sábado, 26 de janeiro de 2013

Marxismo cultural: compreendendo a decadência moral.

Marxismo Cultural: A estratégia primária da Esquerda Ocidental

O filósofo Marxista Antonio Gramsci postulou que aquilo que sustém uma sociedade são os pilares da sua cultura; as estruturas e as instituições do sistema educacional, a família, o sistema legal, os média e a religião, na medida em que providenciam a coesão social necessária para uma sociedade funcional e saudável. Transformando os princípios que estas instituições personificam, pode-se destruir a sociedade que eles moldaram. O seu pensamento seminal foi adoptado pelos radicais dos Anos 60, muitos deles, obviamente, pertencendo à geração que actualmente detém o poder no Ocidente.

Gramsci acreditava que a sociedade poderia ser subvertida se os valores que a sustém fossem transformados para a sua antítese: se os seus princípios cardinais fossem substituídos por aqueles mantidos pelos grupos que eram considerados estranhos ou aqueles que activamente transgrediam os códigos morais de tal sociedade. Devido a isto, ele propôs uma "longa marcha através das instituições" como forma de capturar as cidadelas da cultura e transformá-los numa Quinta Coluna colectiva, minando-a através do seu interior, transformando e subvertendo completamente os valores cardinais da sociedade.

Esta estratégia está a ser levada a cabo até ao ponto mais ínfimo. A família nuclear foi largamente destruida. A ilegitimidade deixou de ser um estigma e passou a ser um "direito". A trágica desvantagem das "famílias" sem uma figura paterna foi redefinida como uma neutra "escolha de vida". Isto é tanto assim que muitos afirmam agora que as crianças não precisam dum pai e duma mãe, mas sim do apoio dum adulto "se preocupa".

O sistema de ensino/educacional foi devastado; o seu princípio nuclear de transmitir uma cultura para as gerações sucessivas foi substituído pela ideia de que o que as crianças já sabiam era de valor superior a qualquer coisa que o adulto valorizava. A consequência desta política "centrada nas crianças" foi a propagação do analfabetismo e da ignorância, e uma capacidade limitada para o pensamento independente.

A agenda dos "direitos", também conhecida como "politicamente correcto", subverteu a moralidade ao desculpar os erros dos auto-designados "grupos-vítima", tendo como base a ideia de que as "vítimas" não podem ser responsabilizadas pelo que fazem. A Lei e a Ordem foram igualmente minadas, com os criminosos a serem caracterizados como pessoas muito para além do castigo uma vez que eram "vítimas" do que foi classificada como uma sociedade "injusta".

Devido a isto, as feministas radicais, os grupos "anti-racistas" e os militantes homossexuais transformaram os homens, os brancos e especialmente os Cristãos (como os proponentes primários dos valores basilares da civilização ocidental) em inimigos da decência. Uma estratégia ofensiva de neutralização foi criada como forma de manter os propagadores dos valores da civilização ocidental na defensiva, essencialmente caracterizando-os como "culpados até prova em contrário".

Esta forma de pensar revertida assenta na crença de que o mundo encontra-se dividido entre os poderosos - responsáveis por tudo que existe de mau - e os oprimidos - totalmente inocentes de qualquer mal. Isto é doutrina Marxista pura. Isto gerou a crença de que o sentimento nacional (nacionalismo) é a causa de muitos dos problemas no mundo, e, como consequência, instituições transnacionais como a União Europeia e a ONU, bem como as doutrinas que apoiam as leias internacionais em torno dos "Direitos Humanos", estão de modo incremental a passar por cima das leis e valores nacionais.

Estas instituições têm um compromisso com o relativismo moral e cultural, que coloca grupo contra grupo e garante um poder supremo e anti-democrático aos burocratas que não só estabelecem as regras da "diversidade", como tornam ilegal qualquer tipo de voz contrária às atitudes permitidas.

A doutrina do "oprimido e do opressor" é a grande mentira que muitos dentro das elites esquerdistas usam para justificar o seu apoio às formas de pensar totalmente divorciadas da realidade e da natureza humana em si. Fundamentalmente, a aquisição de poder encontra-se no âmago do sistema de crenças esquerdista, usando para isso os "soldados rasos" como os "verdadeiros crentes". (Stalin referiu-se a estes como "idiotas úteis".)

Fonte

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Uma vez que o propósito primário (único?) da elite esquerdista é a aquisição de poder absoluto, é bom lembrar aos militantes homossexuais e às feministas (idiotas úteis do esquerdismo) que se eles forem bem sucedidos nos seus planos de subversão cultural, todos nós (eles inclusive) seremos governados por um sistema político autoritário.

A tragédia dos idiotas úteis é que, como dizia Yuri Bezmenov, eles só se apercebem que estão do lado errado da moral e da decência quando a bota esquerdista se assenta de modo firme sobre os seus pescoços; a feminista só se vai aperceber que foi enganada quando vir o governo esquerdista a ignorar por completo muito do genuino sofrimento pelo qual muitas mulheres ocidentais atravessam, especialmente em países que deveriam ser "paraísos feministas" (Suécia ou Holanda).

Semelhantemente, os militantes homossexuais só se aperceberão que a sua integridade física toma um lugar subalterno (sempre que isso entra em rota de colisão com a agenda da esquerda política) quando situações como esta se tornarem lugar comum.

Tal como aconteceu com os idiotas úteis que foram descartados por todos os revolucionários mal estes conquistaram o poder total, vai ser irónico observar, num futuro cada vez mais próximo, as feministas e os activistas homossexuais a adoptarem um discurso mais conservador quando se mentalizarem que a sua luta pela "igualdade" foi um logro, e que eles mais não foram que peões descartáveis do jogo de xadrez político que teve como profetas importantes Karl Marx e os seus discípulos da Escola de Frankfurt.

Fonte: http://omarxismocultural.blogspot.com.br/2013/01/marxismo-cultural-estrategia-primaria.html

sábado, 19 de janeiro de 2013

Cuba: inferno na ilha-prisão.


CUBA, O INFERNO NO PARAÍSO.


A visão de Cuba pelo jornalista Juremir Machado da Silva

“O JORNALISTA JUREMIR, FEZ PARTE DA COMITIVA DO GOVERNADOR TARSO GENRO, QUE FOI A CUBA, AGORA NO MÊS DE OUTUBRO, 2012,OFERECER MÁQUINAS AGRÍCOLAS FABRICADAS NO RIO GRANDE DO SUL, FINANCIADAS PELO BNDES. JUREMIR É COLUNISTA DO JORNAL "CORREIO DO POVO" DE PORTO ALEGRE E ESCRITOR.ÀS VEZES,NÃO CONCORDO COM O CONTEÚDO DE SUAS CRÔNICAS, POIS,COMO ELE DIZ TER, OU MELHOR, TINHA,PENSAMENTO DE ESQUERDISTA.MAS FIQUEI SURPRESO COM SEU DIÁRIO DE VIAGEM À CUBA RETRATANDO A VERDADEIRA SITUAÇÃO DAQUELE COITADO POVO QUE VIVE DO FAZ-DE-CONTA QUE SE ALIMENTA, QUE TEM DIGNIDADE DE VIDA, QUE PODE VIAJAR, ETC., ENFIM O POVO CUBANO VIVE, COM TODOS OS SENTIDOS DO SER HUMANO, NUMA I L H A !!!!”

CUBA, O INFERNO NO PARAÍSO.

Juremir Machado da Silva


Correio do Povo, Porto Alegre (RS)

Na crônica da semana passada, tentei, pela milésima vez, aderir ao comunismo. Usei todos os chavões que conhecia para justificar o projeto cubano. Não deu certo. Depois de 11 dias na ilha de Fidel Castro, entreguei de novo os pontos.

O problema do socialismo é sempre o real. Está certo que as utopias são virtuais, o não-lugar, mas tanto problema com a realidade inviabiliza qualquer adesão. Volto chocado: Cuba é uma favela no paraíso caribenho.

Não fiquei trancado no mundo cinco estrelas do hotel Habana Libre. Fui para a rua. Vi, ouvi e me estarreci. Em 42 anos, Fidel construiu o inferno ao alcance de todos. Em Cuba, até os médicos são miseráveis. Ninguém pode queixar-se de discriminação. É ainda pior. Os cubanos gostam de uma fórmula cristalina: ‘Cuba tem 11 milhões de habitantes e 5 milhões de policiais’. Um policial pode ganhar até quatro vezes mais do que um médico, cujo salário anda em torno de 15 dólares mensais. José, professor de História, e Marcela, sua companheira, moram num cortiço, no Centro de Havana, com mais dez pessoas (em outros chega a 30). Não há mais água encanada. Calorosos e necessitados de tudo, querem ser ouvidos. José tem o dom da síntese: ‘Cuba é uma prisão, um cárcere especial. Aqui já se nasce prisioneiro. E a pena é perpétua. Não podemos viajar e somos vigiados em permanência. Tenho uma vida tripla: nas aulas, minto para os alunos. Faço a apologia da revolução. Fora, sei que vivo um pesadelo. Alívio é arranjar dólares com turistas’.

José e Marcela, Ariel e Julia, Paco e Adelaida, entre tantos com quem falamos,pedem tudo: sabão, roupas, livros, dinheiro, papel higiênico, absorventes. Como não podem entrar sozinhos nos hotéis de luxo que dominam Havana, quando convidados por turistas, não perdem tempo: enchem os bolsos de envelopes de açúcar. O sistema de livreta, pelo qual os cubanos recebem do governo uma espécie de cesta básica, garante comida para uma semana. Depois, cada um que se vire. Carne é um produto impensável.

José e Marcela, ainda assim, quiseram mostrar a casa e servir um almoço de domingo: arroz, feijão e alguns pedaços de fígado de boi. Uma festa. Culpa do embargo norte-americano? Resultado da queda do Leste Europeu? José não vacila: ‘Para quem tem dólares não há embargo. A crise do Leste trouxe um agravamento da situação econômica. Mas, se Cuba é uma ditadura, isso nada tem a ver com o bloqueio’.

Cuba tem quatro classes sociais: os altos funcionários do Estado, confortavelmente instalados em Miramar; os militares e os policiais; os empregados de hotel (que recebem gorjetas em dólar); e o povo. ‘Para ter um emprego num hotel é preciso ser filho de papai, ser protegido de um grande, ter influência’, explica Ricardo, engenheiro que virou mecânico e gostaria de ser mensageiro nos hotéis luxuosos de redes internacionais.

Certa noite, numa roda de novos amigos, brinco que,quando visito um país problemático, o regime cai logo depois da minha saída. Respondem em uníssono:

'Vamos te expulsar daqui agora mesmo’. Pergunto por que não se rebelam, não protestam, não matam Fidel? Explicam que foram educados para o medo, vivem num Estado totalitário, não têm um líder de oposição e não saberiam atacar com pedras, à moda palestina. Prometem, no embalo das piadas, substituir todas as fotos de Che Guevara espalhadas pela ilha por uma minha se eu assassinar Fidel para eles.

Quero explicações, definições, mais luz. Resumem: ‘Cuba é uma ditadura’. Peço demonstrações: ‘Aqui não existem eleições. A democracia participativa, direta, popular, é um fachada para a manipulação. Não temos campanhas eleitorais, só temos um partido, um jornal, dois canais de televisão, de propaganda, e, se fizéssemos um discurso em praça pública para criticar o governo, seríamos presos na hora’.

Ricardo Alarcón aparece na televisão para dizer que o sistema eleitoral de Cuba é o mais democrático do mundo. Os telespectadores riem: ‘É o braço direito da ditadura. O partido indica o candidato a delegado de um distrito; cabe aos moradores do lugar confirmá-lo; a partir daí, o povo não interfere em mais nada. Os delegados confirmam os deputados; estes, o Conselho de Estado; que consagra Fidel’. Mas e a educação e a saúde para todos? Ariel explica: ‘Temos alfabetização e profissionalização para todos, não educação. Somos formados para ler a versão oficial, não para a liberdade.

A educação só existe para a consciência crítica, à qual não temos direito. O sistema de saúde é bom e garante que vivamos mais tempo para a submissão’. José mostra-me as prostitutas, dá os preços e diz que ninguém as condena:’Estão ajudando as famílias a sobreviver’. Por uma de 15 anos, estudante e bonita, 80 dólares. Quatro velhas negras olham uma televisão em preto e branco, cuja imagem não se fixa. Tentam ver ‘Força de um Desejo’. Uma delas justifica: ‘Só temos a macumba (santería) e as novelas como alento. Fidel já nos tirou tudo.Tomara que nos deixe as novelas brasileiras’. Antes da partida, José exige que eu me comprometa a ter coragem de, ao chegar ao Brasil, contar a verdade que me ensinaram: em Cuba só há ‘rumvoltados’.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Legenda Perusina.

Compilação de Assis

ou “Legenda Perusina” ou “Legenda de Perusa”.

[1]

Por isso declarou que raramente se devia dar preceitos por obediência; e que não se devia lançar logo no começo o dardo, que devia ser o extremo. Dizia: "Não se deve pôr logo a mão na espada". Mas achava que aquele que não se apressava a obedecer o preceito da obediência não temia a Deus nem respeitava o homem. Não há nada mais verdadeiro do que essas coisas. Pois que é a autoridade para mandar em quem manda temerariamente se não uma espada na mão] de um furioso? E que há de mais desesperado que um religioso que despreza a obediência?

[2]

São Francisco dizia: "Tempo virá em que esta Religião amada por Deus vai ser difamada pelos maus exemplos, a ponto de ficar com vergonha de sair em público. Mas os que vierem nesse tempo para receber a ordem serão conduzidos unicamente pela ação do Espírito Santo e carne e sangue não lhes causarão mancha alguma: e serão verdadeiramente abençoados por Deus. E mesmo que não houvesse neles obras meritórias, pelo resfriamento da caridade, que faz os santos agirem com fervor, sobrevirão para eles tentações imensas; e os que nesse tempo se demonstrarem comprovados serão melhores do que seus predecessores. Mas ai daqueles que, aplaudindo-se só pela aparência de comportamento religioso, vão amolecer no ócio e não vão resistir constantemente às tentações que são permitidas para a provação dos eleitos; pois só os que forem provados receberão a coroa da vida: eles serão exercitados nesse meio tempo pela malícia dos réprobos.

[3]

Disse também: "Roguei ao Senhor que se dignasse mostrar-me quando sou seu servo e quando não sou. Pois não quero ser outra coisa, dizia, senão um servor seu. Mas então o próprio Senhor benigníssimo dignou-se responder-me: Saibas que és meu servo de verdade quando pensas, falas e pões em prática coisas santas. Foi por isso que vos chamei, irmãos, pois quero ficar com vergonha diante de vós se alguma vez não fizer nenhuma dessas três coisas".

[4]

Um dia, quando o bem-aventurado Francisco estava doente de cama no palácio do bispado de Assis, um frade espiritual e santo homem disse-lhe, brincando e rindo: ”Por quanto vendes todos os teus trapos ao Senhor? Muitos baldaquins e panos de seda vão ser colocados e vão cobrir esse teu corpo, que agora está vestido de saco”. Pois nesse tempo São Francisco, por causa da doença, tinha um gorro de pele, que estava coberto de saco, como a sua roupa de saco. O bem-aventurado Francisco respondeu - não ele mas o Espírito Santo por ele - dizendo com grande fervor de espírito e alegria: “Tu dizes a verdade, porque vai ser assim mesmo”.

[5]

Vendo o bem-aventurado Francisco que, enquanto estava naquele palácio, sua enfermidade se agravava cada dia mais, fez com que o levassem de maca para a igreja de Santa Maria da Porciúncula, pois não podia andar a cavalo pela gravidade de sua doença.

Quando os que o levavam passaram pela rua perto do hospital, disse-lhes que pusessem a maca no chão. E como quase não podia enxergar por causa da longa e grande enfermidade dos olhos, mandou virar a maca, para ficar com o rosto voltado para a cidade de Assis. Levantando-se um pouco em seu leito, abençoou a cidade de Assis dizendo: “Senhor, como creio que a cidade, no tempo antigo, foi lugar e morada de homens maus e iníquos, de má fama em todas as províncias, também vejo, por tua abundante misericórdia que, no tempo que te foi agradável, manifestaste nela a multidão das tuas bondades, para que fosse lugar e morada de pessoas que te conhecessem e dessem glória ao teu nome, com o odor da boa vida, da doutrina e da boa fama para todo o povo cristão. Por isso eu te rogo, Senhor Jesus Cristo, Pai das misericórdias, que não consideres a nossa ingratidão mas te lembres sempre da tua abundante misericórdia, que demonstraste para com ela, para que seja sempre o lugar e morada de pessoas que te conheçam e glorifiquem teu nome bendito e glorioso pelos séculos dos séculos. Amém”. E, tendo dito isso, foi levado para Santa Maria da Porciúncula.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Fioretti de São Francisco: capítulos 50, 51, 52, 53.

Capítulo 50
Como, dizendo missa em dia de finados,
Frei João do Alverne viu muitas almas libertadas do purgatório

Dizendo uma vez o dito Frei João a missa, no dia depois de Todos os Santos, por todas as almas dos mortos, conforme manda a Igreja, ofereceu com tanto afeto de caridade e com tanta piedade de compaixão aquele altíssimo sacramento; o qual pela sua eficácia as almas dos mortos desejam acima de todos os outros bens que por elas se possam fazer; que parecia todo ele se derreter pela doçura de piedade e de caridade fraterna. Pela qual coisa, naquela missa, levantando o corpo de Jesus Cristo e oferecendo-o a Deus Pai e rogando-lhe que, pelo amor do seu bendito filho Jesus Cristo, o qual, para resgatar as almas, fora dependurado na cruz, lhe aprouvesse libertar das penas do purgatório as almas dos mortos por ele criadas e resgatadas: imediatamente viu um número quase infinito de almas saírem do purgatório como inumeráveis faiscas de fogo que saíssem duma fogueira acesa, e viu subirem ao céu pelos méritos da paixão de Cristo, o qual todos os dias é oferecido pelos vivos e pelos mortos naquela sacratíssima hóstia digna de ser adorada in secula seculorum. Amém.

Capítulo 51
Do santo frade Tiago de Fallerone; e como, depois de morto,
apareceu a Frei João do Alverne

No tempo em que Frei Tiago de Fallerone, homem de grande santidade, estava gravemente enfermo no convento de Moliano, na custódia de Fermo, Frei João do Alverne, o qual vivia então no convento de Massa, sabendo de sua enfermidade, porque o amava como seu querido pai, pôs-se em oração por ele, pedindo devotamente a Deus com oração mental que ao dito Frei Tiago restituísse a saúde do corpo, se fosse melhor para sua alma. E estando nesta devota oração foi arrebatado em êxtase e viu no ar um grande exército de anjos e santos posto sobre a sua cela que era na floresta, com tanto esplendor, que toda a região circunvizinha estava iluminada.

E entre estes anjos viu Frei Tiago enfermo, por quem ele orava, envolto em cândidas vestes resplandecentes. Viu ainda entre eles o bem-aventurado Pai S. Francisco adornado dos sagrados estigmas de Cristo e de muita glória. Viu ainda e reconheceu a Frei Lúcido santo e a Frei Mateus, o antigo, do monte Rubiano, e mais outros frades, os quais nunca tinha visto nem conhecido nesta vida.

E olhando assim Frei João com grande satisfação aquele bendito cortejo de santos, foi-lhe revelado como certa a salvação da alma do dito frade enfermo e que daquela enfermidade devia morrer, mas não subitamente, e depois da morte devia ir ao paraíso, porque convinha um pouco purgar-se no purgatório Pela qual revelação Frei João teve tanta alegria pela salvação da alma, que da morte do corpo nada lastimava; mas com grande doçura de espírito o chamava em si mesmo dizendo: "Frei Tiago, doce pai meu; Frei Tiago, doce irmão meu; Frei Tiago, fidelíssimo servo e amigo de Deus; Frei Tiago, companheiro dos anjos e consócio dos bemaventurados"- E assim com esta certeza e gáudio tornou a si e logo partiu do convento e foi visitar o dito Frei Tiago em Moliano: e encontrando-o tão grave, que apenas podia falar, anunciou-lhe a morte do corpo e a salvação e a glória da alma, segundo a certeza que tinha pela divina revelação.

Pelo que Frei Tiago, todo alegre na alma e no semblante, o recebeu com grande letícia e riso venturoso, agradecendo-lhe a boa-nova que lhe trazia e a ele devotamente recomendando-se. Então Frei João lhe rogou instantemente que após morrer voltasse a ele para falar-lhe do seu estado; e Frei Tiago prometeu-lhe, se fosse da vontade de Deus. E ditas estas palavras, aproximando-se a hora do seu passamento, Frei Tiago começou a dizer devotamente aquele verso do Salmo: "Em paz na vida eterna adormecerei e repousarei".

E dito este verso, com venturosa e alegre face passou desta vida. E depois que ele foi enterrado, Frei João voltou ao convento de Massa e esperou a promessa de Frei Tiago de tornar a ele no dia que tinha dito. Mas orando no dito dia, apareceu-lhe Cristo com grande acompanhamento de anjos e santos, entre os quais não estava Frei Tiago. Pelo que Frei João, maravilhando-se muito, recomendou-o devotamente a Cristo. Depois, no dia seguinte, orando Frei João na floresta, apareceu-lhe Frei Tiago acompanhado daqueles anjos, todo glorioso e todo alegre, e disse-lhe Frei João: "Õ pai caríssimo, por que não voltaste a mim no dia em que me prometeste?" Respondeu Frei Tiago: "Porque tinha necessidade de alguma purgação; mas naquela mesma hora em que Cristo te apareceu e me recomendaste, Cristo te atendeu e me livrou de todas as penas.

E então eu apareci a Frei Tiago de Massa, leigo santo, o qual servia à missa e viu a hóstia consagrada, quando o padre a ergueu, convertida e mudada na forma de uma belíssima criança viva; e disse-lhe: 'Hoje com este menino me vou ao reino da vida eterna, ao qual ninguém pode ir sem ele"'.

E ditas estas palavras, Frei Tiago desapareceu e foi ao céu com toda aquela bemaventurada companhia de anjos, e Frei João ficou muito consolado. Morreu o dito Frei Tiago de Fallerone na vigília de S. Tiago apóstolo, no mês de julho, no sobredito convento de Moliano, no qual pelos seus méritos a divina bondade operou, depois de sua morte, muitos milagres.

Em louvor de Cristo. Amém.

Capítulo 52
Da visão de Frei João do Alverne, da qual conheceu toda a ordem da santa Trindade

O sobredito Frei João do Alverne, porque perfeitamente havia renunciado a todo deleite e consolação mundana e temporal, e em Deus havia posto todo o seu deleite e toda a sua esperança, a divina bondade lhe dera maravilhosas consolações e revelações, especialmente nas solenidades de Cristo.

Pelo que, aproximando-se uma vez a solenidade da Natividade de Cristo, na qual esperava de certo consolação pela doce humanidade de Jesus, o Espírito Santo pôs-lhe na alma tão grande e excessivo amor e fervor da caridade de Cristo, pela qual ele se tinha humilhado, tomando a nossa humanidade, que verdadeiramente lhe parecia ter sido tirada sua alma ao corpo e arder como uma fornalha. O qual ardor não podendo suportar se agoniava e se derretia inteiramente e gritava em altas vozes; porque, pelo ímpeto do Espírito Santo e pelo excessivo fervor do amor, ele não se podia conter de gritar.

E na hora em que aquele desmesurado fervor lhe vinha, com ele lhe vinha tão forte e certa a esperança de sua salvação, que por nada deste mundo acreditara que se então morresse devesse passar pelas penas do purgatório. E aquele amor lhe durou bem um meio ano, ainda que aquele excessivo fervor não fosse continuado, mas lhe viesse em certas horas do dia. E naquele tempo e depois recebeu maravilhosas e muitas visitas e consolações de Deus e muitas vezes foi arrebatado, como viu aquele frade o qual primeiramente escreveu estas coisas: entre as quais, uma noite ficou tão enlevado e arrebatado em Deus que viu nele, Criador, todas as coisas criadas e celestiais e terrenas com todas as suas perfeições e graus e ordens distintas.

E então conheceu claramente como cada coisa criada representava o seu Criador, e como Deus está sobre e dentro e fora e ao lado de todas as coisas criadas. E conheceu depois um Deus em três pessoas e três pessoas em um Deus, e a infinita caridade a qual fez o filho de Deus se encarnar, por obediência ao Pai.

E finalmente conheceu naquela visão como não há outra via pela qual a alma possa ir a Deus e ter a vida eterna, senão pelo Cristo bendito, o qual é caminho, verdade e vida da alma. Amém.

Capítulo 53
Como, dizendo a missa, Frei João do Alverne cai como se fosse morto

Ao dito Frei João no sobredito convento de Moliano, conforme contaram os frades que ai estavam presentes, sucedeu uma vez este caso admirável, que na primeira noite depois da oitava de S. Lourenço e dentro da Assunção de Nossa Senhora, tendo dito Matinas na igreja com os outros frades e sobrevindo nele a unção da divina graça, foi para o horto contemplar a paixão de Cristo e preparar-se com toda a devoção para celebrar a missa a qual lhe competia cantar pela manhã.

Estando na contemplação das palavras da consagração do corpo de Cristo e considerando a infinita caridade de Cristo pela qual quis não somente resgatar-nos com seu sangue precioso, mas ainda deixar-nos por cibo da nossa alma seu corpo e sangue digníssimo, começou-lhe a crescer com tanto fervor e tanta suavidade o amor do doce Jesus, que já não podia mais suportar sua alma outra doçura, mas gritava forte, e, como ébrio de espírito, não cessava de dizer consigo mesmo: "Hoc est corpus meum", porque, dizendo estas palavras, parecia-lhe ver Cristo bendito com a Virgem Maria e com uma multidão de anjos. E neste dizer o Espírito Santo esclarecia-lhe todos os profundos e altos mistérios daquele altíssimo sacramento. E aparecida que foi a aurora, ele entrou na igreja com aquele fervor de espírito, e com aquela ansiedade e com aquele dizer, sem pensar que fosse ouvido nem visto por ninguém; mas no coro estava um frade em oração, o qual via e ouvia tudo.

E não podendo naquele fervor conter-se pela abundância da divina graça, gritava em altas vozes; e assim esteve até à hora de dizer a missa; pelo que se foi preparar e subiu ao altar. E começando a missa, quanto mais prosseguia, tanto mais lhe crescia o amor de Cristo e aquele fervor da devoção com a qual lhe era dado um sentimento de Deus inefável, o qual ele mesmo não sabia nem podia depois exprimir com a lingua.

Pelo que, temendo que aquele fervor e sentimento de Deus crescesse tanto que lhe fosse preciso deixar a missa, ficou em grande perplexidade, e não sabia que partido tomar, se continuar a missa ou ficar esperando. Mas porque de outra vez lhe havia acontecido caso semelhante e o Senhor havia de tal modo temperado aquele fervor, que não lhe fora necessário deixar a missa, confiando poder assim fazer desta vez, com grande temor pôs-se a prosseguir a missa: e chegando ao Prefácio de Nossa Senhora, começou-lhe tanto a crescer a divina iluminação e a graciosa suavidade do amor de Deus, que chegando ao "Qui pridie", apenas podia suportar tanta suavidade e doçura.

Finalmente, chegando ao ato da consagração, e dita a metade das palavras sobre a hóstia, isto é, "Hoc est"; por maneira nenhuma podia ir além, mas sempre repetia essas mesmas palavras "Hoc est": e a razão por que não podia prosseguir era que sentia e via a presença de Cristo com uma multidão de anjos, cuja majestade ele não podia suportar: e via que Cristo não entraria na hóstia ou que a hóstia não se transubstanciaria no corpo de Cristo se ele não proferisse a outra metade das palavras, isto é, "corpus meum".

Pelo que estando nesta ansiedade e não podendo ir adiante, o guardião e os outros frades e também muitos seculares que estavam na igreja ouvindo a missa aproximaram-se do altar e ficaram espantados vendo e considerando os atos de Frei João e muitos dentre eles choravam por devoção.

Por fim, depois de grande espaço, isto é, quando prouve a Deus, Frei João proferiu "corpus meum" em altas vozes; e subitamente a forma do pão esvaneceu-se e na hóstia apareceu Jesus Cristo bendito coroado e glorificado; e mostrou-lhe a humildade e caridade a qual o fez encarnar-se na Virgem Maria, e a qual o faz cada dia vir às mãos do sacerdote quando consagra a hóstia, pela qual coisa foi ele mais elevado na doçura da contemplação. Pelo que tendo elevado a hóstia e o cálice consagrado, foi arrebatado e sendo sua alma suspensa dos sentimentos corporais, seu corpo caiu para trás; e se não fosse sustentado pelo guardião, o qual estava atrás dele, teria caldo de costas no chão. E assim correndo os frades e os seculares que estavam na igreja, homens e mulheres, ele foi levado para a sacristia como morto, porque seu corpo estava frio como o corpo de um morto e os dedos de suas mãos estavam contraídos tão fortemente que nem mesmo se podiam distender ou mover.

E deste modo jazeu desfalecido, ou antes arroubado, até à Terça, e era no verão. E porque eu, o qual estava presente, desejava muito saber o que Deus tinha operado nele, logo que voltou a si dirigi-me a ele e pedi-lhe pela caridade de Deus que me contasse tudo. E ele, porque se confiava muito em mim, narrou-me tudo por ordem; e entre outras coisas me disse que, consagrando o corpo e o sangue de Jesus Cristo e diante dele, seu coração estava líquido como uma cera muito mole e sua carne parecia não ter ossos, de tal modo que quase não podia levantar o braço nem a mão para fazer o sinal-da-cruz sobre a hóstia e sobre o cálice.

Disse-me ainda que antes de se fazer padre fora-lhe revelado por Deus que devia desmaiar na missa; mas porque já tinha 'dito muitas missas e aquilo não lhe acontecera, pensava que a revelação não tivesse sido de Deus.

Contudo, talvez cinqüenta dias antes da Assunção de Nossa Senhora, na qual o sobredito caso adviera, ainda lhe fora por Deus revelado que aquele caso lhe devia advir por volta da dita festa da Assunção; mas depois não se recordou da dita revelação. Amém.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Falta de pai produz criminosos e vadias (desmascarando o mito de que pobreza gera a criminalidade)..

Criminalidade e feminismo

Médico especializado em Psiquiatria do Adolescente pela Universidade de Paris XI
Ninguém nasce gostando de trabalhar. O gosto pelo trabalho só nasce depois que o adolescente é “obrigado” a trabalhar.  Mas, hoje, por causa da legislação de inspiração feminista (“contra os homens truculentos”), não se pode mais colocar os adolescentes para trabalhar.  Também não se pode mais corrigi-los, tudo em nome do feminismo “anti-macho-truculento” (“acho um absurdo aqueles pais, homens,  que batem nos filhos”). Então, por causa deste feminismo, não podemos mais corrigir os adolescentes truculentos ou preguiçosos (como  quase todo adolescente é durante determinada fase de sua vida ).
Só o trabalho, a obrigação, a ocupação, é capaz de corrigir os desvios de uma mente adolescente -  ou seja, uma mente que só quer “curtir”, festas, sexo, agitação, aventura, experimentar novas sensações,  gangues, “disputa por quem faz mais coisa errada”,  comportamento sem compromisso, sem respeito à hierarquia, etc.
Esta historiazinha feminista de que “esporte” corrige isto, capoeira, “discussão sobre sexo e drogas”, “diálogo com os pais”, etc, é pura balela. O que modifica , de facto, uma mente adolescente, é a obrigação de trabalhar ou ocupar-se com algo útil, obrigação de aceitar ordens, obedecer hierarquias, disciplinar seus impulsos agressivos, aventureiros, sexuais. 
Esta “obrigação” é contrabalanceada,  nas famílias saudáveis (que quase não existem mais ), pelo amor ao pai (outro cuja autoridade e presença é descartada na família feminista de hoje). É pelo “amor ao pai” que o adolescente aprende o “amor à autoridade”. Já as mulheres modernas de hoje, as feministas, trabalham o tempo todo para tirar esta “autoridade” do homem, julgando-a machista e truculenta.
As mães, de modo geral, não conseguem instalar este mecanismo “disciplinar-laboral” na mente do adolescente. No máximo, uma mãe diz : “meu filho, vá trabalhar, vá estudar”. Aí o adolescente retruca : “não vou não, mãe; não quero, não gosto”. E aí a mãe responde : “então tá; mas fica aqui em casa, não saia não, vá ver TV, vá jogar videogame”. A mãe não tem autoridade ou energia máscula para corrigir este adolescente; para ela, se ele ficar em casa, vendo TV e videogame já está bom demais.
O problema é que, diferentemente de sua mãe, o adolescente ou a adolescente gostam  mesmo é de rua, e aí a coisa degringola.  Já aquele que tem um pai amoroso e rígido, depois que é “forçado” a trabalhar, ocupar-se, começa a gostar, pois a maioria dos seres humanos têm um “instinto obsessivo” que os faz gostar de realizar coisas, construir, fazer coisas certinhas, ver o resultado do próprio trabalho, etc.
É um “instinto laboral” que nos faz, enquanto seres humanos, termos gosto pela realização própria. Mas só descobre isto quem é obrigado a trabalhar. Se a pessoa não é jogada no trabalho, nunca vai descobrir este “prazer de realizar”, prazer de ser útil, prazer de construir, prazer de fazer a diferença para algo ou para alguém.
Nossos adolescentes de hoje, premidos pelo feminismo, pela ideologia e pelas leis feministas, já não têm mais contacto com este tipo de prazer, pois são deixados a seu bel-prazer. Deixados por conta própria, só buscam o próprio prazer, e a busca do próprio prazer, além de ser destrutiva a médio prazo, é algo que não alimenta a alma e não gera a verdadeira felicidade.
Infelizes, lá no fundo, entram numa busca cada vez mais frenética e arriscada pelo prazer, pela aventura, mas nunca alcançarão a verdadeira paz e a verdadeira felicidade com isto.
Sem ter o que fazer, os adolescentes enveredam-se pelo crime e a sociedade, sem vislumbrar solução para isto, parte para a correção na base da bala (sabe que “consultórios de psicologia” não resolvem isto; sabe que “centros  e programas governamentais para o adolescente” não resolvem isto; sabe que “aulas de capoeira”, de sexo, de drogas,  não resolvem isto; sabe que “juízes de menores e assistentes sociais passando a mão na cabeça deles e dizendo : “não faça isto , é errado, é feio”, não resolve isto; sabem que este tal de Estatuto do Adolescente não resolve isto ).
Daí surgem os grupos de extermínio, aumento de homicídios, para “corrigir” a invasão de zumbis (drogados) e adolescentes criminosos para todo  lado.   
* * * * * * *
Uma comentadora feminista, provavelmente perturbada pelo facto da ciência psicológica mostrar que as crianças geradas segundo o modelo feminista são mais  susceptíveis de ter problemas sociais (tal como era suposto acontecer), deixou na caixa de comentários o tradicional rol de mentiras feministas que eu gostaria de comentar a seguir.
Para maior comodidade, aconselho que se leia o comentário dela por inteiro antes de avançar com as minhas respostas.


A resposta da Rosalmos23 é a típica resposta feminista a um problema sério e grave: a propositada destruição da família por parte das feminazis. Vejamos os seus "argumentos":
Um médico 'especializado' em psiquiatria do adolescente, que não tendo nada de útil, nenhuma proposta para a juventude se apoia na misoginia e no sexismo para denegrir o feminismo.
O texto diz: "Só o trabalho, a obrigação, a ocupação, é capaz de corrigir os desvios de uma mente adolescente". Se isto não é uma proposta útil, então o que é? E também não deixa de ser curioso que a Rosalmos23 coloque "especializado" entre parentes quando ele é mesmo isso que ela coloca entre parentes. Ou será que ele perde a sua autoridade profissional mal aponta o seu dedo profissional aos males sociais que o feminismo causa?
Segundo: pelo que se sabe, não é crime "denegrir o feminismo" portanto não se entende de que forma é que esta linha de pensamento invalida o que o profissional alega.
Terceiro: enumerar as consequências lógicas da agenda feminista não é "misoginia" (ódio às mulheres) e nem "sexismo" (seja lá o que isso for na cabeça da Rosalmos23). Associar o feminismo com as mulheres é análogo a confundir nazis com os alemães, ou os brancos com o KKK. Atacar o nazismo não é um ataque aos alemães, da mesma forma que atacar o KKK não é um ataque aos brancos, e atacar o feminismo não é atacar as mulheres.
Naturalmente o 'especialista' baliza seu modelo de psiquiatria do adolescente nos ultrapassados moldes hierárquico-patriarcal, onde a autoridade do homem deverá ser seguida por bem ou por mal.
Ele baseia-se na realidade empírica que uma família sem a figura paterna é mais susceptível de gerar filhos disfuncionais. Isto ou é verdade ou é mentira.




O Dr. Marcelo afirma que a figura paterna é importante para os filhos na medida em que uma má relação com ele (ou uma não-existente relação) torna a criança mais susceptível de olhar com desconfiança para outras figuras de autoridade. Como diz o Dr Marcelo, "É pelo “amor ao pai” que o adolescente aprende o “amor à autoridade”." Em lugar algum o Dr. Marcelo afirma que "a autoridade do homem deverá ser seguida por bem ou por mal".
E é claro, que justificar o seu modelo, a figura da mãe (da mulher) é apresentada como frágil e sem autoridade e o feminismo a causa de todos os males.
Não é que a mãe não tenha autoridade, mas sim que os adolescentes são mais susceptíveis de desobedecer às mães do que aos pais. A partir duma certa idade qualquer criança sabe que basta apelar às emoções e à chantagem emocional para obter da mãe aquilo que não conseque obter do pai. Isto não é "fraqueza" ou "fragilidade" da mãe, mas sim 1) a percepção que o adolescente tem da mãe e do pai, e 2) a natural empatia das mães pelos filhos que lhes tornam menos dispostas a discipliná-los.
mas Mães vem criando filhos sózinhas por esse mundo afora e tem formado cidadãos de bem.
Até 1996, 70 por cento dos presos nos centros de detenção juvenis estatais cumprindo sentenças de longo prazo haviam sido criados por mães solteiras. Setenta por cento dos nascimentos entre adolescentes, evasão escolar, suicídios, fuga de casa, delinqüência juvenil e assassinatos de crianças envolvem filhos criados por mães solteiras. Meninas criadas sem pais são mais sexualmente promíscuas e têm mais probabilidade de acabar se divorciando.
Um estudo de 1990 do Instituto de Políticas Progressistas, de linha esquerdista, mostrou que, depois de avaliar o factor das mães solteiras, desaparecia a diferença criminal entre brancos e negros.
Vários estudos apresentam números levemente diferentes, mas todos os cálculos são alarmantes. Um estudo citado na revista ultra-esquerdista Village Voice revelou que crianças criadas em lares de mães solteiras “têm probabilidade cinco vezes maior de cometer suicídio, nove vezes maior de abandonar o colégio, 10 vezes maior de usar drogas, 14 vezes maior de cometer estupro (para os meninos), 20 vezes maior de acabar na prisão e 32 vezes maior de fugir de casa”.
Com mais crianças nascendo, fugindo de casa, abandonando o colégio e cometendo assassinatos anualmente, estamos analisando um problema que não pára de aumentar. Mas, por mais que calculemos os números, a situação das mães solteiras é uma bomba nuclear na sociedade.
Muitos desses estudos, por exemplo, são da década de 1990, quando a percentagem de adolescentes criados por mães solteiras era mais baixa do que é hoje. Em 1990, 28 por cento das crianças abaixo de 18 anos estavam sendo criadas em lares onde havia só a mãe ou só o pai, quer divorciados ou nunca casados. Já em 2005, mais de um terço de todos os bebês nascidos nos EUA eram ilegítimos.
Isso representa imensos problemas sociais que ainda vão explodir com o tempo.

A tradicional resposta feminista à estes factos é pegar num exemplo da sua vida pessoal, onde uma mãe solteira conseguiu educar uma ou mais crianças de modo que estas se tenham tornado cidadãos produtivos dentro da sociedade (graças a Deus), e extrapolar isso para o resto do  mundo. O que as Rosalmos23 deste mundo não entendem é que os exemplos das suas vidas pessoais, embora válidos para elas, são irrelevantes para o grande esquema social.
Para se ver o ridículo do argumento "ah, mas eu conheço uma pessoa que..", veja-se a seguinte alegação: se eu disser que a classe média de Lisboa está a passar por dificuldades económicas devido às medidas de austeridade, será que este argumento é falsificado se alguém responder "eu conheço alguém da classe média de Lisboa que não está a passar dificuldade"?
Do mesmo modo, mesmo que a Rosalmos23 conheça 100 pessoas que tenham sido educadas por uma mãe solteira, e que posteriormente se tenham tornado indivíduos sem problemas emocionais ou problemas com a lei, isso não invalida o argumento base: crianças que crescem sem uma figura paterna são mais susceptíveis de ter problemas legais, sociais e psicológicos.
Famílias patriarcais tem criado filhos e muitos deles se desviam do caminho do bem.
Ninguém alegou que todas as famílias onde existe uma figura paterna geram filhos com uma forma de pensar normal e aconselhável (a evidência disso é o facto de muitas feministas terem sido educadas dentro duma família natural, mas pensarem as asneiras que pensam). A alegação do Dr Marcelo é que a falta duma figura paterna aumenta as probabilidades dos adolescentes de envolverem em actividades criminosas.
Nem as mães, nem as mulheres e nem o feminismo são culpados pela violência
Sem dúvida que o feminismo é responsável pelo aumento da violência visto que o feminismo promove a dissolução das famílias (remoção da figura paterna), o que aumenta a probabilidade dos adolescentes se envolverem em actividades marginais:
"A família nuclear tem que ser destruída . . . Qualquer que seja o significado final, a destruição da família é agora um processo revolucionário objectivo." Linda Gordon

"Não vamos conseguir destruir as desigualdades entre os homens e as mulheres enquanto não destruirmos o casamento." Robin Morgan

"De modo a que as crianças possam ser educadas com igualdade, temos que retirá-las das suas famílias e educá-las comunitariamente" (Dr. Mary Jo Bane, feminista e professora-assistente de educação na Wellesley College, e directora-adjunta do Center for Research on Woman da escola)
"O casamento tem existido para o benefício do homem; e tem sido também um método legalmente sancionado de controle das mulheres . . . . Temos que trabalhar para destruir-lo [o casamento]  . . . O fim da instituição do casamento é condição necessária para a emancipação das mulheres. Devido a isso, é importante encorajarmos as mulheres a abandonar os maridos e a evitar viver com homens . . . . Toda a história tem que ser re-escrita em termos de opressão das mulheres. Temos que regressar às antigas religiões femininas como a feitiçaria." ("The Declaration of Feminism," Novembro, 1971).
Mais do que qualquer outro factor individual, virtualmente todas as patologias pessoais e sociais podem ser rastreadas até a ausência dum pai ["fatherlessness"]: crime violento, consumo de substâncias, filhos fora do casamento, evasão escolar, suicídio e muito mais.

A orfandade paterna supera em muito a pobreza e a etnia como o predictor de desvio social
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A consequência de 3 décadas de divórcio incontrolável é a existência dum grande número de pessoas - muitas delas oficiais do governo - com interesse profissional e financeiro em encorajá-lo. Hoje em dia o divórcio não é um fenómeno, mas um regime - um enorme império burocrático que permeia os governos nacionais e locais, com parasitas no sector privado.

Qualquer que seja a devoção que eles possam vocalizar em torno do sofrimento dos órfãos de pai, dos pobres e das crianças violentas, o facto é que estes practicantes têm um forte interesse em criar o maior número possível destas crianças. A forma de fazer isto é retirar o pai de casa. . . Enquanto o pai estiver com a família, os profissionais do divórcio não ganham nada. Mal o pai é eliminado, o Estado ocupa o seu lugar como o protector e o provedor.

Ou seja, o movimento feminista é usado pelo aparelho de Estado para destruir a família, de modo a que a mesma entidade que financia o feminismo possa ocupar o papel paterno dentro da família, e "resolver" os problemas que ele mesmo criou. O feminismo é portanto co-responsável pelo aumento da criminalidade e delinquência.
isso é uma análise frívola das verdadeiras causas: o capitalismo selvagem,
Não sei o que é o "capitalismo selvagem", mas provavelmente deve ser a nova versão de "capitalismo", consequência directa das actividades esquerdistas levadas a cabo nos últimos 30/40 anos. Essencialmente, o que aconteceu é que os esquerdistas aperceberam-se que nunca conseguiriam destruir o capitalismo - por diversas razões, uma delas sendo o facto deste estar fortemente impregnado e estabelecido no mundo ocidental. Incapazes de destruí-lo, os esquerdistas infiltraram-se dentro do sistema e perverteram-no a partir do seu interior. Este novo "capitalismo" tornou-se, de facto, selvagem, desumano, violento e brutal. O que os esquerdistas não aceitam é que este novo capitalismo seja invenção sua.
a corrupção das classes dominantes
Rockefeller? George Soros? Ford Foundation? A família Rothschild? Bilderberg? Certamente que esta feminista nunca citará nenhuma destas organizações como "classe dominante corrupta" porque muitos deles são firmes apoiantes da agenda feminista.
Representantes da Igreja Católica afirmaram recentemente perante o governo que organizações estrangeiras com uma agenda aborcionista estão a pressionar os países sul-americanos de modo a que estes possam legalizar a práctica mortífera. Numa iniciativa inspirada na agenda de controle populacional da Fundação Rockefeller, e em outras organizações abastadas, o Senado está a considerar uma proposta de lei que visa eliminar as penais criminais impostas sobre o aborto. Uma representante da "Family and Life Ministry" da "Uruguayan Episcopal Conference", Gabriela Lopez, afirmou o seguinte perante o comité senatorial em torno da Saúde Pública:
Hoje em dia, muito poucas pessoas continuam na ignorância em torno da existência de interesses internacionais que visam impor o aborto nos países. Existem fundações internacionais por trás destas pressões - tais como a Fundação Rockefeller, a Fundação Ford, a Fundação MacArthur e muitas outras . . . que olham para o crescimento populacional como um problema de segurança.
A raiva feminista contra a "corrupção das classes dominates" é uma raiva selectiva; só é válida para os grandes grupos ou as grandes correntes sociais que não se alinham com a agenda marxista cultural.
a cultura de violencia
Como esta?
e do individualismo nas mídias, o sucesso a qualquer preço, a impunidade na justiça, o culto à 'lei de gerson' e etc, são os males que afligem esse mundo fundado nos valores patriarcais de autoridade, hierarquia, domínio, poder, discriminação, violencia que ainda hoje são os valores que a sociedade segue.
Resumindo, os responsáveis pela destruição da família não são as pessoas que têm dinheiro e autoridade estatal para fazer isso mesmo (feministas), mas sim o  "mundo fundado nos valores patriarcais de autoridade, hierarquia, domínio, poder", etc.  O problema, obviamente, é que se as famílias fossem de facto patriarcais, hierárquicas e onde houvesse autoridade paterna, este texto nem deveria existir visto não ocorreriam os problemas que originaram as palavras do Dr Marcelo.
Portanto, seguindo a Rosalmos23, os responsáveis pela remoção da figura paterna das famílias, e consequente aumento da criminalidade, são as instituições que lutam pela presença da figura paterna dentro das família. O feminismo, que abertamente milita para a destruição da família ("A família nuclear tem que ser destruída" Linda Gordon - Feminista) não pode ser de maneira nenhuma responsabilizado por aquilo que fez e diz que quer fazer.
Isto é clássico pensamento feminista: não assumir a responsabilidade pelas suas acções.
O feminismo questiona isso e luta pelos direitos das mulheres e por uma sociedade mais justa para todos.
Este argumento é também um argumento clássico entre as feministas. Logicamente falando, ninguém são e honesto quer lutar contra a "justiça" (dentro daquilo que as pessoas normais qualificam de "justiça"). Todos nós queremos que as pessoas sejam tratadas de forma justa e honesta. Conhecedoras desta forma de pensar presente na maioria das pessoas, as feministas usam este argumento ad nauseum sempre que alguém mais informado começa a listar os vários incidentes históricos onde as feministas agiram de forma que contradiz a sua alegada busca pela igualdade.
Essencialmente, o que elas querem é definir à priori que "feminismo" = "igualdade" ou "feminismo" = "justiça, e desde logo, invalidar as feministas que abertamente lutam pela supremacia feminina. Isto, obviamente, é análogo ao argumento do genuíno escocês, aludido por Antony Flew:
Imaginem Hamish McDonald, um escocês, sentado a ler o seu Glasgow Morning Herald onde ele vê um artigo que diz "Maníaco Sexual de Brighton Volta a Atacar." Hamish fica chocado e declara que "Nenhum escocês faria uma coisa destas." No dia seguinte ele encontra-se mais uma vez a ler o Glasgow Morning Herald e desta vez depara-se com um artigo em torno dum homem de Aberdeen [Escócia] cujas acções brutais fazem com que os actos do maníaco sexual Brighton pareçam cavalheirescas. Isto demonstra que Hamish estava errado na sua opinião, mas será que ele o admitirá? Nem por isso. Desta vez ele diz "Nenhum genuíno escocês faria tal coisa." [Fonte]
O problema para a Rosalmos23 é que o mundo já tem informação suficiente para saber que o feminismo não luta pela "igualdade" ou pela "justiça" mas - entre outras coisas - para separar a mulher das consequências dos seus actos. As feministas não querem igualdade; as feministas querem tratamento preferencial sempre que possível (por virtude de serem mulheres), e igualdade quando lhes interessa. 
Nenhuma feminista luta pela igualdade no dinheiro investido nas doenças que afectam cada um dos sexos porque isso não lhe interessa. (Nota: a Medicina investa muito mais dinheiro na pesquisa das doenças que afectam exclusivamente as mulheres do que naquelas que afectam exclusivamente os homens. Isto, note-se, numa sociedade "feita para os homens").
Semelhantemente, nenhuma feminista luta para que sejam criadas quotas universitárias de modo a que o número de homens e mulheres seja proporcional à sua presença na sociedade uma vez que elas estão perfeitamente satisfeitas com o facto das universidades terem mais mulheres que homens (e todos sabemos o porquê disso ocorrer).
Por fim, e em mais um exemplo claro de que as feministas não querem igualdade mas sim supremacia e tratamento preferencial, nós temos informação de que existem grupos feministas que lutam para um tratamento prisional distinto para as mulheres.
Culpar o feminismo ( e em última análise, as mães, as mulheres)
Feminismo = movimento politico criado como arma de dessestabilização social.
Mulher = condição biológica inata moralmente neutra.
Mãe = aquela que tem filhos
Das três, em lado algum vimos o Dr Marcelo a culpar as últimas duas; todos os seus argumentos dirigiram-se exclusivamente ao movimento politico com o nome de feminismo.
Culpar o feminismo ( e em última análise, as mães, as mulheres) pela sociedade violenta, individualista em que vivemos só demonstra que o machismo está vivo e tem seus defensores entre aqueles que deveriam trabalhar pela saúde mental dos jovens
Ou seja, segundo esta feminista, quando o Dr Marcelo revela que a falta duma figura paterna - algo que o feminismo quer - aumenta a probabilidade dos adolescentes se envolverem em problemas com a lei, isso não é "trabalhar pela saúde mental dos jovens". Para a Rosalmos23, é perfeitametne aceitável identificar as causas das criminalidade juvenil, desde que essas causas não estejam minimamente relacionadas com o feminismo.
Aparentemente, só é "trabalhar pela saúde mental dos jovens" quando as causas da delinquência juvenil podem ser - de alguma forma ou outra - associadas aos "valores patriarcais de autoridade, hierarquia, domínio, poder, discriminação, violencia que ainda hoje são os valores que a sociedade segue."
mas só conseguem enxergar as mulheres e mulheres feministas como culpadas por esse estado de coisas e não conseguem analisar a situação da sociedade de maneira isenta
Mas foi exactamente isso que o Dr Marcelo fez: ele identificou o problema (criminalidade) e listou uma causa provável (ausência da figura paterna). Depois disso, ele fez ligação entre a ausência do pai e as ideologias que abertamente militam para a remoção do pai da família. A análise do Dr Marcelo não só está correcta, como está de acordo com o que outros pesquisadores de outros países já apuraram: crianças que crescem sem uma figura paterna são mais susceptíveis de se envolverem em problemas com a lei.
Outra coisa a levar em conta é o entendimento do termo "isenta"; dentro do feminismo, por "isenta" entenda-se "de forma que não culpe as feministas". Segundo se sabe, quem culpa as feministas de algo (mesmo que se cite uma feminisita para demonstrar a veracidade dessa alegação) não está a ser "isento".
apenas procura um culpado e esse 'culpado' é claro, para os machistas, são as mães e as feministas.
Não são só os machistas que identificam o feminismo (e não as mães) como uma das causas do aumento da criminalidade; são vários estudos sociais levados a cabo por todo o mundo.
O feminismo nunca matou ninguem, o machismo mata todo dia.
Será?


Conclusão:

A resposta histérica da Rosalmos23 é a resposta clássica das feministas. Ela não oferece qualquer tipo de refutação aos argumentos do Dr Marcelo mas em lugar disso usa a tradicional histeria do "machismo" e do "patriarcado" para silenciar as vozes que criticam o feminismo.

O Dr Marcelo tem toda a razão no que diz: verdadeiramente, a ausência duma figura paterna pode ser o factor com mais peso no desenvolvimento emocional das crianças. Jovens rapazes que crescem sem uma figura paterna são mais susceptíveis de se envolver em actividades criminosas.

Sabendo-se disto, e como o feminismo tem sido bem sucedido na destruição da familia natural, é perfeitamente lógico associar o feminismo com o aumento dos homicídios.

As feministas podem não gostar das conclusões, mas elas não tem como disputar os factos.
 
FONTE: 
 http://omarxismocultural.blogspot.com.br/2013/01/criminalidade-e-feminismo.html#comment-form

Fioretti de São Francisco: capítulos 46, 47, 48, 49.


Capítulo 46
Como Frei Pacífico, estando em oração, viu a alma de Frei Humilde, seu irmão, subir ao céu

Na dita província da Marca, depois da morte de S. Francisco, entraram dois irmãos na Ordem; um teve por nome Frei Humilde e o outro Frei Pacífico, os quais foram homens de grandíssima santidade e perfeição.

E um, isto é, Frei Humilde, estava no convento de Soffiano e ali morreu; o outro estava de família em um convento assaz afastado dele. Como prouve a Deus, Frei Pacífico, estando um dia em oração num lugar solitário, foi arrebatado em êxtase e viu a alma do seu irmão Frei Humilde subir diretamente ao céu, sem demora nem impedimento, na mesma hora em que deixava o corpo - Sucedeu que, depois de muitos anos, este Frei Pacífico foi posto em família no dito convento de Soffiano, onde seu irmão tinha morrido.

Nesse tempo os frades, a pedido dos senhores de Brunforte, mudaram o convento para um outro lugar; pelo que, entre outras coisas trasladaram as relíquias dos santos frades que haviam morrido naquele convento. E chegando à sepultura de Frei Humilde, o seu irmão Frei Pacífico retirou-lhe os ossos e lavou-os com bom vinho e depois os envolveu numa toalha branca, e com grande reverência e devoção os beijava e chorava: por isso os outros frades se maravilharam e não recebiam bom exemplo: porque, sendo ele homem de grande santidade, parecia que, por amor sensual e secular, chorava seu irmão, e que maior devoção mostrava por estas relíquias, do que pelas dos outros frades que tinham sido de não menos santidade do que Frei Humilde, e eram dignas de reverência como as dele.

E conhecendo Frei Pacífico a sinistra imaginação dos frades, os satisfez humildemente e lhes disse: "Irmãos meus caríssimos, não vos admireis de que tivesse feito com os 0S.S.0S. do meu irmão o que não fiz com os dos outros; porque, bendito seja Deus, não se trata, como credes, de amor carnal, mas isso fiz porque, quando meu irmão passou desta vida, orando eu em um lugar deserto e afastado, vi sua alma pelo caminho certo subir ao céu; e portanto estou certo de que seus 0S.S.0S. são santos e ele deve estar no paraíso. E se Deus me tivesse concedido tanta certeza dos outros frades, a mesma reverência renderia aos 0S.S.0S. deles".

Pela qual coisa os frades, vendo-lhe a santa e devota intenção, ficaram bem edificados com ele e louvaram a Deus, o qual faz assim coisas maravilhosas aos santos frades seus.

Em louvor de Cristo. Amém.

Capítulo 47
Daquele santo frade ao qual a mãe de Cristo apareceu,
quando estava enfermo, e lhe trouxe três caixas de eletuário

No sobredito convento de Soffiano viveu antigamente um frade menor de tão grande santidade e graça, que parecia todo divino e freqüentes vezes ficava arrebatado em Deus.

Estando certa vez este frade todo absorto em Deus e enlevado; porque tinha notavelmente a graça da contemplação, vinham ter com ele passarinhos de diversas espécies e domesticamente pousavam-lhe nas espáduas e na cabeça, nos braços e nas mãos e cantavam maravilhosamente. Era ele solitário e raras vezes falava; mas quando lhe perguntavam alguma coisa, respondia tão graciosamente e tão sabiamente, que mais parecia anjo do que homem e era de grandíssima oração e contemplação, e os frades o tinham em grande reverência.

Acabando este frade o curso de sua vida virtuosa, segundo a disposição divina enfermou de morte, de modo que nenhuma coisa podia tomar, e com isto não queria receber nenhuma medicina carnal, mas toda a sua confiança era no médico celestial Jesus Cristo bendito e na sua bendita Mãe; da qual ele mereceu pela divina demência de ser misericordiosamente visitado e consolado. Pelo que, estando uma vez no leito e dispondo-se à morte com todo o coração e com toda a devoção, apareceu-lhe a gloriosa Virgem Maria, mãe de Cristo, com grandíssima multidão de anjos e de santas virgens com maravilhoso esplendor e se aproximou do seu leito: e ele, olhando-a, recebeu grandíssimo conforto e alegria quanto à alma e quanto ao corpo; e começou a pedir-lhe humildemente que ela pedisse ao seu dileto filho para que, pelos seus méritos, o tirasse da prisão da mísera carne.

E perseverando neste pedido com muitas lágrimas, a Virgem Maria respondeu-lhe, chamando-lhe pelo nome, e disse-lhe: "Não duvides, filho, porque tua oração foi atendida, e eu vim para confortar-te um pouco, antes de te partires desta vida". Estavam ao lado da Virgem Maria três santas virgens, as quais traziam nas mãos três caixas de eletuário de desmesurado odor e suavidade.

Então a Virgem gloriosa tomou e abriu uma daquelas caixas e toda a casa ficou cheia de odor: e tomando com uma colher daquele eletuário o deu ao enfermo: o qual, tão depressa o saboreou, sentiu tanto conforto e tanta doçura que sua alma parecia não poder mais ficar no corpo; pelo que começou a dizer: "Não mais, 6 Santíssima Mãe, Virgem bendita, (S. médica bendita e salvadora da humana geração, não mais; porque eu não posso suportar tanta suavidade". Mas a piedosa e benigna Mãe, apresentando outra vez daquele eletuário ao enfermo e fazendo-o tomar, esvaziou toda a caixa.

Depois, vazia a primeira caixa, a Virgem bendita toma a segunda e nela pôs a colher para dar-lhe, pelo que ele docemente se queixava, dizendo: "Ó Beatíssima Mãe de Deus, se minha alma quase toda está liqüefeita pelo ardor e a suavidade do primeiro eletuário, como poderei eu suportar o segundo? Peço-te, bendita sobre todos os santos e sobre todo S.0S. anjos, que não me queiras dar mais". Respondeu Nossa Senhora: "Saboreia, filho, ainda um pouco dessa segunda caixa".

E dandolhe um pouco, disse-lhe: "Hoje, filho, tomaste tanto, que já chega. Conforta-te, filho, que depressa virei por ti e levar-te-ei ao reino de meu filho, ao qual tu sempre buscaste e desejaste". E dito isto, separando-se dele, partiu, e ele ficou tão consolado e confortado pela doçura daquele confeito , que por muitos dias sobreviveu saciado e forte, sem nenhum alimento corporal.

E depois de alguns dias, alegremente falando com os frades, com grande letícia e júbilo, passou dessa vida mísera à vida bem-aventurada. Amém.

Capítulo 48
Como Frei Tiago de Massa viu todos os frades menores do mundo na visão de uma árvore,
e conheceu as virtudes e os méritos e os vícios de cada um

Frei Tiago de Massa, ao qual Deus abriu a porta dos seus segredos e deu perfeita ciência e inteligência da divina Escritura e das coisas futuras, foi de tanta santidade, que Frei Egídio de Assis e Frei Marcos de Montino e Frei Junípero e Frei Lúcido diziam dele que não conheciam ninguém no mundo maior para com Deus.

Tive grande desejo de vê-lo, porque, pedindo eu a Frei João, companheiro do dito Frei Egídio, que me expusesse certas coisas do espírito, ele me disse: "Se quiseres ser informado na vida espiritual, procura falar com Frei Tiago de Massa: pois Frei Egídio mesmo desejava ser iluminado por ele e às suas palavras nada se pode ajuntar nem tirar; porque sua mente penetrou nos segredos celestes e suas palavras são palavras do Espírito Santo, e não há homem sobre a terra a quem eu tanto deseje ver". Este Frei Tiago, no principio do ministério de Frei João de Parma, rezando uma vez, foi arrebatado em Deus e esteve três dias arroubado neste êxtase, alheio a todo sentimento corporal, e esteve tão insensível, que os frades não duvidaram de que estivesse morto.

E nesse arroubamento foi-lhe revelado por Deus o que devia haver e acontecer em torno da nossa religião: pela qual coisa, quando a ouvi, me cresceu o desejo de vê-lo e de falar com ele. E quando foi Deus servido que eu tivesse ocasião de falar-lhe, supliquei assim: "Se é verdade o que ouvi de ti, peço-te que não mo ocultes. Ouvi que quando estiveste três dias como morto, entre outras coisas que Deus te revelou, houve o que deve acontecer nesta nossa religião. E isto disse o dito Frei Mateus, ministro da Marca, ao qual tu por obediência o revelaste".

Então Frei Tiago com grande humildade confessou que o que Frei Mateus dizia era verdade. E o seu dizer, isto é, do dito Frei Mateus, ministro da Marca, era o seguinte: "Eu sei de um frade ao qual Deus revelou tudo que há de suceder em nossa religião; porque Frei Tiago de Massa mo manifestou e disse que, depois de muitas coisas que Deus lhe revelara do estado da Igreja militante, viu em visão uma árvore bela e muito grande, cujas raízes eram de ouro, seus frutos eram homens e todos frades menores.

Seus ramos principais eram distintos segundo o número das províncias da Ordem, e cada ramo tinha tantos frades quantos os da província marcada no ramo: e então ele soube do número de todos os frades da Ordem e de cada província, e ainda o nome, a idade e as condições e os ofícios e os graus e a dignidade e as graças e as culpas de todos.

E viu Frei João de Parma no mais alto ponto do ramo do meio desta árvore; e no extremo dos ramos que estavam em torno deste ramo do meio estavam os ministros de todas as províncias. E depois disto viu Cristo assentar-se num trono grandíssimo e cândido, o qual Cristo chamava S. Francisco e dava-lhe um cálice cheio de espírito de vida, e ordenava-lhe, dizendo: 'Vai e visita teus frades e dá-lhes de beber deste cálice do espírito de vida, porque o espírito de Satanás se levantará contra eles e os combaterá e muitos deles cairão e não se levantarão'.

E deu Cristo a S. Francisco dois anjos para acompanhá-lo. E então veio S. Francisco apresentar o cálice da vida aos seus frades, e começou a apresentá-lo a Frei João de Parma, o qual tomando-o bebeu-o todo depressa e devotamente, e subitamente tornou-se todo luminoso como o sol. E depois dele sucessivamente S. Francisco apresentou-o a todos os outros: e poucos eram os que o bebiam todo.

Aqueles que o tomavam devotamente e o bebiam todo, subitamente tornavam-se esplendentes como o sol; e aqueles que o derramavam todo, e o não tomavam com devoção, tornavam-se negros e escuros e deformados e horríveis de ver-se; e aqueles que em parte bebiam e em parte o entornavam, tornavam-se parcialmente luminosos e parcialmente tenebrosos, e mais ou menos conforme a quantidade que bebiam ou derramavam. Mais acima de todos os outros o dito Frei João resplandecia, o qual mais completamente havia bebido o cálice da vida, pelo qual ele tinha contemplado profundamente o abismo da infinita luz divina, e nela tinha conhecido a adversidade e a tempestade que se deviam levantar contra a dita árvore e agitar e comover os seus ramos.

Pela qual coisa o dito Frei João partiu de cima do ramo no qual estava; e descendo abaixo de todos os ramos se ocultou na base do tronco da árvore e ficou pensativo. E Frei Boaventura, o qual havia bebido parte do cálice e parte derramado, subiu para aquele ramo e para o lugar de onde tinha descido Frei João. E estando no dito lugar tornaram-se-lhe as unhas das mãos unhas de ferro agudas e cortantes como navalhas: pelo que deixou o lugar para onde havia subido, e com ímpeto de furor queria lançar-se contra o dito Frei João para o ferir. Mas Frei João, vendo isto, gritou com força e recomendou-se a Cristo, o qual se assentava no trono; e Cristo ao grito dele chamou S. Francisco e deu-lhe uma pederneira afiada e disse-lhe: 'Vai com esta pedra e corta as unhas de Frei Boaventura, com as quais ele quer arranhar Frei João, para que não o possa ofender'.

Então S. Francisco foi e fez como Cristo tinha mandado. E feito isto, veio uma tempestade de vento e sacudiu a árvore tão fortemente que os frades caíram no chão, e primeiramente caíram os que tinham derramado o cálice da vida, e eram carregados pelos demônios para lugares tenebrosos e penosos.

Mas Frei João juntamente com os outros que tinham bebido todo o cálice, foi transladado pelos anjos para um lugar de vida e de lume eterno e de esplendor beatifico. E o dito Frei Tiago, que via a visão, entendia e discernia particularmente e distintamente o que via, quanto aos nomes, condições e estados de cada um claramente. E tanto durou aquela tempestade contra o arvore, que ela caiu e o vento a levou.

E Imediatamente depois que cessou a tempestade, das raízes desta árvore, que eram de ouro, nasceu outra árvore que era toda de ouro, a qual produziu folhas e flores e frutos dourados. Da qual árvore e do seu desenvolvimento, profundidade, beleza e ardor e virtude, melhor é calar do que dizer no presente".

Em louvor de Cristo. Amém.

Capítulo 49
Como Cristo apareceu a Frei João do Alverne

Entre os outros sábios e santos frades e filhos de S. Francisco, os quais, segundo o dito de Salomão, são a glória do pai, existiu no nosso tempo na dita província dá Marca o venerável santo Frei João de Fermo, o qual pelo longo tempo em que viveu no santo convento do Alverne e dali passou desta vida, era por isso chamado Frei João do Alverne; porque foi homem de singular vida e de grande santidade. Este Frei João, sendo menino de escola, desejara com todo o coração a via da penitência a qual mantém a mundícia do corpo e da alma; pelo que, sendo menino bem pequeno, começou a trazer o cilício de malha e o circulo de ferro na carne nua e a fazer grande abstinência, e especialmente quando viveu com os cônegos de S. Pedro de Fermo, os quais passavam esplendidamente.

Ele fugia das delicias corporais e macerava o corpo com grande rigidez de abstinência. Mas, havendo entre os companheiros muitos que eram contra isto, os quais lhe tiravam o cilicio, e a sua abstinência por diversos modos impediam, ele, inspirado por Deus, pensou de deixar o mundo com os seus amadores, e de oferecer-se todo nos braços do Crucificado com o hábito do crucificado S. Francisco, e assim o fez. Sendo, pois, recebido na Ordem tão criança e entregue aos cuidados do mestre de noviços, tornou-se tão espiritual e devoto, que às vezes ouvindo o dito mestre falar de Deus, o coração dele se derretia como a cera perto do fogo; e com tão grande suavidade de graça se aquecia no amor divino que ele, não podendo estar firme e suportar tanta suavidade, se levantava e como ébrio de espírito punha-se a correr ora pelo horto, ora pela floresta, ora pela igreja, conforme a flama e o ímpeto do espírito o impeliam.

Com o correr do tempo a divina graça continuamente fez este homem angélico crescer de virtude em virtude e em dons celestiais e divinas elevações e arroubamentos; tanto que de algumas vezes sua mente era erguida a esplendores de querubins, de outras vezes a ardores de serafins, de outras vezes a gáudio dos bem-aventurados, de outras vezes a amorosos e excessivos abraços de Cristo, não somente por gostos espirituais internos, mas também por expressivos sinais exteriores e gostos corporais. E singularmente uma vez por modo excessivo inflamou o seu coração a chama do amor divino, e nele durou esta chama bem três anos; no qual tempo ele recebia maravilhosas consolações e visitas divinas e freqüentes vezes era arrebatado em Deus; e, brevemente, no dito tempo ele parecia todo inflamado e inclinado no amor de Cristo: e isto aconteceu no monte santo do Alverne.

Mas porque Deus tem singular cuidado com seus filhos, dando-lhes, conforme a diferença dos tempos, ora consolação, ora tribulação, ora prosperidade, ora adversidade, como vê que as precisam para se manterem na humildade, ou para lhes acender o desejo das coisas celestiais; aprouve à divina bondade depois de três anos retirar do dito Frei João este raio e esta flama do divino amor, e privou-o de toda consolação espiritual: pelo que Frei João ficou sem lume e sem amor de Deus, e todo desconsolado e aflito e dolorido. Pela qual coisa ele tão agoniado andava pela floresta vagando por aqui e por ali, chamando com vozes e lágrimas e suspiros o dileto esposo de sua alma, o qual se havia escondido e dele se partira, sem cuja presença sua alma não achava trégua nem repouso. Mas em nenhum lugar, nem de maneira nenhuma ele podia encontrar o doce Jesus, nem readquirir aqueles suavíssimos gostos espirituais do amor de Cristo a que estava acostumado.

E durou-lhe esta tribulação por muitos dias, durante os quais perseverou em contínuo chorar e suspirar, pedindo a Deus que lhe restituísse por sua piedade o dileto esposo de sua alma. Por fim, quando aprouve a Deus ter provado bastante a paciência dele e inflamado o seu desejo, um dia em que o dito Frei João andava pela dita floresta assim aflito e atribulado pelo cansaço, se assentou, encostando-se a uma faia, e estava com a face toda banhada de lágrimas a olhar para o céu; e eis que subitamente apareceu Jesus Cristo perto dele no atalho pelo qual Frei João tinha vindo, mas nada disse.

Vendo-o Frei João e reconhecendo bem que ele era Cristo, subitamente se lhe lançou aos pés e com desmesurado pranto rogava-lhe humilíssimamente e dizia: "Socorre-me, Senhor meu, que sem ti, Salvador meu dulcíssimo, fico em trevas e em lágrimas; sem ti, cordeiro mansíssimo, estou em agonia e em pena e com pavor; sem ti, filho de Deus altíssimo, estou confuso e envergonhado; sem ti estou despojado de todos os bens e cego, porque tu és Jesus Cristo, verdadeira luz da alma; sem ti estou perdido e danado, porque és a vida da alma e vida da vida; sem ti sou estéril e árido, porque és a fonte de todos os dons e de todas as graças; sem ti estou de todo desconsolado, porque és Jesus nossa redenção, amor e desejo, pão reconfortante e vinho que alegra os coros dos anjos e os corações de todos os santos.

Alumia-me, mestre graciosíssimo e pastor piedosíssimo, porque sou tua ovelhinha, bem que indigna seja". Mas porque o desejo dos santos homens, ao qual Deus tarda de atender, os abrasa em mais alto amor e mérito, Cristo bendito se parte sem ouvi-lo e sem falar-lhe nada e desapareceu pelo dito atalho. Então Frei João se levantou e corre atrás dele e novamente se lhe lança aos pés, e com santa importunidade o retém e com devotíssimas lágrimas roga, e diz: "Ó Jesus Cristo dulcíssimo, tem misericórdia de mim o atribulado, atende-me pela multidão de tua misericórdia e pela verdade da tua salvação, restitui-me a letícia da face tua e do teu piedoso olhar, porque de tua misericórdia é plena toda a terra".

E Cristo ainda se parte e faz como a mãe ao filho quando o deixa gritar pelo peito e faz que venha atrás dela chorando a fim de que ele mame com mais vontade. Pelo que Frei João com mais fervor ainda e desejo seguiu a Cristo; e chegando que foi a ele, Cristo bendito voltou-se e olhou-o com o semblante alegre e gracioso; e abrindo os seus santíssimos e misericordiosos braços, abraçou-o dulcissimamente: e naquele abrir de braços viu Frei João sair do sacratíssimo peito do Salvador raios de luz esplendentes, os quais Iluminavam toda a floresta como também a ele na alma e no corpo. Então Frei João se ajoelhou aos pés de Cristo; e Jesus bendito, como fez à Madalena, lhe deu o pé benignamente a beijar; e Frei João, tomando-o com suma reverência, banhou-o de tantas lágrimas que verdadeiramente parecia uma outra Madalena, e dizia devotamente: "Peço-te, Senhor meu, que não olhes os meus pecados; mas pela tua santíssima paixão e pela efusão do teu santíssimo sangue precioso, ressuscita minha alma à graça do teu amor; como é teu mandamento, que te amemos com todo o coração e com todo o afeto; o qual mandamento ninguém pode cumprir sem a tua ajuda.

Ajuda-me, pois, amantíssimo filho de Deus, para que te ame com todo o meu coração e todas as minhas forças". E estando assim Frei João neste falar aos pés de Cristo, foi por ele atendido e recuperou a primeira graça, isto é, a da flama do amor divino, e todo sentiu-se consolado e renovado: e conhecendo que o dom da divina graça tinha voltado, começou a agradecer ao Cristo bendito e a beijar-lhe devotamente os pés.

E depois erguendo-se para o ver de face, Jesus Cristo lhe estendeu e deu-lhe as santíssimas mãos a beijar; e beijadas que foram, Frei João se aproximou o encostou-se ao peito de Jesus e abraçou-o e beijou-o, e Cristo semelhantemente beijou-o e abraçou-o. E neste abraçar e neste beijar Frei João sentiu tanto olor divino que, se todas as especiarias e todas as coisas odoríferas do mundo estivessem reunidas, teriam parecido um aroma vil em comparação daquele olor.

E com isso Frei João foi arrebatado e consolado e iluminado, e duroulhe aquele odor na alma muitos meses. E dora em diante de sua boca, abeberada na fonte da divina sapiência no sagrado peito do Salvador, saíam palavras maravilhosas e celestiais as quais mudavam os corações de quem o ouvia e faziam grandes frutos nas almas. E no atalho da floresta, no qual estiveram os benditos pés de Cristo, e por grande distância em torno, Frei João sentia aquele olor e via aquele esplendor sempre quando ia ali muito tempo depois, Voltando a si Frei João após aquele rapto, e desaparecida a presença corporal de Cristo, ficou tão ilurninado na alma pelo abismo de sua divindade, que, ainda não sendo homem letrado por humano estudo, no entanto maravilhosamente resolvia e explicava as sutilíssimas questões da Trindade divina, e os profundos mistérios dá santa Escritura.

E muitas vezes depois, falando diante do papa e dos cardeais, de reis e barões e mestres e doutores, os punha a todos em grande estupor pelas altas palavras e profundas sentenças que dizia.

Em louvor de Cristo. Amém.
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