sábado, 12 de março de 2011

Liturgia das Horas (Ofício Divino): Ofício das Leituras.

Da História do martírio dos santos Paulo Miki e seus companheiros, escrita por um

autor do tempo



(Cap.14,109-110:Acta Sanctorum Febr. 1, 769)



(Séc.XVI)



Sereis minhas testemunhas


Quando as cruzes foram levantadas, foi coisa admirável ver a constância de todos, à

qual eram exortados pelo Padre Passos e pelo Padre Rodrigues. O Padre Comissário

permaneceu sempre de pé, sem se mexer e com os olhos fixos no céu. O Irmão

Martinho cantava salmos de ação de graças à bondade divina, aos quais acrescentava o

versículo: Em vossas mãos, Senhor (Sl 30,6). Também o Irmão Francisco Blanco dava

graças a Deus com voz clara. O Irmão Gonçalo recitava em voz alta o Pai-nosso e a

Ave-Maria.



O nosso Irmão Paulo Miki, vendo-se colocado diante de todos no mais honroso púlpito

que nunca tivera, começou por declarar aos presentes que era japonês e pertencia à

Companhia de Jesus, que ia morrer por haver anunciado o Evangelho e que dava graças

a Deus por lhe conceder tão imenso benefício. E por fim disse estas palavras: “Agora

que cheguei a este momento de minha vida, nenhum de vós duvidará que eu queira

esconder a verdade. Declaro-vos, portanto, que não há outro caminho para a salvação

fora daquele seguido pelos cristãos. E como este caminho me ensina a perdoar os

inimigos e os que me ofenderam, de todo o coração perdôo o Imperador e os

responsáveis pela minha morte, e lhes peço que recebam o batismo cristão.



Em seguida, voltando os olhos para os companheiros, começou a encorajá-los neste

momento extremo. No rosto de todos transparecia uma grande alegria, mas era no de

Luís que isto se percebia de modo mais nítido. Quando um cristão gritou que em breve

estaria no paraíso, ele fez com as mãos e o corpo um gesto tão cheio de contentamento

que os olhares dos presentes se fixaram nele.


Antônio estava ao lado de Luís, com os olhos voltados para o céu. Depois de invocar

os santíssimos nomes de Jesus e de Maria, entoou o salmo Louvai, louvai, ó servos do

Senhor (Sl 112,1), que tinha aprendido na escola de catequese em Nagasáki; de fato,

durante o catecismo, costumavam ensinar alguns salmos às crianças.



Alguns repetiam com o rosto sereno: “Jesus, Maria”; outros exortavam os presentes a

levarem uma vida digna de cristãos; e por estas e outras ações semelhantes

demonstravam estar prontos para a morte.



Finalmente os quatro carrascos começaram a tirar as espadas daquelas bainhas que os

japoneses costumam usar. Vendo cena tão horrível, os fiéis gritavam: “Jesus! Maria!”

Seguiram-se lamentos tão sentidos de tocar os próprios céus. Ferindo-os com um

primeiro e um segundo golpe, em pouco tempo os carrascos mataram a todos.

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