sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Ao papa Eugenio, Da Consideração (1149-1152) Livro II São Bernardo de Claraval

Ao papa Eugenio, Da Consideração (1149-1152)
Livro II
São Bernardo de Claraval (1090-1153)
Trad.: Prof. Dr. Ricardo da Costa (Ufes)




Livro II – Apologia dos desastres hierosolimitanos

I.1. Não esqueci a promessa que te fiz, boníssimo papa Eugenio. [102] Já faz tempo que me sinto teu devedor, e desejo satisfazer-te, ainda que seja tarde. Pois me envergonharia desta dilação se minha consciência incorresse em incúria ou desconsideração, mas não é assim. Como bem sabes, aconteceram recentemente tais desastres que cheguei a pensar que podiam cessar todas as minhas afeições, e até minha vida, como se o Senhor, provocado por nossos pecados e esquecendo-Se de Sua misericórdia, tivesse determinado julgar com inteira eqüidade todo o orbe terrestre antes do tempo. [103].

Ele não perdoou Seu povo [411] [104], nem Seu nome. Por que os gentios não dizem agora “Onde está teu Deus”? [105] Não é de estranhar se disserem. Pois os filhos da Igreja, os que se gloriavam de serem cristãos, estão prostrados no deserto [106], abatidos pelo gládio [107], ou consumidos pela fome. [108]

Ele lançou o desprezo sobre os príncipes, os fez errar em descaminhos, não no caminho. [109] Contrição e infelicidade encontraram sua via [110]. Pavor, aflição e confusão penetraram até no aposento real. [111] Quanta confusão para os que anunciam a paz e para os que anunciam a boa nova! [112] Dizemos “paz”, mas não há paz [113]; prometemos o bem, mas há turvação. [114] Como se em nossos projetos tenhamos sido temerariamente levianos. [115] Contudo, dei-me plenamente, não incertamente [116], e porque me ordenaste, ou melhor, Deus, por meio de ti.

Por que jejuamos e Ele não nos olhou, humilhamos nossas almas e Ele nos ignorou? [117] E, apesar disso, Ele não aplaca Seu furor, e Sua mão continua estendida. [118] Com paciência, Ele escuta as vozes sacrílegas e blasfemas dos egípcios, que ainda dizem “com má intenção os tirou para fazê-los morrer no deserto”. [119] Contudo, quem pode ignorar que a Justiça do Senhor é verdadeira? [120] Essa justiça é um abismo tão profundo [121] que posso ter como um beato a quem não fique escandalizado com o Senhor. [122]

2. Além disso, não seria uma grande temeridade humana atrever-se a repreender o que escapa inteiramente à nossa compreensão? Recordemos Seus antigos juízos [123], que são seculares [124], para nos consolarmos fortemente. [125] Na verdade, assim alguém disse: “Relembrando teus juízos seculares, Senhor, fiquei consolado”.

Vou recordar coisas que ninguém ignora, mas que parece que todos esquecem. Pois assim é o coração dos mortais: o que sabemos quando não necessitamos sabê-lo, esquecemos quando necessitamos. Quando Moisés retirou seu povo da terra egípcia, prometeu uma terra melhor. [126] Caso contrário, será que seu povo, tão apegado àquela terra, o teria seguido?

Sim, ele os retirou [412], mas não os introduziu na terra que prometeu. [127] Contudo, ninguém pode imputar à temeridade daquele guia um desenlace tão triste e inesperado, pois tudo ele fazia por ordem do Senhor, com a cooperação direta do Senhor, que confirmava com sinais que o acompanhavam. [128]

Mas tu dirás: “Aquele povo era teimoso e contencioso [129], sempre contra o Senhor [130] e contra seu servo Moisés”. De acordo: eram uns incrédulos e rebeldes. E nós? [131] Pergunte a eles. [132] Porque eu devo dizer isso se eles mesmos o estão confessando? Digo a mim mesmo: como podiam seguir adiante os que sempre se voltavam em seu deambulatório? [133] Ao longo de sua peregrinação não houve um momento em que seu coração não se voltasse para o Egito. [134] Se caíram e pereceram por sua iniqüidade [135], podemos estranhar agora que sofram o mesmo desastre quem lhes imitou em seus passos? Será que as adversidades que eles padeceram põem em juízo as promessas de Deus? [136] Não, tampouco agora, pois as promessas de Deus nunca criam conflito com Sua justiça. E escuta outra coisa.

3. Pecou a tribo de Benjamim, e as demais tribos se dispuseram a castigá-la [137] com a anuência de Deus. Inclusive, Ele mesmo designou o líder que devia dirigir a batalha. [138] Trava-se o combate, confiantes que estão em mãos valorosas, que sua causa é mais poderosa e que maior é o favor divino. Mas que terrível é Deus em seus desígnios com os homens! [139] Fugiram dos malvados os que se vingariam da maldade e, muito mais numerosos, cederam diante de um inimigo muito menor. Recorrem ao Senhor e o Senhor lhes diz: “Voltai”. [140] Vão outra vez, e de novo são desbaratados e sucumbidos. Primeiro contaram com o favor de Deus, segundo com Sua ordem expressa. Enfrentam-se em um certame e sucumbem. [141] Foram inferiores no certame e superiores na fé.

Nas atuais circunstâncias tu imaginas o que fariam comigo se, por minha pregação, os nossos voltassem à guerra e sucumbissem? Crês que me escutariam se os exortasse a, pela terceira vez, repetir a viagem e acometer em uma façanha na qual já fracassaram duas vezes? Pois aí tens os israelitas que, sem ter em conta suas repetidas frustrações, pela terceira vez obedecem e se superam. [142] Mas os nossos homens diriam: “Como saberemos [413] que este sermão veio do Senhor? Que sinal tu fazes para que creiamos? [143] Não ficaria bem se eu mesmo respondesse: minha vergonha não me permite. Em meu lugar responde tu e por ti mesmo, segundo o que ouvistes e vistes [144], ou melhor, segundo o que Deus te inspira.

4. Possivelmente te perguntes por que me entretenho a falar de tudo isso quando me propus outra questão. Contudo, não o faço porque tenha me esquecido, mas porque tudo isso não é alheio ao meu propósito. Recordo muito bem que me propus desenvolver ante tua dignidade o tema da consideração, tema magno e digno de profunda reflexão. Pois os grandes personagens devem considerar coisas grandes. Então, quem como tu poderás estudá-lo com o maior interesse se não há sobre a terra outro semelhante a ti? Sê tu, portanto, a fazê-lo, segundo a sapiência e o poder dados a ti [145] do alto. [146]

Devido à minha pequenez, sinto-me incapaz de te ditar como deves fazer as coisas. É suficiente ter insinuado que deves atuar de alguma forma para trazer algum consolo à Igreja, obstruindo os loquazes iníquos. [147] Faço estas brevíssimas considerações em forma de apologia. Espero ter depositado em tua consciência as razões que me deixam plenamente escusado perante a minha responsabilidade e a tua [148], embora sejam insuficientes para esses que costumam estimar os eventos alheios somente por seu êxito, pois a justificação perfeita e absoluta de cada um é o testemunho da própria consciência. [149] Importa-me minimamente o que julgam de mim [150] aqueles que chamam mal ao bem e bem ao mal, trevas à luz e luz às trevas. [151] Se é preciso escolher, prefiro que os homens murmurem de mim, não de Deus. Para mim é bom servir-Lhe de escudo. Acolho com boa vontade as detratoras línguas maledicentes [152] e os venenosos dardos blasfemos de meus detratores, contanto que não cheguem até Ele. Suporto qualquer inglória para que a glória de Deus não sofra menosprezo. Sentir-me-ia glorificado se pudesse dizer: “Por ti suportei opróbrios, a confusão cobriu meu rosto”. [153] Para mim é uma glória compartilhar a sorte de Cristo, que disse: “Os opróbrios com que te insultam caem sobre mim”. [154] Bem, já é hora de voltar ao nosso tema e avançar ordenadamente em nossa exposição.

[414] As quatro coisas que devem ser consideradas e a tríplice consideração de si mesmo

II.V. Primeiramente, considera o que eu entendo por consideração. Não desejo identificá-la totalmente com a contemplação, pois esta radica na visão ou certeza do conhecido, e a consideração é uma inquisição do desconhecido. A contemplação pode ser definida como uma intuição verdadeira e segura da alma ou uma apreensão da verdade sem qualquer dúvida, enquanto que a consideração é uma cogitação da investigação ou uma aplicação intensa da alma para investigar a verdade. Ambos os termos costumam ser usados indistintamente.

II.VI. Sobre o que pode versar tua consideração? Penso que tu deves considerar quatro coisas: tu, o que está debaixo de ti, ao redor de ti e acima de ti. Comece tua consideração por ti, para que não te frustres te estendendo em outra coisas e te negligencies. Pois de que serve ganhar o mundo inteiro se te perdes? [155] Por mais sábio que sejas [156], não possuis toda a sabedoria se não fores sábio para contigo mesmo. E quanto te faltaria? No meu modo de ver, tudo. Ainda que conheças todos os mistérios [157], a largura da terra, a altura do céu, as profundezas do mar [158], se és um néscio, és semelhante àquele que edifica sem fundamento [159] e levanta uma ruína, não um edifício. Tudo o que construíres fora de ti será como pó amontoado exposto ao vento.

Não é sábio quem não o é para si. O sábio é sábio por si [160], e bebe primeiro de sua fonte. [161] Principies tua consideração por ti e a findes em ti. Vá aonde vás, retornes a ti e serás de grande proveito para a tua salvação. [162] Sê o primeiro e o último para ti. Toma o sumo exemplo do sumo Pai que enviou o seu Verbo e O reteve. [163] Teu verbo é a tua consideração que, se sai de ti, não deve se afastar. Que progridas sem afastar-se; que vás sem abandonar-te. [415]

Na aquisição de tua salvação [164] ninguém será mais teu irmão que o filho único de tua mãe. [165] Nunca cogites nada contra a tua salvação. Mas eu disse mal a palavra “contra”; deveria ter dito “fora”. Devemos rechaçar tudo o que se oferece à consideração se, de alguma maneira, não nos conduz à própria salvação.

IV.7. Esta consideração de ti se divide em três perguntas: se consideras o que és, quem és e como és. O que és por natureza, quem és como pessoa, e como és por teus costumes; que és, por exemplo, homem; quem és, o papa, ou o Sumo Pontífice; como és, benigno, manso, etc. Embora seja mais próprio dos filósofos que dos homens apostólicos refletir sobre a primeira pergunta, sabemos que ela se contesta com a definição do homem como animal racional e mortal. [166]

Quem goste, pode aprofundá-la com maior precisão. Não encontrarás nada contra a tua profissão e dignidade se te entregares a esta reflexão, pelo contrário, seria benéfico para a tua salvação. Ao considerares simultaneamente estas duas realidades, a racionalidade e a mortalidade, perceberás dois tipos de frutos: tua mortalidade humilhará tua racionabilidade e tua racionabilidade confortará tua mortalidade, pois o homem circunspecto apreciará estas duas coisas. Se esse fruto requer outra consideração, logo a exporemos e, se por acaso é melhor devido à relação de uma matéria à outra.

Que tu recordes tua primeira profissão

V.8. Passemos a advertir quem és e de que fostes feito. Embora tenha dito “de que”, penso passá-lo por alto, para deixá-lo à tua reflexão. Limito-me a recordar que seria indigno de ti ficar abaixo da perfeição, após teres sido escolhido para tão assunta perfeição. Não te enrubescerias de ver o mais baixo obtendo um posto magno quando eras um dos maiores dentre os menores? Não te esqueças de tua primeira profissão, nem a destruas de tua mente e de teu afeto, apesar de terem-na arrancado das mãos. Não será inútil que a tenhas sempre em tua vista quando deres uma ordem, corroborares uma sentença, ou tomares uma decisão. Assim, a consideração te facilitará desprezar as honras no seio da honra [416], o que é magno.

Que tampouco se ausente de teu peito; que sejas como um escudo no qual ricocheteie aquela seta: “O homem, por estar rodeado de honras, não compreendeu”. [167] Por isso, repita em teu interior: “Sou o mais abjeto na casa de meu Deus”. [168] Será possível que um pobre e abjeto se estabeleça sobre as gentes e os reis? [169] Quem sou eu e quem é o dono de minha pátria [170] para me sentar no mais excelso e sublime? Sem dúvida, quem disse “Amigo, ascenda ao superior” [171], seria sempre seu amigo. Se não o sou, me virá uma grande desgraça [172], pois quem me elevou pode abater-me. Seria como o lamento: “Depois que me elevaste, me arruinaste”. [173] Pois é absurdo se auto-bajular nas alturas, onde a solicitude é maior: aquela busca a grandeza, esta é a prova do amigo. Devo ater-me a isso se, ao final de tudo, não quero ocupar o último lugar.

Por que te fizeram superior

VI.9. Não podemos dissimular que te fizeram superior, mas temos que meditar para que és superior. Opino que não é para comportar-te como um senhor. De fato, como a ti, o Profeta foi elevado, e escutou: “Para arrancar e destruir, dispersar e demolir, edificar e plantar”. [174] Estes verbos soam faustosos? São figuras que se referem ao suor do rústico, e, de certa maneira, expressam o trabalho do espírito.

Portanto, por mais elevado que seja o conceito que temos de nós mesmos, temos que nos convencer que não nos foi entregue um domínio, mas uma função servil. “Eu não sou o maior Profeta. [175] E embora possa igualar-me em poder, pelo mérito não há comparação”. Diga isso interiormente e ensina a ti mesmo, tu, que doutrinará os demais. [176] Considera-te um profeta qualquer. [177] Ou te parece muito pouco para ti? É demasiado. Mas pela graça de Deus és o que és. [178] O que? Um Profeta. Ou pensas que és mais que um Profeta? [179] Se fores sábio, contentar-te-ás com a medida [417] que Deus te deu. [180] Tudo o que for além disso é mau. [181]

Aprende com os Profetas a presidir, mas fazendo o que requerem os tempos, não simplesmente ordenando. Deves saber que tu necessitas mais de uma enxada do que um cetro para cumprir o trabalho de um Profeta. A ascensão profética não é para reinar, mas para extirpar. Não crês que tu também poderás encontrar algum trabalho no campo de teu Senhor? Sim, e muito. Porque os verdadeiros Profetas não o limparam totalmente. Deixaram algo para seus filhos, os apóstolos, como teus predecessores deixaram a ti algo por fazer. Tampouco tu poderás fazer tudo. Certamente deixarás algo para teu sucessor, e este para o seu, os outros ao seguinte, e assim sucessivamente até o fim.

Por volta da décima-primeira hora, o Senhor repreende o ócio dos operários e eles são enviados à vinha. [182] Esse mesmo Senhor disse aos apóstolos que o cereal é abundante e poucos os operários. [183] Reivindica tua herança paterna, porque se és filho, és herdeiro. [184] Para provar que o és, põe mãos à obra. Não te entorpeças no ócio, nem seja como aquele que dizem: “O que fazes aqui, todo o dia ocioso?”. [185]

10. Muito pior seria te estragares nas delícias, ou te enfatuares na pompa. Quem fez teu testamento não te legou nada disso. E por quê? Se te ativeres à letra do testamento, herdarás mais preocupação e trabalho do que glórias e riquezas. [186] Te encantarás com a cátedra? Ela é um espelho, como uma torre de sentinelas. Dela tu deverás vigiar tudo; esse é o dever que te impõe tua condição de epíscopo, pois ela não é um domínio, mas um ofício. Por acaso não estás em um lugar eminente para observar tudo, e não te constituíram como observador de tudo? [187] Pois esta vigilância te obrigarás a viver sempre tenso, não no ócio. Podes tu apetecer à glória onde não há ócio? É impossível permanecer ocioso quando urge a solicitude por todas as igrejas. [188] Ou recebestes outra herança do santo Apóstolo? O que tenho, isto te dou. [189] O que ele te deu? Eu só sei que não te deu ouro nem prata, porque disse expressamente: “não tenho ouro nem prata”. [190]

Se o tens tu, usa-o, mas não caprichosamente, e sim de acordo com os tempos atuais. Assim o possuirás como se não o possuísse. [191] As riquezas não são boas nem más para a alma. Usá-las é bom, abusá-las é mau, cobiçá-las é pior, procurá-las é torpe [418]. Poderás justificar-te com as razões que queiras, mas não com o direito apostólico. Ele não pode dar-te o que não tem, pois te deu tudo o que tinha, isto é, a solicitude por todas as igrejas. [192] Para dominá-las? Escuta: “Não dominando aos que confiaram, mas tornando-os modelos do rebanho”. [193] Eu digo isso convencido que deve ser assim como a voz do Senhor no Evangelho: “Os reis das gentes as dominam, e os que exercem o poder se fazem chamar benfeitores”. [194] E acrescenta: “Mas vós, nada disso”. [195] Está claro: aos apóstolos está interdita a dominação.

11. Agora, veja, e se te atreves, usurpe o ministério apostólico como senhor ou, como apóstolo, o senhorio. Ambas te foram inteiramente proibidas. Caso pretendas ter as duas, ficarás sem nenhuma. Então, não penses estar livre daqueles de quem o Senhor se lamenta: “Eles nomearam reis sem contar comigo, nomearam príncipes sem o meu conhecimento”. [196] Será muito agradável reinar sem o Senhor, tereis glória, mas não a de Deus. [197]

Já sabemos o que está interditado, ouçamos agora o Edito: “O maior dentre vós iguale-se ao menor, e o superior, ao que serve”. [198] Esta é a norma apostólica: se interdita o domínio, se intima o serviço, carece imitar o exemplo do Legislador, acrescentando: “Eu estou entre vós como quem serve”. [199] Será que podemos considerar inglório um título com o qual o Senhor quis distinguir-se na glória? [200] Com mérito, Paulo se gloriou disso, e disse: “São ministros de Cristo, eu também”. [201] E acrescentou: “Direi uma mediocridade: mais eu. Muito mais nos sofrimentos, abundantemente nos cárceres, na quantidade dos espancamentos, na freqüência dos perigos de morte”. [202]

Oh, preclaro ministério! Não é glorioso esse principado? Se é preciso me gloriar [203], olha os santos e considera a glória proposta pelos apóstolos. [204] Parece-lhe pequena essa recompensa? Que meu tributo seja similar à glória dos santos [205]. [419] Clama o profeta: “Os amigos de teu Deus são honrados excessivamente, teu principado é confortado excessivamente”. [206] Clama o apóstolo: “Quanto a mim, Deus me livre de gloriar-me mais que na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo.” [207]

12. Eu desejo para ti que esta seja sempre a tua maior glória, a que os apóstolos e os profetas elegeram e te transmitiram. Descubra tua herança no sofrimento maior da cruz de Cristo. [208] Feliz quem pode dizer: trabalhei mais que todos. [209] Glória é, mas não vazia, nem fraca, nem orgulhosa. O trabalho que repugna necessita de estímulo. “Cada um receberá seu próprio salário segundo seu trabalho”. [210] Embora tenha trabalhado mais que todos , não acabou a tarefa: ainda há lugar. [212]

Exortação à solicitude e humildade

- Continua -

Notas

[102] O leitor observará que, neste capítulo dedicado ao fracasso na cruzada, Bernardo aprofunda suas citações bíblicas, como se justificasse a tragédia como uma espécie de predestinação divina, castigo por causa dos pecados dos cristãos.

[103] Sl 9, 9; 95, 13.

[104] Jl 2, 18.

[105] Sl 113, 10.

[106] 1Cor 10, 5.

[107] Ez 32, 21; 35, 8.

[108] Thren 4, 9.

[109] Sl 106, 40.

[110] “Estão todos desviados e obstinados também: não há um que faça o bem, não há um, sequer”, Sl 13, 3.

[111] “Sua terra pululou de rãs, até nos aposentos reais”, Sl 104, 30.

[112] Rom 10, 15.

[113] Ez 13, 10.

[114] Is 17, 14.

[115] 2Cor 1, 17.

[116] “Quanto a mim, é assim que corro, não ao incerto”, 1Cor 9, 26.

[117] Is 58, 3.

[118] Is 5, 25.

[119] Ex 32, 12.

[120] Sl 18, 10.

[121] Sl 35, 7.

[122] Mt 11, 6.

[123] Sl 118, 52.

[124] Sl 24, 6.

[125] Sl 118, 52.

[126] Ex 3, 8.

[127] Nm 20, 12.

[128] Mc 16, 20.

[129] Dt 31, 27.

[130] Nm 20, 10.

[131] Jo 21, 21.

[132] Jo 9, 21.

[133] Ez 1, 17; 10, 11.

[134] Ex 16, 3.

[135] Sl 72, 19.

[136] Gl 3, 21.

[137] Jz 20, 2.

[138] Jz 20, 18.

[139] Sl 65, 5.

[140] Jz 20, 23.

[141] Jz 20, 25.

[142] Jz 20, 30.

[143] Jo 6, 30.

[144] Mt 11, 4.

[145] “Considerai a longanimidade de nosso Senhor como a nossa salvação, conforme também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada.”, 2Pd 3, 15.

[146] “Não terias poder algum sobre mim, se não te fosse dado do alto; por isso, quem a ti me entregou tem maior pecado”, Jo 19, 11.

[147] “...a boca dos mentirosos será fechada”, Sl 62, 12.

[148] Lc 14, 18-19.

[149] “O nosso motivo de ufania é este testemunho da nossa consciência...”, 2Cor 1, 12.

[150] “Quanto a mim, pouco me importa ser julgado por vós ou por um tribunal humano. Eu também não julgo a mim mesmo. Verdade é que a minha consciência de nada me acusa, mas nem por isto estou justificado; meu juiz é o Senhor”, 1Cor 4, 3.

[151] “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem mal, / dos que transformam as trevas em luz e a luz em trevas, / dos que mudam o amargo em doce e o doce em amargo...”, Is 5, 20.

[152] “O vento do norte gera a chuva, / e a língua dissimuladora, uma face irritada”, Pr 25, 23.

[153] “É por tua causa que eu suporto insultos, / que a confusão me cobre o rosto, / que me tornei um estrangeiro aos meus irmãos, / um estranho para os filhos de minha mãe”, Sl 68, 8.

[154] “...pois o zelo por tua casa me devora, / e os insultos dos que te insultam recaem sobre mim.”, Sl 68, 10.

[155] Mt 16, 26.

[156] Pr 9, 12.

[157] 1Cor 13, 2.

[158] Jó 38, 16.

[159] Lc 6, 49.

[160] Pr 9, 12.

[161] Pr 5, 15.

[162] Eclo 1, 23.

[163] Sl 147, 18.

[164] I Ts 5, 9.

[165] Lc 7, 12.

[166] Na Política, Aristóteles define o homem como um animal que tem logos (razão). Os medievais acrescentaram a mortalidade para distinguir o homem do anjo, já que este é um animal racional (isto é, um ser animado), mas imortal. Ver FIDORA, Alexander. “From “Manifying” to “Pegasizing”: Ramon Llull’s Theory of Definition Between Arabic and Modern Logic”. In: PÉREZ MOLINA, Miguel (coord.). Mirabilia 7 – La Tradición Filosófica en el Mundo Antiguo y Medieval, Diciembre 2007.

[167] Sl 49, 13.

[168] Sl 83, 11.

[169] Jr 1, 10.

[170] Gn 41, 51.

[171] Lc, 14, 10 (“Pelo contrário, quando fores convidado, ocupa o último lugar, de modo eu, ao chegar quem te convidou, te diga: ‘Amigo, vem mais para cima’”).

[172] 2Cor 12, 1.

[173] Sl 102, 11.

[174] Jr 1, 10.

[175] Am 7, 14.

[176] “Ora, tu, que ensinas aos outros, não ensinas a ti mesmo!”, Rm 2, 21.

[177] Mt 16, 14.

[178] “Pois sou o menor dos apóstolos, nem sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus. Mas pela graça de Deus sou o que sou: e sua graça a mim dispensada não foi estéril”, 1Cor 15, 10. Nesta passagem, Bernardo recorda ao papa o dever do cristão de buscar a humildade e, para isso, cita Paulo, que afirma que sua conversão apareceu em último lugar, “como a um abortivo”.

[179] Mt 11, 9.

[180] “Não temos a ousadia de nos igualar ou de nos comparar a alguns que recomendam a si mesmos. Medindo-se a si mesmos segundo a sua medida e comparando-se a si mesmos, tornam-se insensatos. Quanto a nós, não nos gloriaremos além da justa medida, mas nos serviremos, como medida, da regra mesma que Deus nos assinalou: a de termos chegado até vós”, 2Cor 10, 12-13.

[181] O Cristo disse: “Seja o vosso ‘sim’, sim, e o vosso ‘não’, não. O que passa disso vem do Maligno”, Mt 5, 37.

[182] Mt 20, 6-7.

[183] Mt 9, 37.

[184] Gl 4, 7.

[185] Mt 20, 6.

[186] Sl 112, 3.

[187] Ez 33, 2.

[188] 2Cor 11, 28.

[189] At 3, 6.

[190] At 3, 6.

[191] “Eis o que vos digo irmãos: o tempo se fez curto, resta, pois, que aqueles que têm esposas sejam como aqueles que não tivessem; aqueles que choram, como se não chorassem; aqueles que se regozijam, como se não se regozijassem; aqueles que compram, como se não possuíssem; aqueles que usam desse mundo, como se não usassem plenamente”, 1Cor 7, 29-31.

[192] 2Cor 1, 28.

[193] 1Pd 5, 2-3.

[194] Lc 22, 25.

[195] Lc 22, 26.

[196] Os 8, 4.

[197] Rm 4, 2.

[198] Lc 22, 26.

[199] Lc 22, 27.

[200] 1Cor 2, 8.

[201] 2Cor 11, 23.

[202] 2Cor 11, 23.

[203] 2Cor 11, 23.

[204] 2Cor 11, 30.

[205] Ecl 45, 2.

[206] Sl 138, 17.

[207] Gl 6, 14.

[208] 2Cor 11, 23.

[209] 1Cor 15, 10.

[210] 1Cor 3, 8.

[211] 1Cor 15, 10.

[212] Lc 14, 22.


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