terça-feira, 30 de abril de 2013

Feminismo e marxismo cultural: manipulação para destruição.

Uma das coisas mais ilusórias que existe é achar que o feminismo é um movimento
independente. Na verdade, as feministas são as servidoras das elites globais e fazem
exatamente o que as elites globais querem.

Aí vocês podem dizer, então quer dizer que as elites globais querem o melhor para as
mulheres? As elites globais defendem milhares de coisas em matéria de direitos
humanos, porém essas causas possuem interesses suspeitos. No mundo privado, não
existe interesse humanista gratuito. Sempre que grupos privados promovem o
humanismo, deve-se desconfiar da intenção desses mesmos humanismos.

Se vocês querem exemplos disso? Basta encarar a realidade brasileira. A defesa
exaustiva dos direitos humanos dos índios é um falso humanismo. Ou vocês realmente
acreditam que as elites globais gostam de índio?! É claro que não! Muitas pessoas
aprovam a existência de leis constitucionais sobre os direitos dos índios, mas o que elas
não entendem é que essas leis não possuem a finalidade de garantir os direitos dos
índios. Essas leis estão promovendo outros objetivos. Quais são esses objetivos? Os
territórios povoados pelos índios são ricos em recursos naturais. O que as elites globais
querem é enfraquecer o poder do Estado brasileiro. É muito mais fácil corromper os
índios do que corromper um Estado soberano.

As decisões dos juízos do supremo seguem as convenções internacionais de direitos
humanos. Se os juízes do supremo forem corrompidos pelas elites globais, logo toda a
soberania brasileira estará ameaçada. Se as elites globais dominam o poder judiciário,
elas conseqüentemente possuem um poder de manipulação altíssimo, pois o judiciário
brasileiro segue as convenções internacionais de direitos humanos.

Por exemplo, se a ONU resolver publicar resoluções que questionam os direitos humanos
do Brasil, logo, os juízes brasileiros adotarão progressivamente a mesma perspectiva. A
defesa dos direitos humanos serve para finalidades e objetivos que não possuem relação
alguma com os direitos humanos. E a maior prova disso é a defesa midiática dos direitos
dos índios. A mídia não está defendendo os direitos humanos dos índios, pois a mídia
representa diretamente os interesses econômicos das elites globais.

Se existe uma área que as elites globais controlam estrategicamente, essa área é a área
dos direitos humanos. Tudo o que é promovido em termos de direitos humanos é
promovido em função dos interesses das elites globais. Por exemplo, será mesmo que a
ONU está preocupada com os direitos humanos da população da Síria? O que está em
jogo são interesses econômicos das elites globais. Quando as elites globais querem
invadir um país, elas simplesmente dizem que os direitos humanos estão sendo violados.
Ocorre claramente uma troca entre democracia e exploração.

As elites globais apóiam o feminismo apenas porque elas acreditam que o feminismo
enfraquece o poder de resistência dos homens. Elas não pegam em armas. Elas não
constituem exércitos. O que há é uma troca. As feministas ganham poder, mas
implementam tudo o que as elites globais exigem. A maior prova disso é que as
feministas suecas são antinacionalistas. Elas apóiam a imigração, multiculturalismo e
diversas políticas totalmente financiadas pelas elites globais. A Europa está afundando
por causa do marxismo cultural, visto que o marxismo cultural é um cavalo de tróia que
serve para enfraquecer o nacionalismo dos países.

Nenhuma feminista dirá que é antinacionalista. Mas ela não dirá isso porque é ingênua
em política. Políticas antinacionalistas são políticas que enfraquecem as ideologias
nacionais. As feministas européias acham que estão combatendo a supremacia do
europeu, quando elas estão enfraquecendo as nações delas mesmas. Quando as
feministas Suecas apóiam a imigração, elas simplesmente estão enfraquecendo o
sentimento nacionalista e estão fragmentando a unidade ideológica daquele país. As
feministas suecas estão promovendo o caos cultural com o argumento pífio de que a
hegemonia da cultura européia é algo perigoso. Elas acham que vão acabar com
machismo através do multiculturalismo, mas elas estão apenas acabando com a
soberania do país em que vivem.

As feministas, os esquerdistas acham que o secularismo é liberdade, humanismo e
direitos iguais. O secularismo é a política das elites globais. Quem popularizou essa onda
cética na mídia foram as elites globais. O objetivo do secularismo é enfraquecer o
nacionalismo de todos os países. O secularismo quer criar um regime global de direitos
humanos. Porém, os direitos humanos desse regime global servem apenas para
implementar as políticas das elites globais.

As feministas são fantoches das elites globais. Porém, elas ganham poder, vantagens e
outras coisas em troca. Elas minam o nacionalismo e as ideologias fortes dos países. As
elites globais compraram as causas feministas. Essas causas não vão avançar porque as
feministas querem, ou porque elas são poderosas. Essas causas vão avançar porque
elas criam o terreno da dominação das elites globais. Como o Brasil foi manipulado
fortemente pelos direitos humanos das elites globais, as elites globais conseguiram
distrair eficazmente a atenção das pessoas para coisas que alienam a população do
debate político urgente. O Brasil aceitou a troca interesseira entre humanismo forjado e
antinacionalismo. Os direitos humanos são ideologias de distração e servem para
preparar a sociedade para o governo global.

As elites globais querem um governo mundial fundamentado na cartilha de direitos
humanos delas. Por outro lado, não devemos pensar que as elites globais são boazinhas
e estão fazendo isso porque querem um mundo melhor. Devemos desconfiar de todo
humanismo gratuito, pois ninguém é realmente tão humanista quanto parece.


Fonte:http://depaspalhoarealista.blogspot.com.br/2013/03/o-feminismo-e-patrocinado-pelas-elites.html

sábado, 27 de abril de 2013

A idolatria como fracasso do clero.

"Quando o povo não encontra na Igreja, nos sacerdotes, nos educadores da fé ajuda e orientações seguras, procura 'paliativos', compensações, formas espiritualistas, ritos que o afastam de Deus. A idolatria é um fenômeno sempre presente e perigoso".

"Catecismo da Oração", Frei Patrício Sciadini, OCD, p. 25, Ed. Loyola, SP, 2a.ed., 2002.

Marxismo Cultural: a idolatria do momento.

A idolatria da vez e seus "dogmas infalíveis e inquestionáveis": O MARXISMO CULTURAL!

1) O que é o marxismo cultural?

Marxismo cultural é uma vertente do marxismo clássico mas com uma sutil e importante diferença. Enquanto o marxismo clássico se baseia em um conjunto de ideias filosóficas, econômicas e políticas (quase sempre em questionar o capitalismo e valores ocidentais), o marxismo cultural atua na sociedade de modo quase invisivel, se infiltrando na cultura, nas escolas, cinema, teatro, outras formas de arte e instituições culturais da sociedade. De um modo mais grosseiro, podemos afirmar que o marxismo cultural é uma forma de propaganda. Ele é muito forte no Brasil e é usado por alguns grupos com sedutoras promessas.

2) Mas o marxismo não faliu com com o fim do comunismo?

Em primeiro lugar, comunismo e marxismo são coisas diferentes. Em segundo, não, o marxismo não faliu completamente com o fim do comunismo. O marxismo clássico pode ter falido por ser uma ideologia incapaz, utópica e impraticável no mundo real, tanto do ponto de vista econômico (principalmente),bélico e político. Por outro lado o marxismo cultural foi desenvolvido e demonstrou-se ser mais efetivo e mais forte, sendo usado como um tipo de “nova arma” intelectual para defensores de ideologias marxistas. O ponto chave do marxismo cultural é o seu forte poder de propaganda e que no Brasil encontrou espaço na sociedade brasileira.

3) Quem criou o marxismo cultural?

O marxismo cultural teve como criadores intelectuais marxistas que perceberam o fracasso do marxismo clássico e da luta armada marxista . Poderiamos chamar estas pessoas de “guerrilheiros intelectuais marxistas”. Logo, eles desenvolveram o marxismo cultural. Alguns deles foram Georg Lukács, Antonio Gramsci, entre outros. Um dos momentos importantes do marxismo cultural foi a criação da Escola de Frankfurt, uma escola de teoria social interdisciplinar neo-marxista.

A “Escola” foi fundada no auditório da Universidade de Frankfurt em 22 de junho de 1924 como resultado de um encontro preliminar denominado de Erste Marxistische Arbeitswoche (Primeira Semana de Trabalho Marxista), ocorrido em um hotel em Ilmenau.

A fundação do Instituto é devida a Félix Weil, um jovem intelectual marxista que conseguiu convencer seu pai Herman Weil, um rico negociante, a amparar o pessoal da instituição que ele idealizou.

4) Quais são os princípios e estratégias do marxismo cultural? Poderia citar alguns?

Lutas entre classes. Herdado do marxismo antigo. Homem x mulher, esposa x marido, homem x mulher, adultos x crianças, brancos x negros, altos x baixos, etc. A velha idéia de “dividir para conquistar”. Quebrando a harmonia entre classes com a promessa de uma sociedade melhor “perfeita”, a paz acabaria e isso seria um excelente começo para implementar uma sociedade marxista.
Atacar a célula- mãe que molda o ser humano: família. Marx detestava a família e o marxismo cultural herdou isso. Podemos considerar isso a mais radical aplicação da luta entre classes por isso o destaque, afinal para a maioria das pessoas família é uma coisa sagrada mas não para os marxistas. Marxistas culturais adoram pregar um novo modelo de família que segundo eles é mais moderno.
Métodos a longo prazo. Essa estratégia da ênfase é no ensino das crianças, estudantes e em universidades. O foco aqui é mudar o cerne do ser humano, mudar o subconsciente humano, mudar o senso comum, por isso atuar nas crianças, estudantes e universidades. Os relativismos surgem aqui e os valores invertidos também. O Brasil mostrou-se um terreno fértil pela cultural tendência brasileira em si de possuir simpatia por este tipo de idéais.
Desconstrucionismo. A desconstrução de um texto (ou de um fato histórico) permite que se elimine o seu significado, substituindo-o por outro que se pretende. Desconstruir um texto, uma sociedade, um grupo, uma identidade com a promessa de algo melhor.
Politicamente correto. O patrulhamento político que censura idéias ou pessoas que opinam contra quem é “correto”. Uso de propaganda, falácias e ofensas do grupo politicamente correto para com o outro grupo como forma de censurar e demonizar pessoas ao invés de ver os fatos. Um exemplo disso é criar uma “dívida histórica” sobre casos reais ou fantasiosos de injustiças entre pessoas e grupos existentes no passado que hoje tornam a ser abertos para novos grupos se vingarem de certa forma ” politicamente correto” perpetuando mais injustiças
Revolução cultural, com o objetivo de mudar o senso comum da humanidade sobre o que é certo ou errado, relativismos e falta de objetividade.
Teoria Crítica da Sociedade cuja intenção é criticar a cultura ocidental. A promessa de uma mudança para uma melhor sociedade que é sempre superior a tradicional sociedade atual com seus valores “reaças”.
Consciência de classe. Lutar como classe, somente pela e para a classe, priorizando o modo coletivo perdendo a individualidade
Nomear o modelo tradicional da nossa sociedade com valores, deveres e responsabilidades como “antiquado, conservador, ultrapassado, etc”.
Tudo isso transforma-se em uma sedutora propaganda que luta pela sociedade “perfeita marxista” (que na verdade nunca existiu.

5) Quais são os objetivos do marxismo cultural?

O principal objetivo do marxismo cultural é o mesmo do marxismo clássico: a criação de um novo modelo de sociedade que eles sempre afirmam ser melhor (mas que nunca deu certo) sem os valores ocidentais tradicionais que eles encaram como “antigos, repressores, reaças, etc”. O objetivo no final ainda é implantar a revolução marxista. Não através dos meios armados ou de uma movimentação de violência, mas por meio da transformação da cultura ocidental. Algumas pessoas pensam que o objetivo do marxismo cultural é maior que isso.

6) Existem sociedades marxistas hoje?

Existem hoje algumas sociedades nos moldes similares de sociedades marxistas ideais. A sociedade marxista como Marx queria na verdade nunca deu certo e virou utopia. As sociedades que se baseiam no marxismo existem atualmente em governos comunistas como China, Cuba e Coréia-do-Norte. Muitos destes lugares possuem ainda pessoas na miséria, pobreza, censuram pessoas, torturam, há diferenças entre classes, etc.

Inclusive, muitas pessoas devem ler para saber que realmente foi o socialismo, os milhões e mortos na mão de Stalin nos GULAGs. E também devem ler para saber que Karl Marx engravidou a própria empregada doméstica e nunca assumiu a criança, que não tinha o direito nem de comer na mesa com os outros filhos, comia no porão da casa. E saber mais sobre Engels era dono de uma fábrica onde os funcionários eram obrigados a trabalhar 16 horas por dia nas piores condições. Que sociedade perfeita é essa com criadores assim?

7) O modelo capitalista e sociedade tradicional são perfeitos e sem falhas?

Não, não são. Nenhum modelo é perfeito e nenhuma sociedade é perfeita. Talvez exista um sistema ou modelo que possa surgir e mudar isto. Mas o que fatos mostram até agora e a própria história conta é que o modelo chamado como tradicional /capitalista é ainda melhor e superior ao modelo marxista. Fatos falam por si mesmos. Além disso, o modelo tradicional, com valores tradicionais e o capitalismo permitem melhor qualidade de vida para as pessoas, tecnologia e a preservação da espécie humana que consegue ainda viver em harmonia (nem sempre) na maioria das vezes.

8) Cite alguns exemplos de grupos marxistas culturais.

Movimento GLBT -Feminismo -Racialismo são frutos da mesma árvore, a árvore do Marxismo Cultural. A agenda programática dessas três ideologias é basicamente a mesma. Todos estes grupos seguem o que foi citado no pergunta 4. Nada disso é simples coincidência. Pregam absurdos muita vezes não apenas como algo normal mas como algo absolutamente positivo.

7) Como o marxismo cultural nos atinge no dia-a-dia? Cite exemplos?

Com a apologia a falta de objetividade, falta de responsabilidade e outras coisas. Tudo isso, a longo prazo e coletivamente gera um caos social, uma sociedade pior. Repare os valores invertidos aqui no Brasil.

Exemplos: Se ligarmos a TV podemos ver pessoas cometendo crimes, muitas vezes cruéis. Os direitos humanos misturaram casos absurdos de abusos de poder com defesas destes criminosos cruéis culpados, tirando a responsabilidades dos atos destes. A justificativa disso? O criminoso é branco, negro, pobre, isso, aquilo e muitas coisas do pergunta 4. A atitude individual e o ato em si quase nunca parecem ser lembrados. Isso gera impunidade tanto para ricos, como para pobre pois vira cultural. Em lugares assim, ser bandido, criminoso é ter justificativa para tudo.

E a senadora Marta Suplicy com seus planos sobre abolir nome de pai e mãe da carteira de identidade ou o que hoje é considerado modelo familar tradicional para algo “mais moderno, melhor e do futuro”?

Podemos ver feministas que usam todo o pergunta 4 para justificar tudo o que fazem, muitas vezes em atos com total falta de respeito contra qualquer pessoa. Elas esquecem que a sociedade mudou, o mundo mudou e ainda repetem palavras de ordem antigas. E com isso justificam os seus excessos com o pergunta 4. O grupo Femen e gurus feministas (em geral radicais, que comandam as feministas simpatizantes massa de manobra) agem do mesmo modo. A propaganda de liberdade, igualdade, etc é puro marxismo cultural.

Frases de gurus feministas:

“O Cáucaso das mulheres sanciona o pensamento marxista-leninista.
(Robin Morgan, Sisterhood is Powerful, p. 597)“

O feminismo, o socialismo e o comunismo são a mesma coisa, e o governo socialista/comunista é o objectivo do feminismo.(Catharine A. MacKinnon, Toward a Feminist Theory of the State (First Harvard University Press, 1989), p.10).

Um mundo onde o homem e a mulher seriam iguais é fácil de visualizar uma vez que foi isso que a revolução soviética prometeu. (Simone de Beauvoir, The Second Sex (New York, Random House, 1952), p.806)”

Conseguiram enxergar como tudo é padronizado e bem organizado?

O movimento GLBT que mente representar todos os homossexuais (assim como as feministas fazem conosco e dizem representar todas as mulheres) agem de modo similar as feministas e novamente, pergunta 4.

Grupos racialistas como “orgulho negro, orgulho afrodescendente, orgulho branco, europeu, etc” agem do mesmo modo. Parecem esquecer que somos todos humanos e deveriamos sermos julgados por nossos atos, nossas atitudes para somar a sociedade. Mas aqui novamente, pergunta 4.

Todos este grupos acima se aliam e lutam por objetivos comuns e pregam absurdos muita vezes não apenas como algo normal mas como algo absolutamente positivo.

FONTE: http://mulherescontraofeminismo.wordpress.com/2013/03/27/o-que-e-o-marxismo-cultural-como-ele-nos-atinge-todos-os-dias-em-escolas-propaganda-e-outros-lugares/
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A destruição da família pelo feminismo leva ao totalitarismo estatal.



Meus colegas libertários podem perguntar porque nascimentos fora do casamento estão relacionados com a destruição do capitalismo. A resposta é simples. O Estado de bem-estar social alimentou essa catástrofe social da orfandade paterna. Por conta de o pai não ser mais necessário e o novo regime prometer dar apoio a todos que passarem por necessidades, a sociedade se transformou e o espírito da época já não é mais capitalista. Ele é agora estadista. E agora, ao invés de milhões de pais tomando conta dos seus filhos e esposas, temos o governo no lugar. Isso é verdade pelo menos em princípio, pois em última análise pode se dizer que todas mulheres têm um verdadeiro e firme esposo. Esse esposo é o Estado.

Como mostra Baskerville, onde quer que a paternidade seja descartada ou diminuída, vemos "matriarcados empobrecidos e dominados pela criminalidade e pelas drogas". Ao fazer o papel de proprietário, o estado se torna pai desses "matriarcados". De acordo com Baskerville, "sem a autoridade paterna, adolescentes viram selvagens e a sociedade descende ao caos". Naturalmente, o estado tem um número cada vez maior de razões para intervir na sociedade e, por conseguinte, na economia. O que muitos defensores do capitalismo não conseguiram entender é que a conexão existente entre a autoridade paterna e o livre mercado. Eles não conseguiram entender que a erosão do patriarcado significa o surgimento de um estado leviatã (isto é, um governo cujo controle sobre a economia é cada vez maior — o socialismo).

Com a família burguesa destruída e a propriedade paterna descartada, não há nada além da administração burocrática dos destroços humanos — das crianças sem pai e das mães necessitadas de apoio estatal.

Esse último assunto deve ser profundamente entendido antes de entendermos o próximo —e mais devastador — assunto colocado em pauta por Gottfried; nomeadamente, que o novo regime se estabeleceu como moralmente superior ao sistema que ele destruiu, e que essa superioridade moral é baseada na ideia de que a mídia e os educadores estão "libertando" indivíduos oprimidos da intolerância, da ignorância, da desigualdade e das injustiças do patriarcado.

FONTE: http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/14049-espirito-de-epoca.html

​ENTENDERAM? LIBERDADE SEXUAL = FILHOS SEM PAI = ESTADO TOTALITÁRIO = VOCÊ ESCRAVIZADO!​

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Legenda Perusiana 81-85.

[81]

De maneira semelhante, certa vez, quando ficou em um eremitério para a quaresma de São Martinho e os frades, por causa de sua doença, prepararam com toucinho os pratos que lhe davam a comer, principalmente porque o óleo fazia muito mal a suas doenças, no fim da quaresma, quando pregava a uma grande congregação de povo, não muito longe daquele eremitério, disse-lhes logo no começo da pregação: “Vós viestes a mim com grande devoção e achais que eu sou um santo homem ms a Deus e a vós confesso que nesta quaresma, lá no eremitério, comi pratos temperados com toucinho”. Até mais, raras ou poucas vezes aconteceu que, se os frades ou os amigos dos frades, quando comia em suas casas, ou preparavam manifestamente alguma iguaria para seu corpo por causa das doenças, quando ele saia da casa não deixava de dizer, diante dos frades ou também diante dos seculares, que de nada sabiam, com toda clareza: “Como tais pratos”, não querendo ocultar às pessoas o que era manifesto diante de Deus.

Até, em toda parte ou diante de quem quer que fosse, religiosos ou seculares, se seu espírito fosse movido para a vanglória, para a soberba, ou para qualquer vício, confessava-se imediatamente diante deles, nuamente e sem encobrir nada. Por isso, uma vez, disse a seus companheiros: “Quero viver de tal maneira diante de Deus nos eremitérios e outros lugares onde fico, como as pessoas me conhecem e me vêem; porque se acham que eu sou um santo homem e eu não fizer o que convém que faça um homem santo, seria hipócrita”. Por isso em certa ocasião, no inverno, por causa da doença do baço e do frio no estômago, um dos companheiros, que era seu guardião, adquiriu uma pele de raposa, e rogou que permitisse costurar a pele no avesso da túnica, junto do baço e do estômago, porque, então, estava fazendo muito frio.

E ele, desde que começou a servir a Cristo, durante todo o tempo, até o dia de sua morte, nunca quis usar nem ter a não ser uma túnica remendada, quando queria remendá-la. Então o bem-aventurado Francisco respondeu: “Se queres que eu tenha esse pele por dentro, manda pôr algum pedacinho dessa pele por fora, costurada na túnica, como testemunho para as pessoas de que eu tenho uma pele por dentro”. E fez que fosse assim; mas não usou muito, ainda que lhe fosse necessária por causa de suas doenças.



[82]

Em outra ocasião, ia pela cidade de Assis e com ele iam muitas pessoas; e uma velhinha pobrezinha pediu-lhe uma esmola por amor de deus, e ele deu na mesma hora a capa que tinha nas costas. E na mesma hora confessou diante deles que tinha tido vanglória por causa disso. E há muitos outros exemplos parecidos com esses, que vimos e ouvimos nós que estivemos com ele, mas não podemos contar porque seria longo escrever e narrar.

O sumo e principal cuidado do bem-aventurado Francisco consistiu nisso: em não ser hipócrita diante de Deus. A inda que fossem necessários certos pratos para o seu corpo por causa da doença, não deixava de pensar que tinha que dar bom exemplo de si mesmo aos frades e aos outros, para não lhes dar ocasião de murmurar ou de mau exemplo. Por isso preferia suportar com paciência e boa vontade as necessidades do corpo, e agüentou-as até o dia de sua morte, em vez de satisfazer a si mesmo, embora pudesse faze-lo de acordo com deus e com o bom exemplo.



[83]

Quando o bispo de Óstia, que depois foi apostólico, viu que o bem-aventurado Francisco tinha sido e ainda era sempre tão austero com o seu corpo, e principalmente que começara a perder a luz de seus olhos mas não queria fazer-se curar disso, admoestou-o com muita piedade e compaixão dizendo-lhe: “Irmão, não ages bem quando não deixas que te ajudem na doença dos olhos, porque para ti e para os outros são muito úteis tua saúde e tua vida. Pois se tiveste compaixão de teus frades e sempre foste e és misericordioso com eles, não deverias ser cruel contigo mesmo numa necessidade e enfermidade tão grande e manifesta. Por isso eu te mando que te faças ajudar e tratar.

De maneira semelhante, dois anos antes de sua morte, quando já estava muito doente, especialmente da enfermidade dos olhos, e morasse numa pequena cela feita de esteiras junto de São Damião, considerando e vendo o ministro geral que estava tão afetado pela doença dos olhos, mandou-lhe que fizesse e deixasse ajudar e tratar. Chegou a dizer-lhe que queria estar presente quando o médico começasse a trata-lo, principalmente para que se fizesse cuidar mais seguramente. E para conforta-lo, porque estava muito afetado por isso. Nesse meio tempo, fazia muito frio e o tempo não era apropriado para as curas.

Como o bem-aventurado Francisco tivesse ficado deitado nesse lugar por uns cinqüenta dias ou mais, não podia ver a luz do dia nem a luz do fogo de noite, mas ficava sempre dentro da casa e permanecia no escuro naquela pequena cela. Além disso também tinha grandes dores nos olhos de dia e de noite, de modo que quase não podia dormir e descansar à noite: isso fazia muito mal e fazia agravar-se muito a doença dos olhos e as outras doenças. Além disso, se às vezes queria descansar e dormir, havia na casa e na celazinha em que estava deitado, que era feita de esteiras em uma parte da casa, tantos ratos passando e correndo por cima e ao redor dele, que não o deixavam dormir.

Mesmo no tempo da oração muito o impediam. E não só de noite mas também de dia atribulavam-no demais, de modo que, até quando comia, subiam na sua mesa de maneira que seus companheiros acharam que era uma tentação diabólica, e assim foi. Por isso, uma noite, pensando o bem-aventurado Francisco que estava tendo tantas tribulações, ficou com pena de si mesmo e disse lá dentro de si: “Senhor, olha para me socorrer, em minhas enfermidades, para que eu possa tolerar com paciência”. E, de repente, foi-lhe dito em espírito: “Dize-me, irmão: se alguém, por essas tuas enfermidades e tribulações te desse um tesouro tão grande e precioso que, se toda a terra fosse puro ouro, todas as pedras fossem pedras preciosas, e toda a água fosse bálsamo, todavia tu reputarias e terias por nada tudo isso, por serem matérias: terra, pedras e água, em comparação com o grande e precioso tesouro que te será dado. Não te alegrarias muito?

O bem-aventurado Francisco respondeu: “Senhor, esse tesouro seria grande e impossível de investigar até o fim, muito precioso e por demais amável e desejável”. E lhe disse: “Então, irmão, alegra-te e te rejubila bastante em tuas enfermidades e tribulações, porque de resto podes estar tão seguro como se já estivesses no meu reino”. Ao acordar de manhã, disse aos seus companheiros: “Se um imperador desse um reino inteiro a um seu servo, ele não deveria alegrar-se muito? E se desse todo o império, não se alegraria ainda mais? E lhes disse: “Por isso eu tenho que me alegrar agora com minhas doenças e tribulações e me confortar no Senhor, e sempre dar graças a deus pai e a seu único Filho nosso Senhor Jesus Cristo, e ao Espírito Santo, por tamanha graça e bênção que me deram, porque, vivendo ainda na carne, por sua misericórdia dignou-se dar-me a certeza do reino, a mim, seu servozinho indigno.

Por isso eu quero, para o seu louvor e para nossa consolação e edificação do próximo, fazer um novo Louvor do Senhor por suas criaturas, das quais nos servimos todos os dias e sem as quais não podemos viver. E nas quais o gênero humano ofende muito o Criador, e todos os dias somos ingratos por tão grande graça, porque não louvamos como devemos o nosso Criador e doador de todos os bens”.

E sentando-se começou a meditar e depois a dizer: “Altíssimo, onipotente, bom Senhor”. E compôs um cântico nessas palavras e ensinou seus companheiros a cantá-lo. Pois seu espírito estava, então, em tamanha doçura e consolação, que queria mandar buscar Frei Pacífico, que no século era chamado rei dos versos e foi um mestre muito cortês de cânticos, e dar-lhe alguns frades bons e espirituais, para que fossem pelo mundo pregando e louvando a Deus. Pois queria e dizia que, primeiro, algum deles, que soubesse pregar, pregasse ao povo, e depois da pregação cantassem os Louvores do Senhor como jograis de deus.

Terminados os Louvores, queria que o pregador dissesse ao povo: “Nós somos os jograis do Senhor e nisto queremos a vossa remuneração, isto é, que estejais na verdadeira penitência”. E dizia: “Que são os servos de Deus senão, de algum modo, uns jograis seus, que devem mover o coração dos homens e levanta-los para a alegria espiritual?”. E especialmente dos frades menores dizia que foram dados ao povo para sua salvação.

Pois os Louvores do Senhor que vez, a saber: Altíssimo, onipotente, bom Senhor, deu-lhes o nome de Cântico de Frei Sol, que a é a mais bonita de todas as criaturas e mais pode a Deus se assemelhar. Por isso, dizia: “De manhã, quando nasce o sol, toda pessoa deveria louvar a deus que o criou, porque por ele os olhos se iluminam de dia; de tarde, quando cai a noite, toda pessoa deveria louvar a Deus pela outra criatura, o irmão fogo, porque por ele nossos olhos se iluminam de noite”. E disse: “Nós todos somos como que cegos, e o Senhor ilumina nossos olhos por essas duas criaturas. Por isso sempre devemos louvar o glorioso Criador por essas e outras criaturas suas de que usamos todos os dias”.

Porque em sua saúde e enfermidade fez e fazia de boa vontade louvar o Senhor e também animava os outros a isso. Mesmo quando estava sofrendo pela doença, começava ele mesmo a dizer os Louvores do Senhor, e depois fazia que seus companheiros cantassem para que, em consideração do louvor do Senhor, pudesse ser esquecida a atrocidade das dores e doenças. E assim fez até o dia de sua morte.



[84]

Nesse mesmo tempo, quando jazia doente, tendo já pregado e composto os Louvores, o que então era bispo da cidade de Assis, excomungou o prefeito da cidade. Pois, indignado contra ele, o que era prefeito fez forte e curiosamente preconizar pela cidade de Assis que ninguém vendesse ou comprasse alguma coisa dele, ou fizesse algum contrato; e por isso eles se odiavam muito um ao outro.

O bem-aventurado Francisco, como estava tão doente. Ficou com pena deles, principalmente porque nenhum religioso ou secular se intrometia para cuidar de sua paz e concórdia. E disse a seus companheiros: “É uma grande vergonha para vós, servos de Deus, que o bispo e o prefeito se odeiem desse jeito e nenhuma pessoa entre no meio para cuidar de sua paz e concórdia”. E sim fez um verso nas seus Louvores para aquela ocasião, este: Louvado sejas, meu Senhor, pelos que perdiam pelo teu amor e suportam enfermidade e tribulação; bem-aventurados os que as suportarem em paz, porque por ti, Altíssimo, serão coroados”.

Depois chamou um de seus companheiros, dizendo-lhe: “Vá dizer de minha parte ao prefeito que ele com os magnatas da cidade e outros, que pode levar consigo, venha ao palácio do bispo”. E quando ele foi disse a outros dois companheiros seus: “Ide também diante do bispo, do prefeito e dos outros que estão com eles e cantai o Cântico de Frei Sol. E confio no Senhor que há de humilhar os corações deles, vão fazer as pazes entre eles e voltaram à antiga amizade e bem-querer”. E quando todos se reuniram na praça do claustro da casa do bispo, levantaram-se aqueles dois frades e um disse: “O bem-aventurado Francisco compôs em sua doença os Louvores do Senhor por suas criaturas, para louvor dele e edificação do próximo. Por isso ele vos roga que as ouçais com grande devoção”.

E então começaram a cantar e a dizer-lhes. E imediatamente o prefeito levantou-se, juntou os braços e as mãos com grande devoção, como se fosse o Evangelho do Senhor, e também com lágrimas, ouviu atentamente. Pois tinha muita confiança e devoção pelo bem-aventurado Francisco. Quando acabaram os Louvores do Senhor, o prefeito disse diante de todos: “Na verdade eu vos digo que perdôo não só ao senhor bispo, que preciso ter como meu senhor, mas perdoaria mesmo quem matasse meu irmão ou filho”. E assim se lançou aos pés do senhor bispo, dizendo-lhe: “Eis que estou pronto a satisfazer-vos em tudo, como vos aprouver por amor de nosso Senhor Jesus Cristo e de seu servo bem-aventurado Francisco”.

O bispo, tomando-o pelas mãos, levantou-o e lhe disse: “Por meu ofício convinha que eu fosse humilde, mas como sou notavelmente inclinado à ira, é preciso que me perdoes”. E assim com muita bondade e afeição se abraçaram e beijaram”. E os frades ficaram muito admirados, considerando a santidade do bem-aventurado Francisco porque aconteceu à letra o que o bem-aventurado Francisco tinha predito sobre a paz e a concórdia deles.

E todos os outros, que lá estavam presentes e que ouviram, tiveram o fato como um grande milagre, atribuindo-o aos méritos do bem-aventurado Francisco, porque o senhor visitou-os tão depressa que, sem lembrar nenhuma palavra, voltaram de tamanho escândalo para tanta concórdia. Por isso nós que estivemos com o bem-aventurado Francisco damos testemunho de que predizia: “Alguma coisa é assim, ou vai ser”, acontecia quase à letra. E nós vimos com nossos olhos, mas seria longo escrever e contar todas essas coisas.



[85]

Semelhantemente, naqueles dias e no mesmo lugar, depois que o bem-aventurado Francisco compôs os Louvores do Senhor pelas criaturas, também fez algumas palavras com canto para maior consolação das senhoras pobres do mosteiro de São Damião, principalmente porque sabia que elas estavam muito atribuladas por sua enfermidade.

E como não podia consola-las e visitá-las pessoalmente por sua doença, quis que aquelas palavras fossem anunciadas por seus companheiros. Nessas palavras, então e sempre, quis deixar para elas, com clareza e brevidade, a sua vontade: como deveriam ser unânimes na caridade e comportar-se umas com as outras, porque por seu exemplo e pregação foram convertidas a Cristo, quando os frades ainda eram poucos.

A conversão e o comportamento delas é exaltação e edificação não só para a Religião dos frades, da qual é uma plantinha, mas também para toda a Igreja de Deus. Então, como o bem-aventurado Francisco sabia que, desde o começo de sua conversão, elas tinham levado e levavam ainda vida dura e pobrezinha e, por vontade e necessidade, seu espírito sempre se movia de piedade para com elas.

Por isso, nessas mesmas palavras rogou-as que, como o Senhor tinha-as reunido de muitas partes para a santa caridade, a santa pobreza e a santa obediência, nelas deviam assim viver sempre e morrer. E especialmente que deviam prover seus corpos com as esmolas que Deus lhes desse, com alegria, ação de graças e discrição. E mais do que tudo que as sãs, no trabalho que mantinham por suas irmãs doentes, e as enfermas fossem pacientes em suas doenças e nas necessidades que padeciam.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

CNBB.

A CNBB

Dom Fernando Arêas Rifan*

De 9 a 19 de abril, aconteceu em Aparecida a 51ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na qual estive presente com os outros irmãos no episcopado, demonstrando a nossa comunhão eclesial efetiva e afetiva.

A natureza das conferências episcopais foi exposta na Carta Apostólica Apostolos suos, do Beato João Paulo II, onde cita o decreto Christus Dominus do Concílio Vaticano II, que considera “muito conveniente que, em todo o mundo, os Bispos da mesma nação ou região se reúnam periodicamente em assembleia, para que, da comunicação de pareceres e experiências, e da troca de opiniões, resulte uma santa colaboração de esforços para bem comum das Igrejas”. Ensina ele que “a união colegial do Episcopado manifesta a natureza da Igreja... Assim como a Igreja é una e universal, assim também o Episcopado é uno e indiviso, sendo tão extenso como a comunidade visível da Igreja e constituindo a expressão da sua rica variedade. Princípio e fundamento visível dessa unidade é o Romano Pontífice, cabeça do corpo episcopal”.

Mas a Conferência Episcopal, instituição eclesiástica, não existe para anular o poder dos Bispos, instituição divina. O Papa emérito Bento XVI, quando Cardeal, falou sobre um dos “efeitos paradoxais do pós-concílio”: “A decidida retomada (no Concílio) do papel do Bispo, na realidade, enfraqueceu-se um pouco, ou corre até mesmo o risco de ser sufocada pela inserção dos prelados em conferências episcopais sempre mais organizadas, com estruturas burocráticas frequentemente pesadas. No entanto, não devemos esquecer que as conferências episcopais... não fazem parte da estrutura indispensável da Igreja, assim como querida por Cristo: têm somente uma função prática, concreta”. É, aliás, continua, o que confirma o Direito Canônico, que fixa os âmbitos de autoridade das Conferências, que “não podem agir validamente em nome de todos os bispos, a menos que todos e cada um dos bispos tenham dado o seu consentimento”, e quando não se trate de “matérias sobre as quais haja disposto o direito universal ou o estabeleça um especial mandato da Sé Apostólica”. E recorda o Código e o Concílio: “o Bispo é o autêntico doutor e mestre da Fé para os fiéis confiados aos seus cuidados”. “Nenhuma Conferência Episcopal tem, enquanto tal, uma missão de ensino: seus documentos não têm valor específico, mas o valor do consenso que lhes é atribuído pelos bispos individualmente”.

E continua o Papa emérito: “O grupo dos bispos unidos nas Conferências depende, na prática, para as decisões, de outros grupos, de comissões específicas, que elaboram roteiros preparatórios. Acontece, além disso, que a busca de um ponto comum entre as várias tendências e o esforço de mediação dão lugar, muitas vezes, a documentos nivelados por baixo, em que as posições precisas são atenuadas”. E ele recorda que, em seu país, existia uma Conferência Episcopal já nos anos 30: “Pois bem, os textos realmente vigorosos contra o nazismo foram os que vieram individualmente de prelados corajosos. Os da Conferência, no entanto, pareciam um tanto abrandados, fracos demais com relação ao que a tragédia exigia” (A Fé em crise, IV).

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

sábado, 20 de abril de 2013

Liberalismo Feminista e Cafajestagem Machista: Círculo Vicioso Destruidor de Famílias.


Muitos de vocês estão pensando que as mulheres sentem atração natural pelos
cafajestes. Essa postura feminina não dependeria de frustrações amorosas. As
mulheres seriam naturalmente assim. Isso é verdade, mas isso não deve ser
interpretado de maneira exagerada. As mulheres possuem uma fantasia de
superioridade sobre tais homens. Inicialmente elas são simplesmente arrogantes e acham que podem prender tais homens com facilidade. Os cafajestes apresentam um desafio e o amor feminino ainda não existe. Na verdade, nesse caso, existe apenas um fetiche de conquista. O amor que as mulheres sentem pelos cafajestes é posterior ao complexo de rejeição. Se elas se atraem naturalmente pelos cafajestes, isso significa que elas naturalmente desvalorizam todos os homens que oferecem “amor fácil”.

Trata-se de uma dinâmica de poder. A mulher acha que possui mais poder do
que os homens (e está certa em certos aspectos) e por isso, ela exige um homem mais poderoso do que ela. O amor masculino fácil demais seria a expressão da falta de poder do homem perante a mulher.

O post passado falou do amor complexado das mulheres e não falou do fetiche da conquista. As mulheres que se envolvem com os cafajestes inicialmente sabem que os mesmos são assim, mas como elas são arrogantes, elas decidem correr o risco, pois pensam que possuem mais valor do que esses homens. Na lógica de valor dessas mulheres, o homem sempre correrá atrás delas e nunca acontecerá o contrário. O desprezo do cafajeste rompe a fantasia de superioridade das mulheres e isso gera um complexo de rejeição insuportável para elas. Elas não aceitam de maneira alguma que alguns homens as desprezem, então elas se apaixonam por eles.

Alguns leitores confundiram o fetiche feminino da conquista com o amor complexado e não entenderam a diferença entre as duas coisas. O amor complexado da mulher acontece após uma experiência fracassada com o homem poderoso, mas o fetiche da dominação de alfas ocorre desde que a mulher é adolescente e portanto, tal fetiche não é o amor feminino. As mulheres muitas vezes acham que tal fetiche é amor, porque as emoções delas misturam tudo, assim como elas confundem o desejo sexual masculino com amor.

Qual é a réplica das mulheres? Elas dizem que a maioria dos homens bonitos e ricos são cafajestes. Inicialmente elas apenas queriam o melhor e então, elas foram iludidas pela aparência daquilo que seria o “melhor”. Isso não é verdade.

Há homens bonitos bonzinhos e há homens ricos bonzinhos. E há homens solteiros nessa condição. E elas sabem disso e também sabem que possuem bonzinhos como opção. As mulheres usam a ilusão perceptiva pra justificar a irresponsabilidade delas. Só que não há ilusão perceptiva e elas são responsáveis pelo próprio fracasso sim! Elas sentem atração exatamente por aquilo que elas percebem. E os cafajestes não escondem a cafajestagem deles.

As mulheres desejam os cafajestes, justamente porque eles demonstram comportamentos de cafajestes.

Quais são os valores que as mulheres estão afirmando? Se os homens hoje em dia estão imprestáveis para relacionamento sério, a culpa é das próprias mulheres. Os homens imprestáveis de hoje são parte da cultura feminina.

Muitas feministas vão chiar e me chamarão de misógino. Mas a realidade do mercado sexual é muito mais impactante do que qualquer utopia ideológica.

Os homens não possuem mais poder pra afirmar padrões machistas como
antigamente. Há sim, um novo machismo, que eu chamo de machismo secular.

Nesse machismo, o cafajeste é o homem ideal. E quem afirma esse machismo?

São as mulheres! O machismo secular é uma criação das mulheres livres sexualmente do final da década de 60 do século passado. As mulheres acabaram com o machismo religioso e criaram um machismo totalmente fundamentado na atração cega delas pelo poder do homem.

As feministas criticam o machismo como se os homens tivessem o controle total disso.

O homem não controla mais a mulher. Atualmente a regra se inverteu. A mulher controla o homem pela passividade. Ela exige dominância do homem para controlá-lo.

Não há mais a dinâmica da submissão feminina pelo machismo autoritário. O que há hoje em dia é o autoritarismo de uma mulher que deseja o machismo secular com todas as forças e obriga o homem a assumir um papel de dominância.

A mulher quer ganhar bem, mas quer um homem ainda mais dominante. Ele precisa ganhar no mínimo mais do que ela. As mulheres heterossexuais não querem igualdade, pois elas só amam homens mais dominantes do que elas. O feminismo das mulheres heterossexuais é apenas a defesa dos direitos da promiscuidade. As mulheres heterossexuais querem apenas ser promíscuas!

Elas valorizam cafajestes, justamente porque o cafajeste é a expressão da dominância masculina no âmbito comportamental. As mulheres jamais serão feministas coerentes, enquanto o cafajeste for o homem ideal!

A cultura da pegada é outro exemplo de machismo secular. A pegada é uma cobrança de dominância. As mulheres estão cobrando mais dominância do homem, portanto, elas estão implorando por homens mais machistas! São as mulheres heterossexuais que desejam o machismo. As suecas não querem homens feminilizados e estão implorando pela importação dos machistas (e misóginos em muitos casos) muçulmanos.

A realidade prova que infelizmente estou certo. Não quero brincar de teorizar aqui, mas a natureza feminina valoriza mais os atributos de dominância dos homens do que o bom comportamento do homem! A primeira coisa que as mulheres fizeram quando elas tornaram-se independentes foi eleger o cafajeste homem ideal e isso é uma cultura totalmente feminina. Nenhum homem hoje em dia, nem mesmo o cafajeste tem poder pra impor padrões. Os padrões atuais são femininos. Não havia tantos cafajestes antes do mercado sexual. As mulheres livres criaram cafajestes e os elevaram à condição de homens ideais.

Muitas vão dizer que estou generalizando e que estou errado. A realidade é mais forte do que as desculpas femininas. O mercado sexual é feminino e ele prova que estou certo e as mulheres que me criticam erradas. Essas exceções de internet precisam de um “choque” de realidade. Ou elas vivem num mundo de fantasia, ou elas estão sendo
desonestas. A realidade lá fora é muito diferente do que as exceções dizem. O que está revoltando os homens é o padrão altamente tóxico dos valores femininos.

Esse padrão é tão pesado que muitos homens estão adoecendo psicologicamente e emocionalmente, pois não querem aderir ao padrão “distorcido” das mulheres atuais.

As mulheres do século XXI, que vivem em países democráticos, não podem reclamar dos homens. Eles são o reflexo daquilo que elas querem. Se os homens hoje só querem sexo e não querem mais relacionamentos, isso está acontecendo porque esse é o padrão feminino. Já disse e vou insistir. O controle do mercado sexual está nas mãos das mulheres e o padrão desse mercado é feminino. Se há machismo no mundo atual, esse machismo é o reflexo dos valores das mulheres livres. As feministas só podem reclamar do machismo dos anos 60 do século passado para trás. Todo o machismo que existe de lá pra cá, é machismo puramente afirmado pelos valores femininos. É claro que há um processo de transição. Mas sem dúvida alguma, os machistas de hoje só são assim, porque esse é o desejo das mulheres. Não estou falando do machismo reativo, da violência contra a mulher, mas sim dos atributos de dominância valorizados pelas mulheres.

Como os homens seriam culpados pelo machismo secular, que é muito mais elitista e imoral do que o “machismo” religioso, se são as próprias mulheres que desejam e afirmam esse machismo? E a cultura da pegada, feministas? As mulheres exigem dominância dos homens o tempo inteiro e valorizam esses atributos de dominância no discurso delas sobre o homem ideal. Quem é o homem ideal? É o homem mais poderoso e dominante, portanto o homem mais “machista”. O homem ideal é o homem mais rico, bonito e bombado. Esse é o padrão dominante e machista que as mulheres gostam.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Legenda Perusiana 70-75.

[75]

Certa ocasião, o bem-aventurado Francisco pregava na praça de Perusa, com grande ajuntamento de povo. E eis que cavaleiros de Perusa começaram a correr pela praça, brincando, de armas na mão, de modo que impediam a pregação. E embora fossem repreendidos pelos homens e mulheres que estavam prestando atenção na pregação, não pararam por causa disso.

Virando-se para eles, o bem-aventurado Francisco disse, com fervor de espírito: “Ouvi e entendei o que o Senhor, por mim seu servo vos anuncia, e não digais que este é um assisiense”. O bem-aventurado Francisco disse isso porque havia um ódio antigo entre pessoas de Assis e de Perusa. Por isso, disse o seguinte: “O Senhor vos exaltou e voz fez grandes acima de vossos vizinhos; por isso deveis reconhecer até mais o vosso Criador, e deveríeis humilhar-vos mais não só diante do próprio Deus Onipotente mas também dos vossos vizinhos. Mas o vosso coração elevou-se na vossa arrogante soberba e força, e devastais vossos vizinhos, matando a muitos. Por isso eu vos digo: se não vos converterdes depressa, e derdes satisfação aos que ofendesteis, o Senhor, que não deixa nada sem pagar, para voz fazer uma vingança maior e para vossa punição e impropério, vai fazer com que vos levanteis uns contra os outros, e quando moverem a sedição e a revolução, sofrereis tamanha tribulação que vossos vizinhos não vos poderiam causar”.

Pois o bem-aventurado Francisco, em sua pregação, não calava os vícios do povo, nas coisas em que ofendiam publicamente a Deus ao próximo. Mas o Senhor lhe dera tanta graça, que todos que o viam ou ouviam, pequenos e grandes, tinham tanto respeito e o veneravam poro causa da graça abundante que recebera de Deus, que por mais que fossem repreendidos por ele, ainda que se envergonhassem, ficavam edificados. Nessas ocasiões, algumas vezes até se convertiam ao Senhor nessas ocasiões, para que rogasse mais atentamente a Deus por eles. E aconteceu que, por permissão divina, depois de poucos dias, surgisse um escândalo entre os cavaleiros e o povo, de modo que o povo expulsou da cidade os cavaleiros. E os cavaleiros, com a Igreja, que os ajudava, devastaram muitos campos, vinhas, e árvores deles, e lhes fizeram todos os males que puderam. Mas o povo também devastou os campos, vinhas e árvores deles, e dessa forma o povo teve uma punição maior do que a de todos os seus vizinhos, a quem tinha ofendido. Por isso, o que fora predito sobre eles pelo bem-aventurado Francisco foi cumprido à letra.



[76]

Quando o bem-aventurado Francisco ia por um certa província, veio ao seu encontro o abade de um mosteiro, que tinha muita veneração por ele. O abade desceu do cavalo e falou com ele sobre a salvação de sua alma, aí por uma hora. Quando quiseram separar-se, o abade pediu ao bem-aventurado Francisco, com toda devoção, que rogasse ao Senhor por sua alma. Respondeu-lhe o bem-aventurado Francisco: “Vou faze-lo de boa vontade”.

E quando o abade se havia afastado um pouco do bem-aventurado Francisco, disse o bem-aventurado Francisco a seu companheiro: Irmãos, esperemos um pouco porque quero rezar pelo abade, como prometi”. E orou por ele. Porque era costume do bem-aventurado Francisco, quando alguém lhe pedia por devoção que orasse ao Senhor por sua alma, derramava a oração por ele logo que podia, para não se esquecer depois. E andando o abade por seu caminho, não muito longe do bem-aventurado Francisco, o Senhor visitou-o de repente em seu coração, sentiu um certo calor suave ao redor de seu rosto, sendo elevado no excelso da mente, mas por um pouquinho de tempo.

Quando voltou a si, logo soube que o bem-aventurado Francisco tinha rezado por ele. E começou a louvar a Deus e a ter por isso uma alegria interior e exterior. A partir daí teve uma devoção maior pelo santo pai, considerando a grandeza de sua santidade, e teve consigo mesmo esse fato, enquanto viveu, como um grande milagre, e o contou muitas vezes aos irmãos e aos outros como lhe tinha acontecido.



[77]

Como o bem-aventurado Francisco teve durante muito tempo doenças do fígado, do baço e do estômago, e as teve até o dia de sua morte, e desde o tempo em que esteve no ultramar para pregar ao sultão da Babilônia e do Egito, teve a maior doença dos olhos por causa do muito trabalho e do cansaço da viagem, pois indo e voltando suportou o maior calor, mas nem por isso quis ter o cuidado de se fazer curar de alguma dessas enfermidades, ainda que, por seus frades e por muitos, com pena e compaixão dele, tivesse sido rogado a isso, pelo fervoroso espírito que teve desde o início de sua conversão para Cristo: porque, por causa da grande doçura e compaixão que colhia da humildade e dos vestígios do Filho de Deus, tomava e tinha como doce o que era amargo para a carne. Até mais: condoia-se tanto, todos os dias, das dores e amarguras de Cristo, que ele tolerou por nós, e por causa delas afligia-se tanto interior como exteriormente, que nem se importava com as suas próprias.



[78]

Por isso, certa ocasião, poucos anos depois de sua conversão, quando estava andando um dia sozinho não muito longe da igreja de Santa Maria da Porciúncula, ia chorando em voz alta e soluçando. Quando ia passando assim, um homem espiritual, que nós conhecemos e de quem ouvimos isto, que lhe tinha prestado muita misericórdia e consolação antes que tivesse algum frade e também depois, encontrou-se com ele. Movido de piedade por ele, perguntou-lhe: “Que tens, irmão?”. Pois achava que estava com a dor de alguma doença. Mas ele disse: “Assim deveria eu ir chorando e soluçando sem vergonha por todo o mundo a paixão do meu Senhor”. E o homem começou a chorar e a derramar muitas lágrimas com ele.



[79]

Em outra ocasião, no tempo de sua doença dos olhos, como estava tendo muitas dores por causa disso, disse-lhe um dia a um ministro: “Irmão, porque não fazes que seja lida por teu companheiro alguma passagem dos Profetas ou das outras Escrituras? Tua alma se exaltará e tirará daí a maior consolação”. Pois sabia que se alegrava muito no Senhor quando ouvia ser as divinas escrituras. Mas ele respondeu: “Irmão, encontro todos os dias tanta doçura e consolação na minha memória pela meditação dos vestígios do Filho de Deus, que mesmo que vivesse até o fim dos séculos, não me seria muito necessário ouvir ou meditar outras escrituras”. Daí, recordava e dizia muitas vezes aos frades aquele verso de Davi: Minha alma não quer outra consolação (Sl 76).

Por isso, como dizia muitas vezes aos frades que ele devia ser a forma e o exemplo de todos os frades, não queria usar em suas enfermidades não só os remédios mas mesmo os alimentos necessários. E como leva em conta isso que foi dito não só quando parecia estar são , ainda que sempre estivesse fraco e doente, mas também em suas enfermidades, era austero com o seu corpo.



[80]

Por isso, certa vez, quando tinha sarado um pouco de uma de suas maiores enfermidades, achou e ficou convencido de que tinha comido um pouco de iguaria naquela doença, ainda que comesse pouco, porque por causa das muitas, variadas e longas enfermidades não podia comer. Levantando-se um dia, como não estava libertado da febre quartã, mandou convocar o povo de Assis na praça para a pregação. Quando acabou a pregação, mandou-lhes que ninguém se afastasse enquanto ele não voltasse. Entrou na igreja de São Rufino para se confessar com Frei Pedro Cattani, que foi o primeiro ministro geral escolhido Poe ele, e com alguns outros frades, e ordenou a Frei Pedro em que tudo que ele quisesse dizer e fazer de si mesmo, obedecesse-o e não o contradissesse. Frei Pedro disse: “Irmão, nem posso nem quero querer outra coisa se não o que te agrada, de mim e de ti”. Tirando a sua túnica, o bem-aventurado Francisco ordenou a Frei Pedro que o levasse com um corda que tinha no pescoço nu diante do povo, e a outro frade ordenou que pegasse uma tigela cheia de cinza e subisse ao lugar onde tinha pregado e jogasse a cinza espalhando-a sobre a cabeça dele.

Mas o frade não obedeceu, pela piedade e compaixão que se moveram sobre ele. Frei Pedro levantou-se e o conduziu, como lhe tinha sido mandado, chorando muito; e os outros frades com ele. E aconteceu que, quando voltou assim despido diante do povo ao lugar onde tinha pregado, disse: “Vós e outros, que por meu exemplo deixam o século e entram na Religião e vida dos frades, credes que eu sou um homem santo, Mas eu confesso a Deus e vós que, nesta minha enfermidade, comi um caldo temperado com carne”. Quase todos começaram a chorar de piedade e compaixão por ele, principalmente porque estava fazendo muito frio, era tempo de inverno, e ele ainda não estava curado da febre quartã.

E batiam em seus peitos, dizendo: “Se esse santo se acusa de uma necessidade manifesta com tanta vergonha do corpo, e conhecemos a vida dele, que vemos vivo na carne com uma carne já meio morta por causa da superfluidade da abstinência e da austeridade que teve contra seu corpo desde o início de sua conversão a Cristo, que vamos fazer nós, miseráveis, que todo o tempo de nossa vida vivemos e quisemos viver segundo a vontade e os desejos da carne?

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Os perigos do secularismo.


O secularismo parece ser um assunto muito difícil para a maioria das pessoas, mas não é! Primeiro, eu vou explicar o que eu chamo de secularismo. Segundo, eu vou explicar as conseqüências disso nos relacionamentos. Terceiro, eu vou explicar o porquê do secularismo ser irreversível. Este post é apenas uma introdução ao assunto, visto que será impossível abordar todos os efeitos do secularismo.

O que é secularismo? Secularismo significa a fragmentação de tradições religiosas e a banalização dessas tradições. Secularismo consiste na “mundanização da religião”, ou a perda de seus valores espirituais e metafísicos. O secularismo transforma as
religiões num mercado, num negócio, num estilo prático de vida. Perde-se o sentido ético originário da religião e a espiritualidade. A religião se transforma apenas numa mera ética de objetivos práticos e fora disso, ela perde o sentido.

O secularismo também é a invasão dos valores seculares dentro da religião e da cultura tradicional. Isto significa a intrusão desses valores em prol de valores mais pragmáticos! E isso tem profundas conseqüências nos relacionamentos. Por exemplo,
o secularismo significa o fim da idéia da valorização do casamento em prol da valorização do sexo.

Os religiosos também podem ser “seculares”. Isso significa que numa sociedade secular não existem diferenças consideráveis entre uma pessoa religiosa e uma pessoa não religiosa. Ambos fazem as mesmas coisas, só que a pessoa religiosa freqüenta o culto da religião dela e a pessoa não religiosa não faz isso!

Uma conseqüência das conseqüências do secularismo é o liberalismo, pois a ética não é mais norteada pelos valores espirituais da religião, mas sim pelos interesses práticos imediatos do ser humano. Outra conseqüência é o aumento do egoísmo, pois a ética secular suporta o egoísmo como uma forma de realização humana. Outra conseqüência do secularismo é o relativismo moral, pois se Deus não existe, logo tudo é permitido. Ainda que o homem secular acredite em Deus, ele vive como se Ele não existisse. Portanto, o homem secular é indiferente às conseqüências éticas da idéia do secularismo.


O secularismo também representa a perda de todas as referências metafísicas da ética. Os filósofos tentam resolver esse problema com recorrências a idéias substitutas como lei moral universal, por exemplo. A própria religião foi relativizada na sociedade
secular de tal forma, que ela perdeu totalmente o efeito de eficácia que já teve. As pessoas agem como se não acreditassem em Deus, embora sustentem ainda o rótulo de religiosas. O fenômeno da religiosidade nominal é muito comum nos EUA. No Brasil, esse fenômeno também já era comum no catolicismo. Pessoas que nunca freqüentaram uma missa se autodenominavam católicas.

No secularismo, o social e o coletivo perdem importância e as pretensões individuais ganham importância máxima! Assim, o poder e o prazer se tornam os objetivos básicos e fundamentais da sociedade secular, pois se busca poder e prazer em prol do próprio bem e não em prol do bem coletivo, social, ou universal!

É inevitável que o secularismo conduza ao utilitarismo individualista. As leis jurídicas não educam a sociedade nesse sentido! Elas criam deveres e proibições que são insuficientes para produzir efeitos de solidariedade social. O estado jamais fará a
função da religião, por isso as éticas religiosas cumpriam bem a função de preencher as lacunas deixadas pelas leis jurídicas. A ênfase aqui não é na religião, mas na função social da religião enquanto ética!

Numa sociedade secular, a justiça se reduz ao cumprimento daquilo que a lei permite ou determina. O Estado jamais fará a função ética da religião. A liberdade ganha uma dimensão de responsabilidade que depende muito do bom senso das pessoas! E esse é o grande problema da sociedade secular. O bom senso é relativo, pois não há referências sólidas nessa sociedade além das referências jurídicas!

Quem fará a função da religião na sociedade secular? Quem criará na população, o senso de solidariedade? No mundo secular, o individual sempre prevalecerá sobre o coletivo e o privado sempre prevalecerá sobre o público. No mundo secular, o bom senso será sempre relativizado em prol da busca primária pelo prazer e pelo poder.

O secularismo acabou com as referências éticas da religião e da tradição e deixou as sociedades ocidentais órfãs de boas referências! As leis jurídicas não preencheram as lacunas criadas pelo secularismo e isso significa que a educação se tornou um grande problema nas sociedades seculares!

Os valores da nossa tradição ocidental estão fundamentados numa concepção pessimista da natureza humana. Para a religião, se a natureza humana não for limitada de alguma forma, ela se destruirá. A religião não acredita no bom senso humano. É justamente por isso, que a religião parece tão controladora, pois a liberdade secular supõe que os seres humanos sabem fazer um bom uso da liberdade!

Por outro lado, a ética individualista está longe de privilegiar a justiça social. Deste modo, a sociedade secular favorece a competição entre “egoísmos”, já que o egoísmo de uns interfere negativamente na felicidade de outros. Para os acadêmicos, toda a tradição ocidental é vista como opressora e malévola.

Então o secularismo seria aquilo que nos libertaria da opressão da tradição religiosa. Mas notem que em nenhum momento se discute a função da religião. Somente os sociólogos e os antropólogos reconhecem alguma função positiva na religião de forma
geral. A maioria dos teóricos das ciências humanas possuem um profundo desprezo pela religião, ainda no seu sentido ético!

A idéia de uma sociedade autônoma, sendo limitada apenas pelo “poder do Estado” fracassou! Essa idéia fracassou, porque o Estado moderno provou que é incapaz de afirmar valores fundamentais para a manutenção de uma sociedade sadia e justa. O estado provou que ele é incapaz de acabar com a injustiça social, pois o elitismo se apresenta agora sob a forma subjetiva. O elitismo subjetivo consiste nas hierarquias de valor criadas pela sociedade secular.

A ética social está além das leis jurídicas. Nenhuma lei jurídica pode ensinar o homem a ser fiel a sua esposa. Nenhuma lei jurídica ensina os filhos a obedecerem aos pais! O alcance ético das leis jurídicas em si é muito precário. Por isso, a religião tinha a função de fornecer referências fundamentais para a ética do dia a dia. Na sociedade secular, a ética da solidariedade entrou em colapso, pois o Estado demonstrou ser impotente para produzir efeitos de solidariedade na sociedade!

FONTE: http://depaspalhoarealista.blogspot.com.br/2013/04/sobre-o-secularismo-parte-1.htmlshowComment=1366038319296#c3884505770050374818

Blog: http://depaspalhoarealista.blogspot.com.br/

Pobreza e Riqueza na Igreja.


A IGREJA DOS POBRES

Dom Fernando Arêas Rifan*

O nosso Papa Francisco disse que escolheu o nome do “pobrezinho de Assis”, inspirado no conselho de Dom Cláudio Hummes: “Não se esqueça dos pobres!” “Ah, como eu queria uma Igreja pobre e para os pobres!”, disse ele aos jornalistas. Aliás, foi assim que São Francisco de Assis recuperou a credibilidade da Igreja.

Realmente, a mensagem evangélica é paradigmática: “O Reino (de Deus) pertence aos pobres e aos pequenos, isto é, aos que o acolheram com um coração humilde. Jesus é enviado para "evangelizar os pobres" (Lc 4,18). Declara-os bem-aventurados, pois "o Reino dos Céus é deles" (Mt 5,3); foi aos "pequenos" que o Pai se dignou revelar o que permanece escondido aos sábios e aos entendidos. Jesus compartilha a vida dos pobres desde a manjedoura até a cruz; conhece a fome, a sede e a indigência. Mais ainda: identifica-se com os pobres de todos os tipos e faz do amor ativo para com eles a condição para se entrar em seu Reino” (C. I. C. 544).

“Quando envergamos a nossa casula humilde pode fazer-nos bem sentir sobre os ombros e no coração o peso e o rosto do nosso povo fiel, dos nossos santos e dos nossos mártires, que são tantos neste tempo. fixemos agora o olhar na ação. O óleo precioso, que unge a cabeça de Aarão, não se limita a perfumá-lo a ele, mas espalha-se e atinge «as periferias». O Senhor dirá claramente que a sua unção é para os pobres, os presos, os doentes e quantos estão tristes e abandonados. A unção, amados irmãos, não é para nos perfumar a nós mesmos, e menos ainda para que a conservemos num frasco, pois o óleo tornar-se-ia rançoso... e o coração amargo” (Papa Francisco, Homilia da Missa Crismal, 28/3/2013).

A Igreja, seguindo o exemplo de Jesus, faz na sua evangelização a opção preferencial pelos pobres. Opção preferencial, mas não exclusiva, pois todos são chamados à salvação. A Igreja não despreza ninguém, os pobres, por serem os mais abandonados pela sociedade, e os ricos, os empresários, os que possuem bens e influência nesse mundo são sempre acolhidos: muitas vezes eles são até mais pobres e necessitados do que os que não têm bens materiais. Ademais, o dinheiro pode ser bem empregado, sobretudo em se tratando das coisas de Deus.Narra o Evangelho a passagem de Jesus na casa de Lázaro, quando Maria tomou um perfume precioso e caro e com ele ungiu os pés de Jesus. Judas se indignou e, diante do que julgava um desperdício, tomou a defesa dos pobres. Jesus, porém, defendeu o gesto de Maria: “Pobres, sempre os tereis entre vós. Mas a mim nem sempre me tereis!” (Jo 12, 3-8).

Jesus, nascendo e vivendo pobre, não discrimina ninguém: no seu presépio vemos pobres e ricos, pastores e reis. Todos são bem-vindos ao berço do “príncipe da paz”. Com seu exemplo, ele prega a humildade e não a soberba, a caridade e não a inveja, o desapego e não a ambição, a paz e não a luta de classes. A desigualdade, quando não é injusta, é natural e normal, podendo ser suavizada e superada pela prática das virtudes cristãs. Amemos e consolemos os pobres, os preferidos de Deus, sem lançarmos no coração deles a amargura da inveja e ambição.

A RIQUEZA DOS POBRES

Dom Fernando Arêas Rifan*
Em nosso último artigo falamos sobre a Igreja dos pobres. Agora falemos da sua riqueza. A riqueza dos pobres é a Igreja, sua rica doutrina e sua liturgia. As igrejas, os templos sagrados, são a casa dos pobres. Lá eles podem entrar sem serem impedidos. Lá eles podem se sentir bem, contemplar belas pinturas e arquiteturas, vasos sagrados, esplêndidas imagens, como não poderiam fazer em nenhuma outra casa ou palácio. Ali eles podem, pois é a casa deles.

A pobreza pessoal, que devemos cultivar, não significa que devemos empobrecer a liturgia. Pelo contrário, a beleza exterior da liturgia deve refletir a glória de Deus, como nos ensina o Papa Francisco: “As vestes sagradas do Sumo Sacerdote são ricas de simbolismos; um deles é o dos nomes dos filhos de Israel gravados nas pedras de ónix que adornavam as ombreiras do efod, do qual provém a nossa casula atual...” “beleza de tudo o que é litúrgico, que não se reduz ao adorno e bom gosto dos paramentos, mas é presença da glória do nosso Deus que resplandece no seu povo vivo e consolado”. (Hom. Missa Crismal, 28/3/2013).

O Santo Cura d’Ars, São João Maria Vianney, exemplo para todos os padres, amava a pobreza pessoal e os pobres. “Uma batina velha fica muito bem debaixo duma casula bonita”, dizia ele. Ao lado da sua pobreza individual, não media esforços em adquirir o que havia de mais rico e suntuoso para a casa de Deus e as cerimônias litúrgicas. Ele dizia que se os palácios dos reis são embelezados pela magnificência, com maior razão as Igrejas.

Quando Cardeal, o Papa Bento XVI, lamentando a atual crise litúrgica, comentava: “Depois do Concílio, muitos padres deliberadamente erigiram a dessacralização como um programa de ação, argumentando que o novo testamento aboliu o culto do templo; o véu do templo, que se rasgou de alto a baixo no momento da morte de Cristo sobre a cruz, seria, para alguns, o sinal do fim do sagrado... Animados por tais ideias, eles rejeitaram as vestes sagradas; tanto quanto puderam, eles despojaram as igrejas dos seus resplendores que lembram o sagrado; e eles reduziram a liturgia à linguagem e aos gestos da vida de todos os dias, por meio de saudações, de sinais de amizade e outros elementos” (Conferência aos Bispos chilenos, Santiago, 13/7/1988).

Falando sobre essa beleza da liturgia e respondendo às “acusações de ‘triunfalismo’, em nome das quais se jogou fora, com excessiva facilidade, muito da antiga solenidade litúrgica”, o então Cardeal Ratzinger explicava: “Não é triunfalismo, de forma alguma, a solenidade do culto com que a Igreja exprime a beleza de Deus, a alegria da fé, a vitória da verdade e da luz sobre o erro e as trevas. A riqueza litúrgica não é riqueza de uma casta sacerdotal; é riqueza de todos, também dos pobres, que, com efeito, a desejam e não se escandalizam absolutamente com ela. Toda a história da piedade popular mostra que mesmo os mais desprovidos sempre estiveram dispostos instintiva e espontaneamente a privar-se até mesmo do necessário, a fim de honrar, com a beleza, sem nenhuma avareza, ao seu Senhor e Deus” (Rapporto sulla Fede, 1985).


*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney.

http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

sábado, 13 de abril de 2013

Oração, Jejum, Misericórdia.


O que a oração pede, o jejum o alcança e a misericórdia o recebe.

Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantêm a fé, dão firmeza à devoção e perseverança
à virtude. São elas a oração, o jejum e a misericórdia. O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe. Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam
reciprocamente.

O jejum é a alma da oração e a misericórdia dá vida ao jejum. Ninguém queira separar estas três coisas, pois são inseparáveis. Quem pratica somente uma delas ou não pratica todas simultaneamente, é como se nada fizesse. Por conseguinte, quem ora também jejue; e quem jejua, pratique a misericórdia. Quem deseja ser atendido nas suas orações, atenda as súplicas de quem lhe pede; pois aquele que não fecha seus ouvidos às súplicas alheias, abre os ouvidos de Deus às suas próprias súplicas.

Quem jejua, pense no sentido do jejum; seja sensível à fome dos outros quem deseja que Deus seja sensível à sua; seja misericordioso quem espera alcançar misericórdia; quem pede compaixão, também se compadeça; quem quer ser ajudado, ajude os outros. Muito mal suplica quem nega aos outros aquilo que pede para si.

Homem, sê para ti mesmo a medida da misericórdia;deste modo alcançarás misericórdia como quiseres, quanto quiseres e com a rapidez que quiseres; basta que te compadeças dos outros com generosidade e presteza.

Peçamos, portanto, destas três virtudes – oração, jejum, misericórdia – uma única força mediadora junto de Deus em nosso favor; sejam para nós uma única defesa, uma única oração sob três formas distintas.

Reconquistemos pelo jejum o que perdemos por não saber apreciá-lo; imolemos nossas almas pelo jejum, pois nada melhor podemos oferecer a Deus como ensina o Profeta: Sacrifício agradável a Deus é um espírito penitente; Deus não despreza um coração arrependido e humilhado (cf. Sl 50,19).

Homem, oferece a Deus a tua alma, oferece a oblação do jejum, para que seja uma oferenda pura, um sacrifício santo, uma vítima viva que ao mesmo tempo permanece em ti e é oferecida a Deus. Quem não dá isto a Deus não tem desculpa, porque todos podem se oferecer a si mesmos.

Mas, para que esta oferta seja aceita por Deus, a misericórdia deve acompanhá-la; o jejum só dá frutos se for regado pela misericórdia, pois a aridez de misericórdia faz secar o jejum. O que a chuva é para a terra, é a misericórdia para o jejum. Por mais que cultive o coração, purifique o corpo, extirpe os maus costumes e semeie as virtudes, o que jejua não colherá frutos se não abrir as torrentes da misericórdia.

Tu que jejuas, não esqueças que fica em jejum o teu campo se jejua a tua misericórdia; pelo contrário, a liberalidade da tua misericórdia encherá de bens os teus celeiros. Portanto, ó homem, para que não venhas a perder por ter guardado para ti, distribui aos outros para que venhas a recolher; dá a ti mesmo, dando aos pobres, porque o que deixares de dar aos outros, também tu não o possuirás.

Dos Sermões de São Pedro Crisólogo, bispo (Sermo 43: PL 52,320.322)(Séc.IV)

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Legenda Perusiana 70-74.

[70]

No tempo em que ninguém era recebido na vida dos frades sem licença do bem-aventurado Francisco, veio com outros, que queriam entrar na Religião, o filho de um nobre segundo século, de Lucca ao bem-aventurado Francisco, que estava doente e permanecia no palácio do bispo de Assis. Quando os frades apresentaram-nos ao bem-aventurado Francisco, o filho do nobre se inclinou diante do bem-aventurado Francisco e começou a chorar fortemente, rogando que o recebesse.

O bem-aventurado Francisco, enxergando dentro dele, disse: “Ó homem miserável e carnal! Porque mentes ao Espírito Santo e a mim? Tu choras carnal e não espiritualmente”. Dito isso, imediatamente chegaram a cavalo seus parentes, fora do palácio, querendo pegá-lo para levar de volta para sua casa. Quando ouviu o rumor dos cavalos e olhou por uma janela do palácio, viu seus parentes, logo se levantou e saiu ao encontro deles, voltando com eles para o século, como tinha conhecido o bem-aventurado Francisco pelo Espírito Santo. Ficaram admirados os frades e outros que lá estavam, e engrandeceram e louvaram a Deus em seu santo.



[71]

Certa ocasião, quando estava muito doente no mesmo palácio, os frades rogavam e animavam para que comesse. Mas ele lhes disse: “Meus irmãos, não tenho vontade de comer, mas se tivesse um pouco do peixe que chamam de Lúcio, talvez eu comesse”. Quando acabou de dizer isso apareceu alguém trazendo uma cesta em que havia três grandes lúcios bem preparados e pratos de camarões, que o santo pai comia com gosto, e tinham sido enviados por Frei Geraldo, ministro de Rieti. Os frades ficaram muito admirados, considerando a sua santidade, e louvaram ao Senhor que satisfez seu servo com coisas que eles então não podiam proporcionar-lhe, principalmente porque era inverno e não podiam ter peixes daqueles.



[72]

Certa vez, o bem-aventurado Francisco ia com um frade espiritual de Assis, que era de uma família grande e poderosa. O bem-aventurado Francisco, como era um homem fraco e doente, montava num burrico. O frade, cansado da viagem, começou a pensar consigo, dizendo: “Não podiam comparar-se os parentes desse aí com os meus, mas agora ele vai montado e eu, cansado, tenho que ir atrás dele, tangendo o animal”. Assim que ele pensou isso, o bem-aventurado Francisco desceu do burrico, dizendo-lhe: “Irmão, não é certo nem conveniente que eu vá montado e tu vás a pé, porque foste mais poderoso e nobre do que eu no século”. E o frade, estupefato e envergonhado, lançou-se chorando aos seus pés e confessou seu pensamento, dizendo-se culpado por causa disso; e ficou muito admirado com a santidade dele, por conhecer imediatamente o seu pensamento. Quando os irmãos se apresentaram em Assis para rogar ao senhor papa e aos cardeais que canonizassem o bem-aventurado Francisco, o frade testemunhou isso diante do papa e dos cardeais.



[73]

Certo frade, homem espiritual e amigo de Deus, morava no lugar dos frades em Rieti. Um dia, levantando-se, foi com grande devoção ao eremitério dos frades em Grécio, onde morava nesse tempo o bem-aventurado Francisco, pelo desejo de vê-lo e de receber sua bênção. O bem-aventurado Francisco já tinha comido e tinha voltado à cela onde orava e dormia. Como era quaresma, não descia da clã a não ser na hora da refeição, e logo voltava para a cela. O frade ficou muito triste porque não o encontrou, pondo a culpa em seus pecados, principalmente porque teria que voltar naquele mesmo dia ao seu lugar.

Como os companheiros do bem-aventurado Francisco o consolassem e ele já estivesse afastado do lugar na distância de uma pedrada, para voltar a seu lugar, o bem-aventurado Francisco, por vontade do Senhor, saiu fora da cela, chamou um de seus companheiros, que ia com ele até a fonte do lago, e lhe disse: “Dize a esse frade que olhe para mim”. Quando voltou sua face para o bem-aventurado Francisco, este o abençoou fazendo um sinal da cruz. O frade, com alegria interior e exterior louvou o Senhor que cumpriu seu desejo e ficou ainda mais consolado porque considerou que foi por vontade de Deus que o abençoou sem ser por pedido seu ou pela palavra de outra pessoa.

Pois os companheiros do bem-aventurado Francisco e os outros frades do lugar ficaram admirados, achando que tinha sido um grande milagre, porque ninguém falou com o bem-aventurado Francisco sobre a vinda daquele frade; porque nem os companheiros do bem-aventurado Francisco nem nenhum outro frade ousava ir até ele e não os tivesse chamado; e não só lá, mas onde quer que o bem-aventurado Francisco ficava em oração, queria ficar tão afastado que ninguém fosse a ele sem ser chamado.



[74]

l Certa vez, um ministro dos frades foi ao bem-aventurado Francisco, que estava então no mesmo lugar. Para celebrar a festa do Natal do Senhor com ele. E aconteceu que, quando os frades do lugar estavam preparando uma mesa festiva no próprio dia do Natal por causa do ministro, com bonitas toalhas brancas que tinham adquirido e copos de vidro para beber, o bem-aventurado Francisco desceu da cela para comer. Quando viu a mesa elevada e tão curiosamente preparada, foi em segredo e levou o chapéu de um pobre, que lá chegara nesse mesmo dia, e o bastão que levava nas mãos. Chamou em voz baixa um de seus companheiros, e saiu fora da porta do eremitério, sem que soubessem os frades da casa. Nesse meio tempo, os frades entraram para a mesa, principalmente porque era costume do santo pai que, às vezes, quando não vinha logo na hora de comer, quando os frades queriam comer, queria que os frades entrassem para a mesa para comer. Seu companheiro fechou a porta, ficando perto dela do lado de dentro.

O bem-aventurado Francisco bateu à porta e o frade logo abriu-a para ele, que veio com o chapéu nas costas e o bastão na mão, como um peregrino. Quando chegou diante da porta da casa onde os frades comiam, clamou como um pobre, dizendo aos frades: “Por amor do Senhor Deus, daí uma esmola a este pobre peregrino e doente”. E o ministro e os outros frades conheceram-no imediatamente. E o ministro respondeu-lhe: “Irmão, nós somos igualmente pobres e, como somos muitos, temos necessidade das esmolas que comemos, mas, por amor daquele Senhor que invocaste, entra na casa que te daremos das esmolas que o Senhor nos deu”. Quando entrou e ficou em pé diante da mesa dos frades, o ministro deu-lhe a escudela em que comia e igualmente do seu pão. Tomando-a ele sentou no chão perto do fogo, diante dos frades que estavam sentados à mesa, no alto, e, suspirando, disse aos frades: “Quando vi a mesa preparada de maneira honrosa e rebuscada, achei que não era a mesa dos pobres religiosos, que vão todos os dias de porta em porta. Pois assim convém a nós, mais que aos outros religiosos, seguir o exemplo de humildade e pobreza, porque a isso fomos chamados e isso professamos diante de Deus e dos homens. Por isso, acho que agora estou sentado como um frade”. Os frades ficaram envergonhados com isso, pois consideraram que o bem-aventurado Francisco estava dizendo a verdade, e alguns deles começaram a chorar forte, vendo como estava sentado no chão e como quis corrigi-los tão santa e cuidadosamente.

Também dizia que os frades deviam ter mesas tão humildes e simples que, por isso, os seculares pudessem ficar edificados; e se algum pobre fosse convidado pelos frades, pudesse sentar-se com eles, não o pobre no chão e os frades lá em cima. Por isso o senhor papa Gregório, quando era bispo de Óstia e foi ao lugar dos frades em Santa Maria da Porciúncula, entrou na casa dos frades e foi ver o seu dormitório, que havia nessa casa, com muitos cavaleiros, monges e outros clérigos, que tinham vindo com ele. Quando viu que os frades dormiam no chão e não tinham por baixo a não ser um pouco de palha, sem travesseiro, com algumas cobertas pobrezinhas, rasgadas e gastas, começou a chorar muito diante de todos, dizendo: “Vejam aqui como dormem os frades; mas nós, miseráveis, usamos tantas coisas supérfluas para tudo. Que vai ser de nós?”. Pelo que ele e os outros ficaram muito edificados com isso. Não viu lá nenhuma mesa, porque os frades comiam no chão. E embora aquele lugar, desde o começo, quando foi edificado, fosse freqüentado por longo tempo pelos frades de toda a Religião mais do que qualquer outro lugar dos frades, porque todos os que vinham para a Religião eram ali revestidos, sempre os frades do lugar comiam no chão, fossem poucos ou muitos, e enquanto viveu o santo pai, por seu exemplo e vontade, os frades desse lugar sentavam-se no chão para comer.

Pois o bem-aventurado Francisco, vendo que aquele lugar dos frades em Grécio era simples e pobre, e que as pessoas daquele castro, embora pobrezinhas e simples, agradaram mais ao bem-aventurado Francisco entre os daquela província. Por isso descansava muitas vezes e ficava morando naquele lugar, principalmente porque ali havia uma cela pobrezinha, bem afastada, onde o santo pai ficava. Por isso, por seu exemplo e pela pregação dele e de seus frades, graças ao Senhor muitos deles entraram na Religião, muitas mulheres guardavam sua castidade, permanecendo em suas casas, vestidas do pano da Religião. Mas mesmo que cada uma ficasse em sua casa, vivia vida comum honestamente e afligia seu corpo com jejum e oração, de modo que, às pessoas e aos frades seu comportamento não parecia ser entre os seculares e seus parentes mas entre pessoas santas e religiosas que estivessem servindo Deus havia muito tempo, embora fossem muito jovens e simples.

Por isso o bem-aventurado Francisco falava muitas vezes com alegria entre os frades dos homens e mulheres desse castro: “De uma cidade grande não se converteram tantos para a penitência como em Grécio, que é um pequeno castro. Pois, muitas vezes, quando os frades estavam louvando a deus à tarde, como os frades costumavam fazer em muitos lugares naquele tempo, as pessoas daquele castro, grandes e pequenas, saíam para fora, ficavam em pé na rua na frente do castro, respondente aos frades em voz alta: “Louvado seja o Senhor Deus!”. De modo que mesmo as crianças que ainda não sabiam falar bem, quando viam os frades, louvavam o Senhor Deus como podiam. Mas tinham, nesse tempo, uma tribulação muito grande, que sofreram por muitos anos: porque grandes lobos devoravam as pessoas e o granizo devastava todos os anos seus campos e vinhas. Por isso, um dia que lhes estava pregando, o bem-aventurado Francisco disse: “Eu vos anuncio, para honra e louvor de deus que, se cada um de vós se emendar de seus pecados e se converter a Deus de todo coração, com o propósito e a vontade de perseverar, confio no Senhor Jesus Cristo que, por sua misericórdia, ele vai afastar agora de vós esta peste dos lobos e do granizo, que vós sofreste tanto tempo, e vai fazer com cresçais e vos multipliqueis nas coisas espirituais e nas temporais. Também vos anuncio que - que assim não seja - se voltardes ao vômito, essa praga e peste vai voltar sobre vós e com elas outras tribulações muito maiores”. E aconteceu que, pela graça de Deus e pelos méritos do santo pai, acabou toda tribulação desde aquela hora e daquele tempo. Até, o que é um grande milagre, quando o granizo chegava e devastava os campos de seus vizinhos, não tocava os seus campos, que estavam ao lado.

Desde então, começaram a multiplicar-se e ter abundância nas coisas espirituais e temporais por uns dezesseis ou vinte anos. Depois começaram a se ensoberbecer pela gordura, a se odiar uns aos outros e até a ferir-se com espadas até a morte, a matar animais ocultamente, a roubar e a furtar de noite, a fazer muitos outros males. Quando o Senhor observou que suas obras eram más e que não estavam observando o que lhes tinha sido anunciado pelo seu servo, indignou-se seu zelo sobre eles e afastou deles a mão de sua misericórdia. E voltou sobre eles a praga do granizo e dos lobos, como lhes dissera o santo pai, e muitas outras tribulações piores do que as antigas caíram sobre eles. Pois todo o castro foi queimado pelo fogo, e eles escaparam sozinhos, tendo perdido tudo que possuíam. Por isso, os frades e outros que tinham ouvido as palavras do santo pai, como lhes predissera condições prósperas e adversas, ficaram muito admirados de sua santidade, vendo tudo realizado à letra.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A Igreja não é uma ONG assistencial.


A IGREJA NÃO É UMA ONG ASSISTENCIAL

Arnaldo Xavier da Silveira

1] A Igreja não é uma ONG assistencial. Esse ensinamento singelo do Papa Francisco em seu primeiro dia como Sumo Pontífice evoca doutrinas riquíssimas sobre a Igreja, negadas pelos progressistas, mal interpretadas ou esquecidas por muitos católicos.

A Igreja, sociedade visível e perfeita

2] A Igreja militante é visível porque não é uma entidade meramente espiritual, pneumática, secreta, não é um mero agrupamento de pessoas que pensam do mesmo modo, nem um movimento unicamente de ideias, ou uma comunidade privada, mas existe visivelmente neste mundo, constituindo sociedade verdadeira.

3] E, como sociedade, a Igreja não é visível apenas no sentido físico, ótico, como entendem alguns. Com efeito, é verdade que ela existirá sempre nesta Terra, segundo as promessas de Nosso Senhor, ainda que com número reduzido de fieis, como no Cenáculo e, afirmam bons exegetas, no fim do mundo (Luc. 18, 8). Mas é visível também num sentido mais profundo, institucional, dado que tem estrutura jurídica, membros que a constituem, hierarquia formada por homens vivos, um chefe de todos conhecido, como as demais sociedades humanas.

4] A Igreja é sociedade perfeita, porque por si mesma tem todos os meios para atingir seus fins, conduzir os fieis à salvação eterna. É una e universal. Seu chefe é monarca por instituição divina, dotado de poderes tanto espirituais e de ordem, como jurisdicionais, legislativos e magisteriais. A Igreja é sociedade de direito público internacional, não sujeita a qualquer entidade humana. É soberana na ordem civil e política, como qualquer Estado moderno o é. Essa sua condição não lhe advém apenas do fato de ter o território da cidade do Vaticano, pois, ainda que não contasse com essa soberania territorial, teria, em princípio, pleno direito de ser tida como pessoa de direito público internacional, por força de sua origem divina como sociedade visível e perfeita.

5] Pio XII declara “que estão em grave erro os que arbitrariamente imaginam uma Igreja como que escondida e invisível”, acrescentando que “O Verbo de Deus assumiu a natureza humana passível, para que, uma vez fundada e consagrada com seu sangue a sociedade visível, o homem fosse, no dizer de Santo Tomás de Aquino, ‘reconduzido pelo governo visível às realidades invisíveis’ (De Ver. q. 29. a. 4. ad 3)” (Enc. Mystici Corporis, §“Ex iis, quae adhuc”).

6] Pio XII afirma ainda, reiterando ensinamento de Leão XIII, que a Igreja é “sociedade perfeita no seu gênero”, dotada de “elementos sociais e jurídicos” (ibidem, §“Recta igitur”). Reprova “o erro funesto dos que sonham uma Igreja quimérica, uma sociedade formada e alimentada pela caridade, à qual, com certo desprezo, opõem outra que chamam jurídica”. E, referindo o Concílio Vaticano I, Const. Dogm. De Ecclesia, acrescenta que o Divino Redentor “ordenou que a sociedade humana por ele fundada fosse perfeita no seu gênero, e dotada de todos os elementos jurídicos e sociais para perdurar na Terra a obra salutífera da Redenção” (ibidem, §“Quapropter funestum”).

A Realeza Social de Nosso Senhor

7] O ensinamento do Papa Francisco, de que a Igreja não é simples ONG assistencial, evoca ainda a doutrina da Realeza Social de Jesus Cristo. Deus não é Senhor apenas dos seres irracionais e do homem, mas também das sociedades e dos Estados, que igualmente lhe devem submissão, homenagem e culto. Daí advém a Realeza Social de Nosso Senhor, negada com furor pelo laicismo hoje dominante, como pelo modernismo de todas as latitudes. A partir da doutrina, em si mesma correta, de que em vista das circunstâncias pode ser tolerada uma sociedade que inadmita a realeza de Nosso Senhor, o liberalismo católico do século XIX, e depois o modernismo e o progressismo, passaram a negá-la de modo absoluto, em princípio como na prática. Essa negação radical tenderia a subtrair à Igreja sua característica de entidade de direito público entre as nações, em face dos particulares e em toda a vida social, o que inevitavelmente a levaria, com o tempo, à condição de mera ONG assistencial.

8] Pio XI, declarando que a Igreja é “a única dispensadora da salvação” (Enc. Quas Primas, AAS, vol. XVII, n. 15, §“Quas Primas”), indica que já o Concílio de Niceia (ano 325) afirmou “a dignidade real de Cristo” em sua fórmula de fé: “cujo reino não terá fim” (ibidem, §“At quicquid”). Acrescenta que “os homens não estão menos sujeitos à autoridade de Cristo em sua vida coletiva do que na vida individual. Cristo é fonte única de salvação para as nações como para os indivíduos” (ibidem, §“Verumtamen eiusmodi”). Declara, ainda, que “aos governos e à Magistratura incumbe a obrigação, bem assim como aos particulares, de prestar culto público a Cristo e sujeitar-se às suas leis” (ibidem, §“Civitates autem”). E cita as seguintes palavras de Leão XIII na Encíclica Annum sacrum: “seu império não abrange tão só as nações católicas ou os cristãos batizados, que juridicamente pertencem à Igreja, ainda quando dela separados por opiniões errôneas ou pelo cisma: estende-se igualmente e sem exceções aos homens todos, mesmo alheios à fé cristã, de modo que o império de Cristo Jesus abarca, em todo o rigor da verdade, o gênero humano inteiro” (ibidem, §“Verumtamen eiusmodi”).

A Igreja é fator de ordem e concórdia

9] Progressistas e laicistas extremados alegam com frequência que a defesa das prerrogativas da Santa Igreja como sociedade visível e perfeita, e do Reino Social de Nosso Senhor, seria elemento de discórdia e violência na ordem individual, como na ordem social. Daí concluem que é imperativo calar essas características da Igreja, que segundo eles, ademais, já não valeriam para o mundo moderno, relativista e religiosamente pluralista. Desconhecendo de todo o verdadeiro espírito católico, eles chegam ao erro primário de equiparar a doutrina católica tradicional ao chamado fundamentalismo muçulmano, cuja violência tem estarrecido o mundo em nossos dias. Ora, o que ensinam os Papas é que a verdadeira e autêntica ordem social cristã é, de si, o mais poderoso dos fatores de harmonia e paz que possam unir os homens e os povos.

10] É essa a lição da Encíclica Immortale Dei, de Leão XIII, numa passagem sobre a Idade Média, que se tornou célebre na doutrina social da Igreja: “Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados. Nessa época, a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil. Então a religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devido, em toda parte era florescente (...). Então o sacerdócio e o império estavam ligados entre si por uma feliz concórdia e pela permuta amistosa de bons ofícios. Organizada assim, a sociedade civil deu frutos superiores a toda expectativa, frutos cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer” (Acta Sanctae Sedis, 1885, vol. XVIII, p. 162/174).

11] Pio XI, na Encíclica Quas Primas, expõe os benefícios sociais que adviriam da aceitação da realeza social de Nosso Senhor, ressaltando “a concórdia e a paz” que resultariam da “consciência de seus membros do vínculo de fraternidade que os une”, levando à “esperança dessa paz que à Terra veio trazer o Rei Pacífico, esse rei que veio para reconciliar todas as coisas”. E prossegue dizendo que, “se os indivíduos, se as famílias, se a sociedade se deixassem reger por Cristo”, ocorreria o que prognosticava Leão XIII: “então retornaria a paz com todos os seus encantos e cairiam das mãos as armas e espadas” (Enc. Quas Primas, AAS, vol. XVII, §“Itaque, si quando”).

Conclusão: A bandeira no alto da cidadela

12] A bandeira da doutrina católica há de tremular sempre no topo da cidadela. Pode-se, sem dúvida, salientar, no fragor da batalha e com prudência, ora um de seus aspectos, ora outro; pode-se deixar de expor certa verdade durante tempo mais longo ou menos, mas não se pode aceitar que algum ponto da doutrina seja estável e sistematicamente omitido, por princípio ou por oportunismo. E as cores da bandeira não podem desbotar-se. Sem dúvida, há a hora de falar, e há a hora de calar. Mas, ao menos implicitamente, e ao longo do tempo explicitamente, a doutrina católica há de ser exposta em sua totalidade.

13] A profissão da fé é obrigação de todo católico. Da Revelação, não se suprima nem sequer um iota. Os princípios da Igreja como sociedade visível e perfeita, e do Reino Social de Nosso Senhor, são básicos na doutrina da Igreja. É inegociável o direito, e, conforme as circunstâncias, o dever, de proclamá-los. São princípios singelos e em outros tempos amplamente conhecidos. Hoje, contudo, de tal modo negados, subvertidos ou pelo menos esquecidos, urge proclamá-los, sob pena de se estar anunciando “outro Evangelho” (São Paulo, Gal. 1, 6).

14] Em defesa desses princípios maiores da Cristandade, invocamos a Rainha clemente, piedosa, doce, sempre Virgem, Maria.

FONTE: http://arnaldoxavierdasilveira.com/aigrejanaoong.html


quarta-feira, 10 de abril de 2013

Amor Afetivo (Emocional) x Amor Efetivo (Racional): Considerações Sobre o Falso Amor e o Amor Verdadeiro.


Mas o que seria amor saudável? O amor saudável é o amor racional. Esse post será bem didático. Vou utilizar o contraste entre amor racional e amor emocional.

A feminilização do amor!

A idéia de que o amor se concretiza no sexo é o resultado da nossa cultura sexualizada. Os filmes, os livros, os romances modernos colocam o sexo como o ápice do amor. Mas esses romances modernos apenas retratam o amor emocional.

Hoje está ocorrendo uma feminilização do amor. O amor que era racional está cada vez mais emocional. O amor moderno é feminino, porque é um amor emocional. Nesse amor emocional, o sexo está cada mais confundido com amor! O padrão amoroso dos filmes atuais é um padrão feminino, pois esse padrão confunde claramente o sexo com amor.

Apesar da mídia tentar manipular os homens com um padrão feminino de amor, muitos homens continuam separando amor do sexo, enquanto as mulheres confundem cada vez mais as duas coisas. A questão é: uma vez que as mulheres amam de maneira emocional, elas tornam incompatível o modelo racional, pois os dois modelos são mutuamente exclusivos. O modelo feminino acaba conquistando terreno através da monopolização progressiva.

A experiência midiática do amor emocional deseduca as mulheres totalmente. Elas valorizam os cafajestes cada vez mais, visto que elas confundem o desejo sexual dos cafajestes com amor. Quanto mais as mulheres amam de maneira emocional, mais elas confundem o amor com o sexo. Nesse sentido, elas acabam amando os homens pelos motivos errados e se afastam totalmente do amor verdadeiro e saudável.

O amor racional é moralmente saudável. O amor emocional é amoral.

O amor emocional não conhece moralidade. O termo técnico é amoralidade. Eu já disse que o amor emocional é imoral. Porém, isso é uma interpretação exagerada. A verdade é que o amor emocional é amoral. A amoralidade é sinônima de risco puro e imprudência. Quanto mais vivemos sob o signo do perigo, mais nos aproximamos de atos moralmente questionáveis. A moral saudável promove a paz e o equilíbrio, mas a moral nociva promove a imprudência, o risco e o perigo.

Você pode ser um relativista moral. Contudo, quem acha realmente que o perigo é uma coisa boa, provavelmente não pensa nisso num nível extremo. Não pense no risco como um risco controlado. O risco não é uma brincadeira, mas é uma situação de ameaça real. As pessoas não levam a sério as coisas enquanto elas não imaginam o pior. Mas a moral saudável não brinca com os limites do saudável. A moral saudável busca o equilíbrio e paz e não necessita de testes emocionais.

Agora vamos falar de amor. O amor emocional é amoral. Isso é fato. Porém, o risco da imoralidade é extremamente alto quando a amoralidade está em jogo. A razão disso é simples. A moral saudável exige controle contínuo. A paz e o equilíbrio também dependem de esforços. Na amoralidade, esse controle simplesmente não existe. Nesse caso, os efeitos morais das ações são pura loteria e o risco da imoralidade é severamente maior!

O amor emocional representa um risco altíssimo de imoralidade, justamente porque esse amor não respeita riscos. Esse amor brinca com os limites do saudável. Esse amor não aceita controle. Esse amor transgride o bom senso. Se o amor emocional sofre todas as oscilações ambientais possíveis, ele é facilmente corrompido.

Nosso mundo atual possui milhões de ideologias diferentes. O amor emocional é
facilmente manipulado por muitas dessas ideologias. A mulher que ama de maneira emocional segue a moralidade moldada pelo ambiente. Ela é um fantoche das ideologias dominantes do meio. Por outro lado, as emoções femininas podem contrariar qualquer ordem. Por isso, o amor emocional é perigoso até mesmo nos contextos de boa educação.

A amoralidade é inerente ao amor emocional! Mesmo que a mulher seja conduzida por boas ideologias, a amoralidade do amor emocional falsifica automaticamente o poder da educação. O amor emocional é anárquico. Ora, ele aceita qualquer tendência ideológica dominante, ora ele simplesmente desafia toda ordem! O que é fundamental, é que esse amor é loteria. Nesse caso, a loteria privilegia a imoralidade, pois a moralidade envolve controle, enquanto a imoralidade se beneficia da aleatoriedade.

O amor racional é saudável porque é consciente dos riscos. Ele respeita limites. Ele não testa emoções. Ele não desafia o bom senso. Ele aceita o controle, pois entende que o controle faz parte da paz e do equilíbrio. O amor racional possui referências certas. Ele não vive da aleatoriedade e do acaso.


O amor racional é duradouro. O amor emocional é efêmero!

Esse aspecto é uma conclusão imediata da crítica anterior. O amor racional é duradouro ustamente porque ele não sofre as oscilações do destino. O amor racional não sofre oscilações ideológicas, nem sofre oscilações emocionais. O equilíbrio e a paz que norteiam o amor racional o tornam sóbrio e eficaz.

O amor emocional sofre todas as oscilações ambientais possíveis. Além disso, esse amor vive da aleatoriedade e não conhece critério fixo. O amor emocional precisa experimentar milhares de coisas diferentes até decidir “definitivamente”. Porém, essa decisão nunca é acertada, pois esse amor é incapaz de diferenciar o que é verdadeiro do que é simplesmente emocional. O amor emocional padece do próprio vício e sucumbe à própria incapacidade de diagnóstico.

A mulher não consegue amar durante muito tempo, pois o amor dela é condicionado pela ilusão emocional. Enquanto o terreno das emoções permanece estável e agradável, o amor feminino prossegue. Porém, qualquer alteração ambiental perturba a ilusão emocional da mulher e isto converte automaticamente o amor em tédio contínuo. Então, a mulher procura outras emoções, como se estivesse jogando na loteria até achar o bilhete premiado.

O amor feminino dura enquanto durar os efeitos das emoções. Como esses efeitos são muito fracos e efêmeros nos dias atuais, o amor feminino acaba rapidamente, pois o combustível desse amor é a ilusão emocional. O amor emocional é marcado pela instabilidade perpétua. Esse amor é incapaz de estabilizar, pois o seu combustível é a instabilidade. A estabilidade do amor emocional é a manutenção das emoções fortes. A instabilidade do amor emocional é o enfraquecimento das emoções. Porém, as emoções femininas sempre enfraquecem, pois essas emoções precisam continuamente de novas tensões, visto que isso é necessário para manter as emoções num nível continuamente forte. Portanto, o amor emocional sempre padecerá do enfraquecimento emocional no seu ciclo.

O amor emocional sempre fracassará e ainda trará sofrimento e imoralidade consigo. Na medida em que o amor emocional perde a estabilidade, ele experimenta transgressões até encontrar vício nas emoções mais estranhas e esquisitas. Por isso, não é surpreendente que muitas mulheres terminem amando homens que as maltratam, pois os vícios emocionais delas as conduziram lentamente ao caminho “imoral”.

Na loucura de ultrapassar as fracas emoções efêmeras, muitas mulheres encontram no masoquismo amoroso, o vínculo quase perfeito do amor contínuo, pois fora desse extremo, elas não conseguem mais amar.

Reações fisiológicas são apenas reações fisiológicas!

Existem algumas reações que comprovam o amor. Mas cuidado, essa conclusão é falsa! Ainda que você acredite nisso fielmente, essa conclusão é falsa. Pense nisso como uma espécie de ilusão de ótica, ou ilusão reflexa. Ou simplesmente efeito do hábito.

Quando você fica nervoso perto de uma pessoa, isso não significa que você a ama. Essa reação é simplesmente uma reação como qualquer outra. Tendemos a interpretar tudo o que ocorre numa esfera fisiológica como reação afetiva. Mas uma reação emocional não quer dizer absolutamente nada. Taquicardia, falta de ar, tremores. Não confunda isso com amor! Isso é qualquer coisa, menos amor.

Isso é apenas reação fisiológica!

Quando você achar que está apaixonado por alguém, analise suas reações como elas realmente são: apenas reações fisiológicas. Não busque explicações sofisticadas, avançadas, médicas para isso. Pode até ser que exista algum fundamento científico, mas tudo está na sua cabeça. O terreno do amor é fundamentalmente projetivo. Você simplesmente interpretou de maneira totalmente supersticiosa, a taquicardia que você sente quando vê a foto de uma mulher, ou fica ao lado dela. Essa taquicardia é apenas taquicardia.

Para amar racionalmente é necessário superar o vício dos silogismos enganosos.
Vivemos amando com bases em superstições reflexas. Tudo é uma coincidência, ou no máximo efeito do hábito. Você tem as mesmas reações diante da mulher que supostamente você ama. Depois que isso acontece 3 vezes, você induz uma lei a partir dessas experiências. Porém, a conexão está apenas na sua cabeça.

Se você ama uma mulher porque tem tais reações fisiológicas perto dela, então você a ama por razões puramente emocionais. Seu amor é loucura. Na melhor das hipóteses, seu amor é uma doença. Enquanto a doença continua, você ama. No dia em que você estiver perto da mulher e não tiver mais essas reações, então o seu amor acabará automaticamente. Quem precisa sentir coisas para amar são as mulheres. São elas que são incapazes de amar sem doses altas de emoções alienadoras.

Emoções e reações fisiológicas são coisas alienantes. Enquanto confundimos o amor com isso, limitamos o amor a um conjunto de reações efêmeras e passageiras. O amor emocional é ilusão e superstição. O amor emocional é uma reação reflexa. O amor racional é totalmente diferente disso. No amor racional, a pessoa não precisa de ilusão.

Ela não precisa de superstição, reação fisiológica, ou reação reflexa. No amor racional, não existe a necessidade de criar um mundo fantasioso para camuflar a realidade.

Rápidas conclusões!

Esse post não é uma teoria, mas uma tentativa de teoria. Gostaria de esclarecer alguns pontos. O que nós chamamos de honra é algo que perde totalmente o significado no contexto emocional. As emoções não conhecem honra, pois as emoções são impregnadas de relativismo moral. A honra é determinada. A honra não suporta a variação moral das experiências emocionais.

A pessoa que ama por razões emocionais renuncia a honra, pois o amor dela é pura loteria e a honra não segue a aleatoriedade! Por outro lado, a honra não pode ser dissociada do que é saudável. A honra implica em equilíbrio e esse equilíbrio não pode ser alcançado no amor emocional.

Quando amamos segundo emoções, deixamos de lado uma vida saudável e priorizamos a loucura das superstições. Esse tipo de coisa alcança resultados catastróficos nos casos femininos, pois as mulheres viciadas em emoções fortes perdem totalmente o senso do ridículo. Assim, observamos a situação tosca das meninas de família que querem casar com promíscuos midiáticos que transaram com milhares de mulheres. A desonra dessas mulheres é tamanha, que elas sentem um forte glamour ao lado de homens que são conhecidos popularmente pelas suas perversões sexuais.

As mulheres atualmente distorceram totalmente o significado do amor, pois elas
confundiram o amor com uma loucura emocional que despreza qualquer critério moral saudável. Quanto mais as mulheres se alimentam dos produtos emocionais que a mídia vende, mais elas se afastam do que é saudável. Elas estão tão maravilhadas e hipnotizadas pelos vícios emocionais, que não suportam a existência fora desses vícios, tamanha é a alienação causada pelas “drogas” emocionais!

As mulheres que ainda têm jeito devem fugir dos vícios emocionais, pois esses vícios turvam a mente feminina e escravizam a mulher totalmente. Não podemos acreditar na felicidade ilusória das “drogadas”, pois elas estão tão embriagadas pelas emoções que não percebem o quanto estão destruídas.

Essas mulheres só contabilizaram os efeitos negativos das suas experiências, depois que os efeitos das “drogas” emocionais passam. Até lá, o estrago será grande.

FONTE: http://depaspalhoarealista.blogspot.com.br/2012/09/o-amor-saudavel.html?showComment=1365206065983#c7270960222876950419
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