é desencorajador.

Os marxistas culturais olham para o mundo em termos de "vítimas" e "opressores"; as vítimas são inocentes e impotentes para se ajudarem a eles mesmos visto que são oprimidos, ao mesmo tempo que os opressores são culpados imperdoáveis e são os únicos que têm vontade própria. Os marxistas culturais não vêem zonas neutras nos conflitos internacionais ou nos discursos. Em vez disso, eles analisam a situação em busca das "vítimas" e dos "opressores". Eles têm tão pouca percepção dos relacionamentos tal como uma princesa mimada.

A colocarem os não-brancos como vítimas perpétuas, os marxistas culturais negam que eles tenham vontade própria e capacidade de mudar o seu futuro; para além disso, os marxistas culturais negam aos não-brancos a sua dignidade humana ao afirmar que eles são impotentes perante as suas circunstâncias e eles precisam de ser salvos. Algumas pessoas podem até gostar de receber este tipo de tratamento infantil ("repara, se eu disser que o que ele disse é racista, eles dão-me coisas boas, e calam-se!"), mas a maior parte das pessoas apercebe-se que ser tratado como uma criança é humilhante de degradante - mas os marxistas culturais não se apercebem disso.

Embora eu pessoalmente prefira focar-me no que as pessoas fazem e não na cor da sua pele, os marxistas culturais parecem ter uma obsessão pela cor da pele, e pela atribuição de privilégios inatos às distintas cores da pele. Não existe aquilo que eles chamam de "privilégio branco", mas sim brancos que, em média, olham mais por si do que os não-brancos. A ideia do privilégio branco faz com que os não-brancos pensem algo do tipo, "Não interessa o quanto que eu me esforço, ou assuma responsabilidade pela minha vida, ou pelas minhas decisões, porque eu não tenho o que os brancos supostamente têm por defeito." Com uma atitude como esta, como é que eles irão sair da pobreza?

Conseguem ver o quão racista isto é? Alertem os marxistas culturais para pararem de falar dos outros grupos étnicos como se eles fossem crianças ao mesmo tempo que olham para os brancos como pais abusadores. A maior parte do mundo não vive segundo um relacionamento de dominância e submissão mas sim de respeito e cooperação, conceitos totalmente alheios à abordagem dialéctica antagonista de Marx.

Colonialismo Cultural


Os marxistas culturais gostam de falar em "diversidade", mas o que eles têm em mente é que todas as pessoas, todos os países e todas as comunidades têm que se conformar às ideologias marxistas culturais. A globalização centra-se na padronização mundial da cultura, da etnia, das leias, dos valores e da forma de pensar. Ninguém pode continuar a ter as suas próprias ideias, opiniões, cultura e propriedade; o politicamente correcto significa conformidade - conformidade absoluta a tal ponto onde ter ideias próprias é um tipo de desordem de personalidade. A ideia dum país, grupo ou indivíduo querer preservar a sua identidade cultural, social ou a sua história, é algo que aterroriza os marxistas culturais; tu tens que concordar com eles porque se não estás do seu lado, então estás contra eles.

Isto não está a ocorrer só no Ocidente, onde os brancos estão a ser privados da sua história e da sua identidade cultural por parte dos marxistas culturais, mas em todo o mundo onde os Marxistas estão a promover políticas de assimilação e conversão em todos os países não-Ocidentais de modo a que eles se transformem em países Marxistas. Os Chineses têm que se conformar aos nossos pontos de vista sociais; os Indianos têm que viver a sua vida da forma que nós queremos que eles vivam; os Africanos têm que adoptar as nossas politicas; os Árabes têm que adoptar o nosso ponto de vista no que toca à religião. Todas as mulheres da Terra têm que ser feministas quer ela queira ou não.

O Marxismo Cultural é uma doença que se tenta propagar para o interior de outros anfitriões (outras sociedades) como forma de os infectar. Não interessa se as pessoas têm as suas tradições, os seus valores ou o seu modo de vida; para o seu próprio bem, elas têm que se conformar visto não haver alternativas ao Marxismo Cultural.

Conclusão:

Para concluir, o tópico do Marxismo Cultural é vasto e, de uma forma ou outra, o mesmo afecta todas as pessoas do planeta. Neste artigo eu apenas falei superficialmente dos assuntos aqui mencionados, mas ao escrevê-lo como uma introdução para a série de artigos que eu planeio escrever, espero trazer alguma perspectiva do quão diversos estes assuntos são e, embora superficialmente possam parecer distantes uns dos outros, eles estão intimamente ligados com a doença intelectual que é o Marxismo Cultural.

Estou plenamente convicto de que, onde só há uma voz, não há liberdade e isso aplica-se a culturas e a nações. Se só existir um governo central mundial e uma cultura mundial, não existirão liberdades individuais; mesmo que nós nos sintamos mais seguros nesse tal mundo, ele só viria a existir através da redução da nossa vida de viver para sobreviver.

Felizmente, existem muitas outras soluções e outros caminhos através dos quais nós podemos nos fortalecer e encontrar felicidade e satisfação nesta aventura que chamamos de vida.
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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Católico pode ser marxista (comunista ou socialista)?

“Porque dizem que o católico não pode ser comunista?”



1. O comunismo hoje muito apregoado, ou seja, o marxismo (doutrina de Karl Marx, 1818-1883), vem a ser o sistema que propugna tornar comuns, de maneira radical e mais ou menos violenta, não somente os fundos produtivos (o capital e as terras), mas também os bens produzidos; preconiza assim a abolição da propriedade particular e a rigorosa igualdade social entre os homens.



O marxismo econômico e sociológico se enquadra dentro de uma concepção geral da vida ou dentro de uma filosofia, da qual é inseparável. Esta filosofia, porém, é muitas vezes ignorada por aqueles a quem certos aspectos laterais do comunismo conseguem atrair. Percorramos, portanto, rapidamente os traços dessa ideologia.



Primeiramente, o marxismo professa o materialismo, e materialismo dialético; o que quer dizer: a única realidade existente é a matéria, e matéria posta em contínua evolução, devida ao choque de forças antagônicas. Em consequência, toda a história se tece de conflitos entre os elementos contrários da matéria. Tão longo processo, porém, tende ao equilíbrio e à harmonia finais. Vê-se desde já que o marxismo incute uma visão dinâmica (que os seus mentores chamam de «dialética»), em oposição a qualquer concepção estática (ou «metafísica», diriam os marxistas) do mundo.



A matéria é eterna; está em movimento desde todo o sempre, nem pode ser concebida sem movimento. Na ideologia marxista, portanto, não há necessidade de um Motor Imóvel, Causa última de todas as causas (segundo a filosofia de Aristóteles), nem de um Criador ou Deus. A fé em um Ser todo-poderoso proviria da incapacidade de explicar os fenômenos naturais ressentida pelo homem primitivo.



Aplicados mais pròximamente à sociologia, estes princípios significam que o gênero humano até a época contemporânea viveu em constante luta de classes; o capitalista é o explorador e opressor; o operário, o oprimido: “A história da humanidade registrada até hoje é história da luta de classes”, reza o manifesto de Karl Marx publicado em 1848. O fator que condiciona a luta e explica todas as atividades humanas, vem a ser a economia: “A economia e a produtividade da vida material condicionam os fenômenos sociais, políticos o espirituais da vida em geral. Não é a consciência do homem que determina o modo de ser da sociedade, mas, ao contrário, é a vida dos homens na sociedade que determina a consciência dos mesmos” (Marx. Zur Kritik der politischen Oekonomie, Vorrede 1859}.



Em outros termos: Direito, Filosofia, Moral, Arte, Religião são considerados «ideologias» ou «superestruturas» da produção material; a classe dominante na sociedade costuma impor «às demais as suas concepções filosóficas e religiosas. O feudalismo medieval e o capitalismo falavam de princípios éticos absolutos; o marxismo, ao contrário, nega a existência de normas morais imutáveis: «A nossa moral é, em tudo e por tudo, subordinada aos interesses da luta de classe do proletariado» (Lênin, Obras, 3:> edição XXV. Moscou 1933, 391). A primeira lei da ética marxista é a luta pela instauração universal da ordem de coisas comunista: não há, pois, direitos absolutos, mas a força e a violência em vista do objetivo proposto vêm a ser os ditames supremos da vida social. As artes e as ciências no marxismo devem igualmente exprimir o pensamento da classe operária, isto é, hão de ser cultivadas em função do Partido Comunista; aliás, toda a cultura comunista vem a ser «cultura do Partido», portadora de caráter popular socialista, patriotismo soviético, otimismo, etc.



Proposto ao mundo nos séc. XIX e XX, o marxismo apregoa a revolução social, da qual devem resultar a total extinção de classes e até mesmo a supressão do Estado; é a propriedade particular que divide a sociedade em classes. Para conseguir a sua meta final, o marxismo visa, em primeiro lugar, instaurar a chamada «ditadura do proletariado». Mediante a abolição do Estado burguês, os trabalhadores oprimidos procurarão aniquilar os seus opressores atuais, sendo-lhes lícito, para isto, o recurso a qualquer meio coibitivo (em verdade, no Estado marxista, é um só homem, o ditador, quem aplica esses meios «em nome do proletariado» ou também contra o proletariado), Na fase definitiva do processo comunista, já não haverá autoridade de Estado, mas todos os homens, livres da escravidão capitalista e dos numerosos preconceitos que esta acarreta, viverão sem leis, movidos unicamente pelo entusiasmo do trabalho desinteressado, trabalho espontaneamente executado para o bem da coletividade; desaparecerão as injustiças e a miséria! — É, pois, uma verdadeira Redenção, é um autêntico messianismo encaminhado para um paraíso terrestre, que o marxismo propõe ao mundo.



Neste quadro é claro que nenhuma das tradicionais formas de religião tem cabimento : «O marxismo é um materialismo. Como tal, é inimigo implacável da religião.. Devemos combater a religião. Este é o abc de todo materialismo, por conseguinte também do marxismo» (Lênin. Obras XIV 70). «O Partido não pode ser neutro frente à religião. .. porque ele é favorável à ciência, ao passo que os preconceitos religiosos são contrários a esta» (Stalin. Obras X 132). Não é menos verdade, porém, que a ideologia marxista com a sua mística, ou seja, com a sua fé entusiástica na consecução da felicidade integral, se torna uma religião, exigindo para as instituições e os representantes do comunismo a adesão que sempre foi tributada a Deus. Já Dostoievsky (+1881) dizia muito bem, como que caracterizando antecipadamente os comunistas contemporâneos: “Os homens não se tornam ateus apenas, mas creem no ateísmo como em uma religião”. Tem-se observado repetidas vezes que o marxismo se apresenta como um catolicismo às avessas; muitos são os pontos de contato de ambos, trazendo apenas sinais inversos de valorização (positivo, negativo; à direita, à esquerda).



2. Qual o juízo a proferir sobre tais teorias?



Não se pode negar que a ideologia marxista encerra um núcleo de verdade: o mal-estar da sociedade provém não raro do predomínio injusto de uma classe sobre as outras ou da defeituosa distribuição dos bens produtivos. Desta verificação, porém, não se segue que a solução consista em suprimir a propriedade privada e as classes sociais. Com efeito:



a) não se podem reduzir todos os problemas humanos à questão econômica, como se o homem por sua natureza fosse destinado a ser mero produtor e consumidor de bens materiais, ficando as suas demais aspirações dependentes da satisfação desta primeira. Haja vista a família: não são as necessidades econômicas que dão origem à família, mas, ao contrário, é a família que funda a economia (o termo grego oikonomia o diz muito bem: oikos, casa; nomiat dispensação, legislação). É o desejo de se perpetuar e de certo modo imortalizar que leva o homem a constituir um lar e a procurar consequentemente, mediante a sua indústria (caça, pesca, agricultura), os meios de subsistência para os seus familiares.



Também é vão dizer que a Filosofia, a Moral, a Religião são funções da produção material, embora possam sofrer a influência desta; existem, sem dúvida, verdades especulativas e normas éticas objetivas, imutáveis: que a soma dos ângulos de um triângulo seja igual a dois retos, é proposição que nenhum sistema econômico jamais poderá alterar. Em particular no tocante à religião, é absurdo apresentá-la como expressão do homem covarde ou atrasado: o testemunho dos povos, os documentos da civilização aí estão a dizer o contrário. A religião sempre foi o fator que estimulou a civilização e a indústria dos diversos povos: a construção da habitação humana, a fundação de cidades, a abertura de estradas, a ereção de pontes, a domesticação de animais, o cultivo de plantas, a contabilidade bancária são realizações inspiradas inicialmente por motivos religiosos; a religião, longe de coibir, sempre fomentou o exercício das faculdades superiores do homem (inteligência e vontade) ; a história da ciência e a civilização são, em grande parte, tributárias das aspirações religiosas que constantemente moveram os homens a novos empreendimentos. Veja-se a propósito a abundante documentação citada por P, Deffontaines, Géographie et Religions, Paris 1948; outrossim «P. R.» 19/1959, qu. 1.



b) A tese da eternidade da matéria está em contradição com a da evolução ascensional da mesma matéria; carência de inicio e evolução são termos inconciliáveis entre si, pois toda evolução supõe necessàriamente um ponto inicial e outro final. A hipótese da eternidade do mundo está também em desacordo com a ciência moderna, que não somente requer um ponto de partida para o processo evolutivo do universo, mas também fala de relativa «juventude» do cosmos (cerca de dez bilhões de anos).



c) Entre os homens existe, sim, igualdade básica de natureza (todos são animais racionais), diferenciada, porém, por
características acidentais, pessoais; dotados de diversa capacidade intelectual e variada energia de vontade, os indivíduos tendem pelas suas atividades a se dispor em hierarquia, devida ao uso e ao abuso que cada um faz de suas qualidades. As desigualdades econômicas, portanto, provêm em grande parte das desigualdades naturais que intercedem entre os indivíduos; por isto é que não são condenáveis, desde que se mantenham dentro de certos limites e não impeçam a colaboração de todos para o bem comum. O nivelamento dos indivíduos mediante a extinção da propriedade particular é contraditório à própria natureza humana, como o comprova a experiência da Rússia mesma: a sociedade soviética conhece hoje de novo as suas classes, os seus indivíduos e grupos privilegiados, embora os nomes e títulos sejam diferentes dos que estavam em voga no regime imperial. Donde se vê que a igualdade entre os homens não poderá ser aritmética, mas há de ser proporcional: todo indivíduo na sociedade há de gozar de direitos particulares, correlativos às suas aptidões naturais e à contribuição que ele possa prestar ou haja prestado ao bem comum.



De resto, fraternidade entre os homens sem crença em Deus é impossível; se não se reconhece um Pai comum nos céus, com que direito se exigirá que os homens se reconheçam uns aos outros como irmãos sobre a terra ? Cedo ou tarde, mostra-nos a história que as tendências egoístas se atuam, corroendo a filantropia dos ateus. Muito menos se pode esperar que, sem Deus, os homens instaurem o paraíso sobre a terra, vivendo sem leis, em espontânea concórdia. Tal expectativa ignora totalmente a realidade histórica: a natureza humana e, com ela, o mundo visível estão sujeitos à desordem que o pecado inicial introduziu (pecado de que falam as reminiscências mesmas dos povos primitivos); e somente pela reconciliação do homem com Deus é que se poderão obter harmonia e bem- -estar neste mundo. — À luz destas considerações, o marxismo aparece claramente como uma religião desviada do seu verdadeiro objetivo. Aliás, já dizia muito a propósito Donoso Cortês, o famoso estadista (+1853): “Toda civilização é sempre o reflexo de uma Teologia” (Ensayo sobre el catolicismo, el liberalismo y el socialismo 1851).



Vê-se, por fim, que não há compatibilidade entre catolicismo e marxismo plenamente entendidos. Isto não exclui que certas teses marxistas referentes à economia ou à administração pública possam ser incorporadas à ideologia cristã. Segundo as declarações dos próprios comunistas, o marxismo não pode nem quer ser concebido independentemente do quadro filosófico ou do materialismo dialético que inspirou a Marx; qualquer tentativa, como a da II Internacional, de edificar o comunismo sobre outro fundamento filosófico é rejeitada pelo bloco marxista preponderante qual deviação ou heresia (sabe-se que a II Internacional, de 1880 ao fim da primeira guerra mundial, foi tida por Lenin, Trotzkij como Internacional dos social-patriotas e dos traidores). A prática do marxismo é indissolúvel da respectiva teoria; por isto também tudo que o marxista realiza na vida pública, ele o realiza no espírito do partido. Diz Lênin: “O materialismo implica, por assim dizer, o espírito de partido, enquanto nos obriga, em lodo juízo que formulemos sobre um acontecimento, a colocar-nos direta e abertamente do ponto de vista de certo grupo social” (Obras I 380s).





Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Perigos da Renovação Carismática.

Há algum perigo em procurar obter Dons Extraordinários?

“os Dons Extraordinários não de­vem ser temerariamen­te pedidos, nem deles devem presunçosa­mente ser esperados fru­tos de obras apostólicas”
(Const. Dogmát. “Lumen Gentium”, nº 33)

♣ Ora, é exatamente o contrário, o que estão ensinando nesses Gru­pos Pentecostais e Carismá­ticos; sem levar em conta a ação imprudente e gene­ralizada de doutrinas opostas à Doutri­na Católica, os perigos que daí podem re­sultar, e, a legalização disseminada e incentiva­da dos vários vícios do espírito.

♣ A Doutrina exposta a seguir, de S. João da Cruz e de S. Teresa, não se refere diretamen­te aos Carismas Extraordinários tratados até aqui, e sim a outros, mas a sua clare­za e objetivi­dade dizem o que deve ser dito sobre estes, com nítida ressonância à Doutrina Tradicio­nal exposta até aqui, além de lançarem luzes onde o conhecimento ordinário se dispersa (n. c.).



A Doutora e Mestra dos Espirituais assim ensina:

► “... quando souberdes ou ouvirdes dizer que Deus concede esses fa­vores às almas, nunca Lhe supliqueis que vos leve por esse caminho, nem aspi­reis a is­so.

Ainda que tal caminho vos pareça muito bom, devendo ser apreciado e re­verenciado, não con­vém agir assim por algumas razões. Em primeiro lugar, por­que é falta de humil­dadedesejar o que nunca merecestes; portanto, creio que não a tem muita quem assim se compor­ta...E julgo que eles (os favores sobrenatu­rais) nunca ocorrerão, uma vez que o Se­nhor, antes de conceder essas Gra­ças, dá um grande conhecimento próprio. E como en­tenderá sin­ceramente quem alimenta tais ambições, que já recebe grande misericórdia em não es­tar no Inferno?

Em segundo lugar, porque é muito fácil haver engano, ou risco de o ha­ver. O Demô­nio não precisa senão de uma porta aberta para armar mil embus­tes. Em terceiro, porque a própria imagina­ção, quando há um grande desejo, leva a pessoa a acreditar que vê e ouve aquilo que deseja, tal como os que, querendo uma coisa durante o dia e pensando muito sobre isso, sonham com ela à noite.

Em quarto lugar, porque é extremo atrevimento que eu deseje es­colher um caminho, já que não sei qual o melhor. Pelo contrário, devo deixar que o Se­nhor, que me conhece, me leve por aquele que me convém, para em tudo fa­zer a Sua Vontade. E, em quinto,julgais que são poucos os sofri­mentos padecid­os por aqueles a quem o Se­nhor concede essas Graças? Não, são imensos e se manifestam de diversas maneiras. E sabeis vós se se­ríeis pes­soas para pa­decê-los? Por último, porque talvez por aí mesmo onde pensais ga­nhar, perder­eis – como ocorreu a Saul, por ser rei (as razões 5ª e 6ª aludem ao episódio dos fi­lhos de Zebedeu – S. Mat. 20, 20-22, - e à conduta de Saul – I Rs. 15, 10-11; cfr. Mor. VI, Cap. 11, 11 e Mor. V, Cap. 3, 2).

Enfim, irmãs, além dessas há outras. Crede-me que o mais seguro é não de­sejar se­não o que Deus deseja, pois Ele nos conhece e nos ama mais do que nós mesmos. E não poderemos er­rar, se com determinação da vonta­de, agirmos sempre as­sim”(S. Te­resa de Jesus, Mor. VI, Cap. 9, 14-16; cfr. Mor. IV, Cap. 2, 9; Liv. da Vida, Cap. XII, 1. 4. 7).

► E, em outro lugar, ensinando sobre o 1º grau de Oração diz: “... É muito bom, que uma alma que só chegou até aqui, graças ao Senhor, não procure ir além por si (mesma) – e muito se atente para isso – , para que não obtenha, em vez de lucro, prejuízo... Quem quiser passar da­qui e levantar o espí­rito a sentir gostos (sobrenaturais), que não lhe são da­dos, perde, a meu ver, tudo. Os gostos são sobrenaturais e, perdido o entendimento, a alma fica desam­parada e com muita aridez. E como esse edifício tem a sua fundação na humilda­de, quanto mais próximos de Deus estivermos, tanto maior deverá ser essa Vir­tude, pois, se assim não for, tudo perderemos. E parece algum tipo de so­berba querer­mos ir além dis­so, visto que Deus já faz em demasia, pelo que somos, ao permitir que nos aproximemos Dele... Torno a avisar que é muito importante ‘não elevar o espírito se o próprio Senhor não o eleva’ – o que isso sig­nifica logo se entende. Isso é especialmente ruim para mulheres, em que o Demônio poderá causar alguma ilusão...”(Liv. da Vida, Cap. XII,1. 4. 7).

► “Na Encarnação (n.c: Mosteiro) calara-se a hostilidade, o ceticismo dera-se por ven­cido; mais de 40 religiosas a seguiam nas vias de oração e lhe imita­vam as virtudes. As virtu­des, mas não os êxta­ses: bem se esforçava ela por convencer as outras religiosas de que se ganha o Céu mais pela obedi­ência e pelo esquecimento de si próprio do que pelo desejo de Graças Sobrenaturais: raptos e êxtases provam a bon­dade de Deus, não as nossas perfeições”(Marcelle Auclair, “Santa Teresa de Ávi­la, a dama errante de Deus”, Cap. V, 1959).



O Doutor Místico admiravelmente ensina:

► “Alguns espirituais julgam-se seguros, tendo por boa a curiosidade que às vezes mos­tram, procurando conhecer o futuro por via sobrenatural: pen­sam ser justo e agradável a Deus usar deste meio, porque algumas vezes o Se­nhor se dig­na responder-lhes. Embora seja ver­dade que Deus assim faça, longe de gostar desse modo de agir, mui­to se aborre­ce, e se tem por grande­mente ofendido. A ra­zão disso é: a ne­nhuma criatura é lícito sair dos limites naturais prescritos por Deus e or­denado para seu governo. Ora, Deus sub­meteu o homem às Leis Natu­rais e Racionais: pretender infringi-las, queren­do che­gar ao conheci­mento por meio sobrenatural, é sair desses limites: não é permiti­do fazê-lo sem a Deus desgostar, pois as coisas ilícitas ofen­dem-No. Esta verdade era bem conhe­cida ao rei Acab, quando, ordenando-lhe Deus pelo Profeta Isaías que pedisse um Si­nal do Céu, não o quis pedir, dizendo: ‘Não pedirei e não tentarei o Se­nhor’(Is. 7, 12). Porque tentar a Deus é querer comunicar-se com Ele por vias extra­ordinárias, como são as (vias) sobrenaturais...

Querer conhecer coisas sobrenaturalmente é pior ainda do que dese­jar gostos espirituais pelo sentido, não sei como a alma com essa pre­tensão poderá deixar de pe­car, ao menos venial­mente, por melhores que se­jam seus fins e por mais perfeição que tenha.O mesmo digo de quem a man­dasse, ou consentisse em usar daquele meio sobrenatu­ral (esta via é muito usada e inci­tada a ser usada). Não há motivo algum para recorrer a tais meios extraordi­nários: temos a nossa Razão Natural, a Lei e a Doutrina Evangélica, pelas quais mui suficientemente nos podemos reger; não existe difi­culdade ou ne­cessidade que não se possa resolver ou remediar por esses meios comuns, mais agradá­veis a Deus e proveitoso às almas.Tão grande é a importância de nos servirmos da Razão e Doutrina Evangélica, que, mesmo no caso de receber­mos algo por via sobrenatural – só devemos ad­miti-lo quando é conforme a Razão e aos Ensi­namentos do Evangelho. Ainda assim, é preciso recebê-lo, não por ser reve­lação, mas por ser segundo a Razão, deixando de lado todo o seu aspecto sobre­natural; mais ainda: convém considerar e examinar aquela razão com atenção maior do que se não houvesse revelação particu­lar, pois muitas ve­zes o Demônio diz coisas verdadeiras e futuras, muito ra­zoáveis, para enga­nar as almas.

... Acrescento apenas ser perigosíssimo – muito mais do que sa­beria explicar – querer al­guém tratar com Deus por vias sobrenaturais; não deixa­rá de errar muito, achando-se extrema­mente confundido todo aquele que se afeiçoar a tais meios. Aliás, a própria experiência obriga-lo-á a reco­nhecer esta verdade. Além da dificuldade para não cair em erro, nessas pala­vras e visões de Deus, há, ordinariamente, entre as verdades, muitas do Demônio. Costuma o espírito maligno disfarçar-se sob o mesmo aspecto em que Deus se manifesta à alma, misturando coisas muito ve­rossímeis às co­municadas pelo Senhor. Deste modo, vai o Inimigo se metendo qual lobo en­tre o reba­nho, disfarça­do em pele de ovelha, e dificilmente se deixa perce­ber. Como diz palavras muito verda­deiras, conforme a razão e certas, quan­do se reali­zam, nelas é fácil enganar-se a alma, atri­buindo-as a Deus, somen­te por­que os fatos demonstraram a sua veracidade...

... É este o motivo de Deus se desgostar contra os que as admi­tem, porque para estes é Temeridade, Presunção e Curiosidade, expor-se ao peri­go que daí resulta. É dei­xar crescer o Or­gulho, raiz e fundamento da Vangló­ria, Desprezo das coisas Divinas, e Princípio de numerosos males em que caíram muitas almas. Excitam a tal ponto a Indig­nação do Senhor essas al­mas, que Ele propositadamente as deixa cair em erro e ceguei­ra e na obscur­idade do espírito: abandonam, assim, os caminhos ordinários da vida es­piritual, para satisfazerem suas Vaidades e Fantasias, segundo Isaías diz: ‘O Senhor di­fundiu entre eles um espírito de vertigem’(19, 14), isto é, espíri­to de revolta e confusão, ou para falar claramente: espírito que entende tudo ao revés. Vai ali o Pro­feta declarando as palavras bem ao nosso propósito, refe­rindo-se aos que procuram conhecer os Misté­rios do futuro por via so­brenatural. Deus, disse ele, lhes envia um espírito de vertigem, não porque queira efetivamente lançá-los no erro, mas porque eles quiseram intrometer-se em coisas acima de seu alcance. Por este motivo é que o Senhor, desgos­tado, dei­xou-os errar, não lhes dan­do luz nesses caminhos impenetráveis, onde não deviam en­trar. E assim, diz Isaías, Deus enviou-lhes aquele espíri­to pri­vadamente, isto é, daquele dano tornou-se Deus a causa privativa, que con­siste em tirar, tão deveras, sua Luz e Graça que necessariamente as al­mas venham a cair no erro.

O Senhor, deste modo, concede ao Demônio permissão para en­ganar e cegar grande nú­mero de pessoas merecedoras desse castigo por seus pe­cados e atrevimen­tos.Fortalecido por esse poder, o Inimigo leva a me­lhor: es­sas almas assim o aceitam como bom espírito e dão crença às su­gestões dele com tanta convicção que, ao ser-lhes apresen­tada mais tarde a Verdade, já não é possí­vel desiludi-las, pois, já as dominou, por per­missão Divina, aque­le espírito de entender tudo ao re­vés. Assim aconteceu aos profetas do rei Acab. Deus abandonou-os ao espírito de mentira, dando li­cença ao Demônio para enganá-los, dizendo: ‘Tu o enganarás, e prevalecerás: vai e faze-o as­sim’(I Rs. 22, 22). Efetivamente, foi tão poderosa a ação diabólica sobre o rei e os profetas que recusaram dar crédito à predição de Miquéias, anunciando-lhes a verdade muito ao contrário do que os outros a haviam profetizado.Deus deixou-os cair na cegueira por causa da presunção e do apetite com que deseja­ram receber uma resposta em harmonia com as suas incli­nações; só isto era disposição e meio certíssimo para precipitá-los proposita­damente na cegueira e na ilusão...”(S. João da Cruz, “Subida do Monte Carme­lo”, Liv. II, Cap. XXI; cfr. Capítulos XXII, XXXVII, 6-7, XXIX, XXX, 6-7; Liv. III, Cap. IX, 4 – Cap. X, 3).



O Fundador dos Sacramentinos assim ensina:

► “Ah! Não sejamos do número dessas pobres almas! Não despre­zemos os favo­res sensí­veis de Deus, mas não os procuremos tão pouco. Deve­mos nos afeiçoar somen­te a Jesus, e não às suas consolações, às suas Gra­ças: elas passam, só Ele permanece! Deus as concede às almas fracas, a fim de animá-las, atraí-las, como faz uma mãe que dá aos fi­lhos doçuras e carícias.

Houve Santos que tiveram êxtases, mas quanto sofreram, quanto foram provados! Essas Graças supõem a santidade, não a fazem. Deus lhas concedia de tempos em tem­pos; eram a re­compensa de seus sofrimentos e Deus agia assim para estimulá-los a sofrer mais ainda por seu amor. Santa Teresa temia de tal forma essas Graças que, ao sentir-se levantada da terra, precipita­va-se contra o solo”(S. Pedro Julião Eymard; “A Santíssima Eu­caristia”, Vol. V, fevereiro: Festa da Puri­ficação de Ma­ria).



O Fundador dos Monfortinos assim exorta:

► “Você deve ser bem cuidadoso em não fazer coisa alguma fora do normal; não procu­re, nem mesmo deseje conhecer coisas extraordinárias, vi­sões, re­velações ou Gra­ças miraculosas, que Deus Todo-Poderoso comunicava às vezes a alguns Santos... ‘Só a Fé é suficiente’: só a Fé basta para nós, agora que os Santos Evangelhos e todas as Devo­ções e as práticas Piedosas es­tão firmemen­te esta­belecidas”(S. Luís Mª Grignion de Montfort, “O Se­gredo Admi­rável do Rosário”, 47ª Rosa). E em outro lugar disse:

► “... Não vos peço visões ou revelações, ou gozos, ou prazeres, nem mesmo espi­rituais. É privilégio Vosso...”(“Tratado da Verdadeira Devo­ção à Santíssima Virgem”, Apên­dice: Oração a Ma­ria, para seus fiéis escravos). Ainda em outro lugar:

► “Por isso, enquanto que seus irmãos e irmãs trabalham muitas vezes para o exteri­or com mais entusiasmo, habilidade e sucesso, recebendo os louvo­res e aprovações do mun­do, eles sabem, pela luz do Espírito Santo, que há muito mais glória, bem e prazer em perma­necer oculto no reconheci­mento com Jesus Cristo, seu Modelo, numa submissão inteira e per­feita a sua Mãe,do que em rea­lizar, por si próprio, maravilhas naturais e da Graça no mundo, como tantos Esaús e Réprobos... Quanto mais, portanto, ganhardes a benevolência desta Princesa e Virgem fiel, tanto mais profunda Fé tereis em toda a vossa conduta: uma Fé pura, que vos levará à despreocupação por tudo que é sensível e ex­traordinário...”(“Tra­tado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, NN. 196, 214).



A Maior Santa dos Tempos Modernos assim nos ensina:

► “Um dia, no Céu, teremos prazer em falar de nossas gloriosas prova­ções. Mas, não nos senti­mos, desde já, felizes de tê-las sofrido? ... Sim, os três anos de martírio de papai se me apresentam como os mais amáveis, os mais fru­tuosos de nossa vida. Não os daria em troca de todos os êxtases e revelações dos San­tos... Não eram, pois, meus desejos que poderiam produzir Milagre”(S. Teresi­nha do Menino Jesus, “História de uma Alma”, Manus­crito “A”, Cap. VII; Cap. III). E, em outro lugar diz:

► “... Não creias que esteja a nadar em consolações. Oh! Não! Minha con­solação é não ter nenhuma na terra”(“Manuscrito “B”, Cap. IX).

► “Falando alguém a Santa Teresinha, quase nas vésperas de sua morte, sobre as Consola­ções Espirituais e Revelações, perguntou-lhe se essas Graças não a seduziam, respondeu a Santa: ‘Oh! Não, absolutamente; não de­sejo ver a Deus nesta vida, e, contudo, amo-O tan­to!’(“Novíssima Verba”, 14 de setem­bro). ‘A minha pequenina via é de não desejar ver coisa alguma; sa­beis muito bem que eu cantei: Que não desejei aqui na terra ver a Ti, ó Je­sus, lembra-Te’(Poesia: “Lembra-Te)...

Disseram à nossa Santinha, que os Anjos a viriam assistir à hora da mor­te, acompanhan­do a Nosso Senhor, e que ela os contemplaria resplandecen­tes de luz e de beleza, disse ela:‘Todas essas representações, não me fazem bem algum. Só a Verdade me alimenta. É por isso que nunca dese­jei vi­sões. Não podemos ver na terra o Céu, nem os Anjos tais como são. Prefiro espe­rar a Visão Eterna’(“Novíssima Verba”, 5 de agosto)”(R. Pe. As­cânio Bran­dão, “A Via da Infância Espiritual na Escola de Santa Teresinha”).



O Doutor Infalível (segundo o Beato Pio IX), admoesta nestes termos:

► “Viram-se em nossa época várias pessoas que acreditavam elas mesmas, e cada um com elas, que fossem muito freqüentemente arrebatadas di­vinamente em êxtase; e, toda­via, afinal se desco­bria que aquilo eram apenas ilusões e divertimentos dia­bólicos. Um certo Padre do tempo de S. Agostinho entrava em êxtase sempre que queria, cantando ou fa­zendo cantar certas árias lú­gubres e la­mentosas (cantos fúnebres), e isso só para contentar a curiosi­dade dos que dese­javam ver esse espetá­culo. Mas o que é admirável, é que o êxtase dele ia tão lon­ge, que ele nem sequer sentia quando lhe apli­cavam fogo, a não ser depois que voltava a si; e, não obstante, se alguém falava um pouco forte e em voz clara, ele o ouvia como de lon­ge, e não tinha nenhuma respiração... É por isso que não nos deve­mos admirar se, para ar­remedar, para enganar as al­mas, para es­candalizar os fracos e se ‘trans­formar em Anjo de luz’(II Cor. 11, 14), o espí­rito ma­ligno opera arroubos em algumas (al­mas) pouco soli­damente instruí­das na Verdadeira Piedade. A fim, pois, de que se pos­sam dis­cernir os êxta­ses Divinos dos humanos e diabólicos, os Servos de Deus deixa­ram vários docu­mentos”(S. Francisco de Sales, “Tratado do Amor de Deus”, Liv. VII, Cap. VI).


São Pio de Pietrelcina

“Os inimigos do sobrenatural e do maravilhoso, que são uma legião, devem certamente encolher os ombros e irão considerar este incidente como pura fantasia. Eu próprio hesitaria em repeti-lo, se o jo­vem frade não tivesse afirmado a sua autenticidade numa carta dirigida a uma religiosa em 1918:

'Que Jesus habite sempre no nosso coração, nos livre de todo o mal e nos conceda uma comple­ta vitória sobre o nosso inimigo comum.

O desejo de me ver e de me falar de tantas coisas do Senhor é louvável: não receie com isso ofender a vontade de Deus. No entanto, devo preveni-la para não ceder ao desejo de me voltar a ver mesmo de uma forma milagrosa, porque isso seria muito perigoso. Quando semelhante desejo nascer na sua alma, expulse-o imediatamente. O Diabo, minha irmã, é um grande professor de ini­quidade. Ele sabe bem como há de fazer e pode enganá-la com qualquer ilusão. É realmente incrí­vel, mas esse miserável renegado sabe mesmo disfarçar-se de capuchinho e sabe muito bem manter o seu papel. Acredite na palavra de alguém que sabe isso por experiência. Isso bastará para a esclarecer, porque receio já ter falado demais sobre este assunto'”(Rev. Pe. Fr. Arni Decorte, F.M., “Frei Pio, Testemunha privilegiada de Cristo”, pp. 22-23, edição brasileira, 1995).


Outros Testemunhos:

► “Orações e Graças extraordinárias seriam seriamente suspei­tas numa alma que fugisse do sacrifício e da abnegação. Seria uma víti­ma de ilusões digna de lástima.

Na vida espiritual há enormes obstáculos que só a mortificação re­move. Pois não disse Jesus: ‘Quem quiser ser meu discípulo renuncie a si mes­mo, carre­gue a sua cruz, dia a dia, e siga-Me?’(S. Luc. 9, 23). E a Imitação de Cristo dí-lo claramente: ‘Aproveitarás na medida que te fizeres violência’(I, 25, 11). Sem mortificação e abnegação não há salvação, muito menos santida­de. Mas se Deus destina uma alma a maior perfeição e graças ex­cepcionais, irá conduzi-la pelas veredas ásperas da Cruz até ao ani­quilamento”(R. Pe. Leo Koh­ler, S. J., “Vida do Pe. João Batista Réus da Com­panhia de Jesus”, P. 119, 5ª Edi­ção, 1956).

► "Diz São Paulo, em 2 Tim. 3, 6-9, que as revelações particula­res e as fórmu­las mágicas têm sucesso entre as mulheres, facilmente im­pressionáveis pelo extraordi­nário e sensacional (1 Tim. 4, 7)"(R. Pe. Afon­so Rodrigues, S. J., Th. et Ph. Doc­tor, "Vocabulário das Almas Pequeninas", Apre­sentação, nº 4).

► "Alguns irmãos foram ter com o Abade Antão para contar-lhe visões que ti­nham tido, e dele saber se eram genuínas ou demoníacas. Ora, eles tinham um asno, que morreu pelo caminho. Quando, pois, chegaram à cela do ancião, este, antecipando-os, pergun­tou-lhes: 'Como morreu o vosso burrinho pela estrada?' Interrogaram-no: 'Donde o sabes, Aba­de?' Este lhes respondeu: 'Os Demônios mostraram-mo'. Disseram-lhe então: 'Por isto viemos perguntar-te, a fim de que não nos enganemos: te­mos visões, as quais muitas vezes corres­pondem à realidade'. Ora, o ancião convenceu-os, pelo exemplo do asno, de que eram vi­sões diabólicas"(J. P. Migne, "Patrologia Graeca", T. 65, Colunas 71-440; traduzido do original grego pelo R. Pe. Estêvão T. Bettencourt, O.S.B., sob o título "Apoftegmas − A Sabedoria dos Antigos Monges", Cap. "Letra Alfa", p. 13, Edições "Lumen Christi", Coleção "Fontes da Vida Re­ligiosa" −Vol. 5, 1979).

Por que as mulheres gostam tanto de amigos gays?

O porquê das mulheres gostarem da companhia dos homens homossexuais

A única explicação em falta do texto "Why Do Women Love Gay Men?" é o que os homens homossexuais sentem pelas mulheres. Eles não as respeitam de forma nenhuma. Os gays sentem nojo das mulheres e é precisamente por isso que as mulheres se sentem atraídos a eles. A sua baixa auto-estima foi tão dizimada pela propaganda moderna que elas se sentem atraídas por pessoas que retornam a elas a sua identidade estilhaçada e o seu auto-ódio.
Na sua maioria os homossexuais tratam muito mal as mulheres. Observem as criações mutantes que eles geraram nas passarelles - um "ideal" que actualmente prejudica a auto-estima da maioria das mulheres modernas.
Os homossexuais é que são responsáveis pela crise na imagem corporal, auto-estima e desordens alimentares que hoje em dia assolam tantas mulheres.
No entanto, são os homens heterossexuais que são identificados como os culpados pela "opressão" que elas sofrem.
No fundo, no fundo, os homossexuais odeiam as mulheres por sentirem inveja delas - eles sabem o quanto os homens que eles desejam por sua vez desejam mulheres (quase todos os homens homossexuais preferem homens heterossexuais).
Esta inveja amarga - inconscientemente ou não - leva a que eles (os homens homossexuais) tentem destruir as mulheres transformando-as em mulheres promiscuas, masculinizadas e com aparência de rapazes adolescentes - tornando-as repelentes aos olhos dos homens heterossexuais.
Ao transformar as mulheres nestas criaturas horríveis, os homossexuais destroem o poder que a sua beleza tem sobre os homens, e eliminam a ameaça que eles não conseguem superar: a beleza feminina.
Todos os homossexuais insistem - insistem! - que os homens por quem se sentem atraídos são obviamente homossexuais. Quando estes ganham interesse nas suas amigas, isto deixa os homossexuais a arder de inveja.

ABUSO FÍSICO DAS MULHERES POR PARTE DOS HOMOSSEXUAIS

Para além disto, existe um certo tipo de homossexuais - infelizmente quase todos com idades abaixo dos 40 - que abertamente denigre e rebaixa as mulheres de formas muitos chocantes com apalpanços e beijos. Eu já vi isto acontecer várias vezes nas saídas nocturnas ou durante outro encontro social onde o álcool esteja presente. Os homossexuais abertamente acariciam os seios das mulheres ou dão-lhes beijos apaixonados porque é "irónico". Se a mulher resiste, ela é ridicularizada e gozada - "Por favor, é apenas uma pequena diversão. Até parece que ele está a ser honesto com estes gestos; ele é homossexual!".
Acho que isto é a exibição final do poder homossexual - que as mulheres são tão insignificantes e tão reles, que elas podem ser apalpadas e usadas por pessoas que nem estão atraídos ao seu género.
Se um homem heterossexual tentasse apalpar uma mulher "ironicamente", receberia uma chapada na cara.
Portanto, tudo isto nada mais é que propagar o paradigma "homossexuais-como-deuses, as mulheres como as suas adoradoras e os homens heterossexuais como desprezíveis e malignos" que calmamente está a tomar conta do mundo.
Isto é tão triste e horrível. Eu queria tanto que as pessoas acordassem.

LICENÇA PARA MAU COMPORTAMENTO.

Alguns homossexuais gostam de se intrometer entre os casais. Por exemplo, uma das minhas amigas está em cacos e insegura. Este estado de espírito destruiu todos os seus relacionamentos com os homens - mesmo quando eles a amavam de um modo genuíno. O seu auto-ódio e a sua insegurança repele-os.
Ela encontra-se agora numa situação onde ela vive com "o seu melhor amigo gay". Ele não só a encoraja repetidamente para que ela leve a cabo encontros românticos com a duração de uma noite ("one-night stands"), como motiva-lhe a revelar em público os cada-vez-mais-degradantes actos sexuais nos quais ela já tomou parte.
Quando ela se encontrava num relacionamento de longa duração, ele certificava-se de acariciá-la e beijá-la à frente do namorado dela. Ele, que detestava estes actos e pedia que ela parasse com este tipo de comportamento, era infelizmente demasiado tímido para intervir. Ela ria-se e gozava ao mesmo tempo que dizia "Isto não significa nada para ele. Ele é homossexual!".
Ainda sou amigo do ex dela e, mesmo passados que estão alguns anos, ele não só continua perturbado em relação a isto, como continua a dizer que isto deixava-o com sentimentos de impotência e falta de valor.
Este amigo homossexual dela "ataca" todas as visitas que ela recebe e exige que eles falem de modo gráfico àcerca de sexo. Se eles se recusam, ele não hesita em deixar vincado que não tem tempo para eles e considera-os sem valor.
Recuso-me a visitar a sua casa outra vez devido ao modo como ele trata as pessoas e devido ao facto dele (o amigo homossexual) considerar a sexualidade o único traço da personalidade com algum valor.

TRANSSEXUAIS.

Aqui na Grã-Bretanha estamos a ser bombardeados com propaganda pró-transsexualismo. Eles estão frequentemente nas notícias e na televisão. Há algum tempo atrás havia um programa com o nome de 'My Transsexual Summer' que girava em torno de um grupo de transsexuais em fases distintas da tua transição a viver em comunhão durante o Verão. O programa mostrava o quão maravilhosos, nobres e surpreendentes eles eram.
Houve também um documentário que exibia duas lésbicas que planeavam passar a ser "homens" - o que conseguiram e tornaram-se num "casal" homossexual. Nem tinham ainda saído da adolescência.
Há uma enorme atenção dos média dirigida aos transsexuais quando eles são, sei lá, 0,1% da população?
Tal como já disseste no passado, tudo isto aponta para os Illuminati e para os seus planos de nos transformar em objectos amorfos e sem identificação - nem macho, nem fêmea, nem heterossexuais e nem homossexuais, sem cultura, sem família ou qualquer tipo de identidade humana de sobra.

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Homossexualismo como desordem médica.

Tendo como base as consequências médicas, porque é que o homossexualismo não é qualificado de desordem? Por Kathleen Melonakos, M.A., R.N.

Durante os anos 80 e 90 trabalhei como RN na Stanford University Medical Center, onde pude ver alguns dos estragos que os homossexuais levavam a cabo nos seus próprios corpos com algumas das suas prácticas. Como resultado dessa experiência reveladora, eu admiro o trabalho que a NARTH leva a cabo na pesquisa e no tratamento do homossexualismo.
Há já algum tempo que me preocupo com as sérias consequências médicas que resultam das atitudes de "afirmação" gay que predominam na San Francisco Bay Area. Por exemplo, eu conhecia pessoalmente um dermatologista, um dentista, um engenheiro e um cabeleireiro que morreram na casa dos 40 devido a doenças infecciosas relacionadas com o padrão do seu comportamento homossexual. Conheço muitos outros que morreram jovens como resultado do estilo de vida homossexual que levavam.

A co-autora do meu livro médico de referência, Saunders Pocket Reference for Nurses, foi directora do departamento de cirurgia em Stanford. Ela relatou casos de homossexuais a precisarem de cirurgia de emergência devido ao "fisting", "brincar com brinquedos" (inserir objectos no recto) e outros actos bizarros.
Tendo como base a minha experiência clínica e o tempo que investi a fazer um estudo considerável em torno disto, estou certa que a homossexualidade não é nem normal nem benigna; pelo contrário, é um vício comportamental letal, tal como o Dr. Jeffrey Satinover demonstra no seu livro Homosexuality and the Politics of Truth [Satinover, Jeffrey, Homosexuality and the Politics of Truth, Hamewith/Baker Books, 1996.].

Tanto quando sei, com a excepção dos homossexuais activos, não há outro grupo de pessoas nos EUA que morre na casa dos 40 como resultado de doenças infecciosas. Isto, para mim, é trágico, especialmente quando sabemos que, em muitos casos e com suficiente motivação e ajuda, a homossexualidade pode ser prevenida ou substancialmente tratada durante a vida adulta.
Hoje em dia vivo em Delaware e trabalho em união com a Delaware Family Foundation para informar o público acerca das questões homossexuais. Actualmente temos estado a debater com activistas homossexuais que tentam acrescentar "descriminação sexual" ao nosso código anti-descriminação.
Ao tentarmos construir um argumento em favor da tese de que a homossexualidade não é saudável e não deveria ser encorajada, lutamos contra o facto da American Psychiatric Association e a American Psychological Association não a reconhecerem como uma desordem. Os nossos opositores afirmam que estamos a usar a "táctica do medo".
O Dr. Satinover brilhantemente disponibilizou no seu livro "Homosexuality and the Politics of Truth" evidências sólidas e irrefutáveis que demonstram a existência de consequências letais na práctica das actividades normais do homossexualismo masculino - isto é, a promiscuidade e o sexo anal.
Não é preciso ser alguém com conhecimentos médicos para reconhecer que, como Brian Camenker (Parent Right's Coalition) disse num canal nacional, "Um vida inteira de sexo anal não faz coisas boas ao teu corpo." Brian acrescentou ainda:
Por mais perturbadora que esta declaração possa soar, a verdade é que não há argumento contra ela.
Portanto, a mais comum das pessoas reconhece o que deveria ser óbvio, especialmente para aqueles com conhecimentos médicos e que estão cientes dos factos básicos em torno do homossexualismo. Parece-me que os profissionais médicos deveriam estar mais cientes e preocupados com as consequências de se envolver regularmente em sexo anal promíscuo, bem como outras prácticas orais-anais de homossexuais activos. [http://www.cprmd.org/, "Homosexual Myths—Male Homosexuals are Healthy and Have Normal Sex Lives."]
O risco de cancro anal aumenta de forma impressionante para 4000%, e duplica mais uma vez entre os seropositivos.
Será que alguém pode refutar o facto do sexo anal rasgar revestimento do recto do parceiro receptor - quer se use ou não um preservativo - e o subsequente contacto com matéria fecal leva a uma série de doenças?
O tipo de doenças a que os homossexuais activos são vulneráveis são classificadas do seguinte modo:
Doenças clássicas sexualmente transmitidas (gonorrhea, infections with Chlamydia trachomatis, syphilis, herpes simplex infections, genital warts, pubic lice, scabies); 
Doenças entéricas (infections with Shigella species, Campylobacter jejuni, Entamoeba histolytica, Giardia lamblia, ["gay bowel disease"], Hepatitis A, B, C, D, and cytomegalovirus); 
Trauma (related to and/or resulting in fecal incontinence, hemorroids, anal fissure, foreign bodies lodged in the rectum, rectosigmoid tears, allergic proctitis, penile edema, chemical sinusitis, inhaled nitrite burns, and sexual assault of the male patient); and the acquired immunodeficiency syndrome (AIDS).
Pode alguém refutar o facto do incremento da morbidez e mortalidade ser um resultado incontornável do sexo entre homens - sem falar nas maiores taxas de alcoolismo, uso de drogas, depressão e outras doenças que frequentemente acompanham o estilo de vida homossexual? Pessoas com este conjunto de problemas comportamentais são de alguma forma "normais"?

A minha questão principal é: tendo como base apenas e só as suas consequências médicas, porque é que o homossexualismo não é considerado uma desordem? O Dr. Satinover e outros construíram um argumento sólido sobre o porquê do homossexualismo ter paralelos com o alcoolismo como um vício insalubre. Devido a isso, deveria ter um diagnóstico paralelo.
Existe uma vasta gama de literatura, incluindo no site da NARTH, que discute a forma como a homossexualidade foi removida da lista de diagnósticos em 1973. O argumento contra a mudança parece centrar-se em coisas como "padrões sociais", relativismo moral, "angustia subjectiva" do cliente e se há ou não forma objectiva para se determinar o que é a normalidade "psicológica" ( por exemplo, o debate entre Joseph Nicolosi e o Dr. Michael Wertheimer em "A Clash In Worldviews: An Interview with Dr. Michael Wertheimer").
Embora estas considerações sejam importantes, parece-me que podemos temporariamente pôr de lado a discussão se deveríamos ou não classificar a homossexualidade de transtorno do desenvolvimento. De modo aparentemente simples, uma pessoa objectiva que olhe para as consequências do homossexualismo teria que classificar esse estilo de vida como um tipo de patologia.
Essa conduta diminui ou não diminui de modo drástico o tempo de vida? Os estudos dizem que diminui, chegando até aos 40% - sendo o estudo de Cameron apenas um dos muitos que sugerem exactamente isto.
Levando tudo em consideração, estes estudos demonstram que o homossexualismo é mais mortífero que fumar, o álcool ou o vício da droga. No entanto. tendo como base as suas adversas consequências para a saúde, parece que poucos médicos ou outros profissionais estão a levantar argumentos em favor da homossexualidade como diagnóstico.

Enquanto fazia pesquisa em torno dos eventos por trás da decisão de 1973 de remover o homossexualismo do manual de diagnósticos, fiquei chocada ao descobrir o raciocínios sobre qual a decisão foi baseada, e como médicos qualificados permitiram que a decisão se mantivesse.No dia 2 de Fevereiro de 2002, correspondi-me por email com o Dr. Robert Spitzer da APA e pedi-lhe que me enviasse referências para os artigos e estudos sobre os quais o seu comité se baseou na sua decisão de remover o homossexualismo da lista de diagnósticos. Ele indicou-me que o mais próximo existia dum documento de posição (American Journal of Psychiatry,130:11, 1207-1216), e disse:
Não existia uma lista específica de referências mas o que se revelou igualmente influente foi o estudo de Evelyn Hooker Rorshach e o estudo comunitário de Eli Robins community study.
Eu já li muitas críticas ao estudo de Hooker - como os inquiridos foram escolhidos a dedo e não escolhidos de forma aleatória, e outras limitações metodológicas.
O Dr. Charles Socarides (...) informa-nos que Spitzer foi influenciado pelo Relatório Kinsey, que foi reconhecido em 1976 por "progressistas sociais" tais como o Prof. Paul Robinson da Stanford como "manifestação patética da ingenuidade filosófica de Kinsey . . uma mecânica invenção que . . . não tinha muitas relações com a realidade," e que desde então já foi desacreditado pelo trabalho de Judith Reisman e pelo trabalho de outros.

É mais do que óbvio que o Dr. Socarides estava certo quando afirmou que a decisão de remover o homossexualismo da lista de diagnóstico "envolvia uma rejeição frontal não só de centenas de artigos e relatórios de pesquisa psiquiátrica e psicanalítica, como outros estudos sérios levados a cabo por grupos de psiquiatras, psicólogos, e educadores durante os últimos 70 anos".
Torna-se cada vez mais óbvio que uma colecção substancial de evidências que demonstram que o homossexualismo envolve um comportamento perigoso para a saúde associado a uma componente aditiva foram ignoradas.

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Consciência x ambiente.

«A consciência moral é um produto artificial da educação; nada tem de perene. Basta lembrar o que se dá com crianças que crescem entre animais selvagens».



Consciência: Mero produto do ambiente?



Primeiramente vejamos o que se entende por consciência moral.



Esta expressão designa o ditame que espontaneamente se afirma ao homem, indicando-lhe normas para o consecução do seu Fim Supremo ou da perfeição de sua personalidade (personalidade que tem por característica a sede de conhecer a Verdade e amar o Bem); esse mesmo ditame que antecede os atos do indivíduo, faz ouvir o seu juízo, de aprovação ou condenação, após cada um destes.



1. Pergunta-se agora, diante de recentes descobertas da medicina e da sociologia, se a consciência moral não é produto de preconceitos e convenções.



A Psicologia, tanto racional como empírica, responde que não. Em toda criatura humana existe um imperativo muito simples, anterior a qualquer deliberação : «Faze o bem, evita o mal»; a conduta dos homens de todas as épocas e regiões pressupõe a consciência dessa norma, que vem a ser a consciência da moralidade ou a consciência moral. Percebendo tal norma, o homem percebe que sua natureza tom um Autor, o qual a dotou de tal faculdade reguladora, Autor (Deus) que, mediante esse mesmo ditame interno, o está continuamente a chamar para voltar ao Princípio do qual procedeu. O preceito básico «Faze o bem, evita o mal» em cada indivíduo se explicita em prescrições mais minuciosas, aplicadas à realidade cotidiana. Por exemplo, o homem perceberá que «fazer o bem» implica “cultuar devidamente a Deus, honrar pai e mãe, respeitar a fama e a dignidade do próximo, etc.”;. .. «evitar o mal» quer dizer “não matar, não roubar, não abusar dos prazeres, etc.”



A explicitação da norma fundamental admite graus diversos. Há, sim, uma consciência simples, primitiva, como a da criança, a dos selvagens, a dos justos do Antigo Testamento, que não veem (ou não viam) plenamente o alcance de seus atos e, por isto, não percebem (ou percebiam) o mal moral neles contido; tais indivíduos, embora dotados de boa fé subjetiva, nos podem parecer laxos na sua maneira de se trajar, de julgar a mentira, a poligamia, etc.; Deus só os julga na medida em que têm consciência do dever, ou na medida em que o ditame interior lhes fala. Há também a consciência plenamente desenvolvida, que é a do cristão bem formado; este percebe que «praticar o bem» significa não apenas «pagar o bem com o bem», mas também «pagar o mal com o bem» e «fazer ao próximo tudo aquilo que quiséramos fosse feito a nós mesmos» (cf. Mt 5,44s; 7,12). Há, além disto, consciências cauterizadas, ou seja, consciências cuja voz não se faz ouvir (ao menos em tal ou tal ponto particular), porque inveterados hábitos maus do indivíduo ou da sociedade as sufocaram; veem-se, em tais casos, homens cometer graves aberrações com aparência tranquila, não porque não tenham noção de moralidade, mas porque .se habituaram a resistir aos protestos da mesma.



Embora o desenvolvimento da consciência moral varie de individuo a indivíduo, ele se processa segundo a mesma direção em todos os homens e em todas as épocas. Em outros termos: a consciência é imutável, como imutável é a natureza humana; por conseguinte, matar, roubar, abusar dos prazeres e os demais atos vedados espontaneamente pela consciência, assim como nos «velhos tempos» eram abomináveis, são também na época moderna ações indignas do homem. As normas capitais da Ética, portanto, não estão sujeitas a mudanças «existencialistas», isto é, a derrogações ditadas pela situação contingente em que se ache o indivíduo. Vão é destarte o «existencialismo ético», que, negando valores perenes, adota como único critério da moralidade a consecução do bem-estar que o indivíduo julga dever alcançar na situação em que se encontre. A imutabilidade da consciência se deriva do fato de não ser ela senão um reflexo da santidade de Deus; é o Deus Santo que, por meio da consciência, chama o homem a ser santo ou a imitá-Lo. Ora, assim como Deus não sofre alteração (por ser a própria e infinita Perfeição), assim também sua voz espontânea em nós não conhece mudança (ao contrário, podem ser alteradas pelo próprio Deus as leis divinas positivas, isto é, as leis que o Criador não exprime diretamente pela natureza humana).



Na explicitação da consciência humana três fatores decisivamente combinam entre si a sua ação; tais são:



1) o desenvolvimento de certos órgãos do corpo, entre os quais tem importância máxima o cérebro (sede da fantasia, do senso comum);



2) os hormônios, que ativam o funcionamento de tais órgãos;



3) a educação, ou seja, a devida intervenção dos adultos no desabrochar das faculdades latentes da criança.



A influência dos elementos 1) e 2) se deve ao fato de que a personalidade humana não reside apenas na alma ou na parte espiritual do homem; ao contrário, este é essencialmente um composto de alma e corpo, de tal sorte que só pode atingir a sua perfeição mediante a colaboração harmoniosa dos dois componentes; por conseguinte, se o corpo não fornece a sua contribuição (em virtude de lesão cerebral, por exemplo, ou de deficiente metabolismo), a alma não pode expandir as perfeições que o Criador lhe deu. — A necessidade de educação se deriva também da natureza humana, que é social, incapaz de atingir isoladamente a sua consumação em qualquer setor que seja (econômico, cientifico, técnico e também moral).



As falhas de um ou mais dos elementos acima produzem as taras e os indivíduos tarados.



2. É à luz destas verdades que se deve considerar o caso das chamadas «crianças selvagens».



O Professor Zingg, da Universidade de Denver (U.S.A.), em 1940 publicou a descrição de vinte e cinco casos de crianças que, adotadas por animais, cresceram nas selvas, levando vida inteiramente selvagem. Gesell consagrou recentemente um estudo às gêmeas de Midnapor — Amala e Kamala —, as quais viveram entre lobos durante vários anos, sendo, a seguir, recolhidas por um pastor hindu, que as observou minuciosamente. Essas crianças, quando descobertas, caminhavam sobre as mãos e os joelhos («a quatro patas») e com tanta rapidez que um homem adulto dificilmente as podia acompanhar; iam à caça com os lobos, participando das peripécias destes e dilacerando com os dentes os animais captados, sem se servir das mãos. Quando os homens mataram os lobos nos antros dos quais viviam as crianças, estas se defenderam com garras e dentes, à semelhança das feras. Não falavam, mas apenas emitiam os gritos habituais dos lobos, imitados à. perfeição. Até o fim da vida, as meninas preferiram a companhia das feras à dos homens; os lobos capturados não se espantavam quando se lhes aproximava Kamala como se espantavam quando um ser humano normal se lhes chegava perto. Amala, a mais jovem, morreu em breve. Com dificuldades as duas crianças aprenderam a caminhar sobre os pés apenas e a pronunciar algumas frases simples de linguagem humana.



Que dizer de tal fenômeno?



Zingg rejeitou peremptòriamente a hipótese segundo a qual as crianças selvagens seriam idiotas; Kamala, na educação que recebeu posteriormente, compreendia sem demora o que dela se desejava, e deu provas de uma inteligência prática ou técnica assaz aguda. Embora o semblante das meninas fosse destituído das expressões ou dos sinais habituais da mímica humana, Kamala derramou uma lágrima quando morreu Amala, sua companheira. Tais manifestações, embora sóbrias, dão a ver que as mencionadas crianças possuíam em gérmen as faculdades características do ser humano (eram autênticas criaturas humanas); essas faculdades, porém, nunca haviam saído do seu estado latente ou virtual, por falta de educação; tendo vivido num ambiente de feras, às quais falta totalmente a consciência moral (ou seja, a apreciação do bem e do mal moral, assim como de um Legislador Supremo), as duas meninas nunca tiveram ocasião de despertar e exercer a sua consciência moral; esta, porém, existia nelas e transpareceu quando colocadas em ambiente propriamente humano. Desse fenômeno, portanto, concluir-se-á o seguinte: assim como não é normal ao homem engatinhar, assim também não lhe é normal carecer de vida moral; contudo, assim como por carência de educação ou por defeito do ambiente ele pode viver à semelhança de uma fera (sem deixar de ter verdadeira natureza humana), assim também pode viver sem mostrar consciência moral (embora a possua sempre latente). Tais casos, porém, são anômalos (como os dos indivíduos tarados), e não podem servir de padrão para se julgar o autêntico psiquismo humano.



Para corroborar a afirmação de que a consciência moral não é mero artifício incutido ao homem pelo ambiente, deve-se notar o fenômeno inverso ao das crianças selvagens: o progresso moral da humanidade se deve, em grande parte, a indivíduos que experimentaram em seu íntimo o desejo imperioso de reagir contra os costumes da sociedade que os cercava e tendia ao conservativismo e à degenerescência. A vida moral assim mostra ser não o efeito de pressão sobre o homem, mas uma exigência do ser humano como tal, exigência que se manifesta periodicamente nos surtos de indivíduos e grupos que procuram ultrapassar moralmente a si mesmos.



Convém notar outrossim que a consciência moral não é, em última análise, senão uma manifestação do sentimento religioso; sim, pela consciência o homem apreende a existência de uma lei e de um Legislador (Deus) aos quais ele está sujeito independentemente da sua vontade (é absurdo falar de uma Moral leiga; a Moral só se pode basear em Deus). Ora o sentimento religioso, longe de ser um artifício de educação, é, antes, um característico da natureza humana; como o comprovam as mais recentes pesquisas etnológicas entre os índios da Terra do Fogo, os pigmeus, os esquimós, etc., não há povo que não o possua, ao passo que nenhum animal irracional manifesta (nem mesmo em esboço) o mínimo sentimento religioso. Isto é tanto mais significativo quanto se sabe que certas formas inferiores de religiosidade, como a superstição, a magia, muito conviriam ao animal desejoso de conjurar a sorte e conciliar-se as boas graças desse «semideus» que é o homem. Vercors, no seu livro recente «Les animaux dénaturés», ao mesmo tempo que faz afirmações tendenciosas, insinua ser o fetichismo (infelizmente, forma de religião aberrante) o critério mais nítido que diferencia a natureza do homem da do irracional.


Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

domingo, 20 de abril de 2014

Liberdade e Libertação.

A VERDADEIRA LIBERTAÇÃO

- QUESTÃO DE PRIORIDADE E FOCO -
Dom Fernando Arêas Rifan*

“É para a liberdade que Cristo nos libertou” é o lema da Campanha da Fraternidade deste ano, frase tirada da Epístola de São Paulo aos Gálatas (5,1). Mas o Apóstolo continua: “Sim, irmãos, fostes chamados à liberdade, mas não abuseis da liberdade...” (Gl 5, 13). “Liberdade” é realmente uma palavra sedutora e pode se tornar perigosa. Por isso há que compreendê-la no correto sentido, como nos explica a Instrução da Congregação para a Doutrina da Fé sobre alguns aspectos da “Teologia da Libertação”:

“O Evangelho de Jesus Cristo é mensagem de liberdade e força de libertação... A libertação é antes de tudo e principalmente libertação da escravidão radical do pecado. A liberdade dos filhos de Deus – dom da graça – é sua principal meta. Logicamente, demanda a libertação de múltiplas escravidões de ordem cultural, econômica, social e política, que, positivamente, derivam do pecado e causam muitos obstáculos que impedem as pessoas de viver segundo a sua dignidade. Fazer o discernimento com clareza do que é fundamental e o que faz parte das consequências é requisito indispensável para a reflexão teológica sobre a libertação”.

“Diante da urgência dos problemas existentes, algumas pessoas se veem tentadas a priorizar a libertação das servidões de ordem terrena e temporal de tal maneira, que parecem relegar a um segundo plano a libertação do pecado, não lhe atribuindo a devida importância primordial. A apresentação dos problemas por elas propostos se torna, assim, confusa e ambígua. Servem-se de instrumentos de pensamento que é difícil, e até mesmo impossível, purificar de uma inspiração ideológica incompatível com a fé cristã”. Queremos despertar a atenção “para os desvios e riscos de desvio prejudiciais à Fé e vida cristã, inerentes a certas formas de teologia da libertação as quais, de modo insuficientemente criterioso, recorrem a conceitos tomados em diferentes correntes do pensamento marxista” (1984, Edições CNBB).

A propósito, recordemos a Profissão de Fé do Povo de Deus, do Papa Paulo VI: “Reino de Deus, começado aqui na terra na Igreja de Cristo, ‘não é deste mundo’ (cf. Jo 18,36), ‘cuja figura passa’ (cf. 1Cor 7,31), e também que o seu crescimento próprio não pode ser confundido com o progresso da cultura humana ou das ciências e artes técnicas; mas consiste em conhecer, cada vez mais profundamente, as riquezas insondáveis de Cristo, em esperar sempre com maior firmeza os bens eternos, em responder mais ardentemente ao amor de Deus, enfim em difundir-se cada vez mais largamente a graça e a santidade entre os homens. Mas, com o mesmo amor, a Igreja é impelida a interessar-se continuamente pelo verdadeiro bem temporal dos homens. Pois, não cessando de advertir a todos os seus filhos que eles ‘não possuem aqui na terra uma morada permanente’ (cf. Hb 13,14), estimula-os também a que contribuam, segundo as condições e os recursos de cada um, para o desenvolvimento da própria sociedade humana; promovam a justiça, a paz e a união fraterna entre os homens; e prestem ajuda a seus irmãos, sobretudo aos mais pobres e mais infelizes...”.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br
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