quinta-feira, 16 de junho de 2011

Falar com obras.


Dos Sermões de Santo Antônio de Pádua, presbítero

(I.226) (Séc.XII)



A palavra é viva quando são as obras que falam

Quem está repleto do Espírito Santo fala várias línguas. As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a saber: a humildade, a pobreza, a paciência e a obediência; falamos estas línguas quando os outros as vêem em nós mesmos. A palavra é viva quando são as obras que falam. Cessem, portanto, os discursos e falem as obras. Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras. Por este motivo o Senhor nos amaldiçoa, como amaldiçoou a figueira em que não encontrara frutos, mas apenas folhas. Diz São Gregório: “Há uma lei para o pregador: que faça o que prega”. Em vão pregará o conhecimento da lei quem destrói a doutrina por suas obras.

Os apóstolos, entretanto, falavam conforme o Espírito Santo os inspirava (cf. At 2,4).Feliz de quem fala conforme o Espírito Santo lhe inspira e não conforme suas idéias! Pois há alguns que falam movidos pelo próprio espírito e, usando as palavras dos outros, apresentam-nas como suas, atribuindo-as a si mesmos. Destes e de outros
semelhantes, diz o Senhor por meio do profeta Jeremias: Terão de se haver comigo os
profetas que roubam um do outro as minhas palavras. Terão de se haver comigo os
profetas, diz o Senhor, que usam suas línguas para proferir oráculos. Eis que terão de haver-se comigo os profetas que profetizam sonhos mentirosos, diz o Senhor, que os
contam, e seduzem o meu povo com suas mentiras e seus enganos. Mas eu não os enviei, não lhes dei ordens, e não são de nenhuma utilidade para este povo – oráculo
do Senhor (Jr 23,30-32).

Falemos, portanto, conforme a linguagem que o Espírito Santo nos conceder; e peçamos-lhe humilde e devotamente que derrame sobre nós a sua graça, a fim de
podermos celebrar o dia de Pentecostes com a perfeição dos cinco sentidos e na
observância do decálogo. Que sejamos repletos de um profundo espírito de contrição e
nos inflamemos com essas línguas de fogo que são os louvores divinos. Desse modo,
ardentes e iluminados pelos esplendores da santidade, mereceremos ver o Deus Uno e
Trino.

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