segunda-feira, 16 de maio de 2011

Saudação aos Católicos.


Carta Pastoral de S. Em. Sr. Cardeal D. Sebastião Leme quando Arcebispo de Olinda, saudando os seus diocesanos. Vozes, Petrópolis (16 de julho de 1916).

Ora, da grande maioria dos nossos católicos, quantos são os que se empenham em cumprir os mandamentos de Deus e da Igreja?

É certo que os sacramentos são caudais divinos por onde corre a seiva vivificadora da fé. E, no entanto, parte avultada dos nossos católicos vive afastada dos sacramentos. A Penitência e a Eucaristia, focos de luz divina, são sacramentos conhecidos tão somente da maioria eleita dos nossos irmãos. E os outros? Não carecem do perdão magnânimo do Cristo? Não precisam, quem sabe, das luzes, do conforto e das inenerráveis graças do Pão Eucarístico? Não são católicos! É que são católicos de nome, católicos por tradição e por hábito, católicos só de sentimento.
Ensinou-lhes uma santa mãe a beijar a cruz e a Virgem. Eles ainda o fazem. Mas, das práticas cristãs, dessas que purificam e salvam, eles se apartaram desde os primeiros dias da mocidade.

(...)Somos a maioria absoluta da nação. Direitos inconcussos nos assistem com relação à sociedade civil e política, de que somos a maioria. Defendê-los, reclamá-los, fazê-los acatados, é dever inalienável. E nós não o temos cumprido. Na verdade, os católicos, somos a maioria do Brasil e, no entanto, católicos não são os princípios e os órgãos da nossa vida política.

Não é católica a lei que nos rege. Da nossa fé prescindem os depositários da autoridade. Leigas são as nossas escolas; leigo, o ensino. Na força armada da República, não se cuida da Religião.

Enfim, na engrenagem do Brasil oficial não vemos uma só manifestação de vida católica. O mesmo se pode dizer de todos os ramos da vida pública.
Anticatólicos ou indiferentes são as obras da nossa literatura. Vivem a achincalhar-nos os jornais que assinamos. Foge de todo à ação da Igreja a indústria, onde no meio de suas fábricas inúmeras, a religião deixa de exercer a sua missão moralizadora.

O comércio de que nos provemos parece timbrar em fazer conhecido que não respeita as leis sagradas do descanso festivo.

Hábitos novos, irrazoáveis e até ridículos, vai introduzindo no povo o esnobismo cosmopolita. Carnavais transferidos para tempos de orações e penitência, danças exóticas e tudo o mais que o morfinismo inventou para distração de raças envelhecidas na saturação do prazer.

Que maioria-católica é essa, tão insensível, quando leis, governos, literatura, escolas, imprensa, indústria, comércio e todas as demais funções da vida nacional se revelam contrárias ou alheias aos princípios e práticas do catolicismo?
É evidente, pois, que, apesar de sermos a maioria absoluta do Brasil, como nação, não temos e não vivemos vida católica.

(...)Os deveres religiosos, como não cumpri-los? Ou cremos em Deus e na sua Igreja ou não cremos. Sim? Então não podemos recusar obediência ampla e incondicional às suas leis sagradas. Não cremos em Deus e na Igreja? Nesse caso, não queiramos esconder a nossa descrença. Digamo-lo francamente: não somos católicos.

Se, porém, temos a dita de o ser, não há tergiversação possível. Pautando a vida pelos ditames do Credo e dos Mandamentos, deles não nos é permitido selecionar o que nos agrada e o que nos contraria as paixões. Seria ofender a consciência e faltar à coerência. Dessa incoerência, menos rara do que se pensa, resulta a quase nenhuma influência dos princípios regeneradores do cristianismo nos atos da vida individual. E não é só. Privados do influxo benéfico e incomparável do Cristo, privamos a família, a sociedade e a pátria da nossa influência salvadora.

Se Cristo não atua sobre a nossa vida individual, como poderemos atuar sobre o meio social?E, no entanto, da influência social dos católicos é certo que muitos precisa a nossa pátria amada. Ela tem o direito indiscutível a exigir de nós uma floração de virtudes privadas e cívicas que, estimulando a todos no cumprimento do dever, em todos se infiltrem para germe de probidade e são patriotismo.

Da nossa parte, a consciência nos impele a nos desobrigarmos dos deveres que temos para com a sociedade e a pátria. Eles nascem da fé que nos anima e vivifica.
Temos fé, somos possuidores da verdade! Como não querer propagá-la? Como não difundi-la? Seria desumano que pretendêssemos insular a nossa fé nas inebriações de perene doçura extática.

É natural, é cristão, é lógico que devo pôr todo o empenho em que meu Deus seja conhecido e amado. Devo esforçar-me para que se dilate o seu reinado e ele – o meu Jesus – viva e reine, impere e domine nos indivíduos, na família e na sociedade. Devo esforçar-me, em tudo e por tudo, para que o meu Deus, Mestre e Senhor, viva e reine, principalmente, nos indivíduos, na família e na sociedade que, irmanadas comigo nos laços do mesmo sangue, da mesma língua, das mesmas tradições, da mesma história e do mesmo porvir, comigo vivem sobre a mesma terra, debaixo do mesmo céu.
Sim, ao católico não pode ser indiferente que a sua pátria seja ou não aliada de Jesus Cristo. Seria trair a Jesus; seria trair a pátria! Eis por que, com todas as energias de nossa alma de católicos e brasileiros, urge rompamos com o marasmo atrofiante com que nos habituamos a ser uma maioria nominal, esquecida dos seus deveres, sem consciência dos seus direitos. É grande o mal, urgente é a cura. Tentá-lo – é obra de fé e ato de patriotismo. Fonte: Deus e a pátria: Igreja e Estado no processo de Romanização na Paraíba (1894-1930) / Roberto Barros Dias. – João Pessoa, 2008. http://advhaereses.blogspot.com/2009/11/cardeal-leme-em-1916-que-catolicos-sao_07.html

A Imperatriz Covardia.

Uma palavra que pode bem caracterizar a crise pela qual a Igreja tem passado, por causa da fraqueza de seus filhos, nos últimos tempos é covardia.

Sendo a Igreja militante e sendo o cristão um soldado de Cristo, para o cristão, covardia equivale, de certo modo e como que a uma velada apostasia.

Sempre houve covardes na história da Igreja, e por isso sempre houve apóstatas.
A covardia pode levar à apostasia explícita.

Como, porém, o número de covardes nunca foi tão grande como nos últimos tempos, por isso mesmo nunca houve maior apostasia.

Há exatos cem anos, em 1907, o Modernismo era condenado solenemente por São Pio X, através da encíclica Pascendi e do decreto Lamentabili.

Porém, como as autoridades da Igreja subseqüentes a São Pio X não tiveram a mesma coragem de se opor tenazmente às manifestações da heresia modernista, esta acabou vindo a triunfar com o Concílio Vaticano II.

Comemorar, pois, agora, os cem anos da coragem de S. Pio X, significa também lastimar os cem anos de covardia daqueles que deviam ter imitado o exemplo do único Papa santo do século XX.

Foi a covardia, portanto, que produziu a maior desgraça da história da Igreja: o Concílio Vaticano II, com sua gama de funestíssimas inovações, todas, por sua vez, também marcadas com o sinete da covardia.

O Vaticano II significou, por assim dizer, uma tentativa de “regularizar” a covardia dos Pastores em enfrentar os lobos...

O que foi a “abertura ao mundo”, senão o resultado da covardia de contrariar as idéias e caprichos dos tempos atuais?

O que significou a acolhida do ecumenismo, senão a regularização oficial da covardia em enfrentar hereges e cismáticos?

O que foi a aceitação da tese da liberdade religiosa, senão a oficialização da covardia em lutar pelo reinado social da única Igreja de Cristo?

E a aprovação da tese da colegialidade, o que foi senão a expressão da covardia em defender a autoridade suprema do Papa?

E quanto à “reforma” litúrgica, em que se constituiu ela, senão num verdadeiro compêndio de todas as covardias conciliares?

Os chamados papas conciliares, infelizmente, não tiveram a coragem que seria necessária para resistir aos desmandos de Cardeais e Bispos.

Os senhores Bispos, por sua vez, foram covardes frente aos abusos de seus sacerdotes.
Os Padres, seguindo o exemplo de seus maiores, fizeram-se covardes diante dos pecados do povo.

E assim Sua Majestade, a Imperatriz Covardia, tudo dominou...
Os pais tornaram-se covardes com os filhos.
Os professores se tornaram covardes com os alunos.
As autoridades civis acovardaram-se na defesa da vida e da família.
Os pregadores se acovardaram frente a seus ouvintes, bem como os confessores em relação a seus penitentes.
Acovardaram-se também os reitores dos seminários, permitindo que estes se transformassem em verdadeiros “feminários”...
A falta de coragem dos Pastores da Igreja em combater os erros, acabou dando espaço à proliferação de grupos que não honram o nome de cristãos: RCC, Neo-Catecumenato, Comunhão e Libertação, etc.

Inventaram até uma “Pastoral dos Casais em Segunda União”, a qual bem mereceria ser chamada de “Pastoral da Ilusão”, pois ilude os divorciados adúlteros com a perspectiva de se salvarem sem se converterem...

A covardia de abraçar e pregar o mistério da Cruz, inspirou a certos pseudo-frades a materialista Teologia da Libertação.

Religiosos com medo do sacrifício, alteraram as regras e costumes deixados por seus Santos Fundadores, entregando-se a uma vida relaxada, de tal modo que, por exemplo, Santo Inácio teria vergonha dos jesuítas atuais, e Santo Afonso coraria ao visitar um convento redentorista moderno...

Por covardia, deixou-se de falar dos Novíssimos, de se pregar a penitência, de se atacar as ocasiões de pecado. As pregações tornaram-se uma romântica “água com açúcar”...

Por covardia, cessou-se de anunciar que Deus odeia infinitamente toda religião que não seja a Santa Igreja Católica, Sua única Igreja, fora da qual não há e nem pode haver santidade ou salvação.

Por covardia frente ao comunismo, se recusou condená-lo no Vaticano II, bem como se recusou a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria.

Nem mesmo o “Índex” dos livros proibidos escapou de ser abolido, em conseqüência da covardia para corajosamente condenar erros.

Deixou-se de cantar ao “Senhor Deus dos Exércitos”, para se cantar ao “Deus do Universo”...

Só não houve covardia em se tratando de pecar e de desonrar o nome de cristão.
E não se alegue ignorância para desculpar a covardia de nossos tempos. Muitos conhecem a verdade, mas cruzam os braços quando se trata de defendê-la.

Todos sabem, por exemplo, que a prática da “comunhão na mão” ocasiona a perda de muitos fragmentos eucarísticos, os quais acabam pisados, varridos, etc, e, no entanto, quantas são as vozes que se levantam para protestar contra estas evidentes profanações e sacrilégios?

Onde foi parar o destemor dos Mártires, a bravura dos cruzados, o zelo dos inquisidores, a coragem dos missionários e o ardor de todos os Santos, que sempre caracterizaram a cristandade?

Será que pretendemos que os Anjos desçam a lutar em nosso lugar?

Covardia, covardia...

E como “a leão morto até as lebres insultam”...
Esta cristandade às avessas parece só se irritar com uma coisa: com o zelo dos que ainda resistem ao mundo.
Seja um covarde que tudo aceita, e você será aplaudido.
Seja um católico combatente, e você será apedrejado.
Esquece-se, assim, do que já no século XVII ensinava o Pe. Manuel Bernardes:
“Se espancas os cães da vinha, pareces ser também ladrão. (...) Mas lá está o Senhor da vinha, a quem darás conta dos frutos que nem defendeste, nem deixaste defender.”
Já não se aplicam excomunhões...
Exceto contra os que não se curvam perante Sua Majestade, a Imperatriz Covardia.
Época maldita, que canonizas traidores e excomungas Confessores da Fé!
Quer-se, de todo modo, levar os soldados de Cristo a abandonar a batalha e a deixar o estandarte da Igreja Católica para seguir a bandeira do Concílio Vaticano II.
Quer-se, ao menos, que se calem...
Mas como poderiam fazê-lo, sabendo que isso seria dar a vitória a este “Deus” estranho, ao qual serve a “civilização do amor”?
Sim, porque os devotos da “modernidade” servem a um outro “Deus” que não o nosso.
E esse “Deus” da “civilização do amor” é realmente muito estranho...
Mostra-se extremamente tolerante e “compreensivo”.
Prefere acordos duvidosos a combates.
Tem diplomatas em vez de soldados.
Mais se agrada de um “Encontro das Religiões” em Assis, do que de uma missão para converter os infiéis.
Sua moral é a liberdade.
Sua hierarquia é a igualdade.
Sua ascese é a fraternidade.
Seu culto, a filantropia.
Seu apostolado, o ecumenismo.
Seu dogma, o relativismo.
Sua “Igreja”, a humanidade.
Um “Deus” bem “aggiornato”...
E não digamos que este estranho “Deus” não existe.
Existir, ele existe. Só que não é verdadeiro Deus e, segundo a tradição popular, tem chifres...
Pelos interesses dele trabalha, de modo quase “onipresente”, Sua Majestade, a Imperatriz Covardia.
Não se espere, porém, que esta Imperatriz se nos apresente pelo seu nome próprio. Ela prefere usar os doces nomes de Tolerância, Paz, Solidariedade, Amor...
E assim inúmeros homens vão, a cada dia, aumentando as fileiras do sonolento e preguiçoso Império da Covardia.
E se o sangue dos Mártires é semente de novos cristãos, o sono dos covardes também não deixa de ser uma sementeira, mas de novas apostasias...
E diante deste triste espetáculo poderíamos ficar, deliciosamente, de braços cruzados?
Não seria isso trair o caráter indelével de soldados de Cristo que recebemos no sacramento da Crisma?
Não seria pisar o Evangelho d’Aquele que proclamou não ter vindo trazer a paz, mas a espada (Mt X, 34)?
Cumpre reacender o sangue cristão daqueles que acovardaram diante do mundo, diante do Modernismo, diante do Vaticano II.
E quanto a nós, antes a morte do que desertar!
Antes morrermos do que prostrar-nos ante o asqueroso trono dessa tão infelizmente reinante, Imperatriz Covardia.
Se é preciso que desçamos à arena, que assim seja.
Conosco está a Virgem Imaculada, “terrível como um exército em linha de batalha” (Cant VI,9).
Conosco estão os Santos, nossos heróis de guerra.
E pelo Deus que morreu por nós, morramos nós também, cantando com Santa Teresa d’Ávila:
“Não haja entre nós covarde!
Aventuremos a vida:
Não há quem melhor a guarde
Que o que a deu por já perdida.
Jesus comanda a investida,
E prêmio será da guerra;
Ah! Não durmais; ah! não durmais,
Porquanto não há paz na terra.” (Santa Teresa d’Ávila)
Fonte: http://a-grande-guerra.blogspot.com/2011/05/imperatriz-covardia.html

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