quarta-feira, 8 de junho de 2011

Ocasiões perigosas de pecado.


Ocasiões perigosas de pecado

Um sem-número de cristãos se perde por não querer evitar as ocasiões de pecado. Quantas almas lá no inferno não se lastimam e queixam: infeliz de mim. Se tivesse evitado aquela ocasião, não estaria agora condenado por toda a eternidade. Falando aqui da ocasião de pecado, temos em vista a ocasião próxima, pois se deve distinguir entre ocasiões próximas e remotas. Ocasião remota é a que se nos depara em toda a parte e que raramente arrasta o homem ao pecado. Ocasião próxima é a que, por sua natureza, regularmente induz ao pecado. Por exemplo, achar-se-ia em ocasião próxima um jovem que muitas vezes e, sem necessidade, se entretém com pessoas levianas de outro sexo.

Ocasião próxima para certa pessoa é também aquela que já a arrastou muitas vezes ao pecado. Algumas ocasiões, consideradas em si, não são próximas, tomam-se, contudo, tais para uma determinada pessoa que, achando-se em semelhantes circunstâncias, já caiu muitas vezes em pecado em razão de suas más inclinações e hábitos. Portanto, o perigo não é igual nem o mesmo para todos. O Espírito Santo diz: "Quem ama o perigo nele perecerá" (Ecli. 3 27). Segundo S. Tomás a razão disso é que Deus nos abandona no perigo quando a ele nos expomos deliberadamente ou dele não nos afastamos.

S. Bernardino de Sena diz que dentre todos os conselhos de Jesus Cristo, o mais importante, e como que a base de toda a religião é aquele pelo qual nos recomenda a fuga da ocasião do pecado. Se fores, pois, tentado, e especialmente se te achares em ocasião próxima, acautela-te para te não deixares embair pelo tentador. O demônio deseja que se empalhe com a tentação, porque então torna-se-lhe fácil a vitória. Deves, porém, fugir sem demora, invocar os santos nomes de Jesus e Maria, sem prestar atenção, nem sequer por um instante, ao inimigo que te tenta. S. Pedro nos afirma que o demônio rodeia cada alma para ver se a pode tragar: "Vosso adversário, o demônio, vos rodeia como um leão que ruge, procurando a quem devorar" (I Ped. 5, 8).

S. Cipriano, explicando essas palavras, diz que o demônio espreita uma porta pela qual possa entrar na alma; logo que se oferece uma ocasião perigosa, diz consigo mesmo: eis a porta pela qual poderei entrar, e imediatamente sugere a tentação. Se então a alma se se mostrar indolente para fugir da tentação, cairá seguramente, em especial se tratar de um pecado impuro. É a razão por que ao demônio mais desagradam os propósitos de fugirmos das ocasiões de pecado, que as promessas de nunca mais ofendermos a Deus, porque as ocasiões não evitadas tornam-se como uma faixa que nos venda os olhos para não vermos as verdades eternas, as ilustrações divinas e as promessas feitas a Deus. Quem estiver, porém, enredado em pecado contra a castidade deverá, para o futuro, evitar não só a ocasião próxima, mas também a remota, enquanto possível, porque tal se sentirá muito fraco para resistir.

Não nos deixemos enganar pelo pretexto de a ocasião ser necessária, como dizem os teólogos, e que por isso não estamos obrigados a evitá-la, pois Jesus Cristo disse: "Se teu olho direito te escandaliza, arranca-o e lança-o de ti" (MT. 5 29). Mesmo que seja teu olho direito, deverás arrancá-lo e lançar fora de ti, para que não sejas condenado.

Logo, deves fugir daquela ocasião, ainda que remota, já que em razão de tua fraqueza tornou-se ela uma ocasião próxima para ti. Antes de tudo devemos estar convencidos que nós, revestidos de carne, não podemos por própria força guardar a castidade, só Deus, em Sua imensa bondade, nos poderá dar força para tanto. É verdade que Deus atende a quem Lhe suplica, mas não poderá atender a oração daquele que conscientemente se expõe ao perigo e não o deixa, apesar de conhecê-lo, pois, como diz o Espírito Santo, quem ama o perigo, perecerá nele.

Ó Deus, quantos cristãos existem que, apesar de levarem uma vida piedosa, caem finalmente e obstinam-se no pecado, só porque não querem evitar ocasião próxima do pecado impuro. Por isso nos aconselha S. Paulo (Filip. 2 12): "Com temor e tremor operai a vossa salvação. Quem não teme e ousa expor-se as ocasiões perigosas, principalmente quando se trata do pecado impuro, dificilmente se salvará.

De algumas ocasiões que devemos evitar cuidadosamente

Como queremos salvar nossa alma, é nosso dever fugir da ocasião do pecado. Principalmente devemos abster-nos de contemplar pessoas que possam suscitar-nos maus pensamentos. "Pelos olhos entra a seta do amor impuro e fere a alma", diz S. Bernardo, e essa seta, ferindo-a, tira-lhe a vida. O Espírito Santo dá-nos o conselho: "Desviai vossos olhos de uma mulher adornada" (Ecli. 9 8).

Mas será pecado fitar pessoas de outro sexo? Se estas forem jovens, será pecado venial, pelo menos; e quando se prende nelas atenciosa e demoradamente as vistas, e isso repetidas vezes, há mesmo perigo de pecado mortal. Segundo S. Francisco de Sales, um só olhar já é prejudicial e muito mais repetido olhares.

Para se livrar de tentações impuras um antigo filósofo arrancou os olhos. Nós, cristãos, não podemos assim proceder, mas devemos cegar-nos espiritualmente, desviando os olhos de objetos que possam ocasionar-nos tentações.

S. Luis Gonzaga nunca olhava uma mulher e, mesmo em conversa com sua própria mãe, tinha os olhos postos no chão. É claro que o mesmo perigo existe para as mulheres que cravam seus olhos em homens. Em segundo lugar, deve evitar todas as más companhias e as conversas e entretenimento em que se divertem homens e mulheres.

Com os santos te santificarás e com os perversos te perverterás. Anda com os bons e tornar-te-ás bom, anda com os desonestos e tomar-te-ás desonesto.

O homem toma os hábitos daqueles que convivem com ele, diz S. Tomás de Aquino.

Se estiveres metido em uma conversação perigosa, que não possas abandonar segue o conselho do Espírito Santo: cerca teus ouvidos de espinhos para que os pensamentos impuros dos outros não achem nele entrada. Quando S. Bernardino de Sena, ainda pequeno, ouvia uma palavra desonesta, sentia o rubor subir as suas faces, e por isso seus companheiros tomavam cuidado para não pronunciar tais palavras em sua presença. E S. Estanislau Kostka sentia tal asco ao ouvir tais palavras, que perdia os sentidos.

Quando ouvires alguém conversando sobre coisas impuras, volta-lhe as costas e foge.

Assim costumava proceder S. Edmundo. Havendo uma vez abandonado seus companheiros por estarem conversando sobre coisas desonestas, encontrou-se com um jovem extraordinariamente belo que lhe disse: Deus te abençoe querido. Ao que o santo perguntou, admirado: Quem és tu? Olha para minha fronte e lerás meu nome. Edmundo levantou os olhos e leu: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus. Com isso Nosso Senhor desapareceu e o santo sentiu uma alegria celestial em seu coração.

Achando-te em companhia de rapazes que conversam sobre coisas desonestas, não podendo retirar-te, não lhes dês atenção, voltam-lhes o rosto e dá-lhes a conhecer que tais conversas te desagradam. Deves também se abster de considerar quadros menos decentes. S. Carlos Borromeu proibiu a todos os pais de família conservar tais quadros em suas casas. Deves igualmente evitar a leitura de maus livros, revistas e jornais, não só dos que tratam ostensivamente de coisas imorais, como também dos que se ocupam de histórias eróticas, como certos poetas e romancistas.

Vós, pois de família, proibi a vossos filhos a leitura de romances: estes causam muitas vezes maiores danos que os livros propriamente imorais, porque deixam nos corações dos jovens certas más impressões que lhes roubam a devoção e os induzem ao pecado. S. Boaventura diz: "Leituras vãs produzem pensamentos vãos e destroem a devoção". Dai a vossos filhos livros espirituais, como história eclesiástica, ou vida dos santos e semelhantes. Proibi a vossos filhos representar um papel em comédia inconveniente e mesmo a assistência a representações imorais. "Quem foi casto para o teatro, de lá volta manchado, diz S.Cipriano. Se para lá se dirigiu aquele jovem ou aquela donzela em estado de graça, de lá voltam ambos em estado de pecado.

Proibi também a vossos filhos a ida a certas festas, que são festas do demônio, nas quais há danças, namoros, canções impudicas, gracejos e divertimentos perigosos, onde há danças, celebra-se uma festa do demônio, diz S. Efrém.

Mas que há de ruim quando se graceja? Dirá alguém. Esses tais gracejos não são gracejos, mas crimes, responde São João Crisóstomo. São graves ofensas contra Deus. Um companheiro do Pe. João Vitellio, contra a vontade deste servo de Deus, se dirigiu uma vez para tal divertimento em Nórcia. Que lhe aconteceu? Perdeu primeiramente a graça de Deus, entregaram-se em seguida a uma vida desregrada e foi finalmente assassinado por seu próprio irmão. Poderás aqui perguntar-me se é pecado mortal namorar. Aqui só direi que tais namoros tomam-se ocasião para o pecado. A experiência ensina que em tais casos só poucos deixam de pecar.

Se não pecam já no começo, caem no decorrer do tempo. No princípio se entretém só por inclinação mútua; a inclinação mútua torna- se, porém, em breve paixão, e a paixão, uma vez arraigada, cega o espírito e arrasta muitos pecados de pensamentos, palavras e obras.

Que objeções contra as sobreditas verdades

Objetarão: Mudei duma vez de vida; não tenho nenhuma má intenção, nem mesmo uma tentação quando vou visitar fulana ou sicrana.

Respondo: Conta-se que há uma espécie de ursos que dão caças aos macacos: Ao avistar o urso, fogem estes para as árvores. Mas que faz o urso? Deita-se debaixo da árvore e faz-se de morto. Descem os macacos com esse engano e então de um salto captura-os e devora-os. É o que pratica o demônio: representa a tentação como morta e mal desceres, isto é, logo que te expuseres ao perigo, desperta-a, de novo, e ela te tragará.

Oh! Quantos cristãos, que se davam ao exercício de oração e comunhão e, mesmo, levavam uma vida santa, não caíram nas garras do demônio porque se expuseram ao perigo.

A história eclesiástica narra, que uma mulher mui piedosa se ocupava em obras de caridade e em especial em enterrar os corpos dos santos mártires. Encontrando uma vez o corpo de um mártir que ainda dava sinais de vida, levou-o para sua casa, curou-o e o mártir restabeleceu-se. Mas que aconteceu? Por causa da ocasião próxima esses dois santos – pois este nome mereciam – primeiramente perderam a graça de Deus e depois a fé.

Mas a visita aquela casa, a continuação daquela amizade me traz proveito, dizes. Sim, porém se notares que “aquela casa é o caminho para o inferno” (Prov. 7,27), nenhum proveito te trará, e tu a deves deixar se desejas ser feliz. Mesmo que fosse teu olho direito a causa da perdição, deverias arrancá-lo e lançá-lo longe de ti, diz o Senhor. Nota as palavras: lança-o de ti, não deves deixá-lo perto, mas repeli-lo para longe, isto é, deves evitar por completo a ocasião. – Mas daquela pessoa nada tenho a temer, pois ela é tão devota.

A isso responde São Francisco de Assis: “O demônio tenta diversamente os cristãos piedosos que se deram inteiramente a Deus e os que levam uma vida desregrada. Ele não procura prendê-los com uma corda já no princípio, contenta-se com um cabelo, servindo-se então de um fio e finalmente de uma corda, arrastando-os ao pecado.

Ainda uma observação importante: Um penitente que nunca evitou seriamente as ocasiões perigosas, nas quais tem regularmente caído em pecado mortal, apesar de todas as suas confissões, deverá fazer uma confissão geral, visto terem sido inválidas as confissões feitas em tal estado, visto a falta de propósito de evitar a ocasião próxima. O mesmo se deve dizer a respeito dos que confessam seus pecados, mas nunca deram sinal de emenda, continuando logo depois da confissão a cometer os mesmos pecados, sem empregar nenhum meio contra a queda. Só uma confissão geral poderá trazer-lhes garantia e tranqüilidade, servindo de base para uma verdadeira emenda, feita a confissão, poderão encetar uma vida nova e perfeita, pois os maiores pecadores, como acima provamos, poderão, com graça de Deus, alcançar a perfeição.

(O Desbravador, novembro 2005)
Fonte: http://a-grande-guerra.blogspot.com/2011/06/ocasioes-perigos-de-pecado.html

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Infelizmente, devido ao alto grau de estupidez, hostilidade e de ignorância de tantos "comentaristas" (e nossa falta de tempo para refutar tantas imbecilidades), os comentários estão temporariamente suspensos.

Contribuições positivas com boas informações via formulário serão benvindas!

Regras para postagem de comentários:
-
1) Comentários com conteúdo e linguagem ofensivos não serão postados.
-
2) Polêmicas desnecessárias, soberba desmedida e extremos de ignorância serão solenemente ignorados.
-
3) Ataque a mensagem, não o mensageiro - utilize argumentos lógicos (observe o item 1 acima).
-
4) Aguarde a moderação quando houver (pode demorar dias ou semanas). Não espere uma resposta imediata.
-
5) Seu comentário pode ser apagado discricionariamente a qualquer momento.
-
6) Lembre-se da Caridade ao postar comentários.
-
7) Grato por sua visita!

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Ocorreu um erro neste gadget

Pesquisar: