quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Liturgia das Horas (Ofício Divino): Ofício das Leituras.


Dos Sermões de São Sofrônio, bispo

(Orat. 3, de Hypapante,6.7: PG87,3,3291-3293)

(Séc.VII)


Recebamos a luz clara e eterna


Todos nós que celebramos e veneramos com tanta piedade o mistério do encontro do

Senhor, corramos para ele cheios de entusiasmo. Ninguém deixe de participar deste

encontro, ninguém recuse levar sua luz.


Acrescentamos também algo ao brilho das velas, para significar o esplendor divino

daquele que se aproxima e ilumina todas as coisas; ele dissipa as trevas do mal com a

sua luz eterna, e também manifesta o esplendor da alma, com o qual devemos correr ao

encontro com Cristo.


Do mesmo modo que a Mãe de Deus e Virgem imaculada trouxe nos braços a

verdadeira luz e a comunicou aos que jaziam nas trevas, assim também nós: iluminados

pelo seu fulgor e trazendo na mão uma luz que brilha diante de todos, corramos

pressurosos ao encontro daquele que é a verdadeira luz.


Realmente, a luz veio ao mundo (cf. Jo 1,9) e dispersou as sombras que o cobriam; o

sol que nasce do alto nos visitou (cf. Lc 1,78) e iluminou os que jaziam nas trevas.

É este o significado do mistério que hoje celebramos. Por isso caminhamos com

lâmpadas nas mãos, por isso acorremos trazendo as luzes, não apenas simbolizando que

a luz já brilhou para nós, mas também para anunciar o esplendor maior que dela nos

virá no futuro. Por este motivo, vamos todos juntos, corramos ao encontro de Deus.


Chegou a verdadeira luz, que vindo ao mundo ilumina todo ser humano (Jo 1,9).

Portanto, irmãos, deixemos que ela nos ilumine, que ela brilhe sobre todos nós.


Que ninguém fique excluído deste esplendor, ninguém insista em continuar mergulhado

na noite. Mas avancemos todos resplandecentes; iluminados por este fulgor, vamos

todos ao seu encontro e com o velho Simeão recebamos a luz clara e eterna. Associemo-

nos à sua alegria e cantemos com ele um hino de ação de graças ao Criador e Pai da

luz,que enviou a luz verdadeira e, afastando todas as trevas, nos fez participantes

do seu esplendor.


A salvação de Deus, preparada diante de todos os povos, manifestou a glória que nos

pertence, a nós que somos o novo Israel. Também fez com que víssemos, graças a ele,

essa salvação e fôssemos absolvidos da antiga e tenebrosa culpa. Assim aconteceu com

Simeão que, depois de ver a Cristo, foi libertado dos laços da vida presente.


Também nós, abraçando pela fé a Cristo Jesus que nasceu em Belém, de pagãos que

éramos, nos tornamos povo de Deus – Jesus é, com efeito, a salvação de Deus Pai – e

vemos com nossos próprios olhos o Deus feito homem. E porque vimos a presença de

Deus e a recebemos, por assim dizer,nos braços do nosso espírito, somos chamados de

novo Israel. Todos os anos celebramos novamente esta festa, para nunca nos

esquecermos daquele que um dia há de voltar.

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