domingo, 1 de abril de 2012

Infância Espiritual x Infantilismo.


Infantilismo e infância espiritual.

Todos devem se fazer crianças na íntima persuasão da própria pequenez (...), pela contínua disposição em ser governados, para ceder a todos, para obedecer a todos (OO CC II,19).

Infância espiritual não é espírito infantil. Infantilismo é um comportamento inadequado que, às vezes, podemos encontrar em um adulto. Apesar de ele ter crescido, em algumas situações seu comportamento é parecido ao de uma criança. Não podemos apreciar um comportamento infantil. Ao contrário, infância espiritual é um comportamento virtuoso. Consiste em viver, em espírito, diante de Deus. De acordo com S. Vicente Pallotti as seguintes características marcam a virtude da infância espiritual: uma profunda consciência da própria limitação, uma disposição contínua em ser dirigida e conduzida, o abandono total e a obediência em todas as situações. A infância espiritual implica primeiramente o cultivo de uma profunda consciência da própria limitação. A pessoa experimenta, profunda e existencialmente, ser pequena e insignificante diante de Deus. Em segundo lugar, a infância espiritual exige da pessoa uma disposição contínua em ser dirigida e conduzida por Deus. Assim ela reconhece sua total dependência de Deus. Em terceiro lugar, a infância espiritual implica a prontidão da pessoa em entregar tudo a Deus. Uma vez que sabe que tudo o que possui vem de Deus, ela está desapegada de tudo e pronta a tudo entregar. É mais feliz em possui o doador dos dons do que somente os dons. Finalmente, a infância espiritual implica obediência total em qualquer situação, exige total abandono de si em Deus. A pessoa que se torna criança diante de Deus confia nEle, depende dEle, prefere-O a tudo – Ele é o Doador dos dons – e entrega sua vida a Ele.

Estou sendo infantil em meu comportamento? Tenho eu a atitude da infância espiritual? Reconheço minhas limitações? Dependo de Deus em tudo? Prefiro Deus, o Doador dos dons, aos seus dons? Estou pronto a entregar minha vida a Deus?

Jesus disse: Deixai as crianças e não as impeçais de virem a mim, pois delas é o Reino dos Céus (Mt 19,14).

Infância Espiritual: viver como criançinha

Nosso Senhor Jesus Cristo nasceu criança. Por isso, por amor dele temos a obrigação de formar em nós a infância espiritual; e devemos sempre viver como crianças nas mãos de nossos superiores e dos padres espirituais (OO CC III,43).

Para S. Vicente Pallotti, a virtude da infância espiritual consiste na atitude de viver como criança na relação com Deus. Nós encontramos essa atitude na relação de Jesus com o Seu Pai. Ao longo de toda Sua vida, em todas as situações, Jesus fez, com liberdade de Filho, a vontade do Seu Pai. S. Vicente aconselha todos a praticar essa virtude espiritual à imitação de Jesus. Como Jesus expressou sua filiação na entrega total de Sua vida ao Pai, assim todos devem exprimir sua filiação adotiva através da entrega da própria vida a Deus. No caso das pessoas, essa entrega é muitas vezes expressa através da abertura em aceitar as ordens de seus superiores e de outros que desempenhem ofícios de liderança. Uma pessoa – que sinceramente aceita suas limitações, nutre em si mesmo prontidão em acatar a autoridade dos que Deus colocou como superiores e cumpre com entusiasmo o que eles esperam dela – pratica a virtude da infância espiritual. S. Vicente viveu constantemente essa infância espiritual principalmente na sua relação com o seu diretor espiritual e com outras autoridades.

Vivo eu a infância espiritual à imitação de Jesus, Filho do Pai? Reconheço a autoridade das pessoas que Deus colocou como meus superiores? Tenho capacidade de ver a vontade de Deus em suas ordens e desejos? Cumpro com entusiasmo as diretivas de meus superiores no espírito de Cristo?

O nosso motivo de ufania é este testemunho da nossa consciência; comportamo-nos no mundo, e mais particularmente em relação a vós, com a santidade e a pureza que vêm de Deus, não com sabedoria carnal, mas pela graça de Deus (2Cor 1,12).

Qualidades da Infância espiritual

Nos Santos Retiros, outras virtudes da Infância espiritual devem também resplandecer: a ingenuidade, o candor, a simplicidade da pomba, a doçura, a modéstia. O exercício de todas as virtudes deve ser regulado sempre pela prudência cristã (OO CC II,20-21).

De acordo com S. Vicente Pallotti, há várias virtudes que fluem da virtude da Infância espiritual. São elas a ingenuidade, o candor, a simplicidade, a ternura e a modéstia. Todas essas virtudes são dirigidas pela prudência cristã. Uma pessoa que pratica a virtude da infância espiritual possui todas essas outras virtudes. A virtude da ingenuidade torna a pessoa apta a se oferecer a Deus. Uma pessoa ingênua sempre encontra a maneira e o modo para dedicar o melhor de si a Deus. A virtude da candura torna uma pessoa sincera, franca, aberta e honesta em sua relação com Deus. A virtude da simplicidade facilita uma pessoa a buscar Deus e sua glória em tudo que ela faz. Isso implica o esquecimento de si e a busca exclusiva de Deus. A virtude da simplicidade faz a pessoa delicada em seu comportamento, terna em seu amor e sensível em sua resposta a Deus. A virtude da modéstia ajuda a pessoa a conter suas tendências e paixões desordenadas e a se manter pronta para Deus em pureza de coração, mente e corpo. A virtude a prudência e as virtudes associadas a ela dão um senso de equilíbrio e de moderação na prática das virtudes anteriormente mencionadas. Dessa maneira, a infância espiritual destrói toda forma de egoísmo e transforma completamente a pessoa plenamente disponível a Deus e aos outros.

Ofereço-me e me dedico a Deus? Sou sincero diante de Deus? Sou simples em minha relação com Deus? Ofereço-me a Deus com pureza de coração, mente e corpo? Estou disponível a Deus e ao meu próximo?

Se vivemos pelo Espírito, pelo Espírito pautemos a nossa conduta. Não sejamos cobiçosos de vanglória, provocando-nos uns aos outros e invejando-nos uns aos outros (Gl 5,25-26).

Prática da Infância espiritual

Ninguém poderá pretender ofício ou autoridade, mesmo que deva estar pronto a aceitar se lhe for imposto (...) Ninguém poderá se lamentar se não for eleito, ainda que esteja obrigado a se capacitar para o desempenho de qualquer ofício (OO CC II,20).

S. Vicente Pallotti dá uma orientação clara de como praticar a infância espiritual em relação à aceitação de um ofício e de uma autoridade. A pessoa não deveria procurar nenhum ofício. S. Vicente condenou a atitude de competição e a disputa pelos cargos de autoridade. Essa atitude era comum no clero de sua época. Detestando essa atitude muito difundida entre o clero e querendo evitá-la na Sociedade que ele fundou, introduziu a promessa de “não aceitar dignidades eclesiásticas”. Enquanto não buscava ambiciosamente dignidades eclesiásticas, S. Vicente não era contrário a aceitar ofícios se fosse obrigado por bons motivos. S. Vicente diz que, se uma pessoa não for eleita para um ofício, ela não deveria lamentar nem lastimar o fato de não ter sido escolhida. Pois seu lamento revela e significa a sua ambição por cargos. Mas, ao mesmo tempo, a pessoa deveria cultivar em si prontidão a aceitar qualquer ofício, uma vez que isso é uma maneira de servir Deus e seu povo. Assim, é claro que S. Vicente Pallotti não era contrário ao desempenho de um ofício e sim contra a busca ambiciosa e a competição por cargos. Se um ofício era visto como uma oportunidade de servir Deus e seu povo, ele encorajava a pessoa a desempenhar tal cargo. Dessa maneira, para ele, o serviço deve ser o motivo do exercício de qualquer autoridade.

Pratico a infância espiritual em relação às posições de autoridade? Sou ambicioso e disputo as posições de autoridade? Lamento-me quando não sou escolhido para um ofício? É o serviço ao povo de Deus minha motivação quando aceito um cargo?

Eis para quem estão voltados os meus olhos, para o pobre e para o abatido, para aquele que treme diante de minha palavra (Is 66,2).

Infância Espiritual: uma atitude de obediência absoluta

Faço a intenção de considerar todas as criaturas como superiores a mim e, por isso, desejo executar as ordens de todos por amor a Deus (OO CC X,158).

S. Vicente Pallotti considerou a virtude da infância espiritual como uma maneira de viver em atitude de obediência absoluta. Em sua vida, ele cultivou a “atitude de ser governado” e “de ser obediente” aos superiores. Para S. Vicente, viver a infância espiritual exige que obedeçamos até mesmo os inferiores e subalternos que encontramos em nossa vida diária. S. Vicente praticou essa virtude não somente em relação ao seu diretor espiritual e seus superiores, mas também em relação a todas as criaturas. Por isso, ele disse que desejava considerar todas as criaturas como seus superiores. Ele também se comprometeu em obedecer todas as ordens dadas a ele independentemente de quem viessem. Ele fez o propósito de obedecer pronta, exata, alegre e sinceramente qualquer ordem que lhe fosse dada por qualquer pessoa, inferior ou superior. Com essa prática radical de obediência, S. Vicente aprendeu o significado existencial da humildade, cresceu em seu amor a Deus e se tornou ainda mais devotado a Deus. Assim, a prática da virtude da infância espiritual consiste na aceitação da pequenez diante de Deus. Trata-se de uma humilde sujeição à vontade de Deus sem tristeza alguma.

Reconheço que, para viver a infância espiritual, preciso praticar a virtude de obediência incondicional? Estou pronto a obedecer às autoridades? Desejo obedecer aos que são inferiores a mim? A prática da infância espiritual aumenta meu amor a Deus e me ensina a humildade?

Vossa obediência tornou-se conhecida de todos e sois para mim motivo de alegria. Mas desejo que sejais sábios para o bem e sem malícia para o mal (Rm 16,19).

Simplicidade: buscar Deus somente

[Pela virtude da simplicidade] a alma busca sempre e em todas as coisas somente Deus e sua glória e, assim, vence todos os temores humanos, as tentação, a sujeição às paixões desordenadas, as seduções das coisas criadas. Assim, pela simplicidade, a pessoa, sem embaraço e sem se deixar vencer pelas tentações e temores humanos, corre mais expeditamente a Deus (OO CC XIII,1271-1272).

De acordo com S. Vicente Pallotti, a virtude da simplicidade ajuda a pessoa a permanecer segura em Deus. Uma vez que a pessoa busca em Deus sua segurança, não há nada que perturbe sua paz e tranqüilidade interior. Qualquer problema que invista contra, qualquer sofrimento tenha que enfrentar, qualquer obstáculo encontre uma pessoa simples, ela permanece firme porque arraigada em Deus, seu protetor. Por conseguinte, a prática dessa virtude dispõe a pessoa a buscar Deus sem embaraços e a fazer tudo para glória divina. Assim, a simplicidade consiste em procurar Deus somente. Uma vez que o coração da pessoa, que pratica essa virtude, está centrado em Deus, ela não se apega a nada terreno. Nada desvia sua mente de Deus. Estando focada em Deus, o único motivo de suas ações é o amor a Deus. Nem os temores humanos, tampouco seus interesses pessoais impedem-na de optar sempre por Deus. A prática da simplicidade dá à pessoa plena liberdade interior. Com essa liberdade interior a pessoa simples busca Deus e o encontra em tudo sem dificuldades.

Como pratico a virtude da simplicidade em minha vida? Encontro minha segurança em Deus? Minha atitude de simplicidade me ajuda e buscar Deus e sua glória? Minha mente está focada em Deus? A prática da simplicidade dá a mim liberdade interior para buscar Deus? Qual é a motivação de minhas ações?

Conversão: o resultado da simplicidade

[A simplicidade] nos separa inteiramente de todas as coisas da terra, nos faz vencer todos os inimigos espirituais e subjuga nossas paixões malvadas, nos leva a trabalhar unicamente por amor a Deus e nos leva direta e expeditamente a Deus (OOCC V,319).

S. Vicente Pallotti acreditava que a prática da virtude da simplicidade realiza uma genuína conversão interior na pessoa. Para Vicente, a prática dessa virtude separa completamente a pessoa das coisas terrenas, subjuga todos os inimigos espirituais, domina todas as paixões malvadas, faz que os seus atos sejam movidos pelo amor e a eleva até Deus. Assim, essa virtude ajuda a pessoa a se desapegar do egoísmo e das seduções mundanas e a leva a buscar Deus com pureza de intenção. Como resultado, a pessoa se torna capaz de se desviar de tudo o que é contra Deus e de se voltar unicamente para Ele. Uma vez que a pessoa tenta procurar Deus sempre e em tudo, ela fica tão envolvida nesse esforço que perde seu interesse, desejos e inclinações egoístas e apegos terrenos. Dessa maneira, a pessoa age em qualquer situação guiada por boas intenções e faz vir as bênçãos de Deus em sua vida e na dos outros. Isto, por sua vez, leva-a a entregar-se a Deus. S. Vicente praticou a virtude da simplicidade com grande zelo. Ele buscou Deus como seu tesouro aqui na terra e procurou dar-lhe glória em tudo que fazia.

A virtude da simplicidade me conduz a uma genuína conversão de vida? Tenho a capacidade de me desapegar de meu egoísmo e das seduções do mundo? Apego-me a Deus, procurando-o exclusivamente? Realizo todos meus atos com reta intenção? Cumpro minhas ações para manifestar a glória de Deus?

Se, pois, ressuscitastes com Cristo, procurai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus (Cl 3,1).

Maria: caminho para Jesus

Quero, ó filho, que tu me dês o teu coração, e eu o entregarei ao Meu divino Filho Jesus e a ele o consagrarei. E em Jesus encontrarás todas as graças que te são necessárias para permanecer nele. Eis, ó filho, o momento em que deves desapegar o teu coração de todos os afetos terrenos a fim de que estejas disposto a receber do coração do Meu divino Filho Jesus a participação de todos os seus afetos espirituais e celestes. Pensa, ó filho, que tal desapego do coração te faz perder as misérias, vaidades e aflições do espírito (...) e te dispõe aos tesouros celestes. Dá-me, portanto, ó filho, o teu coração para que eu o consagre a Jesus (OO CC XIII,716-717).

A espiritualidade de S. Vicente Pallotti tem uma característica mariana. O elemento essencial do itinerário espiritual de Vicente passa “de Maria a Jesus”. O papel mais importante da vida de Maria é trazer Cristo ao mundo. Por isso ela age a fim de fazer nascer Cristo nos corações dos fiéis. Além disso, ela faz com que o fiel amadureça em Cristo. Consequentemente, S. Vicente encoraja todos, sejam eles pecadores, tépidos, tíbios ou fervorosos, a ir até Maria para encontrar o meio, apto a cada um, para chegar até Jesus. Aos pecadores, Maria oferece refúgio e os ajuda a se reconciliarem com o Senhor crucificado pelos seus pecados. Aos tépidos e tíbios em sua relação com Deus, Maria, depois de acolhê-los, pede que não vivam de maneira a ameaçar o dom do Espírito recebido. Eles devem começar de novo com renovado fervor e se encaminhar para uma vida de perfeição genuína que, por sua vez, conduz a Jesus. As pessoas fervorosas em seu compromisso com o Senhor, Maria ajuda a crescer em seus esforços para se tornarem perfeitas e, por meio disso, torna-as mais semelhantes a Cristo. Portanto Maria deseja que todos dêem o próprio coração a ela para que ela possa realizar a necessária transformação deles. Tendo-os transformados, ela pode oferecê-los a Jesus. Dessa maneira, Maria se torna o caminho para Jesus no que concerne a vida espiritual de todo cristão.

Reconheço Maria como o caminho que me leva até Jesus? Em que estado espiritual me encontro? Estou em estado de pecado? Sou tépido e tíbio? Sou fervoroso em meu compromisso com o Senhor? Estou pronto a me oferecer a Maria, não obstante meu estado espiritual? Acredito que com a ajuda de Maria posso realmente conhecer Jesus?

Sua Mãe disse aos serventes: “Fazei tudo o que ele vos disser” (Jo 2,5).

Fonte: http://www.palotinos.com.br

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